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O académico e sociólogo Elísio Macamo defendeu, esta quarta-feira, a necessidade de Moçambique construir um “Estado que aprende”, capaz de retirar lições da implementação das políticas públicas e adaptar as suas decisões aos desafios que surgem ao longo do tempo, em vez de se limitar a produzir novos planos de desenvolvimento.

Intervindo no painel “Prospectiva e Posicionamento Estratégico: 2026–2050”, integrado na Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique, Macamo afirmou que o país não enfrenta um problema de falta de estratégias, mas sim de incapacidade institucional para aprender com a experiência.

“Eu acho que nós temos tido bons planos desde que este país foi fundado. Então, o problema não está na qualidade dos planos”, afirmou.

Para o sociólogo, um plano representa apenas uma proposta de acção e, por isso, pode falhar. O verdadeiro desafio, explicou, consiste em avaliar continuamente os resultados obtidos e incorporar as lições aprendidas na definição das políticas públicas.

“O grande problema que nós temos é o de nós não aprendermos institucionalmente. Não aprendermos daquilo que nós fizemos”, sustentou.

Segundo Macamo, Moçambique já possui uma agenda nacional suficientemente clara, consagrada na Constituição da República, documento que, na sua opinião, define os valores, os direitos dos cidadãos e as regras que devem orientar a governação.

“Nós já temos uma agenda. E, por acaso, até a melhor agenda que um país pode ter. Qual é essa agenda? É a Constituição da República”, afirmou, defendendo que qualquer plano de desenvolvimento deve respeitar os princípios nela estabelecidos.

O académico propôs que as instituições públicas passem a adoptar uma cultura permanente de avaliação das políticas, baseada em três perguntas fundamentais: que problema se pretendia resolver, o que foi aprendido durante a implementação e de que forma essa aprendizagem alterou a compreensão inicial desse problema.

“Não é ciência astronómica. É apenas uma questão de ser pragmático na abordagem das coisas da vida”, afirmou.

Durante a intervenção, Macamo manifestou ainda algumas reservas em relação à ideia, defendida por outros participantes, de que os planos nacionais devem manter-se inalterados ao longo de sucessivos ciclos de governação.

Na sua perspectiva, os governos democraticamente eleitos devem preservar liberdade para redefinir prioridades, desde que essa mudança resulte da aprendizagem acumulada e não de decisões arbitrárias.

“Um plano nunca pode limitar a liberdade democrática de um governo de tomar as suas decisões, porque um plano reflecte o conhecimento que nós temos agora e as prioridades que nós temos agora. Essas prioridades podem mudar daqui a três, cinco ou dez anos”, argumentou.

Por isso, acrescentou, “eu não coloco a mesma ênfase na necessidade de continuidade, se essa continuidade se referir ao plano. A continuidade tem que ser ao nível da aprendizagem institucional.”

Num dos momentos mais descontraídos da sua intervenção, o sociólogo comentou a metáfora dos animais utilizada na Agenda 2025 para ilustrar diferentes trajectórias de desenvolvimento, mostrando-se crítico da imagem da abelha como modelo a seguir.

“Aquela imagem da abelha é bonita por causa do mel que é doce, mas é um horror para mim. A abelha faz a mesma coisa a toda a hora”, afirmou, defendendo que Moçambique deve inspirar-se em diferentes características representadas por outros animais.

Na sua visão, o país deve aprender com “a prudência do cágado, a curiosidade do caranguejo e a auto-suficiência do cabrito”, em vez de procurar um único modelo de comportamento.

“Ao invés de nós nos concentrarmos apenas num animal, devíamos procurar saber quais são as qualidades que cada animal tem e que condições é que nós podemos criar para tirar proveito dessas qualidades”, explicou.

A concluir, Elísio Macamo reiterou que o maior desafio do país passa pela criação de instituições capazes de aprender continuamente com a experiência e de ajustar as políticas públicas à evolução da realidade nacional.

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O Município de Quelimane tem disponível 150 mil dólares, para o financiamento de projectos juvenis para resposta aos efeitos das mudanças climáticas. O fundo foi disponibilizado à Bloomberg Philanthropie, uma agência dos Estados Unidos que coopera com a autarquia de Quelimane. 

Os 150 mil dólares para financiar as iniciativas juvenis na área de mudanças climáticas já foram distribuídos às associações e decorre a fase de implementação. Pelo menos 26 associações trabalham para repor mangás, pintura de murais educativos, educação ambiental, colocação de luzes com base em painéis solares nos bairros. 

Na primeira fase foi em  2024, com a disponibilização de um orçamento no valor de 50 mil dólares, e, agora, decorre a segunda fase. 

Ao nível de Quelimane já há murais educativos, feitos com base naqueles investimentos, como por exemplo o que pode ser visto ao longo da avenida da marginal. 

Três indivíduos, supostamente perigosos, foram detidos pela Polícia da República de Moçambique (PRM), indiciados por envolvimento em assaltos na via pública e roubo em residências, com recurso a armas de fogo. Um dos detidos é um cadastrado, que fugiu da penitenciária provincial de Tete, em Junho deste ano. 

O grupo actuava preferencialmente na via pública e tinha como alvos agentes de carteira móvel. Os acusados foram detidos há dias, depois de terem assaltado um agente de carteira Móvel, com recurso a uma pistola, e apoderarem-se de 180 mil meticais. 

Um dos integrantes é um  cadastrado perigoso, que fugiu da cadeia onde estava a cumprir uma pena  máxima de oito anos. O indivíduo é tambem acusado de uso ilegal de armas de fogo.

Outro acusado nega fazer parte do grupo e alega ser comerciante. Entretanto, admite conhecer um dos integrantes com quem está detido.

A Polícia conseguiu recuperar parte do dinheiro roubado e refere que a arma usada no assalto é ilegal. No entanto, diz estar a trabalhar para identificar a proveniência da mesma e neutralizar o quarto integrante, que está foragido.

Além do dinheiro  roubado, a Polícia também conseguiu recuperar três motorizadas que eram usadas pelo grupo para o transporte de diversos bens durante os assaltos

Vários mísseis e drones russos encontram-se neste momento no espaço aéreo ucraniano e dirigem-se a várias regiões do centro e oeste do país, segundo informa a Força Aérea ucraniana.

O chefe do gabinete presidencial ucraniano, Andrí Yermak, escreveu nas suas redes sociais que a Rússia está a atacar com “muitos mísseis”, além de drones.

As Forças Armadas polacas, citadas pela imprensa internacional, informaram durante a madrugada que dezenas de projéteis russos entraram no espaço aéreo polaco, obrigando as defesas da Polónia a neutralizar alguns deles.

Uma pessoa morreu na região de Zhitómir, na Ucrânia central, segundo as autoridades ucranianas.

O ministro ucraniano dos Negócios Estrangeiros, Andrí Sibiga, atribuiu o facto de o ataque russo ter afectado directamente a Polónia ao “crescente sentimento de impunidade” do Presidente russo, Vladimir Putin, por não ter sido punido pela comunidade internacional por escaladas anteriores.

“Putin simplesmente continua a escalar, expandindo a sua guerra, testando o Ocidente”, escreveu Sibiga na rede social X.

O chefe da diplomacia ucraniana acrescentou que “uma resposta fraca” a este ataque incitará a Rússia a continuar a expandir a guerra. Sibiga escreveu que “os mísseis e drones russos chegarão ainda mais ao interior da Europa”.

O ministro ucraniano pediu, como Kiev já fez em ocasiões anteriores em que drones russos caíram em território romeno ou polaco, que os países situados a oeste da Ucrânia utilizem as suas defesas aéreas para intercetar drones e mísseis que sobrevoem o oeste da Ucrânia.

O julgamento do antigo Juiz Presidente do Tribunal Judicial da Maxixe começou esta terça-feira em Inhambane, marcando o desfecho de uma investigação que se arrasta desde outubro de 2019. O magistrado, Alexandre José Njovo, está a responder por acusações graves: desvio de mais de 3,2 milhões de meticais dos cofres do tribunal, apropriação ilícita com o escrivão Francisco Cumbane, destruição de documentos e abuso de poder.

Segundo o despacho de acusação do Ministério Público, o esquema começou com a emissão de cheques das contas de depósitos obrigatórios — destinados a cobrir emolumentos, cauções ou pensões alimentícias — em favor do escrivão. Os valores eram depois repartidos entre os dois. Os levantamentos ocorreram de forma sistemática entre fevereiro e junho de 2018: 303 mil meticais em uma única operação, seguidos por 354 mil, 100 mil, 291 mil, 81 mil, 155 mil e 66 mil meticais. Num período de seis meses, totalizaram-se mais de 1,25 milhão de meticais, num esquema que se prolongou até o montante global de 3,2 milhões.

Auditoria revela desfalque milionário no Tribunal da Maxixe

Uma auditoria interna realizada ao Tribunal Judicial da Cidade da Maxixe expôs um esquema de desvio de fundos liderado pelo então juiz-presidente, Alexandre Njovo, que em conluio com o escrivão de direito, Francisco Cumbane, terá se apropriado de mais de 3.2 milhões de meticais dos cofres daquela instituição.

O magistrado utilizava as contas de depósitos obrigatórios do tribunal para autorizar levantamentos fraudulentos. Os cheques eram emitidos em nome do escrivão e, logo a seguir, os valores eram repartidos entre ambos.

Os registos bancários revelam a forma meticulosa com que o esquema foi executado. Entre os saques identificados destaque vai para o da data de 25 de fevereiro de 2017, quando a dupla levantou de uma só vez 303 mil meticais. Pouco mais de um mês depois, em 3 de abril, novo cheque foi passado a favor de Cumbane, desta vez no valor de 354 mil meticais.

A atuação repetia-se quase como um relógio. Em 16 de maio, mais 100 mil meticais saíram ilegalmente da conta do tribunal. Já a 4 de junho, o juiz e o escrivão voltaram a agir, apoderando-se de 291 mil meticais. Quatro dias mais tarde, a 8 de junho, o magistrado emitiu outro cheque em conluio com o seu colaborador, movimentando 81 mil meticais.

A ofensiva continuou no mesmo mês. Nos dias 21 e 29 de junho, novos levantamentos foram feitos, no valor de 155 mil e 66 mil meticais, respetivamente.

Os dados mostram que, em apenas seis meses de manipulação das contas do tribunal, Alexandre Njovo e Francisco Cumbane conseguiram retirar indevidamente cerca de 1,25 milhão de meticais, apenas numa primeira fase do esquema.

As conclusões da auditoria apontam que o magistrado não só violou os princípios de transparência e probidade exigidos a um servidor da justiça, como também comprometeu a credibilidade da própria instituição judicial que dirigia. 

A tentativa de ocultar os rastros envolveu a destruição deliberada dos canhotos dos cheques, além de manipulação de documentos e preparação de justificativos falsos junto a terceiros, eliminando os principais registos que poderiam comprovar a movimentação irregular dos valores.

O antigo juiz, agora a responder em tribunal, é acusado da prática continuada de um crime peculato, tipificado no artigo 340.º do Código Penal, prevê pena de 1 a 8 anos de prisão para funcionários que se apropriam de bens públicos ou que lhes foram confiados. Como o valor desviado é elevado, a pena aplicável tende para o limite superior da escala. Um crime de abuso de cargo ou função que configura-se quando um servidor público usa o seu cargo para fins pessoais. Embora o Código não estabeleça penalidades específicas nesse artigo, a conjugação com peculato agrava a situação da responsabilidade criminal. E ainda um crime de furto e destruição de processos, livros de registo e documentos oficiais, mencionado no artigo 424.º do Código Penal, impõe pena de prisão maior de 2 a 8 anos e multa de até um ano para quem subtrai, destrói ou desvia processos ou livros de registo.

Além disso, o código prevê que, em casos de concurso de crimes — como os que envolvem peculato, abuso de cargo e destruição de documentos — as penas podem ser cumulativas, dentro dos limites do artigo 124.º.

Expulso do cargo em outubro de 2019 pelo Conselho Superior da Magistratura Judicial, Njovo foi também alvo de procedimento disciplinar que encaminhou o caso ao Ministério Público. Agora, em tribunal, poderá enfrentar penas pesadas, além da obrigação de ressarcir o Estado pelos prejuízos. A atenção pública está voltada para o desfecho deste julgamento, que promete ser rigoroso.

Os tunisinos garantiram o apuramento para o próximo Campeonato do Mundo com um golo aos 90+4′, enquanto os moçambicanos derrotaram o Botswana.

A Tunísia está na fase final de um Campeonato do Mundo pela terceira vez consecutiva! Os tunisinos precisavam de uma vitória na Guiné Equatorial para garantirem já o apuramento para o Mundial 2026 e não terem de esperar pelo estágio de Outubro, e foi isso que aconteceu… de forma dramática.

O único golo do encontro surgiu apenas já no tempo de compensação, aos 90+4 minutos, graças a Mohamed Ben Romdhane, avançado do Al Ahly que tinha entrado há 20 minutos, e que no Mundial de Clubes até marcou ao FC Porto

Antes, os Marrocos tinha-se tornado na primeira selecção africana a garantir presença no Mundial 2026, após dominar o Grupo E das eliminatórias com 21 pontos, em sete jogos. A selecção marroquina destacou-se pela superioridade sobre os adversários, com o segundo colocado, Tanzânia, somando apenas 10 pontos.

Com esta classificação, Marrocos alcança a sua sétima participação na fase final do torneio, consolidando-se como a segunda equipa africana com mais presenças em Mundiais, apenas atrás dos Camarões.

Além disso, será a primeira vez que a selecção marroquina participa em três Mundiais consecutivos, reforçando a consistência e qualidade do futebol no país.

Outro feito histórico é que Marrocos terminou a fase de qualificação como a única equipa africana 100% vitoriosa, mostrando um desempenho dominante e regular ao longo de todas as partidas.

Esta vaga no Mundial 2026 reforça o crescimento do futebol africano no cenário global e coloca Marrocos como uma referência de consistência e competitividade entre as selecções do continente.

MOÇAMBIQUE CONTINUA NA LUTA

Os Mambas reacenderam, na segunda-feira, a esperança de uma possível qualificação para o Mundial, após vencerem o Botswana por duas bolas sem resposta, num jogo que marcou o regresso da selecção nacional ao Estádio Nacional do Zimpeto cinco meses depois da sua interdição pela Confederação Africana de Futebol (CAF).

Os dois golos que deram vitória ao combinado nacional foram apontados po Witi e Faisal Bangal, este último que voltou a vestir as cores nacionais depois de um longo período de ausência devido a lesões. Com este resultado, Moçambique ocupa a segunda posição do Grupo G, com 15 pontos, os mesmos que o Uganda e menos três que a Argélia.

A selecção nacional volta a jogar no dia 6 do próximo mês, em princípio no Estádio Nacional do Zimpeto, diante da Guiné-Conacri, em jogo da nona jornada da fase de qualificação para o maior evento planetário de futebol.

Três dias depois, ou seja, no dia 23, os Mambas encerram a sua participação na fase qualificativa, defrontando a Somália fora. O combinado nacional regista, neste momento, a sua melhor prestação de sempre em fases de qualificação para o Mundial com 15 pontos, podendo ainda somar mais nos dois jogos que restam.

Num processo de cisão-fusão, a Sporting SAD tranferiu na segunda-feira activos avaliados em 148 milhões de euros para nova empresa Sporting Entertainment, num processo que conheceu a sua conclusão e que tem como objectivo a potenciação de receitas do recinto do clube de Alvalade, bem como do museu dos leões.

Na segunda-feira foi registada a escritura pública de cisão-fusão da Sporting Clube de Portugal – Futebol,SAD (Sporting SAD), num processo que envolveu a transferência de activos para uma nova entidade, no caso a Sporting Entertainment.

Em comunicado, a SAD liderada por Frederico Varandas aponta que “destacou parte do seu património, correspondente a todas as operações e actividades das unidades de negócio identificadas no Projecto de Cisão-Fusão incluindo todos os direitos de propriedade, direitos e activos da Sporting SAD relativos (…) todos e quaisquer passivos, deveres e obrigações de qualquer natureza, resultantes de contrato ou da lei, estatutos ou outros, presentes ou futuros, efectivos ou contingentes, determinados ou indeterminados, e quer sejam incorridos conjunta ou solidariamente, a título principal ou de garantia, bem como os trabalhadores afetos às direcções da Unidade de Negócio a Transmitir, o qual foi objecto de fusão na Sporting Entertainment (…) por recurso ao mecanismo da cisão-fusão, previsto no artigo 118.º, n.º 1, alínea c) do Código das Sociedades Comerciais, e de acordo com o regime simplificado previsto no artigo 116.º (ex vi do artigo 120.º) do mesmo diploma (a Cisão-Fusão)”.

De resto, há que recordar que, já em Julho passado, o Sporting tinha constituído oficialmente a Sporting Entertainment, uma nova sociedade anónima constituída para assumir a gestão e exploração comercial do Estádio José Alvalade e todo o seu ecossistema, registando um capital social de 50 mil de euros, além de ter como administradores Frederico Varandas, presidente e do clube e da SAD verde e branca, além de Francisco Salgado Zenha e André Bernardo, dois vice-presidentes da sociedade sportinguista.

Ainda em Junho passado, à margem de uma Assembleia Geral do clube de Alvalade, este tinha sido um tema debatido entre os sócios dos verdes e brancos.

O objectivo da nova empresa – a Sporting Entertainment – passará pela administração, gestão, exploração e promoção, comercial e económica, do Estádio José Alvalade, suas instalações, todos e quaisquer espaços, nomeadamente, zonas comerciais, de lazer, áreas VIP, o Museu Sporting, bem como de outros recintos que sejam utilizados pela sociedade, incluindo todos os serviços, produtos e ofertas inerentes aos mesmos.

Além disso, a criação da Sporting Entertainment permitirá a separação de duas áreas de negócio do grupo verde e branco. Nesse sentido, a SAD liderada por Frederico Varandas estará responsável exclusivamente pela gestão do futebol profissional, enquanto a Sporting Entertainment ficará com a pasta ligada à vertente comercial e de exploração do Estádio José Alvalade.

O Governo e os partidos políticos  signatários do Compromisso Político para um Diálogo Nacional  Inclusivo anunciaram, esta terça-feira, em Maputo, que está tudo  preparado para o lançamento da fase de auscultação pública  nacional e na diáspora, evento a ter lugar amanhã, 10 de Setembro,  numa cerimónia a ser dirigida pelo Presidente da República, na Cidade de Maputo. 

Segundo a Presidência da República, a escolha da data resulta do consenso alcançado a 15 de Agosto  último entre o Governo e os partidos signatários, após uma reunião  que visou consolidar entendimentos sobre a condução do processo.

“Está tudo a postos para que neste dia, 10 de Setembro, possa ter  lugar o acto público do lançamento do processo de auscultação  nacional no âmbito do Diálogo Nacional Inclusivo, uma cerimónia a  ser dirigida por Sua Excelência Daniel Francisco Chapo, Presidente da  República de Moçambique”, declarou o porta-voz da sessão de  diálogo político, Edson Macuácua, Macuácua, ao fim da jornada de  trabalhos de hoje na Presidência da República. 

Segundo o porta-voz, a reunião de hoje, conduzida pelo Chefe do  Estado, aprovou instrumentos considerados fundamentais para  dinamizar a implementação do processo. “Primeiro, foi aprovada a  composição final, tanto da Comissão Técnica de Materialização do  Diálogo Nacional Inclusivo, como a inclusão de três personalidades  provenientes da sociedade civil”, revelou. 

Edson Macuácua acrescentou que foram igualmente aprovados os  dez grupos de trabalho que irão preparar propostas a submeter, em  primeira instância, à Comissão Técnica, e posteriormente à  consideração da liderança política do processo de diálogo. 

Sobre a composição destes grupos, o porta-voz detalhou que “são  concebidos, cada um deles, por dez personalidades, cuja  composição compreende personalidades resultantes do processo de  convite público que foi lançado, onde cidadãos provenientes da  sociedade civil, da academia, do sector privado, concorreram a  manifestar o interesse em participar, cidadãos designados por cada  um dos partidos políticos signatários, em número de dois, e também  técnicos provenientes dos ministérios cujas suas áreas de actuação  têm matérias cobertas pelo objecto do Diálogo Nacional Inclusivo”.

A cerimónia de amanhã compreenderá vários momentos, incluindo “a  apresentação da Comissão Técnica, a apresentação da metodologia  do diálogo nacional inclusivo, para que os cidadãos possam  compreender quais são os mecanismos, os procedimentos, toda a  arquitectura do processo, como é que poderão participar do diálogo  nacional, como é que se irá efectivar a inclusão no processo do  diálogo”, adiantou. 

De acordo com Macuácua, a sessão contará ainda com a  intervenção do representante dos parceiros de cooperação, a  intervenção do presidente do segundo partido mais votado, em  representação dos partidos signatários, e, por fim, o discurso do Chefe  do Estado. “Teremos o momento mais alto, que é o discurso da  ocasião que será proferido por Sua Excelência Daniel Francisco  Chapo, Presidente da República de Moçambique, que marcará o  lançamento do processo da auscultação pública nacional”,  destacou. 

A fase que agora se inicia prevê uma participação alargada,  envolvendo sociedade civil, partidos políticos, academia e diferentes  estratos sociais, abrangendo os níveis distrital, provincial, central e  também as comunidades moçambicanas residentes no exterior, num  esforço de tornar o processo inclusivo, abrangente e participativo. 

O Secretário Executivo da  Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), Elias  Magosi, manifestou, esta terça-feira, em Maputo, a satisfação da  organização com os avanços alcançados por Moçambique nas  áreas da paz, segurança, comércio e desenvolvimento regional. As  declarações foram feitas após um encontro de trabalho no Gabinete  do Chefe do Estado. 

Segundo Magosi, a audiência permitiu alinhar prioridades e identificar  áreas em que a SADC pode apoiar Moçambique. “Então, eu estava  discutindo com o Presidente Chapo essa visão de como nós pensamos 

que a SADC pode progredir. Segundo, nós gostaríamos de apreciar  algumas das prioridades que o governo e o Presidente querem  perseguir e como a SADC, como uma região, pode apoiar  Moçambique, pode apoiar o governo”, afirmou. 

No domínio político, o Secretário Executivo destacou os passos  positivos dados por Moçambique após as eleições gerais de 2024,  apontando para o lançamento iminente de um processo considerado  determinante. “Você vai notar que, imediatamente após as eleições,  houve algum conflito e o Presidente até mesmo deu progresso, muito  bom progresso. E eu acho que amanhã ele vai lançar um processo  muito importante. Este é um passo na direcção certa e nós realmente  enaltecemos o Presidente por isso”, disse. 

O processo em causa é a fase de auscultação pública nacional e na  diáspora sobre o diálogo nacional inclusivo, consensualizado entre o  Governo e os partidos políticos, com a participação da sociedade  civil, da academia e de vários estratos sociais. 

Na vertente económica, Magosi salientou a necessidade de acelerar  a integração regional através da facilitação do comércio,  destacando a importância de eliminar barreiras e aprovar instrumentos  regionais já existentes, como o protocolo de comércio e o Fundo de  Desenvolvimento Regional, que contribui para a mobilização de  recursos. 

O responsável sublinhou que cabe aos Estados-membros ratificar  instrumentos jurídicos regionais, entre os quais o referido Fundo de  Desenvolvimento Regional, de forma a viabilizar projectos e apoiar  países com menor capacidade financeira. Realçou igualmente o  impacto positivo dos investimentos em corredores de transporte como os de Nacala e Beira, apoiados por instituições como o Banco  Africano de Desenvolvimento e a Africa50. 

“Mas, por trás de tudo isso, é a infra-estrutura que facilita o comércio.  O Presidente já nos mostrou os progressos que estão fazendo nos  corredores. Então, estes são bons desenvolvimentos que os países  estão perseguindo para garantir que os pontos de fronteira  funcionem”, referiu Magosi, salientando que corredores funcionais  impulsionam a circulação de pessoas, mercadorias e capitais. 

No capítulo da segurança, o Secretário Executivo destacou a  relevância da estabilização da província de Cabo Delgado, onde o  terrorismo continua a constituir um desafio. “Também é importante  para nós que a área de Cabo Delgado seja estável, há terrorismo lá,  nós precisamos contê-lo, nós enaltecemos o trabalho que o governo e  o Presidente estão fazendo lá, incluindo os projectos que começaram  lá, para garantir que estes projectos também facilitem a paz, mas  também facilitam o desenvolvimento destas comunidades”, afirmou. 

Magosi garantiu que a SADC vai manter o acompanhamento da  situação em Cabo Delgado, recordando o papel da Missão Militar da  organização (SAMIM). “Nós ainda estamos monitorando para garantir  que Cabo Delgado esteja estável, porque se estiver estável, se o  terrorismo for contido em Cabo Delgado, isso não afectará a região.  Portanto, nós continuaremos a participar com Moçambique nisto”,  concluiu. 

Engenheiros civis alertam para necessidade de interdição total e imediata da Escola em iminente colapso no distrito de Chibuto, província de Gaza, para evitar tragédias. João Magalhães diz que a infra-estrutura escolar pode ruir a qualquer momento devido à baixa resistência na sequência da umidade acentuada nos últimos 13 anos.

São novos desenvolvimentos sobre a reportagem do O País, em torno do iminente colapso da Escola Secundária de Chibuto na província de Gaza, uma situação de degradação que coloca em  risco  mais de três mil alunos e professores.

A administradora do distrito de Chibuto, Cacilda Banze, manifestou, igualmente, preocupação à volta do estágio actual da escola em causa. “E não só quando se trata de vidas humanas, não há uma nem duas.Estamos a falar de vidas que temos todos a abraçar.  Ou deitamos abaixo daquele edifício ou reparamos, tudo vai ser avaliado com os próprios engenheiros”.

E nisto, o edifício de 50 anos foi submetido a uma leitura técnica. O engenheiro civil, João Magalhães enumera várias fragilidades causadas, principalmente, pela umidade na sequência da degradação acentuada da cobertura nos últimos 13 anos.

“O edifício sofre de humidade, pelo que a cobertura apresenta alto nível de degradação que está permitindo a entrada de água para ser permeada pela laje,  o que provoca corrosão das armaduras e, consequentemente, fragmentação parcial da laje”, explicou

Estruturalmente, a armadura do edifício de três pisos encontra-se, profundamente, deteriorada e isto, por um lado reduz a sua resistência, e por outro eleva a probabilidade de queda tendo em conta o nível de pressão.

“Temos algumas partes ao longo dos corredores que também estão fragmentadas, porque por causa da corrosão, por causa da deterioração,  parte da capacidade de resistência do edifício perdeu-se”, revelou o engenheiro.

A direcção provincial da Educação em Gaza, anunciou há quatro dias que proibia o uso de 8 de um total de 21 salas, enquanto decorre um estudo multissetorial, sem no entanto avançar datas para sua divulgação.

“Interditamos o uso de oito salas de aulas. Neste momento estamos a mobilizar material para poder construir salas de aulas provisórias. O Ministério da Educação, a Direção Provincial de Educação, o INGD, a Direção Provincial de Obras Públicas, esteve no local a fazer um estudo da real situação da escola para encontrar a melhor solução, neste caso, para ultrapassar este problema”, avançou, a porta-voz, Raquelija da Glória.

Entretanto o engenheiro Magalhães, alerta para necessidade de interdição total e imediata do edifício. “Melhor seria que fizesse esse estudo enquanto os estudantes ou alunos ou demais funcionários fizessem ou desenvolvessem suas atividades fora do edifício.  Depois de fazer esses estudos, com um embasamento, um fundamento técnico, pode-se determinar se o edifício pode ser parcialmente ou totalmente interdito. Quanto à questão de avaliação para soluções para ver se é viável uma reabilitação ou uma demolição em casos mais graves, quanto é que isso custa?”, concluiu.

Não foram ainda avançadas as datas para divulgação do relatório sobre o estágio deste edifício em Chibuto, nem sobre o arranque das obras das salas provisórias, e nisto mais de 30 turmas e 70 professores continuam em exposição ao risco.

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