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Cabo Verde vai ser a Capital Africana da Cultura em 2028, no âmbito de um projecto com o mesmo nome promovido por uma associação que junta 44 entidades do continente, anunciou o Governo cabo-verdiano.

“Cabo Verde será o País anfitrião da Capital Africana da Cultura em 2028”, anunciou o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, na Internet, referindo que o protocolo foi assinado na quarta-feira, em Marrocos, e que o País “será palco de um amplo programa de iniciativas”.

O cartaz, a divulgar, pretende promover “o intercâmbio artístico, valorizar o património e impulsionar o desenvolvimento urbano sustentável, consolidando a cultura como motor de crescimento e afirmação global”, acrescentou.

De acordo com a informação institucional da organização promotora, o programa “Capitais Africanas da Cultura”, dinamizado pela organização Cidades e Governos Locais Unidos de África (UCLG Africa), foi criado em 2018.

A iniciativa nasceu durante a cimeira Africities, em Marraquexe, Marrocos, com o objectivo de afirmar a cultura como “o quarto pilar do desenvolvimento sustentável, a par das dimensões económica, social e ambiental”.

A cidade ou país designado como Capital Africana da Cultura acolhe, durante dois anos consecutivos, “celebrações da excelência artística, cultural e criativa do continente, funcionando igualmente como espaço de reflexão sobre políticas públicas para a cultura, artes e indústrias criativas”.

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O sector da Educação na província da Zambézia enfrenta um défice significativo de carteiras, necessitando de cerca de 650 milhões de meticais para a aquisição de aproximadamente 130 mil unidades, com o objectivo de melhorar as condições de aprendizagem de mais de dois milhões de alunos.

Apesar das dificuldades, nos últimos dois anos foram registados alguns avanços. Cerca de 11.700 alunos passaram a estudar em carteiras, após a aquisição de 2.925 unidades, num investimento superior a 16 milhões de meticais. No mesmo período, também foram construídas e requalificadas várias salas de aula convencionais.

O Director Provincial da Educação, Joaquim Casal, destacou os esforços em curso para reduzir o défice e melhorar as infraestruturas escolares. Segundo explicou, actualmente milhares de alunos deixaram de estudar em condições precárias graças às intervenções realizadas. 

“Temos alunos que passaram de condições mais ou menos precárias para condições condignas”, afirmou Joaquim Casal.

Para o ano de 2026, o sector tem em plano a aquisição de mais de quatro mil carteiras, embora parte já tenha sido distribuída às escolas. Ainda assim, persiste um défice de cerca de 1.500 unidades, que as autoridades procuram colmatar.

Entretanto, o principal desafio continua a ser a limitação de recursos financeiros. Anualmente, são disponibilizados cerca de três milhões de meticais para a compra de carteiras, um valor considerado insuficiente face às necessidades. 

Além disso, há vários anos que não se registam desembolsos efectivos do Orçamento do Estado para este fim, o que agrava a situação.

“Precisaríamos de 130 mil carteiras para garantir que todas as crianças estejam sentadas, mas os recursos são escassos”, explicou Joaquim Casal, sublinhando que a aquisição depende dos valores efectivamente disponibilizados.

Por sua vez, o governador da Zambézia, Pio Matos, apelou aos professores para reforçarem o compromisso com o ensino, destacando a importância da pontualidade e assiduidade nas escolas como factores essenciais para melhorar a qualidade da educação.

Actualmente, o défice de carteiras continua a ser um dos principais entraves no setor, condicionando o processo de ensino e aprendizagem e exigindo soluções urgentes para garantir melhores condições aos alunos da província.

A Universidade Rovuma abriu oficialmente o seu ano académico, em Nampula, com uma aula inaugural orientada pelo académico Elísio Macamo, que destacou a necessidade de repensar as soluções aplicadas aos problemas que afectam o país.

Durante a sua intervenção, subordinada ao tema do papel do conhecimento universitário em tempos de crise, o orador defendeu que Moçambique enfrenta dificuldades persistentes devido à repetição de abordagens que não produzem resultados eficazes. 

Para sustentar a sua posição, apresentou exemplos concretos em diferentes áreas de formação.

“Pensemos, por exemplo, na arquitetura. Nós formamos arquitetos nas nossas universidades, mas continuamos muitas vezes a construir casas que acumulam calor e se tornam extremamente desconfortáveis durante grande parte do ano. Nós formamos médicos altamente qualificados, mas continuamos a ter dificuldades para encontrar soluções eficazes para alguns dos problemas de saúde pública. Formamos agrónomos, mas o País continua a lutar com desafios estruturais na produção e no acesso ao alimento”, afirmou.

Segundo Elísio Macamo, o principal desafio não está necessariamente na falta de conhecimento técnico, mas sim na sua aplicação prática. “O nosso problema, nesses casos, não é necessariamente a falta de conhecimento técnico. O problema pode residir na dificuldade de traduzir esse conhecimento em soluções adequadas às condições específicas em que nós vivemos”, explicou.

O académico defendeu ainda que o País vive uma crise em vários sectores, resultante da insistência em aplicar soluções inadequadas. Como exemplo, referiu programas de desenvolvimento que, na sua perspectiva, não abordam as causas estruturais dos problemas. 

“A ideia de que o problema da alimentação em Moçambique era, sobretudo, um problema de cadeias de valor orientou vários investimentos. Mas, na minha crítica, eu disse que o problema era o desemprego rural, um problema que já tinha sido constatado logo depois da independência nacional”, destacou.

Na mesma ocasião, Macamo criticou a eficácia das estratégias de fiscalização rodoviária, considerando que as medidas actuais não têm produzido resultados visíveis na redução de acidentes. 

“A polícia de trânsito trabalha, mas sem impacto. Gente com imaginação iria mudar alguma coisa. Ou, pelo menos, havia de se perguntar se vale a pena continuar a controlar velocidade e documentos nesses postos físicos, se isso não tem nenhum impacto nos níveis de sinistralidade”, afirmou.

A cerimónia contou com a presença de estudantes, docentes e diversas individualidades, marcando o início de mais um ano académico na instituição, num contexto de reflexão sobre o papel da universidade na busca de soluções inovadoras para os desafios do País.

Quatro famílias vivem de favor de vizinhos e pessoas de boa fé, depois de perderem suas casas e  bens, num incêndio registado na madrugada de domingo último, no bairro Chamanculo C, na cidade de Maputo. As famílias pedem intervenção das autoridades municipais.

A madrugada de domingo último foi fatal para quatro famílias, que viram seus lares serem reduzidos a nada pela fúria do fogo, no bairro Chamanculo C, cidade de Maputo.  

Alfredo Pedro é uma das vítimas do incêndio. Perdeu tudo, como conta.

“O que escapou são as pessoas, mas de bens, negativo. Nada escapou. Estamos de luto, conforme pode ver. Assim, estamos à espera do Governo”, desabafou.     

Três dias depois da tragédia, as famílias continuam a viver praticamente ao relento, dependendo da boa vontade dos vizinhos, até para passar refeições. 

“Roupa de vestir, os vizinhos é que nos dão. Os vizinhos oferecem matas, lenços, capulanas, blusas, etc. Para dormir, pedimos favor aos vizinhos, mas não é certo, entrar em casa de uma pessoa com a sua família, quando ela também tem família, dormir no mesmo sítio, custa muito”, desabafou. 

Sem tempo para tirar nada das casas, as crianças já começam a se ressentir do drama.

“A minha filha, de 15 anos, estuda na Escola Secundária Armando Guebuza, na 10a classe. Chama-se Lura Moisés Bangane. Perdi tudo, não consegui tirar nem documentos, nem cadernos escolares. Hoje ela não foi à escola, mas foi alguém para justificar a sua ausência, por falta de cadernos e uniforme”, disse Lina Chilaule, uma das vítimas.

O futuro para estas famílias é , agora, incerto. 

O incêndio foi provocado por um curto circuito e os bombeiros confirmam o facto, apesar de não terem estado lá, durante o sinistro e há uma razão para isso. Eles chegaram depois de debelado o fogo, por isso foram escorraçados. 

O porta-voz do SENSAP aponta os acessos às residências e a comunicação tardia como uma das causas de alguns atrasos ou ausências dos bombeiros. 

“Não há nenhum sistema de GPS que permita uma monitoria constante na cidade de Maputo para ver o que vai acontecer em qualquer situação de incêndio, então tem que haver uma comunicação, tem que haver uma informação que vai chegar ao SENSAP”.

Por isso apela a população a colaborar mais.

Este não é o primeiro caso de incêndio que destroi residências no bairro Chamanculo. O primeiro caso, e mais mediático, aconteceu em 2021, cujo saldo foi de 22 casas completamente consumidas pelo fogo no bairro de Chamanculo D. E a má ligação da corrente elétrica sempre esteve por detrás das principais causas dos incêndios.  

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, garantiu, esta segunda-feira, numa extensa entrevista concedida à estação televisiva mexicana Univision, que o Irão irá mesmo participar no Campeonato do Mundo, apesar da guerra com os Estados Unidos da América, um dos organizadores da prova, juntamente com o Canadá e o México.

“Isso é fundamental, e temos, todos juntos, de defendê-lo. Vivemos num contexto geopolítico muito complexo. Nós não temos a possibilidade de resolver problemas e conflitos geopolíticos, mas temos, sim, a possibilidade de unir, de criar oportunidades para unir o mundo, fisicamente”, começou por afirmar o líder do organismo que rege o futebol internacional.

“São 48 países, com milhões de adeptos, que virão ao México, ao Canadá e aos Estados Unidos da América, e virão com um espírito de paz, um espírito de celebração, porque querem estar juntos e querem celebrar. Temos de defender… Sim, no mundo, há divisões. O nosso objetivo, a nossa tarefa, a nossa visão e o nosso trabalho é a união, construir pontes para todos”, acrescentou.

Gianni Infantino assumiu, ainda assim, que a tarefa não é fácil: “É claro que vivemos no mundo real, e sabemos qual é a situação, que é muito complicada, mas trabalhamos e vamos fazer com que o Irão jogue este Mundial nas melhores condições. Uma seleção nacional, seja ela a do Irão ou qualquer outra, é a seleção do povo, de todo o povo”.

“Do povo que está com o governo, do povo que está contra o governo, em qualquer país, seja da oposição ou dos que estão no poder. É igual, é o povo, e o Irão representa o seu povo, viva ele no Irão ou fora do Irão. Qualificaram-se desportivamente para este Mundial, foi uma seleção que se qualificou muito cedo”, sublinhou.

“É um país de futebol. Queremos que jogue, e vai jogar o Mundial. Não há planos B, C ou D. É o plano A. Vamos unir, juntos, em harmonia e felicidade. É isso que temos de fazer, e vamos fazer”, completou o ítalo-suíço, que ocupa este cargo já desde 2016, aquando da polémica exoneração de Joseph Blatter.

“O Irão não tem condições para participar no Mundial”

Esta tomada de posição por parte de Gianni Infantino surge menos de um mês depois de o próprio ministro do Desporto do Irão, Ahmad Donyamali, ter aberto caminho à desistência do Campeonato do Mundo, face ao escalar da tensão bélica que se tem vindo a viver, ao longo de todo o Médio Oriente.

“Uma vez que este governo corrupto assassinou o nosso líder [o aiatola Ali Khamenei], não temos condições para participar no Mundial”, afirmou, em declarações reproduzidas pela agência noticiosa alemã Deutsche Presse-Agentur (DPA), referindo-se ao executivo norte-americano, liderado por Donald Trump.

“Na sequência das medidas maliciosas tomadas contra o Irão, duas guerras recaíram sobre nós, no espaço de oito ou nove meses, e vários milhares de pessoas foram assassinadas. Nesse sentido, não temos, definitivamente, possibilidade de participar desta forma”, acrescentou.

O Irão, recorde-se, está inserido no Grupo G do Mundial, juntamente com Nova Zelândia, Bélgica e Egito, e irá disputar todos os jogos desta fase inicial nos EUA, ainda que o México já se tenha disponibilizado para os receber, de maneira a contornar qualquer tipo de conflito entre ambos os países.

A selecção nacional de futebol da categoria de sub-17, Mambinhas, prepara-se para participar no Campeonato Africano das Nações que está previsto para os finais de Abril e início de Maio no Reino de Marrocos. Os Mambinhas sub-17 sonham com a primeira qualificação ao Mundial da categoria depois do aumento do número de selecções a disputar a prova intercontinental de três para dez vagas para África.

Há sensivelmente um mês que a selecção nacional de futebol de sub-17 prepara a sua participação na edição deste ano do Campeonato Africano das Nações da categoria, a ter lugar em Marrocos.

São 32 jogadores que trabalham às ordens do técnico português Luís Guerreiro, que buscam um lugar na convocatória final para a prova a ter lugar no final deste mês de Abril e início de Maio, em Marrocos.

A participação de Moçambique no CAN da categoria foi conquistada após o terceiro lugar alcançado no torneio regional do COSAFA, ano passado, abrindo a possibilidade de sonhar com a primeira presença de sempre no Campeonato do Mundo do Qatar.

É que desde o ano passado que o continente africano tem direito a dez vagas para o Mundial sub-17, em detrimento das três que tinha nas edições anteriores, após aumento do número de selecções que vão disputar a prova.

O sorteio da fase de grupos será realizado após a conclusão da etapa de qualificação na zona norte do continente africano.

Os dois primeiros classificados dos quatro grupos da fase final do CAN sub-17, garantem automaticamente a vaga na fase final do Mundial. Os três colocados da fase de grupos defrontam-se em play-offs para ocupar as últimas duas vagas.

Para já, a lista dos pré-convocados apresenta como principal novidade a integração de sete atletas que actuam no estrangeiro, com destaque para Espanha, de onde vêm Tiago Francis (Deportivo Mosquito) e Eros Monteiro (Alcocom). De Portugal chegaram Muhammed Omar (Vitória de Setúbal) e Ricky Santos (Famalicão), completando o grupo dos “estrangeiros” António Nhampule (SG Eintracht, Alemanha), Khensani Machel (Curitiba, Brasil) e Kevin Vilanculos (Allashornetts, Estados Unidos da América).

Os clubes internos contribuem com mais atletas, sendo a Black Bulls a que mais manda jogadores, num total de dez atletas, nomeadamente Allan Perreira, Diego Pelembe, Chausson Nhabanga, Ricardo José, Nelton Picardo, Demi Pascoal, Pires Vieira, Jaydane Namali, Joel Catamo e Carlos Júnior.

O Costa do Sol contribui com cinco jogadores, nomeadamente João Jofrisse, Kristoph Machava, Shelton Sitoe, Joaquim Mubai e Valentim Pecane, sendo que da Academia de Dondo foram chamados Marcos Lázaro e João Pega, enquanto o Ferroviário de Quelimane contribui com Inácio Luís e Joel Francisco. Integram igualmente a lista Rodolfo Sérgio e Hanifo Madeira, do Ferroviário de Maputo, bem como Sekou Kante (Académica de Maputo), Cloude Bangue (Ferroviário da Beira), Euclésio Nhampossa (Atlético de Moçambique) e Steys José (Ferroviário de Nampula).

Nos próximos dias a lista será reduzida aos 25 jogadores que Luís Guerreiro levará para Marrocos, onde vai lutar pela honra e glória de chegar ao Mundial pela primeira vez.

Recorde-se que sob o comando de Luís Guerreiro, os Mambinhas de sub-17 conquistaram o torneio lusófono de Cascais, em Portugal, e terminaram em terceiro lugar no torneio regional do COSAFA.

A crise alimentar que assola a população da Somália está a ser agravada pelo aumento dos preços dos combustíveis, provocado pela guerra no Médio Oriente, denunciou, nesta segunda-feira, a organização Save the Children.

Segundo a Save the Children, os preços dos combustíveis neste país do Corno de África aumentaram neste mês 150%, atingindo 1,5 dólares (quase 90 meticais) por litro, o que provocou uma subida no preço dos alimentos num território onde um terço da população passa fome diariamente.

“O aumento vertiginoso dos preços está a agravar uma das crises de fome mais graves que a Somália enfrentou nos últimos anos, após três épocas de chuvas escassas que reduziram ainda mais a agricultura local”, revelou a organização num comunicado.

Os cereais básicos para os somalis, como o sorgo e o milho, registaram um aumento de 25% e 33% no seu preço.

O director da Save the Children na Somália, Mohamud Mohamed Hassan, sublinhou que o país “não pode suportar mais crises sem consequências catastróficas para a infância” e apelou a uma mobilização da comunidade internacional para fazer face a esta crise.

“Os alimentos que antes eram apenas acessíveis são agora inatingíveis, o custo do combustível afecta todos os aspectos da resposta e os alimentos terapêuticos que mantêm vivas as crianças gravemente desnutridas estão retidos nas cadeias de abastecimento”, referiu.

Esta situação deve-se, também, ao facto de as importações de alimentos representarem mais de 70% do consumo alimentar na Somália, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).

O Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas anunciou, também, que os preços dos produtos básicos aumentaram pelo menos 20%.

Mais de 6,5 milhões de pessoas na Somália, quase um em cada três habitantes, enfrentam uma situação de insegurança alimentar aguda, e mais de 1,84 milhões de crianças com menos de cinco anos correm o risco de sofrer de desnutrição aguda, de acordo com a Classificação Integrada da Segurança Alimentar por Fases (IPC, na sigla inglesa).

Esta situação é agravada pelos recentes surtos de diarreia, cólera, sarampo e difteria registados em algumas localidades do Sul e Centro do País.

A Save the Children lamentou ainda que o Plano de Resposta Humanitária da Somália para 2026 continue a apresentar um “défice crítico” de financiamento, com, no início de Março, apenas 10,9% dos 852 milhões de dólares necessários.

Os países do Golfo estão unidos no seu apelo pelo fim da guerra do Médio Oriente, afirmou esta terça-feira o Governo do Qatar, enquanto o Irão continua a atacar os vizinhos na região. Os Emirados Árabes Unidos distinguiram-se nos últimos dias dos seus vizinhos ao adoptarem um tom mais ofensivo em relação a Teerão.

Os Estados ricos em petróleo da região têm sido alvo de centenas de mísseis e drones iranianos desde o lançamento da ofensiva dos Estados Unidos e Israel contra o Irão a 28 de Fevereiro, enquanto as exportações de hidrocarbonetos são afectadas pelo encerramento do estreito de Ormuz por Teerão.

Uma situação que levou os países do Golfo a unirem-se no seu apelo pelo fim da guerra do Médio Oriente, segundo disse o Governo do Qatar esta terça-feira, enquanto o Irão continua a atacar os vizinhos na região.

“Parece-nos que existe uma posição muito unânime no Golfo a pedir uma desescalada e o fim da guerra”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar, Majed al-Ansari, numa conferência de imprensa em Doha.

Na segunda-feira, uma comissão parlamentar iraniana aprovou um plano para impor taxas de passagem aos navios que transitam pelo estreito estratégico por onde passa cerca de um quinto do petróleo bruto e gás natural liquefeito do mundo.

O estreito foi “fechado devido a uma operação militar” e o seu futuro é “uma questão que toda a região e os parceiros internacionais devem decidir colectivamente”, disse ontem o responsável qatari.

“Creio que tomámos uma decisão colectiva, no Golfo, de tratar isto como uma ameaça colectiva”, insistiu.

Os Emirados Árabes Unidos, o país que tem sido mais atingido pelos ataques iranianos, distinguiram-se nos últimos dias dos seus vizinhos ao adoptarem um tom mais ofensivo em relação a Teerão.

“Um simples cessar-fogo não chega. Precisamos de um resultado conclusivo que aborde todas as ameaças iranianas: capacidades nucleares, mísseis, drones, proxies terroristas e bloqueios das rotas marítimas internacionais”, escreveu o embaixador qatari em Washington, Yousef Al Otaiba, na semana passada num artigo de opinião no Wall Street Journal.

O diplomata afirmou que Doha estava pronta “para aderir a uma iniciativa internacional para reabrir o estreito e mantê-lo aberto”.

 

Costa pede a Teerão “espaço para diplomacia” e desbloqueio de Ormuz

O presidente do Conselho Europeu pediu esta terça-feira ao Presidente do Irão um “espaço para a diplomacia” na guerra iniciada por Israel e Estados Unidos, que a União Europeia pode mediar, bem como o desbloqueio do Estreito de Ormuz.

“A situação actual no Médio Oriente é extremamente perigosa. Hoje, na minha conversa telefónica com o presidente do Irão, Masoud Pezeshkian, apelei ao alívio das tensões e à moderação, à protecção dos civis e das infraestruturas civis, bem como à necessidade de todas as partes respeitarem plenamente o direito internacional”, informou António Costa numa publicação na rede social X.

Além disso, e para atenuar a situação, Costa diz que “exortei o Irão a pôr termo aos ataques inaceitáveis contra países da região e a empenhar-se de forma positiva na via diplomática, nomeadamente com as Nações Unidas, para garantir a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz”.

“Tem de haver espaço para a diplomacia. A UE está pronta a contribuir para todos os esforços diplomáticos destinados a reduzir as tensões e a encontrar uma solução duradoura para pôr fim às hostilidades, abordando simultaneamente as preocupações de segurança mais amplas suscitadas pelo Irão”, defendeu o antigo primeiro-ministro português, que agora assegura a representação externa da União Europeia (UE) nas novas funções.

O contacto surge quando se assinala um mês desde que os Estados Unidos e Israel lançaram, a 28 de Fevereiro, um ataque militar contra o Irão e, em resposta, Teerão encerrou o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

Como consequência, o tráfego de petroleiros no estreito caiu drasticamente e aumentou a instabilidade relacionada com a oferta, pressionando os preços, com o petróleo a ultrapassar os 100 dólares por barril.

Na mensagem, António Costa disse ainda que “a perda de vidas inocentes, incluindo na escola de Minab, é profundamente lamentável”.

A tensão no Médio Oriente volta a escalar depois de o parlamento do Irão aprovar um plano que prevê a cobrança de portagens a navios que atravessem o estratégico Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas do mundo. 

A proposta inclui mecanismos financeiros em moeda local e cooperação com Omã, país que partilha o controlo da via marítima.

O plano vai mais longe e estabelece a proibição de passagem para embarcações associadas aos Estados Unidos e a Israel, bem como a outros países que tenham imposto sanções a Teerão. A medida surge num contexto de forte escalada militar, após ataques registados a 28 de Fevereiro, que levaram o Irão a declarar o encerramento da rota.

Desde então, o tráfego marítimo caiu drasticamente, com uma redução estimada em cerca de 95%, afectando directamente exportadores como a Arábia Saudita e o Qatar. As consequências já se fazem sentir nos mercados globais, com pressão sobre os preços e risco crescente de instabilidade energética à escala mundial.

Ainda assim, Washington garante que a situação tende a normalizar. Enquanto isso, o Presidente norte-americano, Donald Trump fala em progressos diplomáticos, mas mantém ameaças de novas acções caso não haja acordo com Teerão.

O parlamento de Israel aprovou uma lei que prevê a aplicação da pena de morte a palestinianos condenados por ataques considerados terroristas, uma decisão que está a gerar forte contestação internacional e a intensificar as tensões na região.

A proposta foi aprovada com maioria parlamentar, com apoio do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir. 

A legislação estabelece o enforcamento como método de execução e define prazos curtos para a sua aplicação, podendo ocorrer até 90 dias após a sentença.

A reacção foi imediata. O movimento Hamas prometeu uma resposta proporcional, enquanto a Autoridade Palestiniana acusou Israel de tentar legitimar execuções extrajudiciais. 

Organizações de direitos humanos já avançaram com recursos judiciais, alertando que a decisão pode agravar ainda mais o conflito e comprometer a estabilidade no Médio Oriente.

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