Cabo Verde vai ser a Capital Africana da Cultura em 2028, no âmbito de um projecto com o mesmo nome promovido por uma associação que junta 44 entidades do continente, anunciou o Governo cabo-verdiano.
“Cabo Verde será o País anfitrião da Capital Africana da Cultura em 2028”, anunciou o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, na Internet, referindo que o protocolo foi assinado na quarta-feira, em Marrocos, e que o País “será palco de um amplo programa de iniciativas”.
O cartaz, a divulgar, pretende promover “o intercâmbio artístico, valorizar o património e impulsionar o desenvolvimento urbano sustentável, consolidando a cultura como motor de crescimento e afirmação global”, acrescentou.
De acordo com a informação institucional da organização promotora, o programa “Capitais Africanas da Cultura”, dinamizado pela organização Cidades e Governos Locais Unidos de África (UCLG Africa), foi criado em 2018.
A iniciativa nasceu durante a cimeira Africities, em Marraquexe, Marrocos, com o objectivo de afirmar a cultura como “o quarto pilar do desenvolvimento sustentável, a par das dimensões económica, social e ambiental”.
A cidade ou país designado como Capital Africana da Cultura acolhe, durante dois anos consecutivos, “celebrações da excelência artística, cultural e criativa do continente, funcionando igualmente como espaço de reflexão sobre políticas públicas para a cultura, artes e indústrias criativas”.
A deportação do antigo ministro das Finanças, Manuel Chang, voltou a falhar, devido à falta de articulação entre a Embaixada de Moçambique nos Estados Unidos e a transportadora aérea TAP Air Portugal.
Em causa está um problema relacionado com o documento de viagem de emergência emitido pela missão diplomática moçambicana, que não terá sido previamente validado pelas autoridades portuguesas, condição obrigatória para a escala em Lisboa.
Libertado a 26 de Março, Manuel Chang continua a enfrentar dificuldades para regressar ao País, sendo que, desta vez, o impasse envolve directamente a transportadora aérea portuguesa.
Segundo uma carta dos advogados do ex-governante, dirigida ao juiz Nicholas G. Garaufis, a viagem estava prevista para o mesmo dia da sua libertação, com partida do Aeroporto Logan, em Boston, com destino a Maputo, via Lisboa.
O que parecia um plano definido acabou por falhar no último momento. A defesa refere que a TAP recusou o embarque por falta de validação do documento de viagem pelas autoridades portuguesas.
“Infelizmente, quando o Sr. Chang chegou ao aeroporto, foi informado que a TAP Air Portugal não permitiria o seu embarque porque o documento de viagem de emergência não tinha sido previamente aprovado pelas autoridades em Portugal”, lê-se na carta.
Sem autorização para viajar, Chang voltou à custódia das autoridades norte-americanas, sob responsabilidade da ICE.
“Como resultado, o Sr. Chang não foi autorizado a embarcar, permaneceu sob custódia da ICE e encontra-se detido no Estabelecimento Correcional do Condado de Plymouth, em Plymouth, Massachusetts, há cerca de 24 horas à data desta comunicação”, escreve.
Desde então, os advogados dizem estar a enfrentar dificuldades para viabilizar a deportação, incluindo limitações no acesso a informações junto das autoridades migratórias.
“Desde que o Sr. Chang foi colocado sob custódia da ICE, os seus advogados têm envidado inúmeros esforços para coordenar com o escritório da ICE em Boston, com vista a permitir a sua deportação imediata para Moçambique, conforme previamente acordado e aprovado”, destaca.
Outras dificuldades relatadas pelos defensores de Chang têm a ver com a ausência de informações para compreender que documentos adicionais são necessários para a sua deslocação. Face a esta situação, os advogados de Manuel Chang temem pela saúde do seu cliente, que se tem vindo a tornar crítica.
Extraditado para os Estados Unidos a 12 de Julho de 2023, Manuel Chang foi condenado a mais de oito anos de prisão, no âmbito do escândalo das dívidas ocultas, por crimes de fraude e branqueamento de capitais.
O Governo vai financiar com mais de 11 milhões de dólares, iniciativas rurais de desenvolvimento econômico no país. A informação foi partilhada, esta segunda-feira, após a assinatura de um memorando de entendimento entre o Ministério da Planificação e Desenvolvimento e o Moza Banco.
A assinatura deste acordo, entre o Ministério da Planificação e Desenvolvimento e o Moza Banco visa estabelecer uma Linha de Financiamento para apoiar iniciativas dos sectores agrícola e agro-industrial como forma de impulsionar a economia.
“E estes recursos são para dar o suporte financeiro a empresas, a empreendimentos rurais, e nós sabemos ainda que em Moçambique 65% da população vive nas áreas rurais, e é lá onde existe o grande potencial de desenvolvimento econômico do nosso país. Mas esta iniciativa também está orientada para as micro, pequenas e médias empresas.Elas hoje em Moçambique representam mais de 95% da paisagem económica moçambicana”, explicou Salim Valá, ministro da Planificação e Desenvolvimento.O Moza Banco, gestor financeiro, explica que os beneficiários do crédito têm a missão de garantir a continuidade da linha, por meio dos reembolsos.
“Sabemos que o acesso a financiamento é um dos maiores constrangimentos ao crescimento das micro, pequenas e médias empresas, às cadeias agrícolas e aos empreendedores rurais.É precisamente para responder a este desafio que nasce a Linha de Financiamento de Empreendimentos Rurais, a LFER. Com ela, queremos garantir que o crédito chegue de forma estruturada, transparente e sustentável, permitindo que projetos produtivos floresçam e que o impacto positivo se espalhe por toda a comunidade. Mas não podemos deixar de referir que os beneficiários têm um papel importantíssimo no sucesso desta linha. Sem o reembolso, não será possível expandir para outros beneficiários. O Moza Banco assume com orgulho a responsabilidade de gestor financeiro da linha, intermediário entre os recursos disponibilizados e os beneficiários finais, e garante que cada metical aplicado esteja alinhado com critérios técnicos rigorosos e com os mais altos padrões de integridade e transparência”, explicou Manuel Soares, representante da comissão Executiva do Moza Banco.
A Linha de Financiamento é de mais de 11 milhões de dólares e o Fundo Internacional para o Desenvolvimento agrícola promete continuar a mobilizar fundos para cofinanciar outras iniciativas.
“Neste projeto, o governo, com base na experiência de projetos anteriores na área de finanças rurais, inovou, adaptou-se e criou um veículo especial para assegurar o financiamento para os empreendedores rurais de uma forma adaptada, ajustada e sustentável” , explicou Jaana Keitaanranta , representante do IFAD em Moçambique
Com esta iniciativa pretende-se promover o empreendedorismo rural, criar mais fontes de emprego e a inclusão financeira.
Os seis detidos são dos distritos de Muembe e Mandimba, com o administrador deste último a avançar que os funcionários em causa forneciam os fármacos a proprietários de farmácias privadas.
As autoridades da província de Niassa, no norte de Moçambique, detiveram seis funcionários da saúde por suspeitas de envolvimento no desvio de medicamentos e material médico-cirúrgico.
“O ponto mais alto foi a captura de dois indivíduos que, neste momento, aguardam julgamento”, disse Cássimo Abudo, administrador de Muembe, citado pela imprensa nacional, apontando os antimaláricos como os fármacos mais desviados naquele distrito.
Os seis detidos são dos distritos de Muembe e Mandimba, com o administrador deste último a avançar que os funcionários em causa forneciam os fármacos a proprietários de farmácias privadas.
Emídio Xavier apontou os centros de saúde de Mitande e Mississi, em Mandimba, como os que registam frequentemente casos de desvio de medicamentos, tendo também relatado desvio de bolsas de recolha de sangue, o que obrigou ao reforço de medidas de segurança nas unidades de saúde do distrito.
Em Janeiro, uma técnica de farmácia foi condenada em Sofala, centro de Moçambique, a 10 meses de prisão por furto agravado de medicamentos, num contexto em que o Governo declarou ‘guerra’ ao contrabando de fármacos.
No mesmo mês, bem como este mês de Março, o ministro da Saúde, Ussene Isse, voltou a declarar “tolerância zero” ao contrabando de fármacos no país, numa menção aos recentes casos conhecidos de roubos de medicamentos nas unidades sanitárias.
Profissionais de saúde acusam Governo de incumprimento
Os profissionais de saúde, em greve desde Janeiro, acusaram esta segunda-feira o Governo de não cumprir as recomendações acordadas nas negociações e ameaçaram paralisar totalmente as actividades numa nova fase da greve, que já fez 1.872 mortes.
“A greve continua e o diálogo nada está a trazer de avanços. As recomendações acordadas com o Governo não foram cumpridas e a situação nacional do Sistema Nacional de Saúde está catastrófica”, disse em conferência de imprensa o presidente da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM).
Segundo Anselmo Muchave, actualmente, pacientes estão a morrer nas unidades de saúde nacionais por falta de oxigénio, medicamentos e equipamentos básicos, e outros perdem membros por infecções causadas por falta de material médico esterilizado.
“As consultas de uma simples doença é marcada para nove meses e quando o Governo decide mandar cobrar, cobra os pacientes que praticamente têm doenças do foro cirúrgico nos hospitais centrais. Isto é um genocídio silencioso”, avançou o representante, acrescentando que os profissionais de saúde trabalham em condições desumanas, sem recursos e sem apoio.
Quando passam quase três meses desde o início da greve da classe, iniciada a 16 de Janeiro, em reivindicação do pagamento completo do 13.º salário de 2025 e melhores condições de trabalho no sector, Muchave aponta para milhares de mortes causadas pela escassez de materiais médicos, associados a falta de atendimento nas unidades sanitárias moçambicanas.
“Há mais de 1.872 mortes por três meses por falta de medicamentos, material médico-cirúrgico e de atendimento nas unidades sanitárias”, referiu o responsável.
A APSUSM exigiu do Governo “acção imediata” para resolver a crise na saúde, garantindo o fornecimento de medicamentos e material médico cirúrgico, melhoria das condições de trabalho dos profissionais de saúde e justiça para as vítimas das pessoas que estão a morrer nos hospitais, por falta de medicamentos.
“A APSUSM não vai recuar. A luta é pela vida, pela dignidade e pelos direitos na saúde, não vamos permitir que o Governo negligencie o Sistema Nacional de Saúde e coloque em risco a vida dos profissionais de saúde e dos moçambicanos”, reiterou Anselmo Muchave.
O presidente daquela associação, que abrange cerca de 65.000 profissionais de saúde de diferentes departamentos, garantiu que a classe continuará a lutar “até que a justiça seja feita”, assinalando também que a próxima etapa da greve, que será lançada em alguns dias, caso não se chegue a um consenso com o Governo, vai paralisar na totalidade as actividades nas unidades hospitalares nacionais.
Recorde-se que foi a 16 de Março que os profissionais de saúde prolongaram por mais 30 dias a greve, alegando falta de responsabilidade do Governo nos compromissos assumidos.
Uma família do distrito de Balama, no sul de Cabo Delgado, denuncia a soltura de um suposto assassino, que teria esfaqueado a sua mulher. Os queixosos exigem respostas por parte das autoridades da justiça.
Segundo relatos da família, o homem matou a esposa na machamba com recurso a uma faca, mas, para fugir da responsabilidade, teria dito que foi incidente que ocorreu quando cortavam estacas para a construção de uma casa
“Estamos tristes e desgostosos porque, além de perdermos a nossa filha, as autoridades soltaram um homem que matou uma pessoa antes mesmo da realização do funeral, quando normalmente vemos pessoas que roubam patos e galinhas a serem presos e transferidos para Montepuez, Nampula”, reclamou Raquima Blihari, avô da vítima.
Além da família, a soltura do suposto assassino deixou a comunidade indignada com a situação, e exigem da justiça uma explicação.
O “O País” procurou ouvir a Polícia e as autoridades da justiça sobre o Caso da Morte da mulher de 30 anos de idade, no entanto, apesar das insistência, não foi possível obter resposta.
A Confederação Africana de Futebol (CAF) está a implementar mudanças e melhorias nos seus Estatutos e Regulamentos que fortalecerão a confiança nos árbitros, operadores de VAR e órgãos judiciais do órgão. Essas mudanças e melhorias também garantirão que os incidentes ocorridos na final da Copa Africana de Nações em Marrocos 2025 não se repitam.
Em um comunicado publicado na página oficial do organismo que gere o futebol africano, a CAF informa que manterá o procedimento e a prática de nomear os melhores e mais respeitados juízes e advogados africanos para o Conselho Disciplinar e o Conselho de Apelação.
“Esses juízes e advogados são nomeados pelo Comité Executivo da CAF e pela Assembleia Geral Ordinária, a partir de nomes propostos e recomendados por 54 Associações Membro e Uniões Zonais. A independência e a imparcialidade dos Órgãos Judiciais da CAF são imprescindíveis”, lê-se no documento.
Sobre o assunto, o Presidente da CAF, Patrice Motsepe, afirmou que “o órgão está a receber uma ampla assessoria jurídica de renomados advogados e especialistas em futebol africano e internacionais para garantir que os seus Estatutos e Regulamentos estejam em conformidade com as melhores práticas globais do futebol, dentro e fora de campo”, disse.
Motsepe acredita que isso é fundamental para o respeito, a integridade e a credibilidade dos árbitros africanos, operadores de VAR e do Conselho Disciplinar e do Conselho de Apelação da CAF.
“A CAF está trabalhando com a FIFA para o treinamento contínuo de árbitros, operadores de VAR e comissários de jogo africanos, para que estejam à altura dos melhores do mundo. Também precisamos profissionalizar o futebol africano”, explica.
Patrice Motsepe entende que os árbitros e operadores de VAR devem ser bem remunerados, daí que a CAF fez progressos significativos nos últimos cinco anos na implementação de governação, ética, transparência e melhores práticas de gestão.
“O nosso compromisso com a tolerância zero à corrupção e ao comportamento impróprio foi reconhecido e recompensado pelos inúmeros patrocinadores e parceiros que conquistamos”, afirma, sublinhando que “o que também é inegociável é o nosso compromisso e determinação em tratar todas as Associações Membro de forma igualitária e justa. Em nenhuma circunstância, qualquer Associação Membro receberá tratamento preferencial ou será favorecida em detrimento de qualquer outra”, anota Motsepe.
O presidente da CAF garante que o organismo irá rever e aprimorar constantemente essas melhores práticas globais de futebol e governação, fortalecendo a confiança e a competitividade global do futebol africano.
“As questões relativas aos incidentes ocorridos na final da Copa Africana de Nações da CAF Marrocos 2025 estão a ser pelo Tribunal Arbitral de Desporto, e o foco principal da nossa instituição no momento está na Copa das Confederações, na Liga dos Campeões Africanos e nas demais competições”, explica.
Além disso, a CAF também está focada em trabalhar em conjunto, cooperar e apoiar cada uma das nações africanas que participarão da Copa do Mundo da FIFA 2026 nos Estados Unidos.
“Temos certeza de que as nações africanas que participarão da Copa do Mundo da FIFA 2026 nos encherão de orgulho”, conclui Patrice Motsepe.
A Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique (EUMAM MOZ) recebeu a visita do Chefe de Operações do Exército Finlandês, Brigadeiro-General Sami-Antti Takamaa, acompanhado pela sua delegação.
A visita teve como objectivo proporcionar uma visão directa sobre a situação actual da Missão, com especial enfoque nas condições em que a EUMAM MOZ opera, nos principais desafios operacionais e estruturais que enfrenta, e no trabalho em curso no âmbito dos Programas de Regeneração das Forças de Reação Rápida (QRFs) das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM).
Durante a visita, a delegação finlandesa teve oportunidade de se reunir com o Comandante da Força da EUMAM MOZ, Comodoro César Pires Correia, receber uma apresentação sobre a Missão e conhecer de perto as actividades desenvolvidas nas áreas de mentoria e assistência militar. A deslocação ao Campo de Treino de Katembe permitiu ainda observar os padrões de treino assistido atualmente em curso, com a 3.ª QRF de Fuzileiros.
A presença de destacados representantes militares dos Estados-Membros da União Europeia (UE) reforça a importância da cooperação contínua no seio da UE e evidencia o compromisso conjunto com o reforço das capacidades das FADM.
Enquanto Missão não executiva da União Europeia, a EUMAM MOZ centra-se no ciclo de formação operacional, na manutenção e na formação especializada, contribuindo para a profissionalização, autonomia e prontidão operacional das FADM. A Missão reúne militares e civis de várias nacionalidades europeias, incluindo quatro militares do contingente finlandês.
O Presidente da República, Daniel Chapo, reafirmou, esta sexta-feira, em Malabo (Guiné Equatorial), o compromisso do seu Governo com a protecção dos moçambicanos no estrangeiro e a consolidação da paz e unidade nacional.
Durante um encontro emotivo com a comunidade residente na Guiné Equatorial, o Chefe do Estado destacou a criação inédita da Secretaria de Estado das Comunidades para responder às necessidades da diáspora e assegurou que a abertura de uma representação diplomática no país está sob análise prioritária. O governante aproveitou a ocasião para apelar à preservação dos valores de reconciliação, distanciando a identidade moçambicana de discursos de ódio ou atos de violência.
A visita do estadista moçambicano a Malabo ocorre no âmbito da sua participação na 11ª Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da Organização dos Estados da África, Caraíbas e Pacífico (OEACP). Logo à chegada, priorizou o contacto directo com os compatriotas, sublinhando que não poderia passar pela capital equato-guineense sem saudar os “filhos da nossa pátria amada”. O Presidente Chapo expressou gratidão pela receção fraterna, afirmando ser um motivo de orgulho ver que, mesmo longe, os cidadãos mantêm “viva a chama da moçambicanidade”.
No diálogo com a comunidade, o governante abordou com transparência a vulnerabilidade climática que Moçambique enfrenta, explicando detalhadamente os impactos das cheias e ciclones. Por conseguinte, recordou que o país é atravessado por nove bacias hidrográficas, o que o coloca entre os dez mais afetados no mundo.
“Mesmo que não esteja a chover em Moçambique, basta estar a chover na África do Sul, no Zimbabwe ou noutros países do interior toda a água tende a correr para o mar, e passa pelos nossos rios, transborda e provoca cheias e inundações”, elucidou o governante.
Sobre a segurança nacional, o Chefe do Estado partilhou a indignação face ao terrorismo em Cabo Delgado, mas garantiu que o combate permanece firme. Segundo disse, o Executivo está focado em restaurar a estabilidade para garantir o desenvolvimento inclusivo.
“Queremos assegurar-vos que o nosso Governo continua firme e empenhado no combate ao terrorismo, em restaurar a paz, garantir a segurança das populações e criar melhores condições de vida”, declarou, agradecendo a solidariedade interna e internacional recebida desde o início do conflito.
O Presidente da República destacou ainda que a sua gestão está focada na diplomacia económica para atrair investimentos e dinamizar a economia nacional. Respondendo ao incentivo dos moçambicanos na diáspora, sublinhou que a determinação do Governo visa melhorar a vida do povo “dentro e fora do país”. O estadista apontou o Diálogo Nacional Inclusivo, que conta com a
participação de partidos parlamentares e extraparlamentares, como um pilar essencial para a estabilidade política e social.
Um dos pontos altos da intervenção foi o anúncio de medidas institucionais para apoiar os cidadãos no exterior. O Chefe do Estado lembrou que, pela primeira vez na história do país, foi criada a figura da Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Moçambicanas no Exterior para cuidar especificamente destes interesses.
“Ela tem a missão de colaborar convosco diante das vossas preocupações legítimas, desafios e iniciativas, sempre na busca de soluções eficazes”, explicou, reforçando que a diáspora é parte integrante e essencial da nação.
Respondendo directamente a uma das principais reivindicações da comunidade em Guiné Equatorial, o Presidente Chapo prometeu analisar a instalação de uma representação consular em território equato-guineense. Reconheceu que esta é uma “aspiração justa” face à crescente presença de moçambicanos no país. “Queremos assegurar-vos que esta questão será analisada com responsabilidade e sentido de prioridade de Estado”, afirmou, garantindo que o objectivo é aproximar os serviços do Estado aos cidadãos que vivem além-fronteiras.
Apelando à coesão social, o Estadista exortou os presentes a continuarem a agir como embaixadores dos valores tradicionais do país, baseados na humildade e no trabalho.
Ademais, foi incisivo ao separar a identidade nacional de comportamentos de instabilidade, afirmando que o povo moçambicano não se define pelo conflito. “Moçambicano não é um povo de ódio, moçambicano não é um povo de violência, moçambicano não é um povo de guerra, moçambicano não é um povo de manifestações violentas, ilegais e criminosas”, vincou.
Por fim, o Presidente Daniel Chapo reiterou a necessidade de combater discursos divisionistas para proteger a soberania e a integridade territorial. Para si, o futuro de Moçambique depende da
promoção de mensagens de amor e unidade nacional em detrimento da destruição. “A guerra destrói, a paz constrói, o ódio destrói, o amor constrói, a violência destrói, a reconciliação constrói”, concluiu, despedindo-se com a garantia de que a comunidade pode contar com o apoio contínuo da sua governação.
Um funcionário do Estado, de 38 anos, perdeu a vida ao tentar atravessar a via que liga os distritos de Guijá e Chókwè, na província de Gaza, arrastado pela forte corrente de água que há duas semanas condiciona a circulação naquele troço. Os residentes desta via reclamam das péssimas condições de travessia e falam dos perigos que assombram a via.
O caso reacende críticas das populações à falta de alternativas seguras de travessia e à demora no cumprimento de promessas governamentais.
Segundo testemunhas, o homem tentava alcançar o município de Chókwè quando foi surpreendido pela força das águas. O corpo foi recuperado no dia seguinte à sua morte.
“O jovem é de Guijá e perdeu a vida aqui. Ele tentou passar por aqui, mas não conseguiu. A água puxou e ele perdeu a vida”, relatou Lucas, residente local, frisando ainda que “ninguém está bem, mesmo eu não estou bem, mas é para fazer o que? Ninguém mandou isso aqui”.
A estrada, considerada estratégica por ligar Chókwè, Guijá e a vila de Caniçado, permanece parcialmente submersa desde as últimas cheias, dificultando a mobilidade de pessoas e bens. A situação tem forçado a população a recorrer a pequenas embarcações artesanais, muitas vezes em condições precárias.
Dias antes do incidente, a governadora da província de Gaza, Margarida Mapandzene, havia reconhecido o risco e apelado à prudência, além de prometer reforço nos meios de travessia.
“Esta via é de capital importância. Queremos apelar àqueles que continuam a arriscar a atravessar esta água com muita corrente que não o façam. Tivemos situações não muito agradáveis nas cheias de Janeiro, com carros arrastados, pessoas arrastadas”, disse Mapandzene a 20 de Março.
Na ocasião, a Governadora realçava que a interrupção da mesma era preciso haver alguma alternativa para a comunicabilidade dos dois locais, e que “neste momento, estamos a ver aqui umas embarcações que ajudam a travessia da nossa população, e também temos uma embarcação movida a motor que vamos meter nesta via para ajudar cada vez mais a nossa população”.
No entanto, moradores dizem que as medidas ainda não se concretizaram. A ausência de fiscalização e de transporte público seguro agrava o cenário, segundo os utentes.
“Quem quer passar tem que pagar o barco. E nem todos têm dinheiro”, lamentou Lino Manuel.
“São barcos com infiltrações, mesmo assim as pessoas arriscam a vida por necessidade”, acrescentou Januário, outro utente.
No local, embarcações chegam a transportar até oito passageiros por viagem, além de mercadorias, sem controlo das autoridades. O custo da travessia varia entre 50 e 100 meticais, valor considerado elevado para muitas famílias num contexto de desemprego e dificuldades económicas.
Apesar dos riscos evidentes, muitos continuam a atravessar diariamente, pressionados pela necessidade de trabalho e acesso a serviços. Outros, por falta de recursos, ficam retidos.
A situação insere-se num quadro mais amplo de cheias na província de Gaza. Na cidade de Xai-Xai, autoridades mantêm alerta máximo devido à interrupção recorrente da circulação na Estrada Nacional Número Um (N1) nos últimos dias. Pelo menos 10 bairros estão inundados, afectando mais de 6.100 pessoas, segundo dados preliminares.
Enquanto isso, a travessia entre Chókwè e Guijá permanece um ponto crítico, onde a urgência por soluções seguras se torna cada vez mais evidente após mais uma vida perdida.
O Gabinete Parlamentar da Assembleia da República manifestou hoje o seu reconhecimento pelo empenho humanitário da Primeira-Dama da República, Gueta Selemane Chapo, no auxílio às famílias afectadas pelas recentes inundações na província de Gaza.
Durante um encontro de trabalho com a equipa liderada pela presidente da estrutura técnica, Maria Marta, foi destacada a prontidão da Primeira-Dama em unir esforços com as deputadas para garantir que a assistência chegue de forma célere e digna às populações vulneráveis, reforçando o papel da fiscalização e do apoio social em tempos de crise nacional.
A presidente do Gabinete Parlamentar sublinhou a relevância da colaboração interinstitucional no terreno, enfatizando que a união de esforços tem sido determinante para mitigar o sofrimento das comunidades atingidas. Segundo a responsável, a presença estatal e o suporte do Gabinete da Primeira-Dama são pilares que sustentam a eficácia das operações de socorro em curso nas zonas mais críticas do sul do país.
Ao detalhar a experiência da missão conjunta, Maria Marta fez questão de pontuar a importância da iniciativa da esposa do Presidente da República ao incluir a estrutura parlamentar na linha da frente. “Queremos enaltecer o convite que a Primeira-Dama fez ao Gabinete da Mulher Parlamentar na sua deslocação à província de Gaza, em apoio às vítimas das cheias”, afirmou a presidente, em declaracoes à imprensa, destacando o impacto positivo desta sinergia.
A actuação no terreno não se limitou ao protocolo, envolvendo um trabalho directo de assistência e levantamento de necessidades das populações que perderam bens e meios de subsistência devido à fúria das águas. “O gabinete esteve lá, trabalhou junta e prontamente com a Primeira-Dama, ela que esteve a apoiar as populações, esteve a dar o ombro àquelas populações que estão sofrendo neste momento”, declarou Maria Marta.
A presidente contextualizou a gravidade da situação climática que Moçambique atravessa, lembrando que o país enfrenta um período cíclico de desafios ambientais extremos. “Nós sabemos que o país está a ser assolado pelas cheias e inundações, e a Primeira-Dama tem estado a fazer tudo para esta população”, observou, reiterando a necessidade de uma vigilância contínua pelas autoridades.
O foco da actuação do Gabinete da Primeira-Dama e parlamentar, conforme descrito pela responsável, assenta na inclusão e na garantia de que nenhum moçambicano seja esquecido durante o processo de realocação e assistência humanitária. Maria Marta reforçou que o objetivo é “fazer tudo para que todos se sintam acomodados, todos se sintam apoiados e que nenhuma pessoa fique para trás”.
No encerramento das suas declarações, Maria Marta reiterou o agradecimento institucional pela postura proactiva da Esposa do Chefe do Estado, validando o impacto das suas acções na coesão social do país. “Portanto, agradecer mais uma vez à Primeira-Dama do país por tudo que tem feito para o povo moçambicano”, concluiu a presidente do Gabinete Parlamentar.

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