A Ministra da Educação, Samaria Tovela, apelou à paciência dos professores que reclamam o pagamento de horas extraordinárias em atraso, reconhecendo a legitimidade das suas reivindicações, mas sublinhando que o Estado não dispõe de capacidade financeira para liquidar toda a dívida de uma só vez.
A governante reagia à nova onda de paralisação das aulas protagonizada por docentes que exigem a regularização dos valores em dívida. Apesar de reconhecer o direito dos professores a reclamarem os seus créditos, Samaria Tovela considera que a interrupção das actividades lectivas não constitui a melhor forma de protesto, por prejudicar milhares de alunos.
A ministra alertou ainda que os docentes que aderirem à paralisação poderão enfrentar implicações e procedimentos administrativos previstos na lei.
Recorde-se que o Governo anunciou ter regularizado integralmente o pagamento das horas extraordinárias referentes ao ano de 2022 e parte de 2023. Contudo, continua por liquidar o remanescente desse ano, bem como a totalidade dos valores correspondentes a 2024.
A Eurodeputada Hilde Vaut Mens defende que para combater o terrorismo é necessário combater a pobreza, sobretudo juvenil, através da educacao e criacao de postos de emprego. A informação foi dada na tarde desta quinta-feira, após o encontro mantido entre a delegação de eurodeputados e a ministra dos negócios estrangeiros e cooperação.
A ministra dos negócios estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela Lucas, concedeu uma audiência à delegação de quatro eurodeputados, com a missão de avaliar e reforçar as relações entre Moçambique.
A equipa era chefiada por esta eurodeputada belga chamada Hilde Vaut Mens. A Saída do encontro, diante das duas delegações, Vaut Mens destacou a importância do emprego juvenil no combate ao terrorismo.
“Nós visitamos um maravilhoso projeto em que nós damos educação aos jovens e meninas e ajudamos-os a iniciar suas próprias empresas, seus próprios negócios. Porque eu acho que se você quiser combater o terrorismo, é uma questão de segurança, mas também está deve olhar para as raízes da pobreza, é preciso tira-los da pobreza.
Dê esperança e optimismo aos jovens, para que eles possam ganhar dinheiro, para que eles possam iniciar seus negócios. E é isso que vimos, jovens iniciando seus próprios negócios, de automóveis, eletricidade. Foi maravilhoso ver no campo o que esse projecto Europeu significa para esses jovens, porque realmente está quebrando o círculo, o círculo vicioso da pobreza. E isso significa que esperamos mantê-los fora das mãos dos terroristas”, Hilde Vaut Mens.
Com a ministra Lucas, os deputados abordaram questões económicas e de integração regional.
“Eu realmente espero que esse Fórum Global Gateway possa significar uma coisa importante na energia, mas também na luta contra as mudanças climáticas, e também no sector agrícola, porque isso também é algo que nós ouvimos que é realmente necessário. Então eu realmente espero que as empresas europeias possam encontrar um jeito de investir aqui como parcerias equitativas, e que as empresas moçambicanas possam trabalhar juntos no campo. Porque essa é a única maneira que uma parceria pode funcionar”, acrescenta.
O programa Global Gateaway visa acelerar o desenvolvimento económico através de sectores como conectividade e corredores de desenvolvimento, transformação digital, transição energética e agronegócio.
O próximo Fórum de Negócios Moçambique-União Europeia (Global Gateway 2026) vai acontecer na cidade de Maputo nos dias 9 e 10 de junho, reunindo decisores políticos, instituições financeiras e o sector privado para desbloquear investimentos nos sectores estratégicos acima referido.
Assembleia da República recebe delegação da União Europeia
O 1º vice-presidente da Assembleia da República, Hélder Injojo, destacou os avanços registados na participação da mulher e dos jovens nos órgãos de decisão política do País. Injojo falava nesta quinta-feira em representação da presidente da Assembleia da República, durante um encontro que manteve com uma delegação da União Europeia, onde explicou que actualmente 39,3% dos deputados são mulheres, enquanto 60,8% são homens.
Numa audiência que serviu para reforçar os laços de cooperação entre Moçambique e a União Europeia, o deputado destacou que a Assembleia da República possui gabinetes especializados dedicados à promoção dos direitos da mulher e da juventude parlamentares, estruturas que trabalham para assegurar maior participação destes grupos na actividade legislativa.
Na sua intervenção, o dirigente parlamentar falou também das nove comissões especializadas existentes na Assembleia da República que são responsáveis pela apreciação de matérias legislativas, económicas, sociais e políticas.
Referindo-se às relações entre Moçambique e a União Europeia, o 1º vice-presidente da Assembleia da República reconheceu o apoio prestado pela organização europeia ao País em diversas áreas, incluindo acções de mitigação dos impactos sociais e económicos enfrentados pela população moçambicana.
O 1º vice-presidente da Assembleia da República enalteceu, igualmente, o apoio da União Europeia ao processo de Diálogo Nacional Inclusivo em curso no País, envolvendo forças políticas e diferentes sectores da sociedade moçambicana.
Durante o encontro, as partes abordaram ainda a cooperação parlamentar entre a Assembleia da República de Moçambique e o Parlamento Europeu, no âmbito de acordos de parceria actualmente em implementação.
No fim, Injojo considerou a visita da delegação europeia uma oportunidade importante para discutir questões prioritárias para o desenvolvimento do País e reforçar os mecanismos de cooperação institucional entre as duas partes.
“As relações entre Moçambique e a União Europeia devem continuar a fortalecer-se, assim como a cooperação entre os respectivos parlamentos, com vista a alcançar resultados positivos para os nossos povos”, afirmou o 1º vice-presidente da Assembleia da República.
O dirigente aproveitou ainda a ocasião para agradecer o apoio que a União Europeia tem prestado a Moçambique e desejou uma agradável estadia à delegação visitante no País.
A delegação da União Europeia recebida pelo 1º vice-presidente da Assembleia da República era chefiada pela vice-presidente do Parlamento Europeu e presidente da delegação da Assembleia Parlamentar África, Caraíbas e União Europeia, Hilde Vautmans.
Apenas nove equipas conseguiram terminar uma campanha na competição sem derrotas. O Arsenal está a um jogo de se tornar na próxima. No seu caminho está o Paris, campeão e o primeiro detentor do título a disputar finais seguidas desde o Real Madrid em 2016/17 e 2017/18.
O jogo na Puskás Aréna é uma reedição da meia-final da época passada, quando a equipa de Luis Enrique venceu os dois jogos para eliminar o Arsenal com um resultado total de 3-1, seguindo-se uma goleada por 5-0 sobre o Inter para erguer o troféu pela primeira vez.
No entanto, nos cinco duelos entre os clubes nesta competição, essas continuam a ser as únicas vitórias do Paris, com o Arsenal a vencer na fase de liga da época passada e registando-se ainda dois empates na fase de grupos de 2016/17.
A caminhada rumo a Budapeste fez-se com base en características contrastante. O Arsenal de Mikel Arteta construiu a sua campanha com base no controlo defensivo, mantendo a baliza intacta em nove jogos e sofrendo apenas quatro golos na fase de liga.
Vitórias notáveis sobre Atlético, Bayern München e Inter foram seguidas por confrontos mais equilibrados na fase a eliminar contra Leverkusen, Sporting CP e novamente o Atlético.
Já o Paris avançou no torneio graças à sua apetência ofensiva. Os 44 golos marcados deixam a equipa a apenas um do recorde histórico do Barcelona em 1999/2000, com Khvicha Kvaratskhelia em destaque. Trabalhador e imprevisível, o georgiano contribuiu com dez golos e seis assistências ao longo da temporada, sendo que sete desses tentos aconteceram na fase a eliminar, mostrando que está em grande forma.
Após vitórias fulgurantes sobre Atalanta, Leverkusen, Barcelona e Tottenham no início da temporada, o Paris subiu de nível na fase a eliminar, afastando Chelsea e Liverpool antes de uma emocionante meia-final frente ao Bayern München, num clássico moderno para a história.
A ascensão do Arsenal sob o comando de Arteta tem sido gradual mas significativa: quartos-de-final em 2023/24, meias-finais em 2024/25 e agora a primeira final desde 2005/06.
Para o Arsenal, a vitória coroa uma temporada histórica, com a conquista do primeiro título na prova, enquanto para o Paris garante o segundo título europeu, sendo o primeiro clube francês a consegui-lo e consolidando ainda mais o legado de Luis Enrique no clube.
O Campeonato Nacional de Futebol, Moçambola, vai sofrer uma interrupção temporária de cerca de duas semanas para permitir a preparação e participação da selecção nacional de futebol, os Mambas, nos compromissos inseridos na Data-FIFA de 1 a 9 de Junho.
A paralisação afecta os jogos da sexta e sétima jornadas da principal prova futebolística do país, inicialmente previstos para decorrer entre os dias 24 e 31 de Maio.
Em comunicado, a Liga Moçambicana de Futebol (LMF) explica que a decisão resulta da necessidade de libertar antecipadamente os jogadores convocados para os trabalhos da selecção nacional.
“Pelo facto de os atletas convocados terem de se apresentar antecipadamente, e porque a presente edição do Moçambola está a decorrer no formato de jornadas duplas, não será possível proceder com a marcação dos jogos referentes à 6.ª e 7.ª jornadas do Moçambola no período entre 24 e 31 de Maio”, refere a nota da LMF.
Segundo a organização, o campeonato deverá ser retomado apenas após o encerramento da Data FIFA.
Os jogos de preparação dos Mambas inserem-se no plano de preparação da selecção nacional para as eliminatórias de qualificação ao Campeonato Africano das Nações (CAN) de 2027, cuja fase de apuramento arranca em Setembro próximo.
A interrupção do campeonato surge numa altura em que várias equipas começam a consolidar os seus objectivos competitivos, num Moçambola marcado pelo formato de jornadas duplas e elevada intensidade competitiva.
A convocatória oficial dos Mambas deverá ser divulgada nos próximos dias, sendo esperado que vários atletas que actuam no campeonato nacional integrem os trabalhos da selecção.
A Federação Moçambicana de Futebol e a Liga Moçambicana de Futebol consideram que a pausa é necessária para garantir melhores condições de preparação da equipa nacional para os desafios internacionais que se aproximam.
O Presidente da República reiterou esta quinta-feira, em Maputo, o compromisso do Governo com o fortalecimento das pequenas e médias empresas (PMEs), defendendo um maior envolvimento do sector privado no desenvolvimento económico e na melhoria do ambiente de negócios no país.
O posicionamento foi assumido durante uma audiência concedida à Associação de Pequenas e Médias Empresas (APME), num encontro dedicado à discussão dos principais desafios enfrentados pelas empresas nacionais, sobretudo as micro, pequenas e médias empresas.
Falando à imprensa no final da audiência, o presidente da APME, Pedro Silva, afirmou que a organização procurou auscultar as orientações do Chefe do Estado sobre mecanismos de apoio ao empresariado nacional.
“Hoje tivemos a honra de ser recebidos por Sua Excelência Presidente da República, Daniel Chapo. Viemos receber os seus aconselhamentos para que possamos melhor defender os interesses de Moçambique e principalmente das nossas PMEs”, declarou.
Segundo Pedro Silva, o Presidente da República demonstrou envolvimento directo na criação de condições favoráveis para o crescimento das pequenas e médias empresas, consideradas essenciais para a geração de emprego e dinamização da economia nacional.
“As PMEs são um motor de desenvolvimento da economia e Sua Excelência deixou bem frisado que está envolvido em apoiar o crescimento das PMEs”, afirmou.
Durante o encontro, Daniel Chapo terá lançado desafios à associação ligados ao fortalecimento do tecido empresarial, promoção do empreendedorismo e melhoria do ambiente de negócios.
Pedro Silva assegurou que a associação acolheu as recomendações com sentido de responsabilidade e compromisso institucional.
“Abraçamos esses desafios e prometemos, com todo o comprometimento, apoiar no desenvolvimento e na melhoria do ambiente de negócios para as PMEs”, sublinhou.
As pequenas e médias empresas representam uma parcela significativa do sector empresarial moçambicano e desempenham um papel importante na criação de postos de trabalho, inclusão económica e expansão da produção nacional.
Entretanto, o sector continua confrontado com desafios ligados ao acesso ao financiamento, carga fiscal, burocracia administrativa, limitações de infra-estruturas e dificuldades de acesso aos mercados.
O presidente da APME garantiu que a associação continuará empenhada na defesa dos interesses das empresas nacionais, visando contribuir para o crescimento económico sustentável do país.
O encontro decorreu numa altura em que o Executivo procura reforçar o diálogo com o sector privado, considerado estratégico para acelerar o investimento, aumentar a produção nacional e estimular a competitividade da economia moçambicana.
A Primeira-Ministra, Maria Benvinda Levi, desafiou esta quinta-feira os novos dirigentes nomeados pelo Conselho de Ministros a imprimirem maior eficiência, transparência e foco em resultados nas instituições públicas, numa altura em que o país enfrenta desafios económicos e sociais considerados complexos.
Falando durante a cerimónia de tomada de posse, a governante afirmou que os dirigentes assumem funções num contexto exigente, mas igualmente repleto de oportunidades para o desenvolvimento nacional.
“É fundamental a existência de instituições públicas fortes, eficientes e orientadas para resultados em benefício do cidadão”, declarou Maria Benvinda Levi, acrescentando que a nomeação dos novos quadros representa “o reconhecimento das vossas competências técnicas e percurso profissional”.
Foram empossados Jorge Vidigal Fole para o cargo de Director-Geral do Instituto de Amêndoas de Moçambique (IAM), Armindo Tomás Mutimba como Director-Geral do Instituto Nacional de Exames, Certificação e Equivalências (INECE), Ângela Anifa Aly para Directora-Geral Adjunta do INECE, Telma Odete Comé para Directora-Geral Adjunta da Agência para a Promoção de Investimento e Exportações (APIEX) e Maria Teresa Martins para Directora-Geral Adjunta do Instituto Nacional de Normalização e Qualidade (INNOQ).
Durante o discurso, a chefe do Governo destacou o papel estratégico do recém-criado Instituto de Amêndoas de Moçambique, apontando o sector do caju e de outras amêndoas como áreas prioritárias para a diversificação da economia nacional.
Segundo a Primeira-Ministra, o Executivo pretende revitalizar a indústria nacional de processamento do caju, expandir a investigação agrícola e melhorar os mecanismos de recolha de dados através da Plataforma Connect Caju.
“A implementação destas acções permitirá resgatar a posição que já foi ocupada pelo nosso país”, afirmou.
Moçambique figura entre os produtores africanos de castanha de caju, cultura que emprega milhares de famílias nas zonas rurais e constitui uma importante fonte de rendimento e exportação. Nos últimos anos, o Governo tem vindo a defender a industrialização local como forma de aumentar o valor acrescentado do produto.
No sector da educação, Maria Benvinda Levi sublinhou a necessidade de reforçar a credibilidade dos exames nacionais e dos processos de certificação académica, defendendo maior transparência e redução da burocracia no funcionamento do INECE.
“Quando um certificado é emitido com transparência, um exame é organizado com confiabilidade e uma equivalência é decidida com clareza, fortalece-se a justiça social”, frisou.
Relativamente à APIEX, a governante reiterou que a instituição deve assumir-se como facilitadora do investimento privado, defendendo maior celeridade administrativa e acompanhamento efectivo dos projectos aprovados.
“O investidor deve encontrar na APIEX uma instituição que acolhe, orienta, facilita e acompanha, e não uma entidade que complica ou retarda os processos”, advertiu.
Dados do Banco de Moçambique indicam que o país continua a apostar na captação de investimento estrangeiro nos sectores da agro-indústria, energia, infra-estruturas e recursos minerais, considerados estratégicos para o crescimento económico.
Já no domínio da normalização e qualidade, a Primeira-Ministra defendeu o reforço dos mecanismos de certificação e fiscalização, numa altura em que o acesso aos mercados internacionais exige maior observância de padrões de qualidade.
“Sem qualidade, não há competitividade; sem competitividade, não há acesso a mercados”, afirmou.
Na ocasião, Maria Benvinda Levi apelou ainda à coordenação entre os dirigentes empossados, defendendo uma cultura institucional baseada na ética, inovação, responsabilização e prestação de contas.
A governante aproveitou igualmente a ocasião para reconhecer o trabalho desenvolvido pelos quadros cessantes nas instituições abrangidas pelas nomeações.
O Presidente da República nomeou Mukhtar Mamade Abdulcarimo para o cargo de Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República de Moçambique junto do Reino da Arábia Saudita, através de Despacho Presidencial.
A nomeação foi anunciada esta quinta-feira e, segundo a Presidência da República, enquadra-se na dinâmica de gestão e renovação da representação diplomática moçambicana no exterior, com vista ao reforço da cooperação bilateral e da acção diplomática do país.
No mesmo Despacho Presidencial, o Chefe do Estado exonerou Faizal Faquir Cassam do cargo de Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República de Moçambique junto do Reino da Arábia Saudita.
Novo trabalho de Juliana de Sousa transforma Jangamo num palco de celebração cultural e resgata um dos cantos populares mais simbólicos da tradição Bitonga
Há músicas que se escutam. E há músicas que se sentem. “Gigadagada” pertence à segunda categoria.
O novo videoclipe da cantora moçambicana Juliana de Sousa, com estreia marcada para o dia 29 de Maio, transforma o distrito de Jangamo num território de encontro entre culturas, memórias e identidades, numa produção profundamente ligada às raízes da cultura Bitonga.
Mas “Gigadagada” não é apenas música. É um manifesto artístico sobre pertença, ancestralidade e liberdade. É uma obra que mistura poesia, tradição oral, dança e emoção para contar uma história construída entre duas mulheres, dois continentes e duas formas de olhar o mundo.
De um lado está a alma Bitonga de Moçambique. Do outro, a sensibilidade italiana de Anna Di Lorenzo, voluntária europeia que mergulha numa experiência marcada pelo contacto íntimo com os costumes, os ritmos e os símbolos culturais do sul de Moçambique.
O resultado é um videoclipe que vai muito além da estética visual. “Gigadagada” procura transformar um canto popular tradicional num património emocional contemporâneo, recriando memórias colectivas através da linguagem artística da música.
O título da obra, entretanto, carrega um simbolismo tão profundo quanto provocador.
Segundo Juliana de Sousa, “Gigadagada” possui um duplo sentido dentro da tradição oral dos Bitongas. Literalmente, refere-se à chapa onde se torra farinha. Mas o significado metafórico varia de região para região dentro da cultura Bitonga.
Em alguns contextos, explica a artista, “Gigadagada” representa o corpo feminino, particularmente associado à sexualidade da mulher. Noutras interpretações, o termo remete à figura de uma mulher que já não consegue regressar ao lar depois de determinadas experiências da vida.
A cantora sublinha que os cantos tradicionais dos Bitongas possuem forte carga erótica, simbólica e metafórica, sendo frequentemente interpretados de formas diferentes dependendo do contexto social e cerimonial em que são cantados.
“É um canto popular dos Bitongas. Cada contexto tem uma interpretação própria”, explica Juliana.
Longe de reduzir o tema à provocação, a artista usa exactamente essa riqueza interpretativa como matéria-prima criativa para construir uma obra que dialoga com identidade, feminilidade, memória e tradição.
A origem do projecto nasce também de um encontro improvável.
Segundo Juliana de Sousa, Anna Di Lorenzo aproximou-se inicialmente com o desejo de aprender a cantar “como africana” e ter aulas de música. A cantora admite que nunca se considerou professora musical, mas diz que entre as duas surgiu uma ligação imediata, quase como se já se conhecessem há muito tempo.
Foi a partir dessa conexão que nasceu a construção artística de “Gigadagada”.
Juliana conta que já trabalhava num poema dedicado à mãe quando decidiu incorporar o canto popular Bitonga e recriá-lo dentro da composição musical. Anna Di Lorenzo, por sua vez, também acabou por inserir na música uma dimensão pessoal e íntima.
Na sua estrofe, a italiana fala da relação com a própria mãe e do conflito emocional provocado pela sua paixão por viajar pelo mundo, conhecer culturas e explorar novos lugares, mesmo sabendo que isso frequentemente significa distância e saudade.
A música transforma-se assim numa ponte emocional entre duas mulheres de universos diferentes, mas ligadas por sentimentos universais como pertença, liberdade, memória e afecto materno.
Mais do que um simples exercício artístico, “Gigadagada” apresenta-se como um esforço consciente de preservação cultural.
Juliana de Sousa explica que decidiu recriar este canto popular como forma de “imortalizar traços identitários” da cultura Bitonga através da música. O objectivo, segundo a artista, é garantir que elementos culturais profundamente presentes no quotidiano das comunidades não desapareçam com o tempo.
O coro usado na música faz parte dos cantos tradicionais entoados em contextos de celebração, festas comunitárias, cerimónias e momentos pós-colheita, ambientes onde música, dança e oralidade sempre desempenharam papel central na preservação da memória colectiva.
É precisamente essa dimensão ancestral que o videoclipe tenta capturar.
Gravado em Jangamo, o trabalho mergulha em cenários naturais, expressões culturais e práticas tradicionais da região, transformando o território num personagem silencioso da narrativa visual.
A produção aposta numa estética emocional, intimista e identitária, onde cada imagem procura dialogar com os elementos centrais da cultura Bitonga. O mar, a dança, os tecidos, os gestos, os cânticos e os olhares não aparecem apenas como decoração visual, mas como fragmentos vivos de uma herança cultural que continua presente no quotidiano das comunidades.
Ao juntar uma artista moçambicana e uma voluntária italiana num mesmo universo simbólico, “Gigadagada” também desafia fronteiras culturais e propõe uma reflexão sobre a forma como povos diferentes podem encontrar-se através da arte sem apagar as respectivas identidades.
Num tempo em que grande parte da produção musical global tende à homogeneização cultural, Juliana de Sousa escolhe o caminho contrário: aprofundar as raízes locais para dialogar com o mundo.
E talvez seja exactamente aí que reside a força de “Gigadagada”.
O videoclip não tenta internacionalizar a cultura Bitonga tornando-a menos Bitonga. Pelo contrário. Assume os seus códigos culturais, os seus símbolos, os seus silêncios e as suas ambiguidades como parte da sua autenticidade artística.
Ao fazê-lo, transforma um canto tradicional numa experiência contemporânea capaz de atravessar geografias e tocar públicos muito diferentes.
A estreia oficial acontece no dia 29 de Maio em todas as plataformas digitais. Mas antes mesmo do lançamento, “Gigadagada” já começa a afirmar-se como muito mais do que um videoclip musical.
É um encontro entre passado e presente. Entre tradição e reinvenção. Entre Moçambique e Itália. Entre mães e filhas. Entre memória e liberdade.
E talvez seja precisamente por isso que “Gigadagada” não se limita a ser ouvido.
“Gigadagada” sente-se.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, formalizou um aumento da cota anual de refugiados admitidos no país, elevando o limite de 7.500 para 17.500 vagas. A decisão inclui a reserva de até 10.000 vagas para africânderes da África do Sul.
A decisão surge num contexto de forte endurecimento da política migratória norte-americana e de crescente tensão diplomática entre Washington e Pretória.
Desde 2025, o governo norte-americano já havia reduzido significativamente o limite de admissão de refugiados para 7.500, em contraste com os 125.000 registados no ano anterior, passando a priorizar a entrada de candidatos brancos sul-africanos.
A comunidade tem uma reserva de 10 mil vagas para entrar no território norte-americano, numa altura em que o país abre espaço para receber 17.500 refugiados.
Segundo os Estados Unidos da América, trata-se de uma “situação de emergência”, alimentada por uma suposta “incitação à violência com motivação racial” por parte de políticos sul-africanos.
A situação agrava as tensões entre os Estados Unidos e a África do Sul que se estendem ao plano económico e diplomático, com a imposição de tarifas de 30% sobre produtos sul-africanos e o boicote da administração norte-americana à cúpula do G20 realizada em Joanesburgo.
O Uganda fechou a sua fronteira com a República Democrática do Congo (RDC), na quarta-feira, numa tentativa de conter o surto de Ébola, que atingiu o país vizinho.
O país da África Oriental registou sete casos da cepa Bundibugyo do vírus Ébola desde que o surto foi identificado na República Democrática do Congo em 15 de Maio.
“Uganda está a fechar temporariamente a fronteira com a República Democrática do Congo com efeito imediato”, disse a secretária permanente do Ministério da Saúde, Diana Atwine, a repórteres.
“As únicas excepções são para equipas autorizadas de resposta ao Ébola, operações humanitárias, transporte de alimentos e cargas e segurança, sob rigorosos protocolos de triagem e monitoramento de saúde”, disse ela.
O Ministério da Saúde do Uganda também anunciou uma quarentena de 21 dias para qualquer pessoa que chegue da República Democrática do Congo, sob a supervisão do Ministério da Saúde e das equipas de vigilância distrital, além de verificações regulares para alunos em escolas próximas à fronteira.
Na República Democrática do Congo, foram registradas mais de 220 mortes suspeitas e 900 casos suspeitos, segundo dados oficiais, situação que a Organização Mundial da Saúde declarou como emergência internacional.

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