O Ministério da Educação e Cultura (MEC) está a trabalhar com o Ministério das Finanças para regularizar dívidas aos professores e mobilizar recursos para a impressão e distribuição do livro escolar para o ano lectivo de 2027.
Segundo uma actualização divulgada esta segunda-feira, está em curso a validação de dívidas relacionadas com horas extraordinárias, segunda turma, salários, progressões e actos administrativos.
O MEC informa ainda que o pagamento das horas extraordinárias referentes a 2023 está a ser feito de forma faseada, mediante disponibilidade financeira, enquanto prossegue a validação das dívidas relativas ao período de 2024 a 2026.
Os dois ministérios comprometeram-se a manter encontros mensais para acompanhar e avaliar o andamento do processo.
Quatro anos depois da primeira edição, o Festival de Vozes está de regresso, reunindo 20 grupos que, ao longo de três meses, vão disputar o título numa competição marcada por 11 galas.
A segunda edição do programa decorre na Arena 3D, na Catembe, onde os participantes tiveram, esta sexta-feira, o primeiro contacto com o palco que acolherá os desafios, avaliações e apresentações ao longo da competição.
Para alguns concorrentes, esta é a primeira experiência num concurso do género, aumentando a expectativa e a ansiedade antes da estreia. Outros chegam com experiência adquirida em anteriores reality shows, encarando a competição com a ambição de voltar a vencer.
O primeiro encontro serviu essencialmente para a integração dos grupos e preparação para as próximas fases. Contudo, o júri aproveitou a ocasião para identificar aspectos a melhorar, entre críticas e elogios às capacidades vocais e à presença em palco dos concorrentes.
Os jurados defendem que o Festival de Vozes deve servir não apenas para descobrir talentos, mas também para os aperfeiçoar. Segundo a organização, existem entre os participantes vozes com potencial, embora alguns grupos ainda precisem de desenvolver técnicas de canto, postura, apresentação e interpretação.
A imagem e a forma de apresentação em palco também fazem parte dos aspectos que serão avaliados e trabalhados durante a competição. O objectivo é que, à medida que as galas avancem, os grupos apresentem maior organização, domínio do canto coral e capacidade de se afirmarem no mercado musical.
A segunda edição traz igualmente novidades. Ao contrário da primeira, em que apenas seis elementos de cada grupo podiam actuar em palco, nesta edição cada formação poderá apresentar entre oito e 15 elementos em cada gala.
Os grupos terão ainda liberdade para efectuar substituições entre os seus integrantes e explorar diferentes possibilidades de apresentação, numa tentativa de tornar as actuações mais dinâmicas.
Com a primeira gala já à porta, os 20 grupos intensificam os ensaios e a preparação para uma jornada que irá testar não apenas as suas capacidades vocais, mas também a interpretação, o trabalho em equipa, a presença em palco e a capacidade de conquistar o público.
Mais de 158 milhões de brasileiros vão hoje às urnas para as eleições gerais, que incluem a escolha do próximo Presidente da República, num escrutínio marcado pela disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estão habilitados a votar 158.765.543 eleitores.
A votação decorre das 8 às 17 horas, pelo horário de Brasília, correspondendo às 13 às 22 horas em Moçambique. Em Portugal, onde estão recenseados 134.797 eleitores brasileiros, a votação começou às 9 horas, decorrendo em três locais. No estrangeiro, os brasileiros votam apenas para Presidente e Vice-Presidente da República.
Além do Presidente e Vice-Presidente, os eleitores brasileiros escolhem governadores e vice-governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritaes.
Lula da Silva, aos 80 anos, procura um quarto mandato presidencial, enquanto o senador Flávio Bolsonaro, filho do antigo Presidente Jair Bolsonaro, tenta reconduzir o campo político do pai ao Palácio do Planalto.
A disputa presidencial chega ao dia da votação marcada pela proximidade entre os dois principais candidatos. Uma sondagem Datafolha divulgada na véspera do escrutínio colocava Lula com 45 por cento dos votos válidos e Flávio Bolsonaro com 42 por cento, numa situação de empate técnico.
Concorrem também à Presidência outros candidatos, entre os quais Romeu Zema, Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Renan Santos. A votação obtida pelos restantes concorrentes poderá ser relevante para a definição da disputa presidencial.
Caso nenhum candidato obtenha mais de metade dos votos válidos, haverá uma segunda volta, marcada pelo TSE para 25 de Outubro.
As eleições deste domingo constituem o maior processo eleitoral da história do Brasil em número de eleitores aptos. O TSE estima que cerca de 86 por cento do eleitorado tenha voto obrigatório, enquanto os restantes 14 por cento estão abrangidos pelo voto facultativo.
Pelo menos 17 pessoas morreram num acidente de viação ocorrido na madrugada de sábado, em Salama, numa das principais estradas que liga o interior do Quénia ao porto de Mombaça. Entre as vítimas estão 14 peregrinos católicos que seguiam numa carrinha.
Segundo as autoridades locais, o acidente ocorreu quando o motorista de um camião tentava ultrapassar outro veículo. A manobra terá resultado numa colisão com a carrinha que transportava os peregrinos e o respectivo motorista. Todos os ocupantes da viatura ligeira morreram no local.
Três pessoas que se encontravam no camião também perderam a vida no acidente.
Os peregrinos seguiam para um local de oração no condado de Nakuru, a oeste da capital, Nairobi, segundo o arcebispo da Arquidiocese Católica de Mombaça, Martin Kivuva.
Em comunicado, o arcebispo manifestou profunda tristeza e consternação pelas mortes, endereçando condolências às famílias e à comunidade católica.
O acidente volta a colocar em evidência os problemas de segurança rodoviária no Quénia e em outros países africanos. Entre as principais causas apontadas para a sinistralidade estão o excesso de velocidade, ultrapassagens perigosas, deficiente manutenção dos veículos e o mau estado de algumas estradas.
A Autoridade Nacional de Transportes e Segurança do Quénia apelou aos automobilistas para que redobrem os cuidados nas estradas, evitem ultrapassagens perigosas e respeitem rigorosamente as faixas de rodagem.
A entidade considera que o troço onde ocorreu o acidente é um ponto crítico e afirma que já foram apresentadas recomendações para melhorar as condições de segurança no local.
O Presidente queniano, William Ruto, apresentou condolências às famílias das vítimas, aos amigos, paroquianos e a toda a comunidade católica afectada pela tragédia.
O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, destacou hoje, na vila da Macia, distrito de Bilene, o papel da mulher na produção, gestão familiar e dinamização da economia, defendendo que o desenvolvimento de Moçambique e da província de Gaza depende da sua participação efectiva nos processos económicos e sociais.
O Chefe do Estado falava num encontro com mulheres de diferentes sectores e estratos sociais, no âmbito da agenda de Governação de Proximidade, Participativa e Inclusiva.
O acto juntou camponesas, produtoras agropecuárias, comerciantes, académicas, religiosas, servidoras públicas e privadas, profissionais de saúde e educação, praticantes de medicina tradicional, engenheiras, líderes comunitárias e religiosas, dirigentes de associações e activistas sociais, que apresentaram ao Chefe do Estado as principais preocupações que afectam as mulheres e as comunidades da província.
Entre as questões colocadas destacam-se os efeitos das cheias, inundações e secas, a violência sexual e doméstica, o acesso ao financiamento, água, energia e educação, bem como a necessidade de melhoria das estradas e de construção da barragem de Mapai.
“Nós viemos aqui hoje, porque achamos que não é possível desenvolver Moçambique, não é possível desenvolvermos Gaza, sem a presença da mulher”, explicando que o Governo está a levar a cabo programas específicos dirigidos à mulher, à juventude e às famílias moçambicanas.
O Presidente da República destacou, em particular, a contribuição das mulheres para a produção de alimentos e para a sobrevivência das famílias, sobretudo numa província sujeita ciclicamente a cheias, inundações e ciclones. Segundo o estadista, mesmo perante estas adversidades, as mulheres continuam a trabalhar, produzir e assegurar o funcionamento dos agregados familiares. Ademais, ublinhou que têm demonstrado capacidade para manter as famílias e as actividades económicas mesmo em períodos de adversidade.
O Chefe do Estado apresentou vários exemplos para demonstrar a capacidade das mulheres de gerir recursos limitados e, mesmo perante dificuldades económicas, assegurar o sustento, a educação dos filhos e a manutenção das famílias.
Mais adiante, associou esses exemplos à criação do Fundo ProMulher, fundo destinado ao empoderamento económico das mulheres e cuja implementação deverá abranger os distritos do país.
“Por isso, a mulher moçambicana, e, principalmente a mulher de Gaza, é uma mulher muito forte”, afirmou o Chefe do Estado, apontando também para a realidade de muitas famílias da província em que os homens trabalham na África do Sul e as mulheres permanecem responsáveis pela gestão dos agregados familiares e educação dos filhos.
A protecção das viúvas, idosos, crianças e órfãos foi outra preocupação abordada pelo Presidente da República, que condenou práticas de retirada dos bens deixados às mulheres após a morte dos maridos.
O Chefe do Estado apelou igualmente à sociedade para cuidar dos idosos e rejeitar práticas de abandono, acusação de feitiçaria e violência contra pessoas idosas, defendendo que a protecção das gerações mais velhas constitui uma responsabilidade familiar e social.
A violência doméstica constituiu outra matéria abordada pelo Presidente Chapo, que apelou à prevenção e denúncia dos casos,
salientando que o fenómeno pode assumir formas físicas e psicológicas. “Então, a violência física e psicológica, que estamos a dizer aqui, acontece dos dois lados, e precisamos de combater isso, e também de denunciar”, afirmou.
Além disso, manifestou ainda preocupação com os casos de violência sexual contra mulheres, raparigas e crianças e afirmou que o Governo está a trabalhar na proposta de agravamento das penas para os autores destes crimes.
No domínio da saúde, reforçou o apelo às mulheres para aproveitarem o “Outubro Rosa” para realizar exames de prevenção do cancro da mama e do colo do útero, estendendo o apelo aos homens para que façam o rastreio do cancro da próstata durante o “Novembro Azul”. O Presidente destacou a importância da detecção precoce destas doenças para aumentar as possibilidades de tratamento.
Durante o encontro, as mulheres de Gaza reconheceram ainda iniciativas como o Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL) e Empodera, defendendo o seu fortalecimento e expansão para alcançar mais mulheres nas comunidades.
No encerramento, o Presidente da República agradeceu a franqueza das mulheres na apresentação das suas preocupações e afirmou que estas deverão contribuir para o plano de desenvolvimento da província. E mais, voltou a destacar a mulher como produtora, gestora, mãe, comerciante e empreendedora, defendendo que as suas capacidades devem ser valorizadas no processo de transformação de Gaza e de Moçambique.
Os Estados Unidos e a Austrália suspenderam temporariamente o atendimento presencial nas suas representações diplomáticas no Brasil, alegando questões de segurança. A medida foi anunciada esta sexta-feira, a poucas horas das eleições presidenciais brasileiras, marcadas para este domingo.
No caso dos Estados Unidos, a suspensão abrange a Embaixada em Brasília e os consulados norte-americanos no país.
A representação diplomática não detalhou as ameaças que motivaram a decisão, mas informou que os cidadãos que necessitarem de assistência de emergência devem recorrer aos contactos por telefone ou correio electrónico, não devendo deslocar-se às instalações diplomáticas durante o período de encerramento.
Uma fonte do Governo norte-americano referiu a existência de uma ameaça de bomba, sem esclarecer se esta estaria relacionada directamente com a Embaixada dos Estados Unidos ou com outro local em Brasília.
Os funcionários norte-americanos foram colocados em regime de teletrabalho.
A medida de suspensão dos serviços diplomáticos foi igualmente adoptada pela Austrália na sua Embaixada em Brasília, citando motivos de segurança.
Num alerta aos seus cidadãos,o Governo australiano advertiu para a possibilidade de manifestações, concentrações políticas e reforço das medidas de segurança antes, durante e depois das eleições, além de recordar que ataques terroristas podem ocorrer em diferentes locais e momentos.
As autoridades de segurança pública da capital brasileira afirmaram não ter identificado, até ao momento, qualquer ameaça na cidade.
Nenhum dos dois países indicou uma data para a retoma dos serviços presenciais, nem esclareceu se a emissão de vistos e passaportes foi afectada.
As medidas surgem num contexto de particular atenção internacional às eleições brasileiras. Questionado sobre um eventual apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-Presidente Jair Bolsonaro, o presidente norte-americano, Donald Trump não respondeu directamente.
O primeiro turno das eleições brasileiras realiza-se este domingo, num processo que tem mobilizado atenção dentro e fora do país.
A Primeira-Dama da República, Gueta Chapo, chegou esta sexta-feira à cidade de Chimoio, província de Manica, para participar, este sábado, no Festival Cultural de Orações pela Paz, Reconciliação e Homenagem, tendo anunciado que a iniciativa será igualmente dedicada à oração pelo fim da violência, pelos afectados pelo conflito em Cabo Delgado e pela protecção dos idosos.
Falando à imprensa à sua chegada, Gueta Chapo explicou que a sua deslocação à província de Manica tem como propósito cumprir
um programa de um dia, centrado na oração pela paz, na prevenção dos acidentes e na condenação da violência protagonizada pelos chamados “homens de catana”, referidos como grupo 15.
“Viemos cumprir o programa que é oração pela paz; oração também contra os acidentes que têm acontecido ultimamente; oração também contra os ‘homens de catana’, o chamado grupo 15”, afirmou.
A Primeira-Dama acrescentou que o festival servirá igualmente para promover uma reflexão sobre a necessidade de “desarmamento das mentes”, das mãos e dos corações, considerando que as acções negativas têm a sua origem no pensamento. “Também estaremos a orar para o desarmamento das mentes, não só das mentes, das mãos, dos corações, porque tudo o que é feito de errado começa na mente”, disse.
Segundo Gueta Chapo, a cerimónia, a realizar-se no Campo da Soalpo, vai reunir diferentes segmentos da sociedade para orar pelo bem-estar de Moçambique, com atenção particular às crianças, mulheres, pessoas desfavorecidas, jovens e idosos, bem como pela província de Cabo Delgado.
Sobre a situação em Cabo Delgado, a Primeira-Dama manifestou o desejo de que o conflito termine, destacando o sofrimento enfrentado pelas populações afectadas, particularmente mulheres e crianças.
“Queremos que um dia essa guerra acabe, pois são muitas crianças, muitas senhoras, muitos homens, muitos adultos e idosos que estão a sofrer neste momento a cada dia”, afirmou.
Gueta Chapo defendeu ainda a necessidade de os moçambicanos continuarem a promover a paz e a rejeitar a violência, sublinhando que a sua presença em Manica pretende transmitir apoio à população e às confissões religiosas envolvidas na iniciativa. “Não queremos violência no nosso país, queremos a paz”, declarou.
Na mesma ocasião, a Primeira-Dama apelou à sociedade para proteger e respeitar os idosos, condenando os actos de violência e assassinato contra esta camada socia. “Vamos acabar com isso, vamos terminar com este tipo de atitude, porque não é bom para a nossa sociedade e não é bom para as nossas crianças”, afirmou.
Gueta Chapo considerou os idosos como referências para as novas gerações e apelou aos jovens e à sociedade em geral para reforçarem a sua protecção.
“Vamos proteger os nossos pais, os nossos avós, vamos proteger os nossos idosos, porque amanhã nós também seremos idosos e não gostaríamos que passássemos aquilo que nós estamos a fazer a eles neste momento. Então, vamos proteger os nossos idosos, vamos acarinhar mais, vamos amar mais os nossos idosos”. (GI)
O Presidente da República, Daniel Chapo, entregou, esta sexta-feira, o sistema de abastecimento de água da Macia, no distrito de Bilene, província de Gaza. Avaliado em 262 milhões de meticais, o empreendimento tem capacidade para abastecer mais de 55 mil pessoas.
O Presidente da República, Daniel Chapo, colocou em funcionamento, está sexta-feira o sistema de abastecimento de água da Macia, uma infra-estrutura concebida para responder às necessidades de mais de 55 mil pessoas no município de Bilene.
A entrega ocorre num município onde o acesso à água constitui, há mais de uma década, uma das principais dificuldades das comunidades. Mais de 45 mil pessoas, residentes em seis bairros da vila da Macia, têm enfrentado limitações no acesso ao recurso, situação que se agravou a partir de 2019.
A escassez obrigou famílias a percorrer distâncias médias entre 4 a 5 quilómetros em busca de água, transformando uma necessidade básica numa dificuldade diária para milhares de residentes.
É neste contexto que entra em funcionamento o novo sistema, num investimento público de 262 milhões de meticais, destinado a ampliar a capacidade de abastecimento e aproximar a água potável das comunidades.
A concretização do projecto acontece depois de um período marcado pela interrupção das obras, circunstância que prolongou a espera da população e adiou a resposta a uma necessidade que se foi agravando com o tempo.
Mais do que a entrega de uma infra-estrutura, os munícipes destacam que a. entrada em funcionamento do sistema coloca a Macia perante uma nova etapa no abastecimento de água. A sua capacidade projectada deverá permitir responder às necessidades de uma população superior àquela que actualmente enfrenta as maiores limitações de acesso.
Mas, depois da inauguração, permanece o desafio de assegurar a operacionalidade do sistema, a continuidade do fornecimento e a sustentabilidade do investimento, para que a capacidade instalada se traduza em água disponível de forma regular para as comunidades.
Para milhares de famílias da Macia, a expectativa é que a nova infra-estrutura reduza as distâncias percorridas diariamente em busca de água e diminua a vulnerabilidade provocada pelos períodos de escassez.
No distrito de Bilene, o investimento de 262 milhões de meticais passa, assim, a representar uma nova capacidade de resposta a uma crise de abastecimento que há anos condiciona a vida das comunidades da Macia.
O Egipto declarou, na quinta-feira, um diplomata etíope persona non grata e deu-lhe 48 horas para abandonar o país, numa medida de retaliação depois de a Etiópia ter expulsado um funcionário diplomático egípcio.
Segundo a imprensa local, uma fonte egípcia classificou a decisão de Adis Abeba como “lamentável e injustificada”, acusando as autoridades etíopes de atribuírem a actores estrangeiros a responsabilidade pelas suas “sucessivas crises internas”.
A mesma fonte afirmou que a decisão do Cairo foi tomada em conformidade com o princípio da reciprocidade. Acrescentou que o Egipto evita comentar acontecimentos internos de outros países, incluindo a Etiópia, em respeito pelo direito internacional e pela Carta das Nações Unidas.
Adis Abeba não apresentou publicamente as razões que levaram à expulsão do diplomata egípcio.
O incidente constitui mais um episódio da prolongada tensão entre os dois países, sobretudo em torno da Grande Barragem do Renascimento Etíope, um gigantesco projecto hidroeléctrico construído pela Etiópia no Nilo Azul. O Egipto considera a barragem uma ameaça aos seus recursos hídricos, por recear que o projecto afecte o volume de água que chega ao seu território através do rio Nilo.
As relações entre os dois países têm sido igualmente afectadas pelas crescentes preocupações de segurança na região. Esta semana, a Etiópia acusou o Egipto, o Sudão e a Eritreia de apoiarem a Frente de Libertação do Povo Tigray, grupo rebelde que lançou recentemente um ataque de grandes proporções contra forças governamentais. O Egipto não comentou publicamente as acusações, enquanto o Sudão negou qualquer envolvimento.
Na quinta-feira, Etiópia e Eritreia anunciaram o rompimento das relações diplomáticas, trocando acusações sobre o apoio a conflitos internos, numa altura em que os combates continuam na região de Tigray. O Cairo tem, entretanto, reforçado as relações com Asmara nos últimos meses, num contexto de crescente tensão política e de segurança no Corno de África.
Sem rodeios, Felisberto Navalha entrou em acção no Banco de Moçambique. Depois de quatro semanas a afinar o seu pensamento, eis que o novo governador decide romper o cofre das reservas obrigatórias para tirar a economia das trevas.
Decidiu libertar o dinheiro que, por obrigação da lei, os bancos comerciais depositam junto do banco central para financiar empresas que queiram produzir para exportar, mas também aquelas que pretendam produzir o que o país actualmente importa.
Os elogios à medida, vindos de economistas, não tardaram a chegar; contudo, estes vêm acompanhados de subsídios para que esta não seja mais uma diligência sem o efeito desejado: animar a economia nacional.
Num texto enviado ao “O País Económico”, o economista e docente universitário Constantino Marrengula começa por destacar a relevância da medida, por se propor a substituir as importações e a aumentar as exportações.
Marrengula considera que, com esta inovação, as reservas obrigatórias deixam de ser apenas instrumentos de gestão do dinheiro disponível nos bancos e passam a ser um mecanismo de transmissão da política monetária para a economia real.
Porém, alerta que a inovação do novo elenco da autoridade monetária não deve parar por aí. Deve criar condições para que as Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME) tenham, de uma vez por todas, acesso efectivo ao crédito bancário.
“O principal teste será saber se este mecanismo conseguirá ultrapassar uma das maiores limitações do sistema financeiro moçambicano: o crédito continua distante de grande parte das micro, pequenas e médias empresas e da economia informal”, lembra.
O docente refere que, para uma pequena empresa sem garantias reais, demonstrações financeiras robustas ou histórico bancário, reduzir a taxa MIMO pode ter pouco significado. Diz que, para estas, o problema não é apenas o preço do dinheiro, é o acesso ao dinheiro.
“É aqui que o Banco de Moçambique pode dar o próximo passo: incentivar instrumentos de financiamento baseados em fluxos de caixa, transacções, contratos e cadeias de valor. A transição de empresas informais viáveis para a economia formal também deveria fazer parte desta agenda”, refere.
Constantino Marrengula sublinha que há outro desafio que não pode ser ignorado: a inflação dos alimentos. Para atacar o problema, considera necessário aumentar a oferta e reduzir os custos ao longo de toda a cadeia: produção, armazenamento, transporte, processamento e comercialização.
Na nova abordagem das reservas obrigatórias, o economista encontra espaço para o financiamento das cadeias alimentares e de empresas que aumentem a oferta interna. Daí que entenda que o Banco de Moçambique abriu uma porta importante que agora é preciso atravessar.
“A política monetária não deve limitar-se a tornar a liquidez abundante ou escassa. Numa economia com baixa inclusão financeira, deve também procurar compreender por que razão o crédito não chega onde a produção acontece”, lembra ao seu colega que acaba de assumir o volante no banco central.
Para Marrengula, o sucesso desta inovação introduzida pelo novo elenco do banco central será medido quando o crédito chegar mais perto dos produtores — incluindo os pequenos e os das cadeias alimentares — e quando essa liquidez se transformar em mais produção, mais emprego e maior oferta de alimentos.
O economista justifica o seu pensamento afirmando que a estabilidade monetária é necessária, mas o próximo desafio é fazer com que ela seja também economicamente inclusiva. Marrengula destaca a importância da nova medida do banco central, mas alerta para a necessidade de coerência nas políticas públicas.
“Existe um problema de coerência porque, enquanto o banco central procura libertar recursos para o sector produtivo, a política fiscal absorve recursos em despesas de baixo retorno, acumula atrasados ou não consegue transformar o défice em procura efectiva”, alertou o docente universitário.
Para fundamentar a sua análise, Marrengula recorre ao exemplo do concurso lançado pelo Conselho Constitucional em Agosto para adquirir uma viatura Mercedes-Benz com o custo de cerca de 28 milhões de meticais, questionando o retorno que tal acção traz para um Estado sob vários desafios.
“Não se trata de questionar a necessidade de meios de transporte para instituições públicas. A questão económica é outra: qual é o retorno desta despesa e qual o seu custo de oportunidade numa economia em que o Estado acumula atrasados, as empresas enfrentam restrições de liquidez e a procura permanece débil?”, questionou.
Por sua vez, o economista Eduardo Sengo começa por frisar que as políticas de estabilização por si só não triunfam, uma vez que podem inibir o crescimento económico ou, onde são necessárias, não chegar aos sectores nevrálgicos que impulsionam o desenvolvimento.
“É possível formular estas políticas de tal forma que cumpram a sua função estabilizadora e, ao mesmo tempo, estimulem a produção ou a economia. Isto é muito importante para Moçambique, tendo em conta o seu estágio de desenvolvimento e todas as necessidades que ainda tem por suprir”, reagiu o economista à medida do banco central.
Para Sengo, políticas contracionistas cegas ou expansionistas cegas não só desaceleram a economia ou aceleram a inflação, como acabam por se tornar ineficazes para aquilo a que se propõem — que é, por vezes, estimular a produção quando se trata de expansão.
Sengo aponta que os cortes sucessivos da taxa de juro feitos pelo Banco de Moçambique, iniciados há pouco mais de um ano (invertendo a tendência da política monetária), juntamente com a manutenção observada nos últimos três meses, não se traduziram em financiamento barato para a economia.
“Continuamos a ter sectores nevrálgicos da economia, como os sectores produtivos, a não beneficiarem deste crédito, o que constitui um aspecto estrutural desde que Moçambique se tornou independente. É preciso pensar fora da caixa, trazer medidas progressistas e apresentar ideias sob o ponto de vista da implementação da política monetária”, concluiu Eduardo Sengo.
Para o economista, é fundamental perceber que a política monetária precisa não apenas de se focar no aumento ou redução da taxa de juros, mas também de começar a focar-se na própria distribuição do crédito; ou seja, para além da determinação da taxa de juro, encontrar mecanismos para influenciar a repartição do crédito na economia.
“Tem de olhar selectivamente para os sectores produtivos, como a agricultura e a indústria transformadora. É assim que faço a leitura desta primeira decisão do novo governador e desta nova fase do banco central: tentar, em primeiro lugar, ir ao encontro do quadro de políticas nacionais e trazer alguma coordenação entre a política fiscal e a política monetária naquilo que for positivo para o aumento da produção”, explicou Sengo.
No entender de Eduardo Sengo, a inovação introduzida pelo banco central é um sinal de que a política monetária não quer limitar-se à determinação da taxa de juros, mas pretende também influenciar a distribuição do crédito. Segundo explica, no passado, o crédito à economia destinado aos sectores da agricultura e indústria já representou 50%, caindo hoje para cerca de 15%.
“Esta medida é um sinal positivo na busca não só da substituição das importações, mas do aumento da produção interna. Nela, claramente, o quadro da política monetária já não está focado apenas na determinação da taxa de juro em função da inflação, mas passa a ter em conta outras variáveis, como a criação de emprego, o aumento da produção e, por essa via, a disponibilidade de divisas no mercado”, defendeu.
Por seu turno, o economista Júlio Saramala entende que o primeiro Comité de Política Monetária presidido por Felisberto Navalha deixou bons sinais de mudança. Considera que as decisões só produzem os efeitos pretendidos quando conseguem transmitir-se ao sistema financeiro e, posteriormente, às condições de financiamento enfrentadas pelas empresas e famílias.
“A medida parece-me positiva pela forma como procura conciliar dois objectivos. Por um lado, preserva-se a prudência na gestão da liquidez; por outro, cria-se espaço para que os recursos possam ser direccionados para actividades produtivas. Em vez de simplesmente libertar liquidez para o sistema, procura-se estabelecer uma ligação entre essa liquidez, o crédito e determinados objectivos económicos”, explicou Júlio Saramala.
Num contexto em que a disponibilidade de divisas continua a ser um dos principais desafios da economia, Saramala entende que estimular a produção para substituir determinadas importações e apoiar empresas com capacidade exportadora pode contribuir tanto para o fortalecimento da produção nacional como para o sector externo.
O economista entende que será importante garantir critérios claros, acompanhar a adesão dos bancos e, sobretudo, avaliar se o mecanismo produz efectivamente crédito adicional. “Mais do que medir quanto foi deduzido das reservas obrigatórias, será importante perceber quanto chegou às empresas e qual o impacto no investimento, na produção e nas exportações”, alerta Saramala.
Para Saramala, o Comité de Política Monetária deixou uma impressão positiva, não por representar uma ruptura total com o passado, mas por ter mostrado que é possível preservar os pilares do banco central introduzindo, simultaneamente, mudanças na abordagem e na utilização dos seus instrumentos.
Por fim, o economista Alfredo Mondlane felicita Navalha pelo início do seu mandato com a introdução desta inovação. “Foi um sinal claro e muito inteligente de que o Banco de Moçambique passa, de forma implícita, a prosseguir um dual mandate — sem criar choques nos ganhos macroeconómicos já alcançados”, avançou.
Porém, chama a atenção para o facto de que, a curto prazo, o impacto poderá ser limitado, pois as empresas com potencial para beneficiar deste regime apresentam balanços fragilizados e muitas não são, de momento, bancáveis.
“Seria importante que o aviso que vai regulamentar este novo regime previsse mecanismos de consolidação e saneamento dos balanços destas empresas, com vista a garantir a estabilidade financeira a médio e longo prazo. Este método provou ser um sucesso na China, tendo sido replicado a determinado momento pelo Banco Central Europeu, no Peru, entre outros”, sugeriu.