O País – A verdade como notícia

Passados 10 anos, Moçambique volta a reunir condições para exportar excedentes de cereais para os países da região. A primeira carga já se encontra nos Silos e Terminal Graneleiro da Matola e pronta para ser colocada no mercado sul-africano.

O Presidente do Conselho de Administração da empresa STEMA, Arlindo Chilundo, disse que o país já reúne condições para ser um actor-chave na região, e ainda avançou que o navio de carga no terminal é superior que o de Durban, daí a preferência de alguns clientes.

Numa altura em que o volume de produção e facturação das empresas está em queda, devido à pandemia da COVID-19, o mesmo não se pode dizer dos Silos e Terminal Graneleiro da Matola.

Com a retoma de exportação de cereais a granel, a nível interno, o grande desafio passa pelo aumento da produção.

 

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) confirmou a sua comparticipação no projecto de Gás Natural Liquefeito (GNL) do consórcio liderado pela francesa Total, na Área 1 da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado. O empréstimo é de USD 400 milhões.

Algumas semanas após o fecho dos contratos de financiamento do projecto de desenvolvimento de Gás Natural Liquefeito (GNL) na Área 1 da Bacia do Rovuma, no valor de 16 biliões de dólares, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) confirmou esta quarta-feira, a sua comparticipação no montante de USD 400 milhões.

A Decisão Final de Investimento foi assegurada em Junho de 2019, e o valor total do projecto é de mais de USD 20 biliões. Isso inclui componentes onshore (na terra) e offshore (no mar), custos associados à construção de instalações a serem compartilhadas com o projecto adjacente da Área 4, e custos de financiamento.

Em comunicado enviado ao “O País Económico”, o BAD refere que os custos do projecto serão financiados através de uma combinação de capitais próprios e empréstimos seniors.

“O empréstimo sénior compreende também um conjunto de financiamentos directos vindos de  Agências de Crédito à Exportação (ECA), como o US-EXIM, JBIC, UKEF, Thai EXIM, NEXI, SACE, ECIC, UKEF , Atradius e bancos comerciais”, realça o BAD.

O empréstimo desta instituição financeira com sede em Abidjã, na Costa do Marfim, é considerada a maior investida no financiamento de projectos em África, e complementará um investimento em Moçambique de 800 milhões de dólares nos sectores de electricidade, transporte e agricultura.

“A estratégia do BAD em Moçambique, aprovada em 2018, pretende estimular um crescimento económico inclusivo apoiando as ligações entre a economia doméstica e os grande projectos infraestruturais e extractivos.

Abdu Mukhtar, director do Departamento de Desenvolvimento Industrial e Comercial do Banco Africano de Desenvolvimento, disse que a assinatura do financiamento da Área 1 de GNL de Moçambique anuncia uma “nova era de industrialização para o país e para o resto da região”.

“Acreditamos que é fundamental que investidores privados, partes interessadas locais, a comunidade de doadores e o Governo de Moçambique concentrem-se no desenvolvimento industrial, conduzido pela execução de projectos de gás doméstico. Alguns dos compradores assim como produtores de fertilizantes ou unidades de produção de energia, têm potencial para se tornarem competitivos na região e globalmente, criando assim dezenas de milhares de empregos para o povo de Moçambique”, apontou.

Por outro lado, o representante do BAD em Moçambique, Pietro Toigo afirmou que este investimento alavancará o desenvolvimento de recursos naturais para acelerar a transformação agrícola e os investimentos em infra-estruturas sustentáveis, que são dois pilares fundamentais da actual estratégia no país.

“O projecto contribuirá para a industrialização do país e da região, por meio da actividade industrial prevista, que o gás doméstico irá gerar em Moçambique e na região da África Austral. A presença do Banco garantirá a aderência aos padrões internacionais de transparência e a total conformidade com os requisitos ambientais e sociais, de acordo com o Sistema Integrado de Salvaguardas (ISS)”, acrescenta o representante do BAD em Maputo.

Refira-se, que Total E&P Moçambique Área 1, Limitada, uma subsidiária integral da Total SA, opera a Área 1 offshore com uma participação de 26,5%. Os accionistas incluem ENH Rovuma Área 1, SA (15%), Mitsui E&P Moçambique Area1 Limitada (20%), ONGC Videsh Rovuma Limitada (10%), Beas Rovuma Energy Moçambique Limitada (10%), BPRL Ventures Moçambique BV (10%) e PTTEP Moçambique Área 1 Limited (8,5 por cento).

Para além do projecto acima referido, o BAD apoia outro grande investimento do sector privado o projecto do Corredor de Nacala, um corredor de desenvolvimento de recursos naturais que consiste na criação de uma rede ferroviária que abrange mais de 912 quilómetros, de Moatize (em Tete) até o porto de Nacala Velha, passando pelo Malawi. Esta integração regional cria a espinha dorsal de uma plataforma integrada de logística rodoviária e ferroviária para catalisar investimentos adicionais na Zâmbia, Malawi e Tanzânia.

O projecto de GNL de Moçambique liderado pela Total será o primeiro desenvolvido em terra, consistindo inicialmente de dois comboios de GNL com a capacidade nominal de 13,12 milhões de toneladas por ano (MTPA) para apoiar o desenvolvimento dos campos da Área 1 de Golfinho / Atum localizados no mar.

O projecto assegurou com sucesso um total agregado de 11.1 MTPA de vendas de GNL a longo prazo (representando 85% da capacidade nominal da infraestrutura), sendo os principais compradores de GNL, oriundos da Ásia e Europa.

Mesmo em tempos da pandemia da COVID-19, o sector de transportes registou um aumento no pagamento de salários no mês de Abril último. Aliás, foi o único ramo da actividade económica que teve um registo ascendente nesta rubrica.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) indica que a actual conjuntura global, caracterizada pela prevalência da pandemia da COVID 19, marcada por efeitos socioeconómicos negativos em todos países do mundo, está a alterar a estrutura produtiva em Moçambique.

Os resultados dos índices da actividade económica do mês de Abril de 2020, quando comparados com os do mês anterior (Março), apontam para decrêscimo do índice geral de volume de negócios, remunerações e de emprego em 6,8%, 4% e 3,7%, respectivemente.

“A variação negativa do índice geral do volume de negócios em Abril deveu-se aos decrêscimos do volume de negócios dos sectores de turismo (-45,2%), devido a contração da procura global por bens e serviços turísticos”, refere o INE.

Mesmo cenário verificou-se nos ramos de transportes, onde o volume de negócios caiu em 16,8%, influenciada pela queda no transporte aéreo e bem como no ferroviário.

O negócio do sector de comércio caiu 7,5%, devido a queda do comércio a grosso de combustíveis assim como de veículos automóveis, indústria (-4,4%), influenciada, principalmente, pela diminuição das transacções na indústria metalúrgica de base e da hulha.

Em contrapartida, o sector da energia registou um incremento no volume de negócios em 2,6% devido ao aumento do consumo de energia.

 

PAGAMENTO DE SALÁRIOS

O  índice geral de remunerações em Abril, registou uma variação negativa de 4% influenciada pela queda de remunerações em quase todos sectores inquiridos, turismo (-10,4%), indústria (-6,5%), outros serviços (-3,3%) e o comércio (-0,3%). Excepto o sector de transportes é que registou uma subida de 1,5%.

O abrandamento de crescimento registado no índice geral de emprego em Abril foi impulsionado pelos sectores da indústria (-14,1%) – explicado pela redução do pessoal ao serviço nos agrupamentos das indústrias alimentares, de bebidas e do cimento.

Os sectores do turismo (-5%) e transportes(-0,8%) também contribuíram com valores negativos. O sector de outros serviços registou uma ténue variação positiva de 0,1% e o comércio uma variação nula.

Comparando os índices globais do mês de Abril de 2020, com os do período homólogo de 2019, registou-se um crescimento no índice de remunerações em 10,7%. Os índices de volume de negócios e de emprego registaram um decréscimo em 16,1% e 4,0% respectivamente.

Refira-se, que Moçambique poderá experimentar uma recessão económica este ano, devido aos impactos da pandemia da COVID-19. No pior dos cenários, a queda será de 2,5 por cento negativos.

Estas projecções constam da última avaliação do African Markets Revealed, que prevê o aumento do desemprego, menos renda familiar, baixo investimento e mais empresas falidas.

“Em todos os cenários, a recuperação a partir de 2021 assenta num crescimento suportado pelo investimento nos projectos de LNG da Bacia do Rovuma.

Consideramos que as discussões para um programa do FMI poderão ter algum progresso este ano, o que traz expectativas positivas sobre o tão necessário progresso nos aspectos de boa governação e avanço nas reformas estruturais”, escrevem os economistas.

A análise considera que um crescimento económico mais inclusivo só poderá ser alcançado num ambiente de paz e de grandes investimentos no sector da agricultura para tornar mais produtivo e competitivo este ramo que absorve cerca de 70% da população e representa perto de 20% do Produto Interno Bruto (PIB).

Álvaro Massinga assume interinamente a presidência da CTA, enquanto Agostinho Vuma permanecer hospitalizado. Falando esta terça-feira, em conferência de imprensa, a direcção da Confederação das Associações Económicas de Moçambique avança que o estado clínico Vuma é estável.

Naquela que foi a primeira reacção em público, após o baleamento no passado sábado, do presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique, Agostinho Vuma, o corpo directivo desta agremiação empresarial reestruturou o quadro directivo.

Numa altura em que circulam informações segundo as quais, Vuma foi transferido para a vizinha África do Sul, o presidente interino da CTA, assegurou que a recuperação decorre no Instituto do Coração em Maputo.

Álvaro Massinga tem como missão dar continuidade o plano da CTA para o melhoramento do ambiente de negócios e mitigação dos efeitos da pandemia da COVID-19.

Parte amanhã do Porto de Maputo o primeiro navio que vai fazer o transporte de mercadorias dentro da costa moçambicana e tem como destino final o Porto de Pemba. A viagem terá a duração de cerca de 12 dias, com algumas paragens.

Transportando cerca de 1500 toneladas de mercadorias diversas, como equipamentos e contentores, o navio reactiva o transporte marítimo de mercadorias dentro da costa moçambicana, algo que não acontecia há cerca de 30 anos. Em Pemba, a embarcação vai descarregar 900 toneladas de carga.

“O País” acompanhou na tarde de hoje os trabalhos de carregamento do navio no Porto de Maputo, onde o gestor da Sociedade Moçambicana de Cabotagem, Pedro Monjardidino, explicou o que se pretende com a primeira viagem.

“Esta primeira viagem é um teste que estamos a fazer para avaliar a capacidade de resposta que os portos podem dar a este tipo de serviços que não existe há muitos anos. Os portos não estavam preparados para este tipo de serviços. Queremos avaliar para depois apresentar uma tabela de escalas que tem a ver com o que a realidade demonstra. Uma questão é muito importante na cabotagem, a regularidade do transporte. Preferimos apostar numa primeira viagem de teste para vermos qual é a reacção dos portos para depois termos uma segunda fase, que é termos datas específicas para podermos operar”, explicou o gestor do projecto Sociedade Moçambicana de Cabotagem.

Em Pemba está outra embarcação, com menor capacidade, que vai fazer a distribuição da mercadoria que ali chega para Mocimboa da Praia e Afunge. Dependendo da procura, a Sociedade Moçambicana de Cabotagem diz estar apta para aumentar os navios, que segundo o gestor da entidade, poderão reduzir os custos de transporte de carga, se comparado com o rodoviário.

“O Governo, por um protocolo que fez com os portos, reduziu as taxas de manuseamento de mercadorias, o que tem impacto directo nos consumidores finais em 50 a 60 por cento, dependendo de cada porto, é o primeiro aspecto. O segundo aspecto, as taxas de navegação, as taxas do INAMAR foram reduzidas entre 50 a 75 por cento, isso é bem demonstrativo daquilo que é a intenção do Governo de fazer com que o serviço seja revitalizado”, considera Pedro Monjardidino, gestor de projecto da Sociedade Moçambicana de Cabotagem.

Até aqui, há no país duas embarcações para a cabotagem. Uma maior, baseada em Maputo, com capacidade para 260 contentores, ou seja, cerca de 3800 toneladas de mercadorias e apetrechado com duas gruas. Outra, que está em Pemba, com a capacidade para 450 toneladas e uma grua de 30 toneladas.

Gestores de estâncias hoteleiras, na província de Tete, vivem momentos de incertezas e temem o colapso do seu negócio devido à pandemia. Alguns já pensam em reduzir a mão-de-obra para garantir alguma sustentabilidade ao negócio.

Uma vista bonita, mas sem visitantes para contemplar…Um cenário encontrado pela nossa reportagem na Moringa Lodge, uma estância turística localizada numa das margens da Albufeira de Cahora Bassa, na província de Tete. Por lá, dias movimentados transformaram-se em dias de silêncio por conta da Covid-19. Os quartos que aos finais de semana ficavam preenchidos, agora estão vazios. Os barcos que eram usados pelos turistas para passeios na albufeira e para pesca desportiva não mais se fazem às águas, estão parados. São prejuízos e mais prejuízos como explica a gestora. “Estamos a passar por muitas dificuldades. Desde o mês de Fevereiro que o nosso negócio está estagnado. Vem uma e outra pessoa, mas não dá para suprir as despesas de funcionamento como pagamento de custos fixos em salários, energia, comida etc. Estamos a passar por tempos difíceis”, lamentou Fátima Nicole para depois avançar que tais tempos podem pôr em causa o emprego de parte dos seus trabalhadores.

“Daqui a mais um mês ou dois terei que fazer alguns reajustes. Infelizmente terei que mandar alguns trabalhadores para casa para garantir os serviços mínimos, mas até este momento, temos os 75 trabalhadores em actividade”, disse.

Caso a situação prevaleça por muito mais tempo, Fátima teme o pior.

“Vamos colapsar porque não temos onde buscar dinheiro. Dependemos dos clientes, eles são o garante a sustentabilidade deste negócio”, terminou.
Se no distrito de Cahora Bassa a situação está assim, a história se repete na cidade de Tete. No hotel Nhungue, por exemplo, em 24 quartos existentes a gestão não consegue preencher 10 por dia.

“Antes, por noite, poderíamos ocupar 16, 20 ou mesmo preencher todos os quartos, mas com a pandemia não conseguimos atingir os 10. Neste momento, ainda não reduzimos a mão-de-obra, mas se a situação prevalecer por mais tempo teremos que reduzir. Teremos que tomar medidas, porque o negócio depende de clientes e não podemos manter pessoas sem salário”, lamentou Patrício Meque, gerente do hotel.

Apesar de pouca clientela, a gestão disse estar a incrementar medidas de prevenção para não permitir com que se registem casos de contaminação no local

 

Neste momento, o distrito já colheu 885 mil toneladas, o que representa 98 porcento da meta estabelecida pelo governo distrital para a época 2019-2020. Porque há muita produção, o Governo distrital teme que parte da produção se perca por falta de capacidade de conservação e processamento.

O distrito de Angónia, na província de Tete, é rico em produtos diversos, com destaque para o milho, feijão, soja e hortícolas. Neste momento, os produtores estão empenhados em lançar culturas para a segunda época. Entretanto, o governo distrital está satisfeito com o ritmo da produção.

“Temos 128 mil famílias produtoras e elas tem feito muito esforço para garantir comida no nosso distrito. Só de produção de milho colhemos perto de 500 mil toneladas na primeira época. Até este momento já comercializamos 540 mil toneladas de produtos diversos. Prevemos colher 986 mil toneladas, mas só na primeira época fizemos 885 mil, o que quer dizer que estamos bem encaminhados para atingir a meta. Temos a vantagem de ter nove cursos de água permanentes e nalguns pontos existem represas. Ao todo temos 23 represas, algumas das quais são familiares e isso ajuda os nossos produtores”, disse Paulo Sebastião, administrador do distrito para depois avançar que a grande preocupação prende-se com a conservação dos produtos de fácil apodrecimento.

“Estamos a procura de parcerias, a todos os níveis, para sairmos desta situação de todos os anos perdermos grandes quantidades de tomate. Se tivéssemos uma unidade de processamento estaríamos a dar motivos da população produzir mais e estaríamos a compensar o esforço feito por esses produtores. Temos a babata reno que também já é uma preocupação porque produzimos em grandes quantidades e acaba apodercendo porque não temos soluções no distrito para garantir a sua conservação por muito tempo”, lamentou o dirigente.

Boa parte dos produtos produzidos são absorvidos a nível local através da empresa Escolha do Povo, uma fábrica que se dedica ao processamento de milho para a produção de farinha de milho e de soja para o fabrico de óleo alimentar e bagaço para produção de ração animal.

Moçambique voltou a registar uma deflação. Depois de Maio, a inflação de Junho foi também negativa (-0,55%), ou seja, os preços baixaram pelo segundo mês consecutivo, segundo o INE.

Numa altura em que o poder de compra baixou, devido ao impacto da pandemia da COVID-19, o custo de vida recuou em Junho.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), o país registou no fecho do primeiro semestre, uma deflação mensal de 0,55% face ao mês anterior. As divisões de alimentação e bebidas não alcoólicas, bem como de transportes, foram as de maior impacto, ao contribuírem no total da variação mensal com cerca de 0,43 e 0,13 pontos percentuais (pp) negativos, respectivamente.

Desagregando a variação mensal por produto, destaca-se a queda de preços do tomate (9,6%), gasolina (1,4%), açúcar castanho (7,9%), cebola (5,8%), gasóleo (3,1%), amendoim (3,1%) e da couve (4,6%).

No entanto, e de acordo ainda com o INE, alguns produtos contraíram a tendência da queda de preços, com destaque para os materiais diversos para manutenção e reparação da habitação (3,4%), batata-doce (16,6%), carapau (0,6%), cigarros (1%), o limão (23,4%), miudezas comestíveis de aves (2,5%) e o frango (0,3%), ao contribuírem com cerca de 0,11pp positivos.

 

CRESCIMENTO SEM DESENVOLVIMENTO?

O Instituto Nacional de Estatísitca estima que Moçambique tem actualmente cerca de 30 milhões de pessoas e as projecções apontam para um crescimento populacional de até 35 milhões nos próximos cinco anos.

Entretanto, este aumento nem sempre tem sido acompanhado pelo crescimento da economia nacional.

A taxa de crescimento da população é de 2,5% e a do PIB é de 2,2%, o que significa que a população cresce mais rápido que a economia, o que coloca o Estado numa ligeira incapacidade de provisão de bens e serviços essenciais aos cidadãos.

Segundo o INE, em 2017 a economia moçambicana registou um crescimento da produção na ordem de 3.7% do PIB tendo caído para 2,3% em 2019 e para 1,7% no primeiro trimestre de 2020, em conformidade com o Banco de Moçambique.

Apesar de o país ter registado uma redução da inflação mensal de 0,55% em Junho de 2020, os cidadãos continuam a debaterem-se com a redução do poder de compra, facto que impacta directamente na cesta básica e sobrevivência das famílias.

“Penso que o país reúne todas condições para desenvolver. Temos muitos recursos, mas o problema está na gestão”, apontou Ladita Come, uma jovem que saiu da cidade da Beira para “tentar a sorte” em Maputo.

Já Mulelane Bilianga, contou ao “O País” que o grande problema prende-se com a falta de oportunidades. “O Governo deve criar mais empregos, aumentar salários”, disse.

Governo e parceiros intensificam formação de moçambicanos em matérias de petróleo e gás natural. Os bolseiros estão a ser enviados a Malásia, Alemanha e Angola.

Numa altura em que Moçambique prepara-se para entrar no restrito grupo dos maiores produtores de hidrocarbonetos no mundo, com a Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, a ser o epicentro das operações, o Executivo já acelera com o processo de formação de quadros nacionais.

Ao que “O País Económico” apurou junto do Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME), para um bolseiro enviado a Malásia, o Estado moçambicano despende nove mil dólares por ano, sendo que já formados desde 2010, um total de 94 estudantes. Feitas as contas, já foram gastos 846 mil dólares em dez anos.

Para Alemanha, o encargo em propinas e alojamento é de 20 mil euros anuais por cada bolseiro. Estão neste momento em formação, um total de 26 estudantes moçambicanos, ou seja, um cumulativo de 520 mil euros anuais, para cada bolseiro.

Já em Angola, o protocolo de formação definiu uma verba de 100 mil dólares por ano, para cada estudante moçambicano enviado àquele país do Atlântico.

“Os moçambicanos só vão se sentir parte dos grandes projectos de petróleo e gás quando estiverem formados. É preciso olhar para toda cadeia, como mecânica, electricidade, informática, engenharia civil, por exemplo. O grande desafio é a certificação dentro do país”, disse Marta Pecado, directora dos Recursos Humanos do Ministério dos Recursos Minerais e Energia destacou a qualidade dos estudantes moçambicanos.

O MIREME através dos fundos de capacitação institucional previstos nos contratos de pesquisa de hidrocarbonetos, entre 2010 e 2020, formou dentro e fora do país, 214 jovens moçambicanos nos níveis de licenciatura e médio profissional.

Actualmente estão em formação um total de 51 estudantes na Universidade Tecnológica de Petronas, na Malásia, Universidade Técnica de Freiberg (Alemanha), Instituto Nacional de Petróleo (Angola). Já a nível interno, as formações decorrem na Universidade Eduardo Mondlane, UNILÚRIO, ISPT e no Instituto de Geologia e Minas.

“Dos 214 formados, 33 bolseiros ainda não tem colocação, quatro estão a frequentar mestrado na Inglaterra e Malásia e os restantes já contratados”, apontou a directora dos Recursos Humanos do Ministério dos Recursos Minerais e Energia.
Para os próximos cinco anos, o MIREME prevê formar 81 bolseiros, sendo 25 na Malásia, 10 na Alemanha, 15 em Angola, 10 da Universidade Eduardo Mondlane e 21 no ISPT em áreas de energia e pesquisa de petróleo e gás.
“Queremos, nos próximos bolseiros, resgatar o critério dos estudantes mais necessitados. Pois, a essência deste tipo de programas é dar oportunidade a quem não tem condições para continuar com os estudos”, concluiu Marta Pecado.

+ LIDAS

Siga nos