O País – A verdade como notícia

Os Governos de Moçambique e dos Estados Unidos da América (EUA), fecharam, esta segunda-feira, em Maputo, através da agência Millennium Challenge Corporation (MCC), um conjunto de compromissos referentes ao projecto e objectivos do Compacto II para Moçambique, cujo Acordo de Financiamento se prevê que seja assinado ainda este ano.

Os compromissos assumidos pelo Governo moçambicano e o dos Estados Unidos da América abrangem as áreas de promoção do investimento na agricultura comercial, conectividade, transporte rural, mudanças climáticas e desenvolvimento costeiro. O Compacto II do MCC decorrerá em todo o país, com enfoque na província da Zambézia.

Os acordos firmados visam ainda dar mais enfoque a reformas políticas e institucionais previstas para o sector de estradas, no quadro do que Moçambique se compromete a incrementar os fundos disponíveis para a manutenção das rodovias em 50%.

De acordo com Ministro da Economia e Finanças, Max Tonela, “a assinatura deste Aide Memoire sinaliza, de forma inequívoca, o cometimento, tanto do Governo de Moçambique como do Governo dos EUA, através da MCC, com o desenvolvimento de um Compacto II para Moçambique que seja robusto e inovador”.

“Acreditamos que, a breve trecho, os projectos que constituirão o Compacto II serão concluídos pelas equipas técnicas, com o que estarão criadas as condições para que o Acordo de Financiamento do mesmo possa ser rubricado o mais rápido possível”, acrescentou Max Tonela.

Por seu turno, o vice-presidente-executivo do MCC, Mahmoud Bah, disse que “a MCC está orgulhosa de, uma vez mais, estabelecer parceria com Moçambique, com o fito de apoiar o crescimento económico inclusivo para os cidadãos deste país”.

Os dirigentes falavam esta segunda-feira, no âmbito de uma visita de seis dias do vice-presidente-executivo do MCC. Da parte de Moçambique, faz também parte da comitiva o ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Carlos Mesquita, e outros dirigentes.

O Governador do Banco de Moçambique diz que as inovações tecnológicas no sector financeiro devem garantir estabilidade financeira e protecção dos consumidores. Rogério Zandamela falava, hoje, durante o lançamento da quarta edição do Sandbox Regulatório.

O Banco de Moçambique procedeu, hoje, ao lançamento da quarta edição da Sandbox Regulatório, evento dedicado à apresentação de novas soluções tecnológicas para o sector financeiro.

Na ocasião, o governador do Banco Central, Rogério Zandamela, disse que as inovações tecnológicas nos serviços financeiros devem agregar valor à economia nacional.

“Pretende-se que este projecto responda aos desafios impostos pela inovação tecnológica virada para os serviços financeiros. Contudo, a criação de condições que favoreçam a inovação tecnológica não deve negligenciar os desafios ligados à mitigação de riscos, estabilidade financeira, protecção do consumidor e conduta do mercado”, explicou.

A terceira edição do Sandbox Regulatório contou com a participação de oito fintechs, das quais cinco foram aprovadas e três não reuniram condições para tal.

“Das 10 fintechs da terceira edição, foram aprovadas cinco, sendo uma plataforma de e-KYC (Tablu Tecnologias), duas de intermediação financeira (DSD Capital e Thembani Africa), uma plataforma de informação económica e financeira (Mozeconomia) e um agregador de pagamento (Afrinova). Duas fintechs ainda estão em processo de realização de testes em ambiente real”, acrescentou Zandamela.

Por sua vez, o presidente da Associação Moçambicana dos Bancos, Teotónio Comiche, quer que os serviços baseados nas tecnologias sirvam para promover a inclusão financeira.

“A nossa expectativa é que as Fintechs admitidas nesta edição possam trazer soluções criativas que permitam maior disponibilidade e igualdade de oportunidades de acesso a produtos e serviços financeiros a custos controlados”, referiu Teotónio Comiche, presidente da Associação Moçambicana dos Bancos.

As fintechs destacam a prevalência de barreiras no processo de massificação dos serviços financeiros digitais no país.

As empresas apuradas passam a disponibilizar os seus produtos no mercado em parceria com instituições financeiras autorizadas, a obter licença junto do banco central e a actuar no mercado de forma autónoma.

O Sandbox Regulatório enquadra-se no âmbito da implementação da Estratégia Nacional de Inclusão Financeira 2016–2022, e um dos seus objectivos é aumentar o nível de acesso e uso dos serviços financeiros para a população moçambicana.

O Presidente da República disse, durante uma conferência em Senegal, que o sector público do país precisa de 2,9 mil milhões de Meticais para investir em infra-estruturas agrárias, num período de cinco anos. Filipe Nyusi destacou que o privado carece de 1,6 mil milhões de Meticais para investimentos.

O Presidente da República visitou, nos últimos dois dias, o Senegal a convite do seu homólogo e Presidente em exercício da União Africana (UA), Macky Sall, para participar na segunda edição da Cimeira sobre Alimentação em África, Dacar 2, que teve como lema “soberania e segurança alimentar”.

A segunda edição da Cimeira sobre Alimentação em África é co-organizada pelo Presidente do Senegal e Presidente em exercício da União Africana, Macky Salll, e pelo Grupo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).

Durante a Cimeira, os governantes debateram parcerias internacionais, desenvolvimento do sector privado, financiamento e tecnologias para os sistemas alimentares.

Na agenda, Filipe Nyusi levou como o principal ponto a mobilização de apoio financeiro para projectos de diferentes sectores do país, com destaque para agricultura, até porque fizeram parte da lista dos convidados para evento várias delegações de instituições financeiras internacionais do ramo.

No painel de alto nível, na cimeira, sobre a visão para o crescimento nas áreas de agricultura, integração regional, parcerias público-privadas e desenvolvimento de histórias de sucesso, o Chefe de Estado destacou as reformas no sector de agricultura, com destaque para a necessidade de se dar posse de terra à mulher, visando impulsionar a economia.

Apontou, igualmente, os avanços do Programa Integrado de Desenvolvimento Agrário (Sustenta), em implementação no país desde 2017, cujos resultados são considerados satisfatórios.

Na conferência de imprensa sobre o balanço da sua ida a Dakar, o Presidente da República defendeu a alocação de mais investimentos, para dinamizar a agricultura nas zonas rurais, onde é praticada por noventa por cento da população moçambicana.

Em valores reais, o Filipe Nyusi revelou que são 4,5 mil milhões de dólares necessários para viabilizar os programas de desenvolvimento económico, político e social, ao longo dos corredores do Norte, Centro e Sul do país, num período de cinco anos.

O valor deverá ser aplicado nas oportunidades de investimento no sector agrário para a promoção de negócios e desenvolvimento do agro-processamento naqueles corredores.

Do valor, 2,9 mil milhões de dólares servirão para a edificação de infra-estruturas nos seis corredores de desenvolvimento existentes, enquanto os restantes 1,6 mil milhões de dólares vão para o financiamento ao sector privado.

“Temos que agir agora, senão fica muito tarde. Precisa-se de um orçamento de 2,9 mil milhões de dólares para infra-estruturas para agricultura, como é o caso de projectos de irrigação. O BAD está, neste momento, em reunião para ver como vai fazer com os investimentos já iniciados na região sul do Limpopo. Também está calculado o valor de 1,6 mil milhões de Meticais para o sector privado”, avançou Filipe Nyusi, Presidente da República.

No encontro bilateral com o seu homólogo do Zimbabwe, Emmerson Mnangagwa, além de questões ligadas a investimentos na segurança na região da SADC, Filipe Nyusi colheu experiência do país vizinho em matérias agrárias.

“Acredito que, ainda no segundo trimestre deste ano, teremos outros encontros para partilhar experiências, porque o Zimbabwe já está a avançar na produção de fertilizantes e trigo, face à situação da crise provocada pela guerra russo-ucraniana. Mas o nosso objectivo não é importar este trigo e sim produzir com base na experiência do Zimbabwe. Eles já têm a qualidade apurada, e as suas temperaturas são próximas às de Moçambique, por isso temos que pensar grande e ganhar coragem para avançarmos”, reiterou Filipe Nyusi.

Filipe Nyusi manteve, também, encontro com o Estadista queniano, William Ruto. Uma vez que esta foi a primeira reunião entre os dois presidentes após a eleição de Moçambique como membro não-permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, Ruto felicitou o país, mas o pano de fundo da conversa foram as trocas comerciais entre os dois países.

“Vamos priorizar as trocas comerciais e circulação dos nossos cidadãos. O Presidente Ruto terá que visitar Moçambique brevemente, onde vamos retomar a comissão mista que deve acontecer e os nossos ministérios estão a tratar a deslocação para assinaturas de cinco ou seis acordos que servirão para o funcionamento da nossa cooperação”, adiantou o Presidente da República.

O Governo esteve reunido com instituições financeiras e os parceiros de desenvolvimento internacional, que incluem o Banco Africano de Desenvolvimento, agência norte-americana USAID, agência Japonesa de Cooperação Internacional (JICA), Aliança para Revolução da Zona Verde em África, onde foi apresentado o compacto de projectos para o país.

O Instituto Nacional de Segurança Social decidiu aumentar de cinco mil para 10 mil Meticais o subsídio de funeral. A instituição explica que o aumento visa conter o elevado custo de vida no país.

O aumento do subsídio de funeral em 100 por cento, ou seja, de cinco mil para dez mil Meticais tem em vista responder ao agravamento dos preços dos bens e serviços no mercado nacional e a consequente redução do poder de compra por parte das famílias, explica o Instituto Nacional de Segurança Social.

É que Moçambique fechou o ano passado com o registo de uma inflação de quase 11%, valor mais alto dos últimos seis anos, segundo o Instituto Nacional de Estatística. De Janeiro a Dezembro de 2022, “o país registou um aumento de preços na ordem de 10,91%, e as divisões de alimentação, bebidas não alcoólicas e transportes foram as de maior destaque”, explicou o INE no Relatório do Índice de Preços ao Consumidor de Dezembro passado.

O subsídio de funeral é baseado nas canalizações que os trabalhadores fazem ao Sistema de Segurança Social e é atribuído aos familiares na sequência da morte dos pensionistas ou ao beneficiário que, à data da sua morte, tenha, pelo menos, três meses de contribuições.

A medida faz parte das prestações por morte, previstas no artigo 40 do Regulamento de Segurança Social Obrigatória (RSSO), aprovado pelo Decreto n° 51/2017, de 9 de Outubro.

O ajustamento para 10 mil Meticais entrou em vigor em Dezembro do ano passado, depois de um levantamento dos custos de um funeral, feito nas províncias pelo Instituto Nacional de Segurança Social, com o objectivo de servir mais e melhor os beneficiários do Sistema de Segurança Social.

O último aumento, para cinco mil Meticais, tinha sido feito em 2013. Para que se beneficiem do subsídio, os requerentes devem apresentar ao INSS a seguinte documentação: certidão ou boletim de óbito; bilhete de identidade do beneficiário ou pensionista falecido; cartão da Segurança Social do falecido: bilhete de identidade, cédula pessoal, DIRE, certidão ou assento nascimento do requerente e NIB bancário do requerente.

Prevalecem elevados riscos e muitas incertezas que podem agravar o custo de vida no país, considera o Banco de Moçambique. Entre os riscos está a pressão sobre a despesa pública, que coloca excesso de dinheiro na economia. Por isso, o Banco Central decidiu manter a taxa de juro de política monetária.

Num contexto em que é aprovada a Tabela Salarial Única (TSU) em Moçambique, instrumento que aumenta os gastos do Governo moçambicano, com salários e remunerações, em cerca de 25 mil milhões de Meticais, o Banco Central alerta que a pressão sobre as despesas constitui um risco para o agravamento do custo de vida ao nível nacional.

Segundo Rogério Zandamela, o Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique decidiu manter a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, em 17,25%. “A medida decorre da prevalência de elevados riscos e incertezas subjacentes às projecções de inflação, com ênfase para o impacto da liquidez gerada na economia, resultante da pressão sobre a despesa pública, e do prolongamento da tensão geopolítica na Europa, não obstante a manutenção das perspectivas de inflação num dígito, no médio prazo”, disse o governador do Banco de Moçambique, num comunicado de imprensa enviado à nossa Redacção.

De acordo com o mesmo documento, adicionalmente, o Comité de Política Monetária CPMO decidiu aumentar os coeficientes de Reservas Obrigatórias para os passivos em moeda nacional de 10,5% para 28,0%, e em moeda estrangeira de 11,5% para 28,5%, visando absorver a liquidez excessiva no sistema bancário, com tendência de gerar uma pressão inflacionária.

“Os riscos e incertezas associados às projecções de inflação agravaram-se. A nível interno, salientam-se as incertezas quanto ao impacto do excesso de liquidez sobre os indicadores macroeconómicos, bem como dos prováveis efeitos dos choques climáticos na oferta e comercialização de bens. A nível externo, prevalecem as incertezas em relação aos efeitos do prolongamento do conflito entre a Rússia e a Ucrânia e os riscos de recessão económica global”, lê-se na mesma nota de imprensa.

Para o Banco de Moçambique, mantêm-se, entretanto, as perspectivas de desaceleração da inflação, no curto e médio prazo. Em Dezembro do ano passado, a inflação anual, que comporta as cidades de Maputo, Beira e Nampula, desacelerou para 10,29%, após 10,62% em Novembro, a reflectir, sobretudo, o contínuo abrandamento dos preços dos bens alimentares e a redução do preço do gás doméstico.

A inflação subjacente observou a mesma tendência. Para o médio prazo, mantêm-se as perspectivas de uma inflação de um dígito, a reflectir os efeitos dos aumentos da taxa MIMO, efectuados em 2022, e da estabilidade do Metical.

As perspectivas de crescimento económico, para o médio prazo, foram ligeiramente revistas em baixa. Esta revisão decorre da maior restritividade das condições financeiras a nível global e consequente abrandamento da actividade económica dos principais parceiros comerciais do país, com potencial para a redução da procura externa. Entretanto, a nível interno, a implementação dos projectos energéticos continuará a favorecer o crescimento económico.

De acordo com o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, a dívida pública mantém-se elevada. O endividamento público interno, excluindo os contratos de mútuo e de locação e as responsabilidades em mora, situa-se em 288,7 mil milhões de Meticais, o que representa um aumento de 13,6 mil milhões em relação a Dezembro do ano passado.

O Comité de Política Monetária diz que continuará a monitorar a evolução dos riscos e incertezas associados às projecções de inflação e não hesitará em tomar as medidas correctivas necessárias.

A próxima reunião ordinária do CPMO está marcada para o dia 29 de Março deste ano.

O Conselho de Ministros aprovou, esta terça-feira, os critérios de enquadramento, regime e os quantitativos dos suplementos e os quantitativos dos níveis salariais e escalões das Forças Armadas de Defesa de Moçambique e dos membros da Polícia da República de Moçambique. O porta-voz do Governo não revelou os números aprovados.

Reunido na terceira sessão do Conselho de Ministros, o Executivo aprovou, esta terça-feira, os novos quantitativos dos níveis salariais para as Forças Armadas de Defesa de Moçambique e da Polícia da República de Moçambique.

“O Decreto que revê o Decreto n.º 53/2022, de 14 de Outubro, que define os critérios de enquadramento, o regime, os quantitativos dos suplementos e dos quantitativos dos suplementos dos níveis salariais e escalões das Forças de Defesa e Segurança; o Decreto que revê o Decreto n.0 54/2022, de 14 de Outubro, que define o critério de enquadramento, o regime e os quantitativos dos suplementos dos níveis escalões dos membros da Polícia da República de Moçambique e outras paramilitares equivalentes”, explicou o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa.

Questionado sobre os números aprovados, Inocêncio Impissa disse que não podia anunciar, por razões organizacionais e estratégicas.

Ainda na sessão desta terça-feira, o Governo atribuiu as devidas competências a alguns ministros para a execução do PESOE 2023.

“O Decreto estabelece regras de execução do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) de 2023, aprovado pela Lei n.º 29/2022, de 30 de Dezembro, e delega competências ao ministro da Administração Estatal e Função Pública, ministro da Economia e Finanças, ministros sectoriais, governadores de província, secretários de Estado no nível central, secretário  de Estado  na  província  e secretário de Estado na Cidade de Maputo, administradores  distritais, dirigentes dos órgãos ou instituições do Estado que não sejam tutelados por ministro e aos titulares dos Órgãos do Sistema de Administração da Justiça”, explicou o vice-ministro da Administração Estatal e Função Pública.

Foram igualmente apreciadas a informações do balanço da quadra festiva 2022/2023, o Regulamento de Concurso de Selecção de Secretário Permanente de Ministério, o ponto de situação da época chuvosa e ciclónica 2022–2023 e os preparativos da comemoração do dia 03 de Fevereiro (Dia dos Heróis Moçambicanos).

A Autoridade Reguladora de Energia (ARENE) anunciou ontem a redução do preço de gás de cozinha de 95,4 meticais para 90,1 meticais por quilograma e manteve o dos restantes combustíveis. A informação consta de um comunicado de imprensa enviado à nossa redacção.

Trata-se da segunda mexida no custo do gás de cozinha (GPL) em cerca de um mês. A primeira vez foi a 15 de Dezembro do ano passado, quando a ARENE baixou o preço do recurso de 102,02 meticais para 95,4 meticais por quilograma.

Desta vez, a redução no gás de cozinha foi de pouco mais de cinco meticais por quilograma, passando assim a custar 90 meticais.

“A ARENE comunica o ajustamento em baixa do preço do gás de cozinha (GPL) dos actuais 95,04 MZN/Kg para 90,01 MZN/Kg”, refere o comunicado.

Segundo a ARENE, a variação do preço do gás de cozinha foi influenciado pela redução do seu preço base (CIF).

Os preços dos restantes combustíveis, nomeadamente gasolina, gasóleo e petróleo de iluminação mantêm-se, mesmo com a tendência de queda do barril do petróleo bruto no mercado internacional entre Dezembro de 2022 e início deste ano.

A gasolina custa 86,97 Meticais por litro, o gasóleo 87,97 Meticais, petróleo de iluminação está fixado em 75,58 Meticais e gás veicular continua situado nos 43,73 Meticais, segundo a tabela apresentada em Julho passado aquando da última revisão do preço dos combustíveis.

“Este comportamento está relacionado com a entrada em vigor da medida de aplicação do preço máximo do petróleo russo, aliada as perspectivas de desaceleração da economia mundial e ao aumento dos quantitativos de petróleo destinados às reservas. Igualmente teve influência directa nos preços, as perspectivas em relação à procura internacional de petróleo, diante da situação de Covid-19 na China que é maior consumidor e importador de derivados de petróleo”.

Esta tendência no mercado internacional tem criado expectativas de redução dos combustíveis em Moçambique, mas o mesmo não acontece. E mais, as gasolineiras continuam a pressionar o Executivo para manter ou subir o preço dos combustíveis por alegadamente terem acumulado prejuízos ao longo dos anos em que não houve mudanças dos custos.

A ARENE diz que está a monitorar a situação do mercado, com destaque para preço do barril crude e dos refinados de petróleo, situação das distribuidoras e consumidor final.

Defensor da redução da carga fiscal sobre o empresariado nacional, Félix Machado considera que a redução do IVA e do IRPC na agricultura, aquacultura e transporte não muda quase nada. O presidente da Associação Comercial da Beira é mais profundo ao reclamar que “nós temos taxas a todos os níveis”.

“O empresário moçambicano é apenas tido como quem deve pagar imposto e não aquele que tem de ser acarinhado para que cresça e pague impostos mais elevados.” Essa é a frase que resume os quase 30 minutos de entrevista ao presidente da Associação Comercial da Beira.

Homem de negócios na área de logística entende que, apesar da redução do IVA e do IRPC na agricultura, aquacultura e transportes urbanos, o Estado continua a pressionar o sector privado com excessiva carga tributária. Àqueles que associam o seu pensamento à ideia de que o empresário não gosta de pagar imposto, responde: “são pessoas que não têm empresa e não pagam imposto”.

O Governo reduziu o IVA e o IRPC e introduziu isenções fiscais para quem quer investir na área da agricultura. As medidas tomadas colocam os empresários num cenário mais confortável?

A única coisa que posso dizer de positivo é que o Governo nos ouviu. Porque, na prática, o que se mexeu não traz grandes impactos. Se repararmos, o IVA que sai de 17 para 16 por cento não traz grande impacto, e é isso que vamos acompanhar nos próximos anos. Chegaremos à conclusão de que não muda quase nada. Não é isso que vai mudar e melhorar o sector privado. No geral, todos os impostos e outras taxas que temos neste país inibem o crescimento do sector privado. Disso todos sabem, incluindo a equipa técnica que está a trabalhar na implementação do Pacote de Aceleração Económica.

Mas temos que satisfazer os compromissos com o Banco Mundial e provar que podemos pagar as dívidas com base nos impostos. Quanto às mudanças que se fizeram no IRPC para agricultura e outras áreas, se recuarmos, vamos notar que, no passado, estas áreas não contribuíam tanto em impostos. Mexeu-se em áreas que não têm um impacto real na economia.

Porque é que a redução de um por cento do IVA não satisfaz o sector privado?

Nós temos que reparar o consumidor final e não o empresário, porque quem paga, no fim, é o consumidor final. Qual é o impacto que a retirada de um por cento tem sobre a população moçambicana? É quase nulo. Devíamos ter tomado medidas mais arrojadas, a exemplo de uma redução para 14 ou 15 por cento.

Qual é a diferença, em termos de impacto, entre ter um IVA de 16% e pagar um de 14%?

Nós precisamos de ver o impacto real nos consumidores. Quem realmente paga o IVA no país é o consumidor final. É isso que nós temos que ver, e temos igualmente de analisar qual é o impacto negativo que isso tem sobre o negócio. Como empresário, posso adiantar que depois vai aparecer a Autoridade tributária a dizer que há empresas que sonegam o IVA. Mas isso acontece porque o próprio imposto é alto. Se nós reduzirmos, provavelmente, as empresas que não querem entrar no sector formal vão começar a aderir e a entender as vantagens de pagar imposto. É por isso que estamos a sensibilizar o Governo a entender que devem ser reduzidos os impostos.

Foi reduzido o IRPC nos sectores da agricultura, aquacultura e transportes urbanos e o sector privado já advogava esta redução. Estão satisfeitos?

Estas áreas que foram objecto de redução do IRPC, por si só, já não pagavam tanto. Quantas empresas da área da agricultura pagam IRPC em Moçambique? Se formos a fazer um levantamento, vamos notar que o número é reduzido. Quantas empresas na área de transportes públicos pagam IRPC? Quase nenhuma. Foi-se mexer em áreas de actividade que quase não têm impacto nenhum. Eu sei que a agricultura é importante no país, mas não é por aí. São poucas as empresas que contribuem, então o impacto real não é por aí.

Disse que o Governo ofereceu um doce e levou o chocolate interno. Explique-se melhor.

Primeiro é que se introduziu a ideia de que o sector privado deve contribuir com um por cento para a formação técnico-profissional. Será que isso faz sentido? Quer dizer, saímos de 17 para 16 por cento no IVA e, em contrapartida, estão a introduzir-nos o mesmo um por cento em apoio ao ensino técnico? O sector privado já paga vários impostos. Cabe ao Governo gerir o seu orçamento dentro dessas áreas. Não é que o ensino técnico não seja importante, ele é importante, mas existe um contrato social entre o sector privado e o Governo, e é por isso que existem os impostos: um interveniente paga e o outro executa. O que acontece é que há cumprimento do lado de quem paga e o mesmo não acontece do lado de quem devia executar. É exatamente o que dissemos, estão a dar de um lado e a levar de outro.

Qual seria o cenário confortável para o empresário moçambicano? Quais seriam as percentagens ideais a serem pagas no IRPC, ICE e outros?

Precisamos, primeiro, de entender o que é ser empresário, qual é a importância do sector privado nacional no desenvolvimento da nossa economia. Quando entendermos isso, vai ser fácil discutirmos quais são os níveis de impostos de que precisamos para o desenvolvimento do nosso país. Mas o empresário moçambicano é apenas tido como aquele que tem que pagar imposto e não aquele que tem que ser acarinhado para que ele cresça e pague impostos mais elevados.

Antes de definirmos o nível ideal de impostos, temos que discutir quantos impostos e taxas temos neste país. Precisamos de simplificar todos os procedimentos que têm a ver com taxas e impostos. Temos que saber o que realmente temos e o que não temos que pagar. Só aí é que saberemos se devemos baixar ou subir os impostos.

Nós temos taxas a todos os níveis. A nível municipal, a nível distrital, a nível nacional e tudo sobre o mesmo empresário. Para ser empresário é preciso ter coragem em Moçambique.

É da opinião de que há algumas taxas e impostos que deviam ser eliminados?

Há muitos. Por isso é que temos que analisar primeiro todos os impostos, porque depois fica mal dizermos, por exemplo, ao Governo que temos que reduzir o IRPC de 32 para 25 por cento. Nós temos que simplificar tudo e entender o que cada imposto diz e para que é que serve. Só daí é que poderemos começar a discutir as percentagens. Seria uma falácia propormos a redução de alguns impostos enquanto estamos cheios de taxas. Temos que eliminar as taxas excessivas que existem neste país, porque cada ministério se tornou um centro de cobrança de taxas. Nós temos que centralizar. Se é o Ministério da Economia e Finanças, através da Autoridade Tributária, que é responsável por cobrar as taxas, então vamos concentrar-nos nessas duas instituições. Mas todos os ministérios hoje cobram taxas e emitem multas. Se formos a ver, hoje todas as instituições estão nas estradas a fazer cobranças. Algo está errado. Temos que simplificar os procedimentos.

Quais são os exemplos concretos das taxas excessivas a que faz referência?

Quem tem o seu salário, que pense nisso. Ele recebe, por exemplo, 10 mil Meticais, mas deve pagar água que tem IVA, energia que tem IVA; no custo da vedação eléctrica é-nos cobrado o mesmo imposto. Há toda uma linha de impostos. Pagas o IPRA, que já é elevado, mas o Governo não providencia casas para os jovens, porém quando esse mesmo jovem usa o seu próprio salário e constrói uma casa, vem logo aí o IPRA. Todo o salário que um jovem hoje tem pode desaparecer nas taxas, se ele tiver que pagar todas. O que temos que analisar é o que nós pretendemos no país. Quem deve cobrar as taxas, como e onde. Os municípios podem cobrar até que tipo de taxas e, a nível central, quais são os tipos de taxas que devem ser pagas.

Assumiu, no início do seu mandato, que uma das suas metas seria o diálogo com o Governo para a redução da carga tributária sobre o empresariado. Tem estado a conduzir este diálogo?

O diálogo existe. Parte das medidas aqui mencionadas vem desse impacto. Nós temos, por exemplo, que agradecer ao Presidente da República, que esteve cá na Beira e sentou-se connosco, ouviu as nossas preocupações e criou elos de comunicação. Mas o problema, às vezes, não está com o Presidente, está com a equipa técnica. Provavelmente, as equipas técnicas devem ter dificuldades, porque para concluírem certos procedimentos, levam meses e até anos. Até pode terminar um mandato sem concluírem as instruções feitas pelo Presidente da República. O diálogo vai manter-se e há um caminho aberto – isso é algo que notámos – muita coisa está a ser feita, embora não seja aos níveis que nós precisávamos. Muitas instituições fazem de contas que nos ouvem, mas quando chegam a Maputo, pegam nos documentos e arquivam.

Há propostas concretas que sentem que foram “engavetadas”?

Temos, sim, muitas propostas feitas e algumas fazem parte do Pacote de Aceleração Económica. Foram ouvidas, mas há outras que foram ignoradas. Temos muitas propostas no Ministério da Economia e Finanças (MEF) e esperamos que este ano sejam efectivas e saiam das gavetas. Temos outras questões no Ministério dos Transportes e Comunicações e esperamos que este ano saiam. Essas propostas já levam cinco ou seis anos. E eu digo que 100 por cento dos problemas do sector privado estão no MEF. Se o ministério escutar e entender o sector privado de cima para baixo, este país vai mudar, este país cresce. Se digo o MEF é porque é extensivo à Autoridade Tributária. A COVID-19 provou-nos que o país tem que depender do seu sector privado interno e não das multinacionais que andam aí com grandes isenções e que não pagam nada. Eu não gosto de que a nossa economia seja assente nos megaprojectos, porque não pagam nada. O resto é tudo dividendo para fora do país, mas os nossos dividendos ficam dentro do país.

Haverá alguma relação entre o que defende e a ideia de que os empresários não gostam de pagar impostos? Haverá algum momento em que o empresário vai considerar-se satisfeito com os impostos que paga?

As pessoas que acham que o empresário não gosta de pagar imposto não têm empresa e não pagam imposto. Ou se têm empresa não pagam imposto. Para quem é moçambicano e tira um pouco das suas reservas para criar uma empresa e sonhar com um país melhor, não pensa assim. Os que advogam que o sector privado não gosta de pagar imposto devem ser funcionários do Estado, que vão reformar-se como empresários e vão chorar devido a essas leis que eles defendem. Ou são empresas que têm isenções ou mesmo são protegidas. Mas quem realmente produz sabe que estamos a pagar para além do normal. Estamos a ser sufocados e não temos dinheiro para investirmos e crescermos.

No momento em que nós criarmos procedimentos fáceis e clarificar que tipo de impostos devem ser pagos ao Estado e não haver leis que levam a interpretar que são facilidades – porque se gera uma não facilitação dos procedimentos para favorecer a corrupção… O sector privado paga impostos, mas fica inibido por saber que está a pagar mais do que devia. Somos poucos que estamos a pagar, porque muitos de nós não o fazem.

Se nós estendermos a base tributária – um cenário em que todos devemos pagar impostos, independentemente de ser pequeno, médio ou grande empresário – vamos perceber que o peso sobre as mesmas empresas vai desfazer-se.

Um tribunal de Londres decidiu a favor do financiado do Reino Unido ao projecto de exploração de gás natural liquefeito, do Consórcio liderado pela Total.

Uma organização ambiental denominada The Friends of the Earth submeteu um processo, a pedir que a justiça sancionasse o Reino Unido por financiar o projecto e assim violar regulamentos ambientais.

Um tribunal de Londres no Reino Unido acabou por decidir que o projecto é compatível com o Acordo de Paris sobre mudanças climáticas e deu sinal verde para continuar.

O processo iniciou devido ao facto de UK Export Finance, a agência do Reino Unido para o desenvolvimento internacional, ter-se comprometido a fornecer empréstimos directos e garantias aos bancos para apoiar a construção e operação do projecto de mais de 20 mil milhões de dólares americanos.

Rachel Kennerley, uma das activistas climáticas dos Amigos da Terra, afirmou, citada pelo portal Business Insider Africa, que “este julgamento extremamente decepcionante não altera a nossa firme crença de que o Governo do Reino Unido não deveria apoiar o projecto de gás de Moçambique, ou qualquer projecto de combustível fóssil em casa ou no exterior”.

Um porta-voz da UKEF, a agência do Reino Unido para o desenvolvimento internacional, declarou, após a decisão do tribunal, que a empresa sempre levaria em consideração as melhores práticas ambientais antes de financiar qualquer projecto.

“Continuamos confiantes de que o UK Export Finance segue uma diligência robusta e internacionalmente reconhecida antes de fornecer qualquer suporte para projectos no exterior”, disse o porta-voz.

Um porta-voz da TotalEnergies também concordou com a decisão, observando que o projecto apresenta uma enorme oportunidade económica para o povo de Moçambique, reiterando ainda que a TotalEnergies é também uma empresa que considera a sua pegada de carbono e se dedica ao objectivo de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa.

+ LIDAS

Siga nos