Skip to main content

O País – A verdade como notícia

Há precisamente dois anos e 46 dias (10 de Setembro de 2020), Luís Gonçalves lançou, no Estádio Nacional do Zimpeto (ENZ), o prodígio Geny Catamo às “feras”. Ou seja, com os Mambas mergulhados numa crise de resultados, alicerçada numa frustrante e desgastante campanha para o CAN Egipto 2019, além de maus resultados na luta pelo acesso ao CAN Interno, Luís Gonçalves apostou em Geny Catamo no duelo diante das Maurícias, que ditaria o futuro dos Mambas na fase de apuramento para o Mundial Qatar 2022.

Qual sortudo, Catamo assinou, aos 74 minutos, o livro na marca dos 11 metros. Marcou o segundo golo dos Mambas na vitória diante das Ilhas Maurícias (2-0), chancelando a presença na fase de grupos! Melhor estreia seria impossível, escolha certa do antigo seleccionador nacional que identificou, desde logo, qualidades no activo do Sporting de Portugal. Voz autorizada, por isso, para falar do jogador que foi, uma vez mais, emprestado pelo Sporting por não caber no plantel de Ruben Amorim para época 2022-2023.

Mas mais do que falar de Geny Catamo, Luís Gonçalves abordou o passado, presente e perspectivou o futuro dos internacionais moçambicanos que evoluem em Portugal. Falou, sem reservas, da falta de oportunidades para singrarem nos chamados “grandes” do futebol português. E porque o produto interno dita o ritmo e qualidade a exportar para o estrangeiro, aponta caminhos para o sucesso.

Para não variar, Reinildo Mandava foi nomeado, sábado, “Homem do Jogo” na vitória do Atlético Madrid diante do Athletic de Bilbao, em jogo da 9ª jornada da Liga Espanhola. Trabalhou com Reinildo nos Mambas, certo, e acompanhou todo o seu percurso com uma passagem menos conseguida pelo Benfica de Portugal e, depois, o sucesso estrondoso no Lille da França e a afirmação no Atlético. O que, realmente, falhou e continua a falhar para que Reinildo e outros atletas nacionais não consigam impor-se nos melhores clubes de Portugal?

Nós temos que compreender que o jogador de futebol não é sempre igual ao longo da sua carreira e ao longo da sua formação. Reinildo teve uma experiência no Benfica que não correu da melhor forma, isto no sentido das oportunidades que não teve. Teve poucas oportunidades, também teve uma lesão. E, em determinado momento, o Benfica decidiu apostar noutros jogadores para a posição que Reinildo ocupava. Depois, Reinildo fez o seu trajecto por equipas secundárias de Portugal por empréstimo. Finalmente, representou o Belenenses e, daí, deu o salto para França e, actualmente, está no Atlético Madrid com grande rendimento e sempre a jogar ao mais alto nível. Mas, por exemplo, entendo que  Zainadine, que é capitão do Marítimo, está há muitos anos a jogar em Portugal e poderia, eventualmente, ter tido oportunidade no Sporting, por hipótese, ou outro grande. Isto significa que há um caminho percorrido, mas também há muito por fazer. Os jogadores têm que trilhar o seu caminho. É claro que há aqueles que trazem melhor preparação e, depois, têm capacidade de resposta mais efectiva. Acredito que, com o tempo, isso vai acontecer. E, depois, cada caso é um caso. E Reinildo é mesmo exemplo disso.

Temos os casos de jogadores como Mexer e Zainadine Júnior, que não conseguiram ficar no Sporting, com o primeiro a rumar depois para o Rennes, onde não somente conseguiu impor-se como também conquistou, em 2019, a Taça da França…

Eu acredito que, sinceramente, não falta muito para o jogador moçambicano impor-se em Portugal. Já podia ter acontecido, já esteve em vias de acontecer. No passado aconteceu. O facto é que temos vários jogadores de muita qualidade a actuar em Portugal. Temos o Zainadine Jr. no Marítimo, por exemplo, onde estão também Clésio e Geny Catamo. Temos também Bruno Langa a jogar no Chaves, só para falar de alguns que estão na primeira liga. Há outros jogadores em divisões secundárias, mas não deixam de aportar qualidade e demonstrar que o atleta moçambicano tem qualidade. É preciso que se aposte nele. Talvez os três grandes não estejam despertos para a qualidade do jogador moçambicano e, para isso, contribui o facto de os resultados não serem tão conseguidos ao nível de selecção nacional. Mas também temos o facto de o Moçambola estar todos anos com problemas e ser uma prova considerada com pouca qualidade. Talvez por isso não olhem tanto para o jogador moçambicano. Eu acho que, a breve prazo, vai acontecer, porque os jogadores que rumam a Portugal têm demonstrado qualidade e, no caso de Reinildo, é paradigmático.

Geny Catamo, jogador que lançou na selecção nacional, foi emprestado pelo Sporting ao Marítimo, clube a atravessar um crise sem precedentes, depois de ter falhado a pré-época por problemas físicos. Já no ano passado havia sido emprestado ao Vitória de Guimarães. Como analisa, particularmente, a situação deste atleta com boa margem de progressão?

Esta pergunta sobre Geny Catamo deve ser feita a Ruben Amorim, porque, em três épocas consecutivas, o treinador do Sporting incluiu o jogador na pré-época e, infelizmente, esta temporada não realizou este estágio por questões físicas. Claro que perdeu, de certa forma, o comboio, mas não deixa de ser um activo do clube que está na mira a breve prazo, de certeza. Creio que a sua passagem pelo Vitória de Guimarães foi positiva. Claro que isto também vai dos treinadores ao momento das equipas. Geny está agora no Marítimo, equipa que não está a atravessar um bom momento. Mudou de treinador muito recentemente, mas acredito que, mais cedo ou mais tarde, vai afirmar-se. Acredito que vai regressar ao Sporting para, realmente, ter o seu lugar. O que falhou, concretamente, não sei responder. A qualidade do jogador existe. É um jogador que tem talento, qualidade e margem de progressão que é importante. Mas, por vezes, e é aquilo que eu digo, falta um pouco mais de aposta, porque o jogador moçambicano é visto com alguma desconfiança, porque vem de um campeonato um pouco mais fraco. Acredito que a breve prazo Geny vai voltar ao Sporting.

 

“MOÇAMBOLA PODIA SER UMA PROVA MAIS ATRACTIVA”

 

O Moçambola tem qualidade suficiente para produzir jogadores com qualidade de serem  exportados?

O Campeonato Nacional, o Moçambola, é o que é. É uma prova que sempre desperta interesse. Eu continuo a seguir, particularmente. Claro que, com mais recursos, sendo melhor organizado e sendo uma marca mais atractiva, podia ser uma prova que chamasse mais atenção e despertasse interesse de clubes estrangeiros e internacionais. Eu não me canso de dizer que o jogador moçambicano tem talento, e é preciso dizer isso várias vezes para valorizar o jogador moçambicano.  Claro que o Moçambola, apesar de algumas questões ou confusões que venho acompanhando à distância, vai fazendo o seu caminho. Podia ser uma prova mais atractiva, sem dúvida, mas não deixa de ser a maior prova de um país que é apaixonado pelo futebol. Realmente, no fundo, arrasta multidões, e é importante ter isso em conta. É muito importante que o Moçambola seja acarinhado. É muito importante que tenha mais condições para ser mais atractivo para que o futebol moçambicano melhore.

 O que deve ser feito para que o Moçambola se torne num produto vendável e mais atractivo?

Claro que, para o Moçambola ser mais atractivo e mais interessante, tem que haver uma série de questões que têm que acontecer. Recentemente, li que houve uma equipa que perdeu por falta de comparência de Moçambola. É pena verificar-se que isso acontece e cada equipa ou clube traz as suas razões. São coisas que passam para fora, e é importante toda a gente saber o que se passa em Moçambique. É acompanhado em todo o mundo também. Portanto, esta publicidade não é boa. É importante criar condições para que a prova decorra com a maior regularidade possível, competitividade, de forma saudável e que seja um contributo para que o futebol moçambicano ganhe uma melhor visibilidade em todo o mundo.

A formação joga, claramente, um papel fundamental no processo de construção de jogadores com qualidade. Como é que olha para a formação em Moçambique? Estamos no caminho certo?

O tema da formação e infra-estruturas é muito antigo em Moçambique. Eu já participei em vários debates, na altura quando era seleccionador nacional. Eu também promovi vários debates, porque é importante. Claro que é mais difícil produzir jogadores com infra-estruturas deficitárias, pisos que, realmente, não têm qualidade até para as competições internacionais para a própria selecção nacional jogar. É difícil. Mas como eu também sempre disse e continuo a dizer, acredito que há muita gente boa no futebol moçambicano que quer levar o barco para frente, como se costuma dizer. A formação é fundamental. Quando falo de formação, falo da formação de jogadores, treinadores e dirigentes. É importante para quem lidera os clubes perceber, também, quais são as prioridades, o que é muito importante, e nunca perder de vista o horizonte de evolução do futebol moçambicano, mas também tomar em atenção as necessidades dos seus clubes. Há que mudar e continuar a trabalhar. Mas, apesar de todas as dificuldades que nós conhecemos, há algumas que não só são estruturais mas, por vezes, têm a ver com certas políticas desportivas que os próprios dirigentes utilizam. É difícil, mas existe talento em Moçambique e vão continuar a surgir jogadores, e é preciso que os treinadores estejam muito atentos e aqueles que trabalham nos escalões mais baixos saibam, acima de tudo, lidar com estes jovens e promovê-los. É preciso ensinar estes jovens e desenvolver um gosto e paixão pelo futebol, para que eles continuem a sonhar e a querer fazer aquilo que eles mais gostam. Aliás, muito recentemente, tivemos boas prestações ao nível das selecções nacionais. Isto faz que possamos pensar que, apesar de todas as dificuldades que continuam a existir, temos jogadores de qualidade em Moçambique. Naturalmente, e disso eu sei, mesmo com as condições difíceis, o trabalho dos treinadores continua a dar frutos. Agora, é preciso dar o salto. Precisamos de melhorar o nível com investimento sério na formação e nas infra-estruturas.

Luís Gonçalves fez o seu papel, ajudando na afirmação de vários atletas, além de ter contribuído com ideias em debates, e não só, sobre os caminhos que o futebol moçambicano deve seguir para se transformar numa indústria. Pensa em voltar ao país e continuar a contribuir para o desenvolvimento do futebol moçambicano?

Se eu considero a hipótese de regressar a Moçambique? Claro que sim. Se considero a hipótese de treinar uma equipa que participa no Moçambola? Por que não? Eu respondo como sempre respondi estas questões. Sou um treinador profissional e estou sempre aberto a propostas, a convites e diálogo no sentido de analisar quais os projectos interessantes. Quanto à selecção nacional, Chiquinho Conde está a fazer um óptimo trabalho. É o homem certo no lugar certo. Espero que Moçambique alcance os seus objectivos para o bem da nação, porque isso é o mais importante.

O seleccionador nacional de futebol, Chiquinho Conde, divulgou, ontem, a lista de 24 convocados para os jogos com o Gana, inseridos na segunda eliminatória de acesso ao Campeonato Africano de futebol sub-23, competição agendada para o próximo ano no Marrocos.

Os internacionais moçambicanos Pablo Bechardas, a evoluir no Marítimo, e Dércio Augusto, activo do Leixões, são as principais novidades na convocatória de Chiquinho Conde para o duelos com o Gana, inseridos na segunda eliminatória de acesso ao CAN sub-23. Os Mambinhas lutam por uma vaga na fase final da competição a ter lugar no próximo ano no Marrocos.

Espera-se que, com a integração destes dois atletas que jogam no estrangeiro, o grupo de trabalho esteja ainda mais coeso para enfrentar um adversário com tradição em provas continentais dos escalões de formação.

São, de resto, atletas com outro quadro competitivo pelo que podem ser uma mais valia para o combinado nacional.

Para além destes atletas, Chiquinho Conde chamou ainda Cardoso Novela, jogador do Ferroviário de Maputo, e José Vilapavai,  atleta da Liga Desporiva de Maputo.

Se por um lado Conde promoveu Bechardas e Dércio,  por outro deixou de fora os internacionais moçambicanos Belarmino Manhice, que representa o Tinyosi FC, e Dias Fumo, jogador do Farense de Portugal.

O ciclo preparatório para os jogos com o Gana inicia quarta-feira, 18 de Outubro, sendo que numa primeira etapa o seleccionador nacional irá contar apenas com os atletas que militam em equipas locais.

Depois, serão integrados os internacionais moçambicanos  que actuam no estrangeiro. Os Mambinhas sub-23 transitaram para a segunda eliminatória de acesso ao CAN sub-23 com o agregado de 5-1 diante das Ilhas Maurícias. O conjunto nacional começou por golear, a 24 de Setembro, no Estádio Nacional do Zimpeto, as Maurícias por 3-0. Depois, no embate da segunda mão em Port Louis, a  a selecção nacional de futebol sub-23 derrotou os Ilhéus por 2-1.

Caso transitem para a terceira e última eliminatória, os Mambinhas irão entrar novamente em cena em Março de 2023.

 

CONFIRA A LISTA DOS CONVOCADOS:

Guarda-redes:

Kimiss Zavala – Marítimo

Fazistêncio João – Ferroviário de Nampula

Texeira Nhanombe – Associação Black Bulls

 

Defesas:

Viola Viola- Ferroviário da Beira

Jaime Júnior – União Desportiva do Songo

Alberto Alface – Ferroviário da Beira

Celton Jamisse – Associação Black Bulls

Ossama Pedro – Estrela Vermelha de Maputo

Horácio Vilanculos – Associação Black Bulls

José Vilapavai- Liga Desportiva de Maputo

 

Médios:

Adilson Artur – Associação Black Bulls

Keyns Abdala – Liga Desportiva de Maputo

Júlio Carrelo – Associação Black Bulls

Cardoso Novela – Ferroviário de Maputo

Muhammed Sidat – Estrela da Amadora

Eduardo Andrassone – Ferroviário da Beira

Gianluca Lorenzini – Caronnese

Pablo Bechardas – Marítimo

Dércio Augusto – Leixões

José Zavala – Associação Black Bulls

 

Avançados:

Danilo Baptista – Costa do Sol

Gabriel Pinho – Lusitânia dos Açores

Albino Júnior – Sporting de Quelimane.

O Sporting de Quelimane venceu, ontem, o Município da Beira por 77-76 no jogo mais importante da primeira jornada da “poule” regional centro de apuramento à Liga Moçambicana de Basquetebol Mozal.  Na outra partida, a ISP de Tete venceu o Textáfrica de Chimoio por 87-53.

Sporting de Quelimane vs Município da Beira era o jogo mais aguardado da primeira jornada da “poule” de apuramento da zona  centro à Liga Moçambicana de Basquetebol Mozal, pelo que atraiu muito público ao pavilhão Favezal. Aliás, este recinto desportivo “rebentou” pelas costuras, sendo de destacar a presença do Governador da Zambézia, Pio Matos, e a Secretaria de Estado, Judite Massacula.

Com os regressados irmãos Matos (Amarildo, Pio e Augusto) a serem lançados para o cinco inicial pela “coach” Dilar Dessai,  o Sporting de Quelimane  procurou controlar o primeiro quarto, mas o Município da Beira respondeu com clarividência ofensiva e  venceu o primeiro quarto pelo parcial de 24-21

Já no segundo quarto, o Sporting de Quelimane entrou mais aguerrido e agressivo defensivamente, passando a liderar a marcha do marcador. Sob o signo de equilíbrio, o jogo revelou-se  impróprio para cardíacos. Pressionada, naturalmente,  pelo público local,  a equipa da casa controlou o segundo quarto, tendo saído ao intervalo a vencer por quatro pontos: 45-41.

No terceiro quarto, o Sporting de Quelimane ficou condicionado com a desqualificação de Agusto “Gordo” Matos com cinco faltas.  O Município da Beira aproveitou os erros cometidos pelos anfitriões e liderou esta etapa. 60-58 foi o resultado ao cabo desta etapa, vantagem para o Município da Beira.

No quarto e decisivo quarto, o Município da Beira ficou também condicionado pela expulsão do seu “coach” com faltas técnicas devido à constante reclamação do trabalho dos árbitros

O Sporting de Quelimane esteve mais esclarecido no ataque. O Município da Beira não respondeu com uma defesa mais agressiva, e foi consistente no ataque.

Com 1:15 segundos por se jogar no terceiro quarto, houve registo de um apagão no agitado pavilhão Favezal. O jogo foi interrompido e, na retoma, as grandes emoções e incertezas quanto ao vencedor permaneciam. O Sporting de Quelimane fugiu no resultado para uma vantagem de quatro pontos. Mas um tiro exterior do Município da Beira reduziu para um ponto, ou seja, 77-76.

 

OUTRAS ZONAS

Em Inhambane, houve jogos da “poule” de apuramento ao nível da zona sul. A Apolitécnica de José “Matilo” Macuácua derrotou a União Desportiva de Boane, por 101 – 47. A Escola Supeiror de Hotelaria de Inhambane ficou de fora devido ao número ímpar de equipas na prova. No quadro feminino, a Lazio de Maputo derrotou a Escola Superior de Hotelaria e Turismo de Inhambane, por 73-47

Já na zona norte, cujos jogos realizam-se no pavilhão do Ferroviário de Nampula, destaque para esta formação que a jogar em casa bateu o conjunto de  New Vision de Nampula por 87-70.Na outra partida, o Nudex de Pemba derrotou o Niassa Basquetebol Team por 68-48.

Ao nível dos seniores femininos, há a assinalar a vitória de   Mucopelinhas de Nacala sobre a União Juvenil de Napipine, por  59-46.

Os Mambinhas  qualificaram-se, hoje, para a final do Torneio COSAFA sub-20 ao vencerem a África do Sul, por 2-1. A selecção nacional de futebol apurou-se, também, para o Campeonato Africano da categoria a realizar-se em 2023, no Egipto.

Os sul-africanos entraram a mandar, os Mambinhas foram pragmáticos. Um golo madrugador de Chaimito Alfandega, aos 11 minutos, abriu caminho para a segunda presença consecutiva na final do COSAFA sub-20.

E nem foi preciso esperar muito para Keyns Abdala assinar o livro, marcando o segundo golos dos Mambinhas.

Pressão dos sul-africanos, Brenden Duba descobriu uma cratera na defesa dos Mambas e penalizou tamanho erro com um remate vitorioso.

O resto foi aguentar o sufoco dos anfitriões e garantir a presença na final da COSAFA sub-20. Agora, os Mambinhas irão aguardar pelo desfecho do embate entre a Zâmbia e Angola.

Keyns Abdala, com uma excelente exibição, foi nomeado como melhor jogador em campo na primeira meia-final do Torneio COSAFA sub-20.

Black Bulls e Ferroviário de Maputo polarizam, hoje, no Complexo Desportivo do Tchumene, as atenções na 15ª jornada do Moçambola 2022. Líder da prova, a União Desportiva do Songo tem uma deslocação difícil a Nacala, onde vai jogar com o aflito Ferroviário local.

Matola, concretamente Tchumene, estará, este fim-de-semana, no centro das atenções dos amantes da bola indígena. É que, sábado, dois candidatos ao título e atrasados na corrida ao ceptro travam argumentos num relvado bem tratado e, acima de tudo, convidativo para a prática de bom futebol. Segundo classificado com 25 pontos (e um jogo a menos), a ABB aponta para a conquista dos três pontos e espreita ainda um deslize dos “hidroeléctricos” em Nacala.

Depois de terem sido travados no Canavial, onde empataram a duas bolas com o Incomáti na última jornada, os “touros” estão cientes de que não podem mais perder pontos sob o risco de atrasarem ainda mais na luta pela revalidação do título. E, a jogarem em casa, apostam todas as fixas para alcançarem a sua oitava vitória na prova.

Esta temporada, em casa, o conjunto de Inácio Soares tem um registo de cinco vitórias, sendo que a mais expressiva foi a goleada imposta ao Ferroviário de Nacala (6-0).

48 horas depois de ter derrotado o seu homónimo de Lichinga, por 1-0, o Ferroviário de Maputo vai ao Tchumene com os olhos postos na conquista dos três pontos. Os “locomotivas” da capital têm alternado entre boas e medianas exibições, sendo ainda de notar défice de finalização em algumas partidas nas quais criaram um notável volume ofensivo.

Quarto classificado com 22 pontos, o Ferroviário de Maputo quer entrar para o “top 3” da tabela classificativa, pelo que vai vestir e fato-macaco e lutar pela conquista dos três pontos!

Mas este desiderato somente poderá ser alcançado se, efectivamente, o conjunto orientado pelo belga Jean Loscuito se apresentar com boa capacidade de finalização. Mais: consistência defensiva para travar a eventual avalanche ofensiva que os “touros” vão apresentar neste duelo. Fora de casa, esta temporada, o Ferroviário de Maputo venceu apenas dois jogos, sendo que o primeiro foi no terreno do Incomáti (1-0) e depois em casa do Ferroviário de Nacala (3-0).

No embate da primeira volta, a 19 de Junho de 2022, houve registo de um empate a duas bolas numa partida disputada no Estádio da Machava.  

Traore, aos 5’, e Yudi, aos 25’, foram os autores dos golos do Ferroviário de Maputo, enquanto Rumi (23’) e Nene (56’) marcaram para a Black Bulls. Domingo, no Estádio 25 de Junho, o Ferroviário de Nampula faz “sala” ao Costa do Sol, num duelo entre o terceiro e quinto classificados, respectivamente com 25 e 21 pontos. Duas vitórias consecutivas (a primeira diante da Liga Desportiva, por 2-1, e a segunda frente ao Ferroviário de Nacala, por 2-0) espantaram a crise no Costa do Sol. Mais: devolveram tranquilidade ao grupo de trabalho e à equipa técnica bastante pressionada pelos adeptos.

Num terreno tradicionalmente difícil para as equipas visitantes, o Ferroviário de Nampula pretende capitalizar o factor casa para fazer registo da sexta vitória na prova. Em Nacala, o Ferroviário local testa a liderança e excelente momento de forma que a União Desportiva do Songo está a atravessar.

De resto, os “hidroeléctricos” ainda não perderam na prova e querem prosseguir com a sua senda vitoriosa. Pressionado, até porque está na 8ª posição com 16 pontos, portanto, próximo à zona de despromoção, o Ferroviário de Nacala é obrigado a vencer.

 

Resultados da 14ª Jornada

Costa do Sol 2-0 Ferroviário de Nacala

Matchedje de Mocuba 1-0 Ferroviário de Nampula

UD Songo – Liga Desportiva (falta de comparência da Liga)

Incomáti 2–2 Black Bulls

Ferroviário de Maputo 1-0 Ferroviário de Lichinga

Ferroviário da Beira – AD Vilankulo (adiado)

 

Jogos da 15ª Jornada

Black Bulls vs Ferroviário de Maputo

Ferroviário de Lichinga vs Matchedje de Mocuba

Ferroviário de Nampula vs Costa do Sol

Ferroviário de Nacala vs UD Songo

Liga Desportiva vs Ferroviário da Beira (adiado)

AD Vilankulo vs  Incomáti

 

Melhores marcadores:

Oito golos: Lau King (UD Songo)

Seis golos: Victor (ABB)

Quatro golos: Melque (Black Bulls), Isac (Ferroviário de Nampula) e Widson (Costa do Sol)

Três golos: Edissone (Matchedje Mocuba), Jafete (Ferroviário da Beira), Jesus e Kadre (Black Bulls), Soares (Ferroviário de Nacala), Dário Melo (UD Songo) e Kito (Ferroviário de Maputo)

Dois golos: Rifel (Ferroviário de Nacala), Mário (Ferroviário de Maputo), Danilo I, Beto Maravilha e Mexer (Costa do Sol), Vivaldo e Rafik (Ferroviário de Lichinga), Nené e Hamed (Black Bulls), Munthali, Dinis, Victor, Malino e Sibale (AD Vilankulo), Nelson e Dayo (UD Songo), Pepo (Ferroviário da Beira) e Tomás (Incomáti)

Ferroviário de Maputo vs União Desportiva do Songo e Associação Desportiva de Vilankulo vs Ferroviário da Beira é o alinhamento das meias-finais da Taça de Moçambique, segundo ditou o sorteio realizado esta quinta-feira, na Federação Moçambicana de Futebol.

Em bom rigor, o duelo entre o Ferroviário de Maputo e a União Desportiva do Songo será a reedição da final da Taça de Moçambique de 2010, uma partida ganha pelos “hidroeléctricos”, por 2-0.

Amadou, aos 37’, e Telinho, aos 41’, foram os marcadores em serviço, os condutores do segundo troféu da União Desportiva do Songo nesta competição. A primeira vez em que os “hidroeléctricos” conquistaram a segunda maior prova do calendário futebolístico moçambicano foi em 2016, ano em que derrotaram o Maxaquene, na final, por 3-1. Num lance infeliz, Bernardo marcou na própria baliza aos 12’. Miquissone, aos 14’, e Kambala, aos 22’, embalaram a União Desportiva do Songo para uma vitória segura.

Já o Ferroviário de Maputo procura conquistar a sua quinta Taça de Moçambique. Os “locomotivas” levantaram o troféu pela primeira vez em 1984, quando bateram o Palmeiras da Beira por 4-2. Cinco anos depois, os “locomotivas” açambarcaram o troféu, depois de derrotarem o Desportivo Maputo, por 2-0.

Em 2004, numa final em que foi simplesmente arrasador, o Ferroviário de Maputo goleou o Textáfrica de Chimoio por 5-1. Já em 2009, o Ferroviário de Maputo bateu, na final, o Costa do Sol por 2-0. A última vez que os “locomotivas” conquistaram a Taça de Moçambique foi em 2011, tendo vencido o Chingale de Tete por 3-0.

O Ferroviário de Maputo transitou para as meias-finais depois de vencer o Costa do Sol, por 2-0. Já a União Desportiva do Songo goleou Baía de Pemba FC por 5-1.

No outro duelo das meias-finais, a Associação Desportiva de Vilankulo mede forças com o Ferroviário da Beira, num duelo também entre duas formações do Moçambola. Os “locomotivas” do Chiveve pretendem conquistar a quarta Taça de Moçambique, depois de terem saído vitoriosos nas finais de 2005 (derrotaram o Costa do Sol por 1-0), 2013 (venceram o Chibuto por 2-0) e 2014 (derrotaram o seu homónimo de Maputo por 1-0).

Vilankulo somente disputou uma final da Taça de Moçambique. Foi precisamente em 2010 em que a extinta equipa sénior do FC Vilankulo perdeu, na final, com o Maxaquene por 1-0.

Nos quartos-de-final, a Associação Desportiva de Vilankulo venceu a Associação Black Bulls por 5-3, resultado encontrado na marcação de grandes penalidades após o nulo registado no tempo regulamentar.

Já o Ferroviário da Beira “despachou” o Sumeia Futebol Clube de Mocuba, adversário que bateu por 3-0.

A selecção nacional de futebol sub-20, Mambinhas, defronta, amanhã, às 12h00, no Somhlolo Stadium, a sua similar da África do Sul em jogo das meias-finais do Torneio Regional da COSAFA.

Moçambique, campeão em título, transitou para as meias-finais depois de fechar a fase de grupos (B) na liderança com nove pontos.

Os pupilos de Dário Monteiro começaram a defesa do título com uma vitória diante das Seychelles, por 5-0, em desafio realizado no passado dia 8 de Outubro no Mavuso Stadium.

Na segunda jornada, frente aos angolanos, o combinado nacional venceu por 1-0 com o golo solitário dos Mambinhas a ser apontado por Chamito Alfândega.

Os campeões em título da COSAFA sub-20 garantiram a passagem para o duelo de acesso à final com uma vitória por 2-1 sobre o Lesotho, a 12 de Outubro, somando três vitórias em igual número de partida. Dénio Munhave e José Zavala foram os autores dos golos da selecção nacional de futebol sub-20.

Já os sul-africanos não foram tão dominadores no grupo “C”. Aliás, este grupo teve um desfecho apertado com a África do Sul, Malawi e Comores a terminarem com seis pontos, mas os sul-africanos avançaram para as meias-finais em virtude do melhor registo nos confrontos directos entre as três formações.

Uma entrada em falso, no dia 8 de Outubro, na fase de grupos, resumiu-se na derrota da África do Sul diante do Malawi, por 2-0. Dois dias depois, ou seja, a 10 de Outubro, a África do Sul redimiu-se do desaire de estreia ao golear a Namíbia por 5-2, num duelo realizado no Mavuso Stadium.

Seguiu-se mais uma goleada por parte dos sul-africanos que, na última jornada da fase de grupos, venceram as Comores por 5-0.

As Comores venceram os dois primeiros jogos, mas não conseguiram o ponto que precisavam para uma histórica qualificação às meias-finais.

A vitória ilhéus sobre a Namíbia (5-2) foi insuficiente para seguirem em frente, porquanto só conseguiram terminar em segundo no grupo onde em que inseridos. Noutra meia-final do Torneio Regional COSAFA sub-20, a Zâmbia, vencedora do Grupo A, vai enfrentar Angola, que ficou em segundo lugar no grupo de Moçambique.

A organização da competição decidiu que as entradas nos jogos das meias-finais serão livres, até para permitir que o público possa acompanhar as grandes emoções desta competição.

Em 2020, a selecção nacional de futebol sub-20 conquistou o Torneio COSAFA ao derrotar a Namíbia, por 1-0, no Nelson Mandela Bay Stadium, em Porto Elizabeth.

A selecção nacional de futebol dos sub-20, os Mambinhas, terminou a primeira fase do torneio regional do Cosafa com o pleno de vitórias e garantiu, não só a qualificação às meias-finais da prova, como também o primeiro lugar do grupo B.

Os Mambinhas encerraram a fase de grupos com uma vitória, tangencial, por 2-1, diante do Lesotho, num jogo em que o seleccionador nacional, Dário Monteiro, fez muitas alterações em relação aos onze que defrontou, e goleou as Seychelles, na primeira jornada, por 5-1, e a que derrotou a Angola, na segunda jornada, por uma bola sem resposta.

As alterações foram feitas desde a baliza até ao sector mais adiantado, onde Monteiro colocou os menos utilizados, deixando de fora os potenciais titulares, como forma de os poupar de lesões e castigos, tendo em vista as meias-finais.

Dário Monteiro entrou de início com o guarda-redes Fazito e um quarteto defensivo composto por General, Edilson, Tropa e António Langa, um trio do meio-campo com Leonel, Pene e Xamin e outro trio da frente com António Sumbane, Djwa e Dénio. No banco, estiveram potenciais titulares como Traoré, DJ Zavala, Keyns e Chamito.

Os Mambinhas foram ao intervalo a vencerem por uma bola sem reposta graças ao golo apontado por Dénio, a revelar um pouco da vontade de terminar com mais golos, tendo em conta que foram muitas oportunidades de marcar.

Na segunda parte e, diante de um Lesotho pouco astuto, mas a mostrar indícios de reacção, e após algumas substituições operadas pelo seleccionador nacional, DJ Zavale conseguiu ampliar o marcador num lance inofensivo em que o guarda-redes contrário ficou mal na fotografia.

E muitos outros lances ficaram por finalizar no ataque dos Mambinhas, que acabaram por sofrer o golo de honra dos “suthos”, a beliscar um pouco a prestação neste jogo.

O pleno e a qualificação às meias-finais estão garantidos, agora a pensar em chegar à final.

Angola, por seu turno, acabou goleado as Seychelles por 8-1, na luta pelo melhor segundo de todos os grupos, já que terminou com seis pontos, mas com uma diferença de golos muito elevada, já que marcou 13 e sofreu dois golos.

O Ferroviário da Beira, único representante moçambicano nas afrotaças, deixou, hoje, Maputo com destino a Brazzaville, na República do Congo, onde domingo defronta os Diables Noirs, em partida da segunda mão da segunda eliminatória de acesso a fase de grupos da Taça CAF.

A viagem da turma da Beira iniciou esta quarta-feira, com escala na capital etíope, Addis-Abeba, onde a delegação vai pernoitar.

Os “locomotivas” de Chiveve vão a Brazzaville na sua máxima força e motivados pela vantagem que levam de Maputo, depois de terem vencido o seu adversário por duas bolas a uma, no passado sábado, em jogo disputado no Estádio Nacional do Zimpeto.

Nesse jogo da primeira mão, em Maputo, a turma de Chiveve entrou a sofrer, na primeira parte, mas acabou por dar a cambalhota no marcador. Os visitantes adiantaram-se no marcador por Domi Jaures aos 10 minutos, mas Pepo, ainda na primeira parte, empatou, e Djongwe fixou o resultado final já na segunda parte.

Para o jogo da segunda mão, o técnico zambiano prioriza aspectos de finalização, que foram ensaiados durante as sessões de treinos que tiveram lugar em solo pátrio, sem descurar dos aspectos defensivos para evitar sofrer golos.

Em solo congolês os “locomotivas” da Beira vão realizar três sessões de treinos, incluindo uma de adaptação ao relvado que vai acolher o jogo, na tarde de sábado, à hora do jogo. As outras duas sessões, também no mesmo local, serão de adaptação às temperaturas e altitude, com Wedson Nyirenda a priorizar remates a baliza, posse de bola, defesa homem-a-homem e bolas paradas.

Em caso de passagem da eliminatória, o Ferroviário da Beira vai disputar o último play-off de acesso à fase de grupos da Taça CAF, também conhecida como Taça Nelson Mandela, diante de uma equipa que for eliminada da segunda eliminatória da Liga dos Campeões.

+ LIDAS

Siga nos

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE