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O País – A verdade como notícia

O Interclube, vice-campeão africano, desembarca esta terça-feira, em Maputo, onde irá disputar de 9 a 18 de Dezembro, a Taça dos Clubes Campeões Africanos de Basquetebol em seniores femininos. As “polícias” serão orientadas, nesta prova, pelo espanhol Julian Martinez, ex-seleccionador nacional de basquetebol sénior feminino.

Foi apresentado a 7 de Julho de 2019 como seleccionador nacional de basquetebol sénior feminino de Moçambique, tendo como adjuntos Simão Mataveia (hoje por hoje a observar um período sabático) e Deolinda Carmen Ngulela (“coach” do Desportivo Maputo). Hercúlea, até porque o espírito de improviso sempre reinou internamente, a sua missão passava por colocar Moçambique nos lugares de pódio no “Afrobasket” de Dakar, Senegal, e consequente qualificação para os Jogos Olímpicos Tóquio 2020. Um falho, até porque no final, e mesmo com enorme esforço, a selecção nacional terminou a prova na 4ª posição após derrota com Mali por 66-54 no jogo de atribuição do 3º lugar.

Disse, nas vésperas da prova, e para quem o quis ouvir, que a preparação tinha sido fraquinha: “Não tivemos o tipo de preparação que pretendíamos. Temos jogado contra equipas masculinas que nos oferecem outro tipo de oposição, diferente do que vamos enfrentar em Dakar”, lamentou Martínez.

Foi corrido, depois, em meio a actos de sabotagem do seu trabalho por parte de elementos identificados da selecção nacional. Regressou ao basquetebol africano em Junho de 2022, pela porta da equipa masculina de basquetebol do Interclube que disputa, actualmente, a Unitel Basket.

A 1 de Novembro de 2022, assumiu provisoriamente o cargo de “coach” da equipa sénior feminina de basquetebol do Interclube, depois de Carlos Diniz (coach que levou às “polícias” à conquista do título) ter seguido viagem a Portugal para tratar de questões pessoais.

É este senhor que, agora, tem a missão de recuperar o título perdido para o Ferroviário de Maputo em 2018, em Maputo, e 2019, no Cairo, Egipto, quando as “polícias” eram comandadas pela velha raposa Apolinário Paquete!

Para atacar o título, Julian Martinez conta com reforços de peso: as americanas Alexis Tolefree e Sherise Williams.

A base armadora Alexis Tolefree foi contratada pelas actuais campeãs angolanas de basquetebol sénior feminino com credenciais de atleta que representa o Kosovo. No Campeonato Europeu de Pequenos Países de 2021, no Chipre, a armadora de 1,78m liderou seu país na pontuação com 19,3 pontos por jogo, média de 2,3 assistências.

Alexis Tolefree já evoluiu na Universidade de Arkansas entre 2018 e 2020. E Sherise Williams?  Chega ao Interclube com estatuto de jogadora que teve passagem pelo universitário nos EUA, concretamente no Mississippi State University.

Willimans, aos 29 anos, jogou em vários países europeus, incluindo Grécia, Itália, Eslováquia e Hungria. Na temporada 2019–2020, Williams jogou pelo MBK Ruzomberok da Eslováquia na Fiba EuropCup Feminina.

Prova inequívoca da sua ambição pelo título, o clube adstrito ao Ministério do Interior de Angola foi ao rival D’Agosto buscar, por empréstimo, as internacionais angolanas Rosa Gala, extremo-base, e Cristina Matiquite, poste.

A Maputo, Martinez traz um naipe de jogadoras quais  Alexis Tolefree e Sherise Williams,  Edvânia Pascoal, Eduarda Gabriel, Erica Guilherme, Ana Agostinho, Cássia António, Italle Lucas, Rosa Gala, Jessica Malagi, Nadir Manuel, Joana António, Cristina Matiquite, Antónia Miguel e Luísa Tomás.

Ficaram por terra Regina Pequeno, Conceição Caetano e Tatiana Jamba, sendo que a última rompeu os ligamentos do joelho direito na última partida do torneio Independência, certame que serviu de ensaio para a Taça dos Clubes Campeões Africanos de Basquetebol sénior feminino.

“KO”, devido a uma lesão, estão também Angelina Golome Felizarda Jorge, jogadoras que já conquistaram o título de campeãs africanas de clubes.

No último teste antes da prova continental de clubes, as vice-campeãs africanas de clubes perderam diante do D’Agosto por 100-74.

 

FOLHA DE SERVIÇO NOTÁVEL

Na sua folha de serviço, destacam-se os títulos de campeão na Liga Belga de basquetebol ao serviço do Belfius Namur-Capitale, isto na temporada 2012-2014.

De resto, esta conquista foi determinante para que fosse distinguido como melhor treinador do ano, tendo depois abraçado o desafio de orientar o Umea Udominante da Suécia, conjunto com o qual fez uma boa campanha na Eurocup.

Antes de aceitar o convite para orientar a selecção nacional de basquetebol sénior feminino, trabalhou no Club Deportivo Promete da Espanha (2018-2020), formação na qual já evoluiu a moçambicana Tamara Camacho Seda.

Outrossim, Julián Martinez foi treinador-adjunto na selecção feminina da Letónia (2008-2011) e no Fenerbahce (2011-2012). Tem também uma vasta experiência no basquetebol de base e na formação de treinadores.

Em entrevista ao Jornal de Angola, Julian Martinez diz que o ciclo preparatório correu dentro do previsto. “De uma forma geral, estamos satisfeitos pela boa preparação que fizemos. Tenho de agradecer também à direcção do clube por nos ter dado todas as condições de trabalho e ter contratado as quatro jogadoras. Falo das angolanas Rosa Gala e Cristina Matiquite e das norte-americanas Alexis Tolefree e a Sherise Williams”, disse.

O internacional moçambicano, ao serviço do Ferroviário de Nampula, Isac de Carvalho, termina no topo dos melhores marcadores do Moçambola 2022, com 11 golos apontados. Entretanto, não será coroado pela Liga Moçambicana de Futebol por não ter atingido o mínimo de golos exigidos: 15.

O Moçambola 2022, que terminou este domingo, numa jornada que produziu 13 golos, definiu o campeão nacional e as três equipas que desceram de divisão. O embate entre a Associação Desportiva de Vilankulo e o Matchedje de Mocuba, que se interessava pela manutenção, produziu o maior número de golos (cinco), uma vez que os “hidrocarbonetos” venceram por 3-2.

No cômputo geral, a última jornada acabou por não ser a mais produtiva nem a menos produtiva, uma vez que os 13 golos igualam os registos da 2ª, 8ª 14ª e 17ª jornadas, bem acima dos golos apontados em várias jornadas.

As jornadas, que tiveram menor número de remates certeiros, foram as jornadas 13 (que teve a pior safra, apenas cinco golos), 9 (7 golos), 10 (8) e 5 (9), que chegaram aos 10 golos em seis jogos.

A jornada de destaque é a 19ª que produziu 20 golos, seguido da 16ª que teve menos um golo. Fecha o pódio das jornadas com mais golos a 18ª jornada que teve 17 golos.

Ao todo, foram apontados, na edição 2022 do Moçambola, 277 golos, o que dá uma média de 2,1 golos por jogo, contra uma média de 2,03 golos por jogo da época passada, que produziu 370 golos em 182 jogos.

 

ISAC, O “EL MATADOR” INSUSPEITO

No final das contas, acabou por ser Isac de Carvalho a chamar a si o título de artilheiro do Moçambola 2022, com 11 golos apontados, respectivamente ao Ferroviário de Nacala, Matchedje de Mocuba, Incomáti de Xinavane, Liga Desportiva de Maputo, Costa do Sol, Ferroviário da Beira, Ferroviário de Maputo, Black Bulls, Associação Desportiva de Vilankulo e novamente à Liga Desportiva de Maputo, desta feita em dose dupla.

Ou seja, Isac de Carvalho marcou a quase todas as equipas do Moçambola, excepto a campeã nacional, União Desportiva de Songo, e Ferroviário de Lichinga.

Ainda assim, Isac não vai receber o prémio de melhor marcador, uma vez que não atingiu o mínimo de golos exigidos pela Liga Moçambicana de Futebol, que, através de regulamento, colocou a fasquia em 15 golos. Na época passada, por exemplo, o mínimo de golos era de 20, mas Ejaita, na altura ao serviço da Black Bulls, conseguiu apenas 17 golos e também não foi premiado.

O avançado do Ferroviário de Nampula volta a estar no topo dos melhores artilheiros do campeonato nacional de futebol pela segunda vez, depois de ter sido coroado em 2014, quando, ao serviço do Maxaquene, apontou 13 golos, tendo sido finalista dos artilheiros, em 2017, ultrapassado apenas por Telinho, que terminou com 17 remates certeiros, contra 15 do avançado dos “locomotivas”.

O jogador, que iniciou a carreira no Benfica de Nampula, tem passagens pelo Desportivo Maputo, onde jogou entre 2008 e 2011; Liga Desportiva de Maputo (2012); Maxaquene (2013 a 2016); Costa do Sol (2017 a 2021) e, agora, o Ferroviário de Nampula, clube com o qual não renovou o seu contrato.

Isac de Carvalho fugiu à concorrência de Lau King, da União Desportiva de Songo, e de Melque, da Black Bulls, que ficaram em branco na última jornada e terminaram com nove golos. Aliás, os dois jogadores ficaram muito tempo sem marcar golos pelas suas equipas, o que permitiu a Isac alcançá-los, tendo em conta que marcou com regularidade nas últimas jornadas.

Lau King fez o seu último golo na 20ª jornada no empate da sua equipa no “caldeirão”, diante do Ferroviário da Beira, enquanto Melque deu gosto ao pé, pela última vez, na penúltima jornada, diante do Matchedje de Mocuba.

Se em 2018 a União Desportiva do Songo conquistou o título com 58 pontos (numa prova disputada por 16 equipas), este ano os “hidroeléctricos” sagraram-se campeões nacionais de futebol com menos oito pontos (com menos quatro formações, ou seja, 12).

Há quatro anos, a União Desportiva do Songo teve que superar um conjunto de adversidades para ser coroada campeã nacional. A começar, primeiro, por uma crise directiva que culminou com a demissão em bloco do elenco então liderado por José da Costa. Antes mesmo de José da Costa abandonar o barco, e numa decisão polémica, Chiquinho Conde foi afastado do cargo de treinador principal por alegados maus resultados. De resto, Conde foi afastado da Taça de Moçambique ainda na fase provincial pelo Chingale de Tete.

Para dirigir o clube interinamente, foi nomeado Lucas Gune, que tratou de contratar a “velha raposa” Nacir Armando, um dos treinadores mais experientes do país. A Nacir Armando, foi-lhe colocado o desafio de fazer uma boa campanha no Moçambola, assim como na Taça CAF.

Não era tarefa fácil. Isto porque, em Setembro, a União Desportiva do Songo tinha pela frente uma bateria de jogos tanto na Taça CAF quanto no Moçambola. A título de exemplo, em Agosto, a União Desportiva do Songo fez cinco jogos do Moçambola e dois relativos à Taça CAF.

Quando Nacir Armando assumiu o cargo de treinador da União Desportiva do Songo, esta formação estava na 6ª posição com menos oito pontos que o Ferroviário de Maputo, 5º classificado. Depois da vitória por 2-0 sobre o Ferroviário de Maputo, em desafio inserido na 22ª jornada do Moçambola 2022, com golos de Mário e Amadu, a União Desportiva do Songo iniciou a recuperação na tabela classificativa da prova.

Seguiram-se empates diante da Liga Desportiva de Maputo (1-1), Ferroviário de Nacala (0-0), vitórias diante do Ferroviário de Nampula (2-1) e Textáfrica de Chimoio (2-1). A União Desportiva do Songo perdeu diante do Ferroviário da Beira (1-0), no caldeirão do Chiveve, em jogo da 27ª jornada, e depois derrotou a ENH de Vilankulo (agora com a designação de Associação Desportiva de Vilankulo), por 1-0, empate com o despromovido 1º de Maio de Quelimane (1-1) e já a fechar, e com o estatuto de campeão, perdeu diante do Maxaquene em casa por (2-1).

A União Desportiva de Songo conquistou o segundo título consecutivo numa temporada atípica, na qual teve duas direcções e igual número de equipas técnicas.

Feitas as contas, a União Desportiva do Songo teve um saldo de 17 vitórias, sete empates e seis derrotas na prova. Há ainda registo de 38 golos marcados e 36 sofridos.

A 2ª volta foi de alta rotação para a União Desportiva do Songo, que conseguiu fazer mais pontos que qualquer outra formação do Moçambola: 28.

A União Desportiva de Songo conquistou o título de campeão nacional de 2022 ao terminar na primeira posição da prova, com 50 pontos. Um título que foi conquistado graças à regularidade da equipa desde a primeira jornada até à última.

Os “hidroeléctricos” estão em festa! O Estádio da Machava foi talismã para a União Desportiva de Songo, que, pela primeira vez, festeja a conquista de um título na capital do país. É o terceiro canecão levantado pela turma de Songo, depois de 2017 e 2018.

E a caminhada para esta conquista foi regular, com alguns tropeços que fizeram estremecer as linhas de energias, mas que, no final, ficaram todas alinhadas. Aliás, a União Desportiva de Songo só não foi líder isolada na primeira jornada, uma vez que venceu a Black Bulls por uma bola sem resposta e a Liga Desportiva de Maputo tinha ganhado por mais golos.

Na segunda e terceira jornadas, ainda co-liderou com Costa do Sol e Ferroviário de Nampula, mas, a partir da quarta jornada, quando venceu o Ferroviário de Nacala, a liderança passou a ser isolada.

Os “hidroeléctricos” chegaram a ter uma vantagem de oito pontos no final da primeira volta, em relação ao directo perseguidor, a Black Bulls, uma vantagem que atingiu o máximo de 11 pontos, na 12ª e 14ª jornadas, respectivamente.

Até aqui, estava tudo encaminhado para uma conquista tranquila, já que a vantagem pontual fazia pensar. Mas os “touros”, envolvidos nas “Afrotaças”, tinham jogos a menos e, no acerto do calendário, aproveitaram para reduzir a vantagem dos “hidroeléctricos”.

E a crise de resultados chegou para abalar o balneário. Uma derrota em Quelimane, diante do Matchedje de Mocuba, por 2-0, aliada à vitória da Black Bulls, em Nacala, por 2-1, na 17ª jornada, reduziram para dois pontos a diferença pontual.

Ainda assim, havia esperança de não levar a decisão até à última jornada. Uma vitória na deslocação a Chiveve na 20ª jornada era suficiente para encomendar as faixas e fazer a festa em sua casa, na jornada seguinte.

Mas o empate a dois golos, num jogo épico, aliado a outro empate caseiro na jornada passada, diante do Incomáti, fizeram com que a diferença com os “touros” passasse para apenas um ponto, à entrada para a última jornada.

O resto foi o que se viu, um alívio quando venceu no Estádio da Machava, sem depender de ninguém, para conquistar o seu terceiro troféu de campeão nacional. Regularidade e resiliência caracterizaram o campeão nacional.

O Senegal falhou o acesso aos quartos-de-final do Mundial após perder, ontem, com a Inglaterra por 3-0.

Os campeões do Mundo de 1966 não tiveram vida fácil, pelo menos, nos primeiros trintas minutos, etapa em que o Senegal foi mais ousado e astuto.

Mas, perto do final da primeira parte, os ingleses desbloquearam o jogo com dois golos que deram tranquilidade à equipa.

O Senegal ainda mexeu na segunda parte, mas não conseguiu evitar o terceiro golo da Inglaterra.

Com a vitória, a Inglaterra tem encontro marcado com a França nos quartos-de-final na próxima sexta-feira.

Os franceses voltaram a mostrar que são sérios candidatos a renovar o título de campeões  do Mundo.

Para chegar aos quartos-de-final, a França derrotou a Polónia por 3-1, num jogo em que entraram muito fortes.

A União Desportiva de Songo é campeã nacional de futebol. O médio malawiano Banda foi o herói do jogo, ao marcar o único golo da partida diante do Ferroviário de Maputo.

À entrada da última jornada, havia indefinição sobre quem seria o campeão do Moçambola, tendo em conta que as duas equipas estavam na corrida, no caso a União Desportiva do Songo e a Associação Black Bulls, formações que estavam separadas por apenas dois pontos na tabela classificativa. Susto!

Com os jogos das duas equipas candidatas ao título em andamento, a Black Bulls adiantou-se no marcador diante do Costa do Sol, resultado que colocava os “touros” em vantagem em relação ao seu concorrente, que, face ao empate que se registava no Estádio da Machava, era obrigado a vencer, de modo a levantar o canecão.

Sucede que o Ferroviário de Maputo não facilitava, considerando que não deixava o seu adversário explanar o seu jogo. Em Tchumene, a Black Bulls chegava ao segundo golo, ainda na primeira parte. Os “touros” foram ao intervalo na qualidade de campeões, atendendo que, no jogo da Machava, se registava um empate.

 

EXPULSÃO DE INFREN E INSPIRAÇÃO DE BANDA

Ciente de que as contas do título não jogavam a seu favor, a União Desportiva do Songo adoptou uma nova postura na segunda parte, aparecendo, contrariamente na primeira parte, no sector mais recuado do Ferroviário.

Ainda assim, não conseguia chegar com perigo à baliza defendida por Manuel Tivane. Nervos e nervos. Foi por aí que os “hidroeléctricos” tiveram a segunda contrariedade no jogo, depois de, na primeira parte, o atacante Dayo ter sido forçado a deixar as quatros linhas por conta de uma lesão, ao ficar contundido num choque com Jeitoso.

Infren acusou o peso do jogo e, numa “peleja” com o árbitro, acabou por ser expulso da partida, por reclamar uma decisão deste. A situação da UDS complicava-se ainda mais, na medida em que tinha noção das incidências do jogo de Tchumene. Mexidas nas duas equipas.

A União Desportiva do Songo começa a acreditar que poderia vencer a partida, até porque o Ferroviário de Maputo já havia baixado de intensidade, quiçá pela velocidade imprimida na primeira parte. E veio o momento do jogo. John Banda foi o “sol nascente” da sua equipa, como que a fazer jus ao significado do nome do seu país Malawi, em uma das línguas locais, nianja. À entrada da grande área, de trás para frente, o médio malawiano conclui com êxito um centro do seu colega para golo. Momento único para o jogador e para a União Desportiva de Songo, que já tinha, inclusive, encomendadas as faixas de campeão. Festa total no Estádio da Machava.

Os representantes da província de Tete escreviam mais um capítulo no futebol moçambicano, conquistando o terceiro título, depois de o terem feito em 2017 e 2018. A conquista da edição 2022 do Moçambola vem colorir a excelente época que a União Desportiva de Songo teve, tendo sido a equipa mais regular na prova. Os “hidroeléctricos” terminaram o campeonato com 50 pontos, frutos de 15 vitórias, cinco empates e duas derrotas.

 

INCOMÁTI, MATCHEDJE E LIGA “DESLIGADOS”

Se por um lado havia muita expectativa sobre quem seria o campeão nacional, por outro as atenções estavam viradas para a terceira equipa que iria acompanhar a dupla Matchedje de Mocuba e Liga Desportiva de Maputo para a segunda divisão.

Duas equipas estavam na berlinda: Associação Desportiva de Vilankulo e Incomáti de Xinavane. Para se manter no Moçambola, o Incomáti precisava de vencer o Ferroviário da Beira e esperar que a ADV perdesse diante do Matchedje, algo que não veio a acontecer. Com uma vitória por 3-2 sobre os “militares”, os “hidrocarbonetos” garantiram a manutenção na maior prova futebolística nacional.

O Incomáti, que mesmo jogando em casa não foi para além de um empate sem abertura de contagem, resultado insuficiente para as suas pretensões e face à vitória do seu mais directo concorrente, viu-se relegado para a segunda divisão.

 

SANTOS TENTOU FAZER MILAGRES

Caiu o pano da edição 2022 do Moçambola e, com ela, ficaram algumas ilações. O Ferroviário de Nampula, que desde logo se assumiu como candidato ao título, não conseguiu alcançar tal desiderato. Ainda assim, conseguiu uma das melhores prestações nos últimos anos.

Com uma equipa repleta de jogadores experientes, uns dados como “acabados”, Nelson Santos levou a equipa à terceira posição, terminando a prova com 40 pontos. Apesar disso, o técnico português já anunciou que não vai continuar no comando técnico do Ferroviário de Nampula, visto que o seu contrato já terminou.

A tripla Ferroviário de Maputo, Ferroviário da Beira e Costa do Sol, equipas com tradição no Moçambola, teve uma época desastrosa, se comparado com as anteriores. Das três equipas, o Costa do Sol até teve um início promissor, chegando a ocupar as primeiras posições nas primeiras jornadas da prova.

Longe do brilharete do ano passado, o Ferroviário de Lichinga conseguiu a manutenção, ao terminar a prova na sexta posição com 28 pontos. Já o Ferroviário de Nacala terminou o campeonato na oitava posição, com 26 pontos.

Resultados da 22ª Jornada

Liga Desportiva – Fer. Lichinga (0-3)

Fer. Lichinga – Fer. Nacala (1-0)

Incomáti – Fer. Beira (0-0)

Fer. Maputo – UD. Songo (1-0)

Black Bulls – Costa do Sol (3-0)

  1. Vilankulo – Matchedje (3-2)
1. Uniao Desportiva de Songo 50 15 5 2 34 9 22
2. Ass. Black Bulls Maputo 49 15 4 3 44 18 22
3. Ferroviário de Nampula 40 12 4 6 25 19 22
4. Ferroviário Maputo 33 9 6 7 23 16 22
5. Ferroviário da Beira 29 6 11 5 25 19 22
6. Ferroviário de Lichinga 28 8 4 10 21 23 22
7. Costa do Sol Maputo 28 8 4 10 22 26 22
8. Ferroviário de Nacala 26 8 2 12 20 29 22
9. Ass. Desportiva de Vilanculos 26 7 5 10 20 29 22
10. Incomáti Xinavane 22 4 10 8 12 23 22
11. Matchedje de Mocuba 17 4 5 13 15 37 22
12. Liga Desportiva de Maputo 15 3 6 13 13 26 22

 

União Desportiva do Songo ou Black Bulls: quem será o campeão nacional? Esta é uma pergunta que só terá resposta ao fim dos 90 minutos, depois de terminarem os jogos da última jornada do Moçambola. Uma jornada que também vai ditar quem acompanha o Matchedje de Mocuba e a Liga Desportiva de Maputo na segunda divisão.

Fim do Moçambola 2022 e, com ele, o campeão nacional. Um campeão que foi arrastado até à última jornada, já que ainda não se sabe quem vai carregar o canecão.

União Desportiva do Songo, líder com 47 pontos, e Black Bulls, segundo classificado com 46 pontos e menos um jogo (que falta homologar, diante do Ferroviário de Nampula) são os únicos que levam a decisão até ao apito final.

 

“HIDROELÉCTRICOS” QUEREM FESTEJAR NA MACHAVA

A líder da prova, União Desportiva do Songo, tem deslocação difícil ao Estádio da Machava, para defrontar o Ferroviário de Maputo, curiosamente, seu próximo adversário, quarta-feira, para as meias-finais da Taça de Moçambique.

Os “hidroeléctricos” vão a um terreno onde dificilmente vencem, mas também pouco perdem. No Estádio da Machava, as duas equipas já se defrontaram por 11 vezes, com a turma de Songo a vencer dois jogos (2-3 em 2014 e 0-1 em 2013) e a somar cinco empates (2-2 em 2010 e 2016, 0-0 em 2012, 2017 e 2021), além de quatro derrotas, sendo a mais pesada contraída em 2015 e 2019, respectivamente por 3-1.

Duas equipas que se defrontaram apenas uma vez na última jornada, em 2019, já com o título entregue ao Costa do Sol, que tinha seis pontos de vantagem em relação aos “hidroeléctricos” e o resultado já a não contar.

Desta vez, será a doer para a turma de Songo, que precisa de vencer para se sagrar campeão nacional pela terceira vez, sem depender de quem quer que seja. Ou seja, qualquer resultado que alcançar na Machava terá que ser alcançado pela Black Bulls em Tchumene para se sagrar campeão.

Mas terá um Ferroviário de Maputo ferido no seu orgulho, depois da derrota na primeira mão, em Songo, por uma bola sem resposta. Aos “locomotivas”, o jogo serve somente para conhecer melhor o seu adversário, que vai defrontar, quarta-feira, nas meias-finais da Taça de Moçambique, uma vez que nada mudará na tabela classificativa.

O fim do jogo ditará se haverá lágrimas de felicidade ou de tristeza nas hostes dos jogadores, equipa técnica, direcção e adeptos da União Desportiva do Songo.

 

BLACK BULLS DE OUVIDOS POSTOS NA MACHAVA

Já a Black Bulls, que ontem comemorou cinco anos de existência, procura estender a festa de aniversário com a conquista do título. Um título que não depende somente de si, uma vez que tem menos um ponto que a União Desportiva do Songo (antes da homologação do jogo), mas também tem desvantagem no confronto directo com os “hidroeléctricos”, caso terminem igualados em pontos na tabela classificativa.

Na primeira volta, os “touros” venceram no Matchiki Tchiki a tangente e querem repetir a proeza, tal como fizeram ano passado, quando praticamente asseguraram o título depois de vitória tangencial sobre os “canarinhos”.

Até porque o Costa do Sol não está no seu melhor momento, tendo somado por derrotas as últimas partidas para o Moçambola, descendo da terceira para a actual sexta posição que ocupa. Por isso mais possibilidade de voltar a vergar, mesmo depois da promessa de Jossias Macamo, treinador, de não terminar a época com o pior registo na história da colectividade.

A Black Bulls é, forçosamente, obrigada a vencer e esperar por uma derrota da União Desportiva do Songo para sonhar com o título, que pode não ser entregue logo, caso o Conselho de Disciplina não tenha homologado o resultado do jogo até ao fim da partida de domingo.

Um empate ou derrota entrega o troféu de bandeja à União Desportiva do Songo.

Este seria o segundo título consecutivo aos “touros” depois de terem levantado o troféu ano passado, no seu primeiro ano no Moçambola.

Mas há que realçar a boa recuperação da Black Bulls na tabela classificativa, uma vez que já esteve a nove pontos da União Desportiva do Songo, depois da 5ª jornada, e 11 pontos depois da 12ª jornada, o máximo da diferença pontual que já houve.

Uma derrota em Nacala e outra em Quelimane, da União Desportiva do Songo, foram suficientes para que os “touros” voltassem à disputa do título, que acabaram por entrar definitivamente quando os “hidroeléctricos” empataram com o Ferroviário da Beira, no Chiveve, e com o Incomáti de Xinavane, na última jornada, que reduziram a diferença pontual para apenas um ponto.

Por isso, a conquista do título pelos “touros” pode ser resultado da sua persistência e resiliência, adicionada à perda de intensidade e foco dos “hidroeléctricos”.

Só no fim dos 90 minutos, no Estádio da Machava e no Complexo Desportivo de Tchumene, ficaremos a saber quem vai sorrir e quem vai chorar.

 

“HIDROCARBONETOS” E “AÇUCAREIROS”: QUEM DESCE?

Duas equipas já foram despromovidas e falta conhecer a terceira equipa. Associação Desportiva de Vilankulo, que recebe o já despromovido Matchedje de Mocuba, e Incomáti de Xinavane, que recebe o Ferroviário da Beira, concorrem para essa vaga.

Mais dificuldades vai enfrentar o Incomáti diante dos “locomotivas” do Chiveve, olhando para a qualidade dos jogadores e objectivos iniciais, relativamente à turma de Vilankulo, que diante do Matchedje de Mocuba tem todas possibilidades de se manter na prova.

Aliás, enquanto os “açucareiros” precisam, obrigatoriamente de vencer e esperar pelo desaire dos “hidrocarbonetos”, do contrário basta apenas um empate para a turma de Artur Comboio manter-se na prova máxima do futebol moçambicano, bastando para tal que o Incomáti não vença no seu jogo.

Até porque em caso de empate da Associação Desportiva do Songo e vitória do Incomáti de Xinavane, as duas equipas terminam com 24 pontos, mas com vantagem para a turma do canavial no confronto directo, já que venceu em casa e empatou no Alto Macassa.

As outras partidas não mudam história nenhuma na tabela classificativa, com a despromovida Liga desportiva de Maputo à procura de fechar a edição com vitória diante do Ferroviário de Nampula e esperar pela derrota do Matchedje de Mocuba para evitar terminar em último.

Já Ferroviário de Lichinga recebe o seu homónimo com o 7º lugar em jogo, uma vez que estão separadas por apenas um ponto, com vantagem para a turma de Nacala.

O prémio de melhor marcador do Moçambola-2022 pode não ser entregue a nenhum jogador, uma vez que só quem atingir 15 golos vai ser premiado. Os actuais melhores marcadores contam com nove golos, à entrada da última jornada.

O Moçambola 2022 está na recta final. Falta apenas uma jornada, a última, que se disputa este fim-de-semana. Se a luta continua acesa pelo título, com União Desportiva de Songo e Black Bulls a arrastarem a decisão até ao apito final, bem como o Incomáti de Xinavane e a Associação Desportiva de Vilankulo na luta pela manutenção, o mesmo não se pode dizer em relação a luta pelo troféu de melhor marcador.

É que o regulamento de competições do Moçambola 2022 prevê que o prémio de melhor marcador só será entregue ao jogador que apontar, no final das 22 jornadas, 15 golos.

Mas a realidade mostra outra situação, a uma jornada do fim da competição. Os actuais melhores marcadores, nomeadamente Lau King, da União Desportiva do Songo, Melque, da Black Bulls, e Isac de Carvalho, do Ferroviário de Nampula, contam com nove golos cada, longe da meta fixada pela Liga Moçambicana de Futebol.

Vale dizer que qualquer um dos três, para ser premiado, deve marcar seis golos na última jornada. Caso não atinjam a meta fixada o prémio não será entregue.

Lau King vai jogar no Estádio da Machava diante do Ferroviário de Maputo, Melque recebe o Costa do Sol e Isac visita o terreno da despromovida Liga Desportiva de Maputo.

Entretanto, a não premiação não impede a coroação, uma vez que quem terminar no topo da lista dos artilheiros será designado o melhor marcador do Moçambola 2022.

Nessa luta estão ainda, mais abaixo, outros tantos jogadores, com destaque para Jesus, jogador da Black Bulls, que nos últimos jogos tem sido o salvador, que conta com oito remates certeiros, bem como Maxwel, ganês ao serviço do Ferroviário de Maputo, que também soma oito golos.

Recorde-se que esta decisão de fixar o número máximo de golos por temporada surgiu da fraca actuação dos avançados e pontas-de-lanças, que não atinava com as redes adversárias e foi para motivar a mais golos no Moçambola.

Os dois últimos melhores marcadores ultrapassaram a fasquia dos 20 golos, nomeadamente Eva Nga, em 2019, ao serviço do Costa do Sol, que fez 26 golos, e Ejaita, que ano passado, em representação da Black Bulls, marcou 21 golos.

Ambas equipas terminaram campeões nos respectivos anos em que os seus avançados foram melhores marcadores.

Nota de realce para o facto dos dois jogadores, estrangeiros, terem deixado o país no final da temporada em que se sagraram campeões e melhores marcadores.

A selecção do Marrocos procura tornar-se na segunda selecção africana a qualificar-se aos oitavos de final do Campeonato do Mundo do Qatar, esta quinta-feira, quando defrontar o Canadá, em partida da última jornada do grupo F.

Um empate e uma vitória, que totalizam quatro pontos, e uma liderança compartilhada com a Croácia, possibilitam ao Marrocos sonhar com os oitavos-de-final do Mundial 2022 que decorre no Qatar desde o passado dia 20 de Novembro.

Os marroquinos têm pela frente o Canadá, lanterna vermelha sem nenhum ponto e já eliminado da fase seguinte, em jogo que inicia às 17h00.

Um empate garante a passagem em segundo lugar, caso a Croácia empate ou vença a Bélgica, mas pode terminar em primeiro em caso de vitória diante do Canadá e derrota ou empate da Croácia. Ou seja, apenas o empate conta ao Marrocos para garantir vaga nos oitavos do Mundial.

Entretanto, uma derrota tangencial da selecção africana, aliada a uma vitória, também tangencial da Bélgica diante da Croácia, também garante a passagem aos oitavos-de-final.

Ainda esta quinta-feira, pelo grupo E, quando forem 21h00, Espanha defronta Japão e Alemanha joga com Costa Rica. Qualquer das selecções ainda tem possibilidades de se qualificar aos oitavos-de-final.

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