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O País – A verdade como notícia

Nos hospitais da cidade de Nampula, há atendimento aos utentes, mas os doentes denunciam morosidade associada à greve dos médicos que iniciou esta segunda-feira. No Hospital Central de Nampula, os médicos militares estão a dar assistência sanitária.

O Hospital Geral de Marrere fica na periferia da cidade de Nampula e é dos mais frequentados. Contrariamente aos dias comuns, esta segunda-feira, foi de um movimento abaixo do habitual, e o atendimento estava a ser assegurado, ainda que com morosidade.

No momento da passagem da equipa de reportagem do jornal O País do hospital, os responsáveis não estavam e não havia informação concreta sobre a adesão ou não à greve.

Na maior unidade hospitalar do Norte do país, o Hospital Central de Nampula, o movimento no banco de socorros era difícil de entender se está relacionado à greve ou se se trata das enchentes comuns às segundas-feiras.

Seja como for, os utentes, também reclamavam da morosidade no atendimento.

Os médicos militares já estão posicionados e a garantir o atendimento público.

A direcção do Hospital Central de Nampula ainda está a fazer o levantamento para perceber o grau de adesão à greve. Por isso mesmo, prometeu pronunciar-se esta terça-feira.

Na linhagem dos Mazuze a que pertence, Ivan é o primeiro músico. Na verdade, pode-se dizer que a vida de profissional em música é um produto do acaso. Afinal, quando foi matriculado numa escola de música, era, sobretudo, para se manter ocupado e nunca se desviar dos bons caminhos. No entanto, mais do que isso, Ivan Mazuze mergulhou na arte musical a sério e, já na adolescência, tocava nos bares do Xipamanine, subúrbio de Maputo, com o seu amigo Deodato Siquir.

Mesmo sem ter em quem se inspirar, no contexto doméstico, Ivan, quinto filho de oito irmãos, partiu para estudar música em Cape Town. Na África do Sul, fundamentalmente, foi bem recebido por Tony Paco, que mostrou ao então adolescente de 15 anos onde, quando e com quem tocar. Simultaneamente, na cidade do afro-jazz, Ivan sedimentou a sua amizade com Hélder Gonzaga, que já partira de Maputo.

Na altura da iniciação à música, com os três amigos, Ivan conviveu o tempo necessário, pois, como que fugazmente, cada um seguiu o seu percurso. Tony Paco (percussão) permaneceria na África do Sul, Hélder Gonzaga (baixo) voltaria para Moçambique, Deodato Siquir (bateria e voz) seguiria até Dinamarca e Ivan Mazuze (saxofone) fixaria residência na Noruega.

Apesar de terem tomado direcções diferentes, os laços entre os quatro músicos se mantiveram e, esta sexta-feira, na Sala Grande do Franco-Moçambicano, Cidade de Maputo, juntaram-se a outros três amigos, nomeadamente: o norueguês de origens indianas, Jai Shankar (percussão); o sul-africano Mark Fransman (saxofone, teclado e voz), autor dos distintos solos de Maganda, igualmente formado em Cape Town e que já produziu Jimmy Dludlu e Moreira Chonguiça; e, por fim, Stélio Mondlane (bateria), que, mesmo sendo o mais novo da banda, trabalhou com intensidade e assertividade. Todos juntos tocaram num concerto que teve Ivan Mazuze como o protagonista, mas em que, com a excepção de Jai Shankar, cada um mostrou a sua melhor versão.

Para abrir o concerto, o tema escolhido foi “Inkomu tatana”, do álbum Maganda, interpretado de forma alegre e num ambiente acolhedor. Na ausência das coristas, a tarefa de colocar a voz nos coros ficou na responsabilidade de Deodato Siquir, que, multidisciplinar, também tocou a sua amada bateria.

Sentado nas primeiras filas da Sala Grande, o pai de Ivan, Abílio Mazuze, ouviu radiante esse tema que parece uma homenagem a si: “Inkomu tatana”, do changana, “Obrigado, pai”.  Sempre rodeado de seus familiares, filho, netos e etc., o velho Mazuze voltou a ver o filho em palco como se fosse pela primeira vez. Orgulhoso, bem colado à nora e às duas netas, esposa e filhas de Ivan, aquele espectador especial, à semelhança de parte significativa do auditório, fez, de seguida, de “Inta mutlangela” seu projecto musical.

Com novos arranjos, mas sempre mantendo a base popular que o auditório do Franco teimou em ecoar aos ouvidos do saxofonista, “Inta mutlangela” funcionou, de facto, como uma acção de graça por tudo o que Deus tem feito na sua vida. Uma vez mais, o autor de Mutema fez os coros e toda a gente aparentemente sedenta por um concerto de jazz tlangelou/agradeceu pelas possibilidades até religiosas que a canção popular encerra. A essa altura do concerto, os Mazuze já nem lembravam que, mal Ivan aterrou em Maputo, no último fim-de-semana, meteu-se em ensaios, deixando para depois o afecto de que todos merecem. “Não tive momentos de socialização com os meus pais, nestes dias, porque queria preparar este concerto para vocês”, justificou o artista naquele seu bom português, mas com alguns estrangeirismos na tonalidade.

Ora com arranjos diferentes, ora com prolongamentos rítmicos mais sustentados, Ivan Mazuze foi interpretando temas dos seus quatro álbuns. De Moya, por exemplo, escolheu “Wemba wa”, “Massessa” e “Lunde”, essa composição inspirada nas sonoridades norueguesas; De Ndzuti, escolheu “Mwana wa ku kasa”; de Ubuntu, escolheu, além de “Inta mutlangela”, “Kulhula” e, por fim, o tão solicitado tema “Papa Samora”, de Maganda.

Mesmo em jeito de despedida, “Papa Samora” foi a última e a mais aclamada actuação da noite, o que valeu aos artistas cerca de três minutos de aplausos ininterruptos. No derradeiro momento do concerto, toda a gente levantou-se para agradecer àquelas sete almas pelas duas horas de actuação. Talvez, a uns meros metros da Sala Grande, a estátua do primeiro Presidente de Moçambique tenha vibrado emoção; talvez, onde quer que esteja, Samora Machel tenha escutado o público cantar os seguintes versos traduzidos do changana: “Papa Samora ensinou-nos a não chorar”. De facto, a noite foi de intensa alegria.

Por: Cremildo Bahule[1]

 

Nos últimos dois anos, para justificar o meu desarranjo dos efeitos sonoros da pandemia, decidi prestar atenção na concepção, edição e divulgação dos discos editados na arena do jazz nacional. Nessa auscultação tímida – típica de um professor da 4.ª classe – tenho me deparado com discos supérfluos, razoáveis e bem-elaborados. Cito quatro, no sentido de vénia, que chamaram a minha atenção: «Blue Window» (Valter Mabas, 2021), «Sense of Presence» (Elcides Carlos, 2022), «Sounds of Peace» (Moreira Chonguiça, 2022) e «Endless Dream – O Sonho da Música» [Do Carmo, 2023 (edição póstuma com a participação de vários artistas]. O fulgor e o mérito destes quatro discos assenta num único facto: a consciência da utilização de elementos oriundos da música folclórica e da música popular nas diversas linhas de interpretação que se enquadram, se acharmos pertinente para a nossa etnomusicologia, na música popular moçambicana. Tal justificação parece ínfima, justa e razoável – dependendo do ponto de vista – se termos em conta que temos discos editados por moçambicanos que reflectem a pura reprodução do jazz estadunidense ou sul-africano. O último caso é fácil justificar: proximidade geográfica e os «alinhados melódicos de Cape Town».

Para alicerçar a minha nota preambular irei me centralizar no disco «Sense of Presence» (Elcides Carlos, 2022) por conta do concerto que vi, na noite da última sexta-feira, do mês passado, 30 de Junho de 2023, na Galeria do Porto de Maputo. Creio que Elcides Carlos nos regala com um vocabulário harmónico bastante rico, com sonoridades impressionistas com bases e experiências com as circunstâncias, como se pode perceber na música «Sedução» (no disco tem a participação de André Sansi & Sheila Malijane) e «O Que Seria» (no disco tem a participação de Rosário Giuliani). Tem uma visão ímpar dos arranjos de melodias tradicionais que nos destinam para explorações modais (advindo do Jazz Modal). Nestas explorações, pode observar-se uma crescente libertação das fundações harmónicas da improvisação em direcção ao poder da melodia livre, o que abre um caminho para a criação do Free-Jazz. É aqui, no Free-Jazz, que estabeleço Elcides Carlos no cenário do jazz moçambicano. O que me chama atenção no disco «Sense of Presence», e certifiquei no espetáculo, é que as composições deste álbum trazem uma honestidade quase ingénua, bem própria de um disco de estreia. São composições com um olhar de novidade para a vida e as experiências que ainda se enquadram como primeiras. Realmente, existe uma sensação de busca por uma presença que só o artista saberá nos dizer e confirmar, quiçá, no segundo ou terceiro álbum. O derradeiro aspecto que é importante de ser mencionado é o modelo dialéctico de apresentação das composições. Essa dialéctica seria, assim, congénita e essencial ao jazz moçambicano enquanto género musical dotado de uma estabilidade em termos de temática [a fricção de musicalidades sendo aqui constituinte, evidenciando-se principalmente nas improvisações], de estilos [fundamentalmente idiomas regionais, como a musicalidade chope que se ouve na música «Mhango» (no disco tem a participação de Cheny Wagune e «Há Fana» (no disco tem a participação de Radjha Ali & Drew Zaremba] e de estruturas composicionais [no código musical propriamente, como na rítmica e no emprego de determinados modos]. As diversas musicalidades trazidas e convidadas tanto para o disco como para o concerto dialogam mas não se misturam: as fronteiras musicais e simbólicas não são atravessadas, mas são objectos de uma manipulação que reafirma a diferença que Elcides Carlos quer impor no jazz moçambicano.

[Evidentemente a minha postura é baseada na audição do disco e no espetáculo que teve como título «In a Soulfoul & Vibrant Afro Jazz Night». Um espetáculo, diga-se sem sortilégios, começou com atraso de quarenta e um minutos depois da hora marcada, com ruído no som nas primeiras três músicas. Porém, apesar deste enredo e problemas técnicos, o «In a Soulfoul & Vibrant Afro Jazz Night» teve o mérito de confirmar que Moçambique, como disse antes, tem infinitas musicalidades e dissemelhantes sonoridades como consegui atestar com os convidados especiais – Xixel Langa, Bhaka Yofole e Deodato Siquir – e dos instrumentistas: Lelas Mavie (baixo), Tony Paco (bateria), Nando Morte (percussão), Sarmento de Cristo (saxofone), Nicolau Cauaneque (teclado), Pauleta Muholove e Sheila Malijane (coros)].

Termino este meu desarranjo harmónico e trémulo com uma certeza: julgo que chegou o momento de assumirmos que a história do jazz moçambicano deve começar a ser escrita com sinceridade e atalhos que nos conectem com o nosso devir. Utilizei, propositadamente, o disco «Sense of Presence» e o espetáculo «In a Soulfoul & Vibrant Afro Jazz Night», de Elcides Carlos, como mote para justificar que os elementos sincrónicos entre o Jazz, que se pretenda que seja moçambicano, e a música popular tem simetrias desde suas bases musicais primárias ligadas as heranças da música urbana ou folclórica. Precisamos definir e classificar todas as fronteiras idiomáticas do Jazz moçambicano. É natural que no processo de argumentação, escrita e valoração todas tenhamos inconsistências e estereótipos relacionados ao Jazz moçambicano. Todavia, é um caminho inevitável. Julgo que, com outras lentes, outros actores e outros saberes, podemos falar de categorias tonais, avant gard, pulsação do ritmo em semínimas, escalas pentatónicas e todas as categorias cromáticas que caracterizam, por exemplo, as obras «Blue Window» (Valter Mabas, 2021), «Sounds of Peace» (Moreira Chonguiça, 2022) e «Endless Dream – O Sonho da Música» [Do Carmo, 2023 (edição póstuma)].

 

P.S.: o disco «Sense of Presence» (Elcides Carlos, 2022) tem um design harmonioso, um encarte apetecível e com uma ficha técnica bem detalhada. Um disco de fazer cortesia para a prateleira dos coleccionadores de Jazz. Bayete!

 

[1] Cremildo Bahule é professor, ensaísta e editor. | cremildo.bahule@gmail.com

De regresso ao país, o saxofonista e compositor Ivan Mazuze vai apresentar-se, às 20 horas desta sexta-feira, na Sala Grande do Centro Cultural Franco-Moçambicano, na Cidade de Maputo, em concerto.

Segundo avança uma nota de imprensa sobre o evento, a iniciativa da Imazuze Music faz parte de uma digressão musical que o artista moçambicano está a apresentar, este ano, em diversos países. Entre os quais, Itália, Noruega, Dinamarca, Brasil e Letónia, apresentando-se em grande nível em eventos tais como Mixite Festival, Saulkrasti Jazz Festival, Amapa Jazz Festival, Trondheim Transform Festival, Nasjonal Jazzscene, Cosmopolite Scene, USF Verftet e Drammen Kulturnatt.

Nos países onde Ivan Mazuze tem actuado, além de levar consigo a música que produz a partir de Noruega, onde vive há anos, o artista tem a iniciativa de colaborar em concerto com variados músicos locais, promovendo, dessa maneira, um forte intercâmbio artístico-cultural entre criadores de proveniências diferentes. Assim, sem deixar de fora a Ivan Mazuze Group, para o concerto de sexta-feira, no Franco-Moçambicano, Ivan Mazuze convidou alguns artistas com os quais tem um relacionamento artístico de longa data. Tal relação profissional, vai permitir aos espectadores de Maputo ouvir os temas propostos ao concerto com sugestivos arranjos musicais.

Os artistas convidados para o concerto de Ivan Mazuze, portanto, são Deodato Siquir (Dinamarca/Moçambique), Mark Fransman (África do Sul), Jai Shankar (Índia/Noruega) e  Tony Paco, Stélio Mondlane e Hélder Gonzaga (todos residentes em Moçambique).

De acordo com Ivan Mazuze, em termos conceptuais, “Este será um concerto com uma essência rítmica percussiva e melódica, incorporando elementos da música clássica indiana, criando uma fusão única com os ritmos percussivos de Moçambique com uma base harmónica solidificada”, lê-se na nota de imprensa.

O concerto de Ivan Mazuze na Sala Grande do Franco-Moçambicano acontece numa altura em que o músico encontra-se a finalizar um trabalho comissionado para a Oslo Global Music, na Noruega, o qual será apresentado neste segundo semestre. O trabalho em causa, com efeito, vai resultar no lançamento do seu próximo álbum discográfico.

 

 

O artista plástico Amanhiça vai inaugurar, esta quarta-feira, às 18 horas, na Galeria da Fundação Fernando Leite Couto, a exposição de escultura “Estórias por contar, por contar, por contar…”.

Com nota de apresentação de Suleiman Cassamo, a mostra do artista enaltece, segundo o escritor, sobretudo as mulheres, como que numa homenagem pela maternidade.

Além das mulheres, o artista homenageia os pássaros, que lhe acompanham desde a infância. Observa Suleiman Cassamo: “Por ele vistos ou pensados. Apesar da densidade do metal, não falta aos pássaros a vontade de voar. Tanto nos pássaros como nas mulheres persiste o perpétuo desejo de evasão. Mas ao fim de algum tempo a olharmos fascinados as peças justamente inspirados por estas obras somos nós que levantamos um voo imaginário”.

Amanhiça nasceu a 6 de Maio de 1961, em Maputo. Em 1975, estabelece os primeiros contactos com o mundo das artes através de alguns artistas paisagistas. Em 1981, em Nampula, conhece Titos Mucavele, que lhe dá apoio material e moral, criando juntos um grupo de interesse em artes plásticas.

Em 1985, em Nampula, Amanhiça pinta, com o Elias Manjate, um mural alusivo ao 21º  aniversário do início da Luta Armada de Libertação Nacional.

Em 1986, já em Maputo, participa em estágios artísticos no Núcleo de Arte. Dedica-se também à escultura metálica, tendo como recurso material os desperdícios oficinais da escola onde é professor.

Tem a sua obra em colecções individuais e públicas no país e no estrangeiro. Foi laureado com o 2º Prémio do Concurso Novos Talentos (Horizonte Arte Difusão), em 1990.

Amanhiça participou em mais de uma dezena de exposições colectivas e fez duas individuais em Maputo e na Alemanha.

 

De 1 de Julho a 31 de agosto, estão abertas as candidaturas ao Prémio Imprensa Nacional/Eugénio Lisboa, um galardão instituído pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda [INCM], que premeia, anualmente, trabalhos inéditos no domínio da prosa literária produzidos por cidadãos moçambicanos ou a residir em Moçambique há mais de cinco anos.

Segundo avança uma nota de imprensa sobre a iniciativa, à semelhança da edição anterior, nesta 7.ª edição do Prémio Imprensa Nacional/Eugénio Lisboa as candidaturas fazem-se exclusivamente online no site da Imprensa Nacional.

Na sétima edição, o júri do Prémio é composto pelo escritor e professor Lucílio Manjate (que o preside), pela professora Sara Jona Laisse e pela editora-chefe da Imprensa Nacional-Casa da Moeda Paula Mendes.

O vencedor receberá um prémio pecuniário no valor de 5000 euros, cerca de 350 mil meticais, e verá o seu trabalho publicado pela Imprensa Nacional, a chancela editorial da INCM.

As edições anteriores do Prémio Imprensa Nacional/Eugénio Lisboa já distinguiram, entre vencedores e menções honrosas, os trabalhos Mundo Grave, de Pedro Pereira Lopes, Bebi do Zambeze, de António Manna, Saga d’Ouro, de Aurélio Furdela, Sonhos Manchados, Sonhos Vividos, de Agnaldo Bata, A Ilha dos Mulatos, de Sérgio Raimundo, O Homem que Vivia Fugindo de Si, de Japone Agostinho, Marizza, de Mélio Tinga,  Eva, de Léo Cote e Teatro de Marionetes (ou Ensaio sobre a Mecânica Descritiva da Desertificação dos Homens), de Jofredino Faife.

A Imprensa Nacional-Casa da Moeda criou este prémio no intuito de incentivar a criação literária em Moçambique e, ao mesmo tempo, de prestar homenagem a Eugénio Lisboa, seu autor e cidadão e homem de cultura nascido em Lourenço Marques, actual Maputo, Moçambique. Eugénio Lisboa é doutor honorário das Universidades de Aveiro e Notthingham, Inglaterra, e Oficial da Ordem D. Henrique.

O Camões — Centro Cultural Português em Maputo é o parceiro na promoção e divulgação deste prémio em Moçambique.

O Concurso de Barman juntou, na fase final, 20 profissionais de mesa e bar para testar as suas habilidades na preparação de bebidas destiladas. Carlos Matecane sagrou-se o maior vencedor do certame, enquanto que Fred Conge e Licesinho Munguambe ocuparam o segundo e terceiro lugares respectivamente.

Citado numa nota de imprensa, Carlos Matecane, quem sai do certame com produtos para o auto-emprego avaliados em 100 mil meticais, mais do que um concurso, ter participado significou uma aprendizagem, porque, como sabem, “os barman são artistas acima de tudo e são aquelas pessoas que estão sempre para alegrar os clientes”.

O evento foi dirigido pelo Vice-Ministro da Cultura e Turismo, que referiu, na ocasião, que o serviço de barman é um fenómeno turístico que exige a atenção do Governo e estes concursos são absolutamente necessários e produtivos para construir uma história positiva que concilie os interesses turísticos de todos: dos turistas, visitantes e servidores.

Fredson Bacar sublinhou que “o nosso compromisso enquanto sector é facilitar os apoios para a materialização dos diferentes tipos de turismo e as possibilidades oferecidas pela Diageo – e outros actores envolvidos na cadeia de valor de turismo – é incentivar projectos transformadores, alinhados com os objectivos programáticos do Governo para o turismo.

“O principal objectivo deste programa é incentivar os profissionais de mesa e bar, a melhorar continuamente a sua performance profissional, mas também investigar, produzir e divulgar os seus feitos, através das bebidas destiladas, mas com um toque genuinamente moçambicano”, acrescentou Bacar, acrescentando que o principal mote para este concurso é formar profissionais com uma visão transversal que lhes permita compreender os serviços de barman numa perspectiva territorial e cultural e que possa proporcionar conhecimento para criar empresas responsáveis que melhorem a economia do turismo”.

O Presidente do Pelouro do Turismo da CTA considerou que estes tipos de eventos são necessários para dar maior visibilidade e consequentemente rendimento ao sector. “Para o sector privado é uma valia muito grande, uma vez que vem dinamizar o nosso sector, pois há bastante templo clamava por acções como esta”, destacou.

Refira-se que esta iniciativa é do Ministério da Cultura e Turismo, através do seu braço executivo, Instituto Nacional do Turismo (INATUR), responsável pela promoção de Moçambique como destino turístico e de formação de profissionais neste sector e a Diageo Moçambique, uma marca líder mundial em bebidas Premium.

O filosofo José Castiano lança, às 18 horas de terça-feira, na Livraria Fundza, na Cidade da Beira, o seu mais recente livro, designado O inter-munthu: em busca do sujeito da reconciliação.

Publicado sob a chancela da Editorial Fundza, o livro de José Castiano pretende ser um marco na filosofia africana em qualquer das línguas que o autor conhece e destina-se a transformar-se num clássico, pela inovadora forma de filosofar, simultaneamente africana e profundamente universal. De igual modo, O inter-munthu: em busca do sujeito da reconciliação é um contributo muito significativo para a reflexão filosófica e intelectual em geral, e não apenas para filósofos ou africanos. “Aliás, tenho a profunda convicção de que o mundo académico do Norte global teria muito a aprender com este livro se predispusesse verdadeiramente a aprender com a reflexão que se faz fora do seu contexto, o Atlântico Norte, um contexto que, contrariamente às suas pretensões, é cada vez menos global e mais provinciano”, lê-se na contracapa do novo título do académico.

O livro com aproximadamente 600 páginas é constituído por sete capítulos, designadamente, Robben island: o “santuário”?; O inter-munthu, o sujeito da reconciliação; Missionarismos e espiritualidades; Políticas de identidades e de reconciliação; Do bunthu ao munthu, em direcção ao inter-munthu; Tecnocultura; e Discurso sobre a democracia reconciliatória.

Na cerimónia de lançamento, O inter-munthu: em busca do sujeito da reconciliação será apresentado pelo académico Samuel Simango.

O poeta Amosse Mucavele vai lançar, as 17 horas desta terça-feira, o livro Vestígios do silêncio, no Camões – Centro Cultural Português em Maputo. Durante a sessão de lançamento, o autor, na companhia de Eduardo Quive, Menezes Chilaúle e José dos Remédios, vai conversar sobre a longa experiência de contar histórias dramáticas e esquecidas dos edifícios abandonados das cidades de Lisboa e Maputo.

Em Vestígios do silêncio, obra inaugural da “Residência Literária”, Amosse Mucavele apresenta uma poética concebida como objecto de desvendar os mistérios, de celebrar a memória transnacional dos ritos de passagem e ruptura, um desencanto de repensar as origens, as mutações da dor, as variações dos mapas territoriais e sociais das duas cidades [Maputo e Lisboa], partindo de um ponto de vista subjectivo das estórias desses dos lugares.

Para o ensaísta, poeta e professor universitário português, Nuno Júdice, trata-se de um livro em que o silêncio se converte em imagens nascidas da memória histórica dos lugares e da sua impressão no olhar do poeta. Essas imagens do passado cruzam-se com as que emergem de um presente que nos fala de uma relação pessoal com um mundo construído a partir de objectos, de elementos naturais, de pessoas, tudo evocado quase só numa alusão que abre ao leitor o campo da imaginação. Estamos assim perante uma construção de que o poeta é ao mesmo tempo o arquitecto e o pedreiro, e é este uma das grandes qualidades desta poesia: dar-nos a ver o desenho anterior ao fazer do poema e levar-nos a acompanhar a sua execução, sentindo o peso dos seus materiais. Restam, no fim, os vestígios do silêncio que se faz quando, após a leitura, saímos do teatro das palavras para um mundo que elas transformaram nessa alquimia verbal que é, ainda, a chave da escrita poética”.

Por seu turno, a ensaísta e professora universitária Carmen Lucia Tindó Secco, assevera que “é constante, na poesia de Amosse, uma inquietação em relação ao espaço, aos prédios de Maputo, muitos dos quais envoltos em sombras e esquecimentos, mesmo os arquitectados com arte, como os de Pancho Guedes, cuja genialidade é decantada em um poema de Vestígios do Silêncio. Neste livro, versos deambulam por “retalhos de decadências”, por um “mundo em ruínas”, por “biografias de solidões”, por imagens de abandono. São mencionados os cinemas Império e Olímpia, lugares, antes, movimentados, cheios de arte, de inúmeros frequentadores e, hoje, locais mortos, “casas desoladas à beira de um país” parado no tempo. Tais metáforas são reveladoras de que a “liberdade se demite” frente ao medo, à desesperança e ao vazio da existência”.

Com olhar questionador, direccionado aos subúrbios, Mucavele denuncia um tempo de ruínas, cortes, feridas, instabilidades, receios, prisões interiores e exteriores. Um tempo sem utopias socialistas: sem foices, só de martelos, símbolos da exploração dos trabalhadores em fábricas e indústrias. Um tempo de seres que perderam suas moradas e se tornaram espectros tristes e desesperançados. Com aguda mordacidade, a voz lírica reivindica para os marginalizados o direito à cidade. Há uma subtil crítica à falta de políticas públicas em relação aos habitantes dos bairros periféricos. Na poesia de Amosse Mucavele, o enfoque social se mescla a um lirismo existencial que envereda por trilhas filosóficas, pensando acerca da condição humana. Em simultâneo, um vigoroso labor estético, metapoeticamente, discute as formas de tecedura poética empregadas na elaboração dos poemas. Os vestígios do silêncio são, assim, investigados: há a acusação do silenciamento dos espaços discriminados; mas, há, também, o silêncio poético, possibilitador de outros sentidos e aromas, capazes de aprofundar os mergulhos na memória do tempo, na interioridade dos seres, na plasticidade criativa da linguagem.

Sobre a “Residência Literária”

A Residência Literária é um programa que se destina a escritores de nacionalidade moçambicana com obra publicada, com residência oficial em Moçambique ou que se encontrem a viver, estudar e/ou trabalhar no país e que pretendam desenvolver um projecto de criação literária, coerente com o seu percurso e pertinente na proposta de relação com a cidade de Lisboa. O programa foi criado ao abrigo do protocolo de cooperação celebrado entre a Câmara Municipal de Lisboa (CML) e o Camões – Centro Cultural Português em Maputo, de acordo com a nota de imprensa desta instituição, e o júri foi constituído por Clara Riso (Casa Fernando Pessoa, convidada), Manuel Veiga (Câmara Municipal de Lisboa) e João Pignatelli (Camões – Centro Cultural Português em Maputo). Todos membros do júri decidiram, por unanimidade, seleccionar a proposta de Amosse Mucavele, considerando que no universo das candidaturas admitidas em 2019 era a que melhor se enquadra na lógica do programa de Residência Literária.

Sobre o autor
Amosse Mucavele nasceu em 1987, em Maputo, poeta, jornalista cultural e curador da Feira do Livro de Maputo,  curador da colecção de fotografia contemporânea moçambicana na sexta edição dos Encontros Imagem & Território, na Guarda, Portugal e da Feira Internacional do Livro de Quelimane, entre outras iniciativas culturais em Moçambique, Portugal e Brasil.

É membro do Conselho Editorial da Revista Mallarmargens (Brasil), da Academia de Letras de Teófilo Otoni (Brasil) e da Internacional Writers Association (Ohio – USA), coordenador da World Poetry Movement em Moçambique. Consultor literário da Direcção dos Serviços Municipais de Bibliotecas e Arquivos, Concelho Municipal de Maputo e do projecto “Escolas que se Abraçam” da Prefeitura de Conceição do Mato Dentro, Minas Gerais, Brasil, Coordenou a publicação do livro “A arqueologia da palavra e a anatomia da língua – antologia poética”. É autor de 3 obras poéticas publicadas em Moçambique, Brasil e Argentina.

 

 

 

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