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O veterano da luta de libertação do Congresso Nacional Africano (ANC) na África do Sul diz que a Frelimo deve ver os erros do partido libertador sul-africano, para não perder força também. Matheus Phosa, que falou, hoje, numa palestra na Universidade Wutivi, alerta ainda para as novas formas de pilhagem dos recursos africanos.

O veterano de luta de libertação sul-africano pelo ANC e membro da equipa que negociou com o regime do Apartheid, Matheus Phosa, deu, esta quinta-feira, uma aula de sapiência sobre a democracia e o neocolonialismo na Universidade Wutivi.

É alguém que conheceu os líderes africanos que deram liberdade e independência aos países. Na palestra que proferiu esta quinta-feira, começou por alertar os jovens para que “abram os olhos e os ouvidos” para ver e ouvir os novos modos de colonialismo de que o continente está a sofrer.

Se há mais de quinhentos anos, os colonizadores vieram à África dispostos a ocupar os territórios usando força bélica, hoje, segundo Phosa, “o neocolonialismo não carrega armas” os mais novos colonizadores “têm novos nomes e novos rostos, mas a agenda é a mesma; é colonizar África outra vez, explorar os recursos da nossa terra para o benefício próprio… querem roubar-nos outra vez!”

Esse é deve ser tomado como o problema. Entretanto, Phosa não quer ser entendido como quem diz que os países africanos não devem aceitar parcerias com outros, muito pelo contrário.

Os que devem fazer é “escolher os seus parceiros económicos internacionais e reginais de uma maneira que se traduzam em benefícios de longo prazo, parcerias benéficas, substanciais e sustentáveis para o povo”.

Antes disso, Phosa defende que se deve fazer um reforço da cooperação entre os países como Moçambique e África do Sul, para resolver problemas pontuais, como, por exemplo, o crime. “Há sul-africanos que roubam carros na África do Sul e vendem-nos no mundo inteiro, temos de os parar! Aqueles carros pertencem a pessoas inocentes na África do Sul”.

Há mais, Matheus Phosa debruçou-se sobre o estágio da democracia em Moçambique e na África do Sul. Aqui surgiu mais um aviso: “Vejam que, na nossa democracia, o ANC já foi forte, mas não mais. Cuidado, Frelimo!”

Na opinião do também advogado, a experiência do ANC, na África do Sul, deve servir para a Frelimo em Moçambique. Porque, segundo ele, neste momento, “Estamos num período difícil, onde as pessoas perderam confiança no meu partido e todos reconhecemos isso no ANC; as pessoas estão a perder confiança. Se verificarmos, é o crime, corrução e a própria prestação do serviço. As pessoas criticam-nos nesses assuntos em que somos muito fracos”.

A crítica é também assumida por ele mesmo quando diz: “nas campanhas, abraçamos e beijamos crianças, mas quando ganhamos esquecemo-nos das pessoas, das massas. Agora, nós estamos desconectados das massas”, por isso lança um apelo ao partido libertador em Moçambique e que ainda lidera o país. “A Frelimo não deve seguir essa via, deve continuar conectada às massas, deve responder às necessidades das massas, porque se não respondes às massas que te colocam no poder, vão virar-se contra ti, por isso, digo, cuidado! Cuidado, ANC, cuidado, Frelimo, cuidem das massas”.

E cuidar das massas só tem um significado: “deves prestar os serviços que prometeste às pessoas, e há coisas básicas: emprego, educação, habitação, estradas e partilha de riqueza com as pessoas, não algumas, as massas! As massas devem ser ricas. Assegura-te de que elas são ricas na mineração, na agricultura… e estes dois países, incluindo Zimbabwe, são ricos. Mas, e as pessoas, são ricas? Devíamos colocar essas perguntas”.

“Lamento que eu esteja a tornar isto difícil, mas estes são meus partidos. Amo a Frelimo e o ANC e temos de nos colocar perguntas difíceis: estamos a agir bem? Por que é que as pessoas estão a perder fé em nós e como podemos restaurar a fé das massas nos dois partidos? Não devemos fazer joguinhos com o poder, perdê-lo-emos”, alertou.

 

O Presidente da Renamo, Ossufo Momade, exige maior fiscalização do processo de recenseamento, para que não haja pessoas com mais de um cartão de eleitor. Ossufo Momade diz que só assim é possível evitar fraudes eleitorais.

Ossufo Momade recenseou-se na Escola Secundária Josina Machel, na Cidade de Maputo, acompanhado pela comitiva do seu partido e pela esposa. Lembrou, na ocasião, que votar é um dever cívico e independente da filiação partidária.

“O recenseamento não tem cor partidária e constitui um acto de cidadania”, referiu Momade, afirmando que a expectativa do partido é que o processo seja transparente, por isso apela aos potenciais eleitores para que não se recenseiem mais de uma vez.

“Cada cidadão moçambicano, potencial eleitor, tem direito de ter um único cartão e o mesmo é individual, não podendo repassá-lo para outras pessoas.”

O recenseamento eleitoral visa actualizar o número de potenciais eleitores. Com o cartão de eleitor a ser adquirido no processo, os eleitores poderão votar quer nas eleições autárquicas de 11 de Outubro, quer nas gerais de 2024.

Sobre o não reconhecimento, de Ossufo Momade, como presidente do partido pelos ex-guerrilheiros desmobilizados e as acusações de perseguições por esquadrões de mortes, por supostos membros da Renamo, Momade preferiu não pronunciar-se sobre o assunto.

Por: Nwetana

 

O que aparentemente para alguns é visto como nada, para outros, como a Lica, é visto como pontos de partida. A brisa sussurra junto da artista a necessidade de dar vida ao que parece acabado, gasto, inadequado.

Lica olha para os objectos à sua volta, e não lhes vê o fim. Ela sente que aquele objecto pode ser outra coisa, pode renascer. Tal como Duchamp, Lica vê para além do óbvio, criando a sua linguagem “ready-made”, eu até prefiro “Dada”, mostrando assim que ainda mantém no seu ser a ingenuidade, a originalidade própria das crianças, de que a tudo é possível dar um sentido.

Será que essa sua necessidade, que parece vital, de não deixar a energia das coisas se perder, é antes uma esperança de que afinal tudo na vida vale, que tudo pode ser reutilizado, que tudo tem valor? Não posso deixar de sentir as minhas raízes falarem e surge-me a coincidência do nome. Sebastião. Talvez, tudo neste mundo esteja realmente interligado e conectado, e nela viva a semente remota de um “Sebastianismo” longínquo ou distante, isto é, a esperança de que é possível regressar e salvar aquilo que por muitos pode ser considerado perdido.

A arte de Lica, aqui hoje apresentada como “Brisa do Nada”, é um nada é muito.

São incontáveis horas, a contemplar a natureza e tudo o que a preenche, com olhos não de ver mas de sentir.

São incontáveis horas, a criar na solidão, no isolamento, no “mato”. Pois é no mato, como ela me contou, que a brisa lhe sussurra todos os segredos, que a brisa fala com ela… e juntas, criam “tudo”.

São incontáveis horas, a coleccionar objectos supostamente perdidos, tal como o seu pai o fazia… e, nessa reprodução do hábito de amontar coisas, ressurge aquilo que lhe faz ser Lica Sebastião, que é a vontade de criar.

Por sugestão de ninguém, a Lica quis ser artista. Firme à sua vontade, ela persiste e reinventa-se. No início, como ela me confidenciou, fazer arte foi muito sofrido porque as coisas não saiam como ela queria. Mas, a paixão e o amor à arte, a força interior que sente para o acto da criação, não a fez desistir. E hoje, aceita a sua arte com prazer, cria livremente e… a arte é agora a sua melhor amiga.

Não se considera retratista, mas retratar a expressão de algo é sua forte inspiração. Seja a natureza, seja o ser humano, a expressão das “coisas” é o que lhe permite criar histórias, que afirma não serem “africanas” mas antes do mundo.

Assemblage, colagravura, desenho, pintura… as técnicas usadas são diversas, sendo na mescla das técnicas, que a sua linguagem surge, naturalmente. Misturando, associando, combinando… o “nada” se transforma e passa a contar uma história, uma história de “Lica”, uma história de “todos nós”.

Maputo, CCBM, 13 de Abril de 2023

Os escritores galegos, Alexandre Brea Rodríguez (da cidade de Santiago de Compostela – Galiza), Concha Rousia (da cidade de Ginzo de Lima – Galiza) e Iolanda Aldrei (da cidade de Santiago de Compostela – Galiza), estarão no país neste mês de Abril, para participarem no VII Festival Internacional de Poesia 2023, na Cidade de Xai-Xai.

O evento da Associação Cultural Xitende, em parceria com o Conselho Municipal da Cidade de Xai-Xai, decorre entre 23 e 29 de Abril, na capital de Gaza, onde se vai realizar o Festival Internacional de Poesia com a participação de escritores africanos, europeus e americanos.

O vencedor do prémio melhor poema, editado em Portugal em 2017, Alexandre Brea, apresentará o seu livro de poesia intitulado “O Livro Branco”, a Presidente do Instituto Cultural Brasil-Galiza, Concha Rousia, apresentará o livro “As Sete Fontes” e a multipremiada escritora Iolanda Aldrei fará a apresentação do livro “O segredo de Sheela”. Os três autores da Galícia orientarão workshops sobre a literatura nas sessões do paços do Conselho Municipal da Cidade de Xai-Xai e nas escolas e universidades da província de Gaza.

Alexandre Brea Rodríguez nasceu em Santiago de Compostela, em 1994. Graduado em física, actualmente está a realizar o doutoramento em física de partículas. Nos últimos anos, participou nas obras poéticas colectivas “Além do silêncio, Galiza e Moçambique numa linguagem e numa sinfonia” e no Livro Homenagem a Manuel Maria, assim como em numerosos recitais.

No ano 2016, foi um dos seleccionados para formar parte da antologia lusófona Emergente, que selecciona até 12 poetas emergentes de todo o universo lusófono. Em 2017, publicou o seu primeiro livro de poesia, “O Livro Branco”. Um dos poemas deste livro, “Com o ritmo da chuva”, venceu o prémio aRi[t]mar, destinado ao melhor poema editado em Portugal em 2017.

Concha Rousia nasceu em 1962, na raia entre Ginzo de Límia e Montealegre. Começou a sua actividade literária com ‘Lobos’ em Vieiros e deu continuidade com numerosas publicações em suporte electrónico e em papel. Integra diversas antologias na Galiza e no estrangeiro. Em 2005, editou o seu primeiro romance, As Sete Fontes.

Entre os prémios que recebeu, destaque para o Prémio de Narrativa do Concelho de Marim e o Prémio do Certame Literário Feminista do Condado. É secretária da Fundação Academia Galega da Língua Portuguesa e colaboradora desde 2007 dos Colóquios da Lusofonia. É a Presidente pela parte galega do Instituto Cultural Brasil-Galiza.

Iolanda Aldrei nasceu em Santiago de Compostela, em 1968. Escritora e professora, é licenciada em Filologia Hispânica pela Universidade de Santiago de Compostela e em Filologia Galego-Portuguesa pela Universidade da Corunha. As suas publicações científicas focam os âmbitos da Linguística, a Sociolinguística, os Estudos Literários e a Didáctica, tendo dedicado grande parte dos seus estudos à Lusofonia. Para além de diferentes publicações culturais, antologias, livros colectivos, blogues, jornais e revistas, conta com obra literária poética (A Palavra no ar, 1990; Memória de nove luas, 1994; O Grimório Azul de Samaná, 2011; O Segredo de Sheela na Gig, 2017; Quando a Joana voltou, 2018)  e narrativa (Entrecontar, 2020, Através Editora).

De referir que esta edição irá contar com o escritor português Samuel F. Pimenta e com vários escritores moçambicanos, como Paulina Chiziane, Francisco Noa, Marcelo Panguana, Nelson Saúte, Andes Chivangue, Deusa d’Africa, Dom Midó das Dores, Dragon bee Yoni, Elísio Miambo, Lahissane, Lino Mukurruza, Mauro Brito, Jorge de Oliveira, Sónia Sultuane, Valério Maúnde, Alerto Bia, Almeida Cumbane, Cheina, João Baptista, Ingrid Ellen, Suely Vasconcelos, José dos Remédios e entre outros.

O poeta e consultor literário, Amosse Mucavele, é curador da colecção de fotografia contemporânea moçambicana na sexta edição dos Encontros Imagem & Território, na Guarda, Portugal. A exposição contará com a participação dos fotógrafos Thandi Pinto, Yasmin Forte, Mário Macilau, Albino Mahumane e Adiodato Gomes, que vão expor 50 trabalhos artísticos, resultado de uma proposta curatorial que apresenta interpretações originais de paisagens urbanas, inclusão social e diversidade cultural.

 

De acordo com uma nota de imprensa, o Centro de Estudos Ibéricos (CEI) vai levar a cabo a sexta edição dos Encontros Imagem & Território, de 14 a 22 de Abril, na Guarda, Portugal, evento que decorre do projecto “Transversalidades Fotografia sem Fronteiras” e do compromisso do CEI para com os territórios de baixa densidade, onde relevam os transfronteiriços.

Ainda de acordo com a nota de imprensa, tendo como mote “Memória, Coesão e Literacia Visual”, o evento tem Brasil como País Convidado de Honra e contempla Exposições, Debates, Mostras e Oficinas de Fotografia, Lançamento de Publicações, Maratona e Roteiro Fotográfico.

Através do poder comunicativo que a fotografia encerra, as actividades deste 6º Encontro visam estimular um debate crítico sobre os espaços onde nos inserimos, procurando gerar uma dinâmica virtuosa de desenvolvimento que reverta o ciclo vicioso em que mergulharam os territórios de baixa densidade. Procura-se, a partir de novos olhares, uma (re)interpretação do Interior com uma consequente renovação imagética, enaltecendo sinais emergentes susceptíveis de fazer renascer um horizonte de esperança.

Para Sérgio Fernando da Silva Santos, Presidente da Camara Municipal da Guarda, citado na nota, o projeto do Centro de Estudos Ibéricos visa esbater fronteiras, promover a cooperação e valorizar territórios com menor visibilidade, fomentando cada vez mais o necessário diálogo e a compreensão do outro.  “Em linha com os objectivos e princípios matriciais definidos por Eduardo Lourenço, o “Transversalidades” concorre, assim, para a missão sonhada pelo mentor e patrono do CEI: a afirmação da Guarda como verdadeira plataforma de diálogo, encontro de culturas e centro de transferência de conhecimentos, estimulando a cooperação entre territórios de aquém e além fronteira”.

Segundo Amosse Mucavele, “Não obstante, a pluralidade e a diversidade das fotografias e dos fotógrafos seleccionados especificamente para a exposição “Imagem e Território”, justifica o carácter multicultural da  produção versus dinâmicas estéticas e por quê não, enumerar a variedade das tendências experimentais em Moçambique, a destacar a produção fotográfica de Albino Mahumana, Mário Macilau, Thandi Pinto, Yasmin Forte e Adiodato Gomes, que documenta as mutações urbanas/ rurais, as demarcações e fronteiras do conflito social e o impacto humano no meio artístico-cultural”.

De acordo com o curador da mostra moçambicana, é válido enfatizar que, “no contexto geral, todo fotógrafo aqui exposto, exerce um papel significativo para o fortalecimento de uma consciência nacional de reescrita da história urbana, uma ambiguidade presumível, que concentra e revela similaridades de uma dinâmica plural sobre a moçambicanidade e seus enlaces. As mulheres fotógrafas estão muito pouco representadas na história da fotografia, especialmente em Moçambique. No entanto, elas assumem a dianteira na promoção dos direitos e o dos diferentes valores da mulher e o seu entorno”, prosseguiu Mucavele.

À semelhança dos anos anteriores, os Encontros contam com o envolvimento da comunidade da Guarda, através de actividades em escolas, instituições sociais, de saúde e freguesias, visando levar esta arte a novos públicos, numa perspectiva de democratização cultural e para além dos fotógrafos moçambicanos, participam fotógrafos e académicos do Brasil (a jornalista Rosilene Milliotti, a pesquisadora e curadora Lúcia Bertazzo); Portugal (os fotógrafos Duarte Belo, Lúcio Cunha, Hélder Sequeira, o professor e cronista José Pacheco Pereira, os geógrafos Rui Jacinto e José Manuel Simões; Espanha (o fotografo Valentin Cabero, o geógrafo e catedrático jubilado da Universidade de Salamanca, Valentín Cabero Diéguez) entre outros.

 Serão inauguradas 16 Exposições de Fotografia, em vários locais da cidade, funcionando como âncoras, o Museu da Guarda, o Paço da Cultura, o TMG e a Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço e serão realizados 5 Debates e Mostras de fotografias, por vários autores, sobre, por exemplo, os seguintes temas: “Imagens sem fronteiras: diálogos lusófonos” (Rosilene Milliotti, Amosse Mucavele, Lúcia Bertazzo, Alfredo Cunha, Luísa Ferreira, Mário Macilau, Thandy Pinto, Roberto Montemor, Karla Inajara, Moderação: Rui Jacinto).

Às 17 horas de segunda-feira, o Camões – Centro Cultural Português em Maputo vai promover uma conversa que marca o reencontro entre os músicos José Mucavele (Moçambique) e Rui Veloso (Portugal).

Segundo a nota de imprensa sobre a sessão entre os artistas, a conversa vai decorrer sob o título “Atravessando Rios”, nome do vinil de José Mucavele publicado originalmente em 1985, com produção de Rui Veloso/Zé Carrapa e uma belíssima imagem de capa de Malangatana. Este disco contém oito temas compostos por Mucavele, entre 1975 e 1985, e foi gravado em colaboração com músicos portugueses, em Lisboa (Portugal).

38 anos depois da publicação original do disco, “indo ao encontro da vontade de um dos cantautores mais apreciados em Moçambique, o Camões – Centro Cultural Português em Maputo, em parceria com a produtora do músico Rui Veloso (PG Booking/Portugal), realizaram a adaptação e reprodução deste disco, agora novamente disponível em CD”, lê-se na nota de imprensa.

O reencontro dos dois músicos será marcado por uma conversa e partilha de experiências e percursos com o público presente, no Camões – Centro Cultural Português em Maputo. A entrada é livre.

 

Desde Março de 2019, cerca de nove mil alunos da Escola Secundária da Manga, localizada na cidade da Beira, província de Sofala, estão a estudar em condições deploráveis. É que o ciclone Idai, que afectou aquela região do país, destruiu parte considerável da infra-estrutura, com destaque para portas, janelas, sistema de canalização de água e a instalação eléctrica. O tecto da escola não escapou à fúria dos ventos e, sempre que há mau tempo, o processo de ensino-aprendizagem é interrompido, devido à elevada infiltração.

Aliás, numa das salas de aula, a parede desabou, mesmo assim, com todos os riscos, os alunos continuam a estudar naquela sala. “Infelizmente é a nossa sala. Quando começa a chover, somos os primeiros a abandonar a sala em toda a escola, pois as águas das chuvas escorrem pelo local onde a parede desabou e inunda a sala”, explicou Silva, aluno da 10ª classe daquela escola.

Uma boa nova chegou, esta segunda-feira, aos alunos, professores e gestores da escola. A infra-estrutura será reabilitada, uma iniciativa que estará sob responsabilidade do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). As obras arrancam ainda este ano, no âmbito da reconstrução pós-Idai.

Foram anunciados pelo representante desta organização em Moçambique, António Molpeceres, depois de visitar a escola, acompanhado pelo governador de Sofala, Lourenço Bulha, a existência de cerca de dois milhões de dólares para a reabilitação da escola, mas estudos referentes ao processo da modernização da infra-estrutura irão ditar o valor exacto.

“Pretendemos, com esta acção, melhorar a qualidade de educação na Escola Secundária da Manga, proporcionando aos alunos e aos professores melhores instalações de aprendizagem e modernizando as infra-estruturas existentes, assim como apetrechar a escola com carteiras e bibliotecas”, Garantiu Molpeceres.

Tanto o PNUD como o Gabinete de Reconstrução pós-Ciclones (GREPOC), esta última instituição representada por Zacarias Chissungo, garantiram que o passo a seguir é o levantamento exaustivo dos danos causados e necessidades para dar seguimento à empreitada, pois o nível de destruição da escola é preocupante.

O PNUD e o GREPOC acrescentaram que, de seguida, será lançado um concurso para a selecção do empreiteiro, assim como a firma que irá fazer a fiscalização.

O governador de Sofala, que liderou os contactos para o processo de reabilitação da escola, indicou, na ocasião, os passos que serão dados para não prejudicar o processo de ensino-aprendizagem.

“Conhecida a data para o arranque das obras, claro, depois dos concursos, vamos distribuir os cerca de nove mil alunos em várias escolas que existem nos arredores, por forma a garantir que o processo de ensino-aprendizagem não seja interrompido. Neste momento, os mapas já estão a ser desenhados para que cada aluno saiba com antecedência onde será afectado.”

Refira-se que o GREPOC e o PNUD têm um projecto denominado Mecanismo de Recuperação para Moçambique, que iniciou em Agosto 2019, com duração de cinco anos, abrangendo, nesta fase, as províncias de Sofala e Cabo Delgado, afectadas pelos ciclones Idai e Kenneth.

A Kuphaya Editora irá apresentar publicamente, esta quinta-feira, a partir das 17h30, no Camões – Centro Cultural Português em Maputo, o livro-disco Caderno de Música Moçambicana: Êxodo Musical, Sim!

Segundo uma nota de imprensa, a edição é o primeiro volume de vários a serem editados sobre a reflexão da música do ponto de vista académico.

“O livro Caderno de Música Moçambicana: Êxodo Musical, Sim! tem como substracto de debate a música moçambicana feita na diáspora. Ou, se for mais confortável, reflecte sobre os músicos moçambicanos que fazem a sua vida musical fora de Moçambique ou que tiveram a sua afirmação artística fora do país. Por isso, para consubstanciar este intento participam deste volume, que é o primeiro de muitos, os seguintes músicos: Melvin Humbane, Nilsa Mosele, Neco Novellas, Selma Uamusse, Cândido Xerinda, Isabel Novella, Amável Pinto, Lenna Bahule, Albino Mbié, Childo Tomás (Guimbass) e Jaco Maria”, lê-se na nota de imprensa.

A cada artista que aceitou partilhar a sua obra para a reflexão sobre a diáspora musical moçambicana foi feita uma análise. Os textos foram escritos pelos seguintes autores: Jessemusse Cacinda, Inocêncio Albino, Elcídio Bila, Belmiro Adamugy, Lenna Bahule, Sérgio Jeremias Langa, Sara Jona Laisse, Timóteo Francisco Lídia Cuche, Siovana Novela, Rufus Maculuve, Katharina Döring, Cremildo Bahule e José dos Remédios.

A apresentação do Caderno de Música Moçambicana: Êxodo Musical, Sim! pretende ser um debate e conversa. Por isso, além dos intervenientes directos da obra, “foi convidado o filósofo Severino Ngoenha e Armando Pedro Júnior (M. dos Negócios Estrangeiros) para lidimar como se constrói a nossa vida artística na disporá”.

No auditório do BCI, na Cidade de Maputo, está patente a exposição “Rostos de África”, do artista plástico cubano Rachid Gutiérrez. Com recurso a desenho a carvão como técnica principal e à utilização de colagem com capulanas, matizes e tonalidades com cores usando tinta a óleo, a mostra é composta por cerca de 20 obras, através das quais o artista procura estabelecer um diálogo visual, baseado na pesquisa por si efectuada e nas experiências vividas em Moçambique.

O projecto, segundo adiantou o autor, na cerimónia de abertura, que teve lugar na quarta-feira, foi iniciado em 2020 e concluído em 2021, e tem a particularidade de focalizar a figura da mulher. “O ponto mais importante foi mostrar uma mulher moçambicana forte, independente e capaz de lutar”, disse, esperando que “cada mulher se sinta identificada, ao olhar para estes quadros”.

O Director de Relações Públicas do BCI, Heisler Castelo David, afirmou que “esta exposição vem testemunhar, de certa forma, o carácter multifacetado do Auditório do BCI, como espaço de cruzamento de culturas. Com efeito, para além da exibição de obras de arte, da publicação de livros, da realização de eventos científicos e socioeconómicos, tem acolhido manifestações multiculturais, dando sentido ao posicionamento do BCI como Banco de apoio à Cultura”.

Nesta exposição, os títulos dos quadros retratando mulheres partem de “sabedoria” até “resistência”, passando por “firmeza”, “coragem”, “constância”, “determinação”, “elegância”, entre outros designativos que caracterizam a força da mulher.

Rachid Gutiérrez nasceu em 1991, em Cuba, tendo começado os seus primeiros estudos artísticos aos 7 anos de idade. Em 2000, fez um curso de desenho e pintura no “Gran Teatro de La Habana”, onde participou na sua primeira exposição colectiva. A sua primeira mostra individual, intitulada “Fusion”, teve lugar em 2019, na Associação de Escritores Moçambicanos (AEMO), na cidade de Maputo.

‘Rostos de África” é a segunda exposição individual do autor e estará aberta ao público até ao dia 18 de Abril.

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