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O País – A verdade como notícia

Esta quinta-feira, às 18:30, na Fortaleza de Maputo, terá lugar o concerto de lançamento do vídeo musical da campanha “A paz é nossa cultura”, uma iniciativa do Secretariado para o Processo da Paz (PPS). A apresentação pública do vídeo musical da campanha “A paz é nossa cultura” acontece numa altura em que o Presidente da República, Filipe Nyusi, e o presidente da Renamo, Ossufo Momade, encerraram, no dia 15 de Junho, a última base da antiga guerrilha em Vanduzi, distrito da Gorongosa, na província de Sofala, no âmbito do processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR).

A música e o vídeo da campanha tiveram a coordenação e direção artística de Stewart Sukuma, na qualidade de embaixador do movimento. A canção conta com a participação dos autores: Massukos (Niassa), Dama Ija (Nampula), Júlia Mwitu (Cabo Delgado), Radjha Ally (Nampula), Euridse Jeque (Zambézia), Yolanda Kakana (Maputo), Wazimbo (Maputo), Twenty Fingers (Sofala) e Stewart Sukuma (Maputo).

Os participantes do projecto vão animar a sessão de lançamento oficial do videoclipe.

Segundo uma nota de imprensa, tendo em conta a diversidade nacional, de ritmos, de instrumentos, de culturas, a música bem como o vídeo-clipe procuraram uma abordagem representativa. “Sabíamos que não seria possível termos todas as línguas, todas as províncias ou mesmo todos os artistas que gostaríamos. Ainda assim, criámos uma música riquíssima, destacando instrumentos moçambicanos, vozes nacionais com grande reconhecimento nas suas províncias de origem, ritmos tradicionais e uma forte mensagem de paz, de tolerância, de irmandade”, diz Stewart Sukuma.

A música da presente campanha tem por base as línguas locais, ligadas entre si através de um refrão em língua portuguesa.

O vídeo-clipe foi gravado em vários pontos do país, num conjunto de locais com forte impacto visual e potencial de divulgação de Moçambique no estrangeiro, transmitindo uma imagem de beleza e paz, nomeadamente: Reserva Especial de Maputo e Distrito de Marracuene (Maputo), Lago Niassa (Niassa), Ilha de Moçambique (Nampula), Baia de Pemba (Cabo Delgado), entre outros pontos urbanos de interesse.

A campanha “A paz é nossa cultura” tem como objectivo colocar a arte, e a música de modo particular, ao serviço da Paz, influenciando um debate mais abrangente na sociedade moçambicana.

Por: Ricardo Mutita

(Viva a independência de Moçambique!)

Quando tudo parecia escuro

E sem saída,

A nossa vida presa na verba de quem dita sentenças

Os nossos irmãos estatelados e vaiados tipo lixo,

Questionei-me:

Mas até quando com isto?

 

Até quando?

Até quando trocar as nossas palhotas por matas

A nossa caracata pela farinha de lama

A nossa matapa por folhas estranhas

Que desabrocham pelos campos

Que também choram

Choram torrados por lenhas e brasas

Embaladas em armas sangrentas.

 

 

Ó papá Samora!

Que nos destes a missão de preservar a esta nação

Hoje atentada pelos nossos próprios irmãos

Irmãos revestidos a canibais

Fazendo-nos de fonte de pão

 

Irmãos sem rostos

Sem origem nem identidade

Irmãos que se alimentam de monstruosidades

Mas que nunca nos roubarão a razão de sermos uma nação

De paz e prosperidade.

 

Ó papá Samora!

 

 

Mas também criança que é flor não chora

Levanta a cabeça e controla a hora

A hora de lutar por todas outras

Outras sem voz

Mas que pertencem a esta horta,

E que só se rendem com vitórias e glórias.

 

Moçambique!

 

Moçambique que é de Samora não chora

Levanta a caneta e reverte a história

Distorcida por inimigos para plantar discórdia

Que em Junho se viu na derrota

Erguendo-se, a 25, o símbolo da nossa independência.

 

Moçambicanizei-me na Paz!

 

Viva 25 de Junho – Dia da Independência de Moçambique!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ivan Mazuze foi, recentemente, indicado membro do Comité Conselheiro para a Directoria Cultural Norueguesa Arts Council, especificamente para administração de assuntos ligados a organizadores de eventos e festivais em todo território norueguês.

Segundo uma nota de imprensa, o saxofonista junta-se a um elenco de membros com diversas competências literárias e experiência na área das artes performativas na Noruega. “O comité é formado por especialistas em suas áreas de especialização e que fornecem informações ao conselho cultural nacional sobre questões profissionais e melhoramento na própria área. A Directoria de Cultura é um órgão administrativo estadual que tem como área de actuação toda a Noruega.  O conselho tem como tarefa administrar o Fundo Norueguês para a Cultura e outros subsídios do governo que forem adicionados ao conselho. O organismo também se propõe a ser um órgão consultivo do Estado em matéria cultural”, lê-se na nota de imprensa.

Para Mazuze, citado na mesma fonte, esta é uma oportunidade de provar que as suas habilidades vão para além de saber tocar. “Estou muito orgulhoso por estar inserido no Arts Council e quero agradecer ao Governo da Noruega por me confiar grandes missões. Darei o melhor de mim de modo a contribuir para o crescimento das artes na Noruega, mas também me orgulha o facto de que vou representar Moçambique neste órgão e faço isso pela bandeira do meu país”.

O objectivo da Directoria Cultural Norueguesa é estimular diversas expressões artísticas e culturais contemporâneas e contribuir para que a arte e a cultura sejam criadas, preservadas, documentadas e disponibilizadas ao maior número de pessoas possível.

Ivan Mazuze é saxofonista, compositor, musicólogo e administrador cultural.
Lançou vários álbuns a solo, aclamados pela crítica internacional. Paralelamente ao seu trabalho musical, Mazuze é produtor e consultor cultural para Interkultur no Município de Drammen, sendo responsável pelo programa cultural e pelo desenvolvimento conceptual. Mazuze também foi consultor artístico do Dia Internacional do Jazz e do programa de talentos para Førdefestivalen na Noruega, bem como membro do júri do JazzIntro, como representante do comitê orgânico artístico do Jazzforum Norueguês. Actualmente, Mazuze também está a escrever um trabalho comissionado para a Oslo Global Music. Mazuze vive na Noruega desde 2009.

 

A artista plástica Dora Chipande inaugurou, sexta-feira, na Galeria do Porto de Maputo, uma individual de pintura que procura exaltar a arte maconde. Uma das telas da mostra Dinembo será leiloada a favor dos deslocados em Cabo Delgado.

 A individual de pintura de Dora Chipande é intitulada Dinembo. Do maconde, o termo quer dizer tatuagens em português. Na exposição inaugurada sexta-feira, a artista procura recuperar uma das essências da cultura maconde, que, na sua percepção, tem-se perdido: as tatuagens.

“Esta é uma exposição sobre a cultura maconde. Eu escolhi as tatuagens como tema porque esse é o símbolo mais elevado da cultura maconde”, começou por dizer Dora Chipande, admitindo que, dessa forma, pretende contribuir para a promoção tradicional através das telas.

Na sua percepção, o recurso às tatuagens maconde têm-se perdido por vários factores e circunstâncias sociais. Por isso mesmo, a artista plástica decidiu transmitir nas suas obras de pintura a prática cultural maconde, tendo como pano de fundo as vivências daquela etnia do Norte de Cabo Delgado.

Na sua individual de pintura, Dora Chipande expõe emoções, sentimentos, hábitos, costumes e imaginários. O efeito estético sempre constituiu uma preocupação, mas não foi a única coisa que a interessou. Além de se dedicar ao belo ou ao que isso pode significar, a artista propôs-se leiloar uma das suas telas e o valor será revertido a favor de causas sociais: uma no Norte e outra no Sul do país. “O que será arrecadado neste leilão vai servir para apoiarmos aos deslocados dos conflitos em Cabo Delgado e também para uma escola que estamos a ajudar a ampliar a administração e a construção de uma biblioteca em Boane”, [Província de Maputo].

Presente na cerimónia da inauguração, Hortência Chipande, mãe de Dora Chipande, confessou: “Estou contente e orgulhosa pela obra que a Dora está a fazer, porque é uma obra que a vai permitir ajudar aos necessitados”.

Dinembo, de Dora Chipane, está patente na Galeria do Porto de Maputo.

 

O livro infanto-juvenil de Carlos dos Santos, Os pintores de sonhos, foi laureado, esta sexta-feira, Dia da Criança Africana, durante a realização da sexta edição do Festival do Livro Infanto-juvenil da Kulemba (FLIK), na Casa do Artista, Cidade da Beira.

 Uma floresta de tocos mantinha viva a memória de um tempo distante em que a música da folhagem das árvores a dançar ao vento embalava os entardeceres mornos daquela aldeia, situada no sopé de Xinhamapere. Era um tempo de que o Zua e a Mwedzi só tinham ouvido contar.

O excerto acima é extraído do primeiro parágrafo de Os pintores de sonhos, 18º livro de Carlos dos Santos. No conto infanto-juvenil, o autor explora, em primeiro lugar, um enredo cheio de surpresas e mistérios sobre os efeitos nefastos, para a vida, dos desmandos humanos em relação ao ambiente. Em segundo lugar, a obra literária lembra que a responsabilidade pelas calamidades naturais, e a solução, não exclui nenhum ser humano, “independentemente” da sua idade. “Todos” podem fazer alguma coisa positiva pelo planeta. Aliás, mesmo a condizer com o lema da sexta edição do Festival do Livro Infanto-juvenil da Kulemba (FLIK), Ler para reduzir riscos de desastres, o livro de Carlos dos Santos destacou-se, na primeira edição do Prémio Nacional de Literatura Infanto-juvenil, também por chamar atenção sobre a importância da preservação da natureza.

Na cerimónia realizada na Casa do Artista, na Cidade da Beira, o presidente do júri, Alberto da Barca, referiu-se ao efeito didáctico do conto de Carlos dos Santos, o que se revela numa linguagem que estimula a sugerida pertinência pela preservação ambiental. “A história é cativante, desperta a curiosidade, [o escritor] lidou bem com o mistério, a imprevisibilidade, e o ritmo cria suspense em cada página. O livro está escrito de forma clara, e é interessante a ideia do sublinhar de algumas palavras e haver um dicionário no fim do livro. As ilustrações, singelas, apoiam bem o texto”, lê-se na acta do júri.

Ainda na Casa do Artista, em representação dos outros membros do júri (Angelina Neves e Marcelo Panguana), Alberto da Barca explicou que, antes dos trabalhos iniciarem, todos decidiram observar questões como relevância e actualidade da mensagem; a arte de construção das frases com recurso a termos que mais se ajustam ao contexto e aos diferentes momentos da história; termos que enriquecem o vocabulário e fazem viajar na aventura ou viver a situação como se o leitor lá estivesse; palavras que ornamentam o enredo e outras que levam a reflexão e a relação entre a ilustração e o texto. Tendo feito isso, depois de seguir a avaliação das obras por fases, portanto, o júri decidiu laurear Os pintores de sonhos.

Reagindo à distinção, na manhã deste sábado, na Cidade de Maputo, Carlos dos Santos não escondeu o seu contentamento: “Estou satisfeito porque o trabalho da minha lavra foi apreciado, sobretudo pelas pessoas que constituíram aquele júri, que são pessoas que possuem elevados méritos nas artes, em particular nas artes da escrita. Saber que aquelas três pessoas acharam que aquele livro reúne uma série de critérios de qualidade, naturalmente que me apraz”. Entretanto, para Carlos dos Santos, o grande prémio será conseguir levar mais pessoas a ler a sua história e, em função disso, se gostarem, interessarem-se por outras histórias e ficarem “viciadas” na leitura. Esse, para o autor, será um prémio real.

Com 72 páginas, Os pintores de sonhos foi ilustrado por Rajau de Carvalho e lançado pela Alcance Editores, em 2021. Pela distinção, Carlos dos Santos vai receber o valor monetário na ordem de 100 mil meticais, dos quais 20% serão repartidos com o ilustrador, conforme prevê o regulamento do concurso.

 

No dia 22 de Junho, pelas 18h00, o artista plástico Pekiwa vai inaugurar uma mostra individual no Camões – Centro Cultural Português em Maputo.

Na exposição “Filhas do mar”, Pekiwa desenvolve as suas concepções escultóricas recorrendo a materiais em madeira que adquire na Ilha de Moçambique, mas também ferro que procura nas sucatas urbanas na província de Maputo.

Desde figuras animais e humanas e composições geométricas, Pekiwa esculpe no suporte de madeira e incorpora-lhe o ferro de forma a apresentar as suas inquietações do quotidiano e da sociedade onde se insere.

“Filhas do Mar”, em particular, mostra a erosão natural inerente a materiais que convivem com o mar, mas também preocupações que o artista tem sentido ao longo do seu percurso e que propõe consciencializar, mediante alguma provocação, sobre a preservação e necessária diversidade.

Segundo avança a nota de imprensa do Camões, o desenvolvimento da obra de Pekiwa busca uma reflexão sobre temas actuais e uma forte ligação à natureza marítima, inerente ao seu pensamento, ao contexto da sua obra e à busca de matéria-prima maioritariamente numa Ilha, naturalmente relacionada intimamente com o mar, e tudo aquilo que ele proporciona.

Em diferentes linhagens, Pekiwa concede também frequentemente uma nova função a objectos de arquitectura abandonados, como portas, portadas e janelas, que através de um novo olhar passam a ser objectos de fruição e permitem momentos de reflexão.

A exposição “Filhas do Mar” conta com o apoio do Millennium Bim e estará patente no Camões – Centro Cultural Português em Maputo até ao dia 31 de Agosto, de segunda a sábado, entre as 10h00 e as 17h00.

Nelson Ferreira, de nome artístico Pekiwa, é natural de Maputo (1977). Pekiwa esculpe desde a infância, tendo no início trabalhado com o escultor Govane, seu pai. Desde 1991, participa em diversas exposições colectivas e workshops nacionais e internacionais e, desde 2002, apresenta exposições individuais. A sua obra está representada em colecções públicas e privadas em Moçambique, Portugal, África do Sul, Botswana, Noruega, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Senegal, Espanha, Países Baixos, E.U.A., Inglaterra, Japão, Itália e Austrália.

Nick Rosário é o grande vencedor do Prémio Literário 21 de Agosto – 2022, que contempla a edição da obra vencedora, bem como a atribuição do valor monetário de 100 mil meticais.

Segundo uma nota de imprensa, o júri composto por Josina Viegas (Presidente), Álvaro Taruma e Dionísio Bahule deliberou atribuir o Prémio Literário 21 de Agosto – 2022 a obra “As mãos do medo”, da autoria de Nick do Rosário e menção honrosa a obra “Grito de África”, da autoria de Valério Victor Amad Salimo e “A casa, a cidade em mim”, da autoria de Lino Mucuruza.

Ainda de acordo com a nota de imprensa, a atribuição do Prémio deve-se, segundo o júri, a consciência estética, rigor lexical, imagens caras e originais, um precioso exercício amadurecido da criatividade e uma mão agarrada ao conhecimento do ofício, numa constante interrogativa sobre o circunstancial, através de uma releitura histórica e tensa da Nação.

Concorreram para o Prémio 21 de Agosto – 2022 15 candidatos, de entre os quais 11 do sexo masculino e quatro do sexo feminino.

O Prémio Literário 21 de Agosto foi criado em 2014, num memorando entre o Conselho Autárquico de Quelimane (CAQ) e a Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), no intuito de promover a literatura e o livro.

O Prémio é destinado a cidadãos nascidos ou residentes na cidade de Quelimane, tem periodicidade anual, os géneros elegíveis são a Poesia e a Prosa (romance, novela, conto), em anos alternados, para esta edição o género contemplado foi a Poesia.

Nick do Rosário é Licenciado em Literatura Moçambicana pela Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane. Publicou o livro “Gaveta de cinzas: solilóquios” (poesia-2021), pela Gala-Gala Edições, e “Poemas à sombra da infância”, pela Escola Portuguesa de Moçambique.

Por Eunice Moreira

 

Entregamos-lhe a faca e permitimos que ele me esfaqueasse pouco a pouco.

Demos-lhe a corda e ele usou para fazer um baloiço com o meu pescoço amarado ao telhado e o meu corpo balanceado para frente e para trás.

Eu disse que bastava e vocês não me escutaram, eu disse que não queria e vocês me obrigaram.

Hoje mataram-me! Por favor, não chorem, não é tempo para isso, não queriam que eu vos procurasse e tão-pouco vos contasse o quanto eu estava infeliz. Tentaram tapar o sol com a peneira com medo do sol entrar, mas… Hoje o sol está tão forte que chega a queimar.

Disseram-me para aguentar e que ele mudaria. Ouvi as vossas palavras e hoje vem a nostalgia, entregamos ouro ao bandido, entreguei a minha vida ao meu marido.

Pouco a pouco, fui lhe dando meu sangue, em cada mal trato que eu aguentei, pouco a pouco fui-lhe dando uma parte do meu corpo que sem piedade ele desmembrava com as suas atitudes.

Entreguei-lhe a faca e aceitei que ele me esfaqueasse brutalmente cada vez que eu acreditava nele e dizia para mim mesmo: “ele é assim, um dia vai mudar”. Esse dia não chegou, ele não mudou. E agora, o que dirão vós? O que irão escrever naquela mensagem de condolências falsa que o tio irá ler enquanto pessoas em volta assistem o coveiro a fazer descer o corpo congelado de uma jovem mulher? Respondam-me!

Por favor, não chorem, peguem na pá e coloquem mais areia ainda, de modo que preencha o grande vazio que havia em minha alma. Não chorem, continuem revolvendo a terra e dizendo: “casamento é assim, tens que aguentar”. Cavem mais fundo ainda, para que não soe a voz que tentava vos alertar: “me tirem desse lar, esse homem vai-me matar”.

Mataram-me, mas não estou morrendo sozinha, estou levando comigo a minha alegria, os meus sonhos, os planos que eu tinha para o futuro, o meu desejo de ter uma família.

Mataram-me! Mataram-me de novo… E de novo… Todas as vezes que permitiram que esta história não fosse só a minha. Mataram-me, quando olharam para aquela menina a sair do lar e riram-se dela achando que não aguentou por mesquinharias.

Ó, sociedade cruel, quantas vezes mais terão de me matar? Por isso, por favor, matem-me quantas vezes for preciso! Tapem bem essa cova, não permitam que eu saia novamente, matem-me de uma vez por todas para que nenhuma outra mulher morra por esta mesma história.

 

A Associação Kulungwana realiza a primeira edição do Concurso Tio Caderno 2023, dedicado, este ano, à literatura. A chamada está aberta até 7 de Julho e é dirigida a jovens mulheres moçambicanas com paixão pela escrita, até aos 35 anos.

O concurso promovido pela Associação Kulungwana acontece em resposta ao convite do espírito de iniciativa dum cidadão benemérito – que se pretende manter anónimo – e que dedicou a sua vida a apoiar os estudos de crianças e jovens moçambicanas. Estas acções fizeram com que, por onde quer que ele passasse – nas localidades, vilas e distritos onde distribuiu materiais didáticos – se tornasse conhecido de todos como Tio Caderno.

O concurso tem periodicidade anual e está aberto a todas as modalidades no domínio das artes e cultura. O mesmo tem como objectivo central incentivar e reforçar o apoio a jovens artistas e criativas moçambicanas, ainda em início de carreira ou com uma carreira individual curta e ainda não consagrada, com um limite de idade de 35 anos.

Paralelamente, o Concurso de Literatura Tio Caderno 2023 pretende também promover a criatividade no âmbito da literatura, sensibilizar o público para as narrativas e imaginário das mulheres autoras e para as temáticas por elas retratadas, estimulando na comunidade o gosto pela leitura.

Os formulários Google Forms para candidatura estarão disponíveis até dia 7 de Julho (inclusive) através de link nas redes Kulungwana.

Os originais devem ser identificados com título e um pseudónimo do autor e entregues em português no formato digital PDF. O texto deve ter entre 5 e 10 páginas A4, Times New Roman, 12, a espaço e meio.

Três jovens autoras serão seleccionadas e distinguidas por um júri de três elementos, de reconhecida ideoneidade e competência técnica, escolhidos pela Associação Kulungwana.

O Concurso Tio Caderno 2023 atribui três prémios, no valor global de 150 mil meticais, sendo que o primeiro classificado ganha 70 mil meticais; o segundo ganha 50 mil e o terceiro 30 mil.

“Com este Prémio, é reforçado o apoio à nova criação e à promoção da jovem mulher criadora artística em diferentes áreas no domínio das Artes e Cultura, sendo em cada ano escolhida uma modalidade diferente, tendo por essa razão um regulamento redigido para cada edição”, lê-se no regulamento. Para a presente edição foi escolhida a literatura, nos géneros do conto e crónica, assente no imaginário local, temática livre, obedecendo aos critérios do presente concurso.

Os trabalhos apresentados deverão ser inéditos. Qualquer plágio será da responsabilidade da participante e motivo de exclusão do concurso.

Os originais devem ser assinados com um pseudónimo do autor e identificados com o título e o pseudónimo.

Os originais deverão ser apresentados no acto de preenchimento do formulário disponível no website e no Facebook do Kulungwana.

O anúncio das vencedoras e a entrega dos prémios irão realizar-se em cerimónia pública, a decorrer em Outubro, em local e data a divulgar nas redes Kulungwana, sendo as concorrentes notificadas em devido tempo.

 

 

 

 

 

 

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