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O País – A verdade como notícia

Às 13 horas do próximo sábado, será apresentada, na Galeria do Porto de Maputo, a peça teatral infantil “A formiga Juju e a Borboleta Mwarusi”.

Segundo uma nota de imprensa, a peça retrata a história de uma formiga e dos seus amigos de infância, um grilo e uma borboleta, com os quais passa horas a conversar sobre sonhos. O que a Borboleta Mwarusi mais quer é saber voar. Para isso, deve se focar em aprender, apesar das distrações.

O evento é parte das propostas semanais para os mais novos – pensadas numa parceria entre a Xiluva Artes e a Galeria. “A participação das crianças neste tipo de actividades lúdicas é fundamental para o desenvolvimento pessoal, social e cultural, colaborando para uma saúde mental estável”, lê-se na nota de imprensa.

 

Mama´s eleeping scarf é o título da escritora nigeriana, Chimamanda Ngozi Adichie, que será editado em português, changana, sena, macua e braile, pela Trinta Zero Nove. O infanto-juvenil chega às livrarias moçambicanas em Setembro.

 A editora Trinta Zero Nove possui, no seu catálogo, títulos relativos a diferentes géneros literários. Entre os quais, feeling e feio, de Danai Mupotsa (poesia, África do Sul); O céu é um disco azul, de Carolina Schutti (romance, Áustria); Eu não tenho medo, de Niccolò Ammaniti (romance, Itália); Beirute Noir, de Iman Humaydan (conto, Líbano); Bagdade Noir, de Samuel Shimon (conto, Iraque); O menino e a velhinha das flores, de Samira Weng e Silvia Toson (infanto-juvenil, Moçambique); e Fazia-se cá esqui?, de Raymond Antrobus e Polly Dunbar (infanto-juvenil, Reino Unido).

Na verdade, depois de lançar O caderno sem rimas da Maria, de Lázaro Ramos (Brasil); e Sulwe, de Lupita Nyong’o (Estados Unidos), desta vez, a editora propôs-se editar o infanto-juvenil Mama´s eleeping scarf, da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. Em Moçambique, o livro terá uma edição em português, changana, sena, macua e braile, pois o interesse da editora é que, num projecto inclusivo, mais pessoas possam ter a possibilidade de ler histórias sem que o factor língua seja um constrangimento.

De igual modo, com a tradução de Mama´s eleeping scarf para changana, sena e macua, a Trinta Zero Nove pretende contribuir para, pelo menos, minimizar a escassez de literatura escrita naquelas três línguas bantu faladas em Moçambique.

“A grande novidade é que nós estaremos a publicar, nos PALOP, a estreia literária de Chimamanda Ngozi Adichie no infanto-juvenil. Mama´s eleeping scarf sairá pela Trinta Zero Nove e, simultaneamente, será disponibilizado nos Estados Unidos e no Reino Unido”, disse Sandra Tamele, que, neste momento, se encontra a trabalhar na tradução do texto original do inglês para português.

Considerando o alcance linguístico que se perspectiva com a tradução de Mama´s eleeping scarf, a Trinta Zero Nove espera que a obra literária da escritora nigeriana tenha adesão em Moçambique, até porque, segundo afirmou Sandra Tamele, de nada vale editar bons livros se ninguém os ler.

A aquisição dos direitos autorais para edição de Mama´s eleeping scarf, de Chimamanda Ngozi Adichie, foi anunciada pela Trinta Zero Nove, semana passada, em Maputo, num ano em que a instituição foi laureada Editora do Ano em África, para área do infanto-juvenil, durante a Feira Internacional de Bologna, Itália, em Março. “Num universo de cinco mil editoras em que estiveram presentes na Feira do Livro de Bologna, o maior voto, para África, foi para Trinta Zero Nove. É um orgulho, como moçambicana e como editora dos PALOP. Somos um projecto com cinco anos e que há ano e meio trabalha com o infanto-juvenil. É uma honra e uma grande responsabilidade, ao mesmo tempo”, reconheceu a tradutora Sandra Tamele.

A edição portuguesa, changana, sena, macua e braile de Mama´s eleeping scarf, de Chimamanda Ngozi Adichie, pela chancela da Trinta Zero Nove, chega às livrarias em Setembro deste ano.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Texto: FLM

Ana Paula Tavares (Angola), João Rasteiro (Portugal), Cristiane Sobral (Brasil) e Filimone Meigos, Dama do Bling, Hirondina Joshua, Francisco Noa, Lourenço do Rosário e Priscila Sithole (Moçambique) são alguns nomes confirmados para a presente edição da Feira do Livro de Maputo.

 

A programação de mesas e debates em torno do tema central da 9ª edição da Feira do Livro de Maputo, “Surge et ambula: a literatura na construção da cidadania”, traz importantes escritores e intelectuais dos países falantes da língua portuguesa. Durante os três dias de Feira – 27 a 29 de Julho –, mais de 30 convidados compartilharão suas experiências, obras e pesquisas nos debates que terão lugar no Paços do Município e serão transmitidos pelos canais digitais da Feira do Livro de Maputo com acesso gratuito.

 

Francisco Noa, ensaísta, pesquisador e professor de literatura moçambicana, um dos críticos literários de maior destaque no país, conversa com o embaixador Ademar Seabra da Cruz Júnior, da República Federativa do Brasil em Moçambique, o embaixador da Republica de Portugal em Moçambique, António Costa Moura, o escritor homenageado Mia Couto e o professor, pesquisador e crítico literário Lourenço do Rosário, na mesa de abertura do evento subordinada ao tema “Diplomacia cultural em questão: Desafios e perspectivas de uma integração comunitária por meio da cultura ”, na quinta-feira (27/07), às 17 horas. No mesmo dia (27/07), às 19 horas, o destaque para a mesa “Literatura escrita em língua(s) portuguesa(s): Entre a palavra e o mistério”, com a participação da poeta e pesquisadora angolana Ana Paula Tavares, que estará em boas mãos dos poetas João Fernando André (Angola) e João Rasteiro de Portugal, sob a condução da professora e pesquisadora brasileira Simone Schmidt.

Um dos encontros confirmados para a sexta-feira (28/07), às 10 horas, vai abordar o assunto “Globalização e multiculturalidade: a língua e a literatura como instrumentos de cooperação”, com os convidados Filimone Meigos e Lupwishi Mbuyamba, sob a mediação de Sarita Monjane Henriksen. Ainda na sexta, às 11 horas, a mesa “Literatura e Direitos Humanos: que caminhos para democratizar o livro e a leitura?” traz ao Paços do Município, como convidados do debate juristas que se dedicam a escrita literária, nomeadamente, Carlos Mondlane, Custódio Duma e Dama do Bling.

Pelas 13 horas, do mesmo dia (28/07), o destaque é para a apresentação com o assessor especial do Gabinete da Secretaria da Educação do Estado da Bahia, “A experiência de nacionalização e internacionalização das Feiras Literárias da Bahia”, Jocivaldo dos Anjos. E, às 14 horas, os destacados escritores da nova geração das letras moçambicanas premiados recentemente em Portugal e coordenadores do “Objecto oblíquo”, o poeta David Bene e o prosador Mélio Tinga participam de uma conversa no Centro Cultural Moçambicano-Alemão, sobre o futuro do projecto cuja moderação estará sob o comando do poeta e ensaísta português António Cabrita.

Já no Paços do Município, à mesma hora (14), o jornalista José dos Remédios dirige a mesa cujo o mote do debate é uma frase de Mia Couto, “A minha pátria é outra e ela está ainda por nascer”, na companhia dos poetas moçambicanos Armando Artur, Hirondina Joshua e da escritora brasileira Cristiane Sobral. Ainda na sexta-feira, pelas 15h50, a Ethale Publishing orienta uma oficina no Átrio do Município intitulada “ Digitalização e Indústria do Livro em Moçambique”.

De seguida, os escritores Felisberto Botão e Valério Maunde sob os auspícios da Ethale Publishing protagonizam uma sessão de conversa sobre os seus livros “Ser espiritual: o poder do seu eu invisível” e “Ausências, intermitências e outras incompletudes”.

Teresa Manjate e Gustavo Cerqueira, pesquisadores e professores de literaturas moçambicana e brasileira, respectivamente, apresentam o livro por eles coordenados “Estórias para além do tempo: Paulina”, às 15 horas. E o Presidente do Conselho Municipal, Eneas Comiche, fecha a programação do dia, com Homenagem ao poeta e nacionalista Rui de Noronha (a título póstumo), às 17 horas.

O último dia da Feira do Livro, sábado (29/07), a programação de debates tem abertura às 09 horas e 30 minutos, com a mesa virtual “Minha pátria é minha língua”. E, às 9 horas e 45 minutos, a escritora Priscila Sitole apresenta o seu livro de estreia “Amor? Às vezes sim. Outras vezes não”.

As 11 horas, o Presidente do Conselho Municipal de Maputo, Eneas Comiche e a Ministra da Educação e Desenvolvimento Humano, Carmelita Namashulua, dirigem a Cerimónia de entrega de prémios aos vencedores do Concurso Literário de Prosa e Poesia. De seguida os escritores brasileiros Rómulo Neves e Cristiane Sobral apresentam seus livros, nomeadamente, “Terminal e Ponto Cego” (poesia) e “Caixa Preta” (conto) e ás 16 horas, o Presidente do Conselho Municipal de Maputo, Eneas Comiche, fecha o certame, com a Homenagem ao escritor moçambicano Mia Couto.

 

 

Boleia à chave da felicidade, da autoria de Roberto Savanguanni, é o título do mais recente livro da Editorial Fundza, que será lançado às 17 horas desta sexta-feira, na Biblioteca Central da Universidade Pedagógica de Maputo (Museu).

Com aproximadamente duzentas páginas, o livro de Roberto Savanguanni é constituído por sete capítulos, designadamente: Apresentação; O despertar da iluminação do sonho; A esperança alimenta o sonho; A persistência cria ideias; Relatórios especiais; Resumo relatórios 16: os três diamantes; e Resumo do relatório: conclusivo.

Conforme sugerem os capítulos, trata-se de um livro que, não obstante o seu carácter literário, pretende ser um exercício motivacional, capaz de apoiar o leitor rumo a uma postura positiva em relação aos eventos diários e à vida em sociedade. Por isso mesmo, na Boleia à chave da felicidade, o amor é um belo complexo que se constrói no solo insubstituível do próximo.

No livro de Roberto Savanguani, é com o amor que a vida se torna útil para nós e para o outro, pois nos protege da erosão do coração e da mente. Tal fundamento proporciona condições mais do que suficientes para a edificação do bem-comum ao nível individual e social.

Roberto Savanguanni, pseudónimo de Roberto Armando Savanguane, nasceu a 06 de Dezembro, em Maputo. É escritor, poeta, empreendedor e estilista moçambicano. Estudou Gestão de Transportes. Foi actor de teatro e gestor.

São ao todo mais de 500 alunos que deixam de estudar ao ar livre e sentados no chão com a entrega, terça-feira, da Escola Primária de Senga, distrito de Palma, província de Cabo Delgado, requalificada pelo projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies.

Aos cânticos e aplausos, as crianças da aldeia de Senga, distrito de Palma, província de Cabo Delgado, olhavam o movimento anormal de pessoas e para a sua escola que estava com a entrada isolada de fitas e com uma flor.

Não faziam ideia do que podia estar a acontecer. Mas era um prenúncio de que estava na hora de abandonar as árvores, tendas improvisadas e salas de construção precária para salas de alvenaria e mais modernas.

As memórias que os alunos têm das aulas no passado não são das melhores, sobretudo em dias de chuva. “Quando chovesse, nós não tínhamos aulas porque nem nós nem os professores nos fazíamos presentes na escola. Ainda que as condições não fossem das melhores, tentávamos estudar”, contou Elsa Jaime, aluna da Escola Primária Completa de Senga.

E nos dias de sol, as crianças eram nómadas em função da posição da sombra das árvores, aliás, das suas salas. Sem carteiras, os alunos escreviam as linhas do seu futuro sentados no chão.

“Estudar daquela maneira era um grande sofrimento para nós. Mas, agora que temos uma nova escola, estamos mais motivados e pedimos aos professores que estejam firmes porque as coisas melhoraram”, revelou Ernesto Duve, também aluno da Escola Primária de Senga.

Se a educação era um sofrimento para os alunos, para os que se dedicam a ensinar era incontáveis vezes pior. “Era muito difícil porque, no tempo chuvoso, obrigávamos os alunos a abandonar para ir à casa porque não é possível dar aulas numa mangueira. Com a nova escola, vai mudar muita coisa. Faça chuva, faça sol, estaremos sempre a trabalhar”, disse Morez Abai, professor da Escola Primária de Senga, num tom entusiasmado.

E o corte de fita, que parece simples, é que abre a porta para a mudança na Escola Primária Completa de Senga, distrito de Palma, em Cabo Delgado.

A infra-estrutura escolar entregue, esta terça-feira, pelo governador da província de Cabo Delgado, foi requalificada com o financiamento do projecto Mozambique LNG, liderado pela multinacional TotalEnergies.

São quatro salas com carteiras e a parte administrativa devidamente equipada. A escola tem corrente eléctrica com base na energia solar. O investimento é de cerca de 500 mil dólares.

“Tudo o que vamos fazer, queremos fazer juntos. Cada passo que damos, cada obra que fazemos, eu acho que é justo e é necessário que sejam as pessoas de Cabo Delgado, de Palma, de Senga que se beneficiem e tenham trabalho, também”, indicou o director-geral da TotalEnergies, Maxime Rabilloud.

Com o regresso da população às zonas de origem, depois de deslocadas pelos ataques terroristas, o governador da província de Cabo Delgado destacou a importância da infra-estrutura escolar.

“As obras que aqui foram erguidas vão aliviar a fadiga de muitas das nossas crianças que o distrito de Palma tem, num total de 18 892 alunos, onde destes 8692 são raparigas”, sublinhou Valige Tauabo, governador da província de Cabo Delgado.

Os habitantes da aldeia da Maganja, ainda no distrito de Palma, já andam com os pés bem assentes sobre um passadiço, mas nem sempre foi assim. “Para fazer a travessia, tinha que ser de barco ou tirar a roupa para poder mergulhar”, descreveu Faizal Momade, residente da Maganja, Cabo Delgado.

E nem é passar por lazer. A população da Maganja tem na pesca a sua fonte de sustento e este é o único caminho que as leva ao mar.

“Estamos felizes com o passadiço e vamos fazer a travessia sem medo de sermos atacados por crocodilos. Nos dias de chuva, atravessávamos mesmo com a água perto do pescoço”, afirmou Zenabu Momade, também residente de Maganja.

Também inaugurado esta terça-feira, a construção do passadiço foi financiado pelo projecto LNG, no valor de 300 mil dólares.

Com uma extensão de mais de 100 metros, a vida útil da infra-estrutura é de mais de 15 anos. E em dias de muito calor, a descida para um banho refrescante também está facilitada.

Luís Nhachote lançou, esta terça-feira, no Sindicato Nacional de Jornalistas, na Cidade de Maputo, Phambeni – cartas ao presidente Chissano. O livro de crónicas tem o prefácio assinado pelo antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, e foi apresentado por Ungulani ba ka Khosa.

No espaço reservado à nota do autor do seu livro, Luís Nhachote afirma o seguinte: “Decidi, vinte anos depois, ir aos arquivos do mediaFax buscar as 40 crónicas que escrevi ao então Presidente da República, Joaquim Chissano, e que dão corpo a este pequeno livro, com a intenção de preservar a ‘memória histórica’ da nossa democracia embrionária. Fi-lo com a intenção de não deixar, no esgoto da memória, que a cidadania activa pode – e deve continuar – a ser exercida dentro dos limites da decência e urbanidade”.

Durante 40 semanas, Luís Nhachote escreveu 40 crónicas ao Presidente da República, Joaquim Chissano. Ao publicá-las em livro, esta terça-feira, na Cidade de Maputo, uma vez mais, o jornalista percebeu que o seu exercício foi um acto de cidadania, dito e argumentado pelo apresentador do livro Ungulani ba ka Khosa: “Foi uma alegria, para mim, apresentar o livro de Nhachote, porque representa, quer para a classe jornalística, quer para a classe dos escritores e toda a classe intelectual, um exercício de cidadania que, há 20 ou 30 anos, já se vinha exercendo”.

Segundo Ungulani ba ka Khosa, numa altura em que se verificam pressões de alguns poderes sobre os cidadãos, o livro de Luís Nhachote demonstra, de uma vez por todas, que o exercício da cidadania tem de estar presente em todos os moçambicanos.

Concordando com o apresentador do seu livro, Luís Nhachote, primeiro, confessou que Ungulani ba ka Khosa fez uma análise do seu projecto muito além do que antes tinha imaginado. De seguida, assumiu que, de facto, Phambeni – cartas ao presidente Chissano, “É um dos principais exercícios de cidadania que eu tive como moçambicano jovem que até teve o privilégio de votar em todas as eleições realizadas em Moçambique”.

Apesar desse necessário exercício de cidadania, Luís Nhachote lembrou, no Sindicato Nacional de Jornalistas, que as suas crónicas foram vistas, pelos mais velhos do seu tempo, colegas alguns, como um acto de ousadia. Firme nos seus processos, com efeito, o então jovem jornalista continuou a trilhar veredas consciente de que, o que quer que escrevesse, a cordialidade deveria sempre manter-se como um factor presente nas crónicas. “Eu escrevi as minhas cartas com muito respeito à figura do então Estadista e não tive nenhum problema até ao fim do seu consulado, tanto que, no fim das cartas, eu me despedi e desejei-lhe boa sorte”.

20 anos depois, entretanto, quem se considera sortudo é o autor do livro, Luís Nhachote, porque, afinal, mereceu o prefácio de Joaquim Chissano. “Nem consigo descrever. Ter o prefácio do próprio visado das minhas cartas é uma bênção. Penso que o Presidente insuflou nos moçambicanos que é possível fazer coisas com base no respeito e nos princípios”.

Phambeni – cartas ao presidente Chissano é um livro constituído por 101 páginas e foi lançado em cerimónia no Sindicato Nacional de Jornalistas, na Cidade de Maputo, sob a chancela da Gala Edições.

O escritor Sérgio Raimundo lançou, esta segunda-feira, na Cidade de Maputo, o seu mais recente livro de crónicas. Intitulado As ancas do camarada chefe, o título pretende ser um testemunho da realidade moçambicana.

 

Primeiro, as pessoas. Muito provavelmente, o Camões – Centro Cultural Português não faz ideia de quando é que teve de interromper a entrada de potenciais leitores à sua biblioteca, devido à lotação mais do que esgotada. Esta segunda-feira, isso aconteceu. Afinal, jovens, senhores, velhos, artistas, jornalistas, académicos, políticos ou público em geral, segundo disseram alguns, lá foram ver as famosas ancas do camarada chefe.

Como não é muito habitual em cerimónias de lançamento de livros, em Moçambique, muitos compraram o novo título do escritor que, nos últimos anos, vive entre Moçambique e Portugal. Por isso mesmo, como se viu, a fila para os autógrafos foi concorrida como bichas de pão, de outros tempos, e a partir do lado de fora da biblioteca do Camões.

Segundo, a expectativa. Que ancas, afinal? De que chefe? Em surdina, artistas e convidados expressavam sons quase ininteligíveis. Pois, ao mesmo tempo que desejam dizer, a vontade de ouvir era maior. Assim, apesar de a biblioteca do Camões ter estado cheia de gente, do lado do público, o silêncio sempre se impôs à apresentação de Álvaro Carmo Vaz, que, na sua intervenção, se referiu ao poder criativo do escritor e à originalidade das suas crónicas, isto é, testemunhos da realidade moçambicana. E realçou: “Estas crónicas são imprescindíveis testemunhos deste nosso tempo, deste nosso Moçambique. São textos que oscilam entre o dramático, o trágico e o infeliz. Sérgio Raimundo coloca no centro as pessoas. Com as mulheres, na sua luta diária, num plano primeiro que merece a nossa atenção”.

O livro de Sérgio Raimundo foi lançado há dois meses em Portugal. No entanto, mal “aterrou“ em Moçambique, polémica. Tal situação valeu ameaças de morte ao escritor, inclusive, expressas durante madrugadas. Sobre isso, Álvaro Carmo Vaz referiu que Moçambique não deve e não pode transformar-se num país do medo e protestou contra ameaças de, eventualmente, lambe-botas que criticaram o título do livro do escritor sem terem lido.

As cerca de 60 crónicas de Sérgio Raimundo, nessas Ancas do camarada chefe, são curtas, constituindo 125 páginas. Com o livro, a esperança de Álvaro Carmo Vaz é que o registo que se vai fazendo do país, através das crónicas, sirvam para que os mais jovens fiquem com ideias das vivências moçambicanas. Até porque nessas ancas do camarada chefe se sentem cheiros de verdade a par da qualidade literária do autor.

Além do tema sobre as mulheres, que sofrem pelas suas e pelas dificuldades que são de todos, com violência doméstica e conformismo, Sérgio Raimundo explora, no seu novo livro, questões como dificuldades nos chapas, no atendimento e no tratamento médico nos hospitais públicos e ainda valoriza a importância das mães, quiçá, as verdadeiras camaradas chefes.

Entre algumas crónicas do livro, encontram-se as que o autor se refere a figuras históricas moçambicanas. Por exemplo, Marcelino dos Santos, Graça Machel e Armando Guebuza.

 

Sérgio Raimundo: entre o nervosismo e a acutilância

Depois de uma longa e bem acolhida apresentação do livro, feita por Álvaro Carmo Vaz, chegou o momento de Sérgio Raimundo dizer algumas palavras de ocasião.

A primeira coisa que o escritor fez foi contar um episódio engraçado, que lhe aconteceu nesta segunda-feira enquanto se deslocava à cerimónia de lançamento. Mesmo em jeito de crónica, o autor contou que, graças às ancas, ele próprio se tornou chefe, no chapa, e, por isso, não só teve o direito de se sentar à frente da minibus, bem como o cobrador dispensou-lhe de qualquer pagamento, pois reconheceu nele, igualmente, um camarada chefe.

Assim, Sérgio Raimundo tentou disfarçar o nervosismo. Ao invés de falar propriamente do livro, diante de tantas pessoas que foram ver a cerimónia, o autor preferiu apresentar mais uma crónica que, de facto, mereceu muitos sorrisos.

Não tendo dito o que os jornalistas queriam ouvir, a parte da polémica que bem alimenta certos jornais, houve uma disputa feroz para entrevistar o escritor que, pela audiência, confessou estar a sentir-se como Cristiano Ronaldo. Os fãs de Lionel Messi ou de Dominguez parece que não gostaram da comparação. Com o microfone na mão, desviaram o escritor do futebol, que o foco era outro: a polémica, as ameaças, a morte. Então, a partir daí, não se ouviu muito do livro em si, mas de coisas como liberdade de expressão, medo e etc..

Ainda assim, Sérgio Raimundo, primeiro, confessou que, apesar de não ser o seu primeiro livro, sentia alguma responsabilidade por estar a lançar As ancas do camarada chefe. De seguida, clarificou: “Este livro, no fundo, é um diário sobre a realidade de Moçambique e sobre peripécias que se passam aqui em Moçambique”.

Já mergulhado no tema polémica, Sérgio lembrou-se do seu lado Militar. Aí, sim, foi mais acutilante nas respostas. “Eu acho que um artista deve fazer arte. A arte é aquilo que movimenta, que cria convulsão. Eu não faço artesanato. O artesanato é que não nos remete ao pensamento. Sobre as polémicas? Eu fiquei totalmente surpreendido porque se levantou sobre um livro que ainda não tinha sido lançado. Eu achei isso incrível porque o livro ainda não tinha sido lançado e já havia quem sabia do seu conteúdo. E outra coisa, eu responsabilizo-me por aquilo que escrevo e não por aquilo que as pessoas entendem que eu escrevi. Eu escrevi um livro e os outros escreveram um livro sobre aquilo que eu escrevi. E esse livro a mim não me pertence. O livro que eu escrevi é este que foi apresentado hoje, As ancas do camarada chefe.”

Já tenso, a imprensa quis saber o que o escritor sofreu, de concreto, em termos de ameaças. Sérgio Raimundo respondeu dizendo que “Deram-me uma escolha. ‘Queres que circule o teu livro ou então tu? Vocês os dois não podem circular’. Eu fiquei de rastos e tive dias difíceis porque muita gente ligada à minha família era ameaçada. Eu tenho vindo a Moçambique de seis em seis meses. Quando vim, ano passado, vi uma espécie de ignorância. Eu vi que aqui, em Moçambique, a ignorância era extrema. Mas, com isto que aconteceu comigo, eu vi que da ignorância nós saímos para estupidez. Porque o meu livro foi julgado tendo em conta o título. Só isso”.

Antes de terminar a série de respostas dadas aos jornalistas, Sérgio Raimundo, que colabora com a imprensa moçambicana e portuguesa, disse que não entende a razão das ameaças, apenas que certas pessoas se precipitaram a fazer uma analogia do título do seu livro com o que ele não sabe. “Estou feliz porque o meu título acabou por ser um motor de criatividade para as pessoas. Por cima do meu título, foram escritos vários títulos que era bom que fossem publicados também”.

Na sequência disso, os jornalistas tiveram de interromper a entrevista ao escritor porque o público, entre empurrões, disputava o primeiro lugar na fila de autógrafos, que não era bicha de pão de outros tempos.

 

 

 

A ópera “Orfeu nos Infernos” volta, cinco anos depois, a ser apresentada em Moçambique. Mas, desta vez, em celebração do décimo aniversário do projecto Xiquitsi. A emblemática obra é o principal atractivo dos concertos programados para a 2ª série da 10ª Temporada de Música Clássica – Xiquitsi 2023.

Para a ópera “Orfeu nos Infernos”, entram em cena quase todos os participantes da estreia, em 2019, em Moçambique, incluindo a recém licenciada do curso de canto na Escola Superior de Música de Lisboa, Márcia Massicame, que vai interpretar o papel da Opinião Pública. Deuscio Vembane, vai estrear-se com a interpretação de Orfeu.

A abertura da 2ª série será feita com o concerto Fado-Jazz, “ALMO”, no dia 21 de Julho, às 19h00, no Montebelo Indy Maputo Congress Hotel. O concerto é realizado em colaboração com o Camões – Centro Cultural Português em Maputo, que vai levar ao palco três talentosos músicos. Nomeadamente, o pianista e compositor Júlio Resende, que se estreia em Moçambique e que se vai unir ao talento interpretativo dos cantores Paulo Lapa (tenor) e Tiago Matos (barítono). Ambos os artistas já estiveram nas edições anteriores do Xiquitsi.

No dia 30 de Julho, às 15h, no Montebelo Indy Maputo Congress Hotel, está em cartaz a “Tarde para Pais e Filhos”, um concerto a ser dirigido pelo coordenador pedagógico do Xiquitsi e Maestro Estêvão Chissano.

Por fim, nos dias 3 e 4 de Agosto, no Teatro Scala, às 19h00, será a apresentação da tão esperada ópera “Orfeu nos Infernos”, uma sátira ao mito de Orfeu, com música de Jacques Offenbach (1819-1880), na qual surge o tema que tornou o compositor e esta ópera dignos de notoriedade internacional: o Can-Can.

Durante a Temporada 2023, de celebração dos 10 anos do Xiquitsi, uma das propostas do projecto é proporcionar melhores momentos que marcaram a década, para relembrar e mostrar a evolução do Xiquitsi ao longo deste período.

 

O vice-ministro da Economia e Finanças diz que as reivindicações dos médicos vão ser atendidas, considerando os limites do Orçamento do Estado aprovado pela Assembleia da República. Amílcar Tivane avança que o Governo não deve violar os limites orçamentais para pagar mais aos médicos.

Após participar do lançamento da avaliação das actividades do Banco Mundial em Moçambique entre 2008 e 2021, o vice-ministro da Economia e Finanças foi confrontado por jornalistas sobre a actual greve dos médicos que queriam saber se o Governo tem ou não dinheiro para responder às reivindicações desta classe de profissionais. Tivane disse que tudo deve ser feito considerando o documento aprovado pelo Parlamento moçambicano.

“Nós temos um Plano Economico e Social e Orçamento do Estado para 2023 que foi aprovado em Dezembro do ano passado pela Assembleia da República (AR). Esse orçamento fixa limite máximo da despesa pública, assim como também os limites das receitas do Estado. E é com esse orçamento que estamos a trabalhar, sendo que o esforço de implementação da política económica e social está financiado no quadro deste orçamento”, disse Amílcar Tivane, para em seguida dizer que o Orçamento responde às preocupações dos médicos e dos outros funcionários do Estado através da política salarial adoptada pelo Governo.

Quanto às horas extras dos professores em dívida, Amílcar Tivane diz que serão pagas em breve, mas alerta para casos de professores com horas extraordinárias elevadas.

“Nós temos a avaliação do passivo que deve ser pago aos professores, será pago oportunamente e não quero avançar com datas porque amanhã vocês virão para dizer que este e aquele professor não receberam as horas extras. Temos que manter alguma serenidade. Estamos a fazer o levantamento das horas extras porque algumas têm de ser validadas. Isto porque há vezes que a informação é questionável. Temos casos em que o encargo associado a horas (extras) é muito grande. Então, é necessário questionar que funcionário é esse que passa a vida mais ligado às dinâmicas associadas às horas extras que ao seu próprio salário. Portanto, é um processo de validação que é feito junto dos sectores que estão envolvidos”, explicou Tivane.

Professores de todo o país reclamam o pagamento de horas extras, desde o fim do ano passado, chegando alguns a não comparecer às salas de aulas devido a esta situação.

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