O País – A verdade como notícia

Tina Turner, cantora americana considerada a rainha do rock n’ roll, morreu aos 83 anos. A morte foi confirmada pelo assessor dela esta quarta-feira. A causa da morte não foi divulgada, mas ela morreu “após uma longa doença” na sua casa na Suíça.

A cantora de sucessos como “What’s Love Got to Do with It” e “We Don’t Need Another Hero (Thunderdome)” lançou-se em carreira solo nos anos 1980. Tina e o ex-marido, Ike Turner, que morreu de uma overdose de cocaína em 2007, fizeram sucesso no final dos anos 1960 e início dos anos 1970.

Anna Mae Bullock nasceu em uma família pobre dos Estados Unidos. Aos 15 anos, foi abandonada pelos pais e cantou em boates para se sustentar.

Numa das apresentações, conheceu Ike Turner com a banda The Kings of Rhythm. Anna Mae pediu para ser backing vocal e em pouco tempo se tornou uma das vozes principais. Ike e ela decidiram formar uma dupla e, após se casarem, ela adoptou o nome artístico Tina Turner. Ao lado do marido, Tina dominou o cenário da música soul nos anos 60 e 70.

Na vida pessoal, o casamento foi marcado por brigas e escândalos. Alcoólatra e dependente de drogas, Ike culpava Tina pelo declínio da dupla, a agredia, humilhava e traía. Ela apareceu em público diversas vezes com o olho roxo ou com o lábio inchado. Depois de 18 anos, ela cansou-se das agressões e decidiu abandonar o marido. Na justiça, propôs abrir mão de todo o património em troca de poder manter o sobrenome Turner.

Tina recomeçou do zero. Sem dinheiro, morou com uma amiga e abriu shows para outros grupos famosos, como os Bee Gees. Para voltar ao cenário musical, apostou no rock, influenciada pelos Rolling Stones e por David Bowie. Adoptou também um novo estilo, com roupas ousadas e cabelos loiros espetados.

Em 1984, lançou o álbum ‘Private dancer’. O hit ‘Whats love gotta do with it’ teve ascensão meteórica e ajudou Tina a vender mais de dez milhões de cópias em todo o mundo. O título de rainha do rock surgiu aos 45 anos. Ela exibia as belas pernas, cantava e dançava sem perder o fôlego, levando a multidão ao êxtase.

Em 1986, lançou a biografia ‘Eu, Tina: a história da minha vida’, que conta a trajectória profissional e pessoal com o ex-marido, além de revelar as constantes agressões. O livro virou filme em 1993, estrelado por Angela Basset e Laurence Fishburne. Ike morreu em 2007.

O álbum seguinte foi ‘Break every rule’, com o qual Tina fez a maior turnê de sua carreira. Foram 14 meses viajando. Um show dessa turnê no Brasil entrou para o livro dos recordes: a cantora reuniu nada menos que 184 mil pessoas numa única apresentação no Maracanã. O show foi transmitido ao vivo para todo o mundo.

No início dos anos 90, lançou a música ‘The best’, que chegou a ser tema de alguns atletas. Um deles foi Ayrton Senna, que subiu no palco ao lado de Tina durante uma apresentação.

Os trabalhos de Tina Turner não ficaram restritos à música. Ela estrou-se nos cinemas em 1975 no filme ‘Tommy’. Dez anos depois, fez outro sucesso: ‘Mad Max – Além da cúpula do trovão’. Ela foi responsável também pelo tema da longa-metragem, que dominou as paradas de sucesso. A cantora gravou a trilha de muitas outras produções, incluindo ‘007 contra Golden Eye’.

O sucesso da música fez com que Tina Turner, então com 56 anos, lançasse um novo álbum, ‘Wildest dreams’. No fim da década de 90, lançou o nono álbum da carreira solo e anunciou a aposentadoria dos palcos. ‘Twenty four seven’ teve apenas dois hits, mas o clima de despedida atraiu milhões para os shows.

Em 2008, para marcar os 50 anos dos prémios Grammy, fez uma apresentação histórica. Além de cantar os seus grandes sucessos, fez um dueto com a cantora pop Beyoncé. Aos 73 anos, Tina Turner superou Meryl Streep e foi a mulher mais velha a estampar a capa da revista Vogue. A cantora vivia há duas décadas com o marido, Erwin Bach, na Suíça. No ano passado, renunciou à cidadania americana e ganhou nacionalidade suíça.

Poucos artistas igualaram tantos números: oito Grammys e 100 milhões de cópias vendidas em todo o mundo. A rainha do rock chega aos 75 anos sem previsão de novos lançamentos, mas deixa a certeza de que conquistou o mundo com uma das vozes mais marcantes da música. E, para muitos, ela é simplesmente a melhor.

Por: Ungulani Ba Ka Khosa

 

Li, com manifesta estupefacção, o texto inserido na página de recreação do jornal notícias do dia 15 do corrente, no qual o escritor Jorge Oliveira se assume como meu biógrafo. Tal honraria, por mais merecida que fosse, está nos antípodas do que sou e almejo ser.

Em 2020, o Jorge, depois de uma breve conversa, fez-me chegar às mãos umas quinze páginas em folhas A4. Era o início do que intitulou ser seu projecto. Após a leitura, enviei-lhe um e-mail, do qual retiro algumas passagens:

20 de Março de 2020 – às 16.28

‘’… Li o teu bosquejo, compreendi a tua intenção (…), mas pessoalmente não me revejo no teu projecto. Infenso que sou a biografias em idade bem activa, a tua iria criar alguns constrangimentos às pessoas que me rodeiam. Aduzo algumas:

1 … Falar de bebedeiras e meretrizes e noitadas, é bastante inócuo na vida de um criador. A quem interessa hoje dizer, por exemplo, que Pablo Neruda teve, à portas de casa, uma amante a quem construiu uma moradia? E do François Mitterand? Isso é para a literatura cor-de-rosa.

  1. Falas da Charrua, desvalorizando, de certo modo, muitos dos meus confrades (…). A Charrua, revista, para mim, tem um valor que está acima de quem é mais ou menos na falível classificação de leitores e críticos. Tenho-os como amigos de hoje e sempre. Nunca, no universo da minha obra, irei permitir comentários que atentem contra a imagem deles. Aliás, uma geração é feita de pessoas, e, depois, de obras!

Agradeço a tua intenção, mas pessoalmente não estou na disposição de entrar em biografias e quejandos. Sou daqueles que ainda pensam como Roland Barthes: a biografia só está para os que não se preocupam com o presente e o amanhã …’’

Surpreende-me que passados três anos, o Jorge Oliveira venha a público afirmar que está para publicar uma biografia minha. Surpreende-me que Jorge Oliveira tenha conseguido, em tão pouco tempo, ir a Inhaminga, fazer o levantamento da minha linhagem materna, ver o cenário de Nova Sofala, em Búzi, deliciar-se com a imponente floresta da vila de Dombe, no distrito de Sussundenga, e dormir na missão franciscana de Amatongas, distrito de Gondola, espaços da minha infância, esse tempo que paira na memória. Espanta-me que em tempo recorde, Jorge Oliveira tenha embarcado no paquete império da Beira com destino a Lourenço Marques e, depois, por via terrestre, tenha chegado a Vila Trigo de Morais, hoje Chókué, onde o biografado passou a viver com o pai e o irmão, Elias Cossa. De Chókué, o biografado passa para Lourenço Marques, onde vive e estuda, consecutivamente, na escola primária João de Deus e na escola secundária Joaquim de Araújo. E nesse interim, passa as férias grandes em Banhine, onde é rebatizado com o nome de Ungulani Ba Ka Khosa, e em Panda, onde o pai trabalha como  funcionário administrativo, e no qual tentou comer carne de macaco. Quantas amizades se fizeram e desfizeram-se nessa pré-adolescência?

Depois veio Vila Junqueiro, hoje Gurué, onde se encanta com a sétima arte no emblemático cinema Gurué, na altura Manuel Rodrigues, dos passeios pela estonteante paisagem vestida de verde do chá, das amizades e namoradas, e do colégio que frequenta num ambiente claramente racista. A seguir, já adulto, assiste aos festejos da independência em Namapa, distrito de Eráti, em Nampula, e fixa-se em Quelimane. O fim do carnaval em Quelimane, as amizades no liceu, as noites de estórias no lar da Sagrada Família, os passeios de fim-de-semana pela colorida marginal, a beleza das mulheres chuabos, o encanto pelos livros da livraria ovedekula, a militância política, e os amigos que ficaram para a vida. Pasma-me que o Jorge tenha percorrido esse mundo tão diverso sem ao menos ter dialogado com o biografado. Será que a fonte foram as emotivas e esporádicas conversas de uma ou duas horas num bar?

Desassossega-me que em tempo recorde, o Jorge Oliveira me tenha acompanhado na viagem que fiz a Maputo aquando do 8 de Março de 1977, e a minha integração no grupo de jovens para o curso de formação de professores. Soube, por acaso, o que se terá passado no deslumbrante ano de 1977 no antigo seminário Pio X? Teve a detalhada informação de quando desembarquei em Lichinga, na soturna tarde de quinta feira, de 7 de Fevereiro, do ano da graça de 1978? E os dois anos (78/80) que lá passei, como professor de Geografia? Ó Jorge!..

Não me alongo mais, pois dos anos 80 aos dias de hoje muita água passou debaixo da ponte. Do que acima escrevi, o Jorge Oliveira nem deve saber da metade. Não sabe em que casa vivi no Gurué, em que camarata estive na Sagrada Família, em que zona de Lourenço Marques vivi, quem foi o meu encarregado de educação, a casa do meu pai em Nampula, o número do quarto da minha pensão em Lichinga, etc. E decorrente disso tudo, facilmente se depreende que o Jorge não tem estaleca em se adentrar na minha vida, procurando retratá-la. Trabalhos desta natureza exigem equipa, paciência, e estudo.

Mas há o outro lado da moeda: a minha vida pública, o meu mundo de escritor. Esse, iniciado com a publicação do conto Dirce, minha deusa, nossa deusa, na página cultural Diálogo, do Notícias da Beira. Terá o Jorge Oliveira, por acaso, em mãos, a primeira recensão crítica que recebi do conto? Gostaria que o republicasse.

O mundo literário é por todos devassado porque exposto nos meus livros, nas minhas entrevistas, nos estudos sem fim que fazem da minha obra em teses de licenciatura, mestrado e doutoramento. É o mundo aberto a todos que queiram investigar.

Chegados aqui, Jorge, creio ser desnecessário repetir o que já disse: não estou na disposição de entrar em biografias e quejandos. Aconselho-te a fazeres o que bem sabes fazer: escrever contos e romances.

Se teimas em enveredar por esse caminho de inverdades, nada me restará senão ancorar-me no que a modernidade nos proporciona: a justiça.

O abraço de sempre

 

Ungulani Ba Ka Khosa

 

P.S. Há mais de um semana que o Jornal Notícias não publica este texto/resposta.

 

 

 

Na sexta-feira, sábado e domingo, a Cidade de Maputo foi, uma vez mais, palco da 10ª edição do Festival AZGO. Alguns anos depois de o evento ter sido adiado, por razões sanitárias, o regresso materializou-se com um espectáculo de abertura, na Sala Grande do Centro Cultural Franco-Moçambicano. No local, coube a Fayazer, artista da Ilha da Reunião, levar o público a descobrir sons tradicionais da sua cultura, misturados com a música moderna. Trata-se da junção de Maloya e rap/trap, que o artista designa de Malotrap.

Depois da actuação de Fayazer, no Jardim do Franco houve a apresentação dos The Hood Brodz, duo composto pelos irmãos Helio Beatz e Dj Granda Beatz. A este grupo moçambicano juntaram-se Thobile Makhoyane (Eswatini) e Dona Saquia (Moçambique), do Tufo da Mafalala.

Conforme lembra uma nota de imprensa sobre o AZGO, The Hood Brodz ofereceu todos os seus sets de Afro house music, misturando batidas pulsantes e ritmos contagiantes. Thobile Makhoyane, através do Makhoya e outros instrumentos musicais tradicionais, mostrou sua musicalidade e influências, contribuindo para uma fusão emocionante de estilos.

No final da noite, coube ao artista haitiano, radicado no Canadá, Vox Sambou, encerrar a abertura do festival. O artista e activista investiu na mistura de ritmos, entre os tradicionais haitianos com elementos contemporâneos do hip-hop e reggae.

A 10ª edição do AZGO prosseguiu no dia seguinte, sábado, sob o lema “Diversidade cultural e paz. “Foi sem dúvidas uma edição de exaltação da arte na verdadeira acepção da palavra, notório em todos os momentos da sua programação. A partir da concepção visual da 10ª Edição do AZGO, Hugo Mendes ou simplesmente Psiconautah, mostra a profundidade da arte a partir da tradição, identidade e modernidade”, lê-se igualmente na nota de imprensa sobre o festival: “A curadoria encontra no ‘Afrofuturismo’ uma outra forma de inovar e gerar interesse dos festivaleiros, que foram viver uma experiência marcante trajados de roupas do futuro. A audiência foi desafiada a imaginar a África e os africanos do futuro através da indumentária”.

O melhor traje afrofuturista premiado pela organização do festival, com um valor de cinquenta mil meticais, foi do estilista Valter Mudanisse. “Tentei imaginar a mim mesmo e os africanos de modo geral nos próximos 50/90 anos. Contudo, criei a partir da tradição e da riqueza cultural que nos caracterizam como povo”, disse o vencedor.

No Campus da UEM, foram montados três palcos, a saber, 16 Neto, Zena Bacar e Fany Mpfumo.

O 16 Neto apresentou um alinhamento alternativo com a energia e o talento dos artistas: Pizzaw/Pineapples, Ckarina Miller, DJ Dub Rui, DJ Bob, Karen Ponto e Denilson LA.  Esta foi a primeira vez que o AZGO apresentou este palco, concebido para artistas emergentes na área da música e artes cénicas. E nesta edição, foi possível assistir neste palco a apresentação de uma peça teatral.

Nos palcos Zena Bacar e Fany Mpfumo, os grandes actos foram protagonizados por estrelas nacionais e internacionais que ofereceram uma verdadeira festa ao público que aderiu em massa ao AZGO 2023.

Os mais novos Mark Exodus, Helio Beatz, Radjha Ally, Dehermes e Yaba Buluku Boys se estreiam no AZGO com apresentações ricas e cheias de emoção. “Acho que acabo de realizar um sonho”, disse Mark Exodus logo a sua saído do palco.

Stewart Sukuma e Banda Nkuvu cantaram Moçambique com toda energia já conhecida. “O AZGO é um projecto consistente e hoje provou mais uma vez a sua relevância”, disse o músico.

Elvira Viegas, rosto da 10ª Edição do Festival AZGO, ofereceu uma áurea de nostalgia e despertou lembranças de um passado, apresentando os seus sucessos de sempre “Grito de Criança”, “Lizeze”, “Xikala Vitu” ou “Tiva Taku”.

Eduardo Paim matou “Saudades” de Maputo, cantando “Rosa Baila” com um suporte de uma banda composta por instrumentistas moçambicanos. “Sinto-me amado e orgulhoso de todo percurso que trilhei. Há um calor especial e diferente dos moçambicanos. A esperança é voltar para muito mais, porque hoje essa semente foi lançada e ganhou uma nova vida”.

Os sul-africanos K.O, Sdala B & Paige apresentaram o house music, amapiano, rap/trap, entre outros géneros. O público cantou os sucessos de K.O, desde “SETE”, “Run Jozi” entre outros. Sdala B & Paige com “Khanyisa”, “Ghanama” e “Forever”.

“O agrupamento Yaba Buluku Boys presenteou a audiência com uma das maiores apresentações da 10ª Edição do AZGO. O grupo com projecção internacional apresentou os seus hinos “Yaba Buluku”, “Madam De Madam”, entre outros êxitos”, lê-se na nota de imprensa, na qual se acrescenta: “Pela primeira vez em Moçambique, um evento de artes criou uma zona específica para pessoas com deficiência. Trata-se de uma área que ofereceu ao público uma visualização do palco principal do Festival de forma privilegiada e confortável, com presença de uma equipe de voluntários preparados para ajudar com questões de logística como comprar bebidas, comidas, acesso a sanitários, entre outras necessidades pontuais”.

Além de lazer, o AZGO reafirmou o seu compromisso com temas importantes da vida do país. O recinto do evento serviu de espaço para a passagem de mensagens sobre preservação do meio ambiente e importância do recenseamento eleitoral.

Integrado no programa de responsabilidade social, o Azgo Mafalala voltou ao campinho da Mafalala.  Fruto de uma parceria entre a Khuzula, a Associação IVERCA e Lithos Stage Sound and Design, a festa do campinho iniciou ao som da percussão e da coreografia de mulheres pintadas de mussiro. O Tufo da Mafalala esteve em palco, a fazer as honras da casa. Logo de Helio Beatz canta e encanta com o Pandza do futuro; Stewart Sukuma brindou o público com um acústico dos seus maiores sucessos; Júnior Boca com o seu reggae levou a energia do Brasil e de outros quadrantes do mundo ao AZGO Mafalala.

Assim foi a 10ª edição do Festival AZGO!

 

O Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa (FBLP) e o Banco de Moçambique (BM) entregaram, na primeira quinzena deste mês, 1770 livros de temática diversa a 30 escolas primárias localizadas nos distritos de Marrupa, na província de Niassa (região Norte), Inhassunge, na província da Zambézia (região Centro) e Matutuine, na província de Maputo (região Sul do país).

A oferta, composta por obras de literatura moçambicana e infanto-juvenis diversos, dicionários, prontuários e gramáticas, é parte do projecto “Bibliotecas-Caixa”, concebido pelo FBLP e financiado pelo BM, tendo em vista apoiar escolas primárias sem bibliotecas, em materiais bibliográficos extra-curriculares, para incentivar o gosto pelo livro e pela leitura, assim melhorando as competências de leitura e escrita nos alunos abrangidos.

O projecto consiste na alocação de caixas contendo livros, numa rede de 10 escolas primárias de um distrito ou localidade, obedecendo, as referidas caixas, a uma rotatividade mensal dentro da rede de escolas. A entrega dos materiais é sempre acompanhada pela realização de um seminário de capacitação dos directores das escolas beneficiárias, para a implementação plena do projecto.

Nesse âmbito, foram contempladas as seguintes escolas: Distrito de Marrupa – EPC de Chumula, EP1 Massaca, EPC Marrupa-sede, EPC 04 de Outubro, EPC de Mepelia, EPC de Manlia, EPC de Namuera, EPC de Namarrupi, EPC de Mirorane e EPC de Macuvango; Distrito de Matutuine – EPC Bela Vista, EPC Missão Roque, EPC Madjuva, EPC Massindla, EPC Mudada, EPC Mudissa, EPC Pedreira, EPC Salamanga, EPC Mondoene, e EPC Manchafane; Distrito de Inhassunge – EPC Gonhane, EPC Eduardo Mondlane, EPC de Mucupia, EP1 de Linda, EPC1 de Matilde, EPC de M’bereme, EPC Mussama, EPC de Masabado, EPC de Muailado e EPC de Boane.

O projecto já beneficiou redes de escolas nos distritos de Namuno, em Cabo Delgado, Angónia, em Tete, e Chongoene, em Gaza. Ainda este ano, irá contemplar redes de escolas nos distritos de Angoche, em Nampula, Vanduzi, em Manica, e Funhalouro, na província de Inhambane.

O ensaísta e professor universitário Martins JC Mapera é o grande convidado para a sessão de conversa designada “Os meus livros de cabeceira”, organizada pela Associação Kulemba. Marcada para esta terça-feira, a iniciativa com leitores, autores e entusiastas de literatura vai iniciar às 18 horas, na Livraria Fundza, Cidade da Beira, devendo prolongar-se até perto das 19 horas.

Numa sessão descontraída, durante uma hora, Martins JC Mapera vai debruçar-se sobre os livros que, ao longo dos anos, contribuíram para que se tornasse um leitor e a autor consequente. De igual modo, a partir da sua experiência literária, o ensaísta vai referir-se à importância das obras literárias no seu processo de formação intelectual, ora chamando atenção para o poder da literatura na reconstrução da vida social, ora enaltecendo a função da leitura na consciencialização dos cidadãos.

A sessão com Martins JC Mapera desta terça-feira será a segunda da rubrica “Os meus livros de cabeceira”, depois de, no passado mês de Abril, a docente universitária Carla Karagianis ter inaugurado o encontro com autores e leitores na Livraria Fundza.

Martins JC Mapera é Professor Associado da Universidade Licungo, Doutor em Hermenêuticas Culturais pela Universidade de Aveiro em consórcio com a Universidade do Minho e antigo Director da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Zambeze. Actualmente, Investigador é do CECS — Universidade do Minho — Projecto Memórias, culturas e identidades: o passado e o presente das relações interculturais em Moçambique e Portugal. Tem publicado, no âmbito da Crítica literária, estudos culturais, Sociologia da cultura, Sociologia da Comunicação, Comunicação Intercultural e Filosofia da Linguagem. É autor de Cinzas de cão: ensaios críticos de literatura (2018).

A 10ª edição do Festival AZGO arrancou ontem à noite, no Franco-Moçambicano, na Cidade de Maputo. Na Sala Grande daquele centro cultural, apresentaram-se os músicos do Haiti, Vox Sambou, e da Ilha Reunião, Fayazer

Comecemos pelo fim. Vox Sambou apresentou-se na Sala Grande do Franco-Moçambicano aproximadamente às 22 horas desta sexta-feira. Logo à entrada, revelou-se, com a sua banda, um artista que investe, aparentemente, em sonoridades de origem africana. Por exemplo, sonoridades próximas à quizomba, para os mais novos, ou à passada, para os mais antigos.

Com muita alegria no semblante e nos movimentos, o artista haitiano radicado no Canadá, no dia de abertura do AZGO, fez da sua apresentação um momento de festa, ora celebrando os 10 anos de um festival que já é tradição em Moçambique, ora enaltecendo os laços de amizade entre os povos e o intercâmbio artístico-cultural.

Sempre com Haiti no coração, Vox Sambou fez de um espectáculo musical um momento fácil, cheio de emoção, de luz e muita vibração. Por isso mesmo, a maioria do público que até nem conhecia as suas composições reagiu com alguma assertividade sempre que o vocalista os convidou a decorar ou a cantar os coros das músicas. Foi uma actuação exemplar, de um intérprete que se preocupa em pensar o mundo à sua volta e que se informou sobre Moçambique antes de se apresentar na Sala Grande do Franco. Há-de ser por isso que, a certa altura, convidou os maputenses e cidadãos de outras origens a cantarem pela paz e pela fraternidade. Nessa tentativa de sincronização entre os seus temas e a realidade local, que afinal é universal, Vox Sambou amou tanto a música como as pessoas, dando-as a sua simplicidade, o seu carinho e o respeito de um espectáculo bem preparado.

Ao interpretar, sobretudo, ritmos do Norte do Haiti e afro-latinos, Vox Sambou também expressou-se como um artista com certas influências do Hip-Hop. A sua base musical assenta na diversidade e nessa sugerida subtil intervenção social.

Assumidamente um artista do amor, Vox Sambou interpretou um tema composto a pensar na sua própria mãe e, no Franco, encontrou um pretexto para dedicar a sua música a todas mulheres incríveis, de Moçambique e do continente inteiro. Também cantou por todos aqueles encarregados de educação que cuidam bem dos seus filhos, tendo como referência os pais que o permitiram crescer o suficiente para poder apresentar-se na Cidade de Maputo.

Com a vinda de Vox Sambou a Maputo, o Alto Comissariado do Canadá em Moçambique juntou-se às celebrações do 10º aniversário do Festival AZGO, tendo como motivação a extensão e o aprofundamento dos laços culturais.

A actuação do artista haitiano residente no Canadá teve aproximadamente uma hora de duração. No palco não brilhou sozinho, mas cada membro da banda, desde o guitarrista ao baterista ou do percussionista à cativante corista. Enfim, nesta participação no AZGO, Vox Sambou recebeu de volta tudo o que se propôs a proporcionar ao público.

Não obstante, o primeiro artista a apresentar-se na abertura da 10ª edição do Festival AZGO, no Franco-Moçambicano, foi o músico da Ilha Reunião, Fayazer. O seu espectáculo começou às 19h55, acompanhado por um baterista e um guitarrista.

Numa base reggae, Fayazer apresentou, ao longo de uma hora, uma combinação de ritmos tradicionais da Ilha Reunião: maloya em harmonia com o hip-hop também.

Hoje, o Festival AZGO continua no Campus da Universidade Eduardo Mondlane e, amanhã, termina com um concerto gratuito no Bairro Mafalala, sempre na Cidade de Maputo.

 

 

Eunice Moreira

 

Vi-o pela primeira vez na minha casa, sentou-se sobre a cadeira que ficava no meu quarto, não falou nada, não se mexia; estava ali apenas sentado a observar-me. Fiquei assustada, não sabia o que ele fazia ali sentado.

Eu tinha apenas oito anos, vivia com a minha mãe e os meus dois irmãos numa aldeia bem distante, onde para ir a cidade eram dias de viagens.

Um dia desses, ele apareceu no meu quarto de madrugada, sentou-se e sorriu, um sorriso destinado a mim. Desde então, passou a aparecer todos os dias na madrugada, vinha e continuava ali sentado no mesmo lugar, sem nada a dizer, apenas a observar-me. Eu perguntava-me se estava sonhado e ele permanecia ali sentado.

Dez anos depois, fiz 18 anos, comemorei bastante, afinal a tão almejada juventude já estava confirmada.

Naquela noite, ele veio, e pela primeira vez, eu ouvi a sua voz – parecia desproporcional ao seu corpo. Disse no meu ouvido: – finalmente tenho-te como minha. “Minha?” exclamei… sem resposta, foi-me acariciando, beijando-me aos poucos. Eu ia perguntando-me quem era aquele fulano. Deitou-se comigo, fez-me mulher pela primeira vez, não vou esconder, estava louca de prazer por dentro. Uma única vontade ecoava na minha mente: “possua-me, possua-me”…

Aquele cenário ia-se repetindo, foram 12 anos a deitar-me com ele todas as malditas madrugadas. Eu achava algo normal, ele dizia que tinha de o ser. Eu, inocente, nem me apercebia do mal que ele cometia.

No dia seguinte, tudo fazia-se de novo, sentia-me nova, recém-nascida. Afinal, como era esquecida uma noite tão vivida? Eu não percebia! Tudo parecia magia. Não me lembrava do rosto, não me lembrava do que tinha acontecido exactamente, mas sabia que aquilo acontecia, sentia aquela adrenalina no corpo e ficava arrepiada. Os lençóis sempre molhados, as pessoas até se perguntavam por que razão em todas as manhãs eu os lavava.

Passei a ficar ansiosa à espera da noite chegar, aquele momento era mágico demais. Quando a noite chegou, fui deitar-me, ele veio, deitou-se comigo e, de repente, ouvi passos vindo ao meu quarto – era a minha mãe acordada pelos gemidos tão altos que ouvia. Chegando ao quarto, entrou sem bater à porta, senti muita vergonha, estava despida. Ela perguntou o que estava a acontecer e eu disse que estava a ser possuída.

– Possuída pelo espírito mau? Perguntou ela.

– Possuída de prazer, respondi.

Ela foi-se embora com a convicção de que eu estava maluca.

Na manhã seguinte, foi diferente, acordei cansada, sem vontade de fazer nada, saí para brincar com as minhas amigas, a fim de lhes contar o que acontecia comigo; contei-lhes e puseram-se a rir, ninguém acreditou no que eu dissera, na verdade nem eu consegui explicar o que era.

De noite, decidi ficar acordada para ver se eu me aperceberia de como ele entra e sai do meu quarto sem que ninguém o veja. Sentei-me, esperei, esperei olhando as horas, o tempo ia passando e ele não vinha. Ah, pela primeira vez atrasou-se, fiquei ali esperando até que adormeci. Um tempo depois, vejo-o a chegar, irritado. Perguntei o que se passa e ele respondeu:

– Por tua culpa, hoje eu não viria.

Não falou mais nada, fez o que tinha que fazer e foi-se embora.

Inconformada com aquela situação, fui ter com a minha mãe, contei-lhe o que acontecia, ela fingiu que não sabia. Então, decidi ir ter com a curandeira da zona. Esperei aquele dia passar e saí de madrugada para que ninguém me visse, caminhei cerca de 2 km da minha casa. Chegado lá, bati à porta “toc, toc”…

– Entra, Joaninha, eu esperava por ti.

Entrei, descalcei os meus chinelos à porta, como a tradição manda; olhei para a curandeira com medo, era a minha primeira vez num lugar igual àquele. Sem que pronunciasse alguma palavra, ela disse-me:

– Eu sei o que te traz aqui, és casada com o Nakhuru (espírito da noite, comummente chamado “marido da noite”). Foste prometida ainda bebé pela sua avó materna. Por isso, todas as noites, ele vem e deita-se contigo.

Arrepiou-me todo o corpo, afinal o maldito Nakhuro vem-me usando todo esse tempo.

– O que devo fazer para me livrar desse maldito?

– Prepara uma garrafa vazia, uma peça de roupa da sua avó, duas galinhas e cinco litros de vinho. Mas, atenção, não contes a ninguém até que aconteça o tratamento. Quando saíres da minha casa, não olhes para trás.

Cheguei à casa e fiquei acordada, preferi não dormir para que ele não aparecesse. Na manhã seguinte, fui atrás de tudo o que a curandeira me pedira. Fiquei ali esperando que a noite chegasse para ir fazer o tratamento. Quando eram aproximadamente 18h, fui pegando sono, quase eu adormecia ali e não iria ter com a curandeira, mas o desejo de ser liberta falou mais alto. Saí do quarto e fui ficar na varanda à espera.

Enquanto eu esperava ali sentada, ouvia uma voz desconhecida a chamar-me, fiquei com medo, as pernas tremiam, o coração batia acelerado… a voz aproximava-se. Quando olho para trás, era apenas o meu cunhado. Suspirei de alívio, pensei que era ele vindo atrás de mim.

Chegada à hora, saí de casa sem que ninguém me visse, fui caminhando lentamente como me tivera dito a curandeira, tudo estava escuro, ninguém se fazia à estrada naquela hora. Os mochos faziam barulho nas árvores e eu ali andando sem olhar para trás. Cheguei à casa da curandeira. Entrei e sentei-me rapidamente e começámos com o tratamento. De repente, ele aparece e grita:

– Tu és minha, nada que possam fazer vai tirar-me de ti. A tua avó deu-me a ti.

E foi-se embora.

Continuamos com o tratamento e, no final, a curandeira abriu uma garrafa. Conseguiu colocá-lo lá e fomos enterrar a garrafa nas bermas de um rio. Dali, uma sensação de liberdade ocorreu-me.

Fui a correr para casa, já estava claro, o galo já tinha cantado, escondi o meu rosto para que não me reconhecessem. Cheguei à casa e encontrei a minha mãe a varrer o pátio. Perguntou de onde eu vinha àquela hora e com cheiro estanho. Respondi, alegre:

– Eu matei-o! Matei-o e matá-lo-ia de novo!

 

 

Por: Paulina Chiziane

 

Vim de lugar nenhum. Aprendi a escrever na areia do chão. Calcei os primeiros sapatos aos 10 anos de idade. Sou a primeira africana, negra, bantu, a receber tão alto prémio. Aqui estou! Eu sou! Caminhei sem saber para onde ia mas cheguei a algum lugar, que lugar é o Prémio Camões, que recebo hoje, 5 de Maio, Dia Mundial da Língua Portuguesa. Para quem veio do chão, estar diante dos Governos Português e Brasileiro, do Corpo Diplomático e personalidades tão distintas, é algo que me comove profundamente e a todos endereço os meus profundos agradecimentos.

Agradeço aos meus editores, tradutores, livreiros. Agradeço ao júri que me escolheu para merecer este prémio. A minha gratidão maior vai para os meus leitores, em Moçambique e no mundo.

Sou da tradição oral. Os contos à volta da fogueira foram a minha primeira escola de arte. Gosto muito de contar histórias. Trago nas veias o sangue da cultura bantu e europeia, cuja transfusão recebi nas escolas do mundo e, por isso, a língua portuguesa que eu escrevo tem as marcas das minhas origens. Nesta ocasião tão especial, gostaria de partilhar algumas lições aprendidas na estrada da vida.

1 – Originalidade – Seja original em todos os teus actos. Saiba que a dignidade de um povo é feita pela sua originalidade. Se não és original, alguém irá apropriar-se do teu ser. Não tenha medo nem vergonha das tuas origens. Eu sou originária de África, sim, sou negra e tenho a minha cultura, porque renegá-la?

2 – Auto-afirmação – Afirma-te, se queres ser alguém na vida. Afirma os teus passos, deixa as marcas do teu pé gravadas de forma indelével pelos caminhos, para que todos digam: por aqui passou alguém. É preciso afirmar, com toda a pujança: eu sou, eu tenho! Jamais deixarei de ser quem sou. Ninguém irá usurpar o que é meu! Se isso não acontecer, serás apenas mais um, uma nulidade ou simples estatística.

3 – Auto-conhecimento – Conhece-te. Usa uma língua seja ela qual for, e serás original e único. É preciso resgatar os rastos da nossa história, que foram omitidos ao longo dos tempos. Não podemos andar à deriva. Quem não se conhece, é facilmente manipulado pelo mundo.

4 – Poder interior – Desperta o poder interior que Deus te deu. Se não o fazes, serás sempre secundário, subalterno, eterna imitação do outro. No acto da escrita, imprimo na língua portuguesa o poder da minha alma. Os sonhos de liberdade do meu povo. Negoceio a minha identidade e dignidade, como mulher e negra. Escrevo a língua como a sinto, porque não devem existir donos da língua.

Estas quatro etapas alcançam-se com dois verbos fundamentais: o ser e o ter. Comecemos por conjugar o verbo ser.

Eu sou, tu és, nós somos. Esta conjugação remete-nos ao UBUNTU, nossa filosofia: sou porque tu existes. Leva-nos aos caminhos da complementaridade, harmonia, fraternidade. Eu sou negra e tu és branco. Somos diferentes, mas podemos ser amigos. Sou humana, feita à imagem e semelhança de Deus. Sou africana, mulher e negra e, por isso mesmo, afirmo que Deus é mulher e é negra. Eu sou!

Na noite colonial, havia uma certa dificuldade na conjugação deste verbo. No presente do indicativo, colocava-se a afirmativa e a negativa à mistura. Eu sou e tu não és. Nós somos… o que é que somos? Inimigos? As guerras travadas ao longo dos séculos provaram a necessidade de uma conjugação perfeita. Quando me diziam tu não és, eu questionava: não sou porquê? Não sou a imagem de Deus? Será que Deus se enganou ao criar a mim, mulher, negra, e o continente africano? Diziam que me vinham civilizar, usurpando todo o meu ter e o meu ser, para transformar-me numa outra pessoa? Queriam eles substituir Deus na criação do mundo?

Olhemos agora para o verbo ter.

Eu tenho, tu tens, nós temos. O que tenho eu, filha de África? Tenho uma terra.

Tenho uma língua materna, minha herança divina. Tenho a língua portuguesa, minha herança humana trazida pelas circunstâncias da história. Eu tenho. Este verbo era também conjugado na afirmativa e negativa: eu tenho, mas tu não tens. Não é justo.

Nas lutas pela liberdade, os africanos conjugaram este verbo com mestria: eu sou, eu tenho, vou lutar pelo meu ser e meu ter.

Uma visita rápida aos dicionários mostra-nos como os africanos são retratados nos seus livros sagrados da língua ao longo dos tempos. Há palavras que nos repelem, excluem e, por vezes, assustam. Dou alguns exemplos:

Catinga – cheiro nauseabundo característico dos negros. Espero que tenha sido retirada. Se ainda permanece, gostaria que solicitar a sua eliminação imediata.

Matriarcado – costume tribal africano.

Patriarcado – tradição heróica dos patriarcas.

Palhota – habitação rústica dos negros. Hoje a palhota é reconhecida como uma habitação ecológica.

A língua portuguesa, para ser definitivamente nossa, precisa de um tratamento, limpeza e descolonização. É preciso conjugar os verbos ser e ter de acordo com as boas regras gramaticais.

Premiar uma negra bantu com uma distinção tão alta abre uma nova era na nossa história. Nós, os africanos, aprendemos a língua portuguesa, mas eles não apreenderam as nossas. Aproveito esta magna ocasião para convidar a todos a conhecer a beleza das nossas línguas. Termino afirmando com toda a convicção: eu africana, eu sou, eu tenho!

Muito Obrigado.

Lisboa, 5 de Maio 2023

 

*Discurso de Paulina Chiziane na recepção do Prémio Camões 2021, no dia 5 de Maio de 2023.

A actriz e gestora cultural Maria Pinto de Sá é a próxima convidada da Associação Kulemba para conversar sobre “Tradição e modernidade na arte moçambicana: um diálogo possível?”. A sessão com a artista vai realizar-se na Livraria Fundza, Cidade da Beira, às 18 horas desta quinta-feira.

Segundo avança a Associação Kulemba, numa nota de imprensa, durante a conversa, a artista moçambicana vai debruçar-se sobre a possibilidade ou não da existência de um diálogo entre a tradição e a modernidade nas artes nacionais, baseando-se, para o efeito, na sua longa experiência de vida e na cultura.

A conversa com Maria Pinto de Sá insere-se nas celebrações do mês em que se comemora o Dia de África, 25 de Maio, e será moderada pelo académico Fernando Chicumule.

Maria Pinto de Sá nasceu em Maputo, a 11 de Fevereiro de 1952. É membro da Comissão de Honra da Fundação Fernando Leite Couto, Membro do “Conselho Universitário da Universidade Licungo e Presidente da Associação Cultural “Casa do Artista”, na Beira, onde também foi coordenadora de Arte do projecto de construção do Parque Urbano do Chiveve. Entre tantas outras actividades por si desempenhadas, foi responsável da Biblioteca da Universidade Eduardo Mondlane, Maputo, sócia fundadora, actriz e encenadora de Teatro da Associação Cultural “Tchova Xita Duma”, em Maputo, Repórter da célebre Revista Tempo. Em 2021, a actriz foi outorgada Medalha de Mérito de Artes e Letras, pelo Presidente da República de Moçambique.

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