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O País – A verdade como notícia

De 23 a 27 de Agosto de 2023, a Província de Maputo será palco da XI edição do Festival Nacional da Cultura – FNC, sob o lema “Cultura, a Força que Une a Nação Rumo ao Desenvolvimento”.

O evento é realizado pelo Governo de Moçambique e está sob responsabilidade do Ministério da Cultura e Turismo. Dentre vários, o maior objectivo do festival é preservar, desenvolver as artes, a cultura, as tradições das diferentes comunidades moçambicanas, criar uma plataforma de interacção e intercâmbio e de divulgação do rico e diversificado património cultural do país, colocando-o ao serviço da sociedade e do progresso.

A abertura oficial do FNC será no campo de Black Bulls, no bairro de Tchumene, às 10h00 do dia 23 de Agosto. O mega evento que valoriza as tradições e práticas culturais do povo moçambicano irá contar com mais de 1000 artistas de todo país, que vão exibir várias expressões artísticas, designadamente: artes plásticas, artesanato, música, cinema, dança, gastronomia, fotografia, moda, literatura, teatro e outras manifestações imbuídas de um inestimável valor simbólico e, impregnadas de conhecimentos seculares que, mais do que proporcionar diversão e lazer, participam do processo de socialização.

Para além das delegações nacionais oriundas de todas as províncias de Moçambique, o festival contará com a participação de delegações estrangeiras, um indicador de que a cultura é um elemento indispensável no estabelecimento de pontes virtuais entre povos e nações.

“O XI Festival Nacional da Cultura é um mecanismo de operacionalização de políticas e estratégias contidas em várias reflexões voltadas para a cultura como uma dimensão importante do desenvolvimento, por outro, constituiu-se como uma verdadeira “festa popular”, um espaço de convívio inter-geracional e inter-étnico que, de forma inequívoca, fortalece a unidade nacional e a moçambicanidade, alicerces para a preservação do espírito de Paz, concórdia e estabilidade, assim como a solidariedade e amizade entre os povos”, lê-se na nota de imprensa do Ministério da Cultura e Turismo.

Nas suas variadas expressões, o Festival Nacional da Cultura reflecte o mosaico sócio-cultural moçambicano, uma das maiores riquezas dos moçambicanos e que orgulhosamente distingue Moçambique no concerto das nações.  “É o momento mais alto de celebração e exaltação da cultura moçambicana, em que as ricas e diversificadas tradições culturais milenárias reflectem a grandeza e a força de Moçambique, ao mesmo tempo que constituem uma prodigiosa contribuição para a história e civilizações da Humanidade”.

Em termos gerais, o XI FNC é de carácter demonstrativo, sendo de natureza competitiva nas fases distrital e provincial para o apuramento de artistas e grupos culturais com melhor repertório para se apresentarem na fase final em Maputo.

Importa referir que as fases competitivas tiveram o seu início a 1 de Maio e término a 5 de Agosto do corrente ano. Neste período decorrem os preparativos para a fase final que terá a duração de 5 dias. As actividades da XI edição do FNC vão decorrer nos seguintes lugares: Campo do Black Bulls; Cidadela; Conselho Municipal da Cidade da Matola; Parque dos Poetas;

Palcos Comunitários de Boane; Palco Comunitário de Marracuene; Palco Comunitário da Ponta D´Ouro e Palco Comunitário da Namaacha.

 

 

 

A editora Ethale Publishing manifestou, esta segunda-feira, sentir-se defraudada pela organização da nona edição da Feira do Livro de Maputo, pois, segundo revela em comunicado de imprensa, “notamos pouco ou nenhum interesse de entidades e do público em geral em aderir ao evento, o que acabou afectando a uma das finalidades da realização de uma feira, as vendas”. A seguir, a nota de imprensa na íntegra.

 

“Nos dias 27, 28 e 29 de Julho decorreu no Paços e átrio do Conselho Municipal de Maputo, a edição 2023 da Feira do Livro de Maputo. O evento começou a ser divulgado em meados do mês de Junho de 2023, um mês antes do início da mesma. A comunicação era feita sobretudo através das redes sociais da feira, particularmente o Facebook e Instagram.

A Ethale Publishing, uma editora que actua no mercado livreiro nacional desde 2016 com enfoque na promoção de narrativas africanas, foi uma das feirantes. Como editora nos sentimos defraudados pela organização, pois a feira teve, por um lado, um enorme déficit organizacional, e por outro, notamos pouco ou nenhum interesse de entidades e do público em geral em aderir ao evento, o que acabou afectando a uma das finalidades da realização de uma feira, as vendas. Como editora esperávamos que tivéssemos tido um maior engajamento com o público e com os demais actores do circuito livreiro e cultural nacional, pois uma feira é essencialmente uma oportunidade de negócio, o que não aconteceu.

 

Sendo assim, e porque temos interesse em ver a Feira do Livro de Maputo a ser feita com o devido profissionalismo e a dignificar a cidade e aos seus munícipes, gostaríamos de apresentar as nossas sugestões para que as futuras edições sejam melhores.

 

  • Desafiamos o Município de Maputo a passar a gestão da feira para uma equipa de profissionais da indústria cultural, que possa assegurar que a feira seja uma verdadeira oportunidade de venda, exposição de livros e divulgação da criatividade nacional;
  • Desafiamos o Município de Maputo a preparar com pelo menos doze meses de antecedência e a envolver diversas entidades, sejam públicas e privadas que olhem para o livro e a leitura como motores de desenvolvimento social e económico do país;
  • Que a feira seja realizada num local mais espaçoso e onde outras actividades complementares de promoção da cultura e animação turística possam decorrer – exemplo do Jardim Tunduru;
  • Que a comunicação sobre a Feira seja abrangente, envolvendo escolas, universidades, meios de comunicação, mídia, actores públicos, sector privado, companhias aéreas, aeroportos, e etc;
  • Que o pagamento da taxa de inscrição para a participação dos feirantes se reflicta em contrapartidas mais concretas, e não apenas ao uso de mesa, sombra e corrente eléctrica, pois o investimento dos participantes durante os três dias não são cobertos pelas fracas vendas;
  • Que o Município de Maputo faça valer a sua responsabilidade na divulgação e promoção do livro, subvencione os livreiros, de modo a garantir maior acesso ao livro por parte dos munícipes de Maputo, através de descontos acordados entre a comissão organizadora e os livreiros;
  • Que no fim da feira sejam produzidos relatórios contendo reflexões e propondo novos caminhos e soluções, com base nos temas apresentados. Que o conteúdo daí resultante seja colocado à disposição de quem queira consultar, podendo ser em formato impresso ou digital, em modelo de revista ou jornal. Não julgamos ser salutar a feira não produzir nenhum pensamento.

Como editora, gostaríamos de reiterar o nosso compromisso de continuar a colaborar com o Município de Maputo e outras autoridades de promoção da leitura, do livro, da cultura e do turismo em geral, desde que estejam asseguradas as condições mínimas.

A nossa expectativa é que a Feira do Livro de Maputo seja verdadeiramente uma feira, funcionando como uma oportunidade para a promoção da indústria cultural e do turismo na cidade, tendo o livro no centro”.

O escritor foi homenageado este sábado à tarde, na Feira do Livro de Maputo. Na sua intervenção, Mia Couto manifestou o desejo de que o evento organizado pelo Conselho Municipal beneficie jovens artistas, que muitas vezes não têm qualquer apoio para criar.

 

A literatura é um lugar de encontros. Segundo entende Mia Couto, é na arte da palavra que se estabelece essa linha de costura de tempos e de diferenças entre pessoas. Logo, um escritor nunca se apresenta sozinho. Pelo contrário, “O escritor é feito a partir de outros, é feito a partir dessa costura, desse ponto de encontro que o faz ser, ao mesmo tempo, ele próprio e tanta outra gente, tantas outras histórias, tantas outras vozes e tantos outros silêncios”.

Numa intervenção a oscilar entre o poético e o filosófico, bem a condizer com as características das suas obras, Mia afirmou que não vê a homenagem do Conselho Municipal de Maputo como um gesto que se destina a si, “mas a todos os que me fizeram ser quem sou. Alguns deles estão aqui. Portanto, eu tenho de partilhar esse mérito com a família, em primeiro lugar, com os amigos, com os colegas escritores e colegas biólogos, que me ajudam a ser quem eu sou”. E ainda reforçou: “Nós só somos quem somos se estivermos disponíveis para escutar os outros”.

Na sua intervenção, o escritor não se esqueceu do seu berço. “Eu não sou desta cidade, sou da Cidade da Beira. Como sabem, esse é o meu território fundador. A Cidade de Maputo recebeu-me quando eu tinha 17 anos e é como se esta cidade me tivesse adoptado”.

Adoptado ou não, Mia Couto vive na capital do país há 51 anos, o que lhe permite analisar as tendências redutoras dos munícipes locais. “Pensamos que a cidade termina ali, onde começa a periferia, mas esta cidade tem duas cidades, quase como todas as cidades do mundo, e há um grande risco de a outra cidade, que começa do outro lado, nessa outra fronteira, se tornar invisível. Mas nós temos de saber que há milhares de pessoas que cruzam essa fronteira, da periferia para o centro da cidade, como se fossem emigrantes, porque não encontram nesse outro lugar onde vivem uma maneira de sobreviver com emprego ou um lugar para se fazerem existir”. Disse, Mia, sem deixar de se incluir entre os munícipes que pensam dessa maneira: “Eu próprio avaliou o trabalho do senhor Presidente do Conselho Municipal por este território pequeno, e esqueço-me que Maputo é bem maior, que este Conselho Municipal tem de tratar também desse outro território que, para muitos maputenses, é um lugar não visível”.

Na opinião do escritor, Maputo tem vivacidade cultural que poucas cidades possuem. Também por essa razão, “Uma festa como esta, uma feira do livro como esta, deve ajudar que se tornem visíveis esses que vivem na sombra, que fazem cultura, que fazem arte. São centenas de jovens e que não têm apoio de ninguém, mas que não desistem de lutar, de fazer. Porque não podem cruzar os braços. As pessoas da cultura, infelizmente, não podem entrar em greves, porque isso seria como desistir da nossa própria existência”.

Sem deixar de se referir ao precursor da poesia moçambicana, Mia Couto sublinhou que “A obra de Rui de Noronha nos diz que a literatura é produtora de eternidade. É por isso que o Rui, por causa das palavras que ele fez, está aqui e venceu a barreira do tempo”.

Na sessão de homenagem, o escritor foi acompanhado pela esposa Patrícia, pelo irmão Fernando, pelos filhos Madyo, Luciana e Rita, e pelos netos. Tendo-lhes agradecido por contribuírem para pessoa que é, advertiu: “Estes meus familiares que estão aqui são poucos. Disseram-me que tinha de trazer alguns. Mas os Coutos são muitos. Estou a dizer isto quase como um alerta, porque o meu amigo Ungulani ba ka Khosa disse-me que tinha criado este nome literário porque, Ungulani ba ka Khosa quer dizer diminuam os Khosas. Eu acho que é preciso tomar atenção e, talvez, adoptar a expressão Ungulani ba ka Couto, porque os Coutos já são muitos demais”.

 

Magda de Noronha agradeceu, esta sexta-feira, ao Conselho Municipal de Maputo, por distinguir, a título próstomo, o poeta Rui de Noronha. O precursor da poesia moçambicana morreu há 80 anos, vítima doença.

 

No segundo dia da Feira do Livro de Maputo, a neta de Rui de Noronha, Magda de Noronha, revelou aos participantes do evento que, durante muitos anos, a pessoa e a obra do precursor da poesia moçambicana foram realidades distantes de si e dos seus irmãos. Por um lado, o facto de o pai de Magda de Noronha ter falado do poeta com muita admiração e carinho, não aproximou os seus filhos à figura do avô. Por outro, “a avó, que connosco passou a viver em 1976, não falava muito sobre Rui de Noronha, falecido, recorde-se, em 1943”.

Ora, apesar de viver em Portugal, segundo esclareceu a neta de Rui de Noronha, a dimensão africana, por assim dizer, nunca foi esquecida, mas estava, de certa forma, adormecida. Aliás, foi nos últimos 25 anos, já depois do falecimento dos seus pais, em 1993, que, através da tia, Elsa de Noronha, vivamente apaixonada pela obra do pai e pessoa incontornável na análise e divulgação passaram a conhecer a obra do poeta. “E foi com essa paixão da nossa tia Elsa que a africanidade nos chegou, e chegou-nos fortemente, precisamente, com o reconhecimento que fomos tendo da obra do nosso avó tão impregnada, que é de África, pelos seus sentimentos, pelos seus anseios e da sua mundividência”, disse Mgada de Noronha, no momento em que, no pódio, interveio em nome da sua família em relação à Distinção Autárquica com a Medalha Acácia Rubra de Excelência. E ainda acrescentou: “Mas só hoje, aqui, realizamos toda a admiração da sua obra e estatura de poeta, as quais a comunidade moçambicana, hoje, presta tributo e nós, os netos, nos vergamos. Hoje somos nós que despertamos para África e perante nós a África surge e é boa”.

Para a neta de Rui de Noronha, falando em nome da família, “É, pois, com muito orgulho e com imensa alegria, que aqui estou, em representação do meu pai, da minha tia e dos meus irmãos. Agradecemos a esta homenagem póstuma a Rui de Noronha”.

Como que a responder ao gesto municipal, a família Noronha ofereceu ao Conselho Municipal de Maputo o espólio do precursor da poesia moçambicana.

Intervindo na cerimónia, o professor de Literatura e ensaísta, Francisco Noa, sublinhou que Rui de Noronha deixou um registo indelével na literatura moçambicana, por ter feito da sua escrita um equilíbrio entre a expressão poética e social. “Não deixou de olhar para questões sociais, ligadas, normalmente, às pessoas e às camadas mais marginalizadas da sociedade. Preocupou-se com os magaizas, com os velhos que não tinham condições. Mas também preocupou-se com uma ideia de África”.

No mesmo registo que Noa, Eneas Comiche acrescentou que “Rui de Noronha soube usar da arte da palavra para manifestar a sua posição contra as atrocidades coloniais”

 

Na principal mesa redonda da Feira do Livro de Maputo, Mia Couto, Lourenço do Rosário e Ademar Seabra da Cruz Júnior, Embaixador do Brasil em Moçambique, defenderam que os países de língua oficial portuguesa precisam de fazer da diplomacia cultural um veículo de aproximação permanente entre os povos.

No dia de abertura da nona edição da Feira do Livro de Maputo, Mia Couto, Lourenço de Rosário e Ademar Seabra da Cruz Júnior juntaram-se numa mesa redonda para reflectir sobre os desafios actuais da diplomacia cultural na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Durante o debate, o professor de literatura e ensaísta, Lourenço do Rosário, lembrou que, no passado, os países da CPLP se comprometeram em investir no conhecimento mútuo através dos conteúdos preparados para o ensino. No entanto, o compromisso quase que não se concretizou.

“O compromisso previa que todos os países da CPLP deviam introduzir no ensino primário e secundário elementos de cultura e história dos outros países de língua portuguesa. O único país que cumpriu foi o Brasil. Inclusive, o presidente Lula introduziu, através de um decreto, a obrigatoriedade do ensino de cultura e história dos outros países africanos nos manuais de ensino. Não me parece que o nosso sistema de educação tenha seguido o mesmo exemplo, o que significa um desconhecimento total”.

O desconhecimento total a que Lourenço do Rosário se refere, entretanto, não é apenas em relação aos países da CPLP. Segundo Mia Couto, há também um desconhecimento interno que se deve superar através de uma diplomacia cultural voltada para o território nacional moçambicano. “Começando pelo nosso próprio país, precisamos de fazer uma espécie de trabalho diplomático interno, porque nós também nos desconhecemos na nossa própria diversidade. Num país como Moçambique, é quase como se houvesse muitas nações. Não devemos ignorar essa grande e profunda diversidade e como é que, nas nossas próprias escolhas, se ignora essa riqueza. Muitas vezes, olhamos para a diversidade como um problema”, afirmou Mia Couto, escritor homenageado nesta nona edição da Feira do Livro de Maputo.

Numa mesa redonda moderada pelo professor de Literatura e ensaísta, Francisco Noa, o Embaixador do Brasil em Moçambique explicou por que é importante investir nas artes e na cultura como elementos de aproximação entre os países da CPLP. “A questão da cultura exige uma reflexão sobre qual é o seu papel de antecipar transformações sociais e de movimentos que se traduzem em identidade possível de transmitir ao outro”.

O tema de conversa que juntou Mia Couto, Lourenço do Rosário, Ademar Seabra da Cruz Júnior e Francisco Noa foi “Diplomacia cultural em questão: desafios e perspectivas de uma integração comunitária por meio da cultura”.

Este sábado, terceiro e último dia da Feira do Livro de Maputo, Mia Couto será homenageado no Conselho Municipal de Maputo.

Neste domingo, a partir das 15h, no Montebelo Indy Maputo Congress Hotel, na Cidade de Maputo, a Orquestra e Coro Xiquitsi vai apresentar o segundo concerto da segunda Temporada de Música Clássica Xiquitsi-2023.

Desta vez, está em cartaz a “Tarde para pais e filhos”, a ser dirigido pelo coordenador pedagógico do Xiquitsi e Maestro Estêvão Chissano, com os solistas Cecília Mapanga (aluna do Xiquitsi) e Deuscio Vembane.

Segundo a organização, será uma tarde em que os xiquitsianos vão mostrar o resultado do que têm fazendo nestes 10 anos de existência do projecto.

O repertório é bastante convidativo, garante a organização.

 

Texto: FLM

Os herdeiros do poeta e nacionalista Rui de Noronha – a sua filha, Elsa de Noronha, e seus netos, André de Noronha e Magda de Noronha – vão doar o espólio do poeta à Biblioteca Municipal Central de Maputo, uma oferta que será formalizada sexta-feira, com a entrega de um primeiro lote de documentos, entre os quais se contam os apontamentos e notas, revistas, jornais, poemas, correspondências, crónicas, cadernos e álbuns de música, que futuramente serão disponibilizados “online”.

 O espólio do poeta Rui de Noronha vai ser doado no dia 28 à Biblioteca Municipal Central de Maputo, cumprindo-se uma vontade da família, revelou à coordenação da Feira do Livro de Maputo.

A coordenação da Feira do Livro de Maputo refere que esta será uma doação “sem contrapartidas”, ficando a Biblioteca Municipal Central de Maputo responsável pelo “tratamento, gestão, conservação e disponibilização do espólio literário para leitores, pesquisadores e munícipes”.

“Rui de Noronha possuiu, em alto grau, o desejo de perfeição formal, uma verdadeira consciência de artista e do seu ofício o que, aliado ao pendor esteticista, pode explicar algumas alterações que têm sido contestadas como autênticas traições aos originais”, afirmou Fátima Mendonça, professora de literatura moçambicana, pesquisadora e organizadora da obra completa de Rui de Noronha reunida em Os meus versos, publicada pela Textos Editores, 2006.

A sessão formal de doação acontece no dia 28, com as presenças do Presidente do Conselho Municipal de Maputo, Eneas Comiche, membros do Governo, corpo diplomático acreditado em Moçambique e a representante da família, Magda de Noronha, no ano em que se comemoram os 80 anos da morte do poeta Rui de Noronha.

“Ao examinar pela primeira vez o espólio, que me foi facultado em 1987 por Elsa Noronha, pude verificar a existência das alterações manuscritas, atribuídas ao Dr. Reis Costa, sobre os dactiloescritos, tendo grande parte dos sonetos ficado praticamente ilegível. À margem, e com a mesma caligrafia apareciam por vezes anotações do tipo Bom ou Fraco que confirmam o espírito classificativo que animaria o seleccionador e prefaciador dos poemas…”, sublinha a crítica literária Fátima Mendonça.

 

 

Esta quarta-feira, às 18 horas, os actores Sufaida Moyane e Miguel Nunes (Portugal) vão dinamizar uma noite de leitura no Camões – Centro Cultural Português em Maputo.

Durante o momento, os actores vão ler excertos de livros seleccionados, como por exemplo “O medo”, de Al Berto, “A importância do pequeno almoço”, de Francisca Camelo, e “Marizza”, de Mélio Tinga, e debater com o público o que mais os inspira nestes títulos.

Segundo a nota de imprensa do Camões, os dois atores integram, neste momento, o elenco do espectáculo As areias do imperador, com encenação de Victor de Oliveira, uma adaptação livre do romance homónimo de Mia Couto, com ensaios a decorrer entre a cidade de Maputo e a cidade de Aveiro. Esta é uma produção da En Votre Compagnie, Paris e do Teatro Nacional Dona Maria II, Teatro Nacional de São João, e com o apoio do Centro Cultural Franco-Moçambicano, do Camões – Centro Cultural Português de Maputo e Paris.

Sufaida Moiane, de 28 anos de idade, natural e residente em Maputo. Actriz recém-formada em Teatro pela Escola de Comunicação e Artes, da Universidade Eduardo Mondlane,  onde inicia a sua experiência nas artes cénicas. Tem trabalhado como actriz e contadora de histórias (para crianças) desde 2014. Participou em festivais e intercâmbios culturais no Brasil e na Alemanha, no Festlip e no Framewalk, respectivamente; trabalhou como actriz no projeto e espectáculo Identity, a blood romance do encenador alemão Jeans Vilela Neumman; participou em filmes nacionais tais como O dia dos homens e nada para nós sem nós, e em séries de radionovelas nacionais: Fatias da vida e uma geração na encruzilhada.

Recentemente, esteve no projeto Netos de Ngungunyane, uma co-produção do Teatro O Bando, de Portugal, Teatro do Instante, do Brasil, e, da Fundação Fernando Leite Couto, de Moçambique. Deste projecto nasceram três versões de espectáculos que foram apresentados nos três respetivos países participantes, entre Outubro de 2018 e Fevereiro de 2019. Actualmente, Sufaida Moyane faz também parte do projecto Incêndios, de Victor de Oliveira, espectáculo que foi a apresentando numa primeira fase no Centro Cultural Franco-Moçambicano.

Para além de actuar, Sufaida Moyane também dirige espectáculos infantis, alguns com “actores infantis”; é, actualmente, professora de português e teatro infanto-juvenil, na Nyoxani Centro de Desenvolvimento Pessoal, que é uma escola inclusiva. Um dos maiores sonhos da Sufaida é realizar um “festival de teatro de crianças para crianças”.

Miguel Nunes nasceu em Lisboa, é actor Licenciado em Teatro-Actores pela Escola Superior de Teatro e Cinema em 2012. Concilia os estudos com o início do seu percurso no cinema sob a direcção de Alberto Seixas Santos no filme E o tempo passa, e mais tarde com a realizadora Teresa Villaverde em Cisne, filme que lhe valeu o Prémio Jovem Talento no LEFFEST.

Em 2016, protagoniza o filme Cartas da guerra, de Ivo M. Ferreira, aclamado pela crítica internacional na sua estreia na Berlinale, no qual interpreta António Lobo Antunes. Filmou ainda com realizadores como Rita Nunes, Mavi Phillips, João Botelho, Mónica Lima, entre outros. Realiza o seu primeiro filme curta-metragem Anjo, com estreia nacional na competição nacional do Indielisboa, em 2018, e marcou presença também em diversos festivais internacionais de cinema.

Em televisão e no streaming, protagonizou, recentemente, a série Glória para a Netflix, onde interpreta o agente do KGB João Vidal. Trabalho este que lhe valeu o reconhecimento com a premiação de melhor actor de ficção nos Globos de Ouro de 2022 da SIC. Integrou ainda os elencos de séries e novelas como Dentro, Codex 632, SUL, Filhos do Rock, Paixão, Na corda bamba e a série francesa Yes I Do para o Canal+.

Brevemente, poderá ser visto no cinema como Alberto Caeiro em Não sou nada, filme de Edgar Pêra sobre os heterónimos de Fernando Pessoa, e também na última longa metragem de Rita Nunes O melhor dos mundos.

Em Teatro, o seu trabalho inicia-se com espectáculo infantil de Jorge Amado, O gato malhado e a andorinha sinhá. Prosseguindo o seu percurso profissional, actuou na peça Os marginais e a revolução de Bernardo Santareno, e, mais recentemente, em Pela água no Teatro Aberto, Teoria da Relatividade no Teatro Meridional, Arquivo Presente no Teatro Oficina de Guimarães e com os criadores Tiago Vieira, André Uerba e Rita Morais.

 

 

A Editorial Fundza vai lançar, às 17 horas desta quarta-feira, 26 de Julho, na Biblioteca Central da Universidade Pedagógica de Maputo (Museu), Padecer das rosas, de Emerson Job Mapanga. O livro será apresentado pelo actor e encenador Joaquim Matavel.

A obra Padecer das rosas retrata a história de Rosita, uma personagem que personifica o drama por que passam várias mulheres moçambicanas condenadas ao sofrimento por não conseguirem conceber. Em três actos, o texto teatral representa a realidade nacional com originalidade, fazendo de Albazine, o marido de Rosita, o reflexo de uma atitude preconceituosa generalizada.

Através do livro Padecer das rosas, Emerson Job Mapanga participa no debate público sobre o impacto do patriarcado na definição do destino das raparigas e das mulheres. Os diálogos entre as personagens centrais do enredo apontam uma reflexão que se pretende profunda e abrangente.

A cerimónia de lançamento vai incluir a apresentação de alguns episódios da história encenadas pelo Grupo Teatral Mintso.

O Padecer das rosas é um livro seleccionado na primeira Chamada Literária Fundza 2021/22.

Emerson Job Mapanga nasceu em 1982, em Maputo. É licenciado em Teatro pela Universidade Eduardo Mondlane e pós-graduado em Psicopedagogia pela Universidade Pedagógica de Maputo. Trabalhou como professor nas aldeias de Pfukwe e Chinhequete, no Distrito de Mabalane, em Gaza. Também trabalhou na Escola Comunitária Ntwananu, onde, para além de ser professor, desempenhou a função de Director da Escola, na Cidade de Maputo. Participou na elaboração dos módulos para o Ensino à Distância PESD2. Fez estágio profissional como docente na disciplina de Didáctica de Educação e Expressão Dramática no curso de Licenciatura em Ensino Básico, na Universidade Pedagógica. Teve participação como actor e encenador na Associação Girassol. Participou da formação de vários grupos como encenador, dramaturgo e actor. Actualmente, é professor primário no Distrito de Boane, na Província de Maputo.

 

 

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