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O País – A verdade como notícia

Por: Huwana Rubi

 

Luís Cezerilo é uma individualidade que dispensa qualquer tipo de apresentação no universo sócio-cultural, académico e político em Moçambique.
No seu mais recente livro, “Mar, espelho líquido do infinito”, a ser lançado no dia 28 de Agosto do ano em curso, transborda o eflúvio natural do amor enquanto um mar infinito, um elemento da vida como uma fagulha, numa essência superior do ser. Neste livro, o amor e o mar formam a alga que nos inunda. Ele, o poeta, “rasga” de forma minuciosa, delicada e reverberante, o que lhe vai na alma, no seu mais íntimo e translúcido âmago. Este breve texto, através do qual busco tecer algumas humildes linhas, é uma pequena amostra deste mar líquido do escritor.
Cezerilo está além do tempo, por isso chama todos para o entendimento de que o “amor é algo genuíno” e todo o ser deve gozá-lo, independentemente do percurso de cada um, do seu extracto social, porque o amor é a esperança, alegria, o prazer das sereias denominadas nhamussoros no Sul do país, esse amor que consegue mesclar-se na brisa dos verdadeiramente constituídos.
Nas lentes do autor, nestas dezenas de poemas muito bem seleccionados, somos remetidos sobretudo ao amor, à beleza do mar, à nossa história, à contemporaneidade, aos descasos, ao misticismo da magia, da ternura e do encanto do povo.
O mar é infinito.
O mar é pleno, esbelto, tem as suas tonalidades e os seus percursos e, neste livro, o poeta Cezerilo soube pincelá-las tão perfeitamente, começando com a primeira estrofe do primeiro poema, que nos suscita a imersão dos segredos que o mar transmite na sua vastidão, a solitude, que depois desagua com o quinto poema que nos trás a sensação do poderio e da extravagância do amor, dos seus relevos ludibriantes, da vastidão e dos devaneios que nos pode transmitir.
Cezerilo traduz nas suas metáforas tudo o que o universo propõe sobre o encanto da beleza e do som das sereias, denominados no sul do país, de nhamussoros, que conseguem se mesclar na brisa dos ventos que o Índico traduz de forma poética. O livro o mar, espelho líquido do infinito, é sem dúvidas uma concha em forma de livro, que promete suscitar a todos “os sentidos mais humanos que possam existir”.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, apelou para que as eleições autárquicas sejam mais uma oportunidade para a exaltação da cultura e que os jovens envolvidos na XI edição do Festival Nacional da Cultura sejam o exemplo de como se convive com a diferença. Nyusi falava na abertura do evento, na Província de Maputo.

A cultura foi exaltada ao mais alto nível no Festival Nacional da Cultura, que, desta vez, tem, na Província de Maputo, o seu palco de actuação.

Canto, dança, poesia, gastronomia, artesanato, artes plásticas e outras modalidades fizeram soar alto a diversidade cultural, afinal todas províncias do país se reencontram depois da interrupção causada pela pandemia da COVID-19.

Uma vez que o intercâmbio cultural acontece num ano eleitoral, o Presidente da República, Filipe Nyusi, apelou para que as eleições autárquicas sejam mais uma oportunidade para exaltação da cultura e que os jovens envolvidos sejam o exemplo de como se convive com a diferença.

“A cultura de paz, de reconciliação e de tolerância. Em suma, a celebração da democracia, e da convivência sã entre os munícipes sem vestir cores partidárias. Vocês bem viram aqui, não sabemos de que partido são os jovens que vimos dançar aqui, ou sua ideologia política, nunca ouvi dizer, por exemplo, que Marrambenta pertence a algum partido político.”

O XI festival é, segundo o Presidente da República, mais uma oportunidade de reafirmação da unidade nacional.

“Quem tem vergonha para com a sua cultura não tem personalidade. Isso nos orgulha a nós, jovens, dançar aquilo que nos pertence. Aliás, a história do nosso passado recente é testemunho de que, respeitando a diversidade, é possível unificar um país, torná-lo desenvolvido.”

Na abertura do Festival Nacional da Cultura, o Presidente da República esteve acompanhado pelo seu homólogo da Indonésia, Joko Widodo, que está de visita ao país.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, dirige hoje, no campo da Associação Black Bulls, em Tchumene, Município da Matola, província de Maputo, a cerimónia inaugural da XI edição do Festival Nacional da Cultura.

O evento, que decorre sob o lema “Cultura, a Força que une a Nação Rumo ao Desenvolvimento”, contará também com a participação do Presidente da República da Indonésia, Joko Widodo, como convidado de honra do Chefe do Estado moçambicano, no âmbito da visita de trabalho de dois dias que efectua ao país.

Mais de 1000 artistas de todo país, vão exibir várias expressões artísticas, designadamente: artes plásticas, artesanato, música, cinema, dança, gastronomia, fotografia, moda, literatura, teatro e outras manifestações imbuídas de um inestimável valor simbólico e, impregnadas de conhecimentos seculares que, mais do que proporcionar diversão e lazer, participam do processo de socialização.

A XI edição do Festival Nacional da Cultura que decorre de 23 a 27 de Agosto é realizado pelo Governo de Moçambique e está sob responsabilidade do Ministério da Cultura e Turismo. Dentre vários, o maior objectivo do festival é preservar, desenvolver as artes, a cultura, as tradições das diferentes comunidades moçambicanas, criar uma plataforma de interacção e intercâmbio e de divulgação do rico e diversificado património cultural do país, colocando-o ao serviço da sociedade e do progresso.

Os académicos Severino Ngoenha e Filimone Meigos vão apresentar hoje, em Maputo, o livro “O inter-munthu: em busca do sujeito da reconciliação”, de José Castiano.

Editado pela Fundza, o livro do filósofo pretende ser um marco na filosofia africana em qualquer das línguas que o autor conhece e destina-se a transformar-se num clássico, pela inovadora forma de filosofar, simultaneamente africana e profundamente universal. Refere uma nota enviada ao “O País”.

A nota diz ainda que “O inter-munthu: em busca do sujeito da reconciliação”  é um contributo muito significativo para a reflexão filosófica e intelectual, em geral, e não apenas para filósofos ou africanos. “Aliás, tenho a profunda convicção de que o mundo académico do Norte global teria muito a aprender com este livro se se predispusesse verdadeiramente a aprender com a reflexão que se faz fora do seu contexto, o Atlântico Norte, um contexto que, contrariamente às suas pretensões, é cada vez menos global e mais provinciano”, lê-se na contracapa do novo título do académico.

O livro com aproximadamente 600 páginas é constituído por sete capítulos, designadamente, Robben island: o “santuário”?; O inter-munthu, o sujeito da reconciliação; Missionarismos e espiritualidades; Políticas de identidades e de reconciliação; Do bunthu ao munthu, em direcção ao inter-munthu; Tecnocultura; e Discurso sobre a democracia reconciliatória.

O estilista Nivaldo Thierry reuniu-se, esta quinta-feira, na Cidade de Maputo, com a Ministra da Cultura e Turismo. Durante a sessão, o artista teve a honra e o privilégio de oferecer uma obra de arte única e significativa a Eldevina Materula.

De acordo com uma nota de imprensa, trata-se de um quadro que possui um valor simbólico, principalmente por conter a primeira gravata da colecção inaugural do género, da marca Nivaldo Thierry, lançada no próprio dia da visita realizada ao Gabinete da Ministra da Cultura e Turismo.

Com a oferta da obra na apresentação da sua nova colecção de moda, o estilista pretendeu expressar o reconhecimento e a admiração pelo trabalho desempenhado pela Ministra nas áreas da cultura e do turismo ao nível nacional. “Espero que sua excelência Ministra da Cultura e Turismo aprecie o presente e compreenda a intenção por trás do gesto, reconhecendo o talento e a dedicação do meu trabalho como artista moçambicano”, afirmou o estilista.

Na reunião entre a Ministra da Cultura e Turismo e Nivaldo Thierry, Eldevina Materula reconheceu que o estilista tem-se afirmado com o seu talento e com a sua criatividade. Por isso mesmo, Materula mostrou-se aberta em apoiar iniciativas inspiradoras das artes nacionais.

Segundo disse o estilista, a primeira colecção de gravatas constitui uma tentativa de ampliar e diversificar os seus produtos de moda. Assim, com efeito, poderá, igualmente, fazer com que a gravata deixe de ser apenas um acessório, mas símbolo de poder e respeito.

A primeira linha de gravatas da marca Nivaldo Thierry é o resultado de anos de estudo e dedicação. Portanto, o encontro com a Ministra da Cultura e Turismo inseriu-se nas celebrações dos 15 anos de carreira de Nivaldo Thierry.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, exigiu celeridade na resposta aos raptos, corrupção, branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo. O desafio foi lançado a quatro magistrados empossados no cargo de procuradores-gerais-adjuntos.

Amélia Munguambe, Selemane Sefo, Agostinho dos Ramos e Tâssia Simões são os novos procuradores-gerais-adjuntos empossados, esta sexta-feira, pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, que exige a priorização do combate ao crime organizado e transnacional.

“O Ministério Público tem como principais desafios, na jurisdição criminal, a prevenção e o combate à criminalidade geral e em especial à organizada e transnacional, em que estão incluídos os crimes de terrorismo e seu financiamento, branqueamento de capitais, raptos, tráficos de pessoas e bens, entre outros”, referiu o Presidente da República, Filipe Nyusi.

Os empossados afirmaram que assumem o cargo de procuradores-gerais-adjuntos da República cientes dos desafios.

“Temos também o tráfico de drogas que está a emergir com muita força, tráfico de pessoas e outros crimes”, disse Amélia Munguambe, recém-empossada procuradora-geral-adjunta.

Dos empossados, o Chefe do Estado exigiu também que sejam céleres na tramitação de processos e mais actuantes nas instituições de administração pública, para reduzir irregularidades.

“No âmbito da jurisdição administrativa, constitui principal desafio o reforço do controlo da legalidade dos actos praticados pela administração pública, o reforço do controlo da gestão financeira, incluindo a responsabilização dos gestores públicos por infracções financeiras”, desafiou Filipe Nyusi.

Para o Presidente da República, a nomeação de mais quatro procuradores-gerais-adjuntos vai ajudar a minimizar o défice de magistrados no Ministério Público.

Carota N’tchakatcha – feitiços e mitos; N’tsai Tchassassa – a virgem de missangas; e Mueda – nos labirintos dos ritos de iniciação são os títulos dos livros que Carlos Paradona vai lançar, no dia 14 deste mês, no Centro Cultural Português em Bissau.

A oportunidade de apresentar os seus três livros na Guiné surge a convite da União Nacional dos Artistas e Escritores da Guiné-Bissau e, com a cerimónia, pretende-se “contribuir para a internacionalização da literatura moçambicana e sua divulgação” naquele país de língua oficial portuguesa.

Para Carlos Paradona, proceder ao lançamento dos seus três livros na Guiné-Bissau significa que há um reconhecimento de grande amplitude da literatura moçambicana no contexto das nações africanas e, em particular, nos países onde o português é língua oficial. Realça o escritor: “Significa que há um reconhecimento do valor da literatura moçambicana e dos escritores moçambicanos”.

Além disso, a possibilidade de lançamento de Carota N’tchakatcha – feitiços e mitos; N’tsai Tchassassa – a virgem de missangas e Mueda – nos labirintos dos ritos de iniciação, obras inspiradas no Índico e no Zambeze, relança os intercâmbios literários entre os escritores de Moçambique e da Guiné-Bissau. Assim, acredita Carlos Paradona, “Outros autores poderão deslocar-se a Bissau para os mesmos efeitos e a AEMO poderá receber autores da Guiné-Bissau para a apresentação de suas obras”.

Na cerimónia a realizar-se próxima segunda-feira, espera-se pela presença de escritores guineenses, membros da comunidade moçambicana residente em Bissau e o público em geral, incluindo estudantes do ensino médio e superior.

O Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM) acolhe, no próximo dia 12 de Agosto, a partir das 15h, a 8ª edição do Festival Nacional de Hip-Hop “Punhos no Ar” (FNHPA).

Criado em 2016, através de uma parceria entre a Nexta Vida Entertainment, o Café Bar Gil Vicente e o Centro Cultural Franco-Moçambicano, o Festival Nacional de Hip-Hop “Punhos no Ar” é um evento anual centrado na valorização do Hip-Hop Moçambicano, além de promover um encontro de várias províncias, permitindo assim um importante intercâmbio entre os amantes e praticantes da área e o aprofundamento dos laços que unem os fazedores da cultura Hip-Hop no nosso país.

“Nesta 8ª edição teremos os cinco elementos da Cultura Hip-Hop, nomeadamente: MC, DJ, Graffiti, Break-Dance e o ‘Conhecimento’, para além de que, vamos mais uma vez exaltar a Unidade Nacional, reunindo no mesmo palco artistas do Sul (Maputo, Matola e Xai-Xai), Centro (Beira, Chimoio, Tete e Quelimane) e Norte do País (Nampula e Lichinga), com um programa ecléctico incluindo: Música, Dança, Debate, Freestyle Battle, Feira de Hip-Hop e Graffiti, fazendo deste evento um momento de convívio único e fazendo juz ao principal objectivo do festival: exaltação do Hip-Hop Nacional”, lê-se na nota de imprensa do Franco.

A Conferência de Imprensa da 8ª edição está agendada para o próximo dia 10 de Agosto (5ª feira) pelas 15h, no Franco, onde estarão artistas locais e de fora de Maputo, parceiros e convidados.

O ponto mais alto será no próprio dia do Festival, 12 de Agosto (sábado), no Franco, onde estarão, entre vários, Duas Caras, Kloro, Trez Agah, Allan, Iveth, Legacy, Kay Real, Gina Pepa, Bokly, La Vida Louca, Rei Bravo e Pier Dogg.

 

 

Por: Elcídio Bila

Celebra-se, próximo sábado (12), o Dia Internacional da Juventude. E, mais uma vez, um dos assuntos que mais agita esta efeméride, em quase todo mundo, e incluindo Moçambique, é a crise de emprego. Este ano, como se não bastasse, associa-se a este fenómeno o facto dos trabalhadores púbicos auferirem os seus salários de forma desordenada.

De acordo com o Boletim Informativo do Mercado do Trabalho, referente ao primeiro trimestre de 2023, o emprego registou uma redução de 46,5% em relação ao período anterior. Trata-se de uma situação que acometeu todas as províncias, com excepção da Zambézia e Manica.

No trimestre em análise, o desemprego registado nos Centros de Emprego aumentou 0,2% em relação ao período anterior e continuam a afluir a procura de emprego.

Uma das alternativas para contornar a crise de emprego, na cidade e província de Maputo, por exemplo, tem sido o auto-emprego, que cresce exponencialmente.

Sérgio Tamele despertou mais cedo e há mais de 10 anos que se dedica ao empreendedorismo, ajudando mais de 25 jovens, da cidade e província de Maputo, a ter emprego, através da sua rede de lojas espalhadas nos distritos de Marracuene e Manhiça. São seis no total, na vila-sede da Manhiça, em Xinavane, Palmeira, Maragra e vila de Marracuene.

Tudo começou por uma papelaria, em 2010, onde o foco eram fotocópias e trabalhos de impressão. Mas o seu trabalho, baptizado Inforword, cresceu substancialmente dois anos depois, quando se tornou agente e distribuidor de equipamento de transmissão de TV por satélite, para além de realizar recarregamentos, instalações e assistência técnica.

“Quando começamos a parceria com a DStv e GOtv, começamos a ter uma avalanche de clientes e com problemas variados, o que nos permitiu adquirirmos experiência, de várias maneiras, para saber atender ao cliente final”, partilha Tamele, assumindo que “foi desafiante, mas nos permitiu ganhar outra visão no atendimento ao cliente, contrariamente à papelaria que era uma rotina normal.”

A Inforword atende uma média de 200 clientes por mês, onde consegue vender mais de 700 kits de diversos equipamentos de transmissão de TV, mais de 150 subscrições e 30 mil instalações e assistências.

Um dos resultados a ter em conta neste negócio é que, quatro anos depois do arranque, Tamele conseguiu erguer de raiz a sede da empresa na vila da Manhiça, “uma das grandes conquistas que tivemos através deste trabalho”, passando a ser o local preferencial para aquisição de material de papelaria e equipamentos da DStv e GOtv em toda a vila.

Tamele concorda com as estatísticas actuais de falta de emprego, mas, não se prende nisso, convida aos jovens a ter uma visão mais ampla de forma a perceber o que pode ser de mais-valia para garantir a sua sustentabilidade. “Seria bom que aquele que não tem um emprego fixo pudesse aproveitar todas as oportunidades possíveis”, referiu o nosso entrevistado, dando exemplo de um amigo que iniciou um negócio de aluguer de material de decoração para eventos num salão de festas que não provia esse material.

Portanto, acrescenta, “é este tipo de mentalidade que devemos ter quando estamos a atravessar um mau momento, em vez de esperar por um emprego, pois a vida não se resume apenas nisso.”

Sérgio Tamele tem 43 anos e é residente na Manhiça, onde o seu negócio despontou, mas hoje alastra-se por vários quadrantes da província de Maputo. Licenciado em Informática e concluindo um mestrado em Administração e Gestão de Empresas, é um de muitos empreendedores que luta conta a maré da falta de emprego no país e, mais do que isso, cria postos de trabalhos para muitos jovens, sobretudo os que se aventuram pelo primeiro emprego.

 

 

 

 

 

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