O País – A verdade como notícia

O ensaísta e poeta padre Manuel Ferreira perdeu a vida na manhã desta segunda-feira, em Portugal. O autor de Um presente do futuro – os jovens da literatura moçambicana por volta de 2015 e de Serenidade morreu vítima de doença.

No dia 11 de Abril, o padre Manuel Ferreira lançou, no Camões – Centro Cultural Português em Maputo, o seu mais recente livro. Com o título Serenidade, a proposta poética constitui um itinerário criativo que, às vezes, parece sugerir algumas questões inerentes à biografia do autor. No livro, em alguns momentos, o padre Manuel Ferreira explora imagens relacionadas à sua aldeia natal, versifica diferentes espaços e o trajecto que o levou a Moçambique, país que amou até às últimas consequências.

Depois de lançar o seu livro, numa cerimónia que contou com a presença de irmãos na fé, de amigos, escritores, poetas, ensaístas e admiradores, no dia seguinte, o autor de Serenidade viajou para Portugal com o objectivo de tratar da doença que o deixou visivelmente debilitado. Mesmo nesse instante, o coração do padre Manuel Ferreira estava em Moçambique, onde chegou em Outubro de 1964.

E, quando viajou, deixou promessas de voltar logo que possível, pois tinha a confiança de que tudo iria correr bem. Mas o padre não conseguiu cumprir a promessa nem o desejo de regressar a Moçambique. Nos últimos dias de Abril, já internado no hospital, a saúde do padre que soube pensar e servir a literatura moçambicana deteriorou-se consideravelmente.

Neste domingo, de Portugal chegaram mensagens de que o pior poderia acontecer a qualquer momento. Por isso mesmo, aos irmãos na fé, amigos, escritores, poetas e admiradores, os que lhe acompanhavam pediram orações. De algum modo, as mensagens funcionaram como um alerta, pois, por volta das 11 horas desta segunda-feira, Dia dos Trabalhadores, o corpo cedeu à doença e o padre Manuel Ferreira partiu para infinita viagem.

Para os que conviveram com o autor nos últimos dias, o padre Manuel Ferreira partiu em paz, muito sereno e bem acompanhado pela equipa médica portuguesa que minimizou a sua dor.

Manuel Serra Ferreira é um padre jesuíta português de 76 anos. Em 1963 licenciou-se em Filosofia, em Milão. Em Outubro de 1964, chegou a Moçambique. De 1964 a 1996 leccionou Português, História, Desenho e Música, na Escola Normal de Boroma, Tete.

Em 1973, doutorou-se em Teologia, na Universidade Gregoriana de Roma. Regressado a Moçambique, em Fevereiro de 1974, leccionou Francês e Português, na Escola Secundária, Português e Técnicas de Expressão na Comercial, Português no Instituto Industrial e no pré-universitário.

De 1990 a 2000, em Maputo, leccionou Teologia no Seminário Maior e no Instituto Superior Maria Mãe de África. Regressado à Beira, a partir de 2003, leccionou Latim, no seminário propedêutico, e Ética, Mundividência Cristã e Latim, na Universidade Católica. Ao longo da sua longa formação, sempre se dedicou à Literatura. Publicou quatro livros de teor religioso, um deles a tese de doutoramento.

O Museu da História Natural, na Cidade de Maputo, acolhe a exposição fotográfica “Africa Blues. Moçambique em 2100: projecções da crise climática nas faces daqueles que a vivem todos os dias”. A mostra inaugurada esta quinta-feira apresenta imagens tiradas em Moçambique por Giulia Piermartiri e Edoardo Delille para África Blues, em colaboração com a WeWorld-GVC.

Segundo uma nota de imprensa, trata-se de fotografias criadas utilizando uma técnica inovadora, que mergulha o visitante num futuro possível. Num jogo de sobreposições, de facto, pode-se observar cenas da vida quotidiana misturadas com dispositivos que mostram esses mesmos lugares drasticamente alterados pela crise climática, ou seja, uma imagem que projecta um futuro que já não parece tão distante. Secas, inundações e tempestades repentinas são episódios que se repetem todos os anos em Moçambique, afectando e destruindo aldeias inteiras e comprometendo a colheita agrícola. São especialmente as comunidades mais pobres e mais vulneráveis, que vivem da agricultura, que pagam o preço mais elevado.

A exposição “Africa Blues” insere-se no lançamento do projecto “Clima de Mudanças: Caminho para Criação e Reforço de uma Geração Ambiental Consciente em Moçambique. “Trata-se de um projecto que visa promover a consolidação da boa governação ambiental em Moçambique, envolvendo os jovens no debate político, na tomada de decisões e na gestão sustentável dos recursos naturais”, lê-se na nota de imprensa.

A intervenção visa desenvolver a consciência dos jovens, organizações da sociedade civil, autoridades públicas e cidadãos sobre as mudanças climáticas e as suas consequências, sobre o seu papel e a responsabilidade de agirem como agentes de mudança e como melhorar em conjunto a gestão dos recursos naturais nas áreas provinciais de Cabo Delgado, Nampula, Zambézia e Maputo.

Os grupos que se estima beneficiarem directamente da acção serão 80 organizações da sociedade civil moçambicana, 50 membros das autoridades públicas, 300.000 jovens cidadãos e oito comunidades locais.

O projecto será implementado por um consórcio de organizações internacionais e nacionais, constituído por WeWorld-GVC, Instituto de Cooperação Económica Internacional (ICEI), Centro Terra Viva (CTV) e o Conselho Nacional do Voluntariado (CNV) e co-financiado pela União Europeia.

Luís Madaba vai lançar, às 14h30 desta sexta-feira, no Instituto de Formação de Professores de Lichinga, na Província de Niassa, o livro Ensinar a brincar em casa – guião de aprendizagem divertida. Editado sob a chancela da Editorial Fundza, trata-se de um exercício didáctico e pedagógico, no qual o autor explora possibilidades inovadoras capazes de despertar nos alunos o interesse pela aprendizagem de conteúdos escolares, mas em casa.

Segundo a nota de imprensa da Fundza, com cerca de 30 páginas, o livro de Luís Madaba concilia a palavra e a imagem como estratégia viável para os mais novos aprenderem dos pais, irmãos, tios ou avôs. Assim, o livro funciona como um guião de aprendizagem e de ensino, pois inclui propostas esclarecedoras para quem deseja, essencialmente, partilhar conhecimentos com as crianças.

Para Luís Madaba, a aprendizagem acontece todos os dias, a cada instante, de forma despercebida e automática. “Da mesma maneira que ensinamos a criança a segurar os talheres, a alimentar-se sozinha e a cuidar da sua higiene desde cedo, temos de a ensinar a adquirir habilidades de leitura e escrita. Quando deixamos a aprendizagem escolar para o último plano, delegando-a à escola, ao professor, isso faz com que o processo não aconteça no tempo considerado ideal”, lê-se na nota do livro que será apresentado por Óscar Daniel.

Com a sua publicação, uma das apostas de Luís Madaba é ajudar os pais e encarregados de educação a ensinarem as crianças sem violência e sem traumas, explorando, por isso, situações do dia-a-dia.

Luís Madaba é Licenciado em Psicologia, Quadro do Serviço Nacional Penitenciário (SERNAP), Fundador do Brincar Ler & Escrever; tem poemas pulicados em algumas revistas electrónicas e rádios nacionais, com destaque para a revista literária Sol, sob a chancela da AEMO-Extensão territorial Norte. É Membro do Clube de Escritores Poetas e Amigos do Niassa (CEPAN) e, em regime part-time, lecciona na Faculdade de Administração e Gestão do Instituto Superior de Gestão, Comércio e Finanças (ISGECOF).

 

Os livros de poesia “Chãos e outras arritmias” e “Rostos desabitados e fragmentos do escuro”, de Francisco Guita Jr. e Jeremias F. Jeremias, respectivamente, serão apresentadas no Camões – Centro Cultural Português em Maputo, esta quinta-feira, às 17:30h. As obras venceram, ex-aequo, o Prémio de Poesia Reinaldo Ferreira 2022, iniciativa da Gala-Gala Edições.

O Prémio de Poesia Reinaldo Ferreira, em edição única, visava assinalar as comemorações do centenário do poeta Reinaldo Ferreira (1922–2022), que realizou toda a sua obra em Moçambique, e aqui morreu precocemente, vítima de um cancro pulmonar, aos 37 anos de idade, a 30 de Junho de 1959. O júri do prémio foi constituído, em duas etapas, pela bibliotecária Aissa Mithá, pelos escritores moçambicanos Adelino Timóteo e M. P. Bonde, pelo poeta e professor universitário brasileiro Ricardo Pedrosa Alves e pelo professor e ensaísta moçambicano Cristóvão Seneta.

Sobre “Chãos e outras arritmias”, de Guita Jr., de acordo com o júri, a poesia é encantadora, que faz corpo com o chão, com a terra, carregada de sensualidade; é, também, uma poesia que engloba o cosmos, numa vertente suportada pelo amor mesmo quando se lhe denota um certo desencanto do sujeito poético em relação às questões existenciais. Uma poesia firme, madura, dissecada com rigor e com sinais de vir a sobreviver no tempo.

“Em nota de prefácio, a professora brasileira Carmen Lucia Tindó Secco faz questão de assinalar que Guita Júnior, na esteira de Knopfli, Patraquim, Drummond de Andrade, Camões, é um grande poeta. ‘E é, também, não só um atento leitor da vida, da história, das solidões, da existência, do amor e da morte, mas dos silêncios e solitudes existentes nas entranhas líricas de sua obra poética’”, lê-se na nota de imprensa.

Para o júri, a obra “Rostos desabitados [e] os fragmentos do escuro”, de Jeremias F. Jeremias, avança a mesma nota, é impecável. A construção de imagens é nítida e inédita e há equilíbrio no conjunto e na atenção à sequência dos poemas no livro. Jeremias trabalha sobre a percepção, explorando o poema como pensamento e não como mensagem. Há condensação, ritmo, respeito ao poema como ente “não-parafraseável” (Roubaud). “Rostos desabitados” é um trabalho criativo a partir de elementos mínimos, básicos, como água, luz, pássaro.

A sessão de apresentação de “Chãos e outras arritmias” e “Rostos desabitados” estará a cargo dos escritores Lucílio Manjate e M. P. Bonde.

Francisco Guita Jr. nasceu em Inhambane, em 1964. Inicia a sua actividade literária no Xiphefo, Caderno Literário, em 1987, do qual é membro fundador. Estreia-se em 1997 com o livro de poesia “O Agora e o Depois das Coisas”. Em 2000, publica “Da Vontade e de Partir” (Prémio FUNDAC – Rui de Noronha, 1999) e “Rescaldo” (1.º Prémio de Poesia TDM – Telecomunicações de Moçambique, 2001). Lança em Portugal e Moçambique, em 2006, “Os Aromas Essenciais”. Em 2020 publica, em Moçambique e Angola, o livro “Da Pele do Rosto/ A Coisa do Tempo”.

Jeremias F. Jeremias é natural de Gaza. Reside em Maxixe, em Inhambane. É licenciado em Organização e Gestão da Educação pela Universidade Eduardo Mondlane e formado em Ensino de Português, pela Universidade Pedagógica. Foi vencedor da primeira edição do concurso “Prémio de Poesia Gala-Gala”, em 2020.

A 9ª edição da Feira do Livro de Maputo, marcada para os dias 27 e 29 de Julho, vai ser dedicada ao escritor Mia Couto.

A Feira do Livro incluirá conferências e debates com vários convidados ligados a Mia Couto e à literatura em língua portuguesa.

A Feira do Livro de Maputo é uma organização do Conselho Municipal de Maputo, em colaboração com várias instituições e destaca-se por homenagear escritores em vida bem como patronos homenageados a título póstumo.

Para este ano, o evento escolheu como patrono o precursor da poesia moçambicana, Rui de Noronha, que morreu ainda jovem. Tinha 34 anos, em 1943.

A organização revela que na edição deste ano, além do homenageado, estarão presentes em Maputo escritores e embaixadores dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), acreditados em Moçambique.

Para Cristina Manguele, coordenadora da Feira do Livro de Maputo, “a escolha tanto do patrono como do homenageado deve-se ao facto de estes terem escrito livros que são muito celebrados na literatura moçambicana, espelhando, de forma muito peculiar, a situação da segregação racial, negritude, moçambicanidade, guerra civil e o renascimento que se operou depois do fim dos conflitos”.

Mia Couto é considerado hoje um dos principais nomes da literatura em língua portuguesa. Com premiações nacionais e estrangeiras, publicações em diversos géneros e países, a sua obra é lida e estudada por um número significativo de pessoas ao redor do mundo.

“Atento ao trânsito de sua escrita e à potência do texto literário enquanto possibilidade de escuta do outro, a obra tanto do escritor homenageado, como do patrono, subverte silenciamentos da História e (re)elabora narrativas que representam sujeitos subalternizados, invisibilizados e estereotipados deste Moçambique”, lê-se na nota de imprensa que cita a directora dos Serviços Municipais de Arquivos e Bibliotecas, Cristina Manguele: “A homenagem prende-se pela observação quase imediata dos temas que apoquentam a sociedade moçambicana, a problematização de algumas questões pertinentes à História de Moçambique, e, com isso, ampliar o nosso olhar sobre a produção literária de Mia Couto e de Rui de Noronha, tentando compreendê-la no âmbito do processo de formação e internacionalização da literatura moçambicana”.

A opção por Mia Couto, avança a nota de imprensa, mais do que um simples reconhecimento, é mesmo a chave para a compreensão mais profunda do entretecer da narrativa e, principalmente, da natureza das suas personagens. As suas obras são traduzidas e publicadas em 40 países.

Além das conferências e debates, a realizar no Paços do Município e escolas secundárias, a Feira proporciona aos munícipes de Maputo a possibilidade de conhecer a vida e obra do escritor, através de material visível nas ruas, nos outdoors e nas redes sociais, incluindo frases e a biografia do escritor.

Por: Sumbi Sê

 

Ao propor-me a escrever sobre a exposição A Brisa do Nada, não me comprometo a responder à pergunta que encabeça o texto. A expressão artística supera a categorização de obras em escalas menores, médias ou altas. A intenção do texto é entreabrir uma portada de um lugar ao qual o público nunca tem acesso, porque a produção artística realiza-se em espaço privado, fechado e discreto. Pelo menos é isso que se passa com  Lica Sebastião. Nesse espaço desconhecido aos outros, têm privilégio a obstinação, o desejo de criar o belo, a idealização mas também a incerteza, o medo e a teima em fazer bem, em comunicar, em ser a si próprio.

Apesar desse ambiente de contraste entre o fazer, desejar, idealizar e a incerteza, medo e a procura de si mesma, podem ser reconhecidas as dimensões da criação desta artista. Uns diriam que a presença do traço feminino é notório quiçá pelas imagens e rostos. Eu diria que se associa a artista a um traço restritivo e enganador. Há artistas que procuram soluções e saídas para os materiais que manipulam numa busca incessante de equilíbrio de cores, de voz ou vozes ou de qualquer outra coisa que os defina. Isso é a arte e não o feminino.

Outros podem constatar o esforço empreendido em observar em torno e a visualização de formas, de contornos, de objectos que podem ser o ponto de partida para a criação artística. Sim e isso é um desafio que não se esgota. Os artefactos, comprados ou recolhidos por aí, requerem a aplicação de diferentes técnicas e nem sempre a primeira ideia é bem-sucedida. Lica Sebastião fê-lo em Metal, cartão e madeira (2016), Gineceu1 (2019), Metamorphósis ( 2020), Gineceu2 (2022).

Finalmente, a carga afectiva, que só ao artista diz respeito, individualmente, e influenciado pelo ambiente. Percebe-se a história pessoal da artista nos motivos florais, o uso do lápis em contextos inesperados na tentativa de se surpreender, a escolha recorrente das mesmas cores como uma obsessão. Esta talvez seja a característica que mais salvaguarda a criação da artista.

As três vertentes citadas não se podem desligar, pois a sua criação é um movimento que começa mas a artista não sabe exactamente quando e como termina. O primeiro passo começa com qualquer objecto e, a seguir, o desenho, a pintura “escrevem” uma narrativa experimental. Por isso, cada peça é uma experiência e cada experiência é diferente da anterior.

E isto é arte?

A própria definição de arte não se fecha em uma só enunciação. Varia ao longo do tempo e coexiste com outras concepções numa dada época. A actualidade é receptiva da diversidade. A mimesis e reprodução do que existe são cultivadas ao mais ínfimo pormenor, a imaginação e as emoções desaguam o abstracionismo. Pode isto ser apenas argumento para justificar coerência e sentido à arte de Lica Sebastião.

Isso é arte? Uma pergunta bem pode ser a própria resposta.

 

 

 

 

 

A 23 de Abril de cada ano, celebra-se o Dia Mundial do Livro e dos Direitos do Autor. Para celebrar a efeméride, a Editorial Fundza vai realizar, de segunda a sexta-feira, uma feira do livro que vai juntar autores, editores e leitores em geral.

A feira organizada pela Fundza vai decorrer em diferentes espaços da Cidade da Beira, sendo que a primeira actividade está marcada para 14 horas de segunda-feira, na Escola Primária de Matacuane. No local, a escritora e jornalista Vânia Óscar vai conversar com os alunos, referindo-se à sua oficina de escrita sempre concentrada em inspirar os mais novos.

Às 18 horas do mesmo dia 24, na Livraria Fundza, o advogado Joaquim Tesoura vai orientar uma palestra sobre “Como negociar os direitos de autor?”. Partindo da sua relação com escritores, poetas e ensaístas, Tesoura vai referir-se ao tema numa perspectiva didáctica, tendo como base a realidade moçambicana.

Na terceira-feira, às 18 horas, a Editorial Fundza vai proceder ao lançamento do livro Direito de marcas, da autoria de Salomão Viagem. A sessão aberta ao público contará com a apresentação do advogado Anastásio Ndapassoa

No dia seguinte, quarta-feira, a partir das 10 horas, será a vez do escritor Francisco Muianga, autor de Zeus, quando é cão, trocar impressões com os alunos da Escola Secundária Mateus Sansão Mutemba.

A semana do livro vai contar com a participação da professora universitária Carla Karagianis, que, na Livraria Fundza, propõe-se a conversar com os leitores, autores e entusiastas de literatura sobre “Os meus livros de cabeceira”. A sessão está marcada para 18 horas de quinta-feira.

Para o último dia da semana do livro, sexta-feira, a Editorial Fundza reservou duas actividades literárias. Primeiro, às 10 horas, o autor de O encanto da poesia, Assane Cadry, vai conversar com os alunos da Escola Secundária de Mutchatazina.

Mais tarde, na noite de sexta-feira, às 18 horas, a Livraria Fundza vai receber um sarau cultural em homenagem ao poeta e escritor Adelino Timóteo.

Ao longo da semana, todos os livros terão um desconto de 10%, na Livraria Fundza.

O veterano da luta de libertação do Congresso Nacional Africano (ANC) na África do Sul diz que a Frelimo deve ver os erros do partido libertador sul-africano, para não perder força também. Matheus Phosa, que falou, hoje, numa palestra na Universidade Wutivi, alerta ainda para as novas formas de pilhagem dos recursos africanos.

O veterano de luta de libertação sul-africano pelo ANC e membro da equipa que negociou com o regime do Apartheid, Matheus Phosa, deu, esta quinta-feira, uma aula de sapiência sobre a democracia e o neocolonialismo na Universidade Wutivi.

É alguém que conheceu os líderes africanos que deram liberdade e independência aos países. Na palestra que proferiu esta quinta-feira, começou por alertar os jovens para que “abram os olhos e os ouvidos” para ver e ouvir os novos modos de colonialismo de que o continente está a sofrer.

Se há mais de quinhentos anos, os colonizadores vieram à África dispostos a ocupar os territórios usando força bélica, hoje, segundo Phosa, “o neocolonialismo não carrega armas” os mais novos colonizadores “têm novos nomes e novos rostos, mas a agenda é a mesma; é colonizar África outra vez, explorar os recursos da nossa terra para o benefício próprio… querem roubar-nos outra vez!”

Esse é deve ser tomado como o problema. Entretanto, Phosa não quer ser entendido como quem diz que os países africanos não devem aceitar parcerias com outros, muito pelo contrário.

Os que devem fazer é “escolher os seus parceiros económicos internacionais e reginais de uma maneira que se traduzam em benefícios de longo prazo, parcerias benéficas, substanciais e sustentáveis para o povo”.

Antes disso, Phosa defende que se deve fazer um reforço da cooperação entre os países como Moçambique e África do Sul, para resolver problemas pontuais, como, por exemplo, o crime. “Há sul-africanos que roubam carros na África do Sul e vendem-nos no mundo inteiro, temos de os parar! Aqueles carros pertencem a pessoas inocentes na África do Sul”.

Há mais, Matheus Phosa debruçou-se sobre o estágio da democracia em Moçambique e na África do Sul. Aqui surgiu mais um aviso: “Vejam que, na nossa democracia, o ANC já foi forte, mas não mais. Cuidado, Frelimo!”

Na opinião do também advogado, a experiência do ANC, na África do Sul, deve servir para a Frelimo em Moçambique. Porque, segundo ele, neste momento, “Estamos num período difícil, onde as pessoas perderam confiança no meu partido e todos reconhecemos isso no ANC; as pessoas estão a perder confiança. Se verificarmos, é o crime, corrução e a própria prestação do serviço. As pessoas criticam-nos nesses assuntos em que somos muito fracos”.

A crítica é também assumida por ele mesmo quando diz: “nas campanhas, abraçamos e beijamos crianças, mas quando ganhamos esquecemo-nos das pessoas, das massas. Agora, nós estamos desconectados das massas”, por isso lança um apelo ao partido libertador em Moçambique e que ainda lidera o país. “A Frelimo não deve seguir essa via, deve continuar conectada às massas, deve responder às necessidades das massas, porque se não respondes às massas que te colocam no poder, vão virar-se contra ti, por isso, digo, cuidado! Cuidado, ANC, cuidado, Frelimo, cuidem das massas”.

E cuidar das massas só tem um significado: “deves prestar os serviços que prometeste às pessoas, e há coisas básicas: emprego, educação, habitação, estradas e partilha de riqueza com as pessoas, não algumas, as massas! As massas devem ser ricas. Assegura-te de que elas são ricas na mineração, na agricultura… e estes dois países, incluindo Zimbabwe, são ricos. Mas, e as pessoas, são ricas? Devíamos colocar essas perguntas”.

“Lamento que eu esteja a tornar isto difícil, mas estes são meus partidos. Amo a Frelimo e o ANC e temos de nos colocar perguntas difíceis: estamos a agir bem? Por que é que as pessoas estão a perder fé em nós e como podemos restaurar a fé das massas nos dois partidos? Não devemos fazer joguinhos com o poder, perdê-lo-emos”, alertou.

 

O Presidente da Renamo, Ossufo Momade, exige maior fiscalização do processo de recenseamento, para que não haja pessoas com mais de um cartão de eleitor. Ossufo Momade diz que só assim é possível evitar fraudes eleitorais.

Ossufo Momade recenseou-se na Escola Secundária Josina Machel, na Cidade de Maputo, acompanhado pela comitiva do seu partido e pela esposa. Lembrou, na ocasião, que votar é um dever cívico e independente da filiação partidária.

“O recenseamento não tem cor partidária e constitui um acto de cidadania”, referiu Momade, afirmando que a expectativa do partido é que o processo seja transparente, por isso apela aos potenciais eleitores para que não se recenseiem mais de uma vez.

“Cada cidadão moçambicano, potencial eleitor, tem direito de ter um único cartão e o mesmo é individual, não podendo repassá-lo para outras pessoas.”

O recenseamento eleitoral visa actualizar o número de potenciais eleitores. Com o cartão de eleitor a ser adquirido no processo, os eleitores poderão votar quer nas eleições autárquicas de 11 de Outubro, quer nas gerais de 2024.

Sobre o não reconhecimento, de Ossufo Momade, como presidente do partido pelos ex-guerrilheiros desmobilizados e as acusações de perseguições por esquadrões de mortes, por supostos membros da Renamo, Momade preferiu não pronunciar-se sobre o assunto.

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