O País – A verdade como notícia

Lenna Bahule e Lucrécia Paco apresentam, às 19 horas de quarta-feira, a performance Fé-Menina, que é uma celebração de universos possíveis relacionados à condição da mulher.

 

O espectáculo foi preparado em apenas um dia e traduz desejo antigo de as duas artistas trabalharem juntas. Finalmente, Lenna Bahule e Lucrécia Paco sentiram que o momento chegou e, por isso, juntaram-se para apresentar a performance Fé-Menina, uma celebração de universos possíveis sobre a condição da mulher.

Nas gravações do espectáculo que deverá ter 20 minutos de duração, este sábado, Lenna Bahule afirmou que a performance resulta de ela e Lucrécia Paco serem duas artistas com muitas afinidades, em termos ideais e criativos. “Além de sermos artistas, sentimos que o que nos une é o facto de sermos mulheres e mães, com jornadas e processos dinâmicos”.

Fé-Menina é uma performance em reconstrução e também realça a fé no universo feminino, tanto que o subtítulo do espectáculo é “universo das celebrações possíveis”. Para Lenna Bahule, a mulher é um estado constante de fé. Então, a performance gravada na Fundação Fernando Leite Couto resume sensibilidades do corpo, explora movimentos, palavras e vozes como Melita Matsinhe e Hirondina Joshua, através da escrita das duas poetisas.

Na performance, Lenna Bahule participa mais com a sua musicalidade, muitas vezes acompanhada por movimentos rítmicos que lembram o gingar das mulheres moçambicanas, quando dançam com  certos níveis de sensualidade. Já a Lucrecia Paco cabe mais dar voz à palavra, com aquele carácter teatral particular. Portanto, o espectáculo das duas artistas é um exercício no qual o texto e a música se encontram com a expressão corporal. Para a actriz, esta experiência “está a ser uma descoberta destas vozes no feminino”.

A performance Fé-Menina pode ser vista às 19 horas de quarta-feira, Dia da Mulher Moçambicana, no Facebook e no YouTube da Fundação Fernando Leite Couto.

O Grupo Teatral Girassol vai participar no Festival de Artes do Fim do Mundo (FestFIM), no Brasil, às 20 horas deste sábado. Ao evento online, os artistas levam a peça Mar me quer, adaptada do texto de Mia Couto.

 

O Festival de Artes do Fim do Mundo arrancou dia 29 de Março e realiza-se até este domingo. Nesta edição, os organizadores tiveram que optar por um evento online, por causa dos constrangimentos impostos pela COVID-19.

Assim, o Grupo Girassol vai apresentar a sua peça Mar me quer às 20 horas deste sábado, o que, para os actores, é sempre uma boa notícia, um alento em dias difíceis. Para Albertina Guilaza (Luarmina), esta possibilidade será uma experiência nova, que não deixa de ser gratificante.

A primeira apresentação de Mar me quer no Brasil foi há três anos. Na altura, houve um público no Estado de Piauí. Agora, com efeito, o Grupo Girassol espera ter uma audiência mais alargada: “A nossa participação, desta vez, é ainda mais gratificante, porque a peça será vista em todo o território brasileiro e a nível mundial. Estamos satisfeitos por esta possibilidade de a peça poder ser vista por milhares de pessoas”, afirmou em Maputo o actor Rafael Vilanculos (Avô Celestiano).

Mar me quer é uma história de amor entre Zeca Perpétuo e Luarmina. Na percepção do Grupo Girassol, é mesmo uma história positiva de que o mundo está a precisar, pois, inclusive, vai quebrar a monotonia das pessoas em casa. Além disso, acrescentou Joaquim Matavel, o encenador da peça: “A ideia é também levar às pessoas esta esperança, neste momento em que as coisas estão difíceis para todos. Temos de lembrar às pessoas que ainda é possível que dialoguem e troquem afinidades”.

Mar me quer é uma peça adaptada por Joaquim Matavel, do texto original de Mia Couto. A peça é uma história de amor e conquista, de segredos, mistérios e confidências entre o pescador Zeca Perpétuo e a Gorda Luarmina, intermediados pelo Avô Celestiano.

Quanto ao FestFIM, refere-se que esse é um festival de artes integradas, não-competitivo e totalmente online, sendo uma realização da Cia Apocalíptica. Além dos grupos brasileiros, recebe colectivos e grupos de Argentina, Angola, Áustria, Bolívia, China e Portugal.

 

Angelina Neves entende que a massificação da literatura infantil, em Moçambique, depende do subsídio ao livro. A escritora partilhou a sua percepção esta sexta-feira, data em que se celebra o Dia Internacional do Livro Infantil.

Anualmente, a 2 de Abril é celebrado o Dia Internacional do Livro Infantil. A efeméride não tem muito eco em Moçambique, no entanto, serviu para que Angelina Neves dissesse o que pensa sobre a literatura produzida para crianças no país. A partir da Ponta de Ouro, na Província de Maputo, a escritora sustentou que o livro infantil devia ser subsidiado e distribuído em bibliotecas e por escolas para as crianças, por que elas ainda não têm capacidade de compra de livros que estão cada vez mais caros.

Na percepção de Angelina Neves, seria muito bom que houvesse bibliotecas infantis e escolares no país. “Isso ajudaria no ensino porque iria facilitar a aprendizagem da leitura. As crianças iriam ler mais rápido e de forma mais interessada. Devíamos abraçar esse desafio”.

Neste Dia Internacional do Livro Infantil, entende Angelina Neves, é muito bom lembrar que a escrita e a leitura são importantes para o desenvolvimento da criança. “O livro faz-nos voar, faz-nos caminhar. Abre portas e janelas, afirmou a autora com mais de 50 livrinhos infantis publicados.

Para Miguel Ouana, um dos problemas que fragiliza a produção e circulação de livros dedicados aos mais novos é a incapacidade de se executar planos já há algum tempo aprovados. “O que acontece é que temos um plano de acção para leitura e escrita desenhado pelo Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, entretanto, não há a aplicação desse mesmo plano de leitura e escrita”.

Até aqui, Miguel Ouana já editou oito livros para crianças e está interessado em políticas concretas que garantam a circulação de obras literárias entre os alunos do ensino primário, sobretudo nas escolas públicas, onde se encontram crianças carenciadas. Simultaneamente, o autor vê na formação dos professores uma solução ao problema, pois, se eles forem formados com habilidades literárias, podem contribuir para que a sala de aulas se transforme num centro onde se desperta o interesse pela leitura além da escolar.

Entre os vários desafios atinentes à literatura infantil, Celso Muianga também destaca a necessidade de massificação de leitores e de autores. Segundo o editor, entretanto, o caminho por percorrer é ainda longo, o que não põe em causa a qualidade do que tem sido produzido actualmente. “Temos qualidade, mas ainda somos poucos a ler e a escrever”. Por isso, finalizou, a literatura infantil ou infanto-juvenil chega a poucos leitores”.

O Dia Internacional do Livro Infantil foi instituído em 1967, pela International Board on Books for Young People, em reconhecimento à actividade literária de Hans Christian Andersen. Na verdade, o escritor dinamarquês nasceu a 2 de Abril de 1805.

A Fundação Fernando Leite Couto vai homenagear, através de um sarau cultural online, o escritor Aníbal Aleluia. O evento está agendado para quarta-feira.

Se estivesse vivo, Aníbal Aleluia completaria 100 anos de idade neste 2021. Por isso, a Fundação Fernando Leite Couto inaugura o que, segundo escreve numa nota de imprensa, poderá despoletar numa série de homenagens que vão acontecer até 21 de Agosto.

Ora, às 18 horas desta quarta-feira, haverá uma transmissão online de um sarau em homenagem a Aníbal Aleluia. O mesmo contará com o testemunho de Juvenal Bucuane e com os depoimentos dos escritores Lucílio Manjate e Suleiman Cassamo. Celso Muianga, editor da Fundação Leite Couto, irá moderar o evento e fará igualmente a leitura de um excerto da homenagem de Nelson Saúte.

“Partimos do pressuposto que os escritores não morrem, nunca. Daí dedicarmos uma singela homenagem a Aníbal Aleluía, um dos escritores de primeira linha que se revelaram tardiamente no período pós-independência e, mesmo assim deixaram vincado em letras garrafais, como uma referência nacional, o seu labor literário. Nestes tempos pandémicos e até de certo modo desesperançosos prestar um tributo à vida e obra de Aníbal Aleluía, que neste ano, se fosse vivo colheria o 100.º aniversário natalício é como que acender a luz restante”, afirma a Fundação Leite Couto em comunicado.

De igual modo, para os organizadores do sarau, prestar um tributo a Aleluia constitui um dever da memória, que, certamente, reanimará o espírito de muitos moçambicanos. “Aleluía foi um homem da Palavra e dos sete ofícios que acreditava que com a Palavra podemos contruir um Moçambique fraterno, consciente e plural. Com este gesto singelo pretendemos celebrar um decano das letras e da cultura moçambicana e deste modo redesenhar futuros”.

Além de assinar com nome próprio, Aníbal Aleluia escreveu sob diversos pseudónimos: Roberto Amado, Augusto António e Bin Adam. Entre os seus livros contasm Mbelele e outros contos e O gajo e os outros.

 

 

Aurélio Furdela recebeu, sexta-feira, do Ministério da Cultura e Turismo, um diploma em reconhecimento do seu trabalho nos últimos anos na área literária no país.

Na sessão simbólica, o escritor recebeu o diploma de reconhecimento das mãos da Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, que, na ocasião, afirmou que a visão do Governo é resgatar todos os valores da literatura moçambicana e de outras expressões artísticas, abraçando os seus fazedores através de iniciativas desta natureza. A dirigente também apelou ao escritor para continuar na militância em prol de uma geração de escritores mais expressiva.

Segundo o comunicado do  Ministério da Cultura e Turismo, Aurélio Furdela mostrou satisfação pelo gesto e atenção do Governo, manifestando o desejo de ver esta acção a ser replicada para a actual geração de escritores.

Aurélio Furdela tem um largo percurso como escritor, dramaturgo, guionista e letrista. O autor premiado no país e no estrangeiro publicou “De medo Morreu o Susto”, “Gatsi Lucere”, “O Golo que Meteu o Árbitro”, “As Hienas Também Sorriem” e Saga  d’Ouro. Como dramaturgo, escreveu e publicou várias peças originais para o programa de teatro radiofónico “Cena Aberta”, da Rádio Moçambique. É autor de duas radionovelas, no âmbito do programa N’weti em Moçambique. Como letrista, destaca-se como autor da canção oficial da X Edição do Festival Nacional da Cultura – 2018.

 

O documentário sobre a autora de O sétimo juramento foi lançado este sábado, numa sessão online dirigida a partir do Brasil. Intitulado Paulina Chiziane: do mar que nos separa à ponte que nos liga, de acordo com o realizador brasileiro, Renan Ramos Rocha, o filme é uma homenagem a uma escritora que é tão importante para a língua portuguesa.

 

Em 2019 Paulina Chiziane viajou ao Brasil. Aproveitando a passagem da escritora por aquelas terras, Eliane Debus, Maria Aparecida Rita Moreira, e Renan Ramos Rocha juntaram-se e produziram um documentário com 28 minutos de duração.

Ao fim de dois anos, a equipa de produção decidiu lançar o filme no Dia Mundial do Teatro, numa sessão online com a escritora Paulina Chiziane e com a participação de Dionísio Bahule, que também colaborou durante a gravação.

Na véspera da estreia do documentário, Maria Aparecida Rita Moreira explicou que as literaturas africanas de língua portuguesa têm conquistado mais espaços nas universidades e nas escolas de educação básica brasileiras. Com tal afirmação, a brasileira quis esclarecer que o documentário produzido sobre a obra de Paulina Chiziane se justifica: “O documentário celebra esse encontro entre Brasil e Moçambique e traz-nos a pergunta: o que nos aproxima?”.

Sem qualquer resposta, Eliane Debus contou que este Paulina Chiziane: do mar que nos separa à ponte que nos liga conseguiu trazer um pouco do que foi a presença da escritora moçambicana na Universidade Federal de Santa Catarina, em 2019. Ora, o título do documentário produzido pela Iashar Filmes revela, para o realizador Renan Ramos Rocha, que “nós [os brasileiros] precisamos estabelecer mais conexões com Moçambique. Espero que vocês [os moçambicanos] gostem deste trabalho, desta homenagem a uma escritora que é tão importante para a língua portuguesa”.

Na sessão de lançamento do documentário, realizada na tarde deste sábado, via YouTube, Eliane Debus explicou que a ponte de que o título se refere é da língua portuguesa e das culturas moçambicana e brasileira. Na sessão, igualmente, também participou Jorge Dias, Director do Centro Cultural Brasil-Moçambique, que espera que o documentário enriqueça a obra de uma escritora que tem sido uma ponte viva na ligação entre os dois países.

Na mesma sessão deste sábado, Paulina Chiziane afirmou que o documentário é a celebração da humanidade. “Eu sinto que esta minha relação com o Brasil fez de mim uma pessoa nova e faz dos nossos povos cada dia mais irmãos. Temos de lutar juntos, caminhar e fazer alguma coisa muito mais humana e melhor para o nosso futuro. Quando fui ao Brasil, levei comigo um jovem, Dionísio Bahule, que é extremamente inteligente. Espero que possa continuar com a luta quando eu não poder caminhar”.

O documentário Paulina Chiziane: do mar que nos separa à ponte que nos liga estará disponível para visualização segunda-feira, na página YouTube da Iashar Filmes.

 

 

O Centro de Línguas da Universidade Pedagógica de Maputo (UP Maputo) exibiu, esta sexta-feira, o filme marroquino “ZERO”,  escrito e dirigido por Nour-Eddine Lakhmari. A sessão serviu para assinalar a Semana da Francofonia, que é celebrada na última semana de Março.

Segundo lembra numa nota sobre o evento, com a situação da pandemia muitas actividades da Semana da Francofonia decorreram via online, sem actividades culturais presenciais. Por isso, a exibição do filme marroquino foi a única que esteve a ser desenvolvida no âmbito do encerramento da semana, e a embaixada de Marrocos decidiu ir à universidade projectar o filme para os estudantes e professores, marcando o fim das festividades.

A sessão que foi testemunhada pelo Reitor da UP Maputo, Jorge Ferrão, contou com a presença do Ministro Plenipotenciário da Embaixada de Marrocos, Mostafa Nahi, que afirmou que o país do Magrebe está a trabalhar com o Governo de  Moçambique em várias áreas da vida social, educação e saúde, estando-se a preparar acordos bilaterais a serem firmados depois da pandemia.

 

 

Actores e encenadores enfrentam dias muito complicados por causa da COVID-19. Ainda assim, acreditam que estes tempos trazem-lhes novas possibilidades no que diz respeito ao processo criativo. Os artistas que falaram a propósito do dia 27 de Março vêem nas plataformas digitais o meio-termo para suprirem o confinamento e, assim, gerarem novos públicos.

 

A cada 27 de Março é assim… Actores, encenadores, produtores e toda gente que se interessa pela arte da representação celebra o Dia Mundial do Teatro. Apesar da crise sanitária e de tudo o que isso implica, os artistas do palco partilharam com este jornal o que pensam da efeméride numa situação tão estranha quanto esta que o mundo enfrenta.

Em geral, todos os entrevistados reconheceram que o último ano foi realmente adverso. Ainda assim, a esperança por dias melhores é algo que nenhuma nuvem ofusca. “Uma das coisas que o teatro me ensinou é de que nada é para sempre. O teatro é vida, e na vida nada é para sempre. A vida é impermanente. Estamos num momento atípico, mas este momento também vai-se embora”. Assim pensa Yuck Miranda, actor que tem sensação de que os artistas do teatro não se permitiram parar no mundo inteiro. Por isso, lembrou, começam a surgir novas possibilidades de fazer o teatro. Por exemplo? “O teatro cibernético, feito através das plataformas digitais. Os artistas, hoje, discutem como é que os seus vídeos são gravados ou como podem ser filmados em melhores planos. Há hoje um bom grupo de artistas do teatro preocupado em levar para as suas audiências um teatro com muita qualidade ao nível visual”.

Longe de casa há algum tempo, Venâncio Calisto mudou-se para Portugal, onde frequenta um mestrado em Teatro. Na óptica do encenador, celebrar o Dia Mundial do Teatro é uma oportunidade de se continuar a reafirmar a importância da arte nas nossas vidas. “Desde sempre, o teatro exerce o papel de consciência poética, política e de intervenção social. E é uma forma de resistência contra todas as manifestações do mal”.

Neste contexto, a grande força do mal é a COVID-19, pois agrava o que no passado sempre foi um problema. “Antes já tínhamos todas aquelas dificuldades que toda a gente sabe. Agora,  com a COVID-19, piorou. Mas não desistimos. Nós somos soldados e estamos a apostar em projecções de peças online. O teatro não vai morrer. De qualquer forma, sempre iremos no reinventar”. A pensar na tal reinvenção, acrescentou a actriz Sheila Nhachengo, a Associação Girassol, de que faz parte, está a preparar-se para, quando o confinamento passar, possam levar muitas e boas peças ao palco. “Não é a COVID-19 que nos vai parrar. Já antes, com todas as dificuldades de financiamento, relacionadas a salas para ensaiar e apresentar peças, sempre remamos. Vamos sempre procurar forma de tocar os corações das pessoas dos que nos seguem. Afinal o teatro existe e precisa ser valorizado”.

Se, por um lado, os actores concordam que devem aproveitar as plataformas online para que pelo menos não falte um movimento teatral, por outro, Sheila Nhachengo lembra que essa opção ainda não é sustentável no país. “Se calhar, em Moçambique, ainda não temos muita prática de vender com recurso às tecnologias, ao YouTube e a outras plataformas digitais”. Entretanto, admite, com o recurso ao online pode-se ter mais êxitos “do que quando ansiávamos por público em palco. Se os grupos se unirem e desenhar estratégias, podemos conseguir. O segredo é termos o mesmo foco e rentabilizarmos o teatro”.

Enquanto isso não acontece, a encenadora Maria Atália garante que seremos outras pessoas depois da COVID-19. “As pessoas que seremos depois da COVID-19, serão resilientes e que sabem por que estão a fazer o teatro de facto. Neste momento, precisamos de teatro como terapia. É insano todos os dias termos números a subir. Precisamos muito de nos agarrar ao que bem sabemos fazer, para nos curar e colocarmo-nos firmes e determinados. E esta situação está a deixar-nos determinados. Esta é a parte boa deste contexto”.

A visão de Maria Atália é optimista. No entanto, Horácio Mazuze prevê dias de muito trabalho, relacionados com a consciencialização das pessoas de modo a voltarem aos teatros. “Não será fácil o público voltar ao teatro de forma imediata, teremos de fazer um trabalho conjunto, árduo, porque até já andávamos com problemas de público nas salas. Uma paragem desta é grave e teremos de voltar a convencer os mecenas que merecemos apoios”.

 

O TEATRO NÃO VOLTA A SER COMO ANTES

Yuck Miranda foi categórico. O teatro não volta a ser o que era antes, porque já há um investimento nas plataformas online. A opção, adianta, agrega valor, até porque muitos teatros foram destruídos, fechados, viraram igrejas ou foram demolidos para construção de prédios. Logo, a infra-estrutura do teatro deixou de existir.

Para Yuck Miranda, a formação de novos públicos começa a acontecer dentro das possibilidades que existem no momento. No caso, a internet. “Reconheço que a internet não chega a toda gente, mas também começamos a estudar como os nossos vídeos vão chegar aos novos públicos”.

A propósito da afirmação que dá subtítulo a este artigo, Miranda esclarece: “Não prevejo a morte do teatro, mas acho que não voltamos a ser a mesma coisa. Vejo uma possibilidade de se manter o teatro, o espaço físico, mas também uma forma de massificarmos o teatro no sentido de que podemos ter pessoas a irem às salas e pessoas a ver as peças de forma online. Verdade seja dita, nós já tínhamos esse distanciamento porque as salas de teatro andavam vazias. Eu olho para esta situação como uma oportunidade. Há um momento que nos temos de recolher, estudar, para trazer novas abordagens”.

A propósito de novas abordagens, Yuck Miranda recebeu uma nomeação para fazer parte dos 100 directores do mundo que vão dirigir um espectáculo cibernético na Roménia. O actor clássifica o espectáculo como gigantesco. O mesmo vai durar 25 horas, e conta com directores de diferentes pontos do mundo. O mais importante para Miranda é a possibilidade de dirigir um espectáculo teatral e uma actriz da e na Roménia que não fala português e nem inglês, a partir Moçambique. “Há fronteiras que o teatro está a vencer neste momento”, e isso também marca este 27 de Março de 2021.

 

 

 

 

Os artistas congoleses, Vitshois Bondo e Fransix Tenda, juntaram-se para expor uma colectiva de pintura na galeria do Centro Cultural Franco-Moçambicano, na cidade de Maputo. A exposição tem curadoria de Gonçalo Mabunda e Andreia Moreira.

 De Kinshansa chegaram dois artistas plásticos. Chamam-se Fransix Tenda e Vitshois Bondo. Ambos estão a expor uma colectiva de artes plásticas no Centro Cultural Franco-Moçambicano, na Cidade Maputo. Intitulada Rompendo fronteiras Congo-Moçambique, a mostra junta aproximadamente 30 obras de pintura, que, além de preocupações estéticas, procuram quebrar fronteiras que impedem a mobilidade de artistas no continente.

Na abertura da colectiva, Vitshois Bondo manifestou a sua satisfação em poder voltar à Cidade de Maputo para expor a sua criatividade. “Estou feliz com este convite do meu amigo Gonçalo Mabunda, um artista importante, não apenas em Moçambique e em África, mas também ao nível mundial. Receber o seu convite para estar aqui e fazer esta exposição é importante para mim, significa bastante porque faz parte da mentalidade que os artistas africanos devem ter, este tipo de parcerias é maravilhosa para mim”.

Gonçalo Mabunda e Andreia Moreira são os curadores da exposição. Esta quarta-feira, o escultor expicou o que o moveu ao trazer dois artistas congoleses ao país. “Esta colectiva é um projecto que vem acontecendo há algum tempo. Queremos quebrar as barreiras existentes, porque nós somos todos iguais: Kinshansa, Maputo, Joanesburgo, e etc., todos somos um só povo. Tentamos ser bantu, todos juntos, porque isso é o que nos fortalece. Daí o nosso interesse em quebrar essas fronteiras que não existem”.

Devido às restrições impostas pela COVID-19, Rompendo fronteiras Congo-Moçambique pode ser visitada de forma virtual, durante um mês.

Ainda na Cidade de Maputo, Fransix Tenda e Vitshois Bondo participam em sessões de conversas sobre a criação de espaços para divulgação de artes visuais em África.

 

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