O País – A verdade como notícia

Às 18 horas desta quinta-feira, será inaugurada a exposição colectiva Colecção Crescente 2021. Segundo avança a Associação Kulungwana, poderão ser vistas, virtualmente, obras de mais de uma centena de artistas, até dia 30 de Abril.

Com a mostra virtual da “Colecção crescente 2021”, a Kulungwana dá continuidade ao que considera um dos maiores eventos da vida artística moçambicana, que se vai repetindo há 10 anos. “De ano para ano, o número de participações dos artistas locais é crescente, traduzindo o entusiasmo com que este evento é acolhido pelos mesmos. A premiação dos três melhores trabalhos, por um júri de especialistas, com o novo Prémio Melhor Futuro, atribuído pelo patrocinador, a Hollard Mozambique, veio dar ainda maior dinamismo ao evento”, lê-se na nota de imprensa da Kulungwana.

A nova colecção, com efeito, conta com 147 artistas, com 323 placas, provenientes de oito províncias do país. A Kulungwana destaca a participação das mulheres, que têm sido acarinhadas, tornando-se mais visível em cada edição.
“Desde o início da pandemia, ocorrida em Março do ano passado, que a Kulungwana tem procurado continuar em contacto com o seu público, ao mesmo tempo em que procura divulgar a obra dos artistas locais. Assim, pela segunda vez consecutiva, a exposição abre em regime virtual, através de diferentes meios de divulgação: site Artfundi, redes sociais da Kulungwana.

Desta vez, o tema da colecção é o Futuro! Considerando a actual realidade sombria, “a curadora da exposição, Mieke Holdenburg, desenvolve uma série de questões, que nos levam a reflectir sobre a nova realidade global em 2045”, adianta a organização.

Curta-metragem de Gigliola Zacara, Nkwama, foi seleccionada para participar no CENA – Festival de Filmes Dirigidos por Mulheres, em Cabo Verde. A sessão decorre online e a nova versão do filme pode ser vista às 21 horas de sábado.

Numa altura como esta, ano passado, Gigliola Zacara atravessou um momento carregado de depressão. A causa? O confinamento e tudo o que essa palavra implicou em termos de cancelamento de eventos e projectos artísticos. Um ano depois, ainda que a situação dos artistas continue incerta, Gigliola Zacara sorri com satisfação, pois foi convidada a participar no CENA – Festival de Filmes Dirigidos por Mulheres. A iniciativa cabo-verdiana, essencialmente, pretende promover o cinema feito por realizadoras africanas dos países de língua oficial portuguesa e Timor Leste.

Considerando que o evento inclui exibição de filmes projectados do arquipélago para o mundo inteiro, Gigliola Zacara e a sua equipa sentem-se honradas por estarem dentro da plataforma CENA. E destaca, “no evento eu não só estarei como mulher fazedora de cinema, mas também em representação do nosso país. Estamos a expor a diversidade do nosso país e a qualidade dos profissionais do cinema em Moçambique, dando visibilidade aos próprios artistas que fizeram parte deste projecto”.

Na participação no CENA – Festival de Filmes Dirigidos por Mulheres, igualmente, Gigliola Zacara espera colher da exposição de Nkwama o que precisa para continuar a fazer filmes de qualidade.

Quem quiser ver a curta-metragem pode aceder á página Facebook do CENA, às 21 horas de sábado.

O CENA – Festival de Filmes Dirigidos por Mulheres é um evento que decorre em colaboração com a Universidade de Cabo Verde (UviCV), no Mindelo. Além daquela instituição, o festival alusivo ao mês da mulher conta com apoio da REDE de Cinema e Audiovisual PALOP-TL e da Universidade de Cracóvia da Polónia.

UM FILME PREMIADO

A realização de Gigliola Zacara foi uma das premiadas no concurso de curtas-metragens do Centro Cultural Moçambicano-Alemão, ano passado. Na altura, a realizadora teve de respeitar o requisito de não exceder cinco minutos de duração. Por que a artista tinha muito material, depois do concurso, continuou trabalhando e, ao Festival de Filmes Dirigidos por Mulheres leva uma nova versão do filme, agora com 15 minutos de duração.

Seja como for, Nkwama é a história de Alice, uma personagem lutadora, intransigente na busca de soluções para confortar o seu lar. Alice faz do plástico fonte do seu e do sustento dos seus. Daí o título do filme Nkwama, do rhonga, plástico em português. O filme, além de uma história de lutas pela sobrevivência, explora questões ligadas à conservação ambiental. A inspiração é o quotidiano de muitos catadores de lixo, mas a história também mergulha no ambiente familiar da Alice.

Licínio Azevedo vai adaptar para o cinema o conto “Nhinguitimo”, um dos que compõem o livro Nós matamos o cão-tinhoso, de Luís Bernardo Honwana. A curta-metragem de 20 minutos deverá estrear em Julho e a produção é orçada em 4 milhões de meticais.

 

“Pouco antes do início das colheitas, as rolas reúnem-se nas matas que dividem as machambas do vale. Durante duas ou três semanas, em bandos numerosos, sobrevoam os campos em largos círculos”. Assim inicia o conto “Nhinguitimo”, um dos que constituem o icónico Nós matamos o cão-tinhoso, de Luís Bernardo Honwana. Publicado em livro há 57 anos, o texto é o primeiro do autor a ser adaptado para o cinema.

O projecto de Licínio Azevedo arranca um ano depois de o cinema ter parado no país. “Não produzimos nada, ano passado, e decidimos que não devemos continuar assim”. Por isso, sabendo que agora é impossível conseguir financiamentos no estrangeiro para produções mais ambiciosas, o realizador abandonou, por enquanto, projectos antigos a fim de investir no mais pequeno, possível de produzir com fundos internos.

Licínio Azevedo pensou no “Nhinguitimo” porque a história se passa nos anos 60, um período desconhecido para a juventude de hoje. Assim, a expectativa do realizador é que mais jovens tenham, de algum modo, um contacto acentuado com o que se passou em Moçambique, por exemplo, numa certa zona de Moamba, na província de Maputo. Simultaneamente, Licínio Azevedo percebeu que a obra Nós matamos o cão-tinhoso, de Luís Bernardo Honwana, nunca foi adaptada para o cinema. Assim, confessou, “espero que o filme faça jus ao conto que ele tão bem escreveu”.

O anúncio das gravações da curta-metragem de 20 minutos foi feito esta terça-feira, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, na Cidade de Maputo. Além do realizador, esteve na sessão o produtor do filme, Jorge Ferrão, com quem Licínio Azevedo trabalhou em outros projectos há 40 anos. “O Licínio lembrou-se dos tempos em que fizemos algumas produções juntos e perguntou-me se estaria interessado em trabalhar com ele neste filme. Eu achei que seria um bom desafio voltarmos a trabalhar juntos no meu tempo livre, sem abdicar do meu trabalho, e ajudar a fazer esta produção”.

A produção da curta-metragem de Licínio Azevedo tem ajuda de empresas nacionais e da Embaixada da França em Moçambique. “O papel da embaixada da França é apoiar os actores culturais”, acrescentou Laurent Péres Vidal, da Embaixada da França, na conferência de imprensa:  “O cinema, que  cruza o sonho e o real, é um sector relevante para França. O cinema tem valor cultural e económico. Depois, os filmes de Licínio são reflexos da alma que vagueia sobre a sociedade”.

Com o memorando de apoio às produções assinado no Franco, segundo afirmou Licínio Azevedo, agora segue a fase de identificação dos locais onde a curta será rodada. Entre os locais elegíveis estão os distritos de Moamba, Boane e Marracuene, na Província de Maputo. Igualmente, segue a fase do casting de actores, coordenada Hermelinda Simela, que já trabalhou com Licínio Azevedo nos filmes Comboio de sal e açúcar e Virgem Margarida. A ficha técnica ainda não está fechada. No entanto, o realizador avançou que Pipas Forjaz integra a equipa de trabalho na qualidade de Director de Fotografia.

O orçamento previsto para a curta-metragem “Nhinguitimo” é de 4 milhões de meticais.

 

 

O escritor Nelson Lineu lança, às 17 horas desta terça-feira, o seu terceiro livro. O passo certo no caminho errado reúne crónicas publicadas na revista Literatas, em 2012.

O encontro virtual está marcado para esta terça-feira. Quando forem 17 horas, na página Facebook da revista Literatas pode-se visualizar uma sessão de lançamento do mais recente livro do escritor Nelson Lineu. Intitulado O passo certo no caminho errado, o livro é um conjunto de crónicas sobre questões sociais, mas sem que se torne algo de intervenção social, na óptica do autor.

Na verdade, as crónicas deste terceiro livro de Nelson Lineu foram publicadas pela primeira vez na revista Literatas lá vão nove anos, para o autor, num momento muito importante para construção dos seus pensamentos sobre o país e sobre o mundo, com lentes da arte e da ciência. E esclarece: “Da arte porque era o período em que o Kuphaluxa estava no seu auge; eu, Japone Arijuane, Mauro Brito, Eduardo Quive e Amosse Mucavele, ficávamos horas conversando, mostrando a nossa insatisfação com o rumo que o país estava a tomar e o modo como poderíamos participar para um cenário diferente. Da ciência porque cursava a licenciatura em Filosofia, participava das aulas e lia buscando a perspicácia dos filósofos em expor os seus argumentos e contra-argumentos, acima de tudo os elementos com que se guiavam para dissecar o social, o científico e o político e abrir outras possibilidades que não as estabelecidas”.

As crónicas de Nelson Lineu foram escritas, igualmente, depois de o autor perceber que os debates sobre o país não se fazem apenas no parlamento, nas academias ou nas televisões. Segundo o escritor, as pessoas comuns também fazem parte do debate inerente aos mais importantes temas nacionais. E esses debates são continuados nos chapas, nos mercados ou em outros locais, afinal com uma linguagem particular. “Assim sendo, as crónicas desse livro assentaram-se nesta linguagem, claro com um cunho literário”.

Nelson Lineu publicou os seus textos na revista Literatas convicto de que um dia iria os compilar em livro. “E o faço agora porque o estilo dos textos é o alicerce do meu fazer literário, e porque encontro neles os fundamentos dos meus pensamentos sobre o país”. E continua: “Embora, como nação, tenhamos nascido sobre o viés de uma unidade nacional, houve espinhos que têm sido o chão onde crescem a intolerância e a desqualificação do outro que nos tem caracterizado. Um certo grupo de moçambicanos pegou em armas e lutou pela independência do país, após ser alcançada, viu-se no direito de ser a única voz para delinear os caminhos que o devíamos seguir, sem consultar as outras vozes, quem pensasse o contrário era visto como inimigo. Isto fez com que existissem dois grupos no país, uns que se vêem legítimos das benesses que o país oferece e outros a reclamarem por essa legitimidade. A face mais visível dessa situação acontece na Assembleia da República, basta a opinião ser de um outro partido para não ser levada em conta, o caso mais gritante é o facto de as propostas de lei dos partidos da oposição não terem campo para discussão”.

Assim sendo, “escrever, para mim, é esse diálogo em que o outro, por mais que esteja errado, tem direito a dar a sua opinião livre de qualquer pressão alheia a ela, ou seja, o passo certo no caminho errado”.

Alterações de agenda, perdas monetárias, dificuldades. São características dos diferentes sectores de actividade desde a eclosão da COVID-19 em Moçambique, sobretudo nos considerados não essenciais nos planos de gestão da pandemia como o da cultura. Para não desfalecer, foi preciso mudar.

Na sala grande do histórico Scala, as mudanças estão a olhos vistos. Antes com capacidade para acolher 900 espectadores, agora, com as novas medidas, só pode receber menos da metade.

“Tivemos que reorganizar a sala. No centro optamos por privilegiar casais e nas laterais estão as bancadas individuais”, disse Ruca Pires: Gestor de Infra-estruturas no Scala.

A corrida para adequar-se ao novo normal incluiu a reestruturação do palco. Entretanto, todos são investimentos que ainda não produziram resultados monetários, porque a Situação de Calamidade Pública ainda não permite a abertura destes espaços ao público.

A solução imediata é migrar para o espaço digital. “Vem agora um ciclo de vídeo-poemas e uma oficina de “artevismo” que estamos a organizar com o Instituto Camões e a Embaixada da França”, avançou Chimene Costa, directora artística do Scala, que acrescentou: “estamos a abrir o local para ensaios e pesquisas para fugir do sufoco. A ideia é não parar”.

Não parar foi o lema de Valdemiro José desde o início da pandemia. Obrigado a cancelar a sua turnê alusiva aos 15 anos de carreira, o músico e compositor não decepcionou os seus fãs e admiradores.

“Uma das coisas que nós fizemos foi criar um projecto chamado HD Valdemiro José e sua Banda. Fizemos 12 edições online. Mas, muitos não me entenderam”.

Não entenderam e ajudaram VJ a provar que às vezes é melhor nadar contra a corrente. Os resultados foram os melhores. “Pudemos medir o quanto o público gosta do nosso trabalho. Vimos que as redes sociais, em particular, o Facebook, Instagram e Youtube não são o futuro, são o presente”, sustentou o artista.

O voo despencou quando estava no auge por falta de apoio. Mas o músico e compositor garante, algo maior vem ai.

Enquanto Valdemiro José movimenta-se para ajustar-se ao novo normal, no Kaya Kwanga o movimento é só de trabalhos de limpeza. O vazio incomoda e assombra as contas da empresa, que teve de reduzir o número de funcionários como estratégia de gestão dos impactos da pandemia.

Para evitar mais demissões e suspensões de contratos, o Kaya Kwanga decidiu reinventar-se usando as suas outras potencialidades. “Intensificamos os serviços de restauração e hotelaria, mas continuamos numa situação difícil”, disse Jaime Bila, gestor da instância.

Uma situação difícil que, segundo Bila, só pode ser superada com a retoma dos casamentos e festas. Para isso, a instituição já se preparou.

 “Na sua capacidade máxima, o salão acolhe 400 pessoas. Caso o Presidente da República decida pela retoma destes serviços na sua próxima comunicação, estaríamos preparados para receber, à vontade”, sustentou.

Enquanto tudo continua fechado, o Cine Teatro Scala, Valdemiro José e Kaya Kwanga, continuarão a ser três entidades que, apesar de terem visto seus planos traídos e contas sufocadas pela COVID-19, tentam transformar a dificuldade em oportunidades para fazer melhor.

Vários artefactos de Malangatana estarão em exposição próximo mês, na cidade de Maputo. A iniciativa do Absa Bank pretende enaltecer a vida e obra do artista.

Os artefactos de Malangata Valente Nguenya estarão expostos, no próximo mês de Abril, no Balcão Premier do Absa Bank, na cidade de Maputo. De acordo com a instituição organizadora, esta é uma forma encontrada para homenagear a vida e obra do artista, no ano em que, se fosse vivo, completaria 85 anos de idade.

De igual modo, “a exposição visa relembrar a dimensão sociocultural da arte de Malangatana e o contributo do artista na elevação do nome de Moçambique a nível global. Muito mais do que um criador, foi alguém que demonstrou, através da linguagem da arte, que há uma linguagem universal, que nos permite comunicar diferentes mensagens a diferentes públicos”, lê-se na nota de imprensa.

Na exposição de Abril poderá se apreciar ao desenho, à pintura, à cerâmica, aos murais, à poesia e à música, tudo produzido em vários meios e suportes. Os organizadores querem “enaltecer os feitos daquele que, pela UNESCO, foi nomeado Artista da PAZ em 1997”, acrescenta-se na nota de imprensa: “a exposição visa destacar a importância do trabalho realizado pelo artista na criação de uma identidade cultural moçambicana e impulsionar os jovens artistas a seguirem o seu exemplo de ‘senador’ da República de Moçambique e de referência para a cultura nacional”.

A nota de imprensa sobre a exposição avança ainda que “é impossível falar de arte moçambicana sem mencionar o nome do Malangatana. Nós, como Absa Bank Moçambique reconhecemos a dimensão do trabalho realizado por ele e queremos, de certa forma, ajudar a garantir que o legado por ele deixado seja transmitido aos mais novos”.

Malangata Valente Nguenya foi galardoado com a medalha Nachingwea, pela sua contribuição para a cultura moçambicana, e investido a 16 De Fevereiro de 1995 Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Em 2010, recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Évora e a condecoração atribuída pelo governo francês, de Comendador das Artes e Letras. Foi também um dos poucos estrangeiros nomeados como membros honorários da Academia de Artes da RDA.

Malangatana nasceu em Matalana, distrito de Marracuene, província de Maputo, a 6 de Junho de 1936. Perdeu a vida, vítima de doença, no dia 5 de Janeiro de 2011.

A cantora sul-africana Wanda Baloyi escolheu a cidade de Maputo para falar das suas raízes moçambicanas a um programa de entretenimento do seu país. Uma delegação constituída por sete pessoas esteve em Maputo para contar histórias e expor potencialidades turísticas moçambicanas.

Um programa de entretenimento sul-africano, designado “Life with Kelly”, decidiu contar a vida da cantora Wanda Baloyi. Numa época em que a cantora sul-africana tem intensificado a busca pelas suas raízes moçambicanas, com efeito, decidiu levar a Maputo uma delegação constituída por sete pessoas. “Se me oferecerem uma plataforma para contar a minha história, só fará sentido começar em casa. Uma pessoa só pode chegar a você melhor quando trazida para sua casa”, justificou Wanda Baloyi a decisão de fazer as gravações na cidade de Maputo.

Com o programa de entretenimento gravado em Maputo há mais ou menos uma semana, sobre experiências da vida real, Wanda Baloyi espera quebrar fronteiras. “Os nossos líderes anteriores lutaram para criar uma África unida. Só podemos fazer a nossa parte como amigos e incentivar outros a fazerem o mesmo. Podemos aprender muito uns com os outros”. Além disso, acrescentou a cantora sul-africana com origens moçambicanas, a plataforma da Showmax é óptima para Moçambique porque oferece ao país a oportunidade de ser visto de um ponto mais educacional e turístico.

Nesta viagem de trabalho, por sua vez, a mentora do projecto, Kelly Khumalo, deixou-se levar tanto pelo interesse de conhecer as raízes da sua amiga, bem como por vivenciar Moçambique da melhor maneira possível. Tal ambição, envolveu algumas mexidas logísticas, como “uma série de comunicação e ligação, logística de voos e roteiro completo para explorar plenamente Moçambique”, revelou Kelly Khumalo.

As gravações com Wanda Baloyi duraram cinco dias. Antes de começarem, a delegação sul-africana foi recebida pela Ministra da Cultura e Turismo. Nesse encontro, Eldevina Materula apoiou a decisão de o programa que segue a vida da artista sul-africana Kelly Khumalo, com a participação da cantora Wanda Baloyi, vir a Moçambique explorar narrativas, raízes e potencialidades turísticas. “Este reality será um meio de divulgação da nossa história, cultura, turismo e vamos dar a conhecer ao mundo o que de melhor temos no país”, afirmou Eldevina Materula no encontro.

Há aproximadamente 14 anos, dois amigos de Samito e Haig V diziam-lhes que tinham de se conhecer, pois já em 2007 tinham muito em comum. Nessa altura, quer o artista moçambicano, quer o canadense, desenvolviam projectos que não se cruzavam. Em Novembro de 2017, com efeito, conhecem-se e trocam impressões. Nesse ano, depois de ouvirem as suas respectivas músicas, ficou claro que podiam produzir muito bom som juntos. A aproximação aconteceu num contexto em que Samito estava a iniciar um percurso diferente, a tomar uma pausa indefinida na música, afinal, nos dois anos precedentes, tinha estado em uma digressão promocional que o obrigou a estar em Maputo para descansar. No entanto, como estava combinado que iriam trabalhar juntos, antes de viajar para Moçambique Samito deixou com Haig V um disco-duro com três álbuns em preparação.

Quatro meses mais tarde, os dois artistas começam a afunilar ideias. A certa altura, iniciam o trabalho nas músicas. A cumplicidade precisou de dois anos para amadurecer e, chegados a Novembro de 2019, ambos passavam quatro dias por semana em estúdio, do meio-dia à meia-noite, portanto 12 horas de trabalho por dia. “O que nos uniu foi um desejo de fazer música sem limites, longe da toxicidade prevalecente na área do entretenimento. Eu tinha estado a reflectir profundamente sobre como criar um projecto que mesmo operando no espaço da música, pudesse morar à periferia. E nesse sentido, SPRLUA foi concebido, antes de mais nada, como um projecto social primeiramente lançado como música, mas que pode assumir inúmeras formas, incluindo vídeo, merch, eventos digitais, e mais”, esclarece Samito, realçando que foi assim que fizeram o álbum, cujo primeiro single, “Saraevo”, será lançado em vídeo-clip para o mundo inteiro esta sexta-feira, no YouTube.

O vídeo-clip “Saraevo” foi realizado por Christian Boakye-Agyeman, tendo sido filmado na cidade de Sutton, no leste de Québec, no Canadá. A cinematografia foi confiada a Whitney Norceide. Do mesmo modo, o vídeo-clip “Saraevo” é fruto de uma colaboração com a marca Odeyalo, conhecida por produzir vestuário de qualidade.

Ora, o projecto que une Samito e Haig V, em português, tem ó título de Super Lua de Sangue de Lobo (SPRLUA), um eclipse lunar raro que tem lugar em pleno inverno. O mesmo projecto, de acordo com os artistas, simboliza o encontro de dois produtores que vivem em Montréal, cuja colaboração nos últimos dois anos foi impulsionada por um desejo comum de explorar ideias criativas fora da dos quadros convencionais da indústria musical.

SPRLUA não é um projecto tradicional, é uma plataforma que oferece espaço para as pessoas utilizarem as suas competências e conectarem-se. O objectivo do grupo é utilizarem vários pontos de contacto, incluindo vídeo, moda, plataformas digitais, meios de comunicação social e eventos ao vivo para divulgar a sua mensagem e promover o seu trabalho.

Para Samito, a parceria com Haig V ajuda principalmente a ter um segundo cérebro para compor/escrever, gravar, arranjar, produzir e misturar a música. “Haig é muito bom com a sónica, é obcecado por todos os pequenos detalhes sónicos e, para além de ser um excelente produtor, é um excelente engenheiro de misturas. Eu sou obcecado por estruturas e pela produção do que criamos. Trabalho bastante com os arranjos e notas de forma a que façam sentido e transmitam adequadamente as nossas mensagens. Assim, alternamo-nos em estúdio até que as coisas estejam certas. Ele mistura e supervisiona a masterização. Onde as suas orelhas são insuficientes, as minhas estão lá para ajudar a captar coisas que precisam de ser mudadas ou melhoradas”

Além disso, a parceria com o canadense permitiu ao moçambicano encontrar o espaço de que precisava para lidar com o aspecto empresarial do projecto. Por exemplo, a contratação e execução de todas as necessidades, o que é algo que também gosta de fazer.

O álbum dos SPRLUA será lançado em Junho.

 

Excerto de “Saraevo”

Se a história antiga diz que foste à capital/ Maometana irreverente e bem cristã/ Bem ortodoxa milenária e full judaica/ Não ouças nada que este people diz agora/ Se a história diz também que foste a oprimida/ Hoje eu peço que não sejas opressiva/ Não insinues que eu sou menos cidadão/ Ser imigrante também é digno de respeito”.

 

A artista e escultora Aline Nobre inaugurou, esta segunda-feira, a exposição de pintura Mulher, cura e alma. A individual estará patente no Centro Cultural Moçambicano-Alemão e poderá ser visitada, de forma virtual, durante um mês.

A exposição de pintura de Aline Nobre começou a ser preparada lá vai um bom tempo. O que importa anotar, na verdade, não é uma resposta à pergunta quando?, mas para questão como? Indecisa em relação ao primeiro caso, a pintora moçambicana foi categórica ao afirmar que Mulher, cura e alma nasceu de conversas com várias mulheres, partilhadas ao longo dos últimos anos. Talvez, por isso, o tema principal são os sonhos e o propósito que movem e devem mover as mulheres.

Utilizando uma técnica mista nas 14 telas que constituem a mostra, Aline Nobre explica o que a interessa com esta aparição. “Questiono qual é o nosso propósito e a possibilidade de nos darmos ao direito de explorar esse tal propósito na busca da verdade”.

Ao dizer “nosso”, com efeito, Aline Nobre está principalmente a pensar nas mulheres, afinal “eu quero que todas elas saibam que merecem mudança, amor, libertação e essas coisas todas. Espero que com esta exposição possamos sonhar o mais alto possível”.

A exposição inaugurada esta segunda-feira estará patente no Centro Cultural Moçambicano-Alemão durante um mês. Quem quiser visitar a individual, no entanto, deve aceder à página Facebook daquela instituição, pois os eventos artísticos ainda não estão abertos ao público nos centros culturais.

Questionada sobre a importância de levar a arte às pessoas numa altura como esta, Carolin Brugger, Directora do Centro Cultural Moçambicano-Alemão, afirmou: “Estamos ainda num momento muito dificil, com as restrições e com o impacto da pandemia. Achamos que seria muito importante trazer essa força para as pessoas, especialmente para as mulheres, através de uma exposição”.

A individual de Aline Nobre enquadra-se nas celebrações do mês da mulher, por isso mesmo, a artista também quis retratar sonhos, percursos de cura e de libertação de todas individualidades femininas representas nas suas telas. Sobre as peças, o Centro Cultural Moçambicano-Alemão observa que são igualmente uma “alquimia de cores” com o intuito de incitar e instigar conversas para a expansão individual e da sociedade através da sua arte.

 

Aline Nobre

A artista plástica que agora expõe no Centro Cultural Moçambicano-Alemão é multifacetada. Além de pintora, é escultora e artesã. Aline Nobre nasce em Maputo, em 1996. Formada em Contabilidade e Auditoria, pela Universidade Politécnica, começou a pintar terminado o curso, em 2018, depois de uma experiência extremamente traumática que serviu de portal para o seu reencontro com a arte. Descendente de uma família de artesãs de origem sena e pondzo, na sua pintura Aline Nobre explora várias técnicas, com destaque para tinta acrílica.

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