O País – A verdade como notícia

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê a ocorrência de mais chuvas em todo o país nos próximos dias. Entretanto, em alguns bairros da Cidade de Maputo, já há sinais de alagamentos em ruas e residências, em resultado da chuva que caiu este sábado.

Bairros como Laulane, Mahotas, Ferroviário, entre outros, já estão em alerta na presente época chuvosa, pois a chuva que vem caindo já começou a deixar os moradores sem sossego.

Bernarda Bernardo diz ter abandonado a sua residência para a casa vizinha devido à chuva: “Nós, aqui, sofremos com a água da chuva. Quando chove, enche de água. Assim, na minha casa está cheio de água, fugi de lá e estou aqui, na casa do vizinho.”

O problema da falta de valas de drenagem para o escoamento das águas da chuva é antigo. Para os moradores dos bairros acima mencionados, é imperioso que essas infraestruturassejam construídas.

“Pedimos ajuda na construção de valas de drenagem. Só assim pode ser resolvido este problema de inundações, disse Cecília, residente do Bairro Mahotas, para depois evidenciar: “Pedimos ajuda”.

Nos últimos dias, segundo o INAM, a chuva caiu nas províncias do Sul e Centro do país, facto que pode continuar nos próximos dias, segundo avançou Geneth Roque, meteorologista: “A chuva vai cair em todo o país, mas de forma localizada. A chuva será em todo país, mas no Norte não será intensa quanto no Sul e Centro”.

Este sábado, a Cidade de Maputo teve o registo de chuva de  24mm por metro quadrado, uma quantidade que causou inundações em ruas e residências.

Ler e Brilhar é o título do livro infantil lançado, este sábado, na Cidade de Maputo, que busca incentivar o gosto pela escrita e leitura nas crianças e resgatar os valores morais. A iniciativa é da escritora Lídia Mussá.

O livro infantil Ler e Brilhar conta histórias escritas por crianças para as outras crianças, com vista a cultivar o gosto pela escrita e leitura.

A produção da obra contou com a participação de 30 petizes, uma iniciativa de Lídia Mussá, que, numa primeira fase, abrange escolas primárias.

“Ler e Brilhar é o renascimento da esperança perdida no tempo e do abstracto que há nas crianças. O livro é um apelo aos pais e encarregados de educação às crianças para apostarem em livros e se absterem um pouco das telas”, disse Lídia Mussá, mentora do projecto.

Lárcio Idalto é um dos colaboradores, e exortou outras crianças.

“Que continuem a ler, escrever e estudar e que procurem sempre participar em concursos de literatura”, instou Idalto.

Para os próximos meses, pretende-se expandir a iniciativa Ler e Brilhar para outras escolas.

“É uma ideia para várias escolas, e esperamos, a partir do próximo ano, abranger outras escolas, de modo a alcançar todo o país. Para tal, precisamos de parceiros para nos apoiar, pois ainda temos falta de projectos de literatura, principalmente para crianças”, concluiu Lídia Mussá.

A cantora moçambicana, Liloca, lançou, hoje, na Cidade de Maputo, o projecto “Empodere-se com a Liloca”. A iniciativa é para motivar as mulheres, transformando-as numa versão mais valorizada e inspiradora dentro do seu círculo de convivência e na sociedade, em geral.

Trata-se de um programa virtual intitulado “Empodere-se com a Liloca”, em que as mulheres vão aprender a valorizar-se e melhorar a sua postura.

O projecto feminino é inspirado na experiência da cantora Liloca, suas conquistas, seus desafios e suas lutas diárias em vários ângulos da vida.

“Eu quero, neste meu projecto, que a mulher se ame a cada dia, olhe para si mesma sem se comparar com ninguém. Vamos poder trabalhar a mente e o corpo com objectivo de atingir a sua melhor versão”, disse Liloca.

De forma concreta, o programa vai fazer abordagens temáticas sobre a postura da mulher, como manter o corpo saudável, cuidados com a alimentação, hábitos e costumes que proporcionam bem-estar, entre outras abordagens, tudo baseado no dia-a-dia da cantora.

“Empodere-se com a Liloca” vai acontecer num espaço virtual envolvendo mulheres de várias idades e extractos sociais diferentes, criando conexões, para que, em conjunto, encontrem um caminho que permita a cada integrante redefinir a sua personalidade, buscar conforto individual e estabelecer auto-confiança sobre quem é e o que pretende tornar-se.

O lançamento do projecto contou com várias individualidades femininas que partilharam, igualmente, a sua experiência de superação e auto-estima.

Boa noite!

Queria antes de mais nada estender o meu agradecimento pela presença de todos e igualmente por estes dois jovens autores, tal como eu, me terem escolhido como apresentador da obra de utoria conjunta deles, que para já retribuo com um muito obrigado, expressando a minha honra por esta oportunidade. Não gostaria de me alongar, uma vez que não me cabe a mim, fazer a apresentação crítica da obra, mas o que me proponho a fazer em um roteiro, em forma de divagação, para que os mais atentos retenham alguns pontos que podem ser fulcrais na leitura da obra, no entanto, já advirto da minha santa e tamanha ignorância neste tipo de empreitadas. Aliás, uma das grandes motivações para eu aceitar este pedido que me foi formulado pelos poetas, foi exactamente a minha única sabedoria: a de que depois desta apresentação não nos escapará um momento para beber uma cerveja, mesmo que caia a chuva e os trovões, e agora acrescento, mesmo que caia o presidente da república, ou mesmo que seja uma terça-feira.

Por outro lado, e tendo respeito por muitos que como eu, provém dos seus afazeres laborais, que em regra são sempre cansativos, vou tentar ser o mais breve possível, mesmo não sendo, para evitar obviamente os discursos longos e entediantes. Até porque não sou nenhum doutor. Na verdade, a Bíblia já recomendava: “Sê breve em teu discurso, dize-o muito em poucas palavras”. Embora, eu nem me lembre do livro nem do versículo que contenha tais sagrados conselhos.

Diante dessas recomendações, tenho a obrigação de ser breve, tanto quanto possível, na apresentação do livro BARCA OBLONGA, de Otildo Guido e Fernando Chaúque. Nada obstante, estou a enfrentar um duplo desafio. Primeiro, o de ser breve. Segundo, o de apresentar o livro de dois poetas, e se calhar três, tendo em conta a forma como a poesia de Luís Carlos Patraquim permeia todos os poemas contidos nesta barca.

A proposta poética ou as propostas de Barca Oblonga atravessam e extravasam os sentimentos que povoam a misteriosa e insondável alma humana. Eles se voltam ao mundo interior, onde residem os sonhos, as esperanças, os devaneios, os contrastes e os confrontos da vida. Resgatam a subjectividade entre o mundo e a alma, permitindo sugerir o movimento e o efêmero da emoção, talvez por isso mesmo que o título seja BARCA, sugerindo a ideia de movimento ou, quiçá, de partida.

Em versos livres, numa tentativa clara e flagrante de encetar um diálogo através de um vaso comunicante com o seu mestre, avança esta barca poética, com os remos feitos de metáforas, imagens e paráfrases, num mar figurativo de ideias abstratas e emoção lírica vivida intensamente no momento da criação.

Aliás, não só a construção poética Patraquimmniana atravessa a Barca Oblonga, mas para um observador atento se antevê a forma como as vozes dos autores que juntaram-se para este exercício inspiracional de escrever poesia (como quem faz sexo – já que se faz a dois) procuram uma unicidade, de tal forma que torna-se pouco evidente saber quem é quem em cada poema construído. Este será para muitos leitores, o grande jogo que se coloca diante deles, descortinar através de sinais simples de quem é a autoria individual dos poemas. Foram escritos a duas mãos? Foram de responsabilidade repartida ou foram remates individuais que cumpriram, enfim, os objectivos da equipa?

Para mim, a forma evocativa dos poemas, a simplicidade estética, mas com notório rigor, e a inquietação filosófica e a beleza, no geral, lembra-me um momento brilhante da minha juventude poética, que foi a publicação de Cada Um Em Mim, livro de Nelson Lineu, que também se embrenha numa navegação igual, que se resume na indagação do eu interior, percorrendo os vários eus que consigo coabitam e buscando referências múltiplas de texto para texto, embora nesta sintonia de Otildo e Fernando, esta referência seja uma e única: os versos memoriosos de Patraquim.

Não gostaria de deixar de expressar até o meu estranhamento, quando ao percorrer os primeiros textos fui dando de caras com versos que de alguma forma conhecia-lhes a cor ou o rastro, mas rapidamente me veio a imagem, senão a ideia de que isto tudo fazia parte de um grande jogo, que os escribas decidiram urdir, não para o vício que muitas vezes e inocentemente os poetas tendem a entrar que é o ilegalizado roubo de versos, mas aqui vê-se claramente a homenagem merecida de dois artesãos a um mestre da craveira de Luís Carlos Patraquim, que a alguns e por motivos obscuros faz sentido esquecer em alguma gaveta ou algum baú. Otildo Guido e Fernando Chaúque, pelo contrário, negam-se a isso e mostram os caminhos subtis para que se alcance uma luz que irradie na memória de cada um de nós, não só a sua grandeza, mas a grandeza daqueles que os antecedem.

A propósito, este é um momento para celebrar a herança que os dois poetas reclamam de Patraquim, que é a riqueza imagética nas cores, nos movimentos e nos sons das palavras, proporcionando concretude ao mundo que criam e recriam, mas também lembrando um pouco do hermetismo que o autor de Monção ou A Inadiável viagem nos habituou.

Acredito piamente que a poesia só serve para quem coloca antes de tudo um propósito na sua execução, mas por outro lado questiono-me, será que a poesia precisa de ser útil? Qual seria a utilidade da poesia? Comprar pão, encher a barriga? Esvaziar a alma? Enganar uma mulher? Conquistar um exército? Queimar tempo? Assobiar ao sol? Domesticar os ratos? Adornar a função vaidosa das nossas estantes ou das bibliotecas particulares? Qual é mesmo o significado da poesia?

A resposta para todas estas perguntas encontraremos neste livro, entrecortadas em filamentos de versos que nos chegarão num mero acaso. Há os versos que nos farão rir, há os que nos lembrarão a infância, há os que nos farão lembrar, mas também há os que nos trarão de volta o perfume das mães, os cheiros, o primeiro beijo, as primeiras travessias para dentro das coisas proibidas e até os nossos livros de eleição. Porque tal como os dois autores, há muitos que têm um Patraquim no coração.

Diuas coisas me recuso a fazer aqui. A apresentar os autores, que por mim já são figuras reconhecidas, aliás, os dois são detentores de prémios literários, entre nacionais e internacionais. Não vou igualmente mencionar nenhum poema em particular para não tirar a ânsia e a curiosidade de ler o livro.

Dispeço-me pedindo que o restante da apresentação seja mesmo muito breve para que sobre o momento da cerveja.

Muito obrigado!

Dois indivíduos estão a contas com as autoridades policiais na cidade de Chimoio, capital da província de Manica, após terem sido encontrados com explosivos e respectivos detonadores.

Ao todo, são 276 explosivos e respectivos detonadores de fabrico zambiano que a PRM, posicionada na segunda esquadra em Chimoio, encontrou na posse dos referidos indivíduos, um moçambicano e outro, zimbabweano.

Os detidos, que, de acordo com a Polícia, deverão responder pelo crime de porte de armas proibidas, revelaram ao “O País” que o material se destinava ao uso nas minas na região de Chitima, em Tete.

“Uma senhora deu-me esta encomenda, para entregar a um grupo de homens que estão a fazer trabalhos nas minas de Chitima. Não sabia que este produto não tinha a documentação que agora está a ser exigida”, disse um dos indiciados.

Para a Polícia, a razão da detenção destes indivíduos é o facto de não possuírem a documentação sobre o destino e uso do produto que está na classe de armas perigosas.

Esta é a segunda apreensão de explosivos e detonadores em Manica. A primeira ocorreu há cerca de quatro meses, e as autoridades alfandegárias associaram o seu uso a actos terroristas em Cabo Delgado

Por Eduardo Quive

 

Raras são as vezes que sou desafiado a apresentar um livro. Muitas são as vezes que me chegam textos inéditos para dar a opinião crítica e indicar prováveis caminhos aos autores que estão na berma da estrada. Devo confessar que essas tarefas, tanto a de apreciador crítico sobretudo a de apresentador de livro são me sempre estranhas, por pensar e saber que tenho também feito o mesmo em relação aos meus textos de ficção, entregando-os a outros olhos, que os considero mais apurados. Mas por considerar necessária essa troca de textos para uma apreciação por parte do outro, aceito o desafio com o entusiasmo e certo cuidado por saber que muitas vezes trata-se de uma degustação de produtos ainda em cozedura.

Desta vez, foi o Alerto Bia, um escritor que vem se apresentando na literatura moçambicana que desafia-me a vier a público apresentar o seu primeiro livro em prosa. E porque com a tarefa me vou expor a um público principalmente jovem, aproveito para levantar a voz em torno de uma reflexão que venho fazendo.

Tenho constatado que a literatura moçambicana dos tempos actuais, apesar de ser conotada como nova, muitas vezes se repete, sobretudo na abordagem estética e temática. Se o estético ainda nos abre espaço para experimentações, os temas são o lado mais arriscado na escrita, por desafiarem o escritor a superar a todas as abordagens já feitas. Em literatura quase já se escreveu sobre todos os assuntos. Então, ao decidir escrever, um autor coloca-se um grande desafio temporal. Noto que parece que os escritores sucedem-se, vão surgindo, mas pouco se arrisca na abordagem aos temas. Andamos às voltas, vendo as mesmas coisas, sentindo os mesmos cheiros, ouvindo as mesmas vozes e o que resulta são os textos que parecem sempre uma repetição de outros textos.

Esta leitura que faço é muito particular e não tem a ver com alguma obra específica. Tem antes a ver com os tempos que vivemos. O tempo em que as ropturas parecem serem feitas a todo custo. Tempos em que nos custa afirmar as nossas referências. Tempos que andam depressa, onde a vaidade corrompe a razão e nos tira a dúvida metódica. Temos em que são os outros a definirem o nosso tempo e um bom texto parece ser um grande achado num mar de obras. E os leitores, que sempre foram em número reduzido, parecem também ter perdido a paciência para uma ficção. Isto quererá dizer-nos alguma coisa sobre o trabalho literário. Sobre a vaidade e a astúcia do escritor. Sobre a formação do escritor e de todo um contexto que o define enquanto criativo. E se calhar nos levará a fazer-nos a pergunta que nos aconselha Reiner Maria Rilke, se pararmos de escrever, morremos?

Penso que um novo livro tem de ser sempre uma oportunidade para formular um novo debate ou para fundamentar opiniões que já existem ou abras novas possibilidades, tanto por parte do escritor e por parte do leitor crítico ou comum.

Dito isto, tenho de reconhecer que não acho o momento literário moçambicano mau. Acho-o, pelo contrário, entusiasmante. Chegam-nos, de quase todas partes deste vasto país e para gostos variados, obras literárias, como raramente já se assistiu. Sempre pensei a nossa literatura como pobre, enquanto não nos apresentar as propostas literárias das geografias, paisagens e linguagens dos vários pontos que fazem este país. E pensando nisso, felizmente, há narrativas que nos desafiam. Há estéticas que não sendo de grande revolução imaginária, sempre colocam em pauta uma visão, uma atitude de inconformismo em relação ao estabelecido e ainda nos trazem essas novas geografias, paisagens e linguagens.

O Alerto Bia já nos levou até ao cais da sua escrita. É um autor com um certo percurso nas letras o que nos leva a receber a sua obra, embora com menos desconfiança, mas com alguma atenção acima do que seria em caso de um primeiro livro.

Publicou seu primeiro livro em 2016, com o título Sonhar é ressuscitar, o segundo livro saiu em 2017, intitulado Sombras cálidas, em 2021, o terceiro, O desassossego por dentro. Portanto, como podem notar, estamos de um autor que já não se enquadra no termo novo, porque tem um caminho andado. Se calhar, para os hábitos da vida literária nacional, ainda se lhe pode chamar “jovem escritor”, sabe-se lá com que significado, preferindo eu achar que se refere à idade literária.

O Alerto Bia tem uma forma de ser e estar própria na literatura. É um autor regular como nos prova a sequência temporal com que publica. Mostra-nos esse facto que estamos diante de um autor oficinal, alguém que tem a escrita como uma tarefa entre outros afazeres da vida. E assim se constrói um escritor cujo estabelecimento na literatura moçambicana se fará primeiro pela regularidade.

A obra que nos traz desta vez, O ardina de sapatos gastos, editada pela Fundza, é composta por um conjunto de 14 contos que produziu durante o confinamento obrigado pela pandemia da covid-19. E vai se notar pelo tempo que dá ao ritmo das suas estórias e pela estética que emprega. As narrativas muitas vezes se apresentam sem acções segmentadas ou personagens com características exaustivamente descritas.

São contos em que o autor privilegia a escrita criativa. Eu diria que é a escrita somente em si a fazer as histórias, talvez inspirado pelo inusitado, por um momento, por uma ideia abstrata, ou somente, sentou-se diante do papel em branco e foi começando a escrever sem rumo, até que surgiram os nomes, os lugares e os acontecimentos e se fez o conto.

Muitas vezes e desde a escola, somos ensinamos a ouvir as histórias e nos fazermos a pergunta: qual é a moral da história? Ou perguntas do tipo, qual é o assunto da história? Pois se o leitor é desse tipo terá de reformular o seu pensamento e entregar-se para um estilo que desafia o nosso preparo para os livros.

Este conjunto de contos de Alerto Bia não visa necessariamente trazer-nos assuntos. Visa levar-nos para os labirintos da palavra, para a viagem da escrita. Como pouco há hábito, o escritor propõe-nos em O ardina de sapatos gastos, a entrarmos no seu mundo e acompanhar a formação das palavras, acharmos as personagens e construirmos uma estória provável.

O ardina de sapatos gastos, pode ser aquele livro que há de nos levar a perplexidade pela forma rápida com que os momentos-chaves são narrados ou então, a lentidão com que o autor vai levar-nos a revelar um segredo ou a resolver um problema. É como disse, nota-se que se trata de textos que o escritor escreveu sem pressa, para matar o tédio dos dias de isolamento e de ausências. Textos de uma solidão que não é propriamente o habitual resguardo do escritor que precisa de um tempo para si e para o seu processo de escrita. Mas uma solidão do mundo, que nos permitiu, a todos, a experimentação de um momento incomparável. Então este livro há de ser um pouco do espelho do que cada um de nós experimentou quando não havia abraços, nem beijos, muito menos pessoas nas ruas com rostos abertos.

As estórias que nos revela são de uma peculiaridade em termos de construção e personagens, fugindo da estética que nos habitua a tradição do conto, onde as personagens muitas vezes são rostos visíveis, são vidas reconhecíveis de longe e os assuntos vem cadenciados, mesmo em narrativas abertas, onde o fim, por vezes é um enigma. O Alerto Bia, apresenta-nos um livro que vai ser um deleite, mas também uma contradição em muito do que manda o nosso senso comum. Por isso, lê-lo é também um exercício ousado, de interagir com a escrita que nos contraria, que não sendo explosiva, é estranha. Uma estranheza que nos leva a querer mais, a querer ler de novo e querer outras histórias depois destas. Aí fica já o desafio para os leitores corajosos.

 

*Texto apresentado na cerimónia de lançamento do livro O ardina de sapatos gastos, de Alerto Bia, realizada no dia 1 de Novembro de 2022, no Centro Cultural Brasil-Moçambique, na Cidade de Maputo.

 

 

 

 

Mário Macilau encontra-se, neste momento, a caminho de Málaga, Espanha aonde irá participar na primeira edição da Bienal Africana de Fotografia, denominada Ozangé. Ozangé é uma bela expressão emprestada de Omyènè, a língua materna da directora artística Owanto.

“O termo tem como significado ‘luz’. Transmitindo através da Bienal uma vontade de abrir caminho para a luz, onde o Sul da Europa, Málaga, se torna essa ponte, esse ponto de encontro iluminado por uma multiplicidade de perspectivas que levantam as questões que devemos olhar juntos. Esta primeira edição convida artistas de diferentes nacionalidades africanas e da diáspora a apresentarem as suas propostas únicas no Centro Cultural La Malagueta, La Térmica, A Universidade e as ruas de Málaga – particularmente Calle Alameda Principal. Os quatro diferentes espaços prometem uma Bienal perspicaz e envolvente neste ambiente cultural e vibrante na cidade de andaluza”, lê-se na nota de imprensa.

Segundo Macilau, o evento é definido como um espaço de encontro onde há liberdade para criar diálogos sobre os existentes medos, desejos, fracassos, realizações e o futuro do mundo. Pretende-se reunir cidadãos de todos os cantos de África em torno de uma estação. Isso significa seguir simbolicamente as rotas milenares migratórias e continentais para reconstruir o palco da vazante e do fluxo de ideias, culturas e do conhecimento.

Como prelúdio da selecção de criação contemporânea, a Bienal deseja homenagear alguns dos mais relevantes festivais de fotografia que é organizada na África desde a década de 1990, com o objectivo de apresentar obras emblemáticas da história da fotografia africana.

Este ano, o foco será no Lagos Photo Festival, onde o fotógrafo Mário Macilau foi um dos principais pioneiros como artista principal nas primeiras quatro edições que tiveram lugar na Nigéria, onde Macilau desenvolveu palestras e diversos programas educativos.

Macilau foi seleccionado para apresentar uma parte do seu trabalho e junto a uma palestra e oficina fotográfica que irão decorrer no espaço La Termica, em Málaga e durante o Festival. “Mário Macilau foi eleito a participação desta edição pelo seu compromisso consistente com a arte fotográfica e ele é uma pessoa firme no que faz, há anos que percorre uma longa jornada com o objectivo de dar uma roupagem a distinta a fotografia, ele sempre trabalha no seu país e nas suas fotografias tenta representar o seu povo e a sua cultura, principalmente quando se trata de pesquisas sobre o temas que têm explorado, ele tem uma forma única e sensível de retratar seus temas. Ele tem-se concentrado na forma como o tempo desloca as coisas e separa certas estruturas vitais como a tradição de convivência e a inclusão social em todas as actividades”, afirmou o director de Lagos Photo, curador actual desta Bienal, citado na nota de imprensa.

O trabalho de Macilau tem sido presença assídua em exposições individuais e colectivas, tanto no seu país natal como no estrangeiro. São disso exemplos a Bienal de Dakar, em colaboração com a Fundação Dapper, em 2022. Foi seleccionado pelo Instituto Inclusartiz, no Rio de Janeiro, para um projecto no Rio de Janeiro, em colaboração com a curadora Ana Beatriz Almeida, tendo, posteriormente apresentado o seu trabalho na ArPa, com a Ed Cross Fine Art, em São Paulo, Brasil (também incluído no programa Prism).

Macilau expôs também o seu trabalho na Feira de Arte da Cidade do Cabo (2022), na Art Madrid (2022), The Philips, em Londres (2022) e apresentou uma exposição individual na La Terrasse, em Nanterre (2021). Colaborou com o curador, escritor e jornalista Ekow Eshun, no âmbito da Sombras do Tempo (Shadows of Time), uma exposição individual na Galeria Movart, em Lisboa, Portugal (2021). Em 2020, integrou uma exposição com trabalhos de vários artistas com actividade em Moçambique, Cinco Fotógrafos Africanos Contemporâneos (Five Contemporary African Photographers), com curadoria de Julie Bonzon.

Em 2019, expôs também na Ar.co Lisboa e, em 2018, na Feira de Arte 1:54, em Londres, no Reino Unido (2018), bem como na Art Marbella, Espanha (2018); Terceira Bienal de Fotografia de Pequim, Pequim, China (2018); no Unseen, Amesterdão, Holanda (2018); Feira de Arte FNB de

Joanesburgo, África do Sul (2018); Cimeira Mundial do Clima, São Francisco, EUA (2018); no High Museum of Art em Atlanta, Geórgia, EUA (2018); no Festival IPhoton, em Valência, Espanha (2017).

A conceituada cantora moçambicana Juliana de Sousa anunciou a sua união ao movimento de conservação no Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto, no norte daquela província.

Natural da terra da boa gente, Juliana de Sousa compôs a música “Bassissa Bazaruto”, uma expressão em língua citswa, uma das mais faladas naquele ponto do país, que significa “limpar Bazaruto”, em português.

Em conversa com o “O País”, Juliana de Sousa disse que pretende, através da sua melhor arma, a música, consciencializar as pessoas sobre a necessidade de preservar aquela área de conservação: “Muitos gostam de ir a Bazaruto, mas, para manter aquele local atractivo, tal como está agora, é importante manter limpo, para que outras mais pessoas cheguem a Bazaruto e sintam também o feitiço daquele pequeno paraíso”, disse a cantora.

“Em Bazaruto, encontram-se riquezas e animais raros de ver noutros cantos do mundo, mas o lixo coloca em perigo a vida desses animais e da terra” – é apenas um trecho da música Basisa Bazaruto, de Juliana de Sousa, que chama atenção para não transformar Bazaruto num depósito de lixo.

Juliana de Sousa diz que a sua participação na causa não termina por aí e, mesmo sem revelar detalhes, diz que está na fase final um projecto de comunicação comunitária sobre como lidar com o meio ambiente.

A música e o vídeo que já foram gravados, serão lançados em breve e partilhados em várias plataformas de comunicação.

No âmbito da gestão sustentável do parque, foram ainda criados seis clubes ambientais em todas as escolas do Arquipélago do Bazaruto, compostos por um universo de 1450 crianças, com o objectivo fundamental de consciencializar as comunidades sobre a importância da conservação da biodiversidade e da gestão sustentável dos recursos naturais. “O destino do planeta está nas mãos das crianças, por isso é importante que, desde pequenas, elas aprendam a racionalizar os recursos e a cuidar do meio ambiente”, acrescentou Juliana de Sousa.

O Parque Nacional do Arquipélago do Bazaruto foi estabelecido a 25 de Maio de 1971, numa acção progressiva por parte do Governo de Moçambique, para proteger aquela paisagem marítima excepcional – um bem natural de valor nacional e global significativo.

Composto por cinco ilhas, três das quais albergam aproximadamente 5000 habitantes locais, o arquipélago serve de santuário a milhares de espécies de peixes, baleias, mantas-raia, golfinhos, tartarugas marinhas que nidificam nas ilhas que compõem o arquipélago e a última população viável de dugongos da região. A sua beleza e diversidade de vida selvagem fazem de Bazaruto um destino turístico cobiçado.

O bairro Mafalala vai receber, entre os dias 3 e 6 de Novembro, a 13ª Edição do Festival Mafalala. O evento multidisciplinar leva ao público uma programação diversificada com seminários, workshops, concertos e exposições.

Segundo uma nota de imprensa, a edição celebra o centenário do poeta-mor José Craveirinha (1922–2003). Poeta da Mafalala e herói nacional.

Em termos temáticos, o festival vai decorrer sob o lema “Migrações, diáspora e memória”, uma abordagem que representa em grande medida a essência do bairro Mafalala. Por essa razão, o Museu da Mafalala acolhe uma residência artística que se debruça sobre a mesma temática a partir do som como factor de memória, seguindo a carreira e a vida de Fany Mpfumo, um migrante, músico, cuja obra continua viva e relevante na arte e nos outros domínios quer sociais quer políticos.

Para a organização, os resultados da residência artística serão demonstrados ao longo do festival, com uma instalação e concerto propostos pelos participantes da mesma; Lerato Lichaba (África do Sul) e Fu da Siderurgia (Moçambique).

Está igualmente agendada a actuação da banda sul-africana Urban Village, uma presença que reforça a abordagem curatorial da 13ª Edição do Festival Mafalala, pois trata-se de um agrupamento que busca na música uma forma de conexão entre o passado, presente e futuro a partir de diversos espaços geográficos do continente africano.

O Brasil é um outro país convidado para a presente edição do festival; constitui pretexto para uma discussão sobre afrodescendência e todo o debate sobre a influência de África naquele território da América Latina.

Os seminários integrados no festival propõem e procuram desenvolver encontros que reflictam sobre o papel da arte na promoção de mais consciência de cidadania na comunidade e nos artistas.

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