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O País – A verdade como notícia

O Museu Mafalala, localizado no bairro com o mesmo nome, na Cidade de Maputo, vai receber um espectáculo de angariação de donativos para as vítimas das cheias em Boane, Província de Maputo. O evento está marcado para sexta-feira, a partir das 18 horas.

Segundo uma nota de imprensa, trata-se de uma iniciativa organizada pela Associação dos Bailarinos Moçambicanos (ABAM), em parceria com o Museu Mafalala e o Conselho Nacional do Voluntariado (CNV), através da qual se pretende prestar ajuda às vítimas das inundações que, num passado muito recente, mataram pessoas, desalojaram famílias e deixaram em risco os sonhos de muitas crianças.

“Ciente da vulnerabilidade em que se encontram as pessoas afectadas pelas inundações, sobretudo em Boane, a organização do evento estabeleceu que bens e produtos de primeira necessidade, tais como: água potável, alimentos não perecíveis, material escolar, itens de higiene básica (fraldas, pensos higiénicos, sabão, pastas dentífricas, etc), roupas, cobertores, entre outros, correspondem aos ingressos para o show”, lê na nota de imprensa.

Entre os que se associam ao evento, destacam-se grupos de dança e associações culturais, como as associações culturais Xindiro; Milorho; Hodi; Wuchene; Comunichiv; os grupos: Maquinista e Esculturas Humanas; a Khani Khedi e a Companhia de Artes Makwerhu. O mote é, através da arte, chamar a sociedade para dar as mãos em prol das vítimas da fúria das águas, em Boane.

“Haverá, em palco, uma rica diversidade de danças, para além de teatro e muito mais. O espectáculo faz parte de um programa de actividades lúdicas, sob responsabilidade de uma equipa conjunta que, na manhã do mesmo dia (24/02), vai trabalhar no terreno, dinamizando iniciativas de apoio psicossocial, de modo a reduzir os impactos do abalo das inundações nas pessoas afectadas directamente”, avança a organização.

O peixe que sonhava comprar um barco é o título da nova proposta literária do poeta Japone Arijuane. O livro infanto-juvenil será apresentado pelo jornalista Elton Pila com leitura encenada de Guilherme Roda. A sessão de lançamento está marcada para esta quinta-feira, a partir das 18 horas, no Instituto Guimarães Rosa/ Centro Cultural Brasil-Moçambique, Cidade de Maputo.

 

Ao longo dos anos, Japone Arijuane sempre ouviu os amigos, colegas de escrita, a defender que escrever para os mais novos é algo complexo e muito responsável. Verdade ou não, o poeta desafiou-se a escrever para as crianças. Porque sim. No entanto, os primeiros ensaios não resultaram em publicação. Ficaram trancados em alguma gaveta lá de casa. Ainda assim, a alma do artista não esmoreceu. Pelo contrário, aventurou-se numa nova tentativa, a que intitulou O peixe que sonhava comprar um barco.

Na verdade, quando terminou de escrever esse texto, abandonou-o em algumas páginas word do computador. Até que há mais ou menos um ano, teve o conhecimento de que a Editorial Fundza tinha lançado a primeira chamada literária. Como tentar não faz mal a ninguém, o poeta submeteu o texto e, depois de ter sido apreciado por um júri constituído para seleccionar as melhores propostas literárias, ao invés de terminar numa grelha, temperado com alho e limão, O peixe que sonhava comprar um barco ganhou peso e consistência. Por isso, a Fundza juntou o poeta a escritora Angelina Neves, de modo que o resultado final fosse o melhor possível. “Com a colaboração da Angelina, a sua atenção e revisão, tornamos o texto mais infanto-juvenil”, admitiu Japone Arijuane.

Ao mesmo tempo que o poeta trabalhava com Angelina Neves, o texto ia sendo ilustrado por Walter Zand. “Uma das melhores surpresas foi a ilustração do Walter. Fiquei maravilhado! O trabalho dele superou as minhas expectativas”.

Apesar de se tratar de um livro infanto-juvenil, o poeta previne o leitor: “No fundo está aqui o Japone de outros livros. A minha essência como poeta está aqui”.

Ainda assim, por se tratar de um livro para os mais novos, o poeta adianta que sentiu a necessidade de investir mais no ritmo, na imagem e na musicalidade dos poemas. Afinal, entende, desse modo também se pode prender o leitor de todas as idades.

A mezzo-soprano moçambicana vai cantar numa das salas mais emblemáticas de Espanha. Na capital da Catalunha, Mariana Carrilho vai actuar com a conceituada Orquestra de Guitarras de Barcelona, próxima sexta-feira.

 

Contextualização. Palau de la Música Catalana ou Palácio da Música Catalã é um dos expoentes máximos da arquitectura modernista catalã. É um edifício projectado por Lluís Domènech i Montaner, com várias salas de concerto. Aliás, por aquelas salas de concertos passaram e passam grandes músicos a nível internacional, tanto da música clássica como da música popular. Trata-se de um espaço com muita história e tradição, conhecido em todo o mundo. Por isso mesmo, Mariana Carilho sente-se muito privilegiada e agradecida por poder actuar num lugar tão emblemático.

Não obstante a importância do local do concerto, para Mariana Carrilho, cantar com a Orquestra de Guitarras de Barcelona no Palau de la Música Catalana já é como estar em casa. E desenvolve: “Começamos a trabalhar juntos em 2019, quando dava os meus primeiros passos na vida profissional, e desde então fomos construindo uma parceria musical sólida. Com a OGB [Orquestra de Guitarras de Barcelona] pude cantar em vários países e palcos europeus e aprendi muito sobre a música espanhola”, contou a artista moçambicana que vive em Espanha há vários anos.

Com a Orquestra de Guitarras de Barcelona, Mariana Carrilho vai actuar num concerto que se vai dividir em duas partes. A primeira parte vai dedicar-se a danças do mundo e a segunda parte à música espanhola, sobretudo a do compositor Manuel de Falla. “Eu participo nesta parte e cantarei várias obras deste, das quais se destaca ‘El Amor Brujo’, uma das suas obras mais conhecidas”.

Dito isso, a mezzo soprano também reconheceu que cantando com a Orquestra de Guitarras de Barcelona aprendeu muito sobre a música espanhola e como expressá-la: sentimentos e nuances. “Agradeço infinitamente ao Sergi Vicente, director da orquestra, que sempre confiou em mim e foi muito generoso na partilha de conhecimentos sobre esta música”.

Segundo disse Mariana Carrilho, no Palau de la Música Catalana vai cantar para duas mil pessoas ao longo de hora e meia. “É um dos palcos mais emblemáticos e com mais tradição onde terei actuado até agora (e acredito ser a primeira cantora lírica moçambicana a actuar neste palco)”.

Quanto à Orquestra de Guitarras de Barcelona, é uma das melhores orquestras de guitarras do mundo e percorre um repertório clássico espanhol de grande virtuosismo. Fundada há 30 anos pelo guitarrista espanhol Sergi Vicente, esta formação orquestral já realizou mais de 700 espectáculos, interpretando um vasto repertório que inclui obras de compositores de todos os períodos da história da música. Ao longo dos anos, mais de 150 guitarristas de várias nacionalidades fizeram parte da Orquestra.

 

O autor de A Reinvenção do Ser e a dor da pedra foi convidado a fazer parte do  “Rentrée littéraire du Mali”, a realizar-se de 21 a 25 deste mês, na Cidade de Bamaco, no Mali.

Na edição deste ano, o evento vai decorrer sob o lema “Reconectando África por dentro” e deverá reunir criadores dos diferentes países e áreas linguísticas do continente, em particular, os vencedores dos prémios literários nacionais. “Através deste tema, os participantes vão debater sobre fronteiras, sua invenção, desconstrução, marcadas no espaço ou no imaginário. As línguas e a tradução, o movimento das pessoas, dos autores e seus livros, suas ideias, seus mundos ocuparão um espaço importante nos debates e troca de experiências”, afirmou Armando Artur.

Segundo lembra o poeta do “ser” e do “amor”, a questão da necessidade de “desconstruir” fronteiras, erguidas ou imaginadas, não é nova em África pós-colonial. Políticos, intelectuais, escritores, entre outros, em encontros similares têm vindo a debater esta problemática há já várias décadas. Logo, entende o poeta, eis o momento de passar das constatações e/ou lamentações à acção prática, que passa, por exemplo, pelas traduções, circulação do livro e dos seus autores,  dentro do continente africano. “E é justamente isto que vamos discutir. Penso que é um encontro que vai trazer soluções concretas para o início da tal almejada ‘descompartimentação’ do nosso continente”.

 

Vários alunos ficaram sem aulas, na Escola Primária Completa 3 de Fevereiro, devido à falta de água na Cidade de Maputo. Também na Escola Primária Completa Especial Número 2, houve suspensão para o turno da tarde, esta terça-feira.

As restrições de água, que vão desde a semana passada na Cidade e Província de Maputo, obrigaram à suspensão de aulas, esta semana, em algumas escolas da capital do país.

Na Escola Especial Número 2, os estudos tinham sido suspensos para o turno da tarde, na última terça-feira, mas já na manhã de quarta-feira haviam sido retomadas todas as actividades.

Já na Escola Primária Completa 3 de Fevereiro, os dois reservatórios disponíveis não foram suficientes para manter a higiene e garantir a hidratação dos alunos ao longo da semana. De acordo com a directora da instituição de ensino, o calor intenso que se faz sentir na capital, nos últimos dias, agravou a situação.

“[A situação] estava a ficar muito desconfortável para as crianças, porque algumas não conseguiam trazer água de casa, mas tinham necessidade de bebê-la. Nós tivemos que abrir alguns tanques que estavam encerrados, mas a água não era própria para o consumo. Algumas crianças estavam, mesmo assim, a consumi-la e por medo que elas obtivessem algum tipo de doença”, explicou a directora da escola, Custódia Zucula.

Sem mais recursos para fazer face à situação, a direcção da Escola Primária Completa 3 de Fevereiro viu-se obrigada a suspender as aulas desta quinta-feira.

“Na segunda-feira, quando chegámos, notámos que não estava a jorrar água e a alternativa foi abrir tanques e tentar encher tambores e recipiente que temos usado na escola, e quando, no final do dia da quarta-feira, vimos que os reservatórios já não tinham água, coordenamos com os serviços de educação da cidade, que autorizaram e nós dispensamos as crianças no dia de hoje”, disse Zucula.

Também na Escola Secundária Josina Machel, não houve aulas. Sem gravar entrevista, algumas pessoas confirmaram o facto e acrescentaram que, na manhã desta quinta-feira, a água já começava a jorrar nas torneiras da instituição de ensino.

Nas escolas 3 de Fevereiro e Josina Machel, já foi restabelecido o abastecimento de água e, esta sexta-feira, os alunos deverão retornar às salas de aula.

As restrições de água em Maputo resultam das chuvas, que, na semana passada, afectaram a rede de distribuição do líquido, causando falta, também, na cidade de Matola e na vila de Boane.

A Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, que se encontra na Ilha de Moçambique, em Nampula, procedeu, esta quarta-feira, ao lançamento da primeira pedra para o restauro e para a reabilitação da Capela Nossa Senhora do Baluarte e ao lançamento das obras de reabilitação e restauro do Coreto.

Ainda nesta segunda-feira, Eldevina Materula inaugurou a “Casa dos Contos” e assinou um memorando de entendimento sobre a preservação e valorização do património cultural da Ilha de Moçambique, assinado entre o Governo de Moçambique, o Governo Português e a Mota-Engil, que entra como parceiro na recuperação do Património Mundial.

De acordo com uma nota de imprensa do Ministério da Cultura e Turismo, o Estado Moçambicano tem vindo a implementar acções que garantem a conservação e a preservação do património cultural da Ilha, local de convergência de culturas por excelência.

A reabilitação do Coreto, bem como a recuperação da emblemática Capela Nossa Senhora do Baluarte, parte integrante da Fortaleza de São Sebastião, estão cobertas à luz do memorando de entendimento rubricado esta quarta-feira, entre o Ministério da Cultura e Turismo de Moçambique, o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., e a Mota-Engil, Engenharia e Construção África, SA – Sucursal de Moçambique. O instrumento foi assinado pela Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, pelo Secretário do Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação da República Portuguesa, Francisco André, e pelo representante da Mota-Engil, Aníbal Leite.

O memorando, avança a nota de imprensa do Ministério da Cultura e Turismo, centra-se na preservação, valorização e fruição do património artístico e cultural, através do apoio à conservação do património histórico edificado, com especial atenção à Ilha de Moçambique, que constitui uma das prioridades identificadas no Plano Estratégico de Cooperação (PEC) Portugal – Moçambique (2022-2026).

A reabilitação e o restauro do Coreto acontece após ter sido danificado aquando da passagem devastadora do ciclone Gombe, em Março de 2022.

Por outro lado, a “Casa dos Contos” ora inaugurada está enquadrada no Projecto “Ilhas e Encantamentos”, reforço do sector de literatura infanto-juvenil e emprego cultural criativo, que integra quatro Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), nomeadamente, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

O Projecto “Ilhas e Encantamentos”, do qual resultou a “Casa dos Contos”, tem apoio do PROCULTURA, acção financiada pela União Europeia, co-financiada e gerida pelo Camões I.P., e implementada na Ilha de Moçambique pelo Gabinete de Conservação da Ilha de Moçambique – GACIM.

A Ministra da Cultura e Turismo disse que a expectativa é que a “Casa dos Contos” se afirme como uma verdadeira incubadora para a produção literária infanto-juvenil e criação de empregos para a juventude, inspirando a recuperação e a manutenção das técnicas construtivas tradicionais da arquitectura.

A par das obras de reabilitação e de restauro, Materula destacou a necessidade da contínua formação e capacitação dos recursos humanos; o apetrechamento em equipamentos, a mobilização de recursos financeiros e ainda repisou que o Estado vai continuar empenhado na recuperação da Ilha de Moçambique.

A estilista Taússy Daniel apresentou, domingo, a sua mais recente colecção de moda no New York Fashion Week, nos Estados Unidos. Designada Blooming, a colecção foi inspirada na cidade natal da estilista: Maputo

 

Desde muito nova que Taússy Daniel aprecia a moda. Ainda assim, nem sempre soube como os eventos poderiam se suceder de modo a chegar às grandes passarelas do mundo.

Na verdade, antes de dar altos voos no universo da moda, primeiro, Taússy formou-se em Arquitectura e Urbanismo, em 2013, no Instituto Superior de Ciências e Tecnologias de Moçambique (ISCTEM). Essa foi a condição dada pelos pais: não abandonar a escola por causa da moda. Então, seguida com zelo essa condição, Taússy Daniel terminou o curso e, inclusive, trabalhou um ano na sua área de formação. Mas porque a vida é um acto de coragem, de escolhas e decisões, em 2015 definiu que passaria exclusivamente a dedicar-se à moda.

Quando optou pela arte da alta costura, a estilista teve o apoio da sua família. Remou contra a maré. Estabeleceu-se, sonhou e, agora, está a realizar esses sagrados projectos de infância: “A moda é algo que eu sempre apreciei, desde os meus 9, 10 anos de idade. Então, estar ‘aqui’ é a realização de um sonho”.

Na afirmação de Taússy Daniel, ‘aqui’ significa Nova Iorque, uma das principais cidades norte-americanas. Foi para lá que a estilista levou a sua mais recente colecção, Blooming, isto é, florescente, inspirada na Cidade de Maputo e nas flores locais.

Constituída por 12 peças, a colecção Blooming foi apresentada nos Estados Unidos no passado domingo, numa cerimónia em que a estilista moçambicana sentiu ter deixado bons créditos na passarela. “Estou muito feliz pelo feedback. Depois do show, tive muitos elogios, muitos aplausos. Muitos afro-americanos aproximaram-se satisfeitos, a dizerem que era um orgulho também para eles, por saberem que eu venho de África e estou a levantar o continente dessa forma”.

A satisfação dos americanos pelo trabalho da estilista moçambicana foi tanta que logo depois da sua participação no New York Fashion Week foi convidada a mais dois eventos nos Estados Unidos: DC Fashion Week e Chicago Fashion Week. Entretanto, este ano, Taússy Daniel não vai poder participar, porque a sua agenda está encerrada. No próximo, sim, a sua participação é certa.

Enquanto 2024 tarda chegar, o próximo fashion-show/desfile de Taússy Daniel será entre 5 e 10 de Outubro, no Dubai, Emirados Árabes Unidos.

À parte o futuro, destacar-se com as suas criações na Cidade de Nova Iorque, onde se encontra, foi importante para Taússy Daniel, porque aquela é uma das capitais da moda mundial. “Sinto-me a abrir as portas para os outros estilistas moçambicanos. Quem sabe, assim, o nosso país pode passar a olhar para moda como algo sério”.

Com a moda, em parte, o que Taússy Daniel pretende é passar a mensagem de que acreditar nos sonhos e trabalhar para a sua concretização é sempre imprescindível. Por exemplo, este ano, a estilista foi convidada para apresentar uma colecção em Paris, mas não foi porque optou em preparar-se melhor para o New York Fashion Week. Não obstante a sua entrega ao trabalho, quando se aproximou a empresas de telefonia móvel, a bancos e a instituições de turismo, não teve qualquer resposta positiva. Nenhuma entidade percebeu que a apresentação da sua colecção poderia contribuir para atrair turistas para o país. “Temos de apoiar a cultura porque não é só de futebol que colocamos o nome de Moçambique num patamar mundial. Depois da minha apresentação aqui em Nova Iorque, tive muitas pessoas a perguntar-me onde é Moçambique”.

Segundo disse Taússy Daniel, foi a única moçambicana seleccionada para participar no New York Fashion Week. “É uma honra enorme poder representar todas as mulheres moçambicanas e africanas, todos os jovens empreendedores e poder mostrar a todos os estilistas nacionais que é possível viver da moda”.

Nos Estados Unidos, Taússy Daniel estreou-se em eventos de moda em 2017. Cinco anos depois, quer continuar a percorrer o seu caminho.

O escritor e poeta Adelino Timóteo vai lançar, esta quinta-feira, a partir das 18 horas, o seu mais recente romance. Intitulado A biblioteca por debaixo da cidade, a nova proposta do autor é, fundamentalmente, uma balada de amor aos livros e à leitura.

Segundo uma nota de imprensa sobre o evento, o mais recente romance de Adelino Timóteo é constituído por 30 capítulos que perfazem 379 páginas. O livro foi construído ao longo de sete anos, tempo necessário para a história amadurecer com cortes de várias páginas.

Além de ser uma balada de amor aos livros, A biblioteca debaixo da cidade é um romance sobre a relevância do amor à terra, à cidade natal e ao desconhecido, o que se tece com alguma aproximação erótica entre uma personagem que vive à margem da sociedade, Laurentino Carambola, e uma mulher de boa família, Suzana Castelo Branco. “Através dessa personagem misteriosa, deste vagabundo, vamos nos deleitar de uma história que se passa na Cidade da Beira de 1936 até 1975. O vagabundo serve de estudo para se perceber o que se passou na sociedade colonial: negra e branca”, disse Adelino Timóteo, citado na nota de imprensa.

No seu A biblioteca debaixo da cidade, igualmente, Adelino Timóteo pretende suscitar o que está escondido numa sociedade que considera conservadora e repressiva, sob um totalitarismo colonial. O livro foi escrito entre Moçambique e Portugal. Começou em Lisboa, escrevendo com um certo olhar distante sobre os factos. A partir da capital portuguesa, o escritor começou a olhar a Beira, o seu berço. “Dediquei-me sete anos ao livro e, nos últimos dois anos, finalmente, encontrei todos os pressupostos para a versão actual”, disse Adelino Timóteo, lê-se na mesma nota de imprensa.

De acordo com o escritor, A biblioteca debaixo da cidade foi um livro complexo de escrever. Em Lisboa, por exemplo, teve de frequentar a biblioteca nacional para conhecer uma personagem. Com o livro, primeiro, a pretensão é recriar os lugares emblemáticos da cidade da Beira. Segundo, com isso, suscitar memórias de uma Beira passada. “A fase de ouro da cidade, que atraia pessoas de diferentes origens, inclusive com forte influência inglesa”.

Na Cidade da Beira, o romance A biblioteca debaixo da cidade será apresentado pelo professor universitário e crítico literário Cristóvão Seneta.

A Ethale Publishing vai lançar, às 18 horas de quinta-feira, o livro Maputo Street Art. O livro é produto de um movimento artístico que integra vários artistas de diferentes disciplinas.

Durante a cerimónia de lançamento, estarão autores e artistas entrevistados, a Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, o Presidente do Município de Maputo, Eneas Comiche, e o Embaixador da Espanha em Moçambique, Alberto Cerezo Sobrinho.

O livro conta com textos de Ricardo Suárez, Titos Pelembe, António Ivan Muhambe, fotografias de Ildefonso Colaço e Ilustrações de Ariel Sosa Urquía, bem como a revisão de António Cabrita e a tradução de textos de Corinne Capela.

O livro apresenta, de forma escrita e visual, a arte urbana centrada no contexto da cidade de Maputo, documentando as obras e o respectivo percurso dos artistas desta área, permitindo a compreensão da pluralidade de intervenções ao longo da cidade, divididas entre o centro urbanizado e a periferia.

De acordo com uma nota de imprensa, citando Titos Pelembe, o livro “propõe a debruçar-se sobre a arte urbana centrada no contexto da cidade de Maputo e tem como um dos objectivos documentar as obras e o respectivo percurso dos artistas que actuam nesta área. Este mapeamento em curso, que se materializa a partir desta publicação, permite ao leitor compreender a pluralidade de intervenções recentes ao longo da capital do país, composta pelas realidades do “centro urbanizado e a periferia”.

Alberto Cerezo Sobrinho, actual Embaixador da Espanha em Moçambique, no prefácio de “Maputo Street Art”, justificou que o apoio ao projecto por parte da Cooperação Espanhola “quer construir pontes entre artistas moçambicanos e internacionais”. O propósito, continuou, é tornar a arte de rua moçambicana conhecida além-fronteiras, assim como deixar registado, para efeitos da História, o actual momento e os respectivos actores e protagonistas.

“Até ao presente momento, Maputo e os seus muros têm sido um segredo bem guardado. Desde a Cooperação Espanhola, queremos revelar esse segredo ao mundo e oferecer esta humilde guia que permita percorrer esta fascinante cidade através das suas paredes”, lê-se no respectivo prefácio.

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