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O País – A verdade como notícia

Da noite de domingo até ao fim da manhã desta segunda-feira, não era possível realizar qualquer operação nos terminais electrónicos da SIMO rede. A situação lesou a alguns cidadãos e agentes económicos.

Os ATM, POS e as operações no terminal móvel ponto 24 não respondiam a qualquer solicitação dos clientes dos bancos ligados ao sistema informático da SIMO rede.

O problema que se arrastou desde a noite de domingo até perto das 12 horas desta segunda-feira é incalculável.

Dércio Guilherme foi um dos afectados. Tentou fazer compras em um supermercado e abastecer a sua viatura num dos postos da Cidade de Maputo, mas sem sucesso. Os terminais de pagamento recusaram as operações. “Queria fazer compras e estava tudo parado, a conta móvel e os cartões não estavam a funcionar. Por conta disso, não conseguimos. Durante a manhã, tentei abastecer o carro, mas não consegui.”

O estudante Abdallah Assane reúne documentação para uma bolsa de estudo, mas quase viu o sonho adiado, porque o último dia de pagamento de algumas despesas da sua viagem coincidiu com o problema. “Não consegui fazer pagamentos para o reconhecimento de alguns documentos para a bolsa de estudo, não sei se perdi.”

Em poucas horas, estabelecimentos comerciais viram-se lesados pela situação. A maior parte das lojas de bens diversos na Cidade de Maputo tem os POS como um dos principais meios de pagamento. “O que se viu é que muitos clientes voltam, porque ultimamente pagam via cartão”, disse Fátima Mussagy, agente de uma loja.

O jornal “O País” tentou contactar, ontem, a entidade responsável pela gestão da SIMO rede para apurar as causas por trás do apagão, mas sem sucesso.

Importa lembrar que o último apagão da rede de transacções bancárias foi registado em 2019.

Com a maioria das unidades sanitárias destruída, queimada ou vandalizada em Cabo Delgado, devido ao terrorismo, é impossível que a população tenha acesso à saúde. Para minimizar a situação, o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) está a ajudar a acelerar a vacinação contra a COVID-19.

Os últimos ataques terroristas pioraram a situação de segurança em Cabo Delgado. O CICV diz que a violência armada nalguns distritos daquela província impacta negativamente todo o sistema de saúde, o que impossibilita o acesso aos cuidados sanitários, em particular a vacinação contra a COVID-19.

“O conflito armado, no Norte de Cabo Delgado, teve um impacto real no sistema de saúde em geral. A maioria dos centros de saúde foi destruída, queimada ou vandalizada, e é impossível ter acesso a esses centros devido à insegurança”, afirmou Emílio Mashan, coordenador de saúde do CICV em Moçambique.

A violência impediu a saúde de se deslocar para esses locais de modo a realizar a campanha de vacinação contra a COVID-19.

Além dos distritos de Montepuez, Ilha do Ibo e Pemba, o CICV presta a mesma assistência à população dos distritos de Báruè, Mossurize, em Manica, e Gorongosa, em Sofala, onde a saúde foi igualmente afectada pelo conflito armado, entre 2013 e 2019.

A falta de acesso a serviços essenciais continua a ser uma das principais questões humanitárias naquela parte do país.

A campanha nacional de vacinação contra o vírus permitiu abranger mais de um milhão de pessoas em seis distritos afectados por conflitos armados, nas províncias de Cabo Delgado, Manica e Sofala, com o apoio do CICV.

Há hospitais no país que estão sem material médico básico para cirurgia. Os pacientes que queiram fazer operação ou algum exame são obrigados a comprá-lo nas farmácias privadas. Em entrevista ao “O País”, a directora nacional de Assistência Médica nega tudo.

De primeira, a imagem exterior das unidades sanitárias sugere que esteja tudo normal. Os pacientes, alguns coxeando e outros apoiando-se nos seus familiares, entram e saem pelas portas dos hospitais do país. São pessoas que padecem de diversas enfermidades.

Entretanto, de normalidade só há mesmo aparência porque muitos problemas estão escondidos em alguns hospitais do país. “Como é que um hospital não tem material imprescindível como uma algália?”, questiona uma das nossas fontes, num tom de revolta.

Pois é. É sobre a falta de material médico-cirúrgico básico que vamos falar nesta reportagem. Segundo apurámos, este problema é dos hospitais gerais de Mavalane e José Macamo, na Cidade de Maputo, e provinciais de Tete e Chimoio, este último em Manica.

A denúncia vem de Cristina Macamo, nome fictício, que viu o seu pai ficar “muito doente”, abatido e sem forças, seguindo sublinhou. Ninguém sabia, ao certo, o que ele tinha.

“Quando ele sentiu-se mal, tivemos que o carregar porque já não conseguia nem andar. Levamo-lo ao hospital e foi-lhe diagnosticado cancro da próstata”, contou, angustiada, Cristina Macamo.

Após o diagnóstico do cancro da próstata, o Hospital Geral de Mavalane internou o paciente (pai de Cristina) para melhor acompanhamento, mas ele não ficou por muito tempo na unidade sanitária. Foram apenas dois dias.

Aliás, conforme o depoimento da filha, “quando ele regressou à casa, as suas necessidades já tinham sido drenadas. Depois desse processo, nós tínhamos que continuar em casa, porque o hospital já não tinha o material para continuar com o tratamento”.

E o material que o hospital disse não ter é algália, um dispositivo que se coloca na uretra e fica preso na bexiga para permitir a saída da urina. Uma vez que a unidade não tinha o material, recomendou aos familiares que procurassem nas farmácias privadas.

“Ligamos para todas as pessoas possíveis de imaginar, que conhecemos e trabalham nos hospitais, farmácias públicas e privadas. Nós procuramos ligar para todo o mundo, mas ninguém tinha algália”, narrou Cristina Macamo.

Não acharam a algália e, por isso, perderam um ente querido. “Nós poderíamos, muito bem, estar com o nosso pai vivo se tivéssemos tido assistência e a verdade. Colocaram-nos como condição o tratamento do nosso pai, que fôssemos nós próprios a adquirir o material que só se adquire nos hospitais”, expôs, angustiada, Cristina Macamo.

Nem todos têm um desfecho triste. A nossa segunda denunciante tinha um familiar internado no Hospital Geral de Mavalane. O médico recomendou que o doente fizesse o exame de cabeça, mas a unidade sanitária não dispunha de meios cirúrgicos para o fazer.

“O material que nos foi pedido eram seringas, luvas, cateteres e agulhas. Então, nós, porque queríamos o nosso familiar recuperado, fomos comprar o material, eu levei-o pessoalmente e fui entregar ao hospital”, revelou a nossa fonte, que falou em anonimato.

O hospital recebeu o material e fez o exame. O paciente melhorou, está em casa, mas ficou a indignação dos familiares. “O que eu sei é que tudo fica na responsabilidade do hospital. Quando pediram aquele material, fiquei indignada, admirada e eu pensei: porquê desse pedido?”, questionou, retoricamente, a nossa entrevistada.

 

ENTRE OS CUSTOS E A DISPONIBILIDADE DO MATERIAL NAS FARMÁCIAS

Fizemos uma ronda pelas farmácias na capital do país e constatamos que o material cirúrgico solicitado pelos hospitais é raro e oneroso. Começámos pelas farmácias públicas, mas não achamos todo o material.

“Temos luvas, mas não temos seringas, nem cateteres, muito menos o disco CDR”, elencaram o material disponível e indisponível as profissionais de farmácias públicas que nos atenderam.

O mesmo cenário replica-se nas farmácias privadas. Em todas, os técnicos que nos atenderam foram unânimes em afirmar que o material de que fizemos referência só pode ser adquirido por encomenda nas importadoras.

No que diz respeito aos custos, da ronda que fizemos pelas farmácias, pudemos ter uma ideia de quanto custa o material médico-cirúrgico mais solicitado pelos hospitais.

As algálias custam, em média, 1200 Meticais cada, um cateter não está abaixo de 1000 MT, seringa 80 MT por unidade e o preço de par de luvas não é inferior a 30 MT. O último, e não menos importante, é o disco CDR que custa 75 MT. Isso significa que os familiares do paciente a quem o hospital prescreveu este material não gastou menos de 3425 MT.

Regra geral, das informações a que “O País” teve acesso, nos hospitais de Mavalane, José Macamo e provinciais de Chimoio e Tete, faltam os seguintes materiais: seringas, cateteres, luvas, agulha de raqui e anestésicos para os blocos operatórios.

 

O QUE ESTÁ A FALHAR?

Para a sociedade civil, a escassez de material cirúrgico básico nos hospitais revela uma desorganização do sector da Saúde. “O que temos visto, hoje em dia, é uma gestão deficiente, porque a logística e a monitoria não é constante e não é permanente”, apontou Angelina Magibire, do Observatório do Cidadão para Saúde.

Numa entrevista exclusiva, “O País” confrontou a directora nacional da Assistência Médica com denúncias de falta de material cirúrgico nos hospitais e disse não ser verdade. “Acreditamos nós que se não há problemas nas outras províncias, provavelmente também não haja problemas nestas províncias (Manica, Tete e Cidade de Maputo). Eventualmente, possa ser um erro de percepção ou alguma coisa que possa naquele momento ter passado, mas particularmente, em relação à questão do material médico, seringas e cateter, só no início de Junho, distribuímos mais de três milhões de seringas de diversos tamanhos para todo os hospitais do país”, declinou Luísa Panguene, directora nacional da Assistência Médica.

E, então, o que está a falhar para que os pacientes não tenham acesso ao material que o Ministério da Saúde diz ter distribuído em todo o país? “É um pouco difícil dizer o que é que falhou. Teria alguma dificuldade em dizer o que é que, eventualmente, possa ter acontecido” – a directora nacional da Assistência Médica não conseguiu justificar o porquê da falta de material cirúrgico nas unidades sanitárias.

O Ministério da Saúde garantiu que há, no país, um stock de medicamentos básicos e insumos médicos para os próximos seis meses.

A falta de dinheiro para o cumprimento de todas as fases de verificação dos livros escolares pode ter influenciado para a existência de erros graves nos manuais da 6ª classe. A informação é avançada pelo docente e revisor linguístico Nobre Santos. Já a revisora Olga Pires defende a inclusão de professores catedráticos nos processos.

Depois da comissão responsável por investigar os erros nos livros escolares ter apontado, entre outras causas, o não cumprimento das fases de verificação, negligência e falta de profissionalismo, o jornal “O País” ouviu alguns revisores linguísticos, que consideram ser necessário uma revisão profunda dos procedimentos, no geral, ligados à Educação em Moçambique.

Nobre Santos, com larga experiência na revisão de manuais didácticos, avança possível incapacidade financeira do Estado para cumprir todas as fases para a concepção de um livro.

Segundo o docente, nalguns trabalhos em que já participara, assistiu a situações como, em vez de pelo menos três revisores, foram contratados dois, com risco, em alguns, de não receberem os ordenados correspondentes ao trabalho realizado.

“Antigamente, os revisores acompanhavam todo o processo, mas, agora, isso já não acontece e eles dizem claramente que nós não temos dinheiro para pagar por todo o processo”, avançou Santos.

Nas suas incursões, por vários momentos, ignoraram a falta de pagamento, colocaram-se à disposição para ajudar em todas as fases necessárias, porém isso pode constituir uma grande falha para o não cumprimento das regras.

“O que nos move não é só o dinheiro, é o carácter, a missão e a responsabilidade de bem servir o nosso povo”, disse.

Para Santos, a partir deste problema, o Governo precisa de despender mais tempo e recursos na escolha dos melhores profissionais, uma posição igualmente defendida pela revisora Olga Pires, que questiona a qualidade dos revisores.

Segundo a revisora, cometer erro é normal quando se trata de um trabalho aturado como este, no entanto trata-se de falhas leves e não profundas como os erros a que se assistiu naqueles manuais, pois isso, “mais do que demitir, é preciso saber quem são estes profissionais, quais são as suas experiências e como conduziram este processo”, questionou Olga Pires.

Para ela, é preciso apostar mais em pessoas formadas e especializadas e as universidades têm de sobra. “O nosso país e as nossas políticas educacionais não estão a tirar o real proveito destes profissionais. Nós temos excelentes docentes universitários e eu converso muito com alguns deles, eles parecem que estão a fazer um determinado papel, mas não têm destaque, nem relevância, muito menos impacto na formação dos jovens”, explicou.

Segundo as fontes, antes da aprovação e impressão, os manuais de ensino devem passar por uma equipa de consultoria científica e linguística, composta por profissionais especializados que podem chegar até seis membros.

Os académicos aconselham o Governo a apostar mais e seriamente na educação e tratá-la com o devido respeito.

Voltou a falhar a exumação, que tinha sido marcada para hoje já que não se realizou na última sexta-feira, dos restos mortais das sete pessoas enterradas vivas no distrito da Manhiça, Província de Maputo, alegadamente devido à ausência da equipa da medicina legal.

É tenso o ambiente que se vive, neste momento, no Posto Administrativo de Maluana, distrito de Manhiça. A população local concentrou-se, hoje, debaixo de uma árvore e foi, depois, reunir-se com o chefe do posto administrativo, para exigir a libertação de cinco pessoas que se encontram sob custódia policial, por suspeita de terem participado, activamente, na morte dos sete supostos ladrões de gado bovino, incluindo alegados agentes da PRM e um membro do exército moçambicano.

Santos Chirindza, residente de Maluana que esteve na multidão, que, mais uma vez, marcou a presença junto às instalações do posto administrativo, explica os motivos que os levou àquele local: “Viemos concentrar-nos aqui, para saber para onde foram os nossos filhos que foram levados pela Polícia”, disse.

Sexta-feira passada, não aconteceu a exumação das sete pessoas enterradas vivas, alegadamente porque a equipa da medicina legal não se fez ao local, e tinha sido reagendada para hoje, mas, mais uma vez, não se realizou.

“Importa dizer que o conjunto que vai efectuar esse trabalho ainda não se encontra completo, mas tudo indica que, a qualquer momento, no dia de hoje, este procedimento, que é complexo e envolve muitas equipas, poderá, finalmente, efectivar-se”, garantiu o chefe de posto.

Até à saída da equipa de reportagem do “O País”, a equipa da medicina legal não estava em Maluana, e o que se via, no local, era o reforço da presença policial, por receio de uma manifestação popular.

Pelo menos 25 mil pessoas estão deslocadas em Cabo Delgado, na sequência do último ataque terrorista a Ancuabe. Entre os que abandonaram os seus abrigos, estão crianças, idosos e mulheres grávidas. A informação é revelada pela Organização Internacional para as Migrações.

Depois da tempestade vem a bonança, mas depois do ataque terrorista ao distrito de Ancuabe, província de Cabo Delgado, há mais deslocados que não param de chegar, sobretudo, à cidade de Pemba, para se acomodarem em casa de familiares.

“Os ataques terroristas ao distrito de Ancuabe terão deslocado cerca de 25 mil pessoas, principalmente para o distrito de Pemba, mas também para os outros distritos como Chiúre”, revelou Sasha Nlabu, chefe de Programas e Operações na Organização Internacional para as Migrações.

Entre os deslocados, refere a Organização Internacional para as Migrações, há cerca de 1200 pessoas que estão na situação de vulnerabilidade, designadamente, mulheres grávidas, crianças e idosos.

“Do número total dos quase 25 mil deslocados, 56 por cento, o que equivale a mais da metade, são crianças. Em termos de mobilidade das pessoas deslocadas, em resultado do recente ataque, a maioria é transportada em carros particulares e em autocarros. Uma parte significativa das pessoas movimenta-se por si só, ou seja, a pé, para os locais mais seguros”, detalhou Sasha Nlabu.

Mais do que contabilizar o número dos que abandonam as suas casas por conta dos ataques terroristas, a Organização Internacional para as Migrações está a prestar assistência humanitária aos deslocados, fornecendo o básico para sobrevivência. Para isso, conta com o apoio do Governo e outras organizações humanitárias.

“Estamos a distribuir itens de uso doméstico, produtos alimentares, artigos de higiene e sanitários para cobrir as necessidades urgentes e imediatas das pessoas deslocadas”, avançou o chefe de Programas e Operações na Organização Internacional para as Migrações.

Refira-se que o Instituto Nacional de Gestão de Riscos e Desastres disse estar ainda a analisar a necessidade de criação de bairros de reassentamento para os deslocados que chegam à cidade de Pemba.

Seis meses após a retoma normal do ensino pré-escolar, os centros infantis ainda vivem dias difíceis. Perda de trabalhadores, contas atrasadas e falta de alunos caracterizam as escolinhas na Cidade de Maputo.

Em Moçambique, os centros infantis fecharam as portas em Março de 2020, com a introdução do primeiro Estado de Emergência, no âmbito da COVID-19, e reabriram dois anos depois. Apesar da retoma normal das aulas, há mais de seis meses, os infantários ainda se queixam de vários prejuízos.

Desde a sua entrada em funcionamento em 1997, o Centro Infantil 1 de Junho tem, pela primeira, vez quatro das suas cinco salas de aulas desocupadas.

“Estivemos encerrados durante muito tempo, agora temos poucas crianças, por isso as salas estão vazias”, lamentou Ester Neves, directora da instituição, avançando que tal situação se deve ao facto de os pais e encarregados de educação se sentirem receosos em manter os seus filhos nas escolinhas.

“Ainda não sabemos qual é o motivo exacto, mas acredito que alguns pais ainda estão com medo de trazer as crianças devido à situação actual”, presumiu Neves.

O Centro Infantil 1 de Junho vive os piores momentos dos seus 25 anos de existência. Com as salas e o pátio vazios, quem passa pelas redondezas quase que já não ouve vozes das crianças.

O cenário é similar ao do Lhayisso, que tem um espaço preparado para receber 125 crianças. Mesmo com a estratégia de ensino on-line adoptada durante os últimos dois anos, não escapou à crise.

“Nós ainda não atingimos esse número, acredito que seja por causa da pandemia. No momento, estamos a trabalhar somente com 25 crianças, que estão divididas em duas turmas”, referiu Lúcia Marcos, administrativa do Centro Infantil Lhayisso.

Com a falta de crianças nos jardins infantis, as contas continuam apertadas, por isso nem todos os trabalhadores foram reintegrados nos seus postos.

Dos 20 funcionários que o Centro Infantil Nhanala dispunha antes do encerramento das aulas, actualmente trabalham somente oito, pois, segundo justifica Domingos Tsamba, director da instituição, “as mensalidades não são suficientes para pagar a todos os funcionários”, justificou

Ademais, mesmo quem foi reintegrado teve o seu salário reduzido. “Os funcionários recebem metade do seu salário, porque não temos possibilidades de pagar”, fundamentou Ester Neves, directora do Centro Infantil 1 de Junho.

Quando as instalações são arrendadas, a situação torna-se ainda mais complicada: “Temos que fazer um jogo de cintura e ir buscar dinheiro noutros sítios, para, por exemplo, pagar a renda e custear as despesas com alimentação”, desabafou Neves.

Com os casos da COVID-19 a aumentarem, os centros infantis reforçaram as medidas de contenção. Tudo para garantir a segurança dos menores e evitar um possível encerramento, tal como explicou a administrativa do Centro Infantil Lhayisso.

“A higienização das mãos é fundamental no nosso centro, estamos sempre a trabalhar com água, álcool, sabão e incutimos nas crianças a ideia de que devem sempre lavar as mãos”, apontou Lúcia Marcos.

Apesar das incertezas impostas pela COVID-19, os gestores dos centros infantis preferem manter a esperança. “Temos fé de que melhores dias virão e iremos voltar a ser o que sempre fomos”, acredita Ester Neves.

O ministro da Saúde, Armindo Tiago, garante que vai arrancar esta terça-feira, 28 de Junho, a vacinação contra a poliomielite. A campanha decorre depois de se ter detectado um caso da doença na província de Tete.

O caso de poliomielite que colocou o país em alerta foi detectado seis anos depois de se ter declarado Moçambique livre da doença.

A doença foi diagnosticada numa criança no distrito de Changara, num contexto em que já tinha decorrido a primeira e segunda campanhas de vacinação, nas zonas Norte e Centro, e esta semana inicia a terceira em todo o país, de acordo com o ministro da Saúde, que falava à nossa equipa de reportagem na última semana.

“A partir do dia 28, eventualmente comece a terceira (campanha) e depois tem um interregno para começar a outra (quarta)”, disse Armindo Tiago, que falava à margem do simpósio alusivo aos 60 anos da Frelimo. Tiago não avança, entretanto, os custos destas campanhas, até porque “nós fazemos o cálculo do custo por ronda e há variação”, sendo que, na primeira campanha, exemplifica, se estimava vacinar cerca de quatro milhões de crianças e o número subiu para quase cinco milhões, o determina a variedade dos custos.

A campanha de vacinação que inicia amanhã, a nível nacional, devia já ter arrancado, mas o país estava dependente do Zimbabwe.

“Uma vez que foi detectado um caso em Tete, que é próximo da fronteira com o Zimbabwe, aquele país também tem que fazer campanha de vacinação de forma coordenada. É por isso que se protelou o início da campanha aqui, em Moçambique”, explica o titular da Saúde.

A poliomielite é uma doença viral bastante contagiosa e causa paralisia irreversível

Acidentes de viação e agressões físicas mancharam as celebrações do Dia da Independência Nacional na Província e Cidade de Maputo, segundo informações avançadas pelas autoridades policiais e sanitárias.

O Hospital Provincial da Matola, na Província de Maputo, admitiu, no 25 de Junho, 129 pacientes que, na sua maioria, foram vítimas de acidentes de viação.

“Tivemos sete casos de acidentes de viação, dos quais um foi transferido para o Hospital Central de Maputo (HCM), com diagnóstico de fractura exposta de tíbia e triódio; internamos um paciente com fractura de tíbia, sem complicações, na nossa enfermaria de ortopedia e ainda tivemos oito casos de agressões físicas, mas sem complicações médicas e, por isso, tiveram alta”, avançou Micas Manjate, médico do Serviço de Urgências do Hospital Provincial da Matola.

A Cidade de Maputo também registou acidentes de viação que causaram ferimentos graves e ligeiros às vítimas. “Registámos um total de dois acidentes de viação, sendo um do tipo atropelamento e outro do tipo choque entre carros, que ocorreu na Avenida de Moçambique. No Distrito Municipal da KaTembe, um veículo ligeiro embateu contra um tractor, resultando num ferido grave”, referiu Isildo Bule, porta-voz da Polícia de Trânsito.

Ainda no feriado nacional, foram impostas várias multas na Cidade de Maputo a condutores que cometeram infracções de diversa ordem.

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