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O País – A verdade como notícia

INNOQ reforça fiscalização do peso do pão

O INNOQ anunciou o reforço da fiscalização do peso do pão em Moçambique, exigindo balanças verificadas e advertindo sobre sanções para os estabelecimentos que não

INNOQ reforça fiscalização do peso do pão

O INNOQ anunciou o reforço da fiscalização do peso do pão em Moçambique, exigindo balanças verificadas e advertindo sobre sanções para os estabelecimentos que não

O Governo ainda não pagou os quatro meses de compensação aos transportadores prometidos para minimizar o impacto do custo dos combustíveis. O valor é referente aos meses de Setembro a Dezembro do ano passado. A Agência Metropolitana de Transportes tinha prometido liquidar a dívida até Janeiro.

No dia 12 de Janeiro deste ano, o Presidente do Conselho de Administração da Agência Metropolitana de Transportes (AMT) prometeu que até o final do mesmo mês seria paga a dívida de quatro meses que a AMT tem com os transportadores de passageiros.

Mas, não passou de promessa. Quase três meses depois, os transportadores continuam à espera do pagamento.

O presidente da Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários, FEMATRO, diz que tem mantido contacto, tanto com a AMT, quanto com o Governo, através do Vice-ministro dos transportes e comunicação e sempre houve promessas de pagamento.

“Dos quatro meses do ano passado em dívida (apesar de o Vice-ministro dos transportes ter dito que nos seriam pagos os quatro do ano passado, mais Janeiro e Fevereiro, numa outra altura), até agora não foram pagos. Temos informação, desde a semana passada, que é uma questão de tramitação, que a transferência já foi feita e a qualquer momento o valor estaria disponível para começar o pagamento aos transportadores”, explicou o Presidente da FEMATRO, Castigo Nhamane.

Nhamane diz que a falta de pagamento está a prejudicar aos transportadores.

“Nota-se cada vez menos transporte na via, insto porque os operadores tendem a reduzir o número de meios que põem na estrada, uns porque estão avariados e os proprietários não têm dinheiro para reparar; outros porque de forma gradual não os colocam na estrada por falta de combustível; ou ainda porque há viaturas que só operam nas horas de ponta, mas também por pouco tempo”, disse.

Sem gravar entrevista, a Agência Metropolitana de Transportes disse estar em contacto permanente com a FEMATRO e garantiu para breve o pagamento da dívida.

Sobre o encurtamento de rotas e selecção de passageiros, que ainda se assiste, mesmo após a recente entrada em vigor de uma nova tarifa, Castigo Nhamane acusa a Polícia Municipal de pouco fazer para estancar o mal.

“A fiscalização não é eficaz, refiro-me à Polícia Municipal, Polícia de Protecção e a Polícia de Trânsito. Porque, o que acontece é o infrator, aquele que encurta, aquele que seleciona os passageiros é a tripulação (motorista e cobrador). No nosso entendimento, estas pessoas devem ser punidas severamente”, explicou.

Nhamane defende que havendo responsabilização mais “pesada” para os que prevaricam poderá haver redução ou até estancamento do mal, contrariamente ao que ocorre, onde apenas é retida a viatura. Com o pagamento da multa, esta volta a operar.

O presidente da FEMATRO apontou ainda o alto índice de corrupção na estrada como um dos vectores do mal.

Nalguns mercados da Cidade de Maputo, continuam a ser ignoradas as medidas de prevenção da cólera. Produtos de pronto consumo são comercializados sem protecção, o que expõe o consumidor ao risco de infecção pela cólera.

As medidas de prevenção da cólera são bem conhecidas e a médica Edna Soares lembra-nos: os alimentos devem ser bem tapados e bem cozinhados, lavar muito bem os legumes e as frutas; lavar muito bem as mãos com água e sabão ou cinza; evitar consumir água imprópria e garantir o saneamento do meio.

No sector informal do mercado Xipamanine, o maior retalhista da Cidade de Maputo, encontrámos um cenário propício para a inclusão da cólera. No entanto, há vendedores que estão informados sobre como prevenir a doença: “Para prevenir a doença em caso de estar a preparar a alface, tenho que lavar três vezes com água limpa”, disse Sidónia Manuel.

Entretanto, nem todos os vendedores e consumidores seguem as recomendações da saúde. Uma vendedeira tem o seu pão totalmente exposto. E quando questionada sobre tal prática, reagiu com desagrado: “Nós não gostamos disso, não temos condições, há pessoas que podem responder sobre o que nos estão a perguntar”.

Ao virar da esquina ainda no Xipamanine, vê-se um outro cenário de imundície: o contentor de lixo está cheio e transbordou. No mesmo local, vendem-se pão e chá, consumidos imediatamente.

“Acompanho o problema da cólera, mas não tenho como esconder-me, porque estou sempre aqui”, disse Joshua Munguandi, tendo, depois, acrescentado: “Não há como não ter medo, mas vou fugir para onde porque é aqui onde vendo? Se eu ‘fugir’, em casa não terão pão”.

A falta de saneamento do meio propicia a ocorrência e propagação da cólera e foi o que se notou no mercado Xipamanine.

“Como acabar com isto, está a ver isto? É possível acabar com a cólera assim?” – são questões de um consumidor que denotam que é necessária uma acção para travar a propagação da cólera.

No mercado Xiquelene, o cenário repete-se: produtos de pronto consumo são manuseados e vendidos sem protecção. As frutas não escapam e, por isso, é exigido aos seus vendedores e consumidores a adopção de medidas redobradas de higiene.

Dados do Ministério da Saúde, divulgados este sábado, indicam que houve, em todo o país, 164 novos casos de cólera, 214 altas e nenhum óbito.

Dom Francisco Chimoio despediu-se, hoje, dos crentes da Igreja Católica, do cargo de Arcebispo da Arquidiocese de Maputo, que passa a ser ocupado por Dom João Carlos. A maior expansão do evangelho para salvar mais almas é o seu apelo.

Dom Francisco Chimoio ocupou o cargo de Arcebispo da Arquidiocese de Maputo desde o ano 2003, depois de ter sido nomeado pelo Papa João Paulo II.

Depois de vinte anos, o Arcebispo cessou as funções e será sucedido por Dom João Carlos, que tomou posse no mês de Janeiro deste ano.

Neste domingo, muitos crentes estiveram na Sé Catedral da capital do país para agradecer pelo contributo de Dom Francisco Chimoio à igreja, que dirigiu a última missa e revelou o sentimento de missão cumprida.

“Depois de vinte anos, é como se tivesse passado apenas um. O sentimento é de alegria por ver que realmente há muita gente que precisa ainda da palavra de Deus e esse foi o objectivo que me trouxe aqui: anunciar a palavra de Deus. Estou contente porque sinto que realmente alguma coisa ficou, mas ainda havia muito que fazer, mas nós trabalhamos conforme o tempo que nos dão e as oportunidades que aparecem”, disse Francisco Chimoio.

Dom João Carlos é o sucessor de Dom Francisco Chimoio e agradeceu a Francisco Chimoio pela sua prestação para o crescimento espiritual dos crentes da Igreja Católica.

“Muito obrigado pelo zelo de querer ensinar o povo de Deus. Agradecemos pela generosidade com que nos ama, o modo como traduz o amor porque sempre, aos que o procuraram, sempre esteve disponível e aberto. Obrigado pela forma simples de amar a cada um de nós”, disse o novo Arcebispo da Arquidiocese de Maputo, pelo que Francisco Chimoio o desafiou a trabalhar para salvar mais almas.

O Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos reconheceu o contributo de Dom Chimoio durante a sua liderança à Arquidiocese de Maputo.

“Vinte anos é muito tempo quando formos a contar em termos de idade. Mas  vinte anos de luta, perseverança e de orações pelo bem estar da humanidade, em especial para o povo moçambicana, representam muito mais que um número, mas sim uma bênção , um tempo de paz que foi estabelecido pelo nosso Arcebispo”, disse Albachir Massacar, director nacional dos Assuntos Religiosos do Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos.

Empossado em 2003, Dom Chimoio foi o quarto Arcebispo de Maputo.

O estigma e a discriminação continuam a preocupar as mulheres com cancro da mama. O fenómeno está a contribuir para o fraco rastreio e tratamento da doença, segundo as mulheres que se juntaram, hoje, na Cidade de Maputo, para a partilha de experiências e sensibilização.

Fazer o rastreio e aderir ao tratamento do cancro da mama ainda são um dilema para muitas mulheres, que temem reviravolta nas suas vidas, depois de um simples apalpar de mama e descoberta do nódulo.

Segundo mulheres que venceram a doença, a palavra de ordem deve ser “rastrear o cancro”, vencendo os preconceitos.

“O tratamento é doloroso. Aconselho as que vão entrar para a quimioterapia que sejam fortes e os seus efeitos começam a qualquer momento, desde vómitos, diarreia, fraqueza, perda de cabelo, entre outros”, disse Isabel Manjate, uma das sobreviventes do cancro da mama, que falava, este domingo, num evento, na Cidade de Maputo, que visava mobilizar mais mulheres a aderirem ao diagnóstico e tratamento.

Desde a entrega de perucas, lenços e até demonstrações de como fazer próteses mamárias, houve também, no evento, cancões de sensibilização…tudo, para levantar a auto-estima das mulheres.

Uma iniciativa de Juju Rombe, que foi diagnosticada com cancro de mama em 2019.

“Queremos acabar com esta coisa das pessoas pensarem que se alguém tem cancro é o fim do mundo. Queremos incentivar, primeiro, o diagnóstico precoce, segundo o tratamento e, terceiro, a não desistir da vida”, apelou Rombe.

Nesta luta, o apoio e a força de vontade são os instrumentos necessários para a vitória. E porque são vencedoras, para elas, a esperança é a última a morrer, o seu desejo é que se reduzam o estigma e a discriminação.

Dados do sector da saúde apontam que, por ano, se registam, no país, pelo menos cinco mil casos de cancro de mama e cerca de três mil mortes.

Terminou o prazo estabelecido para os transportadores de passageiros resolverem as irregularidades nas suas viaturas, mas as condições continuam as mesmas. O Ministério dos Transportes e Comunicações decidiu estender o prazo para mais 45 dias.

Os automobilistas tinham até fim de Março para resolver problemas relacionados às más condições técnicas, deficiências mecânicas e imundície nos carros. O ultimato foi dado pelo Ministério dos Transportes, mas, no terreno, nada mudou. Assim sendo, segundo o director nacional dos Transportes e Segurança, Fernando Ouana, o prazo foi estendido para mais 45 dias.

O novo prazo é dado por haver reconhecimento de que o contexto não permitiu o cumprimento dos 60 dias, a princípio estabelecidos.

“Registou que os 60 dias seriam apertados para os transportadores, de tal forma que solicitaram tempo adicional para que pudessem cumprimentar as acções recomendadas”, avançou Fernando Ouana.

Mas há pouca esperança de cumprimento desse novo prazo, porque a Federação Moçambicana das Associações dos Transportes Rodoviários  (FEMATRO) diz que o problema não é esse.

“Nós temos alguns autocarros com casas de banho mas não estamos a usar. Por exemplo, uma viagem até Nampula dura cerca de três dias e a usar-se a casa de banho não seria suportável ficar dentro do carro”, disse Castigo Nhamane, presidente da FEMATRO.

Sobre os problemas mecânicos, os transportadores, explicam que não falta vontade de ter autocarros em boas condições mecânicas, mas a estrada é um entrave.

Falando ao “O País”, Alberto Inácio, transportador de passageiros na rota Maputo–Beira, disse que as condições da EN1 fazem com que cada viagem seja um martírio.

Para todos os efeitos, as medidas serão aplicadas depois de um mês e meio, contados a partir de 27 de Março último. A desobediência pode dar lugar à suspensão da licença e, em casos graves, à proibição de operar.

A Agência de Notação Financeira Moody’s diz que Moçambique é dos países mais vulneráveis a choques de insegurança alimentar que ameaçam aumentar os riscos de cumprimento dos serviços da dívida pública.

De acordo com a Agência Moody’s os choques de insegurança alimentar estão a ameaçar agravar os problemas críticos da dívida pública nos países da África Subsaariana, em particular Moçambique.

“Nossa análise encontra Moçambique, Ruanda, Zâmbia e Etiópia entre os países mais expostos e vulneráveis. Choques de insegurança alimentar serão uma fonte recorrente de risco de crédito” disse um analista da Moody’s, citado pela norte-americana Bloomberg. A Moody’s justificou que os choques alimentares afectam a qualidade do crédito através de vários canais à medida que uma conta de importação mais ampla aumenta as pressões sobre o saldo da conta corrente e as reservas cambiais. As restrições de financiamento acabam levando à escassez de dinheiro e isso pode levar os países a não cumprirem com os serviços da dívida pública.

A agência explica que o aumento global dos preços dos alimentos e outros impactos da pandemia da Covid-19 e da guerra da Rússia na Ucrânia deram início a uma das piores crises alimentares, em África, e as Nações Unidas estimam que mais de 250 milhões de pessoas no continente estão a passar fome.

Os mercados de títulos de dívida pública em África já estão a dar sinais de alerta, de acordo a Moody’s, havendo indicações de créditos “em dificuldades”, em meados de Março último, no meio da turbulência nos sistemas bancários dos Estados Unidos de América e da Europa.

Os planos de urbanização da Cidade de Maputo não passam de meras intenções e raramente são implementados. Quem o diz é o Bastonário da Ordem dos Arquitectos, que falava, ontem, durante o lançamento de um livro sobre os desafios da urbe.

A mobilidade, as construções desordenadas, o transporte público e outros desafios da Cidade de Maputo estão, desde ontem, retratados em livro, intitulado “Cidade de Maputo: reflexões e possíveis soluções” (uma colectânea de publicações do Jornal da Cidade).

A obra apresenta os problemas já conhecidos, mas também possíveis saídas, numa altura em que a cidade regista um aumento de construções desordenadas.

Na sua intervenção, o docente e investigador António Prista, um dos colaboradores da obra, manifestou a sua indignação em relação às construções desordenadas a que se têm assistido na capital do país.

“É absurda a quantidade de prédios que estão a ser construídos ao longo da Julius Nyerere. Eu já não consigo viver lá. Hoje, a Julius Nyerere (avenida) só tem uma faixa de rodagem de cada lado, porque a outra é a segunda faixa para estacionamento. Se olhar para a história do Ministério da Economia e Finanças (localizado na Avenida Julius Nyerere, próximo do Palácio dos Casamentos) verão que aquilo foi feito para servir interesses de alguém e que a esta altura deve estar preso por estar metido noutras falcatruas (fraudes). Nós tínhamos que tirar, de uma vez por todas, os ministérios da cidade”, lamentou António Prista, docente e investigador.

Prista disse ainda que já sugeriu ao Ministério da Educação (que se localiza na Avenida 24 de Julho) para abandonar o edifício, que é (era) habitacional e se alocar fora do centro da cidade, tudo para que se possa descongestionar a urbe e facilitar a mobilidade.

António Prista aponta ainda falhas na fiscalização das obras e mostrou-se indignado pelo desaparecimento desenfreado dos locais de prática desportiva e conta que já denunciara ao Município de Maputo. A resposta foi que se tratava de um privado a executar a obra.

“Como é que o campo da Estrela Vermelha foi ocupado por um prédio? Não há uma política? É por ser um privado a construir? Porque é que a mim fiscalizam quando faço uma obra? Afinal, para fazer uma obra, não tenho que apresentar a documentação, um plano, ou basta ser um privado?”. Para o académico, o problema de fundo são o planeamento urbano e o cumprimento da sua execução.

Chamados a intervir, os munícipes de Maputo dizem que a falta de política clara da cidade, que coordena os critérios para a expansão da urbe, é a “mãe” de todos os males.

Marcos, como se identificou, residente no bairro Mafalala, explica que o seu, igual a outros bairros periféricos, sofre com inundações urbanas, mesmo tendo colectores de água próximos.

“A Política Nacional da Juventude preconiza que há necessidade de edificar as residências de forma vertical, na Cidade de Maputo, mas o que estamos a ver é que, nos bairros, há cada vez mais parques, escritórios e as pessoas estão a ser empurradas para os distritos.”

Um outro munícipe não identificado diz que há bairros em que as pessoas se instalam sem mínimos serviços, o que ele considera um erro. No seu entender, é preciso que se façam estudos de viabilidade de cada coisa.

“Vamos tentar corrigir nos bairros suburbanos. Eles já têm plano de requalificação, mas há falta de dinheiro. Já vimos que, com a participação dos moradores do Chamanculo C, as pessoas estão dispostas a ceder parte do seus talhões para passarem a ser estradas, centro cívico, escolas, até para tirar as casas que estão em zonas húmidas e deixar ali um jardim, um parque, porque as pessoas também sentem; ninguém gosta de viver em más condições”, disse.

O Bastonário da Ordem dos Arquitectos, Luís Lage, por seu turno, diz que as políticas urbanas raramente são implementadas: “O que acontece é que os planos não são executados. Alguns porque não há fundos para os executar ou porque as parcerias devidas para a sua execução não estão previstas”.

Como exemplo de uma má aplicação de políticas de urbanização, Lage fala do plano das construções na zona baixa da cidade, que era virado a construções atractivas aos turistas.

“O Plano da Baixa preconiza que a cota dos edifícios a serem construídos na baixa não devem ferir essa visão. Estas coisas estão previstas por lei, aliás previstas nos planos. Os planos só passam a ser lei quando passam para o Boletim da República, mas, muitas vezes, estes não vão ao BR, nem são subscritos oficialmente. Gasta-se muito dinheiro com eles, mas não passam disso, de meros planos, de boas intenções. Não há uma execução física dos planos de ordenamento”, concluiu o Bastonário.

Já Nuno Remane, arquitecto, defende o descongestionamento da cidade como um dos caminhos para a recuperação da capital.

“É preciso desobstruir a cidade. Temos o problema da mobilidade, massificação habitacional e institucional e é sempre nas mesmas áreas, por isso é preciso desobstruir a cidade. Mas isso gera um novo debate que é a criação de novas centralidades: só é possível criar, que já estão a acontecer de uma forma descontrolada – a população gera essa nova centralidade, mas que devia ser gerada pelo próprio Governo, fruto de plano estratégico e com as infra-estruturas básicas para que as pessoas possam mudar-se para esses bairros”, disse Remane.

Como solução, a obra sugere que o Município de Maputo revisite e aprove um novo plano de infra-estruturas, trave imediatamente as construções de novos prédios em zonas já pressionadas, cumpra e faça cumprir o programa de requalificação urbana e, acima de tudo, crie serviços sociais nos bairros de expansão.

 

 

Foi lançada, esta quinta-feira, na Cidade de Maputo, a minissérie intitulada “A natureza dos homens e dos animais”. A obra cinematográfica aponta a necessidade de preservar o meio ambiente. Os fiscais do Parque Nacional de Maputo, os líderes locais e os caçadores furtivos foram os principais actores.

“A natureza dos homens e dos animais” é a mais recente obra cinematográfica sobre a preservação do meio ambiente.

A obra, encenada pelos oficiais do Parque Nacional de Maputo, visa consciencializar a sociedade sobre os impactos da má gestão dos recursos naturais e as consequências dos crimes contra a vida selvagem.

De acordo com Jorge Ferrão, produtor do filme, inicialmente a iniciativa visava fazer as gravações com actores profissionais, mas, no decorrer dos acertos, constatou-se que a melhor opção seriam as autoridades locais e os próprios caçadores furtivos, que mais conhecem a actividade.

Para que o trabalho fosse feito com sucesso, a produção da minissérie teve que se despir de mensagens políticas para melhor informar e sensibilizar.

“Este seriado não tem aquela mensagem politicamente correcta, tem aquilo que foi debatido com a comunidade, com os fiscais e com os furtivos. Foi importante porque também notamos que muitos furtivos estavam misturados com a sociedade; queriam saber o que se está a discutir e tivemos problemas no começo, porque não aceitaram e conseguimos fazer a produção”, explicou Ferrão.

O também reitor da Universidade Pedagógica de Maputo falou da necessidade de haver uma convivência entre os animais e as comunidades que vivem nos arredores das áreas de conservação.

“Eu acho que a questão principal é entendermos que os animais e os seres humanos têm que conviver, têm que coexistir. As espécies estão a ficar sem espaço, há muita arma lá dentro [das áreas de conservação], há muito som, há muita perturbação e isso coloca os animais com nível de stress muito aloto”, acrescentou.

Jorge Ferrão foi mais a fundo, ao lançar uma reflexão sobre a diferença entre caça furtiva e caça de subsistência. Para Ferrão, nem todos que abatem animais nas áreas de conservação são caçadores furtivos; alguns, a maioria, praticam a caça como um meio de subsistência.

O académico defende ainda que deve haver uma distinção entre estes dois grupos, sob o risco de criminalizar pessoas que só abatem alguns animais apenas para a sua sobrevivência.

“Sobre a caça furtiva e a casa de sobrevivência, vamos ter que perceber bem como é que as comunidades se posicionam. A caça furtiva deve ser feita por um grupo específico de pessoas identificadas, as quais muitas vezes conhecemos e não tomamos nenhuma medida em relação a essas pessoas. Um caçador que vai buscar um cabrito do mato, uma impala e faz-se um grande drama e colocamos isso como um conflito… Eu acho que estivemos errados desde o primeiro instante na forma como identificamos o problema, a tipologia e a forma como resolvemos o problema”, alertou Jorge Ferrão.

Por seu turno, a directora-geral da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), Celmira da Silva, diz que o mais importante na produção da obra cinematográfica é a consciencialização das comunidades e dos próprios caçadores furtivos.

Da Silva avançou ainda que, além do lançamento feito esta quinta-feira, na Cidade de Maputo, a minissérie será projectada para a comunidade de Majajane, nos arredores do Parque Nacional de Maputo, de modo a que os próprios nativos sejam sensibilizados.

Já o embaixador dos Estados Unidos da América, Peter Hendrick, diz que o filme demonstra a necessidade de utilizar e gerir de forma sustentável os recursos naturais em benefício dos moçambicanos actualmente e das gerações vindouras.

Para o diplomata, os recursos naturais existentes no país podem contribuir para o crescimento se forem protegidos das pessoas com más intenções.

A minissérie, lançada esta quinta-feira, na Cidade de Maputo, foi financiada pela USAID.

Foi lançado, hoje, em Maputo, o projecto BRT, orçado em 250 milhões de dólares disponibilizados pelo Banco Mundial. A fase inicial consiste na construção e reabilitação das estradas. Começa em Julho deste ano e vai até agosto de 2024. Os passageiros só vão começar a usufruir deste sistema de transporte a partir de meados de 2026.

Não foi uma nem duas vezes que ministros do Transportes e Comunicações e até presidentes do Município de Maputo tomaram o projecto Bus Rapid Transit ou, simplesmente, BRT, como sua bandeira de governação.

Só para se ter uma ideia, entre 2014 e 2016, foi o período em que a promessa de melhorar o transporte público na zona metropolitana do Grande Maputo, através um sistema que é implementado em mais de 300 cidades do mundo, ganhou mais força.

Ganhou força, mas nunca teve pernas para andar. Até houve alguns estudos, houve desenho das rotas e do número de passageiros que seriam transportados, mas tudo ficou no papel.

Sete anos depois, em 2023, o projecto BRT será, diga-se, ressuscitado. A cerimónia de “ressurreição” da iniciativa teve lugar em Maputo.

Diante de olhar atento de membros do Governo, dos municípios, dos distritos, da sociedade civil e do sector privado, o PCA da Agência Metropolitana de Transportes explicou, ao detalhe, o projecto que relança a esperança de melhorar a mobilidade urbana no Grande Maputo, nomeadamente cidades de Maputo e Matola, vilas de Boane e Marracuene.

“O projecto contém três componentes. Para as componentes um, dois e três, estão já alocados os valores. São 250 milhões de dólares, em que a componente um é para o fortalecimento institucional e regulatório do transporte público e urbano; a componente dois diz respeito à melhoria abrangente nos transportes públicos e a três tem a ver com o acesso seguro aos bairros. A componente quatro tem a ver com a gestão, monitoria e avaliação. Nós terminamos em 2027, mas tudo que temos tem que terminar até 2026”, detalhou António Matos, PCA da Agência Metropolitana de Transportes.

O responsável da instituição que lidera a implementação do projecto referiu que, das fases supracitadas, há uma que é mais crucial e imediata que é a melhoria das estradas, que deverá arrancar em Julho próximo.

“Desde a Avenida 24 de Julho entre a Praça 16 de Junho e a Avenida da Zâmbia, incluindo a Avenida da Tanzânia. Esta é a fase um e depois haverá a fase dois. Isto também está contemplado. São 3,2 quilómetros. Todas estas obras que estou a mencionar deverão terminar em Agosto de 2024. Já está tudo feito. Os cadernos, estudos de impacto ambiental… tudo já foi feito”, sublinhou António Matos.

Onde também poderá estar tudo feito até 2024, segundo o PCA da Agência, é a melhoria no Município da Matola que, das “grandes obras”, há uma vontade de “ligar o bairro de Intaka, a partir da primeira rotunda, à Estrada Circular e o bairro Boquisso, estabelecendo a ligação pela EN1. No segundo caso, o bairro de Matlemele, a partir da terceira rotunda e da estrada circular e o bairro Nwamatibjana e, finalmente, EN1 com Khongolote, estabelecemos a ligação com a primeira rotunda e a Estrada Circular”.

Concluídas as obras, cerca de três milhões de habitantes da zona metropolitana do Grande Maputo poderão usufruir de um sistema de transporte melhorado, a partir de 2026.

“Toda a gente fala do BRT, do Bus Rapid Transit, que são linhas dedicadas para o transporte de passageiros. É como se fosse um comboio. Só que ao invés de se mover em trilhos, move-se numa estrada. Ao invés de ser um comboio, e autocarro com pneus”, esclareceu o PCA da Agência Metropolitana de Transportes.

Para dissipar quaisquer dúvidas, António Matos revelou as rotas iniciais do projecto: “Este BRT irá congregar um troço de 22 quilómetros, que se estende desde a Baixa da Cidade até à Praça dos Combatentes, vai até à Missão Roque, Zimpeto e Matola Gare. Portanto, nós temos previstos 10 terminais, 124 mil passageiros por dia e, com esta operação, que não vai começar já, estamos a pensar nos termos de como é que vai ser operado e estruturado este primeiro corredor do BRT aqui, em Moçambique”.

Coube ao ministro dos Transportes e Comunicações lançar o projecto. Mateus Magala disse que as vias de acesso e o transporte de passageiros no Grande Maputo vão melhorar.

“Os bairros abrangidos passarão a ter estradas de acesso mais seguras e resilientes, incluindo iluminação e passeios renovados, percursos pedonais, ciclovias, vias asfaltadas e sistemas de drenagem de água”, revelou Mateus Magala, ministro dos Transportes e Comunicações.

E há mais: “Para além da componente de infra-estruturas, este projecto prevê a possibilidade de aquisição de 120 autocarros, que representam uma oferta de 124 mil passageiros por dia. O facto vai permitir uma oferta adicional de cerca de 40 milhões de pessoas por ano aos actuais 105 milhões de passageiros anuais, ou seja, a quota subirá para cerca de 150 milhões de passageiros, anualmente”.

Os municípios de Maputo e Matola consideram o BRT uma solução para o crónico problema de transportes, que há anos não só afecta as duas cidades, como também toda região do Grande Maputo.

“O projecto de mobilidade urbana para a área metropolitana de Maputo é, sem dúvida, uma resposta integrada e valiosa às preocupações e limitações que temos vindo a sentir, enquanto entidades responsáveis por assegurar uma rede viária e um sistema de transporte público urbano de passageiros eficiente e de qualidade”, elogiou Eneas Comiche, presidente do Município de Maputo.

E Calisto Cossa, presidente do Município da Matola, apoia totalmente o projecto. “Tudo faremos para que a implementação deste projecto não falhe e gostaria de apelar à nossa população, munícipes a nível da cidade da Matola, para uma maior colaboração porque não há dúvidas de que, no final, todos nós sairemos a ganhar”, comprometeu-se.

O projecto está orçado em 250 milhões de dólares norte-americanos, disponibilizados pelo Banco Mundial.

O sistema de gestão de frotas será digital, o que implica o uso de uma aplicação de controlo de horários, de meios circulantes, rotas e segurança.

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