Skip to main content

O País – A verdade como notícia

INNOQ reforça fiscalização do peso do pão

O INNOQ anunciou o reforço da fiscalização do peso do pão em Moçambique, exigindo balanças verificadas e advertindo sobre sanções para os estabelecimentos que não

INNOQ reforça fiscalização do peso do pão

O INNOQ anunciou o reforço da fiscalização do peso do pão em Moçambique, exigindo balanças verificadas e advertindo sobre sanções para os estabelecimentos que não

Os casos de cólera tendem a baixar, nos últimos dias, em todo o país. A informação é avançada pelas autoridades de saúde, que falam de 185 casos activos, de um cumulativo de mais de 27 mil casos e 124 óbitos, em consequência da doença. Apenas a Província de Maputo ainda não tem registo dos casos da doença.

O surto da cólera em Moçambique dá sinais de declínio, repetindo a tendência de queda observada noutros 13 países africanos, afectados pela doença, como o vizinho Malawi.

A informação foi avançada, esta terça-feira, pelo gestor nacional para Resposta à Cólera do Instituto Nacional de Saúde, José Paulo, que acrescentou que “estamos agora numa situação estável. Em termos de número de casos, estamos com mais de 27 mil casos e 124 óbitos registados e uma taxa de letalidade de 0,5. Esses dados indicam o sucesso das nossas intervenções para o controlo do surto, uma vez que temos conseguido manter o número de mortes muito abaixo do esperado”, sublinhou José Paulo, do Instituto Nacional de Saúde.

O cenário de diminuição, afirma José Paulo, começou no dia 24 de Março e não deve ser visto, porém, como um arrefecimento da disseminação da doença.

“O surto atingiu a fase de pico entre a 12ª e a 13ª semana epidemiológica. Agora está em fase descendente, apesar de termos alguns novos focos, mas estes novos focos reportam muito poucos casos e são controlados”, garantiu.

O controlo e a consequente queda de casos da cólera foram alcançados com sucesso em locais como Quelimane e Beira, muito por causa da campanha de vacinação contra a cólera, que arrancou a 29 de Março e terminou a 03 de Abril, com uma meta alcançada de abranger 1 277,539 pessoas a vacinar.

“A província da Zambézia reportava, diariamente, cerca de 400 casos internados, neste momento temos abaixo de 30 a 50 casos diários, a cidade da Beira idem, reportávamos há algum tempo, por influência das chuvas, casos acima de 50 e hoje temos abaixo de 10.”

Um total de 124 pessoas morreram e outras 18 537 foram internadas devido à cólera desde Setembro de 2022, segundo os mais recentes dados do MISAU.

Segundo o último boletim epidemiológico sobre a doença, feito pelo Instituto Nacional de Saúde, somente a Província de Maputo continua sem ter casos de cólera.

Moçambique registou, desde Setembro, um cumulativo de 27 223 casos da doença, 170 dos quais registados nas últimas 24 horas, refere a actualização da Direcção Nacional de Saúde Pública.

As autoridades nacionais da saúde dizem-se preocupadas com o vírus Marburg noutros países. Por isso, o Instituto Nacional de Saúde está a reforçar as medidas de controlo e prevenção para evitar a eclosão da doença, que já afecta a vizinha Tanzânia, que faz fronteira com Niassa e Cabo Delgado.

Marburg é o nome da febre hemorrágica causada por um vírus altamente infeccioso da mesma família do vírus ébola. Febre alta, arrepios e dor de cabeça forte são os sintomas comummente destacados pelas autoridades de saúde.

O surto da doença não é recente. Os primeiros casos foram detectados por volta de 1967.

Em Fevereiro deste ano, a Guiné Equatorial, um país africano, fez soar o alarme. Esta terça- feira, o Instituto Nacional de Saúde abriu as portas à nossa reportagem para falar da doença e de medidas adicionais.

Segundo Sadia Ali Pereira, médica investigadora daquele instituto, Moçambique ainda não tem surto da doença.

Entretanto, na vizinha Tanzânia, onde o vírus infectou 11 pessoas e matou outras cinco, o primeiro caso foi notificado em Março de 2023.

O Instituto Nacional de Saúde tem um laboratório de referência e a investigadora Sadia Pereira garante que o país tem capacidade de resposta a um eventual surto de Marburg.

“Estão a decorrer trabalhos em diversos sectores, desde os pontos de entrada, fronteiras, aumento da capacidade de diagnóstico, manuseio clínico dos suspeitos e treinos de actualização na capacidade do diagnóstico laboratorial”, avançou Sadia Pereira.

Tal como o ébola, Marburg provoca hemorragias repentinas e pode causar a morte em poucos dias. Tem um período de incubação que varia de dois a 21 dias.

O nome Marburg surge do facto de o vírus ter sido detectado na cidade alemã de Marburg. Ainda não existe vacina nem tratamento específico para a doença.

A necessidade surge numa altura em que o respeito pelos direitos humanos em Cabo Delgado, onde se combate o terrorismo, tem sido tema de debate por causa da alegada violação, algumas vezes envolvendo as Forças de Defesa e Segurança.

O terrorismo em Cabo delgado, que dura mais de cinco anos, elevou o debate sobre os direitos humanos no país. As Forças de Defesa e Segurança até já foram acusadas de abusos dos direitos humanos, através, por exemplo, de exploração sexual de mulheres deslocadas e uso da força contra civis.

O relatório da Human Right Watch, uma organização que lida com os direitos humanos no mundo, considerou que a situação teria piorado em 2021 e que o cenário também agravou a crise humanitária que se vive no Norte do país, em 2022.

Em é face a estes cenários que o Ministério da Defesa Nacional realiza, entre terça e quarta-feira, um seminário sobre a integração dos direitos humanos nas funções das Forças de Defesa e Segurança, cujo objectivo é reforçar a capacitação dos militares na matéria.

Em representação do ministro da Defesa Nacional, o Secretário Permanente do Ministério, Casimiro Mueio, disse que “a obtenção de ferramentas, nesta área, materializa a nossa visão institucional de nos tornarmos referência em boas práticas atinentes à promoção e defesa dos direitos humanos”.

Mueio acrescenta que “o sector da Defesa Nacional assume a defesa dos direitos humanos como um dos maiores e inegociáveis compromissos, pelo facto de estarem enquadrados na sua missão de defesa da pátria”.

Em coordenação com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), estão em estudo as temáticas e as técnicas a serem integradas nas capacitações das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM).

Segundo o representante do ACNUDH, Johan Olhagen, a cooperação é importante, sobretudo porque “a experiência global mostra que as forças armadas, que integram direitos humanos na sua doutrina, treinamento, comando e controlo, incluindo orientação operacional e arquitectura de treinamento, ganham vantagens operacionais e elevam o seu nível táctico, e o elemento-chave tem sido construir confiança com as comunidades onde elas operam”.

Para o sector da defesa nacional, a cooperação com o ACNUDH será de grande utilidade “no sentido de cada vez mais melhorar essa prioridade, potenciando os militares das Forças Armadas de Defesa de Moçambique matérias sobre os direitos humanos.”

Do encontro participaram representantes de diferentes instituições de ensino militar e do ACNUDH.

O Município de Maputo atribuiu DUAT para a construção de um condomínio de luxo numa zona de protecção ambiental. O Ministério da Terra e Ambiente concedeu a licença ambiental porque não viu nenhum problema. E a Procuradoria-Geral da República, na Cidade de Maputo, intimou a edilidade a revogar o DUAT, por considerar a zona de ecossistema sensível.

A imagem aérea no bairro Costa do Sol, Cidade de Maputo, mostra uma imensidão esverdeada…É o mangal, um ecossistema de grande valor para os seres vivos e para a natureza.

“Os mangais têm várias funções, entre as quais funcionam como berçário das espécies mais jovens e servem de barreira para dividir a zona marinha da zona terrestre e nós, que temos sido vítimas dos ciclones, acabam por nos proteger dos ventos fortes”, explicou o ambientalista Rui Silva.

Sem o mangal, a existência de algumas espécies marinhas fica comprometida e os seres humanos em risco de catástrofes naturais.

“Se destruirmos o mangal, estamos a pôr em causa muita coisa, nomeadamente, a infiltração de água salgada para a zona terrestre, podendo, eventualmente, afectar os lençóis de água, tornando a água mais salobra e acaba por afectar todo o sistema, principalmente, a questão das espécies que aproveitam os mangais para se reproduzirem”, alertou o ambientalista.

Por isso, o Governo protege esta espécie, que ocupa cerca de 300 mil hectares em todo o país, criando as zonas de protecção ambiental.

“A fim assegurar a protecção e a preservação dos componentes ambientais, bem como a manutenção e melhoria de ecossistemas de reconhecido valor ecológico e socioeconómico, o Governo estabelece as áreas de protecção ambiental devidamente sinalizadas”, lê-se no artigo 13 da Lei do Ambiente.

Assim, determina o artigo 13 da Lei do Ambiente.

Este dever de proteger o ecossistema de reconhecido valor compete, também, aos Governos provinciais, distritais e municipais.

Por serem zonas de protecção ambiental, o artigo 14 da Lei do Ambiente determina:

“É proibida a implantação de infra-estruturas habitacionais ou para outro fim que, pela sua dimensão, natureza ou localização, provoquem um impacto negativo significativo sobre o meio ambiente, o mesmo se aplicando à deposição de lixos ou materiais usados.”

E na costa da Cidade de Maputo, foram estabelecidas zonas de protecção ambiental para, sobretudo, proteger o mangal que está, porém, em constante ameaça. O chamado desenvolvimento urbano está a criar muita pressão sobre este ecossistema.

No bairro Triunfo, Costa do Sol, há um caso mais evidente e se calhar muitos. Nesta reportagem, vamos mostrar como é que este projecto começou até chegar ao nível em que chegou e factos que expliquem todo o processo.

E os factos datam de 2020, quando o Município de Maputo lançou a iniciativa de construir um circuito pedonal nesta zona para proteger o mangal.

Em 2021, houve um concurso público para a selecção da empresa que executaria as obras.

Das oito empresas concorrentes, o concurso foi ganho pela Urbancivil, Consultoria e Engenharia, Lda. que apresentou a segunda menor proposta financeira, no valor de 26,4 milhões de Meticais.

Enquanto se aguardava o visto do Tribunal Administrativo, a Top Logística, que não estava entre as oito empresas concorrentes, apareceu a reclamar de irregularidades no processo.

Sem se ter notificado a empresa visada, a Urbancivil, a construção do circuito pedonal foi adjudicada directamente à Top Logística.

Foi a Top Logística, parceira do Município de Maputo, que trouxe um outro objecto ao contrato para a zona do mangal no bairro Triunfo, Costa do Sol: um condomínio de luxo.

A edilidade, que só queria um circuito pedonal, não se opôs à ideia de um condomínio, tanto que concedeu o DUAT à Top Logística no dia 17 de Setembro de 2021.

O título do DUAT concedido era para uma zona onde o próprio Município fixou uma placa que proíbe construções… até já mandou demolir casas por ser uma zona de protecção ambiental.

Para se avançar com o projecto, fez-se um Estudo de Pré-viabilidade Ambiental e o Ministério da Terra e Ambiente concluiu que a área não era viável para aquele tipo de projecto, porque se previam, entre os vários impactos, “a alteração da qualidade das águas superficiais (riachos do mangal); a alteração das propriedades dos solos; a redução ou perda de habitat (floresta de mangal) e a perda de vegetação e habitats locais”.

Mais especificamente sobre o mangal, o estudo de pré-viabilidade concluiu que “o projecto poderá aumentar a pressão nas biocenoses da floresta do mangal, ao contribuir para a alteração da dinâmica do ambiente do mangal, fragmentar e eliminar habitats e suprimir populações, criando novos e importantes factores de perturbação”.

Foi por isso que o Ministério da Terra e Ambiente não deu a licença ambiental, no dia 25 de Fevereiro de 2022.

No dia 04 de Março, o Município de Maputo recorreu à rejeição do Ministério da Terra e Ambiente de conceder uma licença ambiental.

A edilidade fundamenta que aprovou o projecto por ser do seu interesse e está sujeito ao cumprimento das condições.

“A elaboração do projecto do complexo habitacional e de um circuito pedonal de protecção do mangal numa extensão perimental de um quilómetro é de estreita articulação com o Município. O projecto que se pretende licenciar é do interesse do Município”, lê-se no recurso do Conselho Municipal de Maputo.

Estranhamente, era o Município de Maputo a insistir na licença ambiental e não a Top Logística.

No estudo de pré-viabilidade ambiental, houve uma consulta pública realizada no dia 30 de Junho de 2022, na Cidade de Maputo, e participaram 13 pessoas.

Perante a insistência da edilidade, foi feito um estudo de impacto ambiental definitivo que voltou a apontar as mesmas consequências ambientais negativas que o projecto traria àquela zona, mas foram dadas recomendações para que o projecto avançasse.

“Deve haver correcta gestão de resíduos, incluindo a alocação de contentores separados para resíduos sólidos urbanos e perigosos; utilização de equipamento em bom estado que não derramem óleos durante o funcionamento e evitar derrame de combustíveis durante o abastecimento de equipamento na obra; construir muro na área do projecto que servirá de barreira física entre a área das obras do condomínio e a floresta do mangal existente; não usar a floresta do mangal como fonte de madeira para a obra e educar os trabalhadores da obra sobre a protecção do mangal”.

Dadas as recomendações, foi emitida uma licença ambiental de instalação para a construção de um condomínio e de um circuito pedonal, no quarteirão 43, bairro Triunfo, Costa do Sol, Cidade de Maputo.

A licença ambiental custou 400 mil Meticais, o correspondente a 0,2 por cento do valor total do investimento, que é de 200 milhões de Meticais.

A licença foi assinada pela ministra da Terra e Ambiente com conhecimento dos ministros das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, do Mar, Águas Interiores e Pescas, do Secretário de Estado da Cidade de Maputo e do presidente do município.

Confrontada pela imprensa, Ivete Maibaze disse que não vê problemas na atribuição da licença ambiental para aquela zona de protecção ambiental. “É possível que surjam alguns erros no processo. É um processo normal, é feito pelos homens, mas nós estamos confiantes, como sector, de termos tomado a melhor decisão, considerando todos os aspectos processuais de emissão de uma licença ambiental”, argumentou a ministra da Terra e Ambiente, Ivete Maibaze.

Até porque, segundo a ministra da Terra Ambiente, naquela área vedada e com chapa que proíbe construções, nunca houve mangal. “O que se verificava naquele local eram algumas machambas e o processo de desanexação. O Ministério não é responsável… é coordenada pela respectiva entidade dona do projecto e as comunidades locais. E todo este processo foi cumprido”, concluiu Ivete Maibaze.

Mas… no terreno vê-se o contrário. A menos de um metro das chapas de vedação do projecto, há mangal a germinar sobre o entulho de pedrinhas colocado naquela zona e em direcção ao local, onde, supostamente, havia um campo agrícola.

Diferentemente do Ministério da Terra e Ambiente que não vê problema no projecto, a Procuradoria-Geral da República, a nível da Cidade de Maputo, diz que a área é de ecossistema sensível.

“Foram realizados estudos, visitas ao local por parte da Procuradoria da Cidade de Maputo, em conjugação com o centro de estudos ambientais da Faculdade de Direito da UEM, para podermos aferir o que de facto estava a acontecer, fazer uma consulta à legislação”, contextualizou Sílvia Ribeiro, magistrada do Ministério Público.

Do estudo feito, “constatámos que, sim, o local onde já tinha sido atribuído DUAT e se pretende construir essa infra-estrutura é de ecossistema sensível”.

Por isso, o defensor do Estado na Cidade de Maputo interveio no caso, começando pelo DUAT. “Intimou-se o Conselho Municipal de Maputo para que revogasse o DUAT que foi atribuído ao ente privado (Top Logística) e para que declarasse nulo e de nenhum efeito a deliberação de todo esse processo para a atribuição do DUAT”, revelou a Procuradoria-Geral da República na Cidade de Maputo, sustentando o seu posicionamento com o facto de ter sido verificado que “a própria deliberação está inquinada de vícios graves como da nulidade, uma vez que foi emitido um despacho sem fundamentação legal e os actos administrativos carecem de uma fundamentação legal”.

Revogando o DUAT, de acordo com a magistrada do Ministério Público, a licença ambiental fica sem efeito.

Enquanto isso, a Procuradoria-Geral da República na Cidade de Maputo diz que mandou paralisar as obras em Novembro de 2022 e tem feito monitoria.

O Ministério do Mar, Águas Interiores e Pescas é que está a liderar a campanha de reposição do mangal no país e diz que o caso da Costa do Sol precisa de ser bem analisado.

“Conservar, não é só conservar, temos que conservar e ainda tirar benefícios do que nós estamos a conservar. É preciso pôr, equacionar e ver. Muitas vezes, essa equação não tem sido fácil de resolver. Entre um empreendimento, que pode gerar emprego e outros usos do mangal, isto tem sido difícil decidir. Terá sido o caso da Costa do Sol”, referiu António Honwana, director-geral do Instituto Nacional de Oceanografia.

E como ficam os direitos da empresa que já tinha adquirido o DUAT e a licença ambiental sobre esta parcela de terra?

O advogado Raufo Naico esclarece que a empresa Top Logística pode ser indemnizada assim como não, após a retirada dos seus direitos sobre o espaço: “Não é função do cidadão saber quais são as áreas de protecção total ou parcial. Não sabendo, efectivamente, o cidadão pode recorrer às instituições de justiça contra o órgão que emitiu a licença. Se o cidadão sabia, e ele tem o dever constitucional de proteger o mangal e não cumpriu, naturalmente ele não tem direito à indemnização.”

Ainda no bairro Triunfo, na Costa do Sol, Cidade de Maputo, é possível ver que há mais mangal abatido para dar lugar às construções de luxo.

O Conselho Municipal de Maputo é uma das peças-chave para a compreensão deste caso, porque foi a edilidade que atribuiu o DUAT à empresa Top Logística numa área de protecção ambiental para construir um condomínio de luxo e circuito pedonal, alegando que o assunto era do seu interesse.

E mais, foi a edilidade que pressionou o Ministério da Terra e Ambiente para atribuir uma licença ambiental.

Ao nosso jornal, o Município de Maputo prometeu pronunciar-se oportunamente sobre o assunto.

Mais dois dos 13 distritos da província de Sofala registaram cólera nos últimos dias, contudo, de uma forma geral, o sector de saúde considera que a doença está numa fase estacionária, há cerca de 10 dias.

Dondo e Nhamatanda são os dois distritos que entraram, na semana finda, na lista de regiões com casos de cólera em Sofala, passando, assim, para 11 o número de distritos com a doença dos 13 existentes, segundo Neusa Joel, directora provincial de Saúde em Sofala.

“Nas últimas 24 horas, foram registados 80 novos casos contra mais de 200 que eram registados na fase crítica da doença, nos distritos que continuam a registar a cólera actualmente. Beira já foi o epicentro da doença, mas, neste momento, a situação é muito boa. Nos últimos cinco dias, tivemos uma média de cinco novos casos contra uma média anterior de 70 casos e temos apenas cinco internados. Ao nível de toda a província, ou seja, nos 11 distritos, temos 85 pessoas internadas, sendo os distritos de Dondo e Nhamatanda com o maior número de casos, com 34 e 36, respectivamente”, avançou Neusa Joel, directora provincial de Saúde em Sofala.

Em toda a província de Sofala, foram registados, desde Setembro de 2022 a esta parte, cerca de cinco mil casos de cólera e 27 mortes. O último óbito foi registado há cerca de duas semanas.

No âmbito de mitigação da doença, foram identificados mais de 70 poços com a água imprópria para o consumo em vários distritos. “Estamos a fazer sensibilização e distribuição de cloro e certeza nas nossas comunidades.”

Ainda no âmbito das medidas de mitigação da doença, Sofala vacinou 650 mil pessoas nas cidades da Beira e distritos de Caia e Marromeu.

 

 

A ministra da Cultura e Turismo diz que há pouco conhecimento do visto electrónico, lançado em Dezembro do ano passado, para incentivar a entrada de turistas no país, por isso ainda não surte o efeito desejado.

O sistema electrónico de vistos para entrada no país foi lançado em Dezembro do ano passado pelo Presidente da República, como parte das medidas de aceleração económica.

Esta segunda-feira, a ministra da Cultura e Turismo visitou o Aeroporto Internacional de Maputo, um dos pontos de entrada de turistas no país, para avalisar o uso da plataforma conhecida como e-VISA.

“Vimos que há algumas pessoas que ainda desconhecem a existência do visto electrónico e continuam a optar por fazer o visto nas nossas missões diplomáticas. Não está errado, é uma opção. Falei, por exemplo, com alguns cidadãos que preferem, simplesmente, o método tradicional. O importante é que temos os serviços disponíveis para que os cidadãos possam entrar no nosso país”, disse Eldevina Materula, ministra da Cultura e Turismo.

No que se refere à revisão do regulamento sobre as taxas de rodagem, Eldevina Materula disse que o sector não está alheio às preocupações dos artistas. Grande parte destes não paga esta taxa e argumenta que não vê benefício directo do seu pagamento.

“Não estamos preocupados, apenas, com o valor da taxa de rodagem, mas estamos a estudar os vários ângulos deste mesmo instrumento e a sua aplicabilidade. Uma vez mais, quero dizer que não estamos alheios às preocupações dos artistas”, reagiu a governante.

A ministra da Cultura e Turismo diz ainda que a taxa de rodagem não condiciona a publicação de vídeos nas televisões.

Nas últimas 24 horas, houve registro de mais um óbito, revela o boletim diário do Ministério da Saúde. Assim, o cumulativo de mortes pela doença passou para 123.

Há, no momento, 236 novos casos e 212 internamentos, sendo que 232 pessoas tiveram alta.

De acordo com o MISAU, desde que o surto começou, em Novembro do ano passado, mais de 26 mil casos foram registados no país. Neste momento, apenas a Província de Maputo não regista casos.

 

Automobilistas que pretendem renovar cartas de condução acusam a delegação do INATRO na Província de Maputo de não estar a emitir o documento há quase um mês. A instituição confirma o facto e alega estar a enfrentar dificuldades com o sistema operacional, mas promete soluções para breve.

Cumprem filas, logo pela manhã, há 5, 10 e até mesmo 15 dias, para obter o documento sem o qual os automobilistas não se devem fazer ao volante: a carta de condução.

Em causa estão as falhas no funcionamento do sistema informático, que não reflecte os pagamentos efectuados pelos condutores, que fazem o depósito bancário do valor para renovar a carta de condução já expirada.

“Eu vim aqui para renovar a carta de condução, mas dizem que não há sistema. Foi a mesma informação que tive na sexta-feira, quando cá estive pela primeira vez. Lá, na rua, a Polícia, quando mandar parar, não vai querer saber que não há ‘sistema’ numa instituição do Governo, só me vai aplicar multa”, lamentou Arlindo Chambal.

Arlindo Chambal, condutor, não foi o único a dirigir-se, pela segunda vez, ao edifício da  delegação provincial de Maputo do Instituto Nacional dos Transportes Terrestres, esta segunda-feira. Agastado com a situação, mostrou-se, também, Bernardo Manuel.

“Não sei quando me será entregue a carta, a Polícia não quer saber do facto de não haver ‘sistema’ no INATRO, apenas nos passa multa. O INATRO deveria passar-nos um documento que nos permite conduzir durante o período em que não houver sistema, aqui.”

Lamentam também o facto de correrem o risco de perder emprego, devido ao acúmulo de faltas, porque, pela natureza do seu trabalho, sem carta de condução, não podem desenvolver as suas actividades. As reclamações sucedem-se porque, segundo contam, a Polícia de Trânsito não os vai compreender, se se fizerem à estrada em situação irregular.

“Perdi mais um dia aqui, no INATRO; hoje não fui trabalhar, sem carta de condução, eu não trabalho. Tem de haver uma saída e não nos devem prejudicar. Se o sistema não reconhece os depósitos, que nos passem um documento para mostrar à Polícia, que o problema não é nosso, é do INATRO”, sugeriu Hélio Sambo.

“Fora o constrangimento de não estar a poder conduzir, pelo facto de a carta já ter expirado, a segunda coisa que me preocupa é o facto de estar a acumular faltas no serviço, logo, o meu salário terei com descontos, porque todos os dias temos estado a pedir para ser dispensados para vir tratar deste assunto no INATRO, mas nada é resolvido”, deplorou Bernardo Manuel.

Ao jornal “O País”, mas sem gravar entrevista, o delegado do INATRO na Província de Maputo, Gilberto Mambo, assumiu que a entidade que dirige enfrenta, desde o dia 30 de Março passado, problemas com o seu sistema informático.

Entretanto, Mambo assegurou que se está a correr contra o relógio para que se volte a trabalhar com normalidade, até esta terça-feira.

Persiste a morosidade no atendimento na pediatria do Hospital Central de Maputo (HCM). Esta segunda-feira, utentes chegaram a ficar mais de oito horas à espera de serem atendidos.

A situação, que por mais de duas vezes foi reportada no mês de Fevereiro, deixou, novamente, os utentes daquele serviço agastados, pois, segundo denunciaram ao “ O País”, havia apenas uma médica a atender aos pacientes.

“A cada uma hora, era atendido apenas um paciente, depois a médica saía para ver pacientes em estado grave, por isso a fila não anda, porque são poucas, muito poucas mesmo as pessoas que já foram atendidas, até ao momento”, reclamou Aniceto Manhiça, pai de um menor.

Conforme protestou a fonte, “não faz sentido que um hospital tão grande, como este, tenha apenas uma médica a atender, é inconcebível”. Acrescentou que chegou ao hospital por volta das oito horas e, até às 16 horas, quando o “O País” conversou com ele, ainda esperava pelo atendimento do seu filho.

Mónica, nome fictício da mãe de uma paciente de seis meses, contou que chegou ao hospital por volta das 10 horas. A senhora disse que, até àquela hora, já estava com muita fome e cansada de tanto esperar e o mais agravante é que ninguém se aproximou para dar qualquer informação.

“Quando procuramos saber o que estava a acontecer, a médica disse que cada paciente tem a sua hora para ser atendido. Podemos ficar até às 19 ou 20 horas, com crianças aqui… é complicado”, lamentou Mónica.

Por conta da situação, muitos pacientes acabaram por desistir e saíram à procura de outras unidades sanitárias para serem atendidos, pois não viam “uma luz no fundo do túnel”, pela forma como a fila “andava”.

O HCM já admitiu que a demora no atendimento se deve à pressão na procura e à falta de profissionais de saúde, por isso recomendou aos pacientes a procurarem as unidades sanitárias mais próximas, entretanto muitos utentes preferem os serviços da considerada maior unidade sanitária do país.

É o caso de Aníbal Machai que disse que a tosse do seu filho persiste já há um tempo, mesmo depois de se ter dirigido aos centros de saúde próximos das sua casa, por isso, esta segunda-feira, foi ao HCM à espera que o seu filho fosse submetido a exames mais complexos.

O jornal O País entrou em contacto com o Gabinete de Comunicação do HCM, mas não teve sucesso.

+ LIDAS

Siga nos

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE