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O País – A verdade como notícia

Terminou o prazo estabelecido para os transportadores de passageiros resolverem as irregularidades nas suas viaturas, mas as condições continuam as mesmas. O Ministério dos Transportes e Comunicações decidiu estender o prazo para mais 45 dias.

Os automobilistas tinham até fim de Março para resolver problemas relacionados às más condições técnicas, deficiências mecânicas e imundície nos carros. O ultimato foi dado pelo Ministério dos Transportes, mas, no terreno, nada mudou. Assim sendo, segundo o director nacional dos Transportes e Segurança, Fernando Ouana, o prazo foi estendido para mais 45 dias.

O novo prazo é dado por haver reconhecimento de que o contexto não permitiu o cumprimento dos 60 dias, a princípio estabelecidos.

“Registou que os 60 dias seriam apertados para os transportadores, de tal forma que solicitaram tempo adicional para que pudessem cumprimentar as acções recomendadas”, avançou Fernando Ouana.

Mas há pouca esperança de cumprimento desse novo prazo, porque a Federação Moçambicana das Associações dos Transportes Rodoviários  (FEMATRO) diz que o problema não é esse.

“Nós temos alguns autocarros com casas de banho mas não estamos a usar. Por exemplo, uma viagem até Nampula dura cerca de três dias e a usar-se a casa de banho não seria suportável ficar dentro do carro”, disse Castigo Nhamane, presidente da FEMATRO.

Sobre os problemas mecânicos, os transportadores, explicam que não falta vontade de ter autocarros em boas condições mecânicas, mas a estrada é um entrave.

Falando ao “O País”, Alberto Inácio, transportador de passageiros na rota Maputo–Beira, disse que as condições da EN1 fazem com que cada viagem seja um martírio.

Para todos os efeitos, as medidas serão aplicadas depois de um mês e meio, contados a partir de 27 de Março último. A desobediência pode dar lugar à suspensão da licença e, em casos graves, à proibição de operar.

A Agência de Notação Financeira Moody’s diz que Moçambique é dos países mais vulneráveis a choques de insegurança alimentar que ameaçam aumentar os riscos de cumprimento dos serviços da dívida pública.

De acordo com a Agência Moody’s os choques de insegurança alimentar estão a ameaçar agravar os problemas críticos da dívida pública nos países da África Subsaariana, em particular Moçambique.

“Nossa análise encontra Moçambique, Ruanda, Zâmbia e Etiópia entre os países mais expostos e vulneráveis. Choques de insegurança alimentar serão uma fonte recorrente de risco de crédito” disse um analista da Moody’s, citado pela norte-americana Bloomberg. A Moody’s justificou que os choques alimentares afectam a qualidade do crédito através de vários canais à medida que uma conta de importação mais ampla aumenta as pressões sobre o saldo da conta corrente e as reservas cambiais. As restrições de financiamento acabam levando à escassez de dinheiro e isso pode levar os países a não cumprirem com os serviços da dívida pública.

A agência explica que o aumento global dos preços dos alimentos e outros impactos da pandemia da Covid-19 e da guerra da Rússia na Ucrânia deram início a uma das piores crises alimentares, em África, e as Nações Unidas estimam que mais de 250 milhões de pessoas no continente estão a passar fome.

Os mercados de títulos de dívida pública em África já estão a dar sinais de alerta, de acordo a Moody’s, havendo indicações de créditos “em dificuldades”, em meados de Março último, no meio da turbulência nos sistemas bancários dos Estados Unidos de América e da Europa.

Os planos de urbanização da Cidade de Maputo não passam de meras intenções e raramente são implementados. Quem o diz é o Bastonário da Ordem dos Arquitectos, que falava, ontem, durante o lançamento de um livro sobre os desafios da urbe.

A mobilidade, as construções desordenadas, o transporte público e outros desafios da Cidade de Maputo estão, desde ontem, retratados em livro, intitulado “Cidade de Maputo: reflexões e possíveis soluções” (uma colectânea de publicações do Jornal da Cidade).

A obra apresenta os problemas já conhecidos, mas também possíveis saídas, numa altura em que a cidade regista um aumento de construções desordenadas.

Na sua intervenção, o docente e investigador António Prista, um dos colaboradores da obra, manifestou a sua indignação em relação às construções desordenadas a que se têm assistido na capital do país.

“É absurda a quantidade de prédios que estão a ser construídos ao longo da Julius Nyerere. Eu já não consigo viver lá. Hoje, a Julius Nyerere (avenida) só tem uma faixa de rodagem de cada lado, porque a outra é a segunda faixa para estacionamento. Se olhar para a história do Ministério da Economia e Finanças (localizado na Avenida Julius Nyerere, próximo do Palácio dos Casamentos) verão que aquilo foi feito para servir interesses de alguém e que a esta altura deve estar preso por estar metido noutras falcatruas (fraudes). Nós tínhamos que tirar, de uma vez por todas, os ministérios da cidade”, lamentou António Prista, docente e investigador.

Prista disse ainda que já sugeriu ao Ministério da Educação (que se localiza na Avenida 24 de Julho) para abandonar o edifício, que é (era) habitacional e se alocar fora do centro da cidade, tudo para que se possa descongestionar a urbe e facilitar a mobilidade.

António Prista aponta ainda falhas na fiscalização das obras e mostrou-se indignado pelo desaparecimento desenfreado dos locais de prática desportiva e conta que já denunciara ao Município de Maputo. A resposta foi que se tratava de um privado a executar a obra.

“Como é que o campo da Estrela Vermelha foi ocupado por um prédio? Não há uma política? É por ser um privado a construir? Porque é que a mim fiscalizam quando faço uma obra? Afinal, para fazer uma obra, não tenho que apresentar a documentação, um plano, ou basta ser um privado?”. Para o académico, o problema de fundo são o planeamento urbano e o cumprimento da sua execução.

Chamados a intervir, os munícipes de Maputo dizem que a falta de política clara da cidade, que coordena os critérios para a expansão da urbe, é a “mãe” de todos os males.

Marcos, como se identificou, residente no bairro Mafalala, explica que o seu, igual a outros bairros periféricos, sofre com inundações urbanas, mesmo tendo colectores de água próximos.

“A Política Nacional da Juventude preconiza que há necessidade de edificar as residências de forma vertical, na Cidade de Maputo, mas o que estamos a ver é que, nos bairros, há cada vez mais parques, escritórios e as pessoas estão a ser empurradas para os distritos.”

Um outro munícipe não identificado diz que há bairros em que as pessoas se instalam sem mínimos serviços, o que ele considera um erro. No seu entender, é preciso que se façam estudos de viabilidade de cada coisa.

“Vamos tentar corrigir nos bairros suburbanos. Eles já têm plano de requalificação, mas há falta de dinheiro. Já vimos que, com a participação dos moradores do Chamanculo C, as pessoas estão dispostas a ceder parte do seus talhões para passarem a ser estradas, centro cívico, escolas, até para tirar as casas que estão em zonas húmidas e deixar ali um jardim, um parque, porque as pessoas também sentem; ninguém gosta de viver em más condições”, disse.

O Bastonário da Ordem dos Arquitectos, Luís Lage, por seu turno, diz que as políticas urbanas raramente são implementadas: “O que acontece é que os planos não são executados. Alguns porque não há fundos para os executar ou porque as parcerias devidas para a sua execução não estão previstas”.

Como exemplo de uma má aplicação de políticas de urbanização, Lage fala do plano das construções na zona baixa da cidade, que era virado a construções atractivas aos turistas.

“O Plano da Baixa preconiza que a cota dos edifícios a serem construídos na baixa não devem ferir essa visão. Estas coisas estão previstas por lei, aliás previstas nos planos. Os planos só passam a ser lei quando passam para o Boletim da República, mas, muitas vezes, estes não vão ao BR, nem são subscritos oficialmente. Gasta-se muito dinheiro com eles, mas não passam disso, de meros planos, de boas intenções. Não há uma execução física dos planos de ordenamento”, concluiu o Bastonário.

Já Nuno Remane, arquitecto, defende o descongestionamento da cidade como um dos caminhos para a recuperação da capital.

“É preciso desobstruir a cidade. Temos o problema da mobilidade, massificação habitacional e institucional e é sempre nas mesmas áreas, por isso é preciso desobstruir a cidade. Mas isso gera um novo debate que é a criação de novas centralidades: só é possível criar, que já estão a acontecer de uma forma descontrolada – a população gera essa nova centralidade, mas que devia ser gerada pelo próprio Governo, fruto de plano estratégico e com as infra-estruturas básicas para que as pessoas possam mudar-se para esses bairros”, disse Remane.

Como solução, a obra sugere que o Município de Maputo revisite e aprove um novo plano de infra-estruturas, trave imediatamente as construções de novos prédios em zonas já pressionadas, cumpra e faça cumprir o programa de requalificação urbana e, acima de tudo, crie serviços sociais nos bairros de expansão.

 

 

Foi lançada, esta quinta-feira, na Cidade de Maputo, a minissérie intitulada “A natureza dos homens e dos animais”. A obra cinematográfica aponta a necessidade de preservar o meio ambiente. Os fiscais do Parque Nacional de Maputo, os líderes locais e os caçadores furtivos foram os principais actores.

“A natureza dos homens e dos animais” é a mais recente obra cinematográfica sobre a preservação do meio ambiente.

A obra, encenada pelos oficiais do Parque Nacional de Maputo, visa consciencializar a sociedade sobre os impactos da má gestão dos recursos naturais e as consequências dos crimes contra a vida selvagem.

De acordo com Jorge Ferrão, produtor do filme, inicialmente a iniciativa visava fazer as gravações com actores profissionais, mas, no decorrer dos acertos, constatou-se que a melhor opção seriam as autoridades locais e os próprios caçadores furtivos, que mais conhecem a actividade.

Para que o trabalho fosse feito com sucesso, a produção da minissérie teve que se despir de mensagens políticas para melhor informar e sensibilizar.

“Este seriado não tem aquela mensagem politicamente correcta, tem aquilo que foi debatido com a comunidade, com os fiscais e com os furtivos. Foi importante porque também notamos que muitos furtivos estavam misturados com a sociedade; queriam saber o que se está a discutir e tivemos problemas no começo, porque não aceitaram e conseguimos fazer a produção”, explicou Ferrão.

O também reitor da Universidade Pedagógica de Maputo falou da necessidade de haver uma convivência entre os animais e as comunidades que vivem nos arredores das áreas de conservação.

“Eu acho que a questão principal é entendermos que os animais e os seres humanos têm que conviver, têm que coexistir. As espécies estão a ficar sem espaço, há muita arma lá dentro [das áreas de conservação], há muito som, há muita perturbação e isso coloca os animais com nível de stress muito aloto”, acrescentou.

Jorge Ferrão foi mais a fundo, ao lançar uma reflexão sobre a diferença entre caça furtiva e caça de subsistência. Para Ferrão, nem todos que abatem animais nas áreas de conservação são caçadores furtivos; alguns, a maioria, praticam a caça como um meio de subsistência.

O académico defende ainda que deve haver uma distinção entre estes dois grupos, sob o risco de criminalizar pessoas que só abatem alguns animais apenas para a sua sobrevivência.

“Sobre a caça furtiva e a casa de sobrevivência, vamos ter que perceber bem como é que as comunidades se posicionam. A caça furtiva deve ser feita por um grupo específico de pessoas identificadas, as quais muitas vezes conhecemos e não tomamos nenhuma medida em relação a essas pessoas. Um caçador que vai buscar um cabrito do mato, uma impala e faz-se um grande drama e colocamos isso como um conflito… Eu acho que estivemos errados desde o primeiro instante na forma como identificamos o problema, a tipologia e a forma como resolvemos o problema”, alertou Jorge Ferrão.

Por seu turno, a directora-geral da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), Celmira da Silva, diz que o mais importante na produção da obra cinematográfica é a consciencialização das comunidades e dos próprios caçadores furtivos.

Da Silva avançou ainda que, além do lançamento feito esta quinta-feira, na Cidade de Maputo, a minissérie será projectada para a comunidade de Majajane, nos arredores do Parque Nacional de Maputo, de modo a que os próprios nativos sejam sensibilizados.

Já o embaixador dos Estados Unidos da América, Peter Hendrick, diz que o filme demonstra a necessidade de utilizar e gerir de forma sustentável os recursos naturais em benefício dos moçambicanos actualmente e das gerações vindouras.

Para o diplomata, os recursos naturais existentes no país podem contribuir para o crescimento se forem protegidos das pessoas com más intenções.

A minissérie, lançada esta quinta-feira, na Cidade de Maputo, foi financiada pela USAID.

Foi lançado, hoje, em Maputo, o projecto BRT, orçado em 250 milhões de dólares disponibilizados pelo Banco Mundial. A fase inicial consiste na construção e reabilitação das estradas. Começa em Julho deste ano e vai até agosto de 2024. Os passageiros só vão começar a usufruir deste sistema de transporte a partir de meados de 2026.

Não foi uma nem duas vezes que ministros do Transportes e Comunicações e até presidentes do Município de Maputo tomaram o projecto Bus Rapid Transit ou, simplesmente, BRT, como sua bandeira de governação.

Só para se ter uma ideia, entre 2014 e 2016, foi o período em que a promessa de melhorar o transporte público na zona metropolitana do Grande Maputo, através um sistema que é implementado em mais de 300 cidades do mundo, ganhou mais força.

Ganhou força, mas nunca teve pernas para andar. Até houve alguns estudos, houve desenho das rotas e do número de passageiros que seriam transportados, mas tudo ficou no papel.

Sete anos depois, em 2023, o projecto BRT será, diga-se, ressuscitado. A cerimónia de “ressurreição” da iniciativa teve lugar em Maputo.

Diante de olhar atento de membros do Governo, dos municípios, dos distritos, da sociedade civil e do sector privado, o PCA da Agência Metropolitana de Transportes explicou, ao detalhe, o projecto que relança a esperança de melhorar a mobilidade urbana no Grande Maputo, nomeadamente cidades de Maputo e Matola, vilas de Boane e Marracuene.

“O projecto contém três componentes. Para as componentes um, dois e três, estão já alocados os valores. São 250 milhões de dólares, em que a componente um é para o fortalecimento institucional e regulatório do transporte público e urbano; a componente dois diz respeito à melhoria abrangente nos transportes públicos e a três tem a ver com o acesso seguro aos bairros. A componente quatro tem a ver com a gestão, monitoria e avaliação. Nós terminamos em 2027, mas tudo que temos tem que terminar até 2026”, detalhou António Matos, PCA da Agência Metropolitana de Transportes.

O responsável da instituição que lidera a implementação do projecto referiu que, das fases supracitadas, há uma que é mais crucial e imediata que é a melhoria das estradas, que deverá arrancar em Julho próximo.

“Desde a Avenida 24 de Julho entre a Praça 16 de Junho e a Avenida da Zâmbia, incluindo a Avenida da Tanzânia. Esta é a fase um e depois haverá a fase dois. Isto também está contemplado. São 3,2 quilómetros. Todas estas obras que estou a mencionar deverão terminar em Agosto de 2024. Já está tudo feito. Os cadernos, estudos de impacto ambiental… tudo já foi feito”, sublinhou António Matos.

Onde também poderá estar tudo feito até 2024, segundo o PCA da Agência, é a melhoria no Município da Matola que, das “grandes obras”, há uma vontade de “ligar o bairro de Intaka, a partir da primeira rotunda, à Estrada Circular e o bairro Boquisso, estabelecendo a ligação pela EN1. No segundo caso, o bairro de Matlemele, a partir da terceira rotunda e da estrada circular e o bairro Nwamatibjana e, finalmente, EN1 com Khongolote, estabelecemos a ligação com a primeira rotunda e a Estrada Circular”.

Concluídas as obras, cerca de três milhões de habitantes da zona metropolitana do Grande Maputo poderão usufruir de um sistema de transporte melhorado, a partir de 2026.

“Toda a gente fala do BRT, do Bus Rapid Transit, que são linhas dedicadas para o transporte de passageiros. É como se fosse um comboio. Só que ao invés de se mover em trilhos, move-se numa estrada. Ao invés de ser um comboio, e autocarro com pneus”, esclareceu o PCA da Agência Metropolitana de Transportes.

Para dissipar quaisquer dúvidas, António Matos revelou as rotas iniciais do projecto: “Este BRT irá congregar um troço de 22 quilómetros, que se estende desde a Baixa da Cidade até à Praça dos Combatentes, vai até à Missão Roque, Zimpeto e Matola Gare. Portanto, nós temos previstos 10 terminais, 124 mil passageiros por dia e, com esta operação, que não vai começar já, estamos a pensar nos termos de como é que vai ser operado e estruturado este primeiro corredor do BRT aqui, em Moçambique”.

Coube ao ministro dos Transportes e Comunicações lançar o projecto. Mateus Magala disse que as vias de acesso e o transporte de passageiros no Grande Maputo vão melhorar.

“Os bairros abrangidos passarão a ter estradas de acesso mais seguras e resilientes, incluindo iluminação e passeios renovados, percursos pedonais, ciclovias, vias asfaltadas e sistemas de drenagem de água”, revelou Mateus Magala, ministro dos Transportes e Comunicações.

E há mais: “Para além da componente de infra-estruturas, este projecto prevê a possibilidade de aquisição de 120 autocarros, que representam uma oferta de 124 mil passageiros por dia. O facto vai permitir uma oferta adicional de cerca de 40 milhões de pessoas por ano aos actuais 105 milhões de passageiros anuais, ou seja, a quota subirá para cerca de 150 milhões de passageiros, anualmente”.

Os municípios de Maputo e Matola consideram o BRT uma solução para o crónico problema de transportes, que há anos não só afecta as duas cidades, como também toda região do Grande Maputo.

“O projecto de mobilidade urbana para a área metropolitana de Maputo é, sem dúvida, uma resposta integrada e valiosa às preocupações e limitações que temos vindo a sentir, enquanto entidades responsáveis por assegurar uma rede viária e um sistema de transporte público urbano de passageiros eficiente e de qualidade”, elogiou Eneas Comiche, presidente do Município de Maputo.

E Calisto Cossa, presidente do Município da Matola, apoia totalmente o projecto. “Tudo faremos para que a implementação deste projecto não falhe e gostaria de apelar à nossa população, munícipes a nível da cidade da Matola, para uma maior colaboração porque não há dúvidas de que, no final, todos nós sairemos a ganhar”, comprometeu-se.

O projecto está orçado em 250 milhões de dólares norte-americanos, disponibilizados pelo Banco Mundial.

O sistema de gestão de frotas será digital, o que implica o uso de uma aplicação de controlo de horários, de meios circulantes, rotas e segurança.

A Comissão de Reflexão sobre a pertinência das Eleições Distritais (CRED), em 2024, não é coordenada pela ministra da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Helena Kida, mas por Aguiar Mazula, antigo ministro do Trabalho, da Administração Estatal e da Defesa. O esclarecimento foi feito, na quarta-feito, pelo comentador e porta-voz da CRED, Ismael Mussá.

O decreto que cria a Comissão de Reflexão sobre a pertinência das Eleições Distritais diz que a CRED deve ser liderada pela ministra da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Helena Kida, mas, na prática, não é o que acontece, segundo explicou Ismael Mussá que falava, quarta-feira, no programa Noite Informativa.

“A comissão tem coordenador técnico que é Aguiar Mabunda, antigo ministro do Trabalho, da Administração Estatal e também da Defesa, com uma vasta experiência. A ministra participou simplesmente no dia da formalização no Gabinete do Primeiro-ministro para apresentar o espaço onde a comissão realiza o trabalho”, revelou Ismael Mussá.

A legitimidade de Ismael Mussá, comentador do Noite Informativa, é pelo facto de ser membro e porta-voz da comissão. Mussá está confiante nos resultados da reflexão que será feita.

“A comissão vai trabalhar sobre estudos que já existem de várias sensibilidades, das quais a sociedade civil, que, com base nos tais estudos, vai fazer a avaliação e terá um resultado fidedigno. Não vai ser uma reflexão baseada apenas nas nossas percepções”, disse Mussá.

Já Ismael Nhacucue, também comentador do Noite Informativa, não está tão confiante e explica porquê: “Esta comissão já tem um pensamento produzido, ou seja, o que vínhamos dizendo de que o Chefe de Estado está à procura de um motivo para inviabilizar as eleições. A partir da composição do grupo, pode-se concluir que não é necessário esperar pelos prazos para concluir que a recomendação vai ser a não realização das eleições distritais”.

O instrumento que cria a Comissão de Reflexão sobre a Pertinência das Eleições Distritais foi aprovado, na semana passada, pelo Conselho de Ministros.

Dois cidadãos, dos quais um moçambicano e um tanzaniano, encontram-se detidos, na Província de Maputo, sob acusação de tráfico de drogas, associação criminosa e branqueamento de capitais. O processo contra os visados já foi remetido ao Tribunal Judicial da Província de Maputo.

O Ministério Publico emitiu, esta quinta-feira, este documento no qual acusa um moçambicano e um tanzaniano de envolvimento no transporte, armazenamento e venda de droga.

De acordo com a nota da instituição, os indivíduos fazem parte de uma organização criminosa com ramificações internacionais, que actua dentro e fora de Moçambique, principalmente na África do Sul.

A detenção dos suspeitos, cujo processo-crime foi remetido para o Tribunal Judicial da Província de Maputo, foi possível graças a uma denúncia.

“Os factos ocorreram numa residência, no bairro Campoane, no Município de Boane, Província de Maputo, na altura arrendada por um cidadão estrangeiro líder do grupo, ora a monte, onde armazenavam a referida droga e parqueavam as viaturas que serviam de transporte da mercadoria”.

O arguido de nacionalidade moçambicana, responsável pelo controlo da frota de viaturas que transportava a droga, foi capturado na sua residência no bairro Tchumene, na cidade da Matola.

Na Zambézia, mais dois cidadãos estrangeiros foram recolhidos às celas, mas um fugiu de um estabelecimento penitenciário.

“As detenções, Ocorreram numa residência na cidade de Quelimane, que servia de depósito transitório de droga que era baldeada do alto mar”.

Desta forma, o Ministério Público acusa os arguidos de cometimento de crimes de tráfico de droga e outras actividades ilícitas, associação criminosa e branqueamento de capitais.

Em conexão com os crimes, foram apreendidos, entre outros bens, mais de nove milhões de meticais e 22 viaturas, das quais 16 na Província de Maputo e seis na Zambézia.

O Município da Beira convocou, esta quarta-feira, a imprensa para explicar, através do seu presidente, Albano Carige, que os projectos de construção costeira e reabilitação das valas de drenagem são da edilidade e não do Governo central e que os mesmos constam do plano municipal desde 2008.

Tudo começou no sábado passado, quando o ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Carlos Mesquita, que estava na cidade da Beira para monitoria das actividades de implementação dos projectos de protecção costeira e canais de drenagem, com vista ao melhoramento do saneamento, afirmou que, dentro de dois meses, será lançado o concurso para o apuramento do empreiteiro que irá construir a protecção costeira da Beira, cujas obras iniciais deverão arrancar em finais deste ano, avaliadas em 30 milhões de dólares, já disponíveis, dos 120 necessários.

A edilidade entende que os pronunciamentos do ministro tem como objectivo dar a entender que os dois projectos são do Governo central e, por isso, esta quarta-feira, convocou uma conferência de imprensa para “deixar claro” que os referidos projectos foram concebidos e desenvolvidos pela edilidade.

“São nossos projectos e eles constam do nosso plano principal desde 2008 e fazem parte da nossa visão sobre a segurança costeira da Beira até ao ano 2035”, começou por dizer Carige.

O edil da Beira fez ainda questão de exibir um documento desenhado, em 2019, pelo Município, após a passagem do ciclone Idai, do qual consta o projecto de protecção costeira reformulado, com a indicação de que são necessários 90 milhões de dólares.

“Contactámos vários parceiros e o Governo da Holanda garantiu-nos 30 milhões de dólares e aconselhou-nos a fazer exercícios para garantir outros valores. Conseguimos mais 30 milhões, sendo 15 do Banco Mundial e a outra metade do Banco Alemão, denominado KFW”, avançou Albano Carige.

Carige entrou, depois, em detalhes relativamente à construção da segunda bacia de retenção que faz parte do projecto de reabilitação dos canais de drenagem, numa extensão de 13 quilómetros.

“O Governo central não vai construir a segunda bacia, vai sim dar seguimento ao projecto do Município. Projectamos sete bacias de retenção de águas pluviais para mitigar as inundações na Beira e evitar doenças de origem hídrica.”

Refira-se que o projecto de construção costeira inclui restauração e reforço da antiga muralha, restauração de cordão de dunas que protegem a cidade, com recurso à vegetação, entre outras iniciativas a serem construídas em um ano e meio.

O secretário de Estado na província de Nampula, Jaime Neto, discursou durante 10 minutos no elogio fúnebre do edil de Ribáuè, Aurélio Machado, e, desse tempo, interrompeu e chorou durante um minuto e trinta e nove segundos. De resto, o malogrado arrancava elogios da população pelo trabalho.

A urna nos ombros dos homens da guarda de honra, ao som da banda militar, envolvida com a bandeira nacional entra no campo municipal da vila de Ribáuè. A população que enche as bancadas levanta-se; mesmo gesto observam os convidados e familiares que se encontram na parte central do campo, onde a urna é depositada, com a fotografia à vista de todos – começava, assim, o velório de Aurélio Machado, que morreu vítima de acidente de viação na tarde do último domingo, no Hospital Central de Nampula.

O momento religioso esteve a cargo da Igreja Católica que confortou a família do malogrado, com mensagens de esperança numa vida melhor no reino dos céus, como apregoa a doutrina religiosa cristã.

De uma das filhas, Tunelga Machado, ouviu-se um elogio fúnebre que espelha o vazio pela perda irreparável. “Você partiu tão cedo que não tivemos tempo de dizer adeus, deixando os seus filhos de corações partidos. Mas nós vamos usar esta dor como força para tentar superar esta enorme perda”.

“É um adeus cheio de sentimentos mistos, porque é difícil assim o dizermos. Certamente, a sua marca jamais será apagada e jamais será esquecida, passe o tempo que passar”, disse no seu elogio fúnebre Manuel Rodrigues, governador de Nampula.

Aurélio Machado cumpria o primeiro mandato desde 2018 e era popular pelas obras com grande impacto na vida da população da vila, algo exaltado através de um poema declamado no velório.

“As lágrimas caíram no rosto daquelas crianças que hoje têm uma escola melhorada. As lágrimas caíram no rosto do povo do distrito de Ribáuè”, declamou uma dramaturga local, vestida totalmente de preto.

O momento mais emocionante foi quando o secretário de Estado na província de Nampula, Jaime Neto, se dirigiu ao púlpito para apresentar o seu elogio fúnebre. Durante o seu discurso de 10 minutos, Neto interrompeu por três vezes, desatou aos choros, durante um total de um minuto e trinta e nove segundos, tendo deixado o protocolo embaraçado.

“É continuando a trabalhar com os munícipes, de forma unida e articulada, solucionando os problemas da autarquia e dos seus munícipes, que acreditamos ser a única saída para honrarmos a única dedicação que o presidente Machado deu por esta vila”, sintetizou Jaime Neto.

O Presidente do Município da vila de Ribáuè morreu no Hospital Central de Nampula no domingo, depois de ter sofrido um acidente de viação do tipo atropelamento, na noite do dia 26 de Março findo. Deixa viúva e 8 filhos.

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