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O País – A verdade como notícia

Mais dois dos 13 distritos da província de Sofala registaram cólera nos últimos dias, contudo, de uma forma geral, o sector de saúde considera que a doença está numa fase estacionária, há cerca de 10 dias.

Dondo e Nhamatanda são os dois distritos que entraram, na semana finda, na lista de regiões com casos de cólera em Sofala, passando, assim, para 11 o número de distritos com a doença dos 13 existentes, segundo Neusa Joel, directora provincial de Saúde em Sofala.

“Nas últimas 24 horas, foram registados 80 novos casos contra mais de 200 que eram registados na fase crítica da doença, nos distritos que continuam a registar a cólera actualmente. Beira já foi o epicentro da doença, mas, neste momento, a situação é muito boa. Nos últimos cinco dias, tivemos uma média de cinco novos casos contra uma média anterior de 70 casos e temos apenas cinco internados. Ao nível de toda a província, ou seja, nos 11 distritos, temos 85 pessoas internadas, sendo os distritos de Dondo e Nhamatanda com o maior número de casos, com 34 e 36, respectivamente”, avançou Neusa Joel, directora provincial de Saúde em Sofala.

Em toda a província de Sofala, foram registados, desde Setembro de 2022 a esta parte, cerca de cinco mil casos de cólera e 27 mortes. O último óbito foi registado há cerca de duas semanas.

No âmbito de mitigação da doença, foram identificados mais de 70 poços com a água imprópria para o consumo em vários distritos. “Estamos a fazer sensibilização e distribuição de cloro e certeza nas nossas comunidades.”

Ainda no âmbito das medidas de mitigação da doença, Sofala vacinou 650 mil pessoas nas cidades da Beira e distritos de Caia e Marromeu.

 

 

A ministra da Cultura e Turismo diz que há pouco conhecimento do visto electrónico, lançado em Dezembro do ano passado, para incentivar a entrada de turistas no país, por isso ainda não surte o efeito desejado.

O sistema electrónico de vistos para entrada no país foi lançado em Dezembro do ano passado pelo Presidente da República, como parte das medidas de aceleração económica.

Esta segunda-feira, a ministra da Cultura e Turismo visitou o Aeroporto Internacional de Maputo, um dos pontos de entrada de turistas no país, para avalisar o uso da plataforma conhecida como e-VISA.

“Vimos que há algumas pessoas que ainda desconhecem a existência do visto electrónico e continuam a optar por fazer o visto nas nossas missões diplomáticas. Não está errado, é uma opção. Falei, por exemplo, com alguns cidadãos que preferem, simplesmente, o método tradicional. O importante é que temos os serviços disponíveis para que os cidadãos possam entrar no nosso país”, disse Eldevina Materula, ministra da Cultura e Turismo.

No que se refere à revisão do regulamento sobre as taxas de rodagem, Eldevina Materula disse que o sector não está alheio às preocupações dos artistas. Grande parte destes não paga esta taxa e argumenta que não vê benefício directo do seu pagamento.

“Não estamos preocupados, apenas, com o valor da taxa de rodagem, mas estamos a estudar os vários ângulos deste mesmo instrumento e a sua aplicabilidade. Uma vez mais, quero dizer que não estamos alheios às preocupações dos artistas”, reagiu a governante.

A ministra da Cultura e Turismo diz ainda que a taxa de rodagem não condiciona a publicação de vídeos nas televisões.

Nas últimas 24 horas, houve registro de mais um óbito, revela o boletim diário do Ministério da Saúde. Assim, o cumulativo de mortes pela doença passou para 123.

Há, no momento, 236 novos casos e 212 internamentos, sendo que 232 pessoas tiveram alta.

De acordo com o MISAU, desde que o surto começou, em Novembro do ano passado, mais de 26 mil casos foram registados no país. Neste momento, apenas a Província de Maputo não regista casos.

 

Automobilistas que pretendem renovar cartas de condução acusam a delegação do INATRO na Província de Maputo de não estar a emitir o documento há quase um mês. A instituição confirma o facto e alega estar a enfrentar dificuldades com o sistema operacional, mas promete soluções para breve.

Cumprem filas, logo pela manhã, há 5, 10 e até mesmo 15 dias, para obter o documento sem o qual os automobilistas não se devem fazer ao volante: a carta de condução.

Em causa estão as falhas no funcionamento do sistema informático, que não reflecte os pagamentos efectuados pelos condutores, que fazem o depósito bancário do valor para renovar a carta de condução já expirada.

“Eu vim aqui para renovar a carta de condução, mas dizem que não há sistema. Foi a mesma informação que tive na sexta-feira, quando cá estive pela primeira vez. Lá, na rua, a Polícia, quando mandar parar, não vai querer saber que não há ‘sistema’ numa instituição do Governo, só me vai aplicar multa”, lamentou Arlindo Chambal.

Arlindo Chambal, condutor, não foi o único a dirigir-se, pela segunda vez, ao edifício da  delegação provincial de Maputo do Instituto Nacional dos Transportes Terrestres, esta segunda-feira. Agastado com a situação, mostrou-se, também, Bernardo Manuel.

“Não sei quando me será entregue a carta, a Polícia não quer saber do facto de não haver ‘sistema’ no INATRO, apenas nos passa multa. O INATRO deveria passar-nos um documento que nos permite conduzir durante o período em que não houver sistema, aqui.”

Lamentam também o facto de correrem o risco de perder emprego, devido ao acúmulo de faltas, porque, pela natureza do seu trabalho, sem carta de condução, não podem desenvolver as suas actividades. As reclamações sucedem-se porque, segundo contam, a Polícia de Trânsito não os vai compreender, se se fizerem à estrada em situação irregular.

“Perdi mais um dia aqui, no INATRO; hoje não fui trabalhar, sem carta de condução, eu não trabalho. Tem de haver uma saída e não nos devem prejudicar. Se o sistema não reconhece os depósitos, que nos passem um documento para mostrar à Polícia, que o problema não é nosso, é do INATRO”, sugeriu Hélio Sambo.

“Fora o constrangimento de não estar a poder conduzir, pelo facto de a carta já ter expirado, a segunda coisa que me preocupa é o facto de estar a acumular faltas no serviço, logo, o meu salário terei com descontos, porque todos os dias temos estado a pedir para ser dispensados para vir tratar deste assunto no INATRO, mas nada é resolvido”, deplorou Bernardo Manuel.

Ao jornal “O País”, mas sem gravar entrevista, o delegado do INATRO na Província de Maputo, Gilberto Mambo, assumiu que a entidade que dirige enfrenta, desde o dia 30 de Março passado, problemas com o seu sistema informático.

Entretanto, Mambo assegurou que se está a correr contra o relógio para que se volte a trabalhar com normalidade, até esta terça-feira.

Persiste a morosidade no atendimento na pediatria do Hospital Central de Maputo (HCM). Esta segunda-feira, utentes chegaram a ficar mais de oito horas à espera de serem atendidos.

A situação, que por mais de duas vezes foi reportada no mês de Fevereiro, deixou, novamente, os utentes daquele serviço agastados, pois, segundo denunciaram ao “ O País”, havia apenas uma médica a atender aos pacientes.

“A cada uma hora, era atendido apenas um paciente, depois a médica saía para ver pacientes em estado grave, por isso a fila não anda, porque são poucas, muito poucas mesmo as pessoas que já foram atendidas, até ao momento”, reclamou Aniceto Manhiça, pai de um menor.

Conforme protestou a fonte, “não faz sentido que um hospital tão grande, como este, tenha apenas uma médica a atender, é inconcebível”. Acrescentou que chegou ao hospital por volta das oito horas e, até às 16 horas, quando o “O País” conversou com ele, ainda esperava pelo atendimento do seu filho.

Mónica, nome fictício da mãe de uma paciente de seis meses, contou que chegou ao hospital por volta das 10 horas. A senhora disse que, até àquela hora, já estava com muita fome e cansada de tanto esperar e o mais agravante é que ninguém se aproximou para dar qualquer informação.

“Quando procuramos saber o que estava a acontecer, a médica disse que cada paciente tem a sua hora para ser atendido. Podemos ficar até às 19 ou 20 horas, com crianças aqui… é complicado”, lamentou Mónica.

Por conta da situação, muitos pacientes acabaram por desistir e saíram à procura de outras unidades sanitárias para serem atendidos, pois não viam “uma luz no fundo do túnel”, pela forma como a fila “andava”.

O HCM já admitiu que a demora no atendimento se deve à pressão na procura e à falta de profissionais de saúde, por isso recomendou aos pacientes a procurarem as unidades sanitárias mais próximas, entretanto muitos utentes preferem os serviços da considerada maior unidade sanitária do país.

É o caso de Aníbal Machai que disse que a tosse do seu filho persiste já há um tempo, mesmo depois de se ter dirigido aos centros de saúde próximos das sua casa, por isso, esta segunda-feira, foi ao HCM à espera que o seu filho fosse submetido a exames mais complexos.

O jornal O País entrou em contacto com o Gabinete de Comunicação do HCM, mas não teve sucesso.

O Governo ainda não pagou os quatro meses de compensação aos transportadores prometidos para minimizar o impacto do custo dos combustíveis. O valor é referente aos meses de Setembro a Dezembro do ano passado. A Agência Metropolitana de Transportes tinha prometido liquidar a dívida até Janeiro.

No dia 12 de Janeiro deste ano, o Presidente do Conselho de Administração da Agência Metropolitana de Transportes (AMT) prometeu que até o final do mesmo mês seria paga a dívida de quatro meses que a AMT tem com os transportadores de passageiros.

Mas, não passou de promessa. Quase três meses depois, os transportadores continuam à espera do pagamento.

O presidente da Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários, FEMATRO, diz que tem mantido contacto, tanto com a AMT, quanto com o Governo, através do Vice-ministro dos transportes e comunicação e sempre houve promessas de pagamento.

“Dos quatro meses do ano passado em dívida (apesar de o Vice-ministro dos transportes ter dito que nos seriam pagos os quatro do ano passado, mais Janeiro e Fevereiro, numa outra altura), até agora não foram pagos. Temos informação, desde a semana passada, que é uma questão de tramitação, que a transferência já foi feita e a qualquer momento o valor estaria disponível para começar o pagamento aos transportadores”, explicou o Presidente da FEMATRO, Castigo Nhamane.

Nhamane diz que a falta de pagamento está a prejudicar aos transportadores.

“Nota-se cada vez menos transporte na via, insto porque os operadores tendem a reduzir o número de meios que põem na estrada, uns porque estão avariados e os proprietários não têm dinheiro para reparar; outros porque de forma gradual não os colocam na estrada por falta de combustível; ou ainda porque há viaturas que só operam nas horas de ponta, mas também por pouco tempo”, disse.

Sem gravar entrevista, a Agência Metropolitana de Transportes disse estar em contacto permanente com a FEMATRO e garantiu para breve o pagamento da dívida.

Sobre o encurtamento de rotas e selecção de passageiros, que ainda se assiste, mesmo após a recente entrada em vigor de uma nova tarifa, Castigo Nhamane acusa a Polícia Municipal de pouco fazer para estancar o mal.

“A fiscalização não é eficaz, refiro-me à Polícia Municipal, Polícia de Protecção e a Polícia de Trânsito. Porque, o que acontece é o infrator, aquele que encurta, aquele que seleciona os passageiros é a tripulação (motorista e cobrador). No nosso entendimento, estas pessoas devem ser punidas severamente”, explicou.

Nhamane defende que havendo responsabilização mais “pesada” para os que prevaricam poderá haver redução ou até estancamento do mal, contrariamente ao que ocorre, onde apenas é retida a viatura. Com o pagamento da multa, esta volta a operar.

O presidente da FEMATRO apontou ainda o alto índice de corrupção na estrada como um dos vectores do mal.

Nalguns mercados da Cidade de Maputo, continuam a ser ignoradas as medidas de prevenção da cólera. Produtos de pronto consumo são comercializados sem protecção, o que expõe o consumidor ao risco de infecção pela cólera.

As medidas de prevenção da cólera são bem conhecidas e a médica Edna Soares lembra-nos: os alimentos devem ser bem tapados e bem cozinhados, lavar muito bem os legumes e as frutas; lavar muito bem as mãos com água e sabão ou cinza; evitar consumir água imprópria e garantir o saneamento do meio.

No sector informal do mercado Xipamanine, o maior retalhista da Cidade de Maputo, encontrámos um cenário propício para a inclusão da cólera. No entanto, há vendedores que estão informados sobre como prevenir a doença: “Para prevenir a doença em caso de estar a preparar a alface, tenho que lavar três vezes com água limpa”, disse Sidónia Manuel.

Entretanto, nem todos os vendedores e consumidores seguem as recomendações da saúde. Uma vendedeira tem o seu pão totalmente exposto. E quando questionada sobre tal prática, reagiu com desagrado: “Nós não gostamos disso, não temos condições, há pessoas que podem responder sobre o que nos estão a perguntar”.

Ao virar da esquina ainda no Xipamanine, vê-se um outro cenário de imundície: o contentor de lixo está cheio e transbordou. No mesmo local, vendem-se pão e chá, consumidos imediatamente.

“Acompanho o problema da cólera, mas não tenho como esconder-me, porque estou sempre aqui”, disse Joshua Munguandi, tendo, depois, acrescentado: “Não há como não ter medo, mas vou fugir para onde porque é aqui onde vendo? Se eu ‘fugir’, em casa não terão pão”.

A falta de saneamento do meio propicia a ocorrência e propagação da cólera e foi o que se notou no mercado Xipamanine.

“Como acabar com isto, está a ver isto? É possível acabar com a cólera assim?” – são questões de um consumidor que denotam que é necessária uma acção para travar a propagação da cólera.

No mercado Xiquelene, o cenário repete-se: produtos de pronto consumo são manuseados e vendidos sem protecção. As frutas não escapam e, por isso, é exigido aos seus vendedores e consumidores a adopção de medidas redobradas de higiene.

Dados do Ministério da Saúde, divulgados este sábado, indicam que houve, em todo o país, 164 novos casos de cólera, 214 altas e nenhum óbito.

Dom Francisco Chimoio despediu-se, hoje, dos crentes da Igreja Católica, do cargo de Arcebispo da Arquidiocese de Maputo, que passa a ser ocupado por Dom João Carlos. A maior expansão do evangelho para salvar mais almas é o seu apelo.

Dom Francisco Chimoio ocupou o cargo de Arcebispo da Arquidiocese de Maputo desde o ano 2003, depois de ter sido nomeado pelo Papa João Paulo II.

Depois de vinte anos, o Arcebispo cessou as funções e será sucedido por Dom João Carlos, que tomou posse no mês de Janeiro deste ano.

Neste domingo, muitos crentes estiveram na Sé Catedral da capital do país para agradecer pelo contributo de Dom Francisco Chimoio à igreja, que dirigiu a última missa e revelou o sentimento de missão cumprida.

“Depois de vinte anos, é como se tivesse passado apenas um. O sentimento é de alegria por ver que realmente há muita gente que precisa ainda da palavra de Deus e esse foi o objectivo que me trouxe aqui: anunciar a palavra de Deus. Estou contente porque sinto que realmente alguma coisa ficou, mas ainda havia muito que fazer, mas nós trabalhamos conforme o tempo que nos dão e as oportunidades que aparecem”, disse Francisco Chimoio.

Dom João Carlos é o sucessor de Dom Francisco Chimoio e agradeceu a Francisco Chimoio pela sua prestação para o crescimento espiritual dos crentes da Igreja Católica.

“Muito obrigado pelo zelo de querer ensinar o povo de Deus. Agradecemos pela generosidade com que nos ama, o modo como traduz o amor porque sempre, aos que o procuraram, sempre esteve disponível e aberto. Obrigado pela forma simples de amar a cada um de nós”, disse o novo Arcebispo da Arquidiocese de Maputo, pelo que Francisco Chimoio o desafiou a trabalhar para salvar mais almas.

O Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos reconheceu o contributo de Dom Chimoio durante a sua liderança à Arquidiocese de Maputo.

“Vinte anos é muito tempo quando formos a contar em termos de idade. Mas  vinte anos de luta, perseverança e de orações pelo bem estar da humanidade, em especial para o povo moçambicana, representam muito mais que um número, mas sim uma bênção , um tempo de paz que foi estabelecido pelo nosso Arcebispo”, disse Albachir Massacar, director nacional dos Assuntos Religiosos do Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos.

Empossado em 2003, Dom Chimoio foi o quarto Arcebispo de Maputo.

O estigma e a discriminação continuam a preocupar as mulheres com cancro da mama. O fenómeno está a contribuir para o fraco rastreio e tratamento da doença, segundo as mulheres que se juntaram, hoje, na Cidade de Maputo, para a partilha de experiências e sensibilização.

Fazer o rastreio e aderir ao tratamento do cancro da mama ainda são um dilema para muitas mulheres, que temem reviravolta nas suas vidas, depois de um simples apalpar de mama e descoberta do nódulo.

Segundo mulheres que venceram a doença, a palavra de ordem deve ser “rastrear o cancro”, vencendo os preconceitos.

“O tratamento é doloroso. Aconselho as que vão entrar para a quimioterapia que sejam fortes e os seus efeitos começam a qualquer momento, desde vómitos, diarreia, fraqueza, perda de cabelo, entre outros”, disse Isabel Manjate, uma das sobreviventes do cancro da mama, que falava, este domingo, num evento, na Cidade de Maputo, que visava mobilizar mais mulheres a aderirem ao diagnóstico e tratamento.

Desde a entrega de perucas, lenços e até demonstrações de como fazer próteses mamárias, houve também, no evento, cancões de sensibilização…tudo, para levantar a auto-estima das mulheres.

Uma iniciativa de Juju Rombe, que foi diagnosticada com cancro de mama em 2019.

“Queremos acabar com esta coisa das pessoas pensarem que se alguém tem cancro é o fim do mundo. Queremos incentivar, primeiro, o diagnóstico precoce, segundo o tratamento e, terceiro, a não desistir da vida”, apelou Rombe.

Nesta luta, o apoio e a força de vontade são os instrumentos necessários para a vitória. E porque são vencedoras, para elas, a esperança é a última a morrer, o seu desejo é que se reduzam o estigma e a discriminação.

Dados do sector da saúde apontam que, por ano, se registam, no país, pelo menos cinco mil casos de cancro de mama e cerca de três mil mortes.

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