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O País – A verdade como notícia

Inicia-se, no dia 15 deste mês, a oitava ronda da campanha de vacinação contra a poliomielite em todo o país, prevendo-se abranger mais de 19 milhões de crianças. O objectivo é travar a propagação da doença, sem cura, num contexto em que há mais de 30 crianças infectadas.

Com 33 casos da poliomielite identificados no ano passado, nas províncias de Tete, Zambézia, Manica e Cabo Delgado, o país vai à oitava ronda da campanha de vacinação a partir do dia 15 deste mês.

“Esta campanha, à semelhança das outras, vai decorrer em quatro dias e está destinada, desta vez, a crianças e adolescentes menores de 15 anos de idade de todas as províncias do país. Estamos a falar de um grupo-alvo estimado em 19 978 803 crianças e adolescentes, que serão vacinados nesta ronda de vacinação”, revelou Benigna Matsinhe, directora nacional adjunta de Saúde Pública.

Esta ronda de vacinação vai custar cerca de sete milhões de dólares aos cofres do Governo e parceiros do Ministério da Saúde.

“Temos cerca de 27 mil equipas que vão estar envolvidas no processo, o que implica cerca de 115 mil pessoas que vão ajudar-nos a realizar esta campanha. Neste grupo, temos vacinadores, mobilizadores, supervisores, coordenadores, digitadores de dados, logísticos, monitores independentes e parceiros. Portanto, é uma equipa vasta de pessoas com diferentes funcionalidades que estarão envolvidas nesta oitava ronda”, detalhou a directora nacional adjunta de Saúde Pública.

Porque alguns casos de pólio são importados, a campanha de vacinação poderá decorrer, também, em zonas fronteiriças.

“Para esta ronda, iremos, também, trabalhar nas zonas de fronteira entre Malawi, Zimbabwe, Zâmbia e Tanzânia. Teremos equipas que estarão lá para vacinar as crianças que se encontram naquelas zonas e que circulam de um país para o outro, tendo em conta que as nossas fronteiras são porosas”, justificou Benigna Matsinhe.

A administração da vacina é oral e a vacinação vai decorrer em postos fixos, porta à porta, escolas e outros locais de concentração populacional.

O Ministério da Saúde diz que a toma de outras vacinas não impede a vacinação contra a poliomielite.

Inicia-se, no dia 15 deste mês, a oitava ronda da campanha de vacinação contra a poliomielite em todo o país, prevendo-se abranger mais de 19 milhões de crianças. O objectivo é travar a propagação da doença, sem cura, num contexto em que há mais de 30 crianças infectadas.

Com 33 casos da poliomielite identificados no ano passado, nas províncias de Tete, Zambézia, Manica e Cabo Delgado, o país vai à oitava ronda da campanha de vacinação a partir do dia 15 deste mês.

“Esta campanha, à semelhança das outras, vai decorrer em quatro dias e está destinada, desta vez, a crianças e adolescentes menores de 15 anos de idade de todas as províncias do país. Estamos a falar de um grupo-alvo estimado em 19 978 803 crianças e adolescentes, que serão vacinados nesta ronda de vacinação”, revelou Benigna Matsinhe, directora nacional adjunta de Saúde Pública.

Esta ronda de vacinação vai custar cerca de sete milhões de dólares aos cofres do Governo e parceiros do Ministério da Saúde.

“Temos cerca de 27 mil equipas que vão estar envolvidas no processo, o que implica cerca de 115 mil pessoas que vão ajudar-nos a realizar esta campanha. Neste grupo, temos vacinadores, mobilizadores, supervisores, coordenadores, digitadores de dados, logísticos, monitores independentes e parceiros. Portanto, é uma equipa vasta de pessoas com diferentes funcionalidades que estarão envolvidas nesta oitava ronda”, detalhou a directora nacional adjunta de Saúde Pública.

Porque alguns casos de pólio são importados, a campanha de vacinação poderá decorrer, também, em zonas fronteiriças.

“Para esta ronda, iremos, também, trabalhar nas zonas de fronteira entre Malawi, Zimbabwe, Zâmbia e Tanzânia. Teremos equipas que estarão lá para vacinar as crianças que se encontram naquelas zonas e que circulam de um país para o outro, tendo em conta que as nossas fronteiras são porosas”, justificou Benigna Matsinhe.

A administração da vacina é oral e a vacinação vai decorrer em postos fixos, porta à porta, escolas e outros locais de concentração populacional.

O Ministério da Saúde diz que a toma de outras vacinas não impede a vacinação contra a poliomielite.

A entrega dos meios acontece num contexto em que os profissionais da saúde exigem melhores condições de trabalho. O ministro da Saúde, Armindo Tiago, disse que os equipamentos hospitalares vão melhorar as condições de trabalho dos profissionais de saúde, em todo o país.

A doação é do Governo japonês que, além das 28 ambulâncias, inclui vários outros equipamentos e materiais médicos, como duas mil camas articuladas, mais de cinco mil camas simples, mais de duzentos monitores cardíacos, kit de cesariana, kit de amputação, entre outros.

O doador, representado pelo embaixador japonês, Haijime Kimura, esclareceu que “os outros materiais já chegaram, só faltavam estas ambulâncias. Estamos muito felizes por poder presenciar a sua chegada. Temos muitos outros projectos com o Ministério da Saúde”.

A doação é feita num contexto em que os profissionais de saúde têm vindo a reclamar de más condições de trabalho, devido à alegada falta de equipamento e material hospitalar.

O ministro da saúde, Armindo Tiago, disse que o material recebido do Japão vai servir para melhorar as condições de trabalho dos profissionais de saúde.

“O Governo e os parceiros estão a adquirir diversos materiais médicos, de diagnóstico e cirúrgico, para melhorar as condições de trabalho nas unidades sanitárias. Hoje (12), vamos proceder ao envio, ao nível das províncias, de mais de duas mil camas articuladas. Vamos distribuir, para todo o país, mais de 10 mil esfigmomanómetros, mais de quatro mil macas, entre outros”, disse Tiago.

Recorde-se que, por causa de alegadas más condições de trabalho, a Associação Médica, anunciou, na semana passada, que pode iniciar uma terceira greve, numa altura em que o Ministério da Saúde negoceia com um outro grupo, a Associação dos Profissionais de Saúde, que tem queixas similares e suspendeu uma greve há pouco mais de uma semana.

Sobre estes assuntos, abordados esta segunda-feira, Armindo Tiago não quis tecer comentários, apesar da insistência dos jornalistas.

Há abate indiscriminado de árvores para a produção de carvão, no distrito da Moamba, Província de Maputo. Algumas espécies estão em risco de extinção e, ainda que, replantadas, levarão entre 50 e 100 anos para atingirem a fase de exploração.

Esta prática tem réplica um pouco por todo o país, facto que deixa Moçambique vulnerável a várias tempestades. Nesta reportagem, trazemos a reflexão sobre o abate de árvores, aquecimento global e mudanças climáticas.

A cada dia que passa, as acções dos seres humanos estão a agredir o meio ambiente. Esta agressão está a atingir níveis assustadores e a ficar fora do controlo. Consequentemente, o país fica vulnerável aos eventos extremos da natureza, como ciclones, ventos fortes e cheias. Os rostos destes fenómenos estão cada vez mais visíveis. Pessoas deslocadas, mortes, infra-estruturas destruídas, culturas perdidas – tudo isso é consequência do que se chama aquecimento global.

O aquecimento global, antes de se manifestar de forma violenta através das mudanças climáticas, parecia algo que estava bem distante de nós e sem nenhum efeito. Mas as coisas estão a tomar outro rumo.

Moçambique pode não ser um dos maiores poluidores do meio ambiente a nível mundial, mas está a destruir a sua barreira de protecção contra os eventos extremos da natureza: as florestas.

Atrás das respostas de como é que tal acontece, a nossa equipa de reportagem deslocou-se até ao distrito da Manhiça, mais para o interior, onde há abate indiscriminado de árvores para a produção de carvão.

Ao longo da viagem, era possível ver, ao longo da via, uma vegetação que esconde uma prática insustentável e prejudicial para o meio ambiente: o abate descontrolado das árvores.

“Ninguém me autoriza a abater árvores porque sou nativo destas terras. Eu é que escolho. Não há autoridades que indiquem onde devemos explorar. Corto onde quiser”, revelou Mário Simango, produtor de carvão, no interior de Moamba, Província de Maputo.

Para os produtores de carvão, não há nenhuma lei que vigora e que possa impor limites na sua actividade. E mais: ninguém fiscaliza a actividade. “É preciso, também, concentrar esforços nas áreas onde são produzidos o combustível lenhoso, a lenha e o carvão, por exemplo, ao redor das províncias de Maputo, Gaza e Inhambane que são as que alimentam a grande cidade capital. Há esforços que precisamos de desenvolver nestes locais”, referiu Cláudio Afonso, director nacional de Florestas.

E enquanto tais esforços não chegam, algumas espécies de árvores estão ameaçadas.

“As árvores estão a ficar escassas. Os locais que estavam cobertos por vegetação estão agora a céu aberto por árvores, mas já estão em extinção. Nalguns sítios, estamos a lutar para podermos trabalhar (cortar árvores para produzir carvão)”, admitiu Francisco Fernando, também produtor de carvão, no distrito de Moamba.

Nem a ameaça de extinção das árvores que produzem carvão trava os produtores e muito menos desperta neles a necessidade de plantar mais.

“Enquanto não acabam, vamos explorando. Veremos o que Deus vai dar-nos, quando acabarem. Depois de cortar, não planto outras e essas são as que cresci enquanto existiam. Eu não sei o que poderão achar (as próximas gerações) quando acabarem essas árvores”, disse Mário Simango, num total desconhecimento da importância das árvores para o meio ambiente.

Nem são poucas as árvores abatidas por dia. “Cortei nove árvores para produzir carvão para que os outros possam usar”, afirmou Francisco Fernando.

Simulando contas rápidas com 15 produtores, sendo que cada um deles abate nove por dia, conclui-se que 135 árvores são deitadas abaixo, diariamente, pelo menos em Moamba.

Entretanto, o corte indiscriminado das árvores acontece um pouco por todo o país. “Anualmente, Moçambique perde cerca de 267 mil hectares de florestas por desmatamento. As principais causas do desmatamento são a agricultura itinerante, a expansão urbana, a mineração e a produção do combustível lenhoso”, enumerou o director nacional de Florestas.

E a consequência imediata do desmatamento é o aquecimento global. “A vegetação tem um grande papel porque interfere no albedo. Isto quer dizer que uma parte da energia é devolvida para a atmosfera e ela não participa no processo do aquecimento da terra”, contextualizou Gustavo Dgedge, director da Faculdade da Ciência da Terra e Ambiente da Universidade Pedagógica de Maputo.

E o especialista explica mais: “Quando temos a vegetação, a copa das árvores projecta uma sombra para o solo e este processo faz com que uma parte do solo não tenha temperaturas muito elevadas, porque a atmosfera é aquecida de baixo para cima, ou seja, é a irradiação terrestre, o calor que a terra liberta, que vai participar no aquecimento do ar”.

Gustavo Dgedge acrescenta que a vegetação tem um papel crucial porque ela captura o vapor de água através do processo da formação do orvalho. “Quando se forma o orvalho nas manhãs ou no final do dia, nós temos uma parte para o solo, contribuindo para o seu arrefecimento” afirmou o director da Faculdade da Ciência da Terra e Ambiente da UP-Maputo.

Entretanto, com a devastação das florestas, os termómetros do Instituto Nacional de Meteorologia mostram que os dias actuais são de muito calor e o inverno é menos rigoroso.

“Detectamos que a temperatura máxima diária está a aumentar. Então, temos temperaturas acima de 35 graus num número de dias superior ao que nós tínhamos há 20 ou 30 anos. O mesmo acontece com as noites. Na climatologia, chamamos de noites de Verão as com temperaturas acima de 20 graus”, apontou Bernardino Nhantumbo, meteorologista e pesquisador do Instituto Nacional de Meteorologia.

E o responsável por esta tendência crescente da temperatura é o ser humano, através da emissão de gases do efeito estufa.

“A emissão de carbono, não só acontece pelo corte das árvores, acontece também como resultado das queimadas. Queimando uma floresta, na realidade, estamos a promover a emissão do carbono que estava armazenado naquela floresta ou naquela árvore porque ela (a floresta) deixa de exercer a função ecológica que é a de sequestrar o carbono”, esclareceu Victorino Buramuge, engenheiro florestal da Universidade Eduardo Mondlane.

Emitindo muitos gases de dióxido de carbono, o efeito estufa fica com as suas propriedades desequilibradas.

“Aumentando a quantidade dos gases do efeito estufa, é como se estivéssemos a aumentar as mantas. Imagine, aumenta a quantidade de mantas, vais começar a transpirar. É quando falamos do aquecimento global”, explicou o meteorologista e pesquisador no INAM.

Nhantumbo coloca o dedo na ferida: “Este é o resultado da actividade do Homem que aumenta a quantidade de gases do efeito estufa e com isso resulta no aquecimento global. Quando há um aquecimento global, depois se vai dar a mudança climática”, concluiu.

Ventos fortes, tempestades, ciclones, cheias e inundações são as ditas mudanças climáticas.

Uma das respostas para os eventos extremos está nas florestas. É que as árvores absorvem uma parte da chuva e ela não cai directamente para o solo, criando, por exemplo, cheias e inundações. São, também, as árvores que servem de barreira para o caso de ocorrência de ventos fortes e ciclones. Sem esta protecção, a costa moçambicana fica vulnerável a várias tempestades.

Os produtores de carvão em Moamba são de comunidades nativas. Antes do início desta actividade, nesta zona chovia e a terra era produtiva.

“Cultivávamos [milho]. Podia não ter uma colheita muito boa, mas conseguíamos comer, ainda que não conseguíssemos vender. Mas nos dias actuais, nem para outra coisa conseguimos”, contou Mário Simango, produtor de carvão.

É por isso que esta comunidade se aventurou no negócio de produção do carvão, abatendo as árvores, ainda que de forma insustentável.

“A chuva está escassa e já parei para pensar que o problema pode ser porque abatemos as árvores, mas ainda que o faça, assim que a própria alimentação provém das árvores, como é que vou deixar? Não há nada alternativo que possa fazer”, disse, resignado, o produtor de carvão.

Os produtores não têm licença para abater as árvores, mas os operadores que compram, transportam e revendem na Cidade e Província de Maputo possuem o documento.

É a estes (os operadores) que o Governo exige que reponham as árvores cortadas para a produção do carvão.

“Nós estamos cientes de que, nos anos passados, não havia esta atenção de fazer o reflorestamento, mas agora temos essa missão de querer pôr o ambiente vivo e explorar as árvores de forma sustentável”, reconheceu Agostinho Nhantumbo, operador florestal.

Sucede, porém, que o corte de árvores para produção de carvão é tudo, menos sustentável.

“Podemos dizer que queremos carvão, mas nós sempre dizemos a eles (aos carvoeiros) que não podem abater árvores ainda pequenas. Temos que cortar a que já se está a estragar”, defendeu Agostinho Nhantumbo.

Só que, no terreno, a realidade é outra – espécies ainda pequenas são também abatidas.

Ainda que se faça o reflorestamento, as árvores abatidas levam, em média, entre 50 e 100 anos para atingirem a fase adulta. E os operadores não ficam à espera que tais anos passem.

“Nestes 20 anos, trabalhei quase sete anos em Goba e as árvores acabaram. Vim para cá e comecei a trabalhar”, declarou Amélia Dava, operadora florestal.

Ainda assim, já há mudança de consciência. “A nossa obrigação é a de plantar a mesma espécie como que produzimos o carvão”, fez saber Alfredo Chichongue, operador florestal.

Anualmente, cada operador florestal tem direito a mil sacos de carvão entre Abril e Dezembro e isso corresponde a igual número de árvores plantadas.

Contudo, isso tarda a acontecer, não só em zonas de exploração do carvão como também de madeira e lenha.

Consequentemente, a terra recebe mais chuva do que devia. “Numa região sem árvores, a chuva terá um impacto directo sobre o solo e isso acontece com um desprendimento de partículas por causa do impacto das águas”, explicou Victorino Buramuge.

Até final do próximo ano, Moçambique espera evitar a emissão de 10 milhões de toneladas de carbono.

Para que isso seja possível, o país precisa, também, de reduzir a pressão sobre as florestas.

O antigo ministro da Saúde, Hélder Martins, diz que o Governo fez uma asneira ao uniformizar o limite de idade da reforma obrigatória, de 60 anos, para agentes e funcionários do Estado de todas as áreas. O antigo dirigente defende que o Executivo deve corrigir o erro, antes que o Serviço Nacional de Saúde esteja cheio de pessoas incompetentes.

As críticas à padronização da idade para a reforma obrigatória em todas as áreas do sector público surgem de todos os lados. Este domingo, Hélder Martins, no seu estilo incisivo, disse que o Executivo moçambicano cometeu o que chamou de “asneira”.

“Creio que o Governo vá ter o bom senso de perceber que fez uma asneira. E quando alguém percebe que fez uma asneira e corrige, isso é dignificante para essa entidade ou para essa pessoa, não é motivo de crítica”, entende o médico.

Segundo Hélder Martins, o Governo vê-se obrigado a tirar várias pessoas do aparelho do Estado, para dar emprego a milhares de novos formados, entretanto, com isso, estará a destruir o Serviço Nacional de Saúde.

“Imagino que tenham tido a ideia, que à primeira vista parece boa, mas não é, de dizer: ‘vamos baixar a idade de reforma, vamos mandar uma série de gente para fora da Função Pública, para poder recrutar alguns desempregados’. Simplesmente, esqueceram-se que, com isso, estão a fazer o assassinato do Serviço Nacional de Saúde.”

O especialista em saúde pública há mais de quatro décadas chama a atenção para o facto de “os melhores irem para o privado, com 60 anos de idade; mesmo com 65 anos, não vão deixar de trabalhar. Por isso, Martins diz que a justificação do Governo de que esta norma vai ajudar a baixar a folha salarial, explica que “não vai baixar nada, pode baixar a folha salarial dos funcionários no activo, mas não vai baixar a despesa do Estado, porque o Estado é que lhes paga a reforma”.

O antigo dirigente defende que o Governo deve corrigir o erro, antes que o Serviço Nacional de Saúde esteja cheio de pessoas incompetentes.

A idade para aposentação não pode ser a mesma em todas as áreas, diz Martins, ao sugerir que áreas sensíveis, como saúde e educação, por exemplo, devem ter estatutos próprios.

“Em alguns países, a idade de reforma não é igual para toda a gente. Porque o professor universitário, o médico e outros profissionais têm estatutos específicos e muitos deles vão à reforma obrigatória com 70 anos.”

Lembre-se que a nova Lei do Sistema da Segurança Social Obrigatória dos Funcionários e Agentes do Estado foi aprovada em definitivo pelo Parlamento, em Dezembro de 2021.

O mundo já está sob efeito do “El Niño”, fenómeno que deverá causar aumento de temperatura e ditar falta de chuva, causando seca. No país, o Instituto Nacional de Meteorologia diz que o fenómeno pode afectar, principalmente, as zonas Centro e Sul do país.

O El Niño é um evento climático natural que provoca o superaquecimento das águas do Oceano Pacífico. A sua ocorrência vai, provavelmente, adicionar ainda mais calor ao planeta, já aquecido devido às mudanças climáticas.

O Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos da América anunciou, na última quinta-feira, que o fenómeno meteorológico já se faz sentir no mundo e deverá “reforçar-se gradualmente” nos próximos meses.

Em Moçambique, o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) explica que o El Niño pode agravar a falta de chuva que já se verifica no país.

“Já estamos com défice de precipitação (chuva), principalmente nas regiões Centro e Sul do país. O nosso inverno é caracterizado, em grande medida, por pequenas quantidades de chuva. A ser o que se projecta aqui (quanto ao El Niño), provavelmente, termos essa pouca chuva ainda mais escassa e o nosso período de verão pode ser, também, caracterizada por escassez de precipitação nas zonas Sul e Centro do país”, disse o meteorologista do INAM, Lelo Tayobe.

O INAM explica que o fenómeno pode ocorrer até Fevereiro do próximo ano e há possibilidade de ser mais intenso no Inverno, causando seca no país.

“Num passado recente, tivemos escassez de água nestas regiões, o que causou grandes perdas de gado. Em vários rios, podemos ter dificuldade, principalmente para os agricultores que dependem da água dos rios”, assegurou o meteorologista.

As temperaturas relativamente altas, atípicas no Inverno, e que se fazem sentir no país, “não podem estar associadas directamente ao El Nino”, disse a fonte.

Nos próximos dias, o INAM prevê a continuação de dias frios, com o possível pico a ser atingido em Julho próximo.

 

POR QUE O FENÓMENO É TÃO TEMIDO?

A ocorrência do El Niño, (o menino), é cíclica, mas é difícil prever a sua periodicidade. Sabe-se que esse fenómeno acontece em intervalos de cinco a sete anos em média, geralmente intercalando com o La Niña (a menina), caracterizado por chuva intensa, em períodos que variam de um a 10 anos.

De acordo com as projecções do Centro de Previsão Climática norte-americano, o fenómeno, provavelmente, fará de 2024 o ano mais quente já registado, isso se o ano 2023 não o for.

Especialistas internacionais temem ainda que isso influencie o aumento do aquecimento global, que actualmente ronda 1,5º C.

O El Niño tem impactos ambientais temidos por todos. Mas o que amedronta ainda mais os países são as consequências económicas que podem causar nos bolsos de várias nações em todo o planeta terra.

As actividades económicas sofrem grande prejuízo em anos de El Niño, sobretudo a agricultura e a pesca. Nas áreas de chuvas torrenciais de verão, a população é afectada por seca e estiagem.

Na história, o mais forte El Niño aconteceu entre 1997 e 1998 e custou triliões de dólares, com mais de 20 mil mortes por tempestades e inundações.

O El Niño começa no final do ano, entre os meses de Setembro e Dezembro, e tem duração de até um ano e meio.

Há perigo de atropelamento na Estrada Nacional Número 1 no bairro Zimpeto, na Cidade de Maputo, onde, no período nocturno, funcionam uma paragem de transporte e um mercado informal, o que causa constrangimentos na mobilidade.

Ao fim do dia, um “mar de gente”, proveniente quase de todos os lugares, invade uma das faixas de rodagem da EN1, sobretudo no sentido Cidade de Maputo–Marracuene.

O cenário remete a uma situação em que se está perante uma bomba-relógio que só espera o momento para deflagrar, isto porque, em caso de acidente de viação ou uma qualquer situação catastrófica, pode haver mortes em massa naquele ponto.

“Corremos muito risco aqui; por mim, o transporte deve embarcar e desembarcar passageiros no interior do terminal, aqui a situação não é boa, há muito perigo aqui”, disse Tânia José Balate.

De acordo com o Município de Maputo, o terminal rodoviário do Zimpeto deve funcionar das 4h às 22h – foi o que vimos durante a presença da nossa equipa de reportagem naquele local. De dia, os transportadores entram e saem com passageiros. Entretanto, a coisa muda de figura à noite, em que o terminal fica abandonado e o futebol toma conta do espaço.

Ainda assim, alguns passageiros continuam à procura do transporte naquele local por desconhecimento, como aconteceu com Sheron Magaia, aluna da Escola Secundária Mártires de Mbuzine, localizada no interior do bairro Magoanine “C”: “Eu vim aqui para apanhar transporte, mas não há carros e, na minha casa, já estão preocupados”.

Alexandre Cumbe, vendedor no Mercado Grossista do Zimpeto, e Vasco Balate, transportador, apontam a criminalidade como o factor que faz com que os “chapas” e os autocarros não entrem no terminal rodoviário de Zimpeto.

“Estou ciente de que este local não é ideal nem seguro para embarcar e desembarcar passageiros, mesmo para estacionar. Mas é melhor aqui do que lá, no parque, onde está cheio de bandidos e marginais.”

Por isso, tudo passa a ser feito na estrada, onde uma das faixas deixa de ser útil ao trânsito e passa a ser terminal, paragem e mercado informal, onde se vende um pouco de tudo, incluindo alimentos confeccionados no local e de pronto consumo.

Um dos jovens que o abordámos a montar a sua banca de noite para vender couve contou que, uma vez, a sua bancada foi arrastada por um carro que perdeu travões, mas não houve danos humanos.

Aliás, a Associação Moçambicana para as Vítimas de Insegurança Rodoviária (AMVIRO) alerta para o perigo que esta situação representa. “O nosso grande receio é o facto de que pode acontecer que mais cedo ou mas tarde possamos ter ali uma situação eventualmente de atropelamentos em massa”, alertou Alexandre Nhampossa, presidente da AMVIRO.

Naquele troço, a mobilidade é condicionada, os carros fazem longa fila, todas as regras de trânsito são ignoradas. A Polícia de Trânsito apita, mexe o bastão luminoso, mesmo assim, revela-se incapaz para repor a ordem na estrada. José Nhantumbo, agente da Polícia de Trânsito na Cidade de Maputo, diz ser importante que as pessoas tenham consciência da exposição ao perigo: “Estamos numa situação de risco; se uma viatura perder o sistema de travões, será um desastre. É muito importante que as pessoas tenham em mente o risco que isso representa e não esperar que o Governo faça alguma coisa”.

A Administração Nacional de Estradas (ANE), que é detentora da EN1, diz estar a assistir, com preocupação, ao que se passa no Zimpeto, cabendo ao Município de Maputo repor a ordem naquele local. “A ANE constrói e faz a manutenção de estradas; há órgãos que tratam exactamete desse assunto (transportadores e vendedores). Os transportadores são obrigados a estar num determinado terminal, então as autoridades municipais e policiais devem obrigá-los a ficar nos terminais”, disse Denise Mavale, da ANE.

E o Município de Maputo, através de Atanásio Tembe, um dos administradores da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento (EMME), que é gestora dos terminais rodoviários da Cidade de Maputo, diz não saber o que se está a passar no Zimpeto, mas aponta indisciplina dos motoristas e a falta de colaboração da Polícia Municipal. “Fica muito difícil percebermos; diria eu que se calhar seria a indisciplina dos próprios transportadores.”

E se fica difícil perceber, como resolver o problema que expõe ao perigo milhares de pessoas?

“Há uma necessidade de se trabalhar em coordenação com a Polícia Municipal e de se fazer um trabalho de fiscalização, porque o terminal está lá e nunca fecha as portas e está iluminado. Então, não se percebe por que razão os transportadores não ficam no terminal.”

E enquanto não se coordena o trabalho, pode acontecer uma tragédia naquele ponto a qualquer momento.

A Inspecção da Administração Pública deve ser mais actuante e o combate à corrupção deve prosseguir para garantir a integridade do sector. O apelo foi dado, na sexta-feira, pelo Primeiro-Ministro, Adriano Maleiane, no empossamento de novos directores da Função Pública.

A Inspecção-Geral da Administração Pública já registou 934 inspecções e fiscalizações no sector público a nível nacional desde a sua implantação no ano 2020. Nos três anos de exercício, a instituição já remeteu 16 processos-crime ao Gabinete Central de Combate à Corrupção, havendo  registo de funcionários expulsos e suspensos.

Esta sexta-feira, o Primeiro-Ministro, Adriano Maleiane, conferiu posse a Laura Helena Nhacale para o cargo de inspectora-geral de Administração Pública e Célio Goca para o cargo de inspector-geral adjunto. Maleiane exigiu da nova equipa de gestores mais trabalho e mais articulação.

“A Inspecção-Geral da Administração Pública deverá continuar a realizar e reforçar as missões de fiscalização, inspecção e monitoria regulares em todos os órgãos e serviços da Administração Pública directa e indirecta. A Inspeção-Geral da Administração constitui uma das ferramentas fulcrais para a promoção da cultura de integridade em toda a administração pública.”

Antes de assumir o novo cargo, Laura Nhacale, magistrada do Ministério Público, que exerceu, entre várias funções, a de inspectora administrativa da Procuradoria-Geral da República, diz estar ciente dos desafios que vai encarar nas novas funções.

“Foi exactamente a pensar neste desafio que nós temos, como Administração Pública, que aprovámos esta estratégia que foi lançada no ano passado por Sua Excelência o Presidente da República. Lá temos vários pilares, várias áreas de intervenção que são necessárias a nível da administração pública para, de forma firme, combater a corrupção que tem vindo a corroer a imagem da nossa administração pública e nós, como Inspecção-Geral da Administração Pública, temos um papel preponderante no sentido de reverter esta situação”.

Já o anterior inspector-geral, Augusto Mangove, que vai à reforma, diz que sai com o sentimento de missão cumprida.

“Em termos de resultados, pensamos que as instituições da administração pública, no geral, melhoraram bastante naquilo que é o seu desempenho. Também pensamos que conseguimos minimizar – não vamos dizer que conseguimos acabar – mas conseguimos minimizar aquilo que são os índices de corrupção na nossa administração pública.”

Ainda na sexta-feira, tomaram posse Florêncio Maulano para o cargo de director-geral adjunto do fundo nacional de investigação e também Juma Muteliha para o cargo de director-geral adjunto do Instituto de Bolsas de Estudo.

O Gabinete do Governador da Zambézia está, desde esta quinta-feira, privado de água. Deve cerca de cinco milhões de Meticais e Águas da Região Centro tratou de cortar o contador. Pio Matos promete pagamento, mas não concorda com o corte registado no Hospital Central de Quelimane.

É uma situação que leva o Governador da Zambézia, Pio Matos, a coçar a cabeça. É que o seu Gabinete deve cerca de cinco milhões de Meticais à empresa Águas da Região Centro, em Quelimane. O governador tem o sentimento de que a firma está a avançar por esta mendida para recuperar os seus valores. No entanto, Matos não defende corte de água, por exemplo, no Hospital Central de Quelimane, situação que ocorreu esta quarta-feira.

A apreciação que se tem é que o Governo pode estar a passar por uma situação de crise financeira, já que há muitos serviços que não está a conseguir pagar.

Sobre o corte do fornecimento de água, na maior unidade sanitária da província da Zambézia, a Secretária de Estado já reagiu. Ao jornal O País, Cristina Mafumo garante esforços para o pagamento.

Já o Director do Hospital Central de Quelimane diz que os impactos do corte de água ainda não são visíveis, já que o corte do contador ocorreu quando os reservatórios estavam cheios.

Dos 182 milhões de Meticais que os clientes devem à empresa Águas da Região Centro, só o Estado tem a pagar 52 milhões de Meticais.

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