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O País – A verdade como notícia

Realizou-se, no sábado, na Cidade de Maputo, a primeira caminhada de cães, na companhia dos seus donos. Trata-se de uma iniciativa da AQI, empresa de retalho e distribuição de produtos para a agricultura, pecuária e pesca.

Mais de 50 cães de diversas raças, tamanhos e cores juntaram-se para caminhar e interagir com os seus donos, este sábado, na Cidade de Maputo.

Donny, de apenas um ano e oito meses de vida, é sinónimo de segurança reforçada em casa de Cristiano Daniel, que também se juntou à “passeata”.

“Eu cuido dele e ele cuida de mim, ele protege-me e deixa a casa mais segura. Os animais demonstram aquilo que é o amor, não com palavras, mas com as suas atitudes. É importante que se tenha um animal por perto”, disse Daniel.

Quem tem cães acredita ter um companheiro. Por esta razão, os proprietários dos animais apelam ao respeito pelos animais e ao fim de maus-tratos.

“Quem não tiver condições de cuidar de um animal, que não o adquira. É melhor submetê-los ao processo de adopção do que abandoná-los nas ruas ou submetê-los a outras formas de maus-tratos”, disse Cristiano Daniel.

Para retribuir a amizade e o companheirismo do melhor amigo do homem, este sábado foi dia de os juntar num único espaço para confraternização com outros cães e os seus respectivos donos.

O evento foi marcado por uma “passeata” por algumas avenidas da capital do país. Uma experiência única não só para os cães, mas também para os seus donos.

Trata-se de uma iniciativa da AQI, empresa de retalho e distribuição de produtos para a agricultura, pecuária e pesca.

“A caminhada faz muito bem, não só a nós mas também aos nossos cães. Estamos aqui em família e está a ser uma experiência diferente”, explicou Rui Brandão, responsável da organização.

Para o próximo sábado, prevê-se a realização da primeira, diga-se, “passeata” de tartarugas.

O director-geral-adjunto do Instituto Nacional de Minas, Grácio Cune, defendeu que o Governo deve alocar recursos financeiros para a pesquisa de novas tecnologias de produção de energia no país. Grácio Cune falava durante a conferência sobre a indústria extractiva no país.

A Conferência Internacional sobre a Tributação do Sector Extrativo debateu, entre muitos temas, sobre os modelos de gestão de recursos energéticos.

Houve consenso de que não existe um modelo acabado e que os governos devem priorizar e suprir as necessidades internas.

O director-geral-adjunto do Instituto Nacional de Minas, Grácio Cune, destacou o papel das universidades.

“As universidades, em Moçambique, usam parte do seu tempo para investigar novos processos para a geração de energia. Acho que é um desafio que temos que colocar e o Governo deve alocar recursos para pesquisa de novas tecnologias”, defendeu e de seguida justificou: “É que, se não investirmos na pesquisa de novas formas de produção de energia, não vamos longe”.

Para o desenvolvimento da indústria extractiva, os intervenientes defenderam ser preciso investir também no fortalecimento das relações entre as instituições públicas, que entenderam estar fracas.

“Tem que haver uma maior comunicação entre nós e igualmente uma estratégia sobre as nossas metas e talvez a existência de uma plataforma ou uma base de dados intersectorial, que pudesse ser partilhada com todos. Isto poderia ajudar-nos a ter acesso em tempo real e reduzir as dificuldades e também deve haver maior diálogo”, disse a representante do pelouro de Gestão de Concepções e Contractos do Instituto Nacional do Petróleo, Naíma Capão.

“Cada uma das instituições deve estar dotada de informações sobre o sector, desde o princípio, até o final da cadeia de valores. Pode ser através de memorando de entendimento entre as instituições, é um das formas”, acrescentou o director-geral do Gabinete de Planeamento e Estudos e Cooperação Internacional da Autoridade Tributária, Augusto Tacaríndua.

A Conferência Internacional sobre a Indústria Extractiva decorreu entre esta quarta e quinta-feira, em Maputo, e discutiu também sobre a política fiscal para os países ricos em recursos energéticos e sustentabilidade ambiental na sua exploração.

Arrancou esta quinta-feira a oitava ronda de vacinação contra a poliomielite. Durante quatro dias, prevê-se vacinar mais de 19 milhões de crianças de 0 aos 15 anos de idade em todo o país. Devido aos riscos associados à doença, as autoridades de saúde apelam à adesão dos abrangidos.

Na província de Tete, cinco dos nove casos confirmados de poliomielite, no ano passado, resultaram em paralisia, ou seja, as crianças infectadas perderam os movimentos dos pés, segundo fez saber o médico-chefe provincial, Xarif Gentil.

“A maior parte das crianças que tiveram o diagnóstico de pólio já se encontram na situação de paralisia. São pelo menos cinco crianças que apresentam sequelas marcadas desta doença e não há possibilidade de estas voltarem a andar”, explicou.

Com vista a evitar o alastramento dos casos, a oitava ronda de vacinação contra a doença arrancou, esta quinta-feira, e em Tete prevê-se abranger mais de duas mil crianças.

Édia Conjo é uma das mães que quer evitar que o seu bebé tenha paralisia infantil, por isso decidiu, depois de uma consulta de rotina, no Centro de Saúde de Malhangalene, na Cidade de Maputo, levar o seu filho, de seis meses de vida, para tomar a vacina contra a poliomielite.

“Esta vacina é importante porque previne contra a paralisia e devemos administrá-la mais cedo, para evitar que, no futuro, os nossos filhos tenham problemas”, disse Édia Conjo.

Na Cidade de Maputo, o primeiro dia da campanha de vacinação foi marcado por enchentes, em alguns postos, durante as primeiras horas.

Com mais de 900 equipas, distribuídas pelos sete distritos municipais da capital do país, a meta é garantir que 673 mil crianças sejam vacinadas contra a poliomielite até este domingo.

“Sendo a poliomielite uma doença que causa a paralisia flácida aguda, altamente contagiosa, causada por um poliovírus que ataca o sistema nervoso central, que pode causar a paralisia, há uma necessidade de cortar esta transmissão para que nenhuma criança seja afectada”, explicou Bélia Xerinda, directora municipal de Saúde, da Cidade de Maputo.

Em todo o país, a oitava ronda da campanha de vacinação contra a pólio prevê abranger mais de 19 milhões de crianças e o processo decorre porta-a-porta, em todas as unidades sanitárias, nas escolas, nas igrejas, nos mercados e noutros locais com aglomerados.

Já há 18 quilómetros reabilitados na extensão de 2600 quilómetros que compõem a Estrada Nacional Número Um.

Já há muito degradada, a Estrada Nacional Número Um tem causado muitos danos aos utentes. E sobre a esperada reabilitação, o ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos, Carlos Mesquita, indicou que já há troços que foram intervencionados. “Já temos cerca de 17 a 18 quilómetros neste momento asfaltados. Em relação à outra parte, junto do projecto do Banco Mundial, estamos numa fase dinâmica de desenvolvimento para a contratação do empreiteiro”, avançou o governante.

Neste momento, segundo Carlos Mesquita, estão disponíveis 850 milhões de dólares do Banco Mundial que deverão ser desembolsados em três fases para a reabilitação da EN1. Mesquita explica ainda que decorrem estudos de actualização dos projectos elaborados.

“Então, é preciso fazer estudos, temos estudos, temos que os actualizar porque, ao longo deste período que a estrada se foi danificando e particularmente agora que saímos da época chuvosa, houve danos adicionais e isso requer uma apreciação mais profunda.”

O governante espera que, até ao fim do presente quinquénio, uma boa parte da estrada seja reabilitada e transitável.

A directora nacional-adjunta do Serviço Nacional de Sangue diz que, nos últimos quatro anos, diminuiu o número de doações de líquido em parte, porque há pouca consciência da importância de doar sangue no país.

Esta quarta-feira, celebrou-se o Dia Mundial do Dador de Sangue, uma data criada com o objectivo de incentivar os dadores de sangue e consciencializar novos voluntários a doar o líquido vital.

Quando se doa sangue, geralmente se tem a noção de que se doa apenas um líquido que vai salvar a vida de uma pessoa. Mas, é mais do que isso. De acordo com os médicos, uma bolsa de sangue pode salvar até quatro vidas.

Uma bolsa de sangue passa por vários processos antes de ser doada a outras pessoas, com destaque para a separação de componentes que a compõem, que são em número de três, segundo o analista clínico do SENASA, Nhikson Chongo.

“O sangue tem parte líquida, que é o plasma, que pode corrigir situações de anemia e ainda o concentrado de glóbulos vermelhos e o consertado de plaquetas, que são usados em casos de ferimentos por estes facilitarem a cicatrização de feridas.”

Depois de separado nestes três elementos, o sangue é examinado para garantir que não seja motivo de contaminação de doenças como HIV, hepatites e outras.

Três vezes por semana, as bolsas de sangue saem do SENASA para os diversos hospitais da capital do país.

Entretanto, as unidades sanitárias têm-se ressentido da falta deste líquido vital. De acordo com a directora nacional-adjunta do Serviço Nacional de Sangue, Dina Ibraim, os últimos quatro anos não foram muitos bons, sobretudo devido à pandemia da COVID-19.

“Devido à COVID-19, tivemos um decréscimo, os últimos anos não foram fáceis, mas, felizmente, no ano passado, conseguimos aumentar o número das nossas doações comparativamente aos últimos quatro anos, conseguimos colher 138,971 unidades de sangue. E fazendo uma análise do que foi colhido agora no primeiro trimestre, foram 33 mil unidades, acreditamos que conseguimos superar o mesmo período do ano passado que foram 30 mil unidades de sangue”, disse.

52% do sangue é garantido por dadores frequentes e 48% por dadores voluntários.

“O que nós queríamos alcançar era ter, pelo menos, 3% da população a doar sangue voluntariamente como recomenda a OMS. Isso iria permitir que o sangue ficasse sempre à espera do doente e não contrário, que é o que tem acontecido”, esclareceu a mesma fonte.

E tal tem acontecido, no entender da fonte, em parte porque há fraca consciência das pessoas sobre a importância de doar sangue.

“Nós ainda não temos uma sociedade conscientizada sobre a necessidade e da real importância da doação de sangue, muito se fala, mas poucos ainda têm conhecimento do impacto que uma doação tem para quem vive e precisa de uma transfusão”, considerou.

Entre algumas pessoas que não doam sangue, a justificativa comum é a falta de interesse.

“Nunca doei sangue, talvez por falta de interesse e porque também nunca estive numa situação em que alguém próximo precisasse de sangue”, disse uma munícipe, tendo uma outra acrescentado: “Nunca estive interessada, nunca me preocupei”.

O Dia Mundial do Dador de Sangue é celebrado, este ano, sob o lema: “Doe sangue, doe plasma, compartilhe a vida, compartilhe com frequência”.

Arranca esta quinta-feira a oitava campanha de vacinação contra a poliomielite em todo o território nacional. Espera vacinar, durante quatro dias, cerca de 20 milhões de crianças dos 0 até 15 anos de idade. O Presidente da República lança apelo para que a sociedade se envolva no processo.

A partir do distrito de Marracuene, na Província de Maputo, o Chefe de Estado, Filipe Nyusi, disse que é preciso vacinar as crianças contra a poliomielite e, por isso, lançou o apelo para toda a sociedade estar envolvida no processo, com particular enfoque para os pais e encarregados de educação que não devem deixar tudo para a última hora.

“Para consolidar os ganhos obtidos, o país inicia esta quinta-feira, dia 15 de Junho, a oitava ronda de vacinação contra a poliomielite. Esta ronda terá uma duração de quatro dias e os que querem ficar até ao último dia é melhor se apressarem porque este hábito de deixar para mais tarde pode não ser fácil porque isto tem custos”, apelou Filipe Nyusi.

A vacinação vai ocorrer em todo o país e é gratuita; 27 mil equipas vão pôr em prática a vacinação. O Presidente da República quer maior debate sobre o tema, de modo a permitir maior alcance e melhor esclarecimento.

“Volto a pedir aos que conseguem ajudar a mobilizar a fazê-lo, porque isso protege o nosso filho, o nosso irmão, o nosso sobrinho. Portanto, apelamos aos pais e encarregados de educação para garantir que levem os seus filhos e educandos para a vacinação.”

A poliomielite é uma doença infecciosa sem cura que afeta sobretudo as crianças com menos de cinco anos de idade e que só pode ser prevenida com a vacina.

Oito mil pessoas passam a ter acesso à água potável, com inauguração, esta quarta-feira, pelo Presidente da República, do Sistema de Abastecimento de Água de Possulane em Marracuene, Província de Maputo.

O Presidente da República, Filipe Nyussi, chegou a Pussulane, no distrito de Marracuene, a meio da manhã desta quarta-feira, para inaugurar o novo sistema de abastecimento de água.  Nyusi foi recebido pelos populares e dirigentes locais para depois receber explicações do funcionamento do sistema de abastecimento de água e, de seguida, cortou a fita, fez uma breve visita ao empreendimento e, por fim, abriu a torneira como sinal de entrada em funcionamento do sistema.

Na ocasião, Nyusi desvalorizou as críticas quanto às inaugurações que tem feito aos sistemas de água. “Pelo que ouvimos, o sistema vai abastecer a mais de oito mil cidadãos imediatamente. Grande é o nosso orgulho, para alguns e um pequeno sistema que não merece a atenção do Chefe de Estado, mas esquecem-se de que são muitos os pequenos sistemas dispersos pelo país onde vivemos em pequenas comunidades, povoações, vilas e mais”, arrebatou Filipe Nyusi.

Neste momento, de acordo com o Presidente da República, há no país 20 milhões de pessoas com acesso à água potável e a meta, segundo o Chefe de Estado, é até 2030, em cumprimento aos objectivos de desenvolvimento sustentável, fazer chegar água a todos os moçambicanos.

“O acesso à água segura e canalizada está progressivamente a deixar de ser privilégio para apenas alguns moradores dos grandes centros urbanos. De 2015 até ao presente, a proporção de moçambicanos nas zonas rurais com acesso à água segura subiu de 38,9% para 56%. Comparando com o passado em 1975, o ano da nossa Independência Nacional, apenas 5% da nossa população tinha acesso à água potável.”

O sistema ora inaugurado vai abranger igualmente as famílias vítimas do deslizamento da lixeira de Hulene, reassentadas em Pussulane, e custou cerca de 22 milhões de Meticais disponibilizados pelo Governo e parceiros de cooperação.

David Young, em representação dos parceiros, disse que os governos da Irlanda do Norte, dos Estados Unidos da América e do Reino Unido trabalham em conjunto com o Governo moçambicano para trazer mais água e melhoria de saneamento do meio.

“Para o programa nacional de água e saneamento do meio rural, através deste programa, o Governo dos Estados Unidos da América, através da USAID, contribui com 20 milhões de dólares para melhorar o acesso à água potável e ao saneamento para mais de um milhão de pessoas em Moçambique”, disse David Young, em representação dos parceiros.

A população de Pussulane considera que, com a água, haverá melhoria na vida socioeconómica das comunidades.

Ernesto Chaúque pronunciou-se em representação da população daquela área residencial do interior do distrito de Marracuene: “o sistema de abastecimento de água aqui inaugurado honra-nos, pois terá impacto significativo nas nossas vidas, uma vez que reduziu as longas distâncias que eram percorridas para aceder ao precioso líquido”.

O sistema de abastecimento de água de Pussulane funciona com energia eléctrica da rede pública e também energia proveniente de painéis solares, o que permite que forneça água permanentemente.

Celebrou-se hoje o Dia Internacional de Conscientização sobre o Albinismo. Na Cidade de Maputo, os albinos queixam-se de estigma, discriminação e pedem mais inclusão da classe e protecção dos seus direitos.

Nasceram com ausência total ou parcial da melanina. A pele, os cabelos, os olhos, os cílios e os pelos de outras partes mais claras são características de pessoas que nasceram com problemas de ausência total ou parcial da melanina, os albinos, que, pela sua condição, devem redobrar os cuidados com a pela e com a alimentação.

“Devemos estar sempre de óculos de sol, ao nos fazermos à rua, ou chapéu como forma de nos protegermos. Devemos também usar, sempre que possível, roupas compridas para proteger a pele”, explicou Odárcio Mbulo.

Ademais, as pessoas albinas, desde cedo, tiveram que aprender a lidar com o preconceito, segundo contou Belinda Mbembele.

“Na minha sala, quando frequentava o ensino primário, não tinha amigos, eu sentava sempre isolada num canto da sala. A minha professora não corrigia o meu caderno e algumas encarregadas de educação, quando me vissem, elas cuspiam nas suas barrigas. Diante disso, eu sempre me questionava: ‘será que eu não sou pessoa?’”, contou Mbembele.

Para Anastácia Azarias, o albinismo foi sinónimo de rejeição em sua vida, até de seus próprios familiares, pois “a minha mãe não me amamentou e eu tive que ir viver com a minha avó”.

Da sua infância, os albinos não carregam boas lembranças, senão apelidos recebidos por falta de pigmentação.

“Éramos tidos como a maldição na família, diziam que nós que não morremos, apenas desaparecemos, logo após surgiram os raptos e nós éramos tidos como bolada”, contou Odárcio Mbule.

O medo sempre foi característico na vida de mais de 30 mil albinos no país, devido aos sequestros, perseguições e extracção de órgãos humanos.

O Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos está a par destas preocupações.

“A discriminação é uma das formas de violação de direitos humanos, os raptos e a extracção de órgãos humanos também nos preocupam e a nossa luta é conseguir estancar o nível crescente de crimes contra as pessoas albinas”, disse Ângelo Paunde, director Nacional dos Direitos Humanos.

Até 2021, tinham sido instaurados 55 processos-crime, num total de 58 casos de desaparecimento de pessoas albinas em circunstâncias até agora desconhecidas.

Com vista a reflectir sobre a situação das pessoas com albinismo no país, o Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos reuniu-se, ontem, com a sociedade civil e parceiros.

A cada 13 de Junho, celebra-se o Dia Internacional de Conscientização sobre o Albinismo e, este ano, assinala-se sob o lema “Inclusão é Força”.

 

MÚSICO E ACTIVISTA SOCIAL ALY FAQUE FALA DO DRAMA QUE PASSOU NA FAMÍLIA

A rejeição e perseguição de pessoas portadoras de albinismo é uma prática antiga, associada a preconceitos e mitos bastante enraizados nas comunidades. No Dia Internacional de Conscientização sobre o Albinismo, o músico e activista social Aly Faque falou do drama que passou na família e que fez questão de registar em músicas bastante conhecidas. “Kinachukuro fala da rejeição do meu pai e de eu ter sido abandonado ainda bebé. Agradeço a Deus por me ter amparado e devolvido aos braços da minha mãe”, afirmou o músico.

No entanto, o pai que o abandonou teve, depois de abandonar Aly Faque, duas filhas gémeas albinas. No entanto, por ter sido abandonado pelo pai, até então, o artista nunca teve a oportunidade de conhecer as suas duas irmãs.

De viva voz, a Associação Amor à Vida, na cidade de Nampula, aproveitou para agradecer aos que se identificam com a causa dos albinos. “As pessoas que sofrem de albinismo têm dificuldades de vista. Os óculos que eu uso são a demonstração do apoio presente de um parceiro”, afirmou Benardina António, da Associação Amor à Vida.

O dermatologista Rafael Perez lembra os cuidados que os portadores de albinismo devem ter no seu dia-a-dia. “A única coisa de que o portador de albinismo preciso é um constante protector solar, e utilizando sempre mangas cumpridas das roupas. Fora isso, os portadores de albinismo são pessoas que podem ter uma vida normal e qualquer trabalho sem dificuldade”, lembrou Rafael Perez Hidalgo, dermatologista,

Sociedade civil e utentes consideram altos os valores cobrados previamente à prestação de cuidados de saúde. As chamadas taxas moderadoras, aplicadas nos hospitais públicos, podem variar de cinco a dois mil Meticais.

Uma gestante que se dirija à sala de parto do Hospital Central de Maputo (HCM), após ser transferida de uma outra unidade sanitária, não paga absolutamente nada. Mas quem vai directamente àquela unidade sanitária paga um valor fixado em 1000 Meticais, a chamada taxa moderadora.

Falando à nossa equipa de reportagem, Valódia Maculuve disse que a taxa cobrada no HCM é elevada e sugeria que fosse reduzida para 500 ou até 200 Meticais.

Um casal que acaba de ter seu o primeiro filho explicou que pagou mil Meticais para ter acesso aos cuidados de saúde, uma vez que não foi transferido de uma outra unidade sanitária.

“A minha mulher veio directo para aqui e, para sermos atendidos, pagamos mil Meticais, foi o que nos foi dito. Não tivemos outra escolha senão pagar.”

Na condição de anonimato, uma gestante explicou as razões que a levaram a ir directamente ao Hospital Central de Maputo.

“Eu tive uma experiência na minha gestação passada, por conta de tensão alta. A medição não foi feita como devia, e acabei por ter um parto prematuro. Dei à luz um bebé pequeno, que veio a falecer. Por isso, desta vez, acabei por vir ao Hospital Central de Maputo. Disseram-me que cobram um valor que não sei qual é.”

O Observatório Cidadão para Saúde fez este estudo em 2022,  envolvendo 400 unidades sanitárias nas províncias de Maputo, Gaza, Zambézia, Nampula e Sofala e constatou que as taxas moderadoras são uma barreira no acesso aos serviços de saúde.

“O estudo mostra que as taxas são uma barreira ao acesso. Então, o que estamos a demonstrar com o estudo é que as taxas devem ser eliminadas e há outras formas de financiar o sistema de saúde. Entendemos que as taxas são um fardo para as famílias moçambicanas”, disse Jorge Matine do Observatório Cidadão para Saúde.

No caso do  Hospital Central de Maputo, a taxa moderadora é aplicada para descongestionar o hospital e oferecer melhor atendimento.

“De alguma forma é, sim, interpretado como barreira, mas, porque o fluxo não está a ser como deveria, o sistema de referência e contra-referência não está a fluir como deveria. Se todos tivessem acesso aos serviços fora do HCM, isto é, aos centros de saúde, provavelmente não teríamos tanta demanda no Hospital Central de Maputo, e isto acabaria por ajudar na melhoria da qualidade do atendimento.”

As taxas moderadoras podem variar  de cinco  a 2000 Meticais e são aplicáveis a hospitais gerais, centrais e provinciais, havendo, segundo o estudo acima referido, centros de saúde que cobram material necessário para assistência.

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