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O País – A verdade como notícia

Os profissionais de saúde paralisaram, hoje, todas as actividades nas unidades sanitárias do país. Dizem que não vão mais prestar serviços mínimos até ver resolvidas todas as suas preocupações e que estes serão prestados pelos médicos.

Se por um lado os médicos retomaram, esta quinta-feira, as actividades, os outros profissionais de saúde em greve, entre técnicos, enfermeiros, anestesistas, serventes e motoristas, decidiram paralisar, no mesmo dia, tudo, até os serviços mínimos.

“Os profissionais de saúde irão, a partir deste momento, ficar em casa, excluindo os médicos. A classe médica vai prestar os serviços dos motoristas, dos maqueiros, dos agentes de serviço e dos trabalhadores das morgues. Os serviços mínimos e os demais serão prestados na totalidade pelos médicos”, disse Anselmo Muchave, presidente da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM).

A agremiação explicou ainda que a troca da equipa de negociação não é fundamento suficiente para suspender a greve, e o que quer mesmo é ver todas as suas preocupações resolvidas, alegando que “acordos são acordos e estes devem ser cumpridos”.

Sem avançar quais, o presidente da Associação dos Profissionais de Saúde disse haver avanços nas negociações, entretanto “só voltamos quando tudo estiver conforme o acordado. Não queremos correr o risco de pedir mais um período, por isso achamos melhor aguardar a resposta em casa”.

Entre as queixas dos profissionais de saúde estão os problemas de enquadramento na Tabela Salarial Única, a falta de medicamentos e as condições precárias nas unidades sanitárias.

Com a suspensão da prestação de todos os serviços pelos profissionais de saúde, os hospitais prevêem que haja sobrecarga.

“Haverá sobrecarga de serviços para os médicos e isso vai prejudicar a qualidade assistencial, por isso apelamos aos profissionais de saúde para que voltem ao trabalho e continuem as negociações estando nos seus postos”, explicou Vanda Zitha, médico-chefe da Cidade de Maputo.

A greve dos profissionais de saúde que envolve mais de 60 mil profissionais de todo o país arrancou no último domingo, com previsão de 21 dias prorrogáveis.

Há dois dias que circula uma informação segundo a qual o edil de Nampula, Paulo Vahanle, estava na iminência de sofrer um atentado, no dia 22 de Agosto, durante as festividades do dia daquela cidade. A informação dava conta de ter sido neutralizado um indivíduo que estava armado, no local das celebrações, em frente ao edifício da edilidade. Todavia, nem a Renamo, nem o próprio edil se pronunciaram sobre isso.

Esta quinta-feira. O porta-voz do Comando da PRM em Nampula, Zacarias Nacute, falou do caso em conferência de imprensa, onde esclareceu que se tratou de um membro da corporação que estava escalado para trabalhar na garantia da segurança no local do evento, à paisana, e estava devidamente identificado.

“Lamentamos a atitude de certos membros da Renamo. Não sabemos se são generais ou não que pegaram nesse agente e o colocaram nas suas instalações”, disse Nacute, confirmando a informação que circulava dando conta de que esse agente teria sido “neutralizado” por elementos da Renamo.

“Temos várias formas de trabalho, e uma delas é à paisana, e estávamos a garantir a segurança de altas individualidades que estavam presentes naquelas festividades”, acrescentou a fonte policial.

PAULO VAHANLE PODERÁ FALAR HOJE

Ainda não está confirmado se será mesmo o edil de Nampula a falar. O certo é que o Departamento de Comunicação no Município de Nampula marcou uma conferência de imprensa para antes do meio-dia para se pronunciar sobre o mesmo caso.

Os médicos voltaram hoje a trabalhar, depois de anunciarem, ontem, uma trégua até Outubro, para o prosseguimento das negociações com o Governo.

O Hospital Geral José Macamo informou, esta manhã, através da Direcção Geral que todos os 54 médicos afectos a esta unidade sanitária já retomaram as actividades, havendo um e outro que não está presente em razão da escala de trabalho.

Arnaldo Simão, um paciente que foi em busca de atendimento médico, confirmou a presença de médicos nas triagens, mas lamentou a ausência de técnicos de saúde, pois tinha de fazer uma cirurgia, mas tal não aconteceu. “Os técnicos que deviam fazer a cirurgia não vieram e continuam em greve. Isto é lamentável. É a vida humana que está em causa”, disse.

As ambulâncias na unidade sanitária acima referida manobravam e preparavam-se para transferir doentes. Era notável a ausência dos técnicos, havendo somente a presença de, no máximo, dois em cada sector, para garantir os serviços mínimos.

São estudantes moçambicanos, em número de 25, que se vão beneficiar de bolsas de estudo para frequentar o ensino superior no país. A informação foi avançada, esta quarta-feira, durante a assinatura de um memorando entre a UEM e a agência de viagens COTUR.

Trata-se de um programa de financiamento à formação de estudantes nacionais. De acordo com a agência de viagens COTUR, o apoio poderá incluir propinas universitárias, subsídios de alojamento e material didáctico.

As bolsas de estudos a serem atribuídas pela COTUR têm a duração máxima do tempo de estudos, sendo renovada anualmente mediante a apresentação de um bom aproveitamento pedagógico, em conformidade com o Regulamento de Bolsas de Estudo.

Na ocasião, o Presidente do Conselho de Administração da agência de viagem, Noor Momade, falou do impacto social que o programa poderá trazer.

“Estas bolsas de estudo terão um papel crucial na abolição das barreiras financeiras no acesso ao ensino superior, dando oportunidades iguais de desenvolvimento académico e profissional a todos os jovens. Com isto, não abrimos caminhos, apenas, da capacitação de indivíduos e a sua aquisição de conhecimento e formações especializadas, mas também a criação de uma trajectória ascendente para as suas famílias e comunidades”, referiu Noor Momade.

Para o Reitor da Universidade Eduardo Mondlane, Manuel Guilherme, o apoio poderá servir de estímulo aos estudantes, que, mesmo sem condições, sonham em continuar com os seus estudos.

As bolsas serão renovadas anualmente mediante a apresentação de bom aproveitamento pedagógico dos estudantes.

Desde que foi lançada a primeira pedra para dar lugar ao processo de reconstrução das bancas no Mercado Central de Quelimane, as obras propriamente ditas ainda não arrancaram. Nesta primeira fase do processo, os custos estão por conta dos comerciantes com capacidade para efeito. Neste momento, no terreno,  decorre processo de delimitação dos espaços, com todo o material, desde madeira, cordas, entre outros. Contudo, os comerciantes entendem haver morosidade no arranque da construção propriamente dita.

Passam mais de 23 dias que mais de 500 barracas pegaram fogo de grandes proporções no Mercado Central de Quelimane, prejudicando mais de cinco mil pessoas que dependiam exclusivamente da renda do mercado. No dia 16 do corrente mês, Manuel de Araújo fez o lançamento da primeira pedra para dar lugar ao processo de reconstrução, com especificações que visam travar situações do género em caso de ocorrência de um incêndio no futuro. Na ocasião, o edil deixou claro que as obras devem ser exclusivamente de blocos e cimento, sendo materiais precários como estacas e chapas não.

Desde que ocorreu o incêndio, no terreno, decorre, por conta dos próprios comerciantes, o processo de medição das parcelas, para posteriormente dar lugar à reconstrução.

Manuel Hassane, comerciante que viu a sua barraca ser consumida pelo fogo, fez saber que o processo está a demorar. “Sucede que, quando o edil lançou a primeira pedra, a visão era avançar imediatamente com o processo, mas o que se nota é que os técnicos aparecem com outras abordagens. Dizem que temos de remover os cacos resultantes do incêndio até encontrar os solos, e só daí dar-se-á o seguimento do processo de construção”, disse Manuel Hassane, comerciante, tendo acrescentado que “até agora, não temos autorização na totalidade. Desde ontem, vieram aqui, disseram que devíamos procurar pessoas para cavar de uma ponta a outra, mas hoje veio outra versão, de que não devemos cavar, sendo que devemos retirar os cacos que estão na ponta do muro. Depois disseram que o município virá para autorização da escavação das bancas”.

Abrão Móbrica presidente dos Comerciantes Informais em Quelimane, entende que o lançamento da primeira pedra pelo respectivo edil devia acontecer depois de observados todos os cenários que os técnicos aparecem a dizer, retardando o arranque das obras.

“Como é que se fala de primeira pedra sem ser feita a delimitação necessária para dar lugar às obras. Como é que se fala do lançamento da primeira pedra sem a devida colocação das respectivas estacas e cordas. Entendemos que tudo visava mostrar às pessoas que o Município estava preocupado com os comerciantes. Nós queríamos passar a festa da cidade com as nossas bancas já fixadas, a vendermos, mas estamos aqui a passar mal”, disse Abrão Móbrica, visivelmente triste com o decurso alegadamente lento dos trabalhos.

Francisco Bulaunde, vereador de Infra-estruturas no Conselho Municipal de Quelimane, diz que a edilidade está a trabalhar com diversas entidades interessadas no processo de reconstrução. Para já, indica que o Município contratou um empreiteiro que vai trabalhar no processo de reconstrução, sobretudo nas infra-estruturas de base.

“Tivemos de convidar algumas entidades como os bombeiros, para que juntos pudéssemos estudar o projecto feito. Era para contar também com a visão dos outros no projecto. Já solicitámos, igualmente, o parecer da Direcção Provincial das Obras Públicas e Habitação, para termos o parecer na execução das obras”, avançou o vereador.

Para já, no terreno, os comerciantes e técnicos do Conselho Municipal empenham-se no processo de delimitação dos compartimentos do mercado.

Os médicos anunciaram, hoje, a suspensão da greve a partir de amanhã até ao dia 02 de Outubro. Tal decisão é um voto de confiança à nova comissão de negociação criada pelo Governo, liderada pelo Primeiro-ministro, Adriano Maleiane.

Depois de cerca de 40 dias de greve, os médicos chamaram a imprensa para anunciar uma nova decisão sobre o rumo da greve: “Decidimos dar um voto de confiança a esta equipa recentemente criada, por isso iremos interromper a greve, a partir desta sexta-feira. Amanhã (esta sexta-feira), estaremos a trabalhar e vamos aguardar até 02 de Outubro para ver se determinadas condições cruciais terão sido cumpridas até à data”, explicou Milton Tatia, presidente da Associação Médica de Moçambique.

A ideia, segundo avançou Tatia, é dar tempo e espaço para a nova equipa negocial, anunciada esta terça-feira pelo Governo, encontrar soluções para as suas reivindicações.

“O que determinou a interrupção foi o facto de visualizarmos uma luz verde no fundo do túnel, para que, em conjunto, todas as associações e organizações profissionais possam a trabalhar com o Governo, não necessariamente o Ministério da Saúde, em prol da melhoria do sistema nacional de saúde.”

Dentre as preocupações urgentes dos médicos, constam a melhoria das condições de alimentação dos pacientes e das condições precárias de algumas unidades sanitárias.

“A nossa voz chegou aonde devia ter chegado, as condições de trabalho que reportávamos também chegaram a quem devia, por isso foi decidida a criação de uma equipa conjunta de trabalho que vai incluir o Governo, a AMM, a Ordem dos Médicos e outras associações e ordem socioprofissionais do Ministério da Saúde para tentarem ressuscitar o serviço de saúde.”

A greve nacional dos médicos envolveu mais de dois mil profissionais de todo o país e a suspensão ocorre depois de duas prorrogações.

Foi morto o vice-comandante das operações terroristas em Cabo Delgado pela força conjunta que combate os ataques naquela província. A informação é avançada pelo Ministério da Defesa Nacional, que diz também que uma unidade das FADM sofreu uma emboscada, mas todos os elementos saíram ilesos.

O Ministério da Defesa Nacional anunciou, esta quarta-feira, em comunicado, mais uma baixa por parte dos terroristas.

O vice-comandante da equipa que tem estado a desestabilizar Cabo Delgado foi morto pela força conjunta, composta pelas Forças de Defesa e Segurança, forças da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) e as ruandesas.

“Na sequência das operações em curso de combate às acções terroristas que as FADM e as forças amigas estão a levar a cabo na província de Cabo Delgado, foi abatido o terrorista Abu Kital, que ocupava a posição de vice-comandante das operações dos terroristas do grupo Al Sunna wall Jammat (ASWJ) e adjunto de Ibin Omar, também conhecido por Abu Suraka. Na mesma operação, foi posto fora de combate o terrorista Ali Mahando que, à semelhança do Abu Kital, ocupava importantes funções no seio do grupo terrorista”, diz o comunicado do Ministério da Defesa.

Mas, nem tudo corre sem sobressaltos no trabalho da força conjunta que está a lutar contra o terrorismo. Uma equipa das Forças Armadas sofreu, terça-feira, uma emboscada dos terroristas, embora sem vítimas.

“Nesse exercício contínuo de combate aos terroristas, uma Unidade Motorizada das FADM, que se encontrava integrada numa coluna militar com destino a Quiterajo, por volta das 8h e 30 min da última terça-feira, entrou numa emboscada inimiga e capotou numa ‘ponteca’, tendo, de seguida, se incendiado, porém, os seus ocupantes saíram ilesos.”

Os novos avanços no combate ao terrorismo surgem depois de o Presidente da República ter dito, a 10 de Agosto corrente, que todos os terroristas foram desalojados de Cabo Delgado.

O Ministério da Defesa promete disponibilizar mais informações de movimentações de outros integrantes dos terroristas assim que as tiver.

A greve do pessoal de saúde continua, mas na cidade de Nampula, todos os profissionais do Centro de Tratamento de Cólera estão a trabalhar.

A garantia foi dada pelo enfermeiro responsável por aquele centro, em entrevista à nossa equipa de reportagem, tendo dito que, pela profissão e pela sensibilidade dos casos que cuidam naquele local, “ninguém aderiu à greve”.

Isto numa altura em que a cidade de Nampula continua a reportar casos de diarreia e cólera, que eclodiu há três semanas e já matou três pessoas.

Neste momento há 22 pessoas internadas, entre adultos e crianças. Dados partilhados pelo chefe do Departamento de Saúde Pública no Serviço Provincial de Saúde em Nampula, Avalinho Geraldino, mostram uma distribuição dos casos, nas últimas 24 horas, em oito bairros a saber: Carrupeia (2), Muatala (4), Mutauanha (5), Murrapaniua (4), Muahivire (2), Napipine (1), Lourenço (1) e Namutequeliua (2).

 

HCN: HÁ SERVIÇOS MÍNIMOS, MAS COM MUITA PRESSÃO

Enquanto isso, a nossa equipa de reportagem ouviu pacientes no Hospital Central de Nampula (HCN) que reclamam da morosidade no atendimento, seja no banco de socorros, assim como nos serviços de consultas externas.

Em entrevista, a porta-voz do banco de socorros, Dalva Khossa, reconheceu que há prestação de serviços mínimos, mas “os poucos profissionais estão muito pressionados”.

 

Borges Nhamirre diz que é arriscado que a greve na saúde se prolongue porque há pacientes que dependem da assistência médica para sobreviverem e a situação pode resvalar-se para violação dos direitos humanos. Já Custódio Duma entende que o Governo deve apresentar de forma clara, os acordos já alcançados para a retomada de actividades.

O Primeiro-ministro, Adriano Maleiane, é quem vai liderar a equipa criada pelo Governo para dialogar com os médicos e outros profissionais de saúde, que paralisaram as suas actividades.

Custódio Duma entende que já era sem tempo que se criasse uma nova comissão negocial, de modo a refrescar as ideias. Já o comentador Borges Nhamirre defende que se deve fazer mais, para que haja soluções urgentes.

Entretanto, Custódio Duma alerta que o ideal seria que a equipa de negociação fosse independente.

Os comentadores entendem que a paralisação de actividades no sector da saúde por muito tempo pode resultar em violação dos direitos humanos.

Os comentadores falavam no programa Noite Informativa desta terça-feira.

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