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O País – A verdade como notícia

Mais de 2000 expositores nacionais e internacionais participam, a partir de 28 de Agosto, da 58a edição da FACIM. O ministro da Indústria e Comércio, Silvino Moreno, quer que haja maior intercâmbio comercial para o crescimento económico do país.

A 58a edição da Feira Agropecuária, Comercial e Industrial de Moçambique decorre de 28 de Agosto a 03 de Setembro, em Marracuene, na Província de Maputo.

O Ministro da Indústria e Comércio foi quem dirigiu o lançamento da FACIM, esta segunda-feira, e disse esperar que haja maior intercâmbio entre os expositores.

“A FACIM visa a exposição de bens e serviços, capacidade produtiva dos agentes económicos, promoção do potencial económico e oportunidade de investimentos e negócios”, disse Silvino Moreno, ministro da Indústria e Comércio.

Para o sector privado, a FACIM é mais uma oportunidade para recuperar a economia e firmar parcerias.

“A FACIM irá incidir nas acções necessárias para a modernização dos processos de negócios e na concepção de alternativas viáveis para criar robustez no sector empresarial e garantir uma contínua recuperação económica sustentável”, disse Agostinho Vuma, presidente da Confederação das Associações Económicas.

A 58a edição da FACIM decorre sob o lema “Industrialização, Inovação e Diversificação da Economia Nacional” e poderá contar com mais de 2000 expositores de 25 países.

O Governo vai nomear uma nova comissão para dialogar com os médicos. O grupo vai ser chefiado pelo Primeiro-ministro, Adriano Maleiane. Com esta acção, o plano é melhorar o diálogo. Ainda assim, o Executivo diz que não tem estado a notar grandes problemas nas sessões com os médicos.

Primeiro, é importante que se diga: o Governo não acredita que as negociações com os médicos não estejam a ter avanços, mas “havendo um aparente bloqueio no diálogo, o que se vai fazer agora é evoluir para um novo estágio, em que se deverá clarificar o que não está a correr bem e, daí, definir-se-ão os passos seguintes”.

É neste contexto que o Governo decidiu apostar em Adriano Maleiane, Primeiro-ministro da República de Moçambique. “Não obstante os encontros realizados na última semana, incluindo no final dela, o Governo destacou um grupo de trabalho, chefiado por Sua Excelência o Primeiro-ministro para continuar a aprofundar as questões ainda pendentes neste processo”, disse Inocêncio Impissa.

Segundo, sobre as ameaças que os membros da direcção da Associação Médica de Moçambique dizem estar a sofrer, o Governo entende que tudo deve ser feito segundo os caminhos que, normalmente, um crime segue, até porque é disso que se trata: um crime.

Num primeiro momento, sobre este assunto, “Inocêncio Impissa defende que “antes de ir à imprensa, este assunto devia ter ido à Procuradoria-geral da República”, para que se pudesse fazer a abertura de um processo-crime, tal como acontece habitualmente.

Logo a seguir, foi-lhe colocada a pergunta sobre a razoabilidade de pessoas sob ameaça darem as caras na Procuradora, que é do Estado, para denunciar pessoas sem rosto que estão a mandar estas ameaças.

Foi, então, que, ao longo da sua explicação, depois, mandatou as unidades de investigação para apurarem e aprofundarem os detalhes desta denúncia que chamou de “denúncia pública”, feita pelos médicos no último domingo, dia em que anunciaram a prorrogação da greve da classe.

Há algumas sessões, o Governo, curiosamente, representado por Inocêncio Impissa, disse que os médicos sem nomeação definitiva poderão ser dispensados à luz do Estatuto Geral dos Funcionários e Agentes do Estado, que admite que os contratos podem cessar unilateralmente caso uma das partes decida denunciá-lo.

 

63% DOS SALÁRIOS DE AGOSTO JÁ FORAM PAGOS

O Governo diz que 63% dos funcionários públicos já receberam salários relativos ao mês de Agosto corrente, mesmo ainda havendo alguns pendentes do mês de Julho.

Segundo o Governo, espera-se que estas questões, de Julho, sejam resolvidas até ao final do dia de amanhã , quarta-feira.

Para os salários de Agosto, o pagamento está a ser feito de forma híbrida, sendo uma parte com o sistema único (e-folha) e outra, numa folha paralela, o que implica recurso aos mecanismos anteriores. A ideia é garantir que, segundo Impissa, até ao dia 30, todos os funcionários do Estado tenham os seus salários nas contas.

O Centro de Saúde 1 de Junho, no bairro Ferroviário, na Cidade de Maputo, não está a funcionar, e os médicos e enfermeiros fecharam-se nos gabinetes. Os pacientes estão entregues à sua própria sorte.

Hermelinda Cossa teve de levar a sua mãe de volta para casa, depois de ter madrugado para o Centro de Saúde 1 de Junho, onde esperava que a sua mãe fosse atendida e recebesse medicamentos. A anciã está gravemente doente e já perdeu forças, tanto que não consegue locomover-se.

“Estamos a voltar para casa. Minha mãe esteve no HCM, não melhorou. Viemos aqui e não tivemos atendimento.”

Vários funcionários do Centro de Saúde 1 de Junho tiraram as batas brancas, fecharam as portas dos gabinetes e foram-se embora.

O Centro de Saúde Primeiro de Maio, no bairro Polana Caniço, estava cheio esta manhã, e os médicos e enfermeiros não estavam lá para atender.

Moradores do bairro Picoco, no distrito de Boane, dizem ter visto elefantes a circularem no bairro. A edilidade diz que é recorrente ter este tipo de cenários perigoso naquela zona.

Uma imagem mostra o momento em que os elefantes circulavam numa zona residencial, no último domingo, no bairro Picoco, distrito de Boane.

Os moradores confirmam e falam de momentos de agitação.

Uma das testemunhas disse que os elefantes apareceram nas primeiras horas do sábado. “Quando os animais apareceram, havia muita gente aqui, neste local, e os animais começaram a derrubar plantas e uma pequena residência”, contou.

Neste momento, é desconhecido o paradeiro dos elefantes.

De acordo com o presidente do Município de Boane, os casos são recorrentes naquele bairro.

Suspeita-se que os elefantes sejam provenientes da África do Sul ou do Parque Nacional de Maputo, no distrito de Matutuine.

Os motivos que levaram à greve que agora foi prorrogada, afinal, vêm de há mais de 10 anos. Embora a implementação da Tabela Salarial tenha piorado tudo, os médicos já estavam chateados com o Governo por conta da materialização do Estatuto dos Médicos na Administração Pública, aprovado em 2013, na sequência das primeiras duas greves nacionais.

O sector da saúde anda mal e todos sabemos. Mas, qual é a razão de fundo? O que tanto enfurece os médicos? Qual é a relação entre as três greves de médicos em Moçambique? Para responder a estas perguntas, temos de ir até onde o percurso do diálogo entre o Governo e os médicos começou.

Estamos no ano de 2012. É aqui onde começa a marcha dos médicos; marcha que foi feita através de diálogo. Foi neste ano em que os profissionais começaram a mandar cartas ao Executivo a dizer que queriam essencialmente uma coisa: melhores salários. Só que, sem resposta que fosse plausível.

Em 2013, sem resposta plausível, os médicos decidiram fazer o que antes nunca tinha sido feito em Moçambique: duas greves nacionais. Isso chocou a todos e conseguiu chamar a atenção do Governo.

Por terem feito o que ninguém nunca antes tinha feito em Moçambique, os médicos alcançaram o que nunca tinha sido alcançado para a classe: o Estatuto dos Médicos na Administração Pública. O instrumento foi aprovado pela Assembleia da República. Isso em 2013.

Não era o fim do percurso, muito pelo contrário; tinha de começar uma nova, rumo à implementação completa. O primeiro passo foi a criação do Regulamento do Estatuto. Uma forma de se dar directrizes ao Executivo para implementar o instrumento. A aprovação foi feita pelo Governo em 2014. Passou-se ao passo seguinte, a implementação como tal.

Essencialmente, o Estatuto vinha regular, entre outras questões, os direitos, deveres e regalias dos médicos na Administração Pública. Por exemplo, além de todos os direitos de que gozam todos os funcionários e agentes do Estado, têm direito ao) seguro por riscos profissionais; ii) subsídio de risco; iii) subsídio de exclusividade; iv) casa de habitação (para quem trabalhe fora de zona habitual de residência); v) diuturnidade especial e; vi) bónus de rendibilidade e bónus especial.

A caminhada tinha chegado a um novo estágio. Os médicos tinham todos esses direitos bem escritos e explícitos. Mas há sempre, e neste caso, houve também, uma distância entre o que está escrito e a sua materialização. De acordo com os próprios médicos, implementou-se tudo menos o subsídio de diuturnidade especial, seguro contra riscos profissionais e o pagamento das horas extraordinárias. Isto até 2020, ano em que, alegadamente esgotadas todas as tentativas de resolução com o Governo, o tom dos médicos tomou outras proporções.

Por outras proporções, entenda-se outras instâncias. Em Outubro de 2020, os médicos submeteram ao Tribunal Administrativo um processo a solicitar que este órgão de justiça obrigasse o Ministério da Saúde e o da Economia e Finanças, na altura titulado por Adriano Maleiane, a cumprirem a lei, com particular enfoque para os subsídios de diuturnidade e a fórmula de cálculo das horas extraordinárias. O Tribunal ainda não emitiu nenhum acórdão sobre isto.

Em Novembro, ainda em 2020, uma vitória é alcançada pelos médicos, que passam a receber o subsídio de diuturnidade especial, mas já com uma fórmula de que eles discordam até hoje.

A doença de que enfermava a relação entre médicos e o Governo não estava curada, mas dava para coxear com o que se tinha conseguido. Sucedeu que, em Fevereiro de 2022, é aprovada a lei da Tabela Salarial Única (TSU), cujos enquadramentos azedaram ainda mais o que já estava amargo.

Ou seja, já se tinham criados novos motivos para que os médicos se sentissem deixados para trás, isso nos enquadramentos. É que, inicialmente, o que os médicos sabiam era que o nível mínimo dos médicos de clínica geral ou dentista seria o 16C e 19C para os especialistas. Quando saíram os enquadramentos finais, isso já em Outubro de 2022, o médico de clínica geral podia estar, no mínimo, no nível 12C e os especialistas, 16C. Isto significava que os médicos foram dados salários abaixo do que tinha sido acordado.

Aqui, as águas ficaram mais agitadas. É que, em princípio, a Tabela Salarial Única tinha, por filosofia, de reduzir o número de subsídios. No caso dos médicos, não se lhes retirariam os subsídios, mas seriam reduzidos em termos percentuais. Estamos a falar daqueles que já existiam. Os médicos não gostaram e a palavra greve voltou a soar. A data marcada era 07 de Novembro.

No dia 28 de Outubro do ano passado, o Presidente da Associação Médica de Moçambique, Milton Tatia, disse que viam os seus salários cortados e sem os subsídios outrora prometidos, por isso tinham “chegado a esta fase, sem retorno, infelizmente”.

Por acaso houve retorno. Isto porque, no conjunto de 14 pontos que as partes acordaram debater, 11 tiveram acordo e já havia condições para adiar a greve. Os princípios que não tiveram acordos são os seguintes: i) manutenção do subsídio de exclusividade em 40%, ii) valoração da remuneração por hora extraordinária de acordo com a fórmula constante no Regulamento do Estatuto do Médico na Administração Pública e não 5%; iii) pagamento de diuturnidade de acordo com o vencimento líquido e reajuste de subsídio de localização em 25% para médicos especialistas colocados fora da área do Grande Maputo e para os médicos de clínica geral colocados fora das capitais provinciais.

Se esses acordos trouxeram luz aos utentes do Sistema Nacional de Saúde, então foi sol de pouca dura. É que, supostamente, o Governo não teria cumprido os 10 pontos acordados, por isso os médicos tiveram de avançar para greve, desta vez, marcando-a para 05 de Dezembro. E na véspera, o Governo decidiu fazer algumas mexidas na forma de atribuição dos subsídios.

Na mexida, os médicos e outras classes que estavam a reivindicar tiveram a informação de que, em termos nominais, os seus subsídios não seriam mexidos. Ou seja, se o subsídio de risco de um médico era de 30 mil Meticais, então assim seria mantido, a fórmula não passaria pela percentagem.

Mas isso respondia às preocupações dos médicos? Os médicos disseram que era uma resposta “parcial”.

Isto significou que a greve iria mesmo acontecer e assim foi. Enquanto isso, o Ministro da Saúde disse que aos grevistas seriam marcadas faltas. “Nós vamos aplicar a lei e ela diz que quem não vem trabalhar se lhe deve marcar falta e essa tem efeitos no salário”, disse Armindo Tiago, no dia 08 de Dezembro de 2022.

O tom não mudou muito quando foi a vez do Presidente da República, a diferença é que Filipe Nyusi fez um pedido aos médicos. “Temos de falar, mas não deixem o povo morrer”.

Ouvindo o apelo do Presidente ou não, o facto é que os médicos suspenderam a greve na véspera das festividades de natal e do fim de ano. A suspensão devia ser de um mês.

Como se viu, a ideia era que se fizesse uma suspensão de um mês. Mas foi mais, aliás, em Fevereiro deste ano, os médicos e o Governo encontraram novos acordos. Os médicos cederam uma parte das suas reivindicações, sobretudo em relação aos subsídios. Que deviam ser reduzidos para 5%, dispensaram também o subsídio de investigação e o de disponibilidade. Assumiram que a melhoria das condições de trabalho seria feita paulatinamente. Isso aceitaram. Em contrapartida, o Governo tinha-se comprometido a fazer o i) enquadramento condigno da classe médica na TSU: a. nível 16 a 18 para os médicos de clínica geral; b. nível 19 a 21 para os médicos especialistas; ii) manutenção do subsídio de habitação ou renda de casa em 30% do salário, de acordo com o artigo 02 do decreto 75/2017.

Foram estes acordos que adormeceram a ideia de greve dos médicos durante quase todo o primeiro semestre deste ano. Porém, na primeira semana de Junho, os médicos vieram a público com a informação de que voltariam à greve.

Era o início de uma nova fase, a fase em que o Governo e os médicos tentaram usar, cada um, as suas forças para que a sua posição vingasse. O diálogo entre eles não fluiu e os problemas passaram a ser expostos através da imprensa.

Primeiro, a Associação decidiu que faria uma greve de 21 dias, começando no dia 10 de Julho. Findo o prazo, houve uma prorrogação. E sempre que possível, os médicos procuravam explicar-se nos programas de debate na STV.

Em resposta, o Governo tem estado a dar a conhecer as suas medidas, sobretudo às terças-feiras, depois das sessões do Conselho de Ministros. Por exemplo, na 27ª sessão, surgiu a informação de que 60 médicos seriam provisoriamente contratados para garantir que, mesmo sem os médicos grevistas, o sistema de saúde continuasse a funcionar. E mais…

Enquanto isso, os médicos, vendo-se ameaçados, decidiram submeter uma providência cautelar ao Tribunal Administrativo. O objecto eram as faltas que o Governo dizia estar ainda a marcar.

Outra coisa feita pelos médicos é a marcha pelas artérias da Cidade de Maputo e com promessas de interpelar organizações internacionais.

Ao mesmo tempo e do outro lado da moeda, o Governo ia tendo outras ideias. Por exemplo, rever o Estatuto dos Médicos para cortar os subsídios. Aqui, retirava-se-lhes a base para reivindicar.

Não bastasse isso, o Governo, em mais uma sessão do Conselho de Ministros, decidiu informar que os médicos sem nomeação definitiva deviam cuidar-se porque a greve poderia ser usada como motivo para que fossem dispensados. E isso é permitido pelo Estatuto Geral de Funcionários e Agentes do Estado. No total, eram 80 os médicos na rota de dispensa.

Este é um dos momentos mais tensos desta marcha. Os médicos ameaçam paralisar tudo se o Governo não reduzir o tom intimidatório. A Ordem dos Médicos até nomeou uma comissão para mediar, mas nada se vê desta mesma em termos de resultados.

A greve dos médicos continua e ao invés de estar a mostrar alguma luz no fundo do túnel, juntaram-se, agora, todos os profissionais de saúde, que começaram a sua greve este domingo. O que há de comum nos dois grupos, além da área de actuação, são as reivindicações que, essencialmente dizem respeito à sua remuneração e às condições de trabalho.

Vários partidos políticos, nomeadamente Frelimo, Renamo, MDM e Nova Democracia, fizeram-se presentes na Praça dos Heróis Nacionais, empunhando as suas bandeiras durante a comemoração dos 81 anos da cidade de Quelimane. Do resto foi uma festa marcada igualmente por repúdio aos actos de pancadaria que ocorreram na cidade da  Beira.

A cidade de Quelimane assinalou, hoje, 81 anos de elevação à categoria de cidade, com discursos de paz e repúdio às atitudes dos membros da Frelimo e do MDM na cidade da Beira aquando da passagem dos 116 anos.

Em Quelimane, depois da deposição da coroa de flores, viu-se um ambiente raro, na urbe. É que, ao som do jovem músico Cornélio, Manuel de Araújo, Governador da província, Secretária de Estado, delegado político da Renamo e cabeças-de-lista da Frelimo e da Renamo na pista de dança.

Seguiram-se, depois, os discursos. O Governador e a Secretária de Estado na província defenderam o crescimento da cidade com melhores casas para os munícipes, condições de vida e desenvolvimento da urbe no geral.

Pio Matos disse, na ocasião, que não havia espaço para pancadaria entre os partidos, “porque somos todos irmãos desta cidade. Aquilo que aconteceu na Beira só acontece lá mesmo; aqui, em Quelimane, não acontece, porque somos um povo irmão que nos abraçamos, nos amamos e temos de continuar assim”, disse Pio Matos, para quem o ambiente de paz deve prevalecer no seio dos munícipes. “Só juntos de mãos dadas é que podemos criar as melhores condições para todos nós, munícipes de Quelimane, e cidadãos da Zambézia, no geral.”

Cristina Mafumo, Secretária de Estado na província da Zambézia, defendeu a necessidade de a edilidade continuar a trabalhar na remoção de resíduos sólidos e na edificação de uma cidade cada vez mais próspera.

“O Governo municipal tem o desafio de continuar a olhar para a gestão dos resíduos sólidos, vias de acesso, urbanização e ordenamento. Juntos poderemos aprimorar cada vez mais as questões de ordenamento, tendo em conta as mudanças climáticas”, disse Cristina Mafumo.

Quando tudo parecia estar bem, eis que, na vez de Manuel de Araújo discursar, os membros do MDM abandonaram o local. De Araújo não poupou palavras: “ Aquele que sai na hora de almoço está connosco? Questionou Manuel de Araújo aos presentes no comício que prontamente responderam: “Não”.

Por isso, imediatamente, defendeu Quelimane como o centro da tolerância política, democracia e reconciliação. “ Democracia é isto, meus irmãos. Democracia é isto que nós estamos a fazer aqui, na cidade de Quelimane. Temos aqui as bandeiras da Frelimo, da Renamo e da Nova Democracia”, precisou o edil.

De seguida, Manuel de Araújo convidou o cabeça-de-lista da Frelimo, Lourenço Gani, para as eleições autárquicas de 11 de Outubro, para se sentar no pódio. Gani levantou-se e foi sentar-se no lugar indicado pelo edil. Convidou, igualmente, o cabeça-de-lista do MDM, mas, porque este já tinha saído do local, o edil lamentou o comportamento deste e de seus correligionários. “Quanto ao Dramusse, cabeça-de-lista do MDM, eu pensei que, como é professor universitário, tinha outro nível de civismo, mas não está e abandonou a festa da cidade”, lamentou.

De Araújo disse aos presentes na ocasião que o edifício onde funciona o Conselho Municipal é de todos, razão pela qual todos são convidados a fazer-se presente. De seguida, abraçou Lourenço e Gani e agradeceu por responder favoravelmente ao seu convite de se sentar no pódio.

Já no pilar das realizações, Manuel de Araújo disse que, nos últimos cinco anos, a edilidade trabalhou incansavelmente para a construção e reabilitação das vias de acesso na urbe. Falou da construção de 50 quilómetros de estradas, num investimento de mais de 200 milhões de Meticais. Reconheceu que o processo não foi cumprido a 100% e apontou a COVID-19 como o grande factor que minou, durante dois anos da sua vigência, o desenvolvimento da cidade e demais áreas.

A maior unidade sanitária da província de Inhambane estava agitada na manhã desta segunda-feira. Enquanto os profissionais de saúde que se fizeram ao posto de trabalho regressavam à casa devido à greve, os pacientes estavam entregues à própria sorte.

O jornal O País encontrou, no local, pacientes que estavam, uns sentados, outro deitados, à espera de assistência médica desde as primeiras horas.

É o caso de uma mãe que conversou com a nossa equipa de reportagem, e revelou que o seu filho padecia de dores de cabeça, mas, quando chegou ao hospital, disseram que deveria regressar no dia 09 do próximo mês, devido à falta de pessoal para o atendimento.

O laboratório do hospital esteve fechado na manhã desta segunda-feira e quem tinha análises por fazer ou resultados por levantar não tinha outra saída senão voltar para casa.

A pediatria do hospital estava quase vazia, com apenas uma médica a atender, por sinal cubana.

As enfermarias também estavam vazias, uma vez que os pacientes internados foram dispensados, ficando apenas os que estão em estado grave.

No Centro de Saúde Urbano, as pessoas eram atendidas apenas nas consultas externas, mas um serviço considerado lento.

O laboratório e a farmácia estavam fechados, como também não havia atendimento para mulheres e crianças para as vacinações e controlo de peso.

O jornal O País está, desde as primeiras horas desta segunda-feira, a tentar falar com a Direcção Provincial de Saúde para reagir em torno da situação.

As ambulâncias começaram a circular depois das 12 horas desta segunda-feira, e os serventes não foram trabalhar. Já no Centro de Saúde da Matola “C”, há médicos e enfermeiros, mas não atendem aos pacientes.

Uma jovem de 23 anos de idade encontrava-se deitada nos bancos da maternidade do Hospital Provincial da Matola, porque sentia contracções, mas recebeu a informação de que deveria voltar para casa porque ninguém faria cesariana.

“Primeiro, disseram-me que não estão a atender porque há greve, depois nos mandaram esperar, porque iam atender-nos, chamaram-na (a filha dela com dores) e disseram-lhe que ainda não era o tempo de dar à luz, mas podia ir ao Hospital Central [de Maputo]. Contudo, levaram 100 Meticais de consulta. Assim, estamos à espera de transporte”, contou a mãe da jovem.

Insatisfeita com a situação, chamou o mototáxi, vulgo txopela, para seguir até ao Hospital Central de Maputo, onde espera dar à luz.

Uma outra gestante, de nome Sandra Lucas, que tinha consulta para observações no útero, foi mandada para casa. A uma outra paciente, foi dito que não havia, hoje, atendimento.

Alberto Achar estava no Hospital Provincial da Matola desde as 4h desta segunda-feira para acompanhar um colega vítima de acidente de viação. A ambulância só apareceu depois das 12 horas para transferir o seu colega.

Uma anciã foi ao hospital para saber se tirava ou mantinha o gesso, mas ninguém estava lá para dar a resposta certa. No recinto do hospital, coxeava com inúmeras perguntas e menos respostas.

“Foi-me dito que hoje (segunda-feira) não atendem porque há greve, não há médicos”, lamentou.

A médica-chefe de Saúde na Província de Maputo dá o ponto de situação das 116 unidades sanitárias da província: “Nós, realmente, temos registo de algumas ausências, há efectivos, mas não naquele número que estamos habituados. Por conta disso, estamos a priorizar o atendimento de acordo com a urgência. Então, aqueles casos, aquelas consultas que podem esperar, estamos a fazer remarcação e estamos a atender àqueles casos graves”.

No Centro de Saúde da Matola “C”, idem, até estavam, hoje, enfermeiros e médicos, incluindo estagiários, entretanto não atendiam aos doentes. Uma das funcionárias do Centro de Saúde interveio para dizer que havia atendimento, o que suscitou reacção, de repúdio, dos pacientes.

“É assim, nós estamos a fazer um esforço para prover os serviços, mas pode haver aproveitamento por parte de alguns colegas e vamos averiguar. Se isto estiver a acontecer, vamos tomar as devidas medidas”, garantiu a médica-chefe da Saúde na Província de Maputo.

A Província de Maputo conta, neste momento, com o apoio de médicos das organizações não-governamentais, outros provenientes da Polícia e do Exército.

Pelo menos 210 pessoas morreram vítimas da malária no país de Janeiro a Junho deste ano, menos 70 óbitos registados em igual período de 2022. Enquanto isso, não há datas para administrar a vacina no país.

Malária está entre as três doenças mais mortíferas no país. Só de Janeiro a Junho deste ano, as unidades sanitárias registaram cerca de 7,2 milhões de casos da doença que resultaram em 210 óbitos.

“Registamos um aumento de 22 por cento quando comparado com o igual período do ano passado. A tendência crescente dos casos de malária está associada a vários factores. Um deles é que fizemos a distribuição das redes mosquiteiras há dois ou três anos, e a população perdeu a protecção”, disse Baltazar Candrinho, director do Programa Nacional de Combate à Malária.

Sofala, Zambézia e Nampula são as províncias mais vulneráveis à doença, em parte devido ao deficiente sistema de saneamento.

“Moçambique tem sido afectado por desastres climáticos e isso favorece o crescimento da população de mosquito e tem desacelerado os nossos esforços de acabar com a doença.”

O director nacional do Programa Nacional de Combate à Malária diz que estão em curso, no país, medidas para eliminar o mosquito causador da malária.

“A aplicação de larvicida tem a ver com o olhar para um determinado lugar onde há o criador do mosquito, nas águas paradas e aplicar algum medicamento que permita que a larva morra e não se desenvolva mosquito. Estamos, agora, a fazer o mapeamento para ver se existem e em que locais há águas paradas para fazemos a devida aplicação.”

Outro mecanismo de combate à doença é a vacina, que, em Moçambique, se prevê que comece a ser administrada entre Janeiro e Março de 2024.

“É uma vacina que é administrada em crianças menores de cinco anos em três doses, durante um intervalo de um mês e, depois, administra-se uma dose de reforço, passando-se entre 12 e 18 meses”, explicou Pedro Aite, director científico no Centro de Investigação em Saúde da Manhiça.

Os intervenientes falavam, hoje, na Cidade de Maputo, à margem de um seminário alusivo ao Dia Mundial do Mosquito.

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