Skip to main content

O País – A verdade como notícia

Rasaque Manhique diz que  é ridículo fazer adjudicação de obras públicas com preços especulados. O edil de Maputo diz que vai cancelar todas as empreitadas nestas situações.

Foi durante a tomada de posse do novo vereador de Infra-estruturas e Salubridade, secretário municipal, director jurídico e de Comunicação que o edil de Maputo, Rasaque Manhique, mostrou-se preocupado com irregularidades na adjudicação de obras públicas, ao que chamou de ridículo. 

Rasaque Manhique diz que não tem escolha senão cancelar todas as adjudicações com indícios de viciação do orçamento. 

Sobre a atribuição de bancas erguidas no silo auto de Maputo aos vendedores informais, a edilidade diz que decorrem trabalhos de coordenação com a Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento.

Em relação à  recolha de lixo, Rasaque Manhique reconhece a dívida com as empresas e promete soluções em breve, mesmo sem mencionar datas.

A Polícia desmantelou, na cidade da Beira, uma suposta quadrilha que se dedicava ao contrabando de mercadorias usando documentação e matrículas falsas. As mercadorias eram roubadas em armazéns localizados fora do recinto portuário e eram encaminhadas para o mercado interno.

De entre os documentos falsos estão cartas de condução, livretes de viaturas, Bilhetes de Identidade e declaração de cargas.
Não se sabe há quanto tempo a suposta quadrilha operava, mas uma equipa multissectorial, num trabalho de rotina, descobriu o esquema, e um dos motoristas detido afirmou que não era a primeira vez que prestava serviço aos supostos proprietários das mercadorias, ora fugitivos.

“Tiraram-me fotografias e disseram para eu ficar aqui ate ao nosso regresso e depois vamos dar o programa de como tudo vai decorrer”, contou o motorista detido, acrescentando que depois de algum tempo de espera “vieram novamente e fizeram este trabalho de mudança de matricula e outras coisas”.

Num camião contendo mais de 600 fardos de roupa usada, a suposta quadrilha, para além de falsificar a matrícula, tapou as escritas originais do veículo e colocou outras. Os dois motoristas, detidos, encaixariam 50 mil Meticais.

Outro motorista envolvido contou a sua versão dos factos. “Para mim disseram que tinham tudo controlado e até matricula e timbre do camião e não sei onde tiraram essas coisas”, contou.

A Polícia disse que está perante um “concurso de infracções”, e a mais grave para a corporação é a falsificação de documentos.
De acordo com Dércio Chacate, porta-voz da Polícia da República de Moçambique na província de Sofala, trata-se de “um esquema devidamente articulado e há todo um trabalho de inteligência que segue com vista a descontinuar esta acção destes indivíduos”.

Chacate acrescentou ainda que há mais quatro membros envolvidos neste esquema e que encontram-se ainda à monte, “mas queremos assegurar que a PRM está a trabalhar com vista a detenção dos mesmos”.

Os mais de 660 fardos de roupa usada tinham como destino a cidade de Maputo, mas seriam descarregados no Município de Dondo, na província de Sofala.

Cento e vinte cinco mil e trezentos hectares de culturas diversas estão totalmente perdidos devido à insuficiência da chuva e pragas que afectaram os campos de produção agrícola, nos distritos da região sul da província de Tete.

A situação afecta mais de 100 mil e seiscentas famílias produtoras, segundo o chefe do Departamento da Agricultura e Segurança Alimentar na Direcção Provincial da Agricultura e Pescas, António Mourinho, entrevistado pela Rádio Moçambique.

 

 

Continua em cativeiro o dono dos Armazéns Atlântico, empresário raptado a 20 de Janeiro do ano em curso na baixa da Cidade de Maputo. Entretanto, o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), apresentou, esta segunda-feira, dois indivíduos suspeitos de envolvimento na execução do mesmo rapto e num outro ocorrido a 1 de Novembro de 2023.

O porta-voz do SERNIC na Cidade de Maputo disse a jornalistas que há complexidade para o esclarecimento deste tipo legal de crime, uma vez que quem executa o rapto não é o mesmo que transporta a vítima e é diferente do interveniente que fica no cativeiro com a vítima.

Hilário Lole, porta-voz do SERNIC, diz que há esforços com vista a trazer o empresário de 70 anos ao convívio familiar, mas lamenta que não tenha sido resgatado até agora.

“Infelizmente, essa vítima ainda se encontra em cativeiro, mas, conforme referenciamos aqui, temos três indivíduos que, a princípio, são participantes neste caso de raptos e com as informações que vamos colhendo no âmbito das investigações e suas declarações acreditamos que, em breve, podemos chegar ao seu cativeiro.”

Hilário Lole garante que o SERNIC trabalha para o esclarecimento de todos casos de rapto, e é por isso que foram apresentados os dois indivíduos de 45 e 33 anos de idade, que supostamente estiveram envolvidos na execução de dois raptos. Negam que sejam raptores, mas dizem conhecem indivíduos envolvidos nos raptos.

“No segundo rapto, de 20 de Janeiro, eu estava cá, mas eu não sei nada de raptos. Eu ligava sempre a um amigo que tem esse comportamento e já esteve peso, e eu liguei insistentemente para ele na quinta feira, porque eu já estava de viagem para a África do Sul”, explicou um dos indiciados.

O outro fez declarações segundo as quais os agentes do SERNIC o detiveram porque interceptaram a sua chamada a conversar com um familiar de um suspeito de raptos.

“Localizaram-me através do meu número e disseram-me que o meu número caiu no telefone dele porque o meu amigo, Anselmo, usou o telefone do irmão para falar comigo, e é esse irmão que é procurado pela Polícia.”

Foram encontrados na posse dos indiciados duas chapas de matrículas de viaturas que alegadamente usavam durante as suas incursões. O SERNIC explica que chegou a estes suspeitos através de denúncias.

“O SERNIC não só trabalha com denúncias, mas também com informações e a triangulação dessas informações, com base em outras que temos colhido com base nas investigações que têm sido feitas.”

Desta vez, o SERNIC não chegou aos cativeiros. A vítima raptada a 1 de Novembro de 2023, uma cidadã de nome Zakia Dassat, filha de um conhecido agente económico, Ahmad Rfik, foi resgatada 51 dias depois, e encontra-se no convívio familiar.

O calor intenso destruiu extensas áreas de culturas agrícolas e criou prejuízos para os camponeses no município da Matola, província de Maputo.

Trata-se de uma situação que poderá agudizar, nos próximos dias, a escassez de hortícolas nos principais mercados da Cidade e da província de Maputo.

Das culturas mais afectadas pelo calor intenso naquela parcela do país, o destaque vai para a alface e a couve, nas zonas baixas, incluindo o milho e o amendoim, nas zonas altas.

O presidente da União das Associações de Agricultores nas Zonas Verdes da Matola, Alexandre Honwana, disse que, devido ao fenómeno, há escassez de hortícolas nas ‘machambas’.

Sublinhou que, por conta destas perdas, alguns agricultores enfrentam dificuldades para relançar as culturas.

Há equipamento avariado nos serviços de lavandaria do Hospital Central de Nampula. Falando durante um encontro com deputados do MDM, o ministro da Saúde diz que iniciou a reparação e que o Governo vai tercerizar os serviços.

Trata-se de um encontro em que o MDM e o Governo pretendiam fazer a radiografia de alguns hospitais, com destaque para o Hospital Central de Nampula.

Sobre esta unidade sanitária, o Movimento Democrático de Moçambique diz que a taxa de ocupação está acima de 100% e que as máquinas da lavandaria não funcionam.

“A avaria das máquinas de lavagem hospitalar, as máquinas de esterilização… há uma taxa acima de 100% e há problemas também de exiguidade orçamental para o funcionamento diário do hospital, alimentação, aquisição de bens e serviços, dívidas em alguns hospitais. Decidimos vir colocar estas questões enquanto deputados e ver a forma de encontrar uma solução conjunta”, apontou Fernando Bismarque, deputado da bancada do Movimento Democrático de Moçambique.

O ministro da Saúde, Armindo Tiago, conhece bem os problemas e diz que a conclusão do Hospital Geral de Nampula é uma das soluções.

“O Hospital Central de Nampula é o único hospital especializado naquela província, razão pela qual a nossa abordagem para a solução é a sua conclusão, que vai aumentar a capacidade na cidade de Nampula. Das 550 que existem, mais 400, passaremos para mais de 900 camas”, respondeu Armindo Tiago, ministro da Saúde.

Sobre o equipamento da lavandaria, Tiago diz que decorrem trabalhos de manutenção.

“O nosso pensamento é de terceirização dos nossos serviços de lavandaria, mas até lá vamos fazer a reparação do material existente. Por isso, já mandámos uma equipa de electrotécnicos para fazer o trabalho”, avançou.

Quanto à disponibilidade de medicamentos, o sector da saúde diz que há stock disponível para três meses em todo o país.

Cerca de 500 pescadores beneficiaram-se, esta segunda-feira, 26 de Fevereiro, de insumos destinados a actividades de promoção da pesca artesanal e melhoria da renda dos pescadores. A oferta está inserida no programa ProAzul, implementado pelo Ministério do Mar, Águas Interiores e Pescas.

Os insumos entregues esta segunda-feira pelo governador de Sofala, Lourenço Bulha, fazem parte de uma iniciativa que visa promover a pesca artesanal e a sua cadeia de valor, no que toca à captura, processamento, transporte e comercialização do pescado. Entre os bens entregues, estão congeladores, “kits” de painéis solares, motores para barcos de pesca, balanças, geradores, entre outros.

Cada beneficiário comparticipou com 20% e o Governo, com o apoio do Banco Mundial, entrou com 80%.

O governador de Sofala reconheceu a demora no processo, mas diz que o Governo está empenhado em apoiar várias iniciativas com vista ao desenvolvimento das actividades dos pescadores, e não só.

ProAzul é um programa desenhado como um mecanismo de financiamento em regime de comparticipação, não reembolsável, a pescadores artesanais, e tem como um dos principais objectivos melhorar o nível de renda dos pescadores tradicionais de forma sustentável.

Há uma fábrica chinesa de reciclagem de plástico, supostamente ilegal, que está a provocar poluição no bairro Infulene, cidade da Matola, Província de Maputo. Os residentes já se queixam de problemas respiratórios e dizem que a água que sai da empresa é tóxica e contamina as culturas na machamba. A reportagem é de Dário Cossa e Abdul Manhiça.

Uma chaminé que está às vistas de todos. É um canal de fumo que transporta doenças. A direcção na qual o fumo segue é em função do vento, e a intensidade com que sai e se espalha pelas casas à sua volta é a mesma com que faz vítimas.

É uma fábrica chinesa de reciclagem de plástico, no bairro de Infulene, cidade da Matola, Província de Maputo. O problema não é só da fumaça tóxica que se espalha pelas residências, mas, também, da água contaminada que sai da fábrica e segue numa vala improvisada e atinge campos agrícolas com culturas que alimentam muitas famílias. É a doença a espalhar-se pela terra e pelo ar.

A fábrica em causa chama-se Shenxian Plastic Recycling Limitada e opera no bairro de Infulene, cidade da Matola, Província de Maputo, desde 2022. De lá a esta parte, os que vivem nos arredores da empresa só se queixam de problemas respiratórios provocados pela actividade da fábrica.

“Não há nenhuma criança, por aqui, que tenha problemas. Todas as crianças do bairro de Infulene andam constipadas. Tenho muitos remédios, que fui buscar no hospital para qualquer eventualidade. Aquele fumo é muito tóxico durante a noite e nós não dormimos. Há pessoas que já usam bombas por já não estar a aguentar”, contou Pedro Zaqueu, residente no bairro de Infulene, cidade da Matola.

A situação é ainda mais grave para os doentes crónicos. “E basta começar a sair aquele fumo, não nos sentimos bem, mas o que fazer? Eles (os da fábrica) já foram recebidos. A coisa é mais grave para os doentes crónicos. Pioram. Eu próprio estou doente. Mas o que fazer?”, questionou de forma retórica Carolina Matsinhe, também residente do bairro Infulene.

E a situação só piora porque, mesmo de noite, a fábrica não pára de reciclar plástico. “Pernoitam a trabalhar. Aquelas máquinas funcionam dia e noite. No período nocturno, há coisas que eles queimam que cheiram muito mal. Tiram muita fumaça. Um fumo escuro. Qualquer dia, podemos ter problemas pulmonares”, denunciou Basílio Gomes, residente no bairro de Infulene.

E o fumo está muito perto dos que vivem à volta da empresa, porque o chaminé tem um comprimento de apenas três metros visível, chegando a ser ultrapassado pela altura de algumas árvores. “A chaminé devia estar mais em cima para que o fumo esteja mais em cima”, entende uma moradora de Infulene que falou na condição de anonimato. “Aquele fumo sai para nós todos aqui. Ficamos constipados. Semanalmente, temos de ir ao hospital. Não dá jeito. Não ajuda. Está a criar-nos problemas. Nem é possível cozinhar no quintal. Não dá”, desabafou.

 

ÁGUA CONTAMINADA CHEGA ÀS CULTURAS

No solo, o que se vê é plástico descartado. Há dois anos, forma uma lixeira, bem em frente da fábrica. É mesmo do lado frontal que saem as águas contaminadas que escorrem até às machambas.

O sistema de filtro concebido para não permitir que o plástico chegue às machambas já não funciona e tudo desce para as culturas que estão no Vale do Influente.

“A fábrica que foi instalada aqui, na zona, está a prejudicar-nos, porque tira água suja e que cheira mal. Esta água entra nas nossas valas, de onde tiramos a água para irrigação e as culturas não sobrevivem”, descreveu Rossina Maunze, produtora agrícola no Vale do Infulene.

E, na condição de anonimato, outra produtora acrescenta: “Essa água, de facto, não ajuda. Mata as culturas, porque está salgada e tem os químicos que são usados na fábrica.”

Nos dias de chuva, todo o plástico que é mal descartado pela fábrica de reciclagem é arrastado até às machambas e o plástico, segundo os produtores, “não apodrece com facilidade. Atrapalha muito. Não ajuda. Onde semeio alguma coisa enquanto há plástico, a cultura não se desenvolve bem”.

E, por conta disso, muitos canteiros foram abandonados, mas, por não ter escolha, Rossina insiste na produção agrícola e tem a sorte como sua aliada.
“Se viesse uma nuvem que trouxesse chuva, (as culturas) ainda podem sobreviver. Mas se isto continuar assim todo esse mês, não há hipóteses. – As culturas morrem por causa da chuva ou da água que usam? Temos a água e a chuva, mas se fosse só o calor, há anos que lutamos, até conseguir colher. Entretanto, isto se junta à água contaminada”, afirmou Rossina Maunze, com um tom carregado de esperança e, ao mesmo tempo, resignação.
O pouco que se consegue tirar da machamba, alertam os residentes do bairro de Infulene, pode estar contaminado. “Essas coisas são levadas e vendidas na cidade. A pessoa vai comer sem saber que está a consumir um produto que pode estar contaminado, mas os produtores não têm outra alternativa. Vivem disto”, rematou Pedro Zaqueu.

Além das culturas, a água contaminada que sai da fábrica está a dizimar o peixe que existe nestas valas e no rio Mulauzi, que é o seu destino final.

 

NÃO HOUVE CONSULTA PÚBLICA PARA INSTALAÇÃO DA FÁBRICA

A nossa equipa de reportagem sabe que, aquando da instalação da fábrica naquele bairro, não houve auscultação pública e os moradores foram simplesmente surpreendidos com a fábrica já a funcionar.

Aliás, os moradores ficaram a saber, mais tarde, de um encontro restrito e num ambiente informal para se decidir pelo funcionamento da fábrica. “Fizeram uma mini-festa a chamarem os trabalhadores e estavam com um grupo da INAE num bar do bairro. Comeram e beberam. E, depois, disseram que nos chamariam para mostrar o que está a acontecer e o que a empresa quer fazer. Até aqui, este é o terceiro que já metemos a documentação e não está a dar em nada”, queixou-se Pedro Zaqueu.

E os residentes chegaram a submeter a reclamação ao chefe de quarteirão que, simplesmente, ignorou o assunto.

“O chefe de quarteirão é o pior de todos. Ele trabalha ali mesmo. Pode mandar fechar a empresa onde está a trabalhar para não ter emprego? Não é possível”, desconfiou Basílio Gomes.

E o chefe de quarteirão trabalha como um dos guardas na fábrica que está a poluir no bairro. Segundo informações em nossa posse, terá sido ele quem ajudou a fábrica de capitais chineses a adquirir a parcela naquele quarteirão.

 

“SER HUMANO CONSOME PLÁSTICO TODOS OS DIAS”

De acordo com o ambientalista Rui Silva, o ser humano consome plástico porque, depois de usado e descartado, ele vai parar no oceano e, consequentemente, serve de alimento para as espécies que vivem no mar e que fazem parte da dieta alimentar do Homem.

“Nós próprios acabamos por ingerir plástico, microplástico, pelo facto de o peixe confundir o plástico com um alimento, além de outras espécies que acabam por morrer. Esse microplástico acaba no nosso organismo, porque o peixe que nós vamos comer, o sal que utilizamos, 90% tem partículas de microplástico”, contextualizou o ambientalista Rui Silva.

Esta é uma ideia geral do que o plástico faz na vida do ser humano.

Com o ambientalista, analisámos a situação da fábrica de reciclagem de plástico na Matola e falou das consequências deste tipo de empreendimento próximo das residências.

“Logo, uma das coisas que pode afectar, gravemente, as pessoas são essas águas que, infiltradas nos solos, se calhar coincidir com a passagem de uma linha de água, quer dizer que quem tiver os seus poços ali nas redondezas acaba por ter, depois, uma água contaminada. Este tipo de indústria, por norma, tem de ficar fora das zonas residenciais”, observou Rui Silva.

Para este tipo de indústrias, entende Rui Silva, a única solução é mandar fechar, pelo bem da saúde das pessoas e do meio ambiente. “Na minha opinião, não há meio-termo. Ou há zonas industriais, onde possam estar, mediante apresentação de estudos de impactos ambientais… juntar-se a residências? Não há meio-termo”, rematou Rui Silva.

À nossa equipa de reportagem, a empresa chinesa não quis prestar quaisquer declarações e recusou-se, também, a mostrar as licenças para o exercício da actividade e ambiental, bem como o estudo de impacto ambiental.

O “O País” sabe que a fábrica que antecedeu a Shenxian Plastic Recycling Limitada foi multada em cerca de cinco milhões de Meticais e encerrada por violação das normas ambientais.

Além de violar, de forma grosseira, todas as leis ambientais, informações em nossa posse dão conta de que a fábrica de reciclagem de plástico se instalou no mesmo espaço físico que,  há dois anos, uma empresa do género foi encerrada por atropelar as normas do ambiente. Ademais, não existe licença ambiental e não foi feito o estudo de impacto ambiental.

Conhecido por denunciar o envolvimento de dirigentes e polícias no tráfico de drogas, Man Genas vai responder, em Angola, pelos crimes de difamação e calúnia.

Escoltado pela Polícia e agentes do Serviço Nacional de Migração para um avião angolano, que aguardava no Aeroporto Internacional de Maputo – foi assim o desfecho do caso que ficou conhecido em Moçambique como “Man Genas”. O cidadão que chegou ao território nacional em Março do ano passado, vindo de Angola, onde fugia de alegada perseguição, depois de ter denunciado em “lives” o envolvimento de figuras políticas e polícias no tráfico de drogas, foi deportado este domingo para Luanda.

A informação é confirmada através de um comunicado o Serviço Nacional de Migração, em que se lê que “o SENAMI executou (…) a medida de expulsão administrativa aplicada a três cidadãos estrangeiros de nacionalidade angolana por permanência ilegal no país. Trata-se do casal Gerson Emanuel Quintas, mais conhecido por Man Genas e Clemência Suzete Vumi, que se faziam acompanhar por seus dois filhos menores de idade”.

Por cá, o Serviço Nacional de Migração recusa-se a dar detalhes sobre os factores que levaram à expulsão de um cidadão que perdia protecção das autoridades moçambicanas.

Em Angola, já há um processo em curso contra Man Genas, com acusações de calúnia e difamação contra as autoridades daquele país africano. “São cerca de quatro processos contra ele. As autoridades alegam serem crimes de calúnia, difamação, injúria contra as autoridades angolanas, porque ele, nos últimos meses, andou a fazer lives, andou a criticar, a acusar todo o mundo de estar envolvido no tráfico de drogas”, explica o jornalista angolano José Gama.

O escriba acrescenta que “ele já chegou a Angola. No entanto, pelo que sei, a família dele ainda não tem contacto, não sabe ainda do seu paradeiro. A mãe está ainda a fazer diligências no sentido de ter, pelo menos, as crianças. Porque estavam com ele dois menores de idade e a mulher também está grávida”.

O que também ainda não se sabe é se Man Genas vai aguardar julgamento em prisão ou em liberdade.

+ LIDAS

Siga nos

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE