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O País – A verdade como notícia

Os relatórios sobre a pobreza estão cheios de números que mostram que a miséria está a aumentar em Moçambique. O que esses documentos não mostram, são os rostos e as vivências pessoais por detrás desses números. Mas esta reportagem traz!

Um documento do Ministério da Economia e Finanças relata que a desigualdade social aumentou de 2015 para 2020. Usando o método Gini, explica-se que se saiu de 0,47 para 0,51. Este método diz que a desigualdade total é registada quando o índice de pobreza mostra 1 e o equilíbro quando é zero. Dito de outra forma, os ricos estão mais ricos e os pobres, mais pobres.

Por falar em pobres, falemos de Rita Amade, uma senhora de 50 anos de idade, residente nos arredores da cidade da Matola. Ela acorda todos dias com a incerteza sobre tudo.

Ainda assim, pela manhã, ela lava a louça sem saber qual vai ser a próxima vez que vai voltar a sujar. Vive uma vida que ela considera “difícil, está tudo difícil.”

Quando diz tudo, é tudo mesmo. Comecemos pela habitação: este é um assunto que a preocupa muito. Ao acordar, Rita tem de olhar para o céu para saber como será o dia e, antes de se deitar, olha de novo para saber se será uma noite de sono ou de esquivar-se da água chuva.

“Quando vejo que há nuvens, o meu coração dói porque, nessas circunstâncias, nesta casa, não se dorme, passamos a noite em pé”, anota a senhora enquanto ajeita a louça no interior da casa.

Mesmo quando não chove, Rita não sossega, nem teria como. A casa é pequena para quatro pessoas. Vivem ela, o marido, a sua filha, de 14 anos, e uma irmã.

“Partilhamos tudo. A minha irmã dorme nesta caminha, enquanto eu, o meu marido e a nossa filha dormimos na mesma cama”, revelou.

A família de Rita faz parte dos 30% da população que o Ministério da Economia e Finanças diz que vive em casas sem revestimento no piso. Já o Inquérito ao Orçamento Familiar (IOF 2022) diz que Rita faz parte de cerca de 2,4 milhões de moçambicanos cujas casas têm paredes de caniço, bambu ou palmeiras.

O caso da família de Rita acaba por ser um fracasso para o seu chefe,  Pereira Sebastião, de 55 anos de idade. Pereira até perdeu a capacidade de sorrir porque a felicidade é um termo que se substituiu por preocupação no vocabulário do chefe de família.

“Trabalho, mas parece que não trabalho”.

O que parece incomodar mais é que, a partir da sua casa, observa aqueles cuja vida parece estar a andar melhor do que a dele. São

as pessoas que passam pela estrada de carro.

“Gostaria de ser como eles que passam num belo carro ou numa motorizada”, manifesta-se enquanto segura na sua cintura e observa a estrada.

Não, não é um discurso de quem tem inveja dos outros, é de quem sente na pele as desigualdades que o Ministério da Economia reconhece que só aumentaram de 2015 para 2020. “Sinto que a diferença entre mim e eles só aumenta. Quando vejo a minha idade, sinto que sou capaz de acabar assim”.

O IOF 2022 não tem dados que contrarie o nível de desigualdade. Segundo o documento, os 10% mais pobres de Moçambique são responsáveis apenas por 0,9% dos gastos do país, enquanto os 10% mais ricos consomem 43,1% da riqueza nacional.

 

TRABALHAR PARA COMER E APANHAR CHAPA

O IOF 2022 tem dados sobre com que cada um gasta o pouco que tem. Em geral, 38% da renda dos moçambicanos é gasta em alimentação e bebidas não alcoólicas. Se separarmos os números, vemos que os que vivem nas cidades gastam menos (27%) do que os que estão nas zonas rurais (49%).

Paito Sumail sabe bem do que é que estamos a falar. A vida já é, para ele, difícil, mas há o que toma a dianteira. “O mais difícil são as despesas”. É que Paito é a única fonte de renda fixa e que deve sustentar o seu irmão e sua cunhada.

“Eu gasto tudo o que ganho com rancho e quase nunca resta dinheiro de chapa. Às vezes, tenho de sair da zona de Trevo, minha casa, para Alto-Maé a pé por não ter dinheiro de transporte”.

Mesmo assim, não há garantias de uma alimentação constante. Por exemplo, sobre a última refeição, “foi ontem às 10h e não sei a que horas vamos comer hoje”, revela.

É uma incerteza de todos os dias. A única coisa que garante é que sempre há pelo menos uma refeição. Isso quer dizer que faz parte do grupo dos 11,7% dos cidadãos que têm apenas uma refeição por dia, contra 0,9 por cento que não têm nenhuma, 57,5 que têm duas e 30,1% com três ou mais, ou seja, apenas cerca de nove milhões de moçambicanos têm três refeições, isso de acordo com o IOF de 2022.

Ainda assim, a crença na educação acaba por ser um único sinal de luz no fundo do túnel. Silvinho, por exemplo, procura não fazer parte dos actuais 38,3% dos moçambicanos analfabetos e começa a exercitar mesmo que não tenha chegado à sua idade escolar.

Para todos os efeitos, o Ministério da Economia e Finanças não olha para estes problemas com agrado. Por isso, desenhou a proposta de Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2024-2043. São, no total, 13 metas. Mas destacamos quatro, que respondem aos problemas apresentados nesta reportagem: (i) reduzir a taxa de analfabetismo de 38,3% para 19,3%; (ii) reduzir a proporção da população que vive abaixo da linha de pobreza nacional de 68,2% para 27,9%; (iii) reduzir o índice de desigualdade de cinco para três e (iv) melhorar a capacidade de previsão e resposta a eventos extremos (cheias, secas, etc.) de cinco para dois dias.
É possível chegar em 20 anos? As respostas virão sempre do tempo.

Em 2008, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou Moçambique livre da lepra. O parâmetro usado, na altura, foi de ocorrência de menos de um caso em cada 100 mil habitantes. 16 anos depois, quase todas as acções de luta contra a lepra foram relegados para o terceiro plano. Os casos que estavam ainda activos foram negligenciados e o país volta a estar a braços com a lepra. Só em 2021, foram diagnosticados 3135 novos casos.

Não é preciso andar muito. Basta sair da cidade de Nampula pela estrada Nacional N.°1 (em direcção à Zambézia) para encontrar o posto administrativo de Namaíta, no distrito de Rapale, a menos de 50 km da cidade de Nampula. O local é representativo em todos os sentidos: o distrito faz parte de um total de cinco que registam maior número de casos de lepra na província de Nampula, e Namaíta é um dos pontos onde funcionou uma das gafarias – nome que designa o local onde eram concentrados e tratados os leprosos.

Seguimos com um propósito concreto. Depois de uma viagem de menos de uma hora, encontramos um pequeno “comité de recepção” composto por idosos. Através de cânticos e danças, expressam o seu sentimento… é o chamado “grupo de autocuidado” que se reúne regulamente num local concreto para cuidar da sua saúde. No grupo, há homens e mulheres de diferentes idades, mas com algo em comum: alguma parte do corpo tem deformidade por causa da lepra.

Amisse Mopiha é um dos activistas e é membro do grupo. Explica-nos o que justifica a ocorrência de muitos casos de lepra naquele local: há muitos casos de lepra porque Namaíta, antes desse nome, era chamado de gafaria, porque traziam casos de lepra de outras províncias, assim como de outros distritos vizinhos. E sempre tinha concentração e tratamento, cá, em Namaíta. Por isso, sempre existem esses casos.

A lepra é uma doença transmitida através do bacilo de hansen. Foi descoberta em 1873 e, durante muito tempo, não tinha um tratamento eficiente. Os doentes sempre foram alvo de discriminação familiar e social. A sua transmissão é através de secreções, por via oral, tal como acontece com a tuberculose. A diferença é que a lepra é menos infecciosa e pode incubar-se no organismo durante dois a cinco anos sem apresentar manifestações visíveis.

Sentado num banquinho de madeira, com os pés imersos em meia profundidade numa cova que tem na base folhas de bananeiras para conservar a água (uma espécie de bacia que se improvisa para quem não a tem), Horário da Silva esfrega a base dos pés com uma pedra e molha-se com água limpa.

“Meu pai tinha, minha mãe tinha. Posso dizer que é natural”, abrevia o homem de 50 anos, com um olhar tímido que se estende no horizonte como se estivesse a rebuscar as memórias do seu passado dramático.

Há 37 anos que lhe foi diagnosticada a doença. Nessa altura, já estava no segundo grau, que é quando o paciente começa a registar perda de sensibilidade no corpo, atrofiamento e queda dos dedos das mãos e dos pés.

Uma das manifestações mais comuns da lepra é o ressecamento excessivo da pele, por isso, é importante a lavagem frequente e lubrificação com óleo cutâneo ou qualquer creme hidratante.

“Nós, que temos feridas, todos os dias, temos de as lavar e fazer o penso”, explica o homem que perdeu todos os dedos dos pés e parte dos das mãos. As sapatilhas que calça servem também de suporte para que possa ter estabilidade na marcha.

Horácio da Silva saiu do distrito de Mecubure, também em Nampula, em 1987, para ir à gafaria de Namaíta a fim de ter tratamento. Só que já era tarde; o mal já estava instalado – a perda dos dedos –, por isso, tudo quanto conseguiu com o tratamento foi evitar novas lesões graves. Não se assume um incapaz, pois consegue organizar a sua casa e praticar agricultura de subsistência. Todavia, há algo que não conseguiu superar: o estigma.

“Não tenho filhos porque não tenho mulher”, responde o homem quando questionado por nós sobre a sua vida familiar. A uma pergunta sobre o porquê de abraçar a solidão, a resposta é peremptória: não faço tudo o que os homens fazem.
Nas comunidades de Namaíta, a lepra tem rostos; a história é contada por personagens que a viveram. Os vestígios sustentam o que as palavras dizem.

É o caso Silvestre dos Santos Amadeu. No limiar da década de 70, foi-lhe diagnosticada a lepra, depois de uma suspeita de missionárias católicas numa comunidade do distrito de Mossuril (parte costeira de Nampula) que frequentava.

“Elas disseram: ‘É lepra isto!’. Levaram-me de carro e viemos aqui. Tiraram todos os meus dados na secretaria e estive internado por seis meses lá, em baixo”, narra o homem com o rosto já envelhecido, mas dono de uma memória extraordinária. A conversa acontece em movimento, enquanto percorremos o recinto e os compartimentos da antiga gafaria de Namaíta.

“Fui curado, sim”, responde, com firmeza, o homem alto e escuro. Lembra-se das datas como uma mãe se lembra dos aniversários dos filhos. “Desde 1974, com asulfona e com lambrena, até 1986 quando larguei”. Silvestre dos Santos é uma das provas vivas de que, quando o diagnóstico que é feito precocemente, tem cura e não leva à queda de dedos.

O tratamento da lepra é longo, tal como acontece com a tuberculose. Varia de seis a 12 meses, mas o sucesso depende muito do diagnóstico precoce.

“Por falta de sensibilidade dos pés das pessoas, eles vão sofrendo traumatismos nos pés e até mesmo queimaduras e vão tendo feridas que chamamos de úlceras perfurantes, e são essas úlceras que também podem evoluir com a amputação dos dedos, principalmente os dos pés”, explica o dermatologista Marcelo Banquimane. Marcelo faz parte do total de 15 dermatologistas moçambicanos que o país tem. Aliás, apesar de Nampula reportar maior número de casos, como viremos mais a baixo, existem apenas três dermatologistas: um moçambicano e dois estrangeiros.

Importa explicar que, sendo a pele a parte que mais sofre com a lepra, são os dermatologistas que cuidam dos pacientes.

O QUE FALHOU NOS ÚLTIMOS 16 ANOS?

Em 2008, a OMS declarou Moçambique livre a lepra. A partir daí, as organizações que trabalhavam nessa área cessaram a sua intervenção e o Ministério da Saúde não deu o devido seguimento aos casos que ainda estavam activos, tendo-se transformado em focos de novas contaminações nas comunidades.

“Quando se declara erradicada a doença, não significa que já não temos o problema. Estamos num período de controlo, digamos assim, mas a prevalência caiu. Naquela altura, tínhamos uma prevalência menor de um caso em cada 100 mil habitantes. A OMS assim ditou e tem sido assim. Nós estamos cientes de que o erradicar não significa que não vamos diagnosticar sequer um caso. E sempre que se erradica, há uma vigilância intensificada que deve ser feita a seguir para observar a ocorrência de novos casos”, esclarece Geraldino Avalinho, chefe do departamento de Saúde Pública no Serviço Provincial de Saúde em Nampula, para quem a nova vaga de casos prova que os casos que estavam activos na altura foram transformando-se em focos de propagação nas comunidades.

Em 2022, Moçambique foi classificado o terceiro país de África com maior número de casos, perdendo para Etiópia e República Democrática de Congo. Do levantamento feito em 2021, o país apresentou 3135 novos casos de lepra. Nampula (1395), Zambézia (769), Cabo Delgado (494) e Niassa (247) são as províncias com mais casos.

O que chama atenção é que 10% a 20% dos novos casos de 2021 foram em menores de 15 anos de idade, o que, mais uma vez, evidencia tratar-se de contágios que se registam depois de 2008.

“Sem fazer tratamento, estes músculos iam começar a atrofiar. Hipotrofia muscular da região do punho. É isso que provoca essas deformidades. Mas, como já está a tomar aquele medicamento prezerona, já está a começar a reduzir”, diz o médico e activista da organização não-governamental NLR, Domingos Nicala, enquanto tateia os braços de uma menina de 14 anos de idade que lhe foi diagnosticada a doença há três meses.

A adolescente vive na periferia da cidade de Nampula e sempre foi ao hospital, só que nunca teve um diagnóstico conclusivo dos clínicos, até que foi descoberta pelos activisvas da NLR no trabalho de busca por pessoas com sintomas sugestivos à lepra. É, aliás, esse trabalho que deixou de ser feito com frequência, por isso os casos foram sendo negligenciados.

“Depois de ter sido eliminada, algumas actividades, provavelmente, não tenham sido levadas a cabo, que é a vigilância epidemiológica forte, de modo a que a lepra começou a ressurgir em Moçambique, principalmente nas zonas onde sempre foi endémica, neste caso em Nampula, Niassa, Cabo Delgado e Zambézia. A lepra é uma doença que, mesmo nos currículos de formação, quer do ensino superior, ela escasseia; se for ao nível médio, praticamente ela já não existe. Então, os técnicos de saúde formados recentemente não têm esta componente. Consequentemente, se o doente aparece com os sintomas e sinais na sua frente, ele não vai reconhecer. Eu tinha um professor que dizia que ‘o que a mente não sabe, os olhos não vêem. Então, a falta de conhecimento dos técnicos que estão nas unidades sanitárias faz com que o paciente venha às unidades sanitárias e acabam por diagnosticar como sendo uma outra doença de pele banal e vai recebendo pomadas e cremes até à fase que vai tendo deformidades”, considera o clínico geral e coordenador provincial da NLR em Nampula, Hélder Rassolo.

É evidente que os 3135 novos casos de 2021 correspondem a uma proporção de 0,03 casos em cada 100 mil habitantes, o que, no parâmetro da OMS, ainda se considera o país livre da lepra. Todavia, facto preocupante é que esse número resultou de actividades de campanha de busca activa realizada essencialmente por organizações não-governamentais, o que pode levar a inferir que, num trabalho mais aturado, se pode identificar casos em números assustadores.

Celebra-se, no último domingo do mês de Janeiro, o Dia Mundial de Luta contra a Lepra e, no dia 30 de Janeiro, o Dia das Doenças Negligenciadas, das quais faz parte a lepra. Aliás, a lepra em Moçambique está a ser tão negligenciada de tal forma que, neste momento, apenas três organizações não-governamentais trabalham nessa área: a NLR, que actua em Nampula, Zambézia, Niassa e Cabo Delgado; a Missão Contra a Lepra, que desenvolve actividades em Cabo Delgado e Zambézia e a AIFO, que está em Nampula e Manica.

Uma jovem de 29 anos foi supostamente violada até à morte na madrugada do último sábado no bairro Sansão Muthemba, na cidade de Tete. O principal suspeito é o ex-namorado

De acordo com a Polícia, na data do crime, a vítima e o ex-namorado estavam a consumir bebidas alcoólicas no interior de uma barraca, próximo à casa da finada.
Entretanto, na manhã do dia seguinte, o corpo da jovem foi encontrado numa machamba com sinais de agressão e violação.

Uma das amigas com que a vítima esteve na mesma noite, antes do assassinato, disse estar surpreendida com a triste notícia e lamenta o facto de o caso ter sido consumado nas proximidades da casa da vítima.

Familiares da finada presumem que o caso tenha sido causado por motivos passionais, alegadamente porque o suposto autor do crime não aceitava o fim do relacionamento com a vítima, que deixa quatro filhos menores.

O ambientalista Rui Silva afirma que a suposta contaminação da água no bairro Trevo, que está a causar a morte de peixes, é uma ameaça à saúde pública. O especialista diz que o responsável deve ser punido por crime ambiental.

Ainda não são conhecidas as causas da morte de peixes no bairro Trevo, assim como a origem das águas supostamente contaminadas, que estão a ser drenadas no mar. Contudo, suspeita-se que a água de coloração castanha, que cai no canal ali existente, é que esteja contaminada.

Além de matar peixes, o líquido também exala um cheiro nauseabundo naquele bairro bem próximo da portagem da Matola, na Estrada Nacional Número Quatro. O ambientalista Rui Silva chama atenção para uma rápida intervenção das autoridades competentes para que o problema não se alastre nem se prolongue, causando mais danos.

“Tudo indica que esteja a haver uma descarga de alguma indústria, que causa a morte dos peixes e pode prejudicar, obviamente, a saúde dos moradores. Portanto, também é uma questão de saúde pública e, nesse sentido, tem de haver, obviamente, a intervenção das autoridades, uma vez que é um crime ambiental.”

A nossa fonte assegura que, para responder a esta preocupação, é necessária uma investigação apurada, “no sentido de, rapidamente, descobrir qual é a origem desses produtos tóxicos, que estão a provocar a morte desses peixes, e tomar medidas contra a instituição ou indivíduo que está a efectuar descarga ilegal”.

Equipas da Autoridade Nacional para o Controlo de Qualidade Ambiental e do Instituto Nacional do Mar estiveram, na manhã desta segunda-feira, a trabalhar no bairro Trevo, para aferir as causas da morte dos peixes e também descobrir a origem das águas supostamente contaminadas.

Em contacto com a equipa de reportagem do jornal O País, os técnicos disseram que é prematuro avançar dados e avançaram que tudo vai depender dos resultados do laboratório.

Uma pessoa foi decapitada pelos terroristas, no último sábado, no distrito de Metuge, em Cabo Delgado. A informação foi confirmada ao “O País” pelo administrador daquele distrito, Salésio Paulo.

Segundo a fonte, a vítima é um jovem que regressava de uma zona de produção agrícola denominada Pulo. “Na verdade, existe movimentação de terroristas no distrito”.

O grupo de malfeitores, de acordo com o administrador, deslocou-se de Quissanga para Metuge. “Neste momento, algumas aldeias de Metuge estão agitadas”, por causa dos terroristas. 

“Desde que eles entraram em Metuge, a única acção” que se pode considerar preocupante é a decapitação de um jovem.

A circulação de terroristas na zona foi notada também esta segunda-feira, segundo o administrador.

Devido à situação, a população não consegue ir aos seus campos agrícolas, porque “eles estão a movimentar-se com maior intensidade nas aldeias mais ao sul do distrito”.

Salésio Paulo garantiu que, apesar da presença dos terroristas, não há registo de população deslocada para outras regiões. Porém, algumas pessoas refugiam-se nas matas, à noite, e, no dia seguinte, regressam às suas comunidades.

Foram detidos dois indivíduos que estariam envolvidos no rapto de um empresário, ocorrido há duas semanas, na cidade de Maputo. 

O Serviço Nacional de Investigação Criminal apresentou, hoje, dois indiciados em crimes de rapto e diz que há evidências de que um deles esteja envolvido no rapto do empresário e também na tentativa de rapto a outro empresário ocorrido no início deste mês e que foi frustrada pela população.

 

Mateus Magala diz que o país precisa garantir informações climáticas fiáveis para melhor prevenção e redução dos danos causados pelos fenômenos naturais. O ministro dos Transportes e Comunicações falava hoje durante a abertura do fórum de perspectivas climáticas da África austral.

As cheias em Boane, que resultaram em mortes e destruição de infra-estruturas, podem ser o exemplo da falta de informação clara sobre fenómenos climáticos. 

Em Fevereiro do ano passado, o INAM até informou sobre as chuvas, mas a sociedade civil e vários intervenientes disseram não ter sido difundida a informação na dimensão das cheias que houve.

É tomando estes e outros exemplos que o ministro dos Transportes e Comunicações, Mateus Magala, apela para melhor provisão de informações climáticas no país.

De acordo com Mateus Magala, a prestação de informações fiáveis vai permitir também o melhor controlo das bacias hidrográficas nacionais.

Mateus Magala falava na abertura do vigésimo oitavo fórum regional da África Austral sobre antevisão do clima.

Além do Instituto Nacional de Meteorologia, a quem cabe a responsabilidade de divulgar previsões climáticas à sociedade, existe a comissão técnico-científica para as mudanças climáticas, que presta aconselhamentos ao Governo.    

Professores marcham na Cidade de Maputo a exigir melhores condições de trabalho
Professores exigem a redução de alunos por turma, a eliminação de turmas ao relento e o pagamento de dívidas do subsídio de horas extras. Os profissionais falavam, esta segunda-feira, durante uma marcha de reivindicação pela melhoria das condições de trabalho.

São professores do ensino primário, secundário e técnico-profissional que saíram à rua, esta segunda-feira, para mais uma marcha de reivindicação.

Com dísticos e panfletos, vestidos de batinas, os profissionais marcharam por algumas avenidas, entoando cânticos de contestação das condições de trabalho, que consideram “péssimas”.

A existência de turmas ao relento e a superlotação de salas de aula, um pouco por todo o país, são algumas das preocupações da Associação dos Professores Unidos (APU).

“Nós temos as nossas crianças a terem aulas embaixo de salas-sombras, o que não se justifica num país como o nosso. Os nossos filhos estão a estudar debaixo de árvores só porque são pobres. Tivemos um regulamento lançado no mês de Dezembro, em que fixa 50 alunos o número máximo por turma, então estamos a exigir ao Governo que cumpra esse número”, disse Avatar Cuamba, presidente da Associação dos Professores Unidos, que, de igual modo, avançou que “se nós tivermos salas acima de cinquenta alunos, vamos cortar a lista e o Governo vai ter de decidir onde vai deixar a outra parte”.

Os professores dizem que o pagamento do subsídio de horas extraordinárias em atraso, há mais de um ano, não passou de promessa do Governo, pois nada está a ser feito.

“Os professores ainda não receberam os subsídios das horas extraordinárias, estamos aqui para confirmar que, até agora, temos mais que a metade sem as suas horas extras pagas. Na cidade da Matola, apenas três escolas é que tiveram o valor este ano e as outras como é que ficam? Queremos que o Governo dê uma estimativa real de quando efectivamente serão pagas as horas extras”, exigiu.

Cuamba foi mais longe, acusando o Governo de obrigar a classe a promover passagens automáticas de alunos sem o aproveitamento necessário.

“Nós, professores, estamos a dizer que os resultados pedagógicos que estamos a fornecer não são reais, são resultados que somos forçados a fabricar, para que o Governo apresente dados bonitos à comunidade internacional. Mas estamos cansados de mutilar os nossos filhos, queremos que estes tenham uma educação condigna, queremos que os nossos filhos acreditem no país que têm e que não vivam dos famosos ‘ways’.”

Os professores querem melhorias das condições de trabalho, por isso deixam recomendações: “Membros da APU e professores em geral, assumam apenas a carga horária normal de aulas, até que sejam liquidadas as dívidas do subsídio das horas extraordinárias, pois, caso contrário, não iremos intervir na resolução da nova dívida. Sintam-se livres para exigir o número de alunos por turma, que vem estabelecido no regulamento e estamos abertos para qualquer denúncia ou reclamação que possa surgir”, apelou Xadreque Sitoe, membro da APU.

Os professores exigem, também, a valorização da sua profissão, pois, segundo dizem, é sempre colocada em último plano.
“O professor precisa de ser visto como um elemento importante para o desenvolvimento deste país. Estamos a fazer esta marcha para exigir que o sector da educação seja colocado em primeiro lugar”, esclareceu.

Esta foi a segunda marcha realizada pelos professores, em menos de um mês, na Cidade de Maputo.
As reivindicações foram feitas esta segunda-feira, faltando dois dias para o arranque do ano lectivo 2024.

Peixe morre por razões até aqui desconhecidas no canal de drenagem de águas ao mar na zona do bairro Trevo, na Matola. Os moradores suspeitam da presença de químicos na água.

Missalene Pedro levou a equipa de reportagem do jornal O País até ao ponto onde considera que foi canalizada tubagem subterrânea que leva água supostamente contaminada até ao mar. O peixe em quantidade não especificada morreu no local.

“O peixe morre aqui desde 2023 e piora tudo quando chove. O peixe é arrastado e passa aqui, mas também há mau cheiro. A água é tão suja que já não dá para banho ou mesmo para  lavagem de roupa”, lamentou Missalene Pedro.

A chefe de quarteirão do bairro Trevo diz que a situação é crítica, já que, além da morte de peixes, há doenças supostamente causadas pelo cheiro tóxico exalado a partir desta vala.

“Andamos doentes aqui, mas não temos certeza se a causa de doenças é mesmo aquilo, porque, quando chove, aqui enche de água e, quando se junta àquela sujidade, só aumenta doenças, tanto que estamos todo o momento com tosse, seja adulto seja criança; há febres, malária. Há problemas aqui.”

Por isso, pede a intervenção das autoridades, mas também exige que os responsáveis pela poluição da água intervenham para pôr fim a esta situação.

“Podem fazer atravessar a tubagem por baixo da estrada onde há uma vala por baixo até ao mar, não sabemos se no mar o peixe não vai morrer. Havendo outra saída, que seja feita, porque aqui a situação é crítica.” 

Esta situação está a ocorrer próximo à Portagem de Maputo, numa área que as autoridades municipais, seja da Matola seja de Maputo, consideram de assentamento informal.

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