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O País – A verdade como notícia

O bebé do sexo masculino abandonado há mais de um mês numa mata, nos arredores da cidade de Quelimane, goza de boa saúde e aguarda por adopção no Hospital Central de Quelimane.

No berçário desta unidade sanitária, o recém-nascido recebeu o nome de Pascoal, mesmo nome do cidadão que o acompanhou ao hospital.
Segundo uma funcionária afecta ao berçário do Hospital Central de Quelimane, a criança goza de boa saúde e está com sinais vitais normais.
“O bebé  tem boa sucção e, por outro lado, apresenta bom desenvolvimento psicomotor para a sua idade. Neste momento, aguarda adopção de pessoas de boa vontade”, explicou.

O bebé tem uma idade estimada em um mês e meio, sendo que o seu peso é, agora, de 3,300 gramas.
Este é o primeiro caso de recém-nascido abandonado a dar entrada no Hospital Central de Quelimane desde a sua abertura em 2016.

O Ministério da Saúde (MISAU) garante que estão a funcionar em pleno todas as unidades sanitárias que se encontram nos distritos assolados pelo terrorismo.

É uma garantia dada, esta quarta-feira, pelo ministro da Saúde, Armindo Tiago, na abertura do quadragésimo nono Conselho Coordenador do Ministério da Saúde que decorre até esta sexta-feira em Nacala-a-Velha, na província de Nampula.

Armindo Tiago referiu que o Governo continua a criar mecanismos, de modo que as unidades sanitárias nas zonas assoladas pelas ameaças terroristas, em Cabo Delgado, continuem a prestar cuidados de saúde à população.

“Eu quero, aqui, como último Conselho Coordenador, dizer que, apesar dos desafios enormes que enfrentámos, podemos declarar, com algum gosto e com amor de nós próprios, que nenhuma unidade sanitária do nosso país se fechou devido a crises, à excepção do terrorismo”, garantiu Armindo Tiago.

O ministro da Saúde acrescentou que, “mais uma vez, quero convidar todos a usarmos da oportunidade de estarmos reunidos para aprofundar as discussões e conhecimentos sobre os principais desafios. Só assim poderemos definir soluções arrojadas para remover as barreiras que persistem na prestação de cuidados de saúde”, disse.

Armindo Tiago encorajou os profissionais do sector que trabalham em zonas assoladas pelo terrorismo a continuarem firmes, com o espírito patriótico e humanitário de salvar vidas.

O ministro dos Transportes e Comunicações, Mateus Magala, reitera que a decisão tomada pelo Instituto Nacional de Comunicações de Moçambique, relativa às tarifas de telefonia móvel, visa tornar mais sustentável a indústria de comunicações.

Trata-se da primeira vez que o Governo, através do ministro dos Transportes e Comunicações, Mateus Magala, reage sobre o reajuste de tarifas de telefonia móvel. Para o titular da pasta de Transportes e Comunicações, o novo regulamento adoptado pelo Instituto Nacional de Comunicações de Moçambique tem como objectivo tornar a indústria das comunicações mais robusta.

“A indústria das telecomunicações tem de ser sustentável. E, para que haja essa sustentabilidade, ela precisa, como outras indústrias, de investimentos, e eles vêm de outras actividades, que são a venda de serviços. Então, para que haja essa sustentabilidade, temos de ter o preço certo, que é capaz de cobrir o custo e deixar alguma coisa para investimento e criação de emprego”, afirmou Mateus Magala, ministro dos Transportes e Comunicações.

Mesmo assim, Magala entende haver necessidade de o INCM esclarecer as medidas que levaram à fixação destas tarifas.
“Tem de haver uma comunicação para esclarecer qual foi o princípio para a colação destes preços regulados”, avançou o governante esta quinta-feira.

Sobre a marcha feita por alguns trabalhadores das Linhas Aéreas de Moçambique em contestação à gestão liderada pela Fly Modern Ark, em pleno 1º de Maio, Magala aponta o diálogo como a melhor alternativa.
Quanto aos resultados da comissão de inquérito criada para averiguar as causas do naufrágio ocorrido na Ilha de Moçambique, o ministro dos Transportes e Comunicações preferiu não fazer qualquer comentário.

Dez dos quinze quarteirões do bairro Magoanine “A” , na Cidade de Maputo, desapareceram em menos de dois anos devido às inundações. Há mais de 300 famílias que vivem nos centros de acomodação. Os moradores exigem solução para o problema. 

Já não é novidade que o bairro de Magoanine “A” é um dos mais críticos quando se fala de inundações na Cidade de Maputo.  São centenas de famílias que, depois de perderem os seus bens, devem também abandonar as suas casas para não viver na água. 

“Eu tenho um sonho, tu tens um sonho, nós temos um sonho de voltar a viver nas nossas casas”, disse Fernanda dos Santos, uma das moradoras do bairro de Magoanine “A”, que se lamentava pelo facto de viver numa casa arrendada há cerca de um ano, por conta da  água da chuva que inundou a sua casa.

Um bairro em risco de desaparecimento quando já se contabilizam pelo menos 10 quarteirões que foram literalmente abandonados devido a inundações permanentes, de um total de 15 afectados, tal como referiu Chimene Matusse, um dos moradores do bairro.

“De 2021 a esta parte, são promessas e promessas e, quanto mais o tempo passa, a zona fica cada vez mais pequena. Só ficamos com uma parte e se voltar a chover, todo este bairro vai desaparecer porque será engolido”.

Os moradores dos 5 quarteirões continuam a clamar por soluções para viabilizar a passagem das águas, antes que o pior aconteça. “Nós não queremos mais promessas, estamos cansados de promessas, até porque  se não se resolver este problema, vai crescer”, clamou um dos moradores de Magoanine “A”. 

É o problema das inundações que levou o edil Rasaque Manhique a interagir com os moradores de Magoanine “A”, esta quarta-feira, não para apresentar soluções, mas apenas para ouvir de perto. 

“Estamos à procura de soluções, a partir de agora vamos trabalhar. Deve-se encontrar um caminho para a água passar”. 

Enquanto não se encontra o “caminho das águas”, Rasaque Manhique fala de reassentamento para as famílias em situação crítica. 

Entretanto, não avança datas nem informações sobre os locais  identificados.

“A nossa população tem carências, não é fácil informá-la que passam a viver num terreno. Isto não resolve o problema, por isso é que às vezes levamos tempo, porque as casas precisam ser erguidas”. 

São mais de 2 mil famílias que ainda vivem em zonas de risco, só no bairro de Magoanine “A”, de um universo de mais de 20 mil na Cidade de Maputo. 

A Associação Nacional dos Professores escalou, esta quarta-feira, o Tribunal Administrativo (TA) para reclamar a falta de pagamento das horas extras, bem como pedir a intervenção deste órgão para reposição dos seus direitos violados desde 2022.

O atraso no pagamento das horas extras aos professores é uma situação que se arrasta desde desde o ano 2022, forçando esta classe a fazer de tudo para pressionar o Governo no sentido de efectuar o desembolso dos seus honorários, o que não aconteceu até hoje.

Após quatro encontros mantidos com o Executivo, sem produzir os consensos desejáveis para a classe, a Associação Nacional dos Professores decidiu apresentar, ontem, a sua reclamação ao Tribunal Administrativo para uma intervenção.

“Esperamos que este órgão tome as devidas providências no sentido de chamar atenção para as três possibilidades que são sugestivas. Uma delas, a mais amistosa, é que o Governo pague o que é devido sem nenhum arremesso de processos, sem precisarmos chegar a nenhum situação indesejada”, disse Marcos Mulima, porta-voz da ANAPRO.

Se o Governo permanecer no silêncio, advertem, os professores prometem constituir um mandatário para dar seguimento ao processo na justiça.

“Iremos para aquilo que chamamos de processo letigioso porque o Tribunal Admnistrativo tem todos estes procedimentos. A ANAPRO, sendo um órgão legalmente reconhecido, vai constituir um mandatário para dar seguimento, em última instância, se o Governo achar que pretende manter a situação”, alertou.

Outra reclamação apresentada pela Associação dos Professores ao Tribunal Administrativo tem a ver com a onda de transferências compulsivas de professores, processo cujo objetivo, denunciam, é silenciá-los.

“Far-se-á um trabalho que já está em curso para o encalce de todas as transferências compulsivas que vão sendo executadas pelos directores distritais e pelas direcções provinciais para calar o professor”, denunciou.

A classe desmente as informações avançadas pelo conselho do ministro na semana passada, que disse estar em curso o processo de actualização das listas para o efeito de pagamento das horas extras aos professores.

Em Junho de 2017,  Daviz Simango (falecido), então edil da Beira, recebeu do Ministério dos Transportes e Comunicações a gestão da Empresa Transportes Públicos da Beira (ETPB), actualmente com a designação de Transporte Municipal da Beira.

No processo de transição, parte dos trabalhadores assinaram novos contratos  e outros foram dispensados sem, no entanto, garantia de indemnização pela suspensão dos contratos anteriores.

Acontece que o Município da Beira e o Governo Central não queriam assumir a dívida, tendo, depois, iniciado um processo negocial no qual se chegou à conclusão de que os referidos trabalhadores deviam receber cerca de 40 milhões de Meticais em indemnizações cuja responsabilidade é da edilidade.

Depois do braço-de-ferro, seis anos depois, iniciou-se, esta quarta-feira, o processo de pagamento de indemnizações, numa altura em que alguns dos beneficiários perderam a vida, sendo representados pelos seus parentes. O Conselho Autárquico da Beira pagou, numa primeira fase, o valor monetário de quatro milhões de Meticais a 46 trabalhadores.

“Em Junho, vamos pagar mais oito milhões e setecentos mil Meticais. No segundo semestre, vamos também pagar outro valor. Este ano, dos 40 milhões de Meticais, vamos pagar o valor monetário de 30 milhões e novecentos mil Meticais. Até ao próximo ano, vamos terminar com o pagamento da indemnização que será de nove milhões e setecentos mil Meticais”, garantiu Albano Cariz, edil da Beira.

Segundo Cariz, com este processo, “estaremos a fechar o pagamento de indemnização de 200 funcionários da extinta Empresa Transportes Públicos da Beira”.

A emoção, durante a entrega dos cheques pelo edil da Beira, Albano Cariz, tomou conta de alguns familiares de beneficiários perecidos.
A representante dos trabalhadores, Vitória Vasco, manifestou a sua satisfação pelo pagamento da compensação monetária.

“Fizemos um  bom combate. Agradecemos à liderança do Conselho Municipal da Beira, na pessoa do edil Albano Cariz, por ter colaborado com os trabalhadores da extinta ETPB até chegar a data de hoje. Pedimos ao edil para continuar a olhar pelos munícipes e a não parar por aqui.”

As autoridades consulares de Moçambique dizem que estão a fazer o acompanhamento do caso de colapso de um prédio que provocou a morte de sete trabalhadores, no município de George, na província sul-africana de Cabo Ocidental.
Numa verdadeira corrida contra o tempo, as equipas de emergência continuam no terreno, para retirar 39 trabalhadores que continuam entre os escombros.

Dados actualizados apontam que, até às primeiras horas de ontem, foram retirados 36 trabalhadores, incluindo os sete que perderam a vida. O trágico incidente foi registado na segunda-feira, quando estavam no local 75 trabalhadores.

A consulesa de Moçambique na cidade do Cabo, Ivete Uqueio, esteve no local do incidente, esta terça-feira, e diz ter recebido  garantias  das autoridades sul-africanas  de que as nacionalidades  das vítimas vão ser divulgadas.

Nas proximidades, estão dezenas de familiares dos trabalhadores ainda por resgatar, esperançosos de que os parentes  sejam retirados com vida.

Ivete Uqueio disse ter tido contacto com familiares de supostos trabalhadores moçambicanos presos entre os escombros do prédio que desabou.

No entanto, Ivete Uqueio diz que esta informação deve ser confrontada com os dados a serem fornecidos pelas autoridades sul-africanas.

O Presidente Cyril Ramaphosa já apresentou condolências às vítimas, desejou sucessos às equipas de resgate e quer que os investigadores cheguem, o mais rápido possível, às causas do trágico incidente.

Juízes voltam a queixar-se de intimidações, desvalorização da classe e perseguições por cumprirem a lei. Os magistrados reiteram, ainda, estar cansados de depender do Governo e clamam por independência financeira. Os pronunciamentos foram feitos hoje, no âmbito do Dia do Juiz Moçambicano.

A classe dos juízes decidiu homenagear o juiz da secção criminal do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, Dinis Silica, assassinado a balas a 8 de Maio de 2014 – Dia do Juiz Moçambicano –, quando saía da sua casa para o local de trabalho.

“Não se compreende porque é que o assasinato de um juiz, até hoje, não se esclarece”, lamentou o vice-presidente da Associação Moçambicana de Juízes, Jafete Sigoto.

Os magistrados denunciam, também, ameaças e perseguições.

“O juiz não tem segurança em todo o país. Somos violados, os nossos bens são roubados… recentemente, tivemos um caso na Zambézia, em que até levaram um caixão para o tribunal. Tivemos uma colega em Cuamba, que sofreu um roubo em casa e muitos outros casos que nem são reportados à imprensa”, denunciou.

Os juízes exigem protecção, mas, acima de tudo, não querem depender do Governo para realizar o seu trabalho.

“Estamos a dizer que existem três órgãos de poder, a Assembleia da República, o Governo e os tribunais. Esses poderes devem funcionar de forma separada e interdependente. Por exemplo, o orçamento do judiciário é aprovado pela Assembleia da República, o que não faz sentido nenhum”, disse.

“A missão do INCM, como regulador das telecomunicações, é garantir a disponibilidade de infra-estruturas, serviços de qualidade, um ambiente competitivo e preços acessíveis aos consumidores, visando assegurar a estabilidade e sustentabilidade do mercado.”

Foi com estas palavras que o presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Comunicações falou sobre as novas tarifas de telecomunicações. Na ocasião, garantiu que o acesso aos serviços de comunicações seria mais barato. A informação até foi vista como uma boa nova pelos cidadãos de todo o país, mas agora, poucos dias após a implementação das novas tarifas, os utentes sentem-se enganados pela autoridade reguladora das comunicações no país, pois parece que aconteceu o contrário do que foi anunciado.

“Eu sou estudante. Estou a ter muitas dificuldades nos meus estudos. Por dia, sou obrigado a gastar, no mínimo, 50 Meticais”, lamentou.
Por exemplo, uma recarga de mil Meticais, tanto na Vodacom como na Movitel, permitia chamadas e SMS ilimitadas, bem como cerca de 27 gigabytes durante 30 dias. O mesmo valor serve, agora, apenas para 800 minutos de chamadas, apenas 5,7 gigabytes e 500 SMS durante o mesmo período de um mês.

Na Mcel, os serviços de internet chegaram a não funcionar desde sábado. A operadora confirmou, através de mensagens, a actualização dos benefícios das ofertas e que por dois dias os serviços seriam interrompidos. A retoma estava prevista para este domingo, mas até esta terça-feira era quase impossível usar qualquer serviço.

 

INCM DIZ QUE OPERADORAS SÓ ELIMINARAM PACOTES ILIMITADOS

Em resposta à aflição dos consumidores, o INCM, através do presidente do Conselho de Administração, Tuaha Mote, garantiu que não houve subida de tarifas. O que está a acontecer é que só se eliminaram os pacotes ilimitados, de modo a evitar o colapso do sistema de telecomunicações.

O INCM assegura que as medidas beneficiam todos, o regulador, os operadores e, sobretudo, o consumidor.
No começo da sua explicação, Tuaha Mote usou o seguinte raciocínio: “Se alguém compra uma garrafa de água que custa 8 Meticais e pede para vender por 9 Meticais, e, a dado momento, começa a vender por 1,5 Meticais, aí há problemas”.

Nesta linha de raciocínio, o PCA prosseguiu com a explicação e justificar: “Nós limitamos os preços dos pacotes ilimitados porque eram esses pacotes que ditaram a entrada em vigor da intervenção do regulador. Se nós tivéssemos deixado continuar, o mercado haveria de colapsar e ficávamos apenas com uma operadora”, explicou.

Ainda sobre defender os interesses do consumidor, recorrendo à analogia “nós fizemos cirurgia ao dedo para não cortar o braço”, Tuaha Mote defendeu que a decisão foi assertiva e que os consumidores verão os seus frutos a longo prazo.

“Se nós tivermos de tomar uma decisão que tenha impacto imediato positivo, mas, a longo prazo, termos um impacto negativo, um regulador de responsabilidade não tomaria esta decisão. Daqui a seis meses, poderão ver o impacto que teve”, prometeu.

Segundo o mesmo, as tarifas ilimitadas eram prejudiciais aos operadores e mesmo que já não existam por serem prejudiciais, as designações continuam.  “Já não existem pacotes limitados mas os nomes continuam lá. O pacote diamante ou qualquer que seja, turbo giro, entre outros, esses nomes continuam lá, mas os mesmos não são oferecidos de forma limitada. Tem limitação, dependendo dos minutos, dos megas e dos sms “, acrescentou.

No meio desta situação, Tuaha Mote, também anunciou que foram introduzidos pacotes gratuitos para estudantes e aumento de benefícios para  o aos  conteúdos locais.

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