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O País – A verdade como notícia

O novo sistema de baixa pressão que se formou a nordeste da Ilha de Madagáscar, na bacia do sudoeste do Oceano Índico, evoluiu para o estágio de tempestade tropical severa e foi-lhe atribuído o nome de Gamane.

A tempestade tropical severa Gamane, que ainda se localiza a nordeste de Madagáscar, move-se para o sul da bacia e tem potencial para evoluir para o estágio de ciclone tropical nas próximas horas.

Um comunicado do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) indica que a sua interacção com a zona de convergência intertropical continua a influenciar o estado do tempo, com chuvas moderadas localmente fortes nas zonas Centro e Norte do país.

O INAM continua a monitorizar a evolução do sistema e apela à população para que continue a acompanhar a informação meteorológica e os avisos difundidos pelas autoridades nacionais competentes.

Um caso estranho é que ainda carece de esclarecimento por parte das autoridades. Um digitador afecto ao posto de recenseamento eleitoral afecto a localidade de mineira de Muiane no distrito de Gilé, não escapou a estaqueamento perpetrado por alguém conhecido mas até aqui a monte. O facto ocorreu na madrugada do dia 25 deste mês, por sinal na zona onde este foi alocado para trabalhar no posto de recenseamento eleitoral de Napote.

O Director provincial do Secrtatiado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) da Zambézia, já reagiu a ocorrência. Cristóvão Baltazar diz que o facto não tem nada haver com o trabalho que o finado exercia ao serviço daquele órgão eleitoral. “Na verdade tivemos esta informação apartir de Gilé, que faleceu um digitador depois de esfaqueado. Trata-se de Dinis Nunes Mário cujo as circunstâncias ainda não foram esclarecidas.

Lamentamos o sucedido pois ocorre numa altura em que estamos empenhados no processo de recenseamento eleitoral. Oque nos leva a crer que não tem nada haver com o processo, é que a situação acontece a noite, no seu alojamento e depois de encerrar o trabalho. Ainda não temos clareza mas fala-se de assuntos particulares e que não envolveu o processo” disse o Director provincial do STAE da Zambézia.

E a polícia já reagiu a volta do caso. Sidner Lonzo porta-voz do comando provincial não avança as causas da morte, mas fala de estaqueamento por parte da vítima. Conta que o colega que estava no posto de recenseamento eleitoral a prestar segurança ouviu gritos vindo de pelos 100 metros do local de guarnição, e quando o agente se aproximou para ver oque se tratava, notou que o socorro era do digitador do posto onde fazia a protecção. “Surge que imediatamente prestou socorro para o centro de saúde de Muiane mas infelizmente em decorrência dos ferimentos a vítima acabou perdendo a vida horas depois” disse o porta-voz da polícia na Zambézia.

Lonzo fez saber ainda que no momento em que o policial prestou socorro, a vítima descreveu o estaqueamento sem no entanto o nome da pessoa que protagonizou tal acto. “O ferimento foi no ombro esquerdo e pela profundidade do ferimento entende-se que pela perfuração da faca, sangramento originado a vítima não conseguiu resistir e perdeu a vida” precisou.

Questões passionais suspeitam-se que pode m estar na origem da situação mas nem a polícia e nem direcção do STAE confirma.

O custo do dinheiro para os bancos comerciais, ou seja, a taxa de juro MIMO, reduziu de 16,50% para 15,75%. Tal abre espaço para que as instituições financeiras emprestem dinheiro às famílias, empresas e ao Estado a taxas de juro mais baixas.

Com este marco, o sonho do Banco de Moçambique de reduzir a taxa de juro de política monetária para menos de 10%, em 36 meses, já começou a ser realizado.

Pela segunda vez consecutiva, em dois meses, o Comité de Política Monetária do Banco Central cortou o custo de dinheiro para os bancos.

“Esta decisão é sustentada pela consolidação das perspectivas de inflação em um dígito no médio prazo, num contexto em que a avaliação dos riscos e das incertezas associadas ás projecções continuam favoráveis”, anunciou Rogério Zandamela.

O corte da taxa abre espaço para os bancos comerciais se financiarem a custos mais baixos, ou melhor, concederem créditos mais baratos às famílias, empresas e ao Estado.

O custo de vida é sim um dos factores que contribuiu favoravelmente para a redução, mas há um outro que continua de alto risco, a dívida pública interna.

“A pressão sobre o endividamento público interno mantém-se elevada. O endividamento público interno, excluindo os contratos de mútuo e de locação e as responsabilidades em mora, situa-se em 344,0 mil milhões de Meticais, o que representa um aumento de 31,7 mil milhões em relação a Dezembro de 2023”, alertou o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela.

Para o governador do banco central, é normal que o Estado contraia dívidas dentro do país, mas a forma como esse dinheiro é usado é que preocupa.

“Você pode se endividar e o dinheiro é investido em infra-estruturas, melhores capacidades e transformação da economia, isso é uma boa notícia, porque a dívida de hoje vai ser paga amanhã, agora, quando estamos a endividar-nos porque estamos a consumir, ou porque estamos a pagar salários e despesas correntes, aí já vira um outro ciclo”, explicou, ontem, Rogério Zandamela.

No que toca aos apagões frequentes registados no sistema financeiro, ligados a pagamentos e à carteira móvel, Rogério Zandamela culpa os bancos comerciais.

“As instituições atrasam ajustar os seus sistemas à nova plataforma e isso cria problemas. Eu já disse às instituições que têm que trabalhar porque atrasaram  ou porque acreditaram que não iria acontecer, não sei porquê”, referiu o governador.

Outro assunto que mereceu comentário foi o acordo extrajudicial com o banco Credit Suisse, através do qual o Estado passou a não ter de pagar parte da dívida de 622 milhões de dólares da ProIndicus. Zandamela não vê problemas no acordo.

“A dívida foi perdoada, mas nesse processo eles não eram os únicos credores, havia outros pequenos que exigiam pagamentos em dinheiro. Uma parte, usamos as nossas reservas para pagar esses pequenos credores, por parte de um acordo que tivemos”, explicou Rogério Zandamela.

No encontro que visava partilhar resultados da reunião do Comité de Política Monetária, o governador do banco central recusou-se a falar das recentes sanções a bancos comerciais, com destaque para o BCI e seus administradores.

O Secretariado Técnico de Administração Eleitoral diz que as chuvas que caíram nos últimos dias, na capital do país, forçaram o encerramento de algumas brigadas de recenseamento. Quanto a Cabo Delgado, o STAE continua a enfrentar dificuldades na alocação do equipamento, particularmente à Ilha de Ibo e a Quissanga, devido à insegurança causada pelos ataques terroristas.

A chuva, que fustigou, desde a madrugada de domingo até à tarde de terça-feira, a Cidade e a Província de Maputo, está a condicionar o decurso normal do processo de recenseamento eleitoral, que vai para a sua segunda semana, depois do lançamento ocorrido no passado dia 15 de Março em todo o país.

A informação sobre as limitações existentes no processo que tem em vista as eleições de 9 de Outubro foi avançada esta quarta-feira ao “O País” pela porta-voz do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE), Regina Matsinhe.

“No Distrito Municipal Nlhamankulu, tivemos quatro postos alagados, um dos quais está fechado. No Distrito Municipal KaMavota, temos a informação de cinco postos alagados e igual número fechados. Em relação ao Distrito Municipal KaMubukwana, temos cinco postos alagados, dois dos quais estão encerrados”, precisou a porta-voz do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral, Regina Matsinhe.

Nos restantes distritos municipais, apesar da intensa chuva, não houve obrigação de se fecharem os postos.

Relativamente ao equipamento de recenseamento eleitoral em postos afectados pela fúria das águas, Matsinhe garante ter havido a reposição imediata do mesmo e que não há dados afectados de potenciais eleitores já inseridos nessas brigadas.

Quanto à província de Cabo Delgado, onde os órgãos eleitorais tinham como meta fixar 512 brigas, até agora o número não foi alcançado por conta da insegurança.

“Na ilha de Ibo, está a ser feito todo o trabalho para a colocação do material eleitoral, por via de barcos, estando a decorrer o processo de capacitação de agentes para se poder arrancar com o recenseamento eleitoral. Em Quissanga, ainda não há segurança”, disse Regina Matsinhe.

Para além da insegurança, a província de Cabo Delgado depara-se com situação de chuvas que estão a colocar em causa o andamento do processo eleitoral, sobretudo dada a degradação das vias de acesso. Tal é o caso da estrada número 698, que liga Montepuez a Mueda, especificamente no troço entre rio Muirite e Mueda.

Os profissionais de saúde decidiram suspender a retoma da greve por 30 dias a partir desta quarta-feira. A classe justifica a medida com o alcance de alguns consensos com o Governo.

Estava prevista para esta quinta-feira a retoma da greve dos profissionais de saúde, mas estes decidiram suspendê-la por 30 dias.
Falando numa conferência de imprensa, esta quarta-feira, a Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique diz que a suspensão é mediante algumas promessas feitas pelo Governo.

“Logo ao início do diálogo com o Governo, a Associação dos Profissionais de Saúde e Solidários de Moçambique (APSUSM) teve conhecimento documental de que, neste momento, o Governo adquiriu 400 ambulâncias para todo o país, um ganho para os moçambicanos, não só para os profissionais de saúde; incremento na importação de medicamentos e artigos médicos (luvas, seringas, aventais, máscaras etc). O enquadramento do regime geral esta palpável e foi igualmente provado o início de conversações com parceiros de cooperação para o apoio ao Orçamento do Estado para o enquadramento geral do pessoal do regime, explicou Anselmo Muchave, porta-voz da APSUSM.

Quanto às exigências dos subsídios e horas extras, os profissionais confirmam o pagamento a 60 mil profissionais faltando apenas cinco mil.

“O pagamento de horas extras já existe. Segundo os documentos que o Governo mostrou, serão pagas todas as horas extras até possivelmente finais do mês de Abril”, avançou.

Os profissionais de saúde denunciaram ainda a falta de medicamentos nas unidades sanitárias, um problema que pode ser ultrapassado brevemente, segundo a lista de documentos apresentados à associação.

Há quatro centros de saúde encerrados devido a inundações no Município da Matola. Os residentes dizem que, com o encerramento das unidades sanitárias, os serviços estão mais distantes.

São centros de saúde que deixam de servir à população sempre que chove. Um dos casos flagrantes é o do Centro de Saúde da Matola Santos, inaugurado em Dezembro de 2021, cuja construção custou 50 milhões de Meticais.

Desde a sua inauguração, o centro de saúde só funciona nove meses por ano, ou seja, quando chega a época chuvosa é encerrado devido a inundações. Em 2024 não foi diferente.

“Nós estamos a sofrer com água na Matola “A”. Este hospital, sempre que chove muito, fica encerrado e os profissionais de saúde são movimentados para outras unidades sanitárias”, contou Mingarda Sitoe, residente no bairro Matola “A”.

Com a unidade sanitária encerrada, as cerca de 65 mil pessoas que deveriam beneficiar-se com este centro buscam serviços de saúde em locais distantes.

“Nós somos obrigados a ter dinheiro para podermos ir às outras unidades sanitárias. São 30 Meticais para as duas viagens de ida e volta. Pedimos ajuda com este hospital. Imagina alguém que fica doente à noite ou uma mulher grávida. Fica difícil ter acesso a um hospital”, indicou Mingarda Sitoe.

E não será tão já que o centro de saúde voltará a funcionar.

“A situação deste centro de saúde é péssima. Assim, só daqui a uma semana é que  poderá voltar a funcionar. Daqui até ao Centro de Saúde da Matola “C”, hospital provincial ou Cinema 700, para termos cuidados de saúde. Não há outra saída. Mesmo tendo carro próprio, é longe. Então, imagina quem não tem. Estávamos acostumados a ter o centro de saúde por perto”, lamentou Jorge Matusse, residente nos arredores do Centro de Saúde da Matola Santos.

A Direcção dos Serviços Distritais de Saúde na Matola reconhece que a unidade sanitária foi construída no curso natural das águas, mas diz que o centro foi encerrado porque as vias que dão acesso a ele estão inundadas.

“Não temos acesso à unidade sanitária. Em termos de infra-estrutura e do local da unidade sanitária, não temos problemas, ela (a unidade sanitária) está num nível elevado em termos de cotas, porque foi construída para responder àquela demanda populacional, e o Governo já sabia”, assegurou Amélia Tembe, directora dos Serviços Distritais de Saúde da Matola.

E porque o Governo já sabia porquê, segundo a directora dos Serviços Distritais de Saúde da Matola, foi feito um estudo antes da construção do centro de saúde naquela zona. A limpeza constante das condutas é a solução.

“Temos a certeza de que teve sucesso, porque as águas já não ficam muito tempo. Temos uma bacia ali próximo da unidade sanitária, que faz a retenção, mas as condutas estão limpas, só que elas albergam águas de toda a Cidade da Matola a caminho do mar. Então, criam um bloqueio da entrada da unidade sanitária, mas um ou dois dias depois, temos acesso ao centro de saúde”, garantiu Amélia Tembe.

Mas os moradores do bairro Matola Santos desconhecem as referidas condutas e a bacia de retenção de água.
“Que vala o Governo fez? Não conheço tal vala. A vala que talvez estejam a referir é a que sai do Santos da empresa de matadouro, que não ajuda muito porque andam a entupir, mas não há vala feita, recentemente”, desmentiu Jorge Matusse, residente da Matola.

A quantidade de água que está no Centro de Saúde da Matola-Gare lembra um mar. A unidade sanitária está encerrada e é assim sempre que chove. “Eu frequento o Centro de Saúde da Matola-Gare, não tenho outro. Com esta situação de inundações, já não há como. Assim, tenho de ir até Machava para ter cuidados de saúde, e é muito longe”, disse Hermínio Cloman, residente da Matola.

Com o encerramento da unidade sanitária por tempo indeterminado, os utentes devem procurar cuidados de saúde em centros alternativos e, muitas vezes, não se localizam tão perto. “Qualquer tipo de doença, nós recorremos ao Centro de Saúde da Matola-Gare. Com a unidade sanitária fechada, teremos de os seguir onde estão e não deve ser aqui. É lamentável esta situação”, afirmou Olga, que reside nos arredores do Centro de Saúde da Matola-Gare.

A Direcção dos Serviços Distritais de Saúde na Matola tem uma explicação para a situação do Centro de Saúde da Matola-Gare. “É uma área baixa. As cotas das residências estão elevadas e as águas encontram espaço adequado para se acomodarem no nosso centro de saúde”, justificou a directora dos Serviços Distritais de Saúde da Matola.

A estas duas unidades sanitárias, juntam-se os Centros de Saúde de Bedene e Língamo, que também estão encerrados.
A alternativa às unidades sanitárias encerradas, estão os seguintes centros de saúde: Centro de Saúde da Machava II, Centro de Saúde da Matola C, Centro de Saúde de Malhampsene, Centro de Saúde de Muhalaze, Centro de Saúde de Nkobe.

A solução definitiva para os centros de saúde que são, constantemente, encerrados por conta das inundações, entende a Direcção dos Serviços Distritais de Saúde na Matola, passa por melhorar o sistema de gestão das águas da chuva.

Já na Cidade de Maputo, três unidades sanitárias foram encerradas por causa das inundações, nomeadamente, Centro de Saúde 1 de Maio, Centro de Saúde de Hulene e Centro de Saúde dos Bairro dos Pescadores.

A Organização das Nações Unidas está a preparar um pacote de apoio a Moçambique face aos impactos provocados pelo Fenômeno El-nino. A ONU afirma ainda, estar engajado em várias ações humanitárias em Cabo Delgado.

Uma delegação da Organização das Nações Unidas está em Moçambique para avaliar o nível dos impactos provocados pelo fenômeno natural El-Nino e as recentes chuvas na região sul do país. Esta quarta-feira, a comitiva chefiada pela assistente do Secretariado Geral da organização e Coordenadora da crise climática, foi recebida pela Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação Verónica Macamo.

Pouco mais de 3,3 milhões de pessoas estão na situação de insegurança alimentar na região sul do país, devido aos impactos do fenômeno El-Nino. Em resposta, às Nações Unidas prometem um apoio urgente para requalificação dos danos causados.

“E no ano passado fornecemos, creio, entre 150 e 200 milhões de dólares em apoio humanitário. Estamos em busca de formas de ajuda em toda a Comunidade Internacional. Até então recebemos 10% do que é necessário para a resposta humanitária. Então, vamos continuar a trabalhar para o efeito”, afirmou Reena Ghelani

A missão da ONU deverá após a avaliação dos impactos, os impactos emitir recomendações ao governo. A Organização entende que,’’O governo tem liderado ações de alerta precoce e a gestão de catástrofes, tendo em conta que a crise climática está a criar cada vez mais perigos. Esta é uma área onde certamente a ONU e outros parceiros gostariam de apoiar” afirmou a fonte, relevando o facto de também estarem por de trás do suporte às necessidades humanitárias e na região norte.

As últimas previsões apontam para uma probabilidade superior a 80 por cento de o El-Nino continuar a fustigar Moçambique entre Março e Maio de 2024, após a declaração do início das condições do El-Nino no início de Julho de 2023 pela Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Em Cabo Delgado as nações unidas continuam a prover o apoio aos deslocados do terrorismo bem como no apoio ao plano de reconstrução.

Utentes das farmácias públicas em Nampula denunciam falta de alguns medicamentos essenciais. No Hospital Central de Nampula, até as quantidades de gesso para tratar casos de traumas  não são suficientes, mas a Saúde minimiza o problema.

A falta de alguns medicamentos tidos como essenciais é reportada pelos utentes das farmácias públicas, que garantem ser difícil encontrar todos os medicamentos receitados após o diagnóstico de alguma doença em Nampula. 

O nosso trabalho cingiu-se à cidade de Nampula e, numa ronda feita nalgumas unidades sanitárias, foi possível confirmar a veracidade dos factos. No centro de saúde de Muhala Expansão, tida como uma das unidades sanitárias de referência na periferia da cidade de Nampula, ouvimos pacientes que acabavam de sair da farmácia anexa ao hospital.

Hermínia Alberto levou a sua criança de colo para a unidade sanitária por suspeita de malária, que acabou sendo confirmada pelos profissionais de saúde. Foi-lhe receitada o medicamento para o tratamento da enfermidade da criança, mas na farmácia não conseguiu os medicamentos prescritos na receita.

“Paracetamol em xarope não tem”. Assim sendo, é obrigada a recorrer à farmácia privada para conseguir o medicamento. Mesma situação de  Inácio Armando Paulo, que também tinha a filha padecendo de malária. 

“Ela está com malária. Consegui alguns medicamentos, mas disseram que falta amoxicilina”.

Alua Cachimo  levou a sua esposa que sofre de conjuntivite hemorrágica. À semelhança de outros pacientes, não conseguiu todos os fármacos na farmácia pública: “Mesmo ‘fenox’ e outros medicamentos, não tem”.   

Na farmácia do Hospital Central de Nampula também faltam alguns fármacos, sobretudo para o tratamento da conjuntivite hemorrágica. Katiana Emíla Adolfo foi obrigada a recorrer à farmácia privada para conseguir adquirir os medicamentos para curar a conjuntivite do filho, menor de idade. “Na farmácia deram-me ibuprofeno e outros medicamentos não tem”.

A médica-chefe provincial, Selma Xavier, levou a nossa equipa de reportagem para o depósito provincial de medicamentos para mostrar que existem fármacos essenciais em quantidade suficiente para a província de Nampula e diz que a falta de fármacos reportada só pode ter a ver com a gestão de cada unidade sanitária.

“Ainda não temos ruptura de antimaláricos a nível da província. Então, se vamos à unidade sanitária e o paciente não encontra, é um problema de gestão dentro da unidade sanitária”, garantiu a responsável e mencionou denúncias do centro de saúde 1o de Maio, onde confirma que o medicamento estava no depósito da unidade sanitária e não tinha sido disponibilizado à farmácia.

E sobre os medicamentos para a conjuntivite disse: “Nós ficamos duas semanas sem este medicamento porque, como sabem, foi uma situação de surto, são números de que não estávamos a contar. Já tínhamos recebido o medicamento, mas não naquela magnitude que tínhamos para tratar. Então, ficamos duas semanas enquanto esperávamos que o Ministério nos enviasse os medicamentos e chegamos de receber medicamentos tanto em gotas, quanto em pomadas e temos disponível em todas unidades sanitárias”.

Na semana passada, o director do Serviço de Urgência no Hospital Central de Nampula, Suleimane Isidoro, fez saber que não há gesso em quantidades suficientes para tratar doentes de traumas naquela unidade hospitalar de referência em toda zona Norte do país. “Estamos a trabalhar a meio gás. Estamos a receber pequenas quantidades de gesso, mas não aquilo que recebíamos em tempos passados. É normal numa semana recebermos uma quantidade que dá para dois a três dias e termos outros dias que temos escassez”.

A respeito disto, Selma Xavier deu a seguinte justificação: “a situação do gesso é um problema nacional. Temos recebido quantidades não suficientes para aquilo que é a demanda de pacientes que entram nas nossas unidades sanitárias. Não estamos em ruptura, mas a quantidade que temos ainda é insuficiente. Tivemos informação de que o armazém regional já recebeu, mas ainda não temos essa quantidade a nível do depósito provincial”.

Por isso, a médica-chefe apela às pessoas para evitarem acidentes. 

O presidente da Renamo, Ossufo Momade, acusa o Governo e as autarquias locais  de nada fazerem para resolver o problema de inundações nas principais cidades do país. 

Ossufo Momade falava durante uma visita efectuada às vítimas das inundações, que afectaram as cidades de Maputo e Matola. Sobre esta situação, Momade fez acusações aos governantes.

“É o nosso povo que está a sofrer, nós trouxemos produtos, sabemos que não vão chegar, mas vai minimizar a situação que esta nossa população está a viver. Para dizer que  sentimos porque todos os anos temos vivido estas situações e o governo central, assim como o local, nunca resolvem esses problemas”, lamentou Momade.

O balanço feito pelo Centro Nacional Operativo de Emergência indica que a chuva que caiu no início desta semana matou quatro pessoas em Inhambane. Já a edilidade de Maputo falou de dois óbitos na capital do país, totalizando seis mortes.

Questionado se houve acordo para a marcação do congresso, Ossufo Momade escusou-se a falar sobre a situação interna do seu partido.

A pergunta sobre a marcação do congresso da Renamo era inevitável, depois de a liderança do partido ter dito em Tribunal que não havia dinheiro para o evento que vai escolher o novo presidente desta formação política. Mas, Momade, visivelmente desconfortável com a questão e com tom de aborrecimento, disse que aquele não era o ambiente adequado para falar do partido.

“Eu não gostaria de responder perguntas fora do programa que nos levou para aqui, quando vocês precisarem de saber sobre todos os assuntos é só nos procurarem num momento real. Aqui estamos a falar das calamidades, o sofrimento do nosso povo. Vocês devem ter sentimentos, nós saímos das nossas casas para vir aqui viver o sofrimento dos nossos irmãos, agora está a perguntar-me coisas que não têm nada a ver com o que nos levou até aqui”, disse o líder.

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