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O País – A verdade como notícia

O ex-presidente da Associação Moçambicana de Juízes, Carlos Mondlane, não concorda que os juízes entrem em greve, pois entende que isso coarta com o direito fundamental, que é o de acesso à justiça dos cidadãos.

Mondlane concorda com todas as exigências que os juízes têm feito e que soaram mais alto há cerca de dois anos com a implementação da Tabela Salarial Única, mas entende que um servidor público, que exerce funções estruturantes, dentro do Estado seja ou não titular de órgão de soberania tem que ter como referência o que está plasmado na Constituição da República, a mesma que prevê direito à greve, mas também prevê os direitos, liberdades e garantias fundamentais .

“Uma greve não pode suspender os direitos fundamentais, estamos a falar dos direitos fundamentais a saúde, de acesso à justiça e por isso eu acho um bocado excessivo a tendência de buscar argumentos do direito privado para passá-los para o direito público”, defendeu Mondlane, que acrescentou que “Não há espaço de mandarmos parar direitos fundamentais por força de greve”.

Mas apesar de não concordar com a greve mas por concordar com as exigências da classe, Mondlane diz que há outros mecanismos que os juízes podem usar para exigir os seus direitos, aponta a negociação “até onde der” e caso não sejam ouvidos pode-se recorrer ao Tribunal Administrativo ou ao Conselho Constitucional.

“Um dos pontos que eu tenho levantado, ao nível da nossa classe, é o facto de o Governo definir condições remuneratórias para uma classe que constitui um poder de soberania do Estado, quando a própria Constituição o estatuto dos titulares dos órgãos de soberania deve ser aprovado pela Assembleia da República. Nós estamos diante de uma inconstitucionalidade orgânica e devemos responsabilizar o Estado, seja do ponto de vista administrativo ou constitucional”, apontou o juiz.

O magistrado judicial defende ainda a separação de poderes, defendendo a independência financeira do judiciário, pois entende ser importante que os tribunais tenham independentes financeiramente para que possam exercer suas funções sem depender dos outros poderes.

O Chefe do Estado-Maior General garante que a Província de Cabo Delgado está tranquila, graças à luta das Forças Armadas e o apoio da população. Joaquim Mangrasse presenciou, esta quarta-feira, o encerramento da missão de treino da União Europeia e disse que o apoio do bloco foi essencial para tranquilizar Cabo Delgado.

Foi hasteada, pela última vez, esta quarta-feira, a bandeira da União Europeia, pela Missão de Formação Militar deste bloco em Moçambique.
Lançado em 2021 para ajudar com estratégias de combate ao terrorismo, o programa terminou esta quarta-feira, uma ocasião que serviu para o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas moçambicanas fazer o ponto de situação sobre a segurança em Cabo Delgado.

“Terrorismo é uma nova ameaça que não tem bandeira e não tem casa. Estamos todos com esse desafio e penso que a situação de Cabo Delgado, neste momento, está controlada. Estou certo que há muita tranquilidade, as actividades estão a correr com naturalidade e nós estamos prontos a continuar a dar o sossego necessário para o nosso Moçambique e aos Mocambicanos”, afirmou Joaquim Mangrasse, Chefe do Estado-Maior General das FADM.

Apesar dos recentes relatos de funcionários públicos que continuam a abandonar algumas zonas afectadas, Mangrasse afirma que a província está a desenvolver.

“Eu sou militar, a minha missão é de conduzir as operações, e fiz. Por isso, digo que os ganhos operacionais permitem que o desenvolvimento prossiga e está acontecendo”, apontou.

Essa tranquilidade, segundo o Chefe do Estado-Maior General, resulta, em parte, do apoio que a União Europeia prestou, treinando militares moçambicanos para combater o terrorismo.

“É um combate extremamente difícil, de pessoas que recrutam crianças com pouca idade para combater. O impacto que avaliamos é positivo porque preparamos melhor os soldados moçambicanos para enfrentar esta dura realidade que não segue qualquer tipo de regras e não tem qualquer tipo de escrúpulos nas suas acções”, afirmou João Gonçalves, Comandante da Força de Treino da União Europeia em Moçambique
Durante três anos, a missão da União Europeia treinou cerca de 1800 militares moçambicanos. Com o fim da missão de treino, iniciou-se, esta quarta-feira, uma nova etapa de assistência militar.

 

Os magistrados do Ministério Público dizem haver abertura do Governo face ao caderno reivindicativo submetido a 17 de Julho. A classe diz que só em última instância é que poderá tomar medidas drásticas para reivindicar melhores salários, independência financeira e segurança.

No dia 17 de Julho, os procuradores submeteram o seu caderno reivindicativo ao Governo, contendo as suas maiores preocupações.

No documento, as questões de fundo eram a autonomia e independência financeira do Ministério Público, salários, subsídios e segurança.
Passados mais de 30 dias, a classe diz que algumas das reclamações já estão a ser resolvidas.

“Estamos cientes de que algumas situações vão demandar alguma revisão legislativa. Como disse, nós apresentamos o caderno reivindicativo no dia 17 e o Parlamento funcionou até 10 de Agosto. Então, o timing em termos de submissão de proposta já era muito apertado”, disse.

Eduardo Sumana, presidente da Associação Moçambicana dos Magistrados do Ministério Público, garantindo que “aquelas preocupações que se mostram realizáveis, como os enquadramentos para a questão salarial, essas já estão a acontecer e, também, da discussão que está a haver agora, como disse, a base desse grupo que foi criado, sobre a questão da independência financeira”.

Para garantir que haja independência financeira, os profissionais sugerem que seja feita a proposta do “plano contendo as necessidades e, consequentemente, do orçamento respectivo e, daí, ir à aprovação por um órgão competente, que é o Parlamento. Nós clamamos por um modelo que não fique muito dependente desta disponibilidade do Executivo”.

A classe diz continuar aberta a conversações e só em última instância poderá tomar medidas drásticas.

Desconhecidos colocaram veneno numa lagoa no Niassa e milhares de peixes morreram. Há um risco de envenenamento de outros animais que bebem da mesma água. 

Uma camada branca em águas paradas, formada por milhares de peixes que morreram envenenados, numa área de conservação conhecida por Coutada Oficial Marangira, que fica no interior da província do Niassa, Norte de Moçambique. Trata-se de uma área de conservação que faz limite com a Reserva Especial do Niassa, que tem sido alvo de caçadores furtivos que usam todo o tipo de meios à sua disposição para conseguirem animais de pequeno, médio e grande porte.

Desta vez, a acção dos furtivos foi muito longe, ao recorrerem à perigosa tática de envenenamento da água para conseguirem os seus objectivos. Um dos sócios da empresa concessionária da coutada em causa é o luso-moçambicano Carlos Queiroz, que falou em exclusivo à nossa reportagem a partir de Portugal.

“No passado dia 5, detectamos umas queimadas e movimentações estranhas, e, de imediato, enviamos as nossas equipas de vigilância, que, infelizmente, na madrugada do dia 6, confirmaram o envenenamento de uma lagoa enorme, que confina com um rio muito importante da coutada e, infelizmente, quando chegamos, era devastador aquilo que víamos pela frente – estavam centenas e centenas, para não dizer milhares de peixes mortos, envenenados. A concessionária, de imediato, lançou uma operação de vigilância e controlo para conseguirmos controlar o peixe para que não fosse recolhido e em consequência chegasse às populações, às comunidades”, disse Carlos Queiroz.

Na manhã desta terça-feira, uma equipa do Serviço Provincial de Terra e Ambiente do Niassa deslocou-se ao terreno e esta quarta-feira poderá falar à nossa reportagem sobre as constatações feitas e medidas para reduzir o risco de envenenamento de pessoas e outros animais que compõem a fauna bravia envolvente nesta área.

 

Acções antecipadas à seca contribuíram para que 13 200 famílias em Sofala estejam agora a viver em segurança alimentar, numa altura em que, nas zonas Sul e Centro do país, mais de 510 mil pessoas estão a enfrentar crise alimentar. Estes resultados levaram o Governo a decidir implementar a iniciativa em todo o país.

Na passada época agrária, o Instituto Nacional de Gestão de Desastre (INGD), em parceria com vários sectores, decidiram implementar de acções antecipadas à seca nos distrito de Caia e Chemba, na província de Sofala. É uma iniciativa piloto no processo de gestão de desastres, na componente da seca, que envolveu 13 200 famílias.

A experiência foi relevante na abordagem da prevenção e mitigação dos impactos negativos da seca, pois, nos distritos não abrangidos, resultaram em situações de insegurança alimentar e migrações forçadas.

“As acções estiveram centradas na componente de água e saneamento, componente agrícola e pecuária, e os resultados divulgados por um estudo efectuado pela Universidade Eduardo Mondlane mostram que as acções ora referidas minimizaram o impacto da seca de forma atempada nas comunidades beneficiárias, neste caso 13 200 famílias dos distritos de Caia e Chemba”, explicou Paulo Tomás, director da divisão de desenvolvimento das zonas áridas e semi-áridas.

Dados os resultados positivos da iniciativa para a época chuvosa e ciclónica 2024/25, está em curso, em todo o país, um processo de desenvolvimento de procedimentos operacionais e planos específicos de acções antecipadas à seca, cheias, ciclones e cólera.

“Neste seminário no qual nós estamos, queremos engajar outros actores, porque se tivéssemos alcançado mais beneficiários teríamos minimizado o impacto resultante da pouca precipitação nos últimos meses.”

Refira-se que a época chuvosa passada foi caracterizada por pouca precipitação nas zona Sul e Centro do país, onde de acordo com dados do Governo, causou insegurança alimentar em cerca de dois milhões e 800 mil famílias, das quais 510 mil estão a enfrentar crise alimentar, “que precisam de assistência humanitária imediata. O INGD está a assistir as referidas famílias, em parcerias com o Programa Mundial de Alimentos”.

Paulo Tomás falava na Beira, durante o workshop sobre acções antecipadas à seca. A secretária de Estado da província de Sofala, Cecília Chamutota, que orientou o evento, exortou o INGD e parceiros a serem proactivos, para salvar vidas, preservar os meios de subsistência e minimizar danos.

“O foco deve estar em prever, planear e gerir antes que estes eventos ocorram, fortalecendo a capacidade das comunidades implementando soluções resilientes e sustentáveis. Devemos adoptar uma abordagem multissectorial, envolvendo uma participação activa de todos os sectores”, exortou Chamutota.

O Comandante-Geral da Polícia, Bernardino Rafael, está desapontado com os deputados da Assembleia da República, que não aprovam a Lei da Polícia há mais de 10 anos. O Comandante considera inexplicável a falta de aprovação e pede aos políticos que tenham mais respeito pela Polícia.

O Comandante-Geral da Polícia começou por admitir que, “na verdade, é difícil dirigir uma Polícia com uma lei desprezada. Não conheço nenhum país com uma experiência dessa forma. O país tem instituições com leis em dia, menos a polícia que não tem uma lei em dia. É difícil fazer passar a Lei da Polícia nesse país”, lamenta.

O Comandante-Geral da Polícia da República de Moçambique decidiu, hoje, falar de uma aflição que não é apenas sua, mas de toda a Polícia. Rafael considera a falta de aprovação da Lei da Polícia uma situação “lamentável e inexplicável”. “Calei e fiquei calado por muito tempo, agora, estou a responder às preucupações dos colegas que estão ansiosos, a perguntar, será que nós existimos, por que é que não somos reconhecidos?”, lamentou, dizendo a seguir: “Sois reconhecidos”, assegurou.

Mesmo não parecendo, o Comandante garantiu que os moçambicanos reconhecem a existência dos agentes de segurança e protecção. “Os moçambicanos reconhecem a sua polícia, porque cada um dos moçambicanos tem um membro da família que é polícia, incluindo aqueles que têm receio de aprovar a Lei, têm familiares polícias. Nas cerimónias fúnebres, nas missas da igreja, vão com irmãos políciais”, contudo, não entende “porquê tem receio de aprovar a Lei”.

Aliás, Bernardino Rafael entende que a falta de aprovação da Lei da Polícia, um instrumento considerado importante para a garantia da ordem e segurança no país, resulta da falta de coesão de uma parte dos deputados da Assembleia da República. “Não são todos os deputados, não são todos os moçambicanos, são pessoas que têm a sua visão, mas que não a apresentam. Chama-se visão oculta, doutro lado da visão”.

Esses mesmos que, segundo o Comandante, têm “visão oculta”, também não têm respeito pela sua Polícia, que é a única que têm. “Às vezes, os políticos nos insultam, nos ofendem, sem saber que também somos eleitores”. E deixou uma mensagem: “Que respeitem essa vossa polícia, porque até então a polícia que têm é esta”, apelou.

O apelo foi extensivo, também, à sua corporação, para que vá exercer o seu direito de votar nas eleições que se avizinham e que o façam com consciência. “Ninguém tem que ficar sem votar. Votem com a vossa consciência e com a capacidade electiva que vocês têm para poder eleger futuros deputados, que vão discutir a nossa Lei e vão indicar onde está errado e onde não está, para trabalharmos com a polícia que tem Lei”, apelou.

O Comandante-Geral da Polícia fez o desabafo durante a cerimónia de Patenteamento de Agentes da Lei e Ordem, na cidade de Pemba, capital da província de Cabo Delgado.

Cerca de 39 mil habitantes estão com escassez de água e de uma ponte para fazer a travessia da localidade de Madal para a cidade de Quelimane. Actualmente, leva-se mais de uma hora para fazer um trajecto que não levava mais de 10 minutos.

Casas cobertas de folhas de palmeiras e outros sinais constituem alguns sinais de pobreza extrema, na localidade de Madal, distrito de Quelimane, na província da Zambézia.

Devido à escassez de água, várias mulheres percorrem longas distâncias com bacias à cabeça, a saírem das suas ‘machambas’.
Por falta de desenvolvimento, está em curso com financiamento do Banco Mundial para a construção de um sistema de água potável orçado em 39 milhões de Meticais.

Entretanto, enquanto o sistema não termina, as comunidades estão a viver um verdadeiro drama para ter acesso à água.

Através de poços tradicionais, sem o mínimo de condições, as famílias consomem o líquido que devia ser precioso.

Num dos poços a que o O País teve acesso, viu-se que, além de a água ser imprópria para o consumo, começa a escassear, o que aumenta a preocupação das famílias da localidade de Madal.

Outro problema desta região é a ponte que liga Quelimane a Madal, que está a fazer muita falta. As famílias são sujeitas a embarcações tradicionais sem o mínimo de dignidade.

Era expectável que tivéssemos explicações de nível governamental. O jornal O País contactou o administrador de Quelimane, Amostra Sobrinho, para explicar aquilo que está a correr à volta da infra-estrutura. Mostrou-se disponível, mas, quando voltámos a contactar telefonicamente, simplesmente fomos ignorados.

O posto administrativo de Namanhumbir, no distrito de Montepuez, Sul de Cabo Delgado, não está a receber os 2.75% das receitas resultantes da exploração de rubis para implementação dos projectos de desenvolvimento comunitário. O facto foi confirmado pela Administradora do Distrito, Isaura Máquina.

A alocação de uma parte da receita, resultante da exploração de rubis de Namanhumbir, para o desenvolvimento das comunidades locais, começou a falhar em 2023.

Em 2023, a comunidade de Namanhumbir recebeu cerca de 19 milhões de Meticais resultantes da exploração de rubis e, para este ano, prevê-se cerca de 20 milhões de meticais, que serão aplicados em diferentes projectos concebidos pelo conselho consultivo da aldeia.

Os Serviços  Provinciais de Economia e Finanças de Cabo Delgado prometeram se pronunciar oportunamente sobre as falhas na alocação dos 2.75% das receitas do Estado resultantes da exploração de rubis de Namanhumbir.

Às 11 horas desta terça-feira, no auditório da UP-Maputo, Campus de Lhangene, será lançado o livro “Moçambique e Finlândia: Perspectivas Educacionais Comparadas”, que será apresentado por Camilo Ussene.

“Moçambique e Finlândia: Perspectivas Educacionais Comparadas” é o título do livro colaborativo, organizado por Sarita Monjane Henriksen e Albino Fernando Chavale, da Universidade Pedagógica de Maputo. O livro reúne uma selecção de artigos científicos, fruto do “Projecto de Promoção de Equilíbrio entre a Teoria e Prática na Formação de Professores” (TEPATE), uma parceria entre a Universidade Pedagógica de Maputo, o Instituto Superior de Educação e Tecnologia (ISET – One World), Universidade de Lapónia e a Universidade de Ciências Aplicadas de Jyväskyllä.

Com 180 páginas, o livro é constituído por sete artigos que discutem os sistemas de ensino de Moçambique e da Finlândia. Os autores exploram não apenas as estruturas e metodologias educacionais presentes em ambos os países, mas também as implicações culturais, sociais e políticas que moldam a educação em cada contexto. Adicionalmente, o livro discute a “profissão professor” em Moçambique e o ensino da língua inglesa como língua estrangeira.

Segundo José Castiano, que prefacia a obra, “a ideia neste livro não é descrever, por um lado, um inferno educacional perdido no tempo do lado moçambicano; e, por outro, um paraíso educacional avançado do lado da Finlândia; todavia, e apesar dessas diferenças aparentemente abismais entre o estado da educação na Finlândia e em Moçambique, visamos encontrar, nas nossas observações e interrogações durante a visita [à Finlândia], o sentido ou o porquê de certas decisões diferenciais entre as duas formas de organização da educação”, lê-se na nota de imprensa da editora Gala Gala.

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