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O País – A verdade como notícia

Há funcionários do Município de Maputo que estão a ser processados por terem cedido construções no interior do Mercado Municipal de Albazine, na Cidade de Maputo. O secretário do bairro diz que aquela foi a alternativa encontrada pelo município para aproveitar o espaço. Entretanto, o presidente do Município de Maputo diz que os responsáveis estão a ser notificados.

A entidade é a mesma, mas as informações são contraditórias sobre as obras no Mercado Municipal de Albazine, na Cidade de Maputo.

O caso não é novo. Construído em 2016, o mercado de Albazine, no distrito municipal Kamubukwana, está num estado de total abandono.

“Já estamos há muito tempo aqui fora. O mercado está para dentro, como é que as pessoas hão-de ver o mercado. Nem sequer disseram que estão a construir um mercado. Nós é que vimos que era mercado. As farmácias estão em frente ao mercado, como é que as pessoas vão ver”, questionou uma vendedeira.

Seis anos depois, no mercado que custou aos cofres da edilidade cinco milhões de Meticais, são visíveis algumas construções no interior.
Questionado, o secretário do bairro justifica que esta foi uma alternativa encontrada pelo município para aproveitar o espaço.

“O mercado ficou, por muito tempo, praticamente fechado, sem ninguém. Então, a Assembleia Municipal tomou a decisão de tornar aquele mercado no mercado de carnes e ceder alguns espaços para quem quiser montar uma banquinha, e assim dar vida ao local.”

Porém, o presidente do município, Rasaque Manhique tem uma outra versão. “Estamos a fazer um trabalho inspectivo e, antes, já tínhamos chamado a atenção das autoridades locais. Portanto, estão a ser notificadas as pessoas, no sentido de responder sobre o que está a acontecer lá”.

O certo é que o Mercado Municipal de Albazine continua abandonado.

Há cerca de um mês, as campas do cemitério hindu, localizado na cidade da Beira, têm estado a ser vandalizadas. Os autores, até agora desconhecidos, extraem delas tudo o que é metálico, para, provavelmente, venderem na sucata.

José Casimiro, que tem seus entes queridos sepultados no referido cemitério, disse à nossa reportagem que a vandalização é um acto vergonhoso que afecta de forma muito negativa o meio dos familiares ainda em vida.

“É muito triste o que estamos a viver. Numa das visitas à campa do meu filho, fui surpreendido com cenários horríveis. Os vândalos retiraram toda a cobertura de bronze que estava em volta da fotografia dele. É vergonhoso. Até os mortos não descansam em paz”, lamentou Casimiro.

Os funcionários do município, que zelam pelo cemitério, disseram que as vandalizações são antigas, “só que, nos últimos meses, se intensificaram. Primeiramente, os autores destas vandalizações roubavam apenas o material que usávamos para a sepultura, nomeadamente pás, baldes e barras. Depois, de forma gradual, atacaram as campas, roubando as cruzes metálicas e todos os outros bens, feitos de ferro, bronze e ou mármore, deixados pelos familiares dos defuntos nas campas. Eles fazem isso durante a noite, pois se aproveitam da falta de guarda neste cemitério para vandalizarem as campas”, explicou João Fulande, um dos trabalhadores do cemitério.

Manuel Joaquim, vereador de gestão urbana e equipamentos, responsável pela gestão dos cemitérios, reconheceu o problema e a preocupação dos familiares. Joaquim afirmou que, em coordenação com as lideranças locais, o policiamento comunitário já foi aprimorado e que a polícia já está a par das vandalizações.

“O SERNIC já está a investigar este caso e tenho fé de que os vândalos serão localizados e responsabilizados, tal como aconteceu há cerca de três anos, no cemitério Santa Isabel, no centro da cidade, onde os autores foram detidos, julgados e condenados. Pedimos, igualmente, a colaboração de todos os munícipes na localização dos malfeitores”, pronunciou-se Manuel Joaquim.

Moradores do bairro de Machauchau, em Mulotane, no distrito de Boane, queixam-se da falta de abastecimento de água potável. O drama vivido por mais de 5 mil famílias só é minimizado por um fornecedor privado que vai vender o precioso líquido duas vezes por semana. 

É um drama o que se vive no bairro Machauchau, no distrito de Boane.  

Quando o dia amanhece, crianças, jovens, adultos e até idosos travam uma batalha para sobreviver. 

Não é para menos, é que não há água para o consumo, banho e muito menos para construção.

É um calvário vivido por mais de 5 mil famílias que segundo a senhora Ginoca, só se minimiza nos dias de chuva.   

“Mama, Papa, estamos a sofrer por falta de água em Mulotane. Se o senhor da Lalgy não trouxer água às terças e sexta-feira, sofremos. Se não chove não lavamos mantas, para lavar uniforme das crianças é um outro problema sério. Por favor, estamos a pedir água” apelou Ginoca Raul, residente de machauchau.

Vezes sem conta o marido de Carla foi ao serviço sem tomar banho, porque a pouca água que consegue, deve ser muito racionalizada. Para ela, é um martírio viver em machauchau.

“A nossa vida está um caos. desde que eu cheguei neste bairro, água compra-se. sem dinheiro não há vida. 1000 litros de água custam até 700 meticais e só dá para usar por uma semana” lamentou Carla, outra residente. 

Dona Salita vive com os netos e conta que há vezes que passam um dia inteiro sem comer e sem beber um copo de água, por falta de 20 meticais para comprar o precioso líquido. 

“Não vou a machamba, sou idosa e não trabalho. Estamos a sofrer, chegas a dormir sem ter bebido água ou se quer cozinhar, não temos nada, não temos água, não tomamos banho, não cozinhamos e dormimos com fome” disse a anciã.   

Lina da Graça é uma menina com idade escolar. Partilha o desafio de ter que usar uniforme sujo para ir à escola. 

“Entro as 12 horas. Às vezes vou com uniforme sujo devido a falta de água. Aquele tio só vem às terças e sextas” disse Lina da Graça. 

O problema não é de hoje e as autoridades locais sabem, mas segundo o chefe de quarteirão, Leonardo Zunguze, até aqui nada foi feito além de promessas.  

“Fomos ao governo do distrito e eles mandaram técnicos do FIPAG para irem ao bairro. Disseram que tinham um projecto na mesa mas o mesmo levaria um tempo para a sua execução. As reclamações continuaram e os moradores optaram por ir diretamente à FIPAG para manifestar e esta entidade prometeu que iria identificar alguns pontos para colocar tanques” explicou Leonardo Zunguze. 

Os munícipes chegaram inclusive a mostrar disponibilidade em comparticipar nas despesas, mas parece que faltou boa vontade do FIPAG. 

A empresa Águas da Região Metropolitana de Maputo disse em exclusivo à STV que já tem uma solução à vista para minimizar o problema.  

“A curtíssimo prazo estamos a trabalhar já com a estrutura local no sentido de começarmos a fornecer água através de camião cisterna. Tal como disse, não temos infra-estruturas e não temos como canalizar água para as casas, entretanto, há necessidade sim de se minimizar esse problema. Vamos alocar 16 tanques nos locais identificados” explicou Arone Tivane, Administrador técnico da empresa Águas da Região Metropolitana de Maputo . 

Aliás, Arone Tivane tem datas concretas de curto, médio e longo prazo. 

“A ação de minimização é imediata, o mais tardar até quarta-feira da próxima semana iremos iniciar o fornecimento de água com camiões cisterna. A médio prazo, um ano ou um ano e meio, porque temos que mobilizar algum financiamento que é para garantir a instalação da conduta que irá abastecer a esta zona” concluiu.

A falta de água em Mulotane afeta mais de 60 mil munícipes. 

Dois mortos e quatro feridos é o resultado de um acidente de viação ocorrido, neste sábado, no bairro Centro Hípico, em Chimoio. As vítimas foram colhidas de surpresa quando um carro despistou e foi embater na residência onde estavam.

Das vítimas mortais estão o proprietário da residência e seu filho que se encontravam a dormir. 

Inconsolável, dona Ana Lúcia, que perdeu seu esposo e filho, contou como tudo aconteceu.

“Tentei lhes socorrer, mas não tive como, tinha muitas pedras sobre eles. Tentei acordar meu marido, mas ele não respondia. Comecei a pedir socorro, então vieram algumas pessoas e foi quando eu disse que ali haviam algumas pessoas”, contou  Ana Lúcia.

Além de mortes, o acidente resultou em três feridos. Todos membros da mesma família.

Mário Manhangue, líder do bairro Centro Hípico revelou que, após o acidente, o condutor colocou-se em fuga.

O Hospital Provincial Provincial de Chimoio confirmou a entrada de dois mortos e um ferido em consequência do acidente.

A Polícia diz que se vai pronunciar sobre as verdadeiras causas do sinistro na segunda-feira.

19 pessoas foram detidas, em 15 dias, por envolvimento em ilícitos eleitorais, durante a campanha eleitoral. Desde o arranque do processo, foram registados 26 casos e houve também um óbito. 

A campanha eleitoral corre na sua segunda semana e já começou a somar ilícitos eleitorais. 

Segundo o comandante-geral da Polícia, Bernardino Rafael, são ao todo 26 casos registados nos primeiros quinze dias. 

“14 são de natureza de danificação de material eleitoral, três são de ofensas corporais graves, cinco são de ofensas corporais simples, temos também  casos de venda de material de campanha, e todos os 26 casos foram tramitados para o Ministério Público. Foram detidos 19 cidadãos moçambicanos envolvidos nestes casos”.

Além de um óbito cujas circunstâncias não foram detalhadas pelo comandante-geral da Polícia, os acidentes de viação durante a campanha são outra preocupação.  

“Além dos casos de ilícitos eleitorais, também registamos três acidentes de viação, dentre eles queda de passageiro que é membro de um partido, choque entre carros de um mesmo partido, na mesma caravana, e despiste seguido de capotamento.”

Mesmo depois de ter afirmado haver problemas logísticos para a cobertura da campanha eleitoral, Bernardino Rafael reiterou que a PRM vai continuar a garantir a ordem e a tranquilidade pública, sem pré-condições.

Apenas duas formações políticas ainda não levantaram a primeira parte do valor para custear as despesas da campanha eleitoral.  A informação foi partilhada, hoje, pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), que diz que a campanha decorre de forma tranquila, apesar das incidências. 

A campanha eleitoral começou com a distribuição tardia de dinheiro para custear o processo. 

15 dias depois do arranque da “caça ao voto”, a primeira parte dos fundos já chegou a pelo menos 36 formações políticas e aos quatro candidatos presidenciais. 

“A Comissão Nacional de Eleições não tem controle sobre a disponibilização das verbas. Assim que tivemos, a CNE tratou de fazer a distribuição. Até o momento, 36 formações políticas já levantaram a primeira trans, os quatro concorrentes presidenciais também, faltando apenas duas formações políticas. Já estamos a receber justificativas sobre a utilização da primeira trans”, explicou Paulo Cuinica, que falava, este sábado, após uma reunião com os partidos políticos, sobre o balanço das primeiras duas semanas da campanha eleitoral.

Entre as incidências que mais preocupam a CNE estão o envolvimento de menores e a utilização de pessoas embriagadas. 

“Temos assistido a utilização de crianças, adolescentes e jovens embriagados ou sob efeito de drogas psicotrópicas, por isso, queremos apelar aos concorrentes para que não usem essa camada”. 

Apesar das incidências, a CNE faz uma avaliação positiva da campanha eleitoral.

Um carro dispistou-se e embateu contra uma residência, provocando dois mortos e quatro feridos. O sinistro aconteu na madrugada deste sábado, no bairro Centro Hípico, em Chimoio, na província de Manica.

As vítimas mortais são o proprietário da residência atingida e o seu filho, que se encontravam a dormir. Além das duas mortes, o acidente resultou também em três feridos, todos membros da mesma família.

Mário Manhangue, líder do bairro Centro Hípico, revelou que, depois do acidente, o condutor colocou-se em fuga.
O Hospital Provincial de Chimoio confirma a entrada de dois mortos e um ferido, em consequência do acidente.

Um incêndio destruiu armazéns que abasteciam diversos produtos eletrodomésticos, roupas e calçados na cidade de Maputo. O Serviço Nacional de Salvação Pública (SENSAP) suspeita que tenha sido uma autocombustão causada por fraca ventilação e condições precárias dos armazéns. 

O incidente ocorreu na manhã desta sexta-feira, em Romos, no bairro de Chamanculo, na Cidade de Maputo. Os bombeiros conseguiram minimizar as chamas depois do fogo ter consumido quase todos os produtos.

“O que podemos assumir como hipótese mais provável do incêndio é a auto-combustão.  Quando as paredes são aquecidas devido às altas temperaturas absorvem esse calor e libertam-no para o interior e os produtos, que lá estão, alcançam um ponto de inflamação de autocombustão”, disse Leonildo Pelembe,  porta-voz do SENSAP, mas não foi a única causa, acrescenta “também deveu-se a deficiências de armazenamento que encontramos”.

O incidente, apesar de ser “infeliz”, também serviu para expor que os armazéns funcionavam clandestinamente. “Os armazéns funcionavam clandestinamente, para abastecer as diversas lojas que temos na Cidade de Maputo. Tinham  eletrodomésticos como congeladores, microondas, geleiras, calçados, roupas, tudo isto num lugar sem ventilação e com uma estrutura arquitetônica bastante fragilizada, que acabou condicionando o desabamento do teto”, referiu.

Os proprietários não revelaram, mas os danos foram avultados.

O presidente da Associação Moçambicana dos Juízes diz que está confiante no diálogo com o governo. A classe garante que as irregularidades na implementação da Tabela Salarial Única estão a ser corrigidas e promete para breve soluções concretas.

A greve anunciada pelos titulares dos órgãos de soberania não chegou a acontecer mas forçou o diálogo com o Governo. Um mês depois, Esmeraldo Matavele, presidente da Associação Moçambicana dos Juízes, diz que a interação com o executivo está a atender as suas preocupações.

‘’Naturalmente, achamos que depois desse processo de diálogo o Governo está a atender a questão, confiamos na boa fé do Governo e vamos ver se de facto esta nossa confiança não é defraudada porque de nada adianta termos essa esperança de ver as coisas resolvidas para depois, no fim, nao ver nada. Isso pode trazer complicações que não são necessárias”, avançou Esmeraldo Matavele, presidente da Associação Moçambicana dos Juízes.

Segundo Esmeraldo Matavele a implementação da Tabela Salarial Única está entre as prioridades dos assuntos postos à mesa.

“A questão da Tabela Salarial Única, que é uma das maiores preocupações do judiciário e outras classes profissionais no país, temos a indicação de que o Governo está a trabalhar na correção das irregularidades e que muito brevemente poderemos receber informações mais concretas de até que ponto foram corrigidas as irregularidades”.

A questão da assistência médica e medicamentosa, a classe garante que também está a ser revista pelo executivo.

O presidente da Associação Moçambicana dos Juízes falava esta sexta-feira à margem da realização do seminário Internacional sobre estatutos profissionais do poder judicial e modelo de justiça eleitoral no fortalecimento do estado de direito democrático.

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