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O País – A verdade como notícia

Duas pessoas perderam a vida e uma outra ficou ferida na sequência de confrontos violentos registados esta terça-feira entre agentes da polícia e manifestantes na cidade de Tete. Os incidentes ocorreram durante protestos protagonizados por mototaxistas.

De acordo com a directora do Hospital Provincial de Tete, Neide Duarte, citada pela Lusa, deram entrada na unidade sanitária três vítimas de baleamento. Duas delas chegaram já sem vida, enquanto a terceira foi encaminhada para o bloco operatório devido a um ferimento numa perna, não correndo, contudo, perigo de vida.

As manifestações tiveram origem numa operação de fiscalização multissectorial conduzida pela Polícia da República de Moçambique, em coordenação com a polícia municipal de Tete, dirigida a condutores de veículos.

Imagens divulgadas por órgãos de comunicação social locais mostram momentos de grande tensão, com populares em fuga, barricadas e focos de incêndio ao longo da via, além de densas colunas de fumo. Nas imagens é ainda visível a presença de agentes da polícia, efectivos da polícia municipal e bombeiros destacados para vários pontos da cidade.

Os tumultos provocaram a interrupção temporária da circulação na Estrada Nacional n.º 7, considerada o principal foco dos protestos. 

 

Quase 22 mil pessoas, entre as quais 10.560 crianças, foram deslocadas nas últimas seis semanas na sequência de ataques de grupos armados no distrito de Ancuabe, província de Cabo Delgado, segundo um relatório da Organização Internacional para as Migrações (OIM).

De acordo com a OIM, citada pela Lusa, entre 1 de Maio e 10 de Junho, os ataques provocaram a deslocação de 21.658 pessoas para várias aldeias e centros de acolhimento em Ancuabe e nos distritos vizinhos de Montepuez e Chiúre. O número de deslocados tem vindo a aumentar, depois de ter sido contabilizado em 13.409 pessoas até 12 de Maio e em 19.325 até 3 de Junho.

Os deslocados correspondem a cerca de 7.115 famílias, concentrando-se sobretudo nas zonas de Milamba Expansão, Nanjua A, Nanjua B e Meza-Sede. Entre eles encontram-se 6.423 mulheres, incluindo 196 grávidas, 10.560 crianças, 109 pessoas com deficiência e 492 idosos com mais de 60 anos.

A OIM manifesta preocupação com os riscos de separação familiar, violência baseada no género, perda de documentos e sofrimento psicossocial entre a população afectada.

Segundo a Lusa, a província de Cabo Delgado enfrenta uma insurgência armada desde Outubro de 2017. Em Maio, elementos associados ao Estado Islâmico reivindicaram ataques no distrito de Ancuabe, alegando a destruição de uma igreja, lojas e cerca de 220 habitações na aldeia de Nacoja.

Ataques registados em Nacoja e Minheuene provocaram igualmente destruição de infra-estruturas e raptos de residentes, contribuindo para o agravamento da situação humanitária na região.

Dados da organização ACLED indicam que, nas duas últimas semanas de Maio, foram registados oito incidentes violentos em Cabo Delgado, dos quais seis atribuídos a grupos extremistas ligados ao Estado Islâmico. Desde o início da insurgência, em 2017, o conflito terá provocado 6.624 mortos.

A Direcção Provincial de Educação de Gaza confirmou a paralisação de actividades por parte de professores da Escola Secundária Ndambine 2000, localizada no distrito de Xai-Xai, alegadamente motivada pelo atraso no pagamento de horas extraordinárias e pela retirada do subsídio de localização.

Segundo a instituição, a greve foi registada desde segunda-feira e está a ser acompanhada pelas autoridades do sector. A Direcção esclarece, entretanto, que a questão do subsídio de localização resulta da nova divisão administrativa da província.

De acordo com a explicação avançada pelo sector, a Escola Secundária Ndambine 2000, pertencia anteriormente ao distrito de Chongoene, o que permitia aos professores beneficiarem de um subsídio de localização. Contudo, após a redefinição dos limites administrativos, a escola passou a integrar o distrito de Xai-Xai, onde este benefício não é atribuído.

“A partir do momento em que a escola passou a pertencer ao distrito de Xai-Xai, deixou de reunir os requisitos para beneficiar do subsídio de localização. Todas as escolas localizadas neste distrito não têm direito a este subsídio”, esclareceu a Direcção Provincial de Educação.

Relativamente ao pagamento das horas extraordinárias, o sector reconhece a existência de atrasos, justificando a situação com a falta de disponibilidade financeira. Segundo a fonte, já foram liquidadas dívidas referentes ao ano de 2022 e parte de 2023, permanecendo em curso o processo de regularização dos valores em atraso.

A Direcção Provincial refere ainda que a Inspecção-Geral das Finanças está a realizar um trabalho de validação das dívidas, o que permitirá determinar o número exacto de professores abrangidos e o montante necessário para a sua liquidação.

Embora não tenha avançado números concretos, o sector esclareceu que nem todos os cerca de 11 mil professores da província são afectados, uma vez que as horas extraordinárias estão associadas a situações específicas de leccionação por excesso de turmas em determinadas escolas.

As autoridades da Educação manifestaram preocupação com o impacto da paralisação no processo de ensino e aprendizagem, numa altura em que as escolas ainda procuram recuperar o tempo perdido devido ao início tardio do ano lectivo, provocado pelas cheias e inundações que afectaram a província de Gaza.

A Direcção Provincial apelou ao regresso às aulas, reiterando que o Governo está ciente da situação e que decorrem esforços para garantir o pagamento das dívidas pendentes.

O Município de Manica investiu cerca de nove milhões de meticais na pavimentação da estrada que liga uma zona produtiva do bairro Chinhamapere à Estrada Nacional Número Seis (EN6), numa intervenção que visa melhorar a circulação de pessoas e bens e impulsionar o escoamento da produção agrícola.

A obra surge na sequência dos danos provocados pelas últimas chuvas, que afectaram várias vias de acesso da autarquia e obrigaram a edilidade a adoptar medidas de emergência para garantir a ligação entre os bairros.

Entre as intervenções realizadas destaca-se a pavimentação da via que dá acesso às históricas montanhas de Chinhamapere, recentemente entregue aos munícipes. Os residentes consideram que a melhoria da estrada vai facilitar a mobilidade e reduzir as dificuldades enfrentadas durante a época chuvosa.

A nova infra-estrutura estabelece a ligação entre a EN6 e uma importante zona produtiva do bairro Chinhamapere, criando melhores condições para o transporte e comercialização de produtos agrícolas.

O presidente do Conselho Municipal de Manica, Jilane Armando, afirmou que o investimento faz parte dos esforços da autarquia para melhorar a rede viária local e anunciou que estão previstos novos investimentos para o prolongamento das obras.

O edil reconheceu, contudo, que ainda há desafios significativos na reabilitação de toda a rede de estradas municipais, apelando à compreensão dos munícipes enquanto a edilidade concentra recursos na recuperação dos pontos considerados mais críticos.

A autarquia promete ainda substituir, a curto prazo, o actual revestimento em pavê por asfalto, numa medida que deverá aumentar a durabilidade da via e melhorar as condições de circulação.

A empresa estatal Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) vai iniciar, a partir de Julho, a segunda fase do projecto de duplicação da linha férrea de Ressano Garcia, considerada uma das mais estratégicas infra-estruturas ferroviárias do País. O investimento está avaliado em cerca de 160 milhões de dólares, o equivalente a aproximadamente 10,2 mil milhões de meticais.

Segundo informações divulgadas pela empresa, o concurso para a selecção do empreiteiro responsável pelas obras encontra-se na fase final, prevendo-se que o adjudicatário seja conhecido ainda durante o próximo mês.

A linha de Ressano Garcia constitui o principal corredor ferroviário de ligação entre Moçambique e a África do Sul, servindo o Corredor de Maputo e desempenhando um papel determinante no transporte de mercadorias destinadas aos mercados regionais e internacionais.

Em comunicado, a CFM sublinha que a nova fase do projecto visa aumentar significativamente a capacidade operacional da infra-estrutura e melhorar a eficiência logística ao longo de um dos corredores económicos mais importantes da África Austral.

“A previsão é que o empreiteiro responsável pela obra seja conhecido até Julho, abrindo caminho para um projecto avaliado em cerca de 160 milhões de dólares, destinado a reforçar a capacidade de transporte ferroviário e melhorar a fluidez de mercadorias ao longo do Corredor de Maputo”, refere a empresa.

Os resultados da primeira fase da duplicação são apontados como um indicador da relevância do investimento. De acordo com a CFM, a capacidade anual de transporte da linha aumentou de cerca de 13 milhões para 24 milhões de toneladas, praticamente duplicando o volume de carga movimentada ao longo da rota.

O anúncio surge num momento em que o sector ferroviário nacional enfrenta desafios associados aos fenómenos climáticos extremos. As cheias registadas nos últimos meses afectaram severamente a linha do Limpopo, a segunda mais importante do País, provocando a interrupção da circulação ferroviária durante aproximadamente três meses.

Segundo dados da empresa, os danos resultaram em prejuízos estimados em 12 milhões de dólares e afectaram a circulação de cerca de 130 comboios.

Perante este cenário, a CFM defende que o reforço da capacidade ferroviária deve ser acompanhado por investimentos na resiliência das infra-estruturas.

“Expandir a capacidade ferroviária é fundamental, mas garantir infra-estruturas resilientes aos eventos climáticos é igualmente urgente. O futuro da logística nacional exige investimento, modernização e capacidade de resposta”, assinala a empresa.

Recuperação do sector ferroviário

Apesar dos constrangimentos provocados pelas cheias, os indicadores do sector ferroviário mostram sinais de recuperação. Dados do Ministério dos Transportes e Logística revelam que a rede ferroviária nacional transportou 151 400 passageiros durante o primeiro trimestre de 2026, representando um crescimento de 95% em relação aos 77 300 passageiros registados no mesmo período do ano anterior.

O aumento ocorre num contexto de normalização gradual da actividade económica após os impactos das manifestações pós-eleitorais verificadas em 2025.

No segmento de mercadorias, foram transportadas 3,6 milhões de toneladas de carga diversa entre Janeiro e Março, um crescimento de 14,9% comparativamente ao mesmo período de 2025. Este volume corresponde a cerca de 20% da meta anual definida para o sector.

A duplicação da linha de Ressano Garcia integra um plano mais amplo de modernização ferroviária delineado pelo Governo moçambicano. O programa prevê investimentos próximos de 190 milhões de euros até 2030 para expandir e modernizar a rede nacional.

Passados dois anos desde o lançamento da operação “Stop Branqueamento de Capitais”, em Moçambique, o processo continua sem arguidos em prisão preventiva e permanece em fase de instrução, segundo confirmação do Ministério Público. A procuradora-geral-adjunta, Amabélia Chuquela, afirma que os autos estão a seguir os seus trâmites legais, dentro dos prazos previstos na lei processual penal.

A operação, amplamente divulgada quando foi lançada, envolveu o arresto preventivo de imóveis, incluindo hotéis, viaturas de luxo e contas bancárias pertencentes a indivíduos e empresas suspeitas de envolvimento em esquemas de branqueamento de capitais. No entanto, até ao momento, não há registo de condenações nem de arguidos detidos no âmbito destes processos.

Em declarações à imprensa, Chuquela afirmou que o Ministério Público está a cumprir os procedimentos legais aplicáveis a processos complexos.

“Temos conhecimento que o processo, portanto, a nível do Ministério Público está a seguir os seus trâmites… Os processos têm determinados procedimentos que seguem, e nós também temos ciência de que estes processos estão a ocorrer os seus devidos trâmites no Ministério Público”, declarou.

A magistrada sublinhou ainda que a legislação estabelece prazos para a conclusão da fase de instrução, mesmo em processos de elevada complexidade, referindo que o Código de Processo Penal prevê um limite de até 18 meses para este tipo de casos.

“A lei processual penal é muito clara… O máximo é de até 18 meses”, acrescentou.

Segundo a procuradora-geral-adjunta, os processos em causa não envolvem actualmente arguidos detidos, o que altera o enquadramento dos prazos processuais face a situações com prisão preventiva.

“Esses processos não têm nenhum arguido detido neste momento, portanto, também seguem determinados prazos diferentemente de prazos que são exigidos nos casos de processos com arguidos presos”, explicou.

Chuquela assegura que o Ministério Público continua a desenvolver diligências necessárias para a recolha e consolidação de provas, com vista à eventual decisão sobre o destino dos processos.

“O Ministério Público tem estado a fazer o seu máximo para poder concluir todas as diligências necessárias para a formação completa do corpo de delito”, disse.

Entre os casos associados à operação está o arresto preventivo de unidades hoteleiras, como o Hotel Fénix, na cidade de Nampula, que continua em funcionamento apesar de estar sob medida cautelar. A situação levantou questões sobre a gestão dos rendimentos gerados por bens arrestados.

De acordo com o jurista Gilberto Bogaio Nhancalaza, os valores obtidos por bens arrestados devem ser depositados em contas judiciais até à decisão final dos processos.

“Os rendimentos provenientes do hotel vão ao processo numa conta aberta pelo tribunal, aguardando a conclusão do processo”, explicou.

O jurista acrescenta que, em caso de condenação, os valores são revertidos a favor do Estado, enquanto, em caso de absolvição, devem ser devolvidos aos proprietários.

“Se o indivíduo for condenado, aquele dinheiro que provém dos bens arrestados vai converter-se a favor do Estado. Se for absolvido… será entregue ao arguido”, afirmou.

A ausência de detidos e a duração dos processos têm alimentado debates sobre a eficácia das investigações e a celeridade da justiça em casos de criminalidade económica em Moçambique. Juristas e analistas apontam a necessidade de maior capacidade técnica e reforço institucional para acelerar investigações complexas, sem comprometer as garantias legais dos arguidos.

Enquanto isso, a operação “Stop Branqueamento de Capitais” permanece em curso, num contexto em que o combate ao crime financeiro continua a ser uma das prioridades das autoridades judiciais moçambicanas.

A decisão do Governo de centralizar a importação de arroz e cereais no Instituto de Cereais de Moçambique (ICM) está a gerar forte contestação jurídica e política, com o Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD) a avançar com um pedido de suspensão do diploma junto do Tribunal Administrativo.

A medida, introduzida pelo Diploma Ministerial n.º 132/2025, atribui ao ICM a exclusividade na importação de arroz e trigo, tendo entrado em vigor a 1 de Fevereiro para o arroz e a 1 de Maio para o trigo. O Governo justifica a decisão como parte de uma estratégia de reforço da segurança alimentar e de apoio à produção nacional.

No entanto, o CDD considera que a centralização cria um monopólio estatal com potenciais impactos negativos na economia, nos preços ao consumidor e na concorrência entre agentes privados.

Em declarações à imprensa, o presidente-executivo da organização, Adriano Nuvunga, criticou a medida, defendendo que a abertura do mercado gera melhores resultados para o consumidor.

“Quando há competição entre os vários agentes económicos na importação, (…) isso resulta em melhor preço para o consumidor, o nosso povo”, afirmou.

O responsável acrescentou que a criação de um monopólio estatal no sector da importação de cereais pode abrir espaço para riscos adicionais, incluindo corrupção e ineficiências na cadeia de abastecimento.

“Ao estabelecer um monopólio, está desde logo a criar um risco grande para a corrupção, que vai claramente prejudicar o cidadão. Isto vai resultar na importação da fome”, declarou.

O Governo tem defendido, em diferentes ocasiões, que a centralização da importação de produtos essenciais visa proteger a economia nacional e reduzir a dependência externa, ao mesmo tempo que estimula a produção interna de bens alimentares estratégicos.

Medidas semelhantes já foram aplicadas a outros produtos, incluindo cerveja, carne, água engarrafada e milho, no âmbito de uma política de substituição de importações e incentivo à produção local.

Contudo, o CDD rejeita a justificação de que o modelo liberal seria responsável por perdas de divisas ou pela entrada de substâncias ilícitas no País, argumento frequentemente associado à necessidade de maior controlo estatal no comércio externo.

“Não vi um relatório que mostre que os importadores de arroz actualmente estão a importar drogas (…) isso é retórico”, afirmou Nuvunga.

O dirigente defende ainda que o combate a eventuais actividades ilícitas nas fronteiras deve ser responsabilidade das autoridades de segurança, e não do desenho da política económica.

“Deve ser o Ministério do Interior a resolver o problema da utilização das nossas fronteiras (…) não é trabalho do Ministério da Economia”, acrescentou.

Com a acção submetida ao Tribunal Administrativo, a decisão sobre a suspensão ou manutenção do diploma poderá ter impacto directo na organização do mercado de cereais em Moçambique, num contexto em que o arroz e o trigo constituem produtos essenciais na dieta da população.

Dois jovens morreram, crivados de balas, no princípio da tarde desta segunda-feira, no bairro Khongolote, no município da Matola. A PRM na província de Maputo confirma a ocorrência, mas desconhece a identidade das vítimas e dos meliantes. 

Este é o segundo caso de morte a tiros na via pública, em menos de 10 dias, no município da Matola. 

Os jovens encontraram a morte dentro de uma viatura, por indivíduos até aqui desconhecidos. O crime aconteceu numa área baldia, na via que liga Maputo e Matola, próximo à paragem de Molumbela.

Através de imagens amadoras foi possível contabilizar pelo menos 12 buracos que se supõe que sejam de balas saídas das armas usadas na acção, que “gelou” o bairro.

No local, o Serviço Nacional de Investigação Criminal removeu tudo: os corpos, a viatura e as cápsulas, mas o que não conseguiu tirar é a lembrança angustiante de dois jovens sucunbindo da mente dos moradores de Khongolote. 

Os meliantes, em número de dois, sequer se deram o trabalho de tapar os rostos, um acto de muita confiança, conforme relataram testemunhas.

“Eu vi um carro preto que estava à frente. Aquele carro preto estava andando nas calmas, só que logo de repente atrás veio um outro carro branco, um Mark x. Chegou logo e bloqueou aquele carro preto. De repente saíram dois homens que estavam dentro do carro com AKPM, logo começaram a dar tiros. Aquele carro, o branco logo saiu”.

A testemunha desabafa, visivelmente transtornado.

“É uma coisa que nessa zona nunca aconteceu. Aquilo acontece pela primeira vez, porque noutros casos registamos acções de “homens catana”, roubo de telefone, mas aquele tipo de coisas aqui nessa zona, nunca”.

Os meliantes, em número de dois, sequer se deram o trabalho de tapar os rostos, um acto de muita confiança.

“Aqueles homens, antes de eles saírem, primeiro pararam para confirmar se os corpos estavam sem vida. Eles não estavam encapuzados. Eu pessoalmente pensei que fossem  homens do Sernic e que aquele carro preto estava em fuga. Só assustei com os tiros.  

O local onde ocorreu o crime é isolado, mas houve quem viu tudo, que preferia não ter visto. 

“O motorista é que estava morto, mas aquele outro ainda estava em vida. Quando foram, Então fomos lá ver que esse aqui já havia morto, mas o outro ainda estava em vida, mas depois acabou morrendo. É, até agora eu não me sinto bem. 

A Polícia da República de Moçambique, a nível da província de Maputo, confirma a ocorrência deste crime. No entanto, ainda não tem detalhes sobre a identidade dos jovens  assassinados, muito menos dos que perpetraram o crime. Prometendo pronunciar-se nos  próximos dias.

Mais de 220 escolas foram atacadas em Moçambique desde 2017, sobretudo na província de Cabo Delgado, e pelo menos 12 foram utilizadas para fins militares entre 2022 e 2023, segundo o relatório Education Under Attack 2026, divulgado pela Global Coalition to Protect Education from Attack (GCPEA).

O documento aponta que, embora se verifique uma redução recente no número de ataques directos — com pelo menos seis incidentes registados no período entre 2022 e 2023 —, o sector da educação continua vulnerável no contexto do conflito armado em curso no Norte do País.

A GCPEA, uma coligação internacional que reúne organizações como a Human Rights Watch, o UNICEF, a UNESCO, a Save the Children e o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), alerta que o uso militar de escolas continua a representar um dos principais riscos para o acesso à educação em zonas de conflito.

Segundo o relatório, o uso de infra-estruturas escolares para fins militares tem sido particularmente observado em Cabo Delgado, província afectada por uma insurgência armada desde 2017. Esta prática, refere o documento, “nega o acesso aos estudantes e coloca-os em risco de ataque”, ao transformar escolas em potenciais alvos militares.

O estudo indica ainda que esta utilização de escolas terá sido “principalmente levada a cabo pelas Forças Armadas moçambicanas”, registando-se também pelo menos um caso envolvendo forças da Missão da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral em Moçambique (SAMIM), que deixou o território em Julho de 2024.

Apesar disso, o relatório sublinha que a maioria dos ataques a escolas continua a ser atribuída a grupos armados não estatais ligados à insurgência em Cabo Delgado, incluindo incêndios, tiroteios e utilização de explosivos contra infra-estruturas educativas.

O impacto da violência não se limita à destruição de edifícios escolares. O documento destaca também casos de raptos de mulheres e raparigas, o recrutamento forçado de crianças-soldado e danos extensivos em infra-estruturas educativas, agravando a crise humanitária na região.

Moçambique aderiu em 2015 à Declaração das Escolas Seguras, um compromisso internacional que visa proteger estudantes, professores e instituições de ensino em contextos de conflito armado. No entanto, a GCPEA sublinha que, apesar do compromisso político, “as escolas estão longe de ser um lugar seguro para muitas comunidades”.

A província de Cabo Delgado, rica em recursos naturais como o gás, tem sido o principal palco da insurgência armada, iniciada com o primeiro ataque registado em 5 de Outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.

Dados recentes da Organização Internacional para as Migrações (OIM) indicam que quase 20 mil pessoas, metade das quais crianças, fugiram apenas no último mês devido a ataques no distrito de Ancuabe.

A GCPEA foi criada em 2010, com o objectivo de monitorizar ataques contra a educação e promover a protecção de escolas, estudantes e profissionais do sector em contextos de emergência humanitária.

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