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O País – A verdade como notícia

O Executivo decretou a realização de um funeral oficial ao falecido antigo Primeiro-ministro, Pascoal Mocumbi, que perdeu a vida hoje, em consequência de uma doença prolongada.

O Governo, que esteve hoje no Conselho de Ministros Extraordinário, decretou, ainda, dois dias de luto nacional. De acordo com o porta-voz do Conselho de Ministros, Filimão Suazi, a medida entrará em vigor a partir da meia noite do dia do seu funeral.

“Durante o período de luto nacional, a bandeira nacional e o pavilhão presidencial serão içados à meia-haste em todo o território nacional e nas missões diplomáticas e consulares da República de Moçambique”, explicou Filimão Suazi.

De acordo com o porta-voz do Conselho de Ministros, Mocumbi contribuiu significativamente “na independência, soberania, integridade territorial e desenvolvimento sustentável de Moçambique” e na garantia da acessibilidade dos serviços básicos de saúde.

O Governo expressou ainda condolências à família enlutada e ao país.

Após a morte de Pascoal Mocumbi, Joaquim Chissano foi uma das primeiras personalidades a reagir. Uma vez que partilharam vários momentos, desde familiares até profissionais, o antigo Presidente da República revelou que intencionava escrever as memórias com o também antigo ministro da Saúde.

Na sua reacção à morte do antigo Primeiro-ministro, Pascoal Mocumbi, Joaquim Chissano lamentou o infortúnio, mas disse que “foi descansar, fica a sua memória connosco e os longos anos que convivemos desde 1952”.

O antigo Presidente da República lembrou vários momentos que partilhou com Mocumbi, até porque, nos últimos dias, “convivíamos perto, porque vivíamos na mesma zona aqui, em Maputo, em Mafalala. Casa dele era perto da minha casa”.

Chissano e Mocumbi viviam “quase como irmãos”, até porque o também antigo ministro dos Negócios Estrangeiros foi padrinho do casamento do antigo Chefe de Estado e “passamos férias muitas vezes juntos lá, na minha terra, na minha casa, na casa dos meus pais. Conheci os pais dele também. Nos momentos bons e maus da família, estivemos juntos e conheci a família alargada que ele tinha”.

Além desses momentos amistosos e familiares, Chissano diz que trabalhou muito com Mocumbi desde os tempos da fundação da Frelimo até à governação do país.

Essa história teria tido um outro rumo se ambos tivessem tido uma oportunidade para fazer o que já estava nos planos: “Ainda queria conversar com ele para escrevermos as memórias, porque me parece que ele tinha a intenção de também escrever e disseram-me na família que ele tinha começado”.

 

Morreu, na manhã deste sábado, o antigo Primeiro-ministro, Pascoal Mocumbi, vítima de doença. Mocumbi foi um dos membros-fundadores da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo).

Nascido em Abril de 1941, o político moçambicano iniciou os seus estudos universitários em Medicina, na Universidade de Lisboa e, pouco tempo depois, mudou-se para França, onde continuou a estudar na Universidade de Poitiers até 1963.

Pascoal Mocumbi foi membro-fundador da Frelimo, criada em 1962. Em 1963 tornou-se membro do Comité Central da Frelimo e liderou  o Departamento de Informação e Propaganda do partido.

Em vida, Pascoal Mocumbi ocupou vários cargos no governo moçambicano, entre eles: Ministro da Saúde, em 1980; Ministro dos Negócios Estrangeiros, em 1987; Primeiro-Ministro, em 1994, cargo que ocupou até 2004.

Internacionalmente, Mocumbi ocupou o cargo de Alto-comissário da Parceria sobre Ensaios Clínicos entre países europeus e países em vias de desenvolvimento, da Organização Mundial da Saúde.

Arrancou, hoje, a segunda sessão ordinária do Comité Central da Frelimo. No discurso de abertura de abertura, o Presidente do partido disse que 288 pessoas morreram e mais de 210 mil famílias foram afectadas no país, desde o início da presente época chuvosa.

Durante o discurso, o presidente do partido, Filipe Nyusi, disse que o evento decorre num momento em que o país está a reerguer-se dos efeitos dos desastres naturais e apresentou números. Nyusi pediu um momento de silêncio em memória dos que perderam a vida, vítimas das intempéries.

Sobre a Sessão Ordinária do Comité Central, o presidente da Frelimo espera que haja franqueza nos debates.

A apreciação do relatório da Comissão Política é um dos pontos da agenda desta sessão.

A realização ou não das eleições distritais em 2024 não será tema de debate no Comité Central da Frelimo a realizar este fim-de-semana. Entretanto, o partido reitera que o debate sobre o assunto deve ser feito por todos. O partido estará reunido entre sexta-feira e sábado para discutir a saúde interna.

A Frelimo chamou os jornalistas esta quinta-feira, para anunciar a realização da segunda sessão do Comité Central do partido, órgão de decisão mais importante do partido abaixo do Congresso.

Embora não seja tema de debate na sessão, a porta-voz falou da importância do envolvimento de todos nas reflexões sobre as eleições distritais previstas para 2024.

“Todos deverão participar deste processo para que tenhamos um entendimento comum de como é que se deverá levar adiante o processo de descentralização. A nível do partido, temos estado a realizar estas discussões olhando para todas as facetas do processo. É preciso olhar para o lado económico, entre outros aspectos, para chegarmos à conclusão de qual é a melhor opção para o país”, explicou Ludmila Maguni, porta-voz do partido Frelimo.

A ser dirigida pelo presidente do partido, Filipe Nyusi, Maguni fez saber que a sessão do Comité Central vai, entre vários pontos, avaliar o desempenho dos municípios, numa altura em que se avizinham as eleições autárquicas.

“É preciso analisarmos o trabalho que os municípios têm estado a fazer desde as eleições passadas e garantir que as promessas estão a ser efectivadas, pois o nosso trabalho só é relevante quando conseguimos responder às promessas feitas às populações”, disse a porta-voz.

Na sessão, os membros do Comité Central vão analisar a saúde interna do partido, ou seja, “iremos ouvir o relatório da Comissão Política, iremos olhar para o plano quinquenal do partido 2022–2027 e para o plano de actividades e orçamento para o presente ano”.

O Comité Central da Frelimo é composto por 230 membros, e a segunda sessão decorre na Escola Central do Partido, na Matola.

O Presidente da República reagiu aos tumultos ocorridos durante a tentativa de marcha em homenagem ao rapper Azagaia, na Cidade de Maputo. Filipe Nyusi lamenta o ocorrido e exige uma punição exemplar aos agitadores.

Filipe Nyusi reconhece que são direitos dos moçambicanos a manifestação e a liberdade de expressão, mas lembra que é papel da PRM garantir a ordem e segurança pública. E porque havia informações de que existiam pessoas que se queriam aproveitar da situação para cumprir “agendas concorrentes” e criar desordem, a Polícia foi obrigada a agir, o que culminou com o uso desproporcional da força.

Para o Chefe de Estado, os actos de violência “desproporcional” verificados no último dia 18 do mês em curso colocaram à prova o limite entre os direitos dos cidadãos e a actuação da PRM.

Como solução, o Presidente exige que a PRM evite confrontos com a população e pede vigilância por parte da população perante actos que podem “atrasar o desenvolvimento do país”.

Os pronunciamentos foram feitos durante a XVIII Cerimónia de Graduação em Ciências Policiais, na ACIPOL.

O acto marcou o encerramento dos Cursos de Licenciatura e de Mestrado Académico e Profissional em Ciências Policiais.

O país poderá beneficiar-se de maior volume de investimento europeu, mercê da adopção, pelo Governo, da isenção de vistos a 28 países, para fins de turismo e negócios.

A constatação foi feita pela Associação dos Empresários Europeus em Moçambique (EUROCAM), após o anúncio desta medida pelo Governo moçambicano.

O Presidente da agremiação, Simome Santi, diz que a decisão é estratégica, pois mais de trezentos milhões de cidadãos europeus poderão entrar com menos dificuldade no território nacional.

De acordo com o decreto aprovado em Conselho de Ministros, os beneficiários deverão registar-se na plataforma e-VISA pelo menos 48 horas antes da viagem e pagar uma “taxa de processamento de MZN650”.

Os países incluídos na lista aprovada são Bélgica, Canadá, China, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Gana, Indonésia, Israel, Itália, Costa do Marfim, Japão, Holanda, Noruega, Portugal, Rússia, Arábia Saudita, Senegal, Singapura, Coreia do Sul, Espanha, Suécia, Suíça, Ucrânia, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Estados Unidos da América.

A plataforma e-VISA é uma das novas valências do Novo Modelo de Gestão Consular do Ministério dos Negócios Estrangeiros e dá continuidade ao esforço de digitalização de toda a tramitação documental dos pedidos de visto.

A medida contribui para a operacionalização do Plano Nacional de Implementação do Pacto Global das Migrações (Resolução do Conselho de Ministros n.º 141/2019, aprovada a 20 de Agosto), segundo o Governo de Moçambique.

A Assembleia da República adiou a sessão plenária que tinha sido marcada para hoje. A reunião iria discutir a redução de 18 para 15 meses o prazo de antecedência para o Presidente da República convocar as eleições gerais de 2024.

Estava prevista para esta quinta-feira uma sessão plenária do Parlamento, que devia discutir o projecto de lei de redução de 18 para 15 meses o prazo de antecedência para a marcação de eleições. Entretanto, os deputados pediram o seu adiamento.

Reagindo ao adiamento, a bancada da Frelimo posicionou-se nos seguintes termos: “Já há conversações a nível das chefias das bancadas, com vista a encontrarmos um consenso para podermos aprovar a lei por unanimidade. Então, nós achamos que são esses os fundamentos que levaram a bancada parlamentar da Frelimo a submeter este projecto de lei de alteração da lei 8/2013, para poder reduzir o período de convocação de eleições”, explicou Feliz Silva, porta-voz da bancada da Frelimo.

Silva acrescenta que “o projecto de lei é mais para acomodar a vontade popular em torno do debate. Sabemos que está a acontecer em todo o país, em torno da pertinência das vantagens e desvantagens da realização ou não das eleições distritais que estão previstas na Constituição que foi revista em 2018”.

A sessão fica reagendada para a próxima semana.

O Presidente da República diz que há pessoas mais preocupadas com problemas imediatos, que acabam por deixar para trás o processo de Desmobilização, Desarmamento e Reintegração (DDR) dos homens da Renamo. O pronunciamento foi feito esta quarta-feira, numa visita ao Tribunal Administrativo, onde Filipe Nyusi apelou ao combate à corrupção.

Um dia depois de o Governo, através do Conselho de Ministros, ter aprovado o decreto que garante a reintegração socioeconómica dos desmobilizados da Renamo, o Presidente da República veio a público, esta quarta-feira, dizer que há forças desinteressadas no avanço do processo de Desmobilização, Desarmamento e Reintegração.

Filipe Nyusi diz que a aprovação deste decreto é resultado do comprometimento que o executivo tem com a paz, no entanto há forças que não querem que o pacote seja fechado e as famílias tenham os seus chefes de volta ao convívio.

“Aquelas pessoas estão a sofrer. Estão no mato. Muitas vezes, nós, que vivemos nas cidades, estamos preocupados com problemas imediatos e não em tirar aquela gente do mato e tornar o processo verdadeiramente terminado. Precisam das suas vidas. Seu sonho é, igual aos outros, ter uma vida boa, trabalhar para os filhos, mas, por vezes, há forças contrárias, que preferem manter essas pessoas sempre numa situação difícil e, em nome deles, estarem a viver bem”, disse o Chefe de Estado.

Nyusi, que falava durante uma visita ao Tribunal Administrativo, a convite da instituição, para se inteirar da organização e funcionamento, falou da importância do tribunal para o controlo da legalidade, uma vez tratar-se de um órgão máximo na hierarquia dos tribunais administrativos, fiscais e aduaneiros.

Durante a visita, foram apresentadas preocupações ao Chefe do Estado, com destaque para a existência de magistrados corruptos.

“A transparência, em conjunto com outros valores e princípios adaptados pelo Tribunal Administrativo, constitui um marco para a boa conduta profissional, dentro desta instituição e no seu relacionamento com os utentes e seus serviços, o que deve ser feito através do desenvolvimento de um relacionamento fiável e duradouro, com todas as partes interessadas e não com alguns negócios que fomos descobrindo ao longo dos anos passados e que levaram alguns dos funcionários deste tribunal à barra da justiça”, relatou Lúcia de Amaral, presidente do Tribunal Administrativo.

De Amaral avançou ainda que a instituição tem em vista uma campanha que visa identificar e desmantelar todo o tipo de rede criminosa, tanto de funcionários quanto de agentes externos da instituição.

“Está em fase de finalização o plano de intervenção e combate à corrupção na jurisdição administrativa, instrumento que, em consonância com as demais normas que regem as demais instituições do Estado, guiará a luta contra a corrupção no nosso tribunal e na jurisdição.”

Em relação a isso, Nyusi disse que a tolerância deve ser zero, com vista a garantir melhor funcionamento do Tribunal Administrativo.

“O Tribunal Administrativo tem de ser um órgão que brilha, que nos orgulha, que fiscaliza e audita. Então, não pode ser um órgão onde as pessoas são conotadas como corruptas, senão vão deixar passar aquilo que devem estancar”, avançou Nyusi, tendo acrescentado que o Governo e outros órgãos confiam no Tribunal Administrativo, por isso não se pode continuar a ouvir cenários de julgamento de magistrados, mas “se o jogador pisa na linha, é desqualificado. É assim que deve ser”.

A falta de instalações de trabalho e de residências para os magistrados foi também apresentada como elemento que influencia negativamente na prestação da instituição.

Sobre este ponto, o Chefe de Estado tomou nota e reagiu: “Deixamos o compromisso, como Governo, de continuar a criar condições para que os magistrados vejam as condições de trabalho e de vida melhoradas. Eu vi salas cheias de processos e de pessoas, mas vocês só trabalhavam, sem reclamar. Se eu não viesse, nem teria como saber”.

O Presidente da República apela para mais celeridade na tramitação dos processos, bem como no investimento na formação de qualidade dos magistrados.

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