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O País – A verdade como notícia

A Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Verónica Macamo, participa, desde ontem até quarta-feira, na reunião de alto nível das Nações Unidas sobre o Fundo Central de Respostas a Emergências para 2024.

O evento será dirigido pelo Secretário-geral da ONU, António Guterres, indica um comunicado recebido na nossa redacção.

Verónica Macamo será uma das oradoras do encontro na sede da ONU, num discurso que vai abordar a situação humanitária em Moçambique, o compromisso e resiliência do Governo moçambicano em resposta à devastação provocada por desastres naturais geradas pelo fenómeno global de mudanças climáticas.

Desde a sua criação, em 2006, o Fundo Central de Respostas a Emergências das Nações Unidas disponibilizou ajuda humanitária a Moçambique estimada em mais de 122 milhões de dólares, com destaque à recente doação de 16 milhões de dólares para auxiliar as vítimas do ciclone Freddy e do surto de cólera do presente ano.

Em Setembro, o Fundo de Resposta de Emergências das Nações Unidas (CERF) desembolsou mais 6,5 milhões de dólares (410,8 milhões de meticais) para ajuda humanitária a Moçambique.

CERF referiu, na altura, em comunicado, que este apoio está incluído no desembolso de 125 milhões de dólares, o equivalente a 7,9 mil milhões de meticais, para ajuda humanitária, nomeadamente a refugiados, em 14 países de África (incluindo Moçambique), Ásia, Médio Oriente e América do Sul.

Com o desembolso destes 125 milhões de dólares para os 14 países, o CERF eleva o apoio total do fundo de emergência através da sua janela de Emergências Subfinanciadas para mais de 270 milhões de dólares (17,1 mil milhões de meticais) este ano, “o maior montante anual alguma vez atribuído ao maior número de países”, o que, segundo a instituição, reflecte um “aumento vertiginoso das necessidades humanitárias e do facto de o financiamento regular dos doadores não estar a acompanhar o ritmo”.

O Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, participa, hoje, em Harare, República do Zimbabwe, na 22ª Conferência Internacional sobre SIDA em África.

O objectivo desta conferência é de acelerar a implementação de estratégias e intervenções destinadas a abordar, prevenir e eliminar a transmissão vertical e infecções infantis evitáveis em todo o Continente.

Esta reunião acontece num contexto em que se celebrou, esta sexta-feira, o Dia Mundial de Combate ao SIDA e os países africanos, Moçambique em particular, têm os índices de seroprevalência preocupantes.

A Ordem dos Advogados de Moçambique diz que o acórdão  do Conselho Constitucional, sobre a proclamação dos resultados eleitorais, não respondeu às questões pertinentes e legais sobre o conflito eleitoral A Ordem clarifica que os tribunais distritais  têm competência para anular eleições.       

Foi através desta nota de imprensa que a Ordem dos Advogados de Moçambique  pronunciou-se sobre a proclamação  dos resultados eleitorais autárquicos pelo Conselho Constitucional, há uma semana. 

Desta feita, o Conselho Constitucional, órgão de soberania da jovem democracia moçambicana, na sua função fiscalizadora da constitucionalidade e do contencioso eleitoral em derradeira instância, proclamou os resultados eleitorais autárquicos finais, num Acórdão que, para além de ter tido um grande ausente, que é a fundamentação, não respondeu às questões que se exigiam pertinentes, como sejam a problemática da legislação eleitoral, quer na sua interpretação didáctica à luz dos critérios legais, quer do alegado conflito ou sobreposição de competências entre instâncias jurisdicionais, quer ainda orientando a sociedade e as instituições nos caminhos a seguir para o aprimoramento dos processos eleitorais, lê-se no documento. 

Na nota a que o “O País” teve acesso, este sábado, a Ordem do Advogados de Moçambique diz ainda que as irregularidades no decurso da votação e no apuramento parcial, distrital ou de cidade, podem ser apreciadas em recurso contencioso, desde que tenham sido objecto de reclamação ou protesto.

Exigem-se leis eleitorais previsíveis e que acompanhem a evolução dos processos democráticos, do pensamento e da forma de estar em sociedade. As instituições eleitorais, incluindo as instâncias judiciais, devem preservar a independência, como factor de legitimação da sua própria existência e poder. De contrário, o caminho será tortuoso. 

A Ordem vai mais longe dizendo que:

É do conhecimento geral que a nossa Lei Eleitoral é uma péssima cópia da legislação eleitoral  portuguesa, mas, em abono da verdade, seja dito, em matéria de recurso eleitoral ela regulou diversamente do seu farol, que é a Lei Eleitoral portuguesa. Neste ordenamento jurídico ficou assente que os tribunais judiciais, como tribunais de primeira instância, tem competência para o tratamento de contencioso de apresentação de candidaturas, diversamente do sufragado na nossa legislação eleitoral referente às eleições autárquicas (…).

A matéria de contencioso eleitoral não foi exclusivamente reservada ao Conselho  Constitucional, contrariamente ao que o mesmo aludiu no seu douto Acórdão, reiterando o que  já dissera em Acórdãos anteriores ao da validação e proclamação dos resultados destas eleições (…). 

A instituição acrescenta que espera que na futura revisão eleitoral não haja retrocessos decorrentes de pressões políticas. 

Esperamos que nas próximas revisões ao regime eleitoral não haja retrocessos decorrentes desta experiência eleitoral em curso, por muito que isso seja tentador para o poder político e para as autocracias dominantes. Como se alcança do Acórdão do Conselho Constitucional, esta matéria não foi esclarecida mediante a aplicação de critérios legais e nem se fez luz: apenas um vago e ensurdecedor silêncio!

Para a Ordem dos Advogados, o Conselho Constitucional deve exercer os seus poderes conhecendo a matéria de facto  e de direito, bem como fundamentar as suas decisões. 

Juedinaldo Costa, ex-presidente de uma mesa de voto e envolvido numa polémica de alegada viciação de resultados eleitorais, foi nomeado director distrital do STAE em Namarrói, província da Zambézia, o que está a suscitar contestação.

Na madrugada do dia 12 de Outubro, a seguir às eleições autárquicas, Juedinaldo Costa, carinhosamente tratado por “Jo”, teria recusado assinar um edital do processo eleitoral por si assistido enquanto presidente de uma mesa da Escola Primária Completa de Coalane, na cidade de Quelimane.

Os intervenientes no processo tentaram, sem sucesso, persuadi-lo a assinar o referido documento.

Na sequência, Juedinaldo Costa saiu de uma das salas Escola Primária Completa de Coalane em fuga, facto que levou a Polícia da República de Moçambique a disparar para o ar para repor a ordem, uma vez que alguns intervenientes no processo eleitoral tentavam submeter “Jo” a sevícias. Os actos foram retratados em vídeo posto a circular nas redes sociais.

Semanas depois, “Jo” é nomeado como director distrital do STAE em Namarroi, para o espanto de todos.

Até à data da sua nomeação, o visado era director da Escola Secundária de Namarrói, de onde foi recrutado para ocupar o cargo de presidente de mesa de voto em Quelimane.

O Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) mandou fazer o levantamento de todos os casos de ilícitos eleitorais praticados e comprovados, nas sextas eleições autárquicas e os nomes dos envolvidos para medidas internas de responsabilização. O órgão deverá, com a instrução, avançar com processos disciplinares, que podem implicar até afastamento dos visados do Aparelho do Estado.

A instrução do Gabinete do Director-geral do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral foi emitida na última quarta-feira, dia 29 de Novembro.

No documento, o STAE central exige que suas direcções façam o levantamento e reportem os ilícitos eleitorais tipificados na lei eleitoral.

Para além dos factos, o gabinete de Loló Correia, director-geral do STAE, quer que sejam indicados os nomes e funções, quer de funcionários, quer de agentes do Estado afectos ao STAE ao nível provincial e distrital e membros das mesas de voto, que tenham praticado ilícitos eleitorais que constituem infracções disciplinares.

De acordo com a instrução, a informação deveria ter sido enviada à direção geral do STAE até quinta-feira, dia 30 de Novembro.

Contactamos o STAE, que diz que o que se pretende é a responsabilização interna, via processos disciplinares, que podem levar até mesmo à expulsão, dependendo da gravidade do ilícito.

Esta medida, segundo a porta-voz do STAE, Regina Matsinhe, surge depois de o Conselho Constitucional ter confirmado que houve, sim, ilícitos eleitorais nas eleições autárquicas de 11 de Outubro.

Mesmo antes dos pronunciamentos do Conselho Constitucional, a Comissão Nacional de Eleições (CNE), órgão responsável pela gestão do processo eleitoral no país, já tinha garantido estar atenta às irregularidades denunciadas por observadores e partidos políticos e prometeu ser implacável contra os agentes envolvidos nos ilícitos eleitorais.

De acordo com o porta-voz da CNE, Paulo Cuinica, o órgão seria implacável para com os seus membros e agentes eleitorais envolvidos em ilícitos, largamente reportados por observadores e partidos da oposição em quase todas autarquias do país.

Entretanto, Cuinica assumiu que os ilícitos eleitorais reportados na contagem e apuramento de votos não podem ser dirimidos pela CNE. “Nesta fase, e pela natureza desses ilícitos, o órgão já não podia intervir, pois, nos termos da Lei, são competentes os Tribunais Judiciais de Distrito ou de Cidade para a propositura de recursos em relação às reclamações, protestos ou contraprotestos não devidamente satisfeitos na mesa e, posteriormente, nas Comissões de eleições distritais ou de cidade”.

Refira-se, contudo, que até aqui, não se sabe, publicamente, que membros da CNE, implicados em tais actos, terão sido sancionados.

 

O antigo Presidente da Assembleia da República, Eduardo Mulémbwé, e membro do Comité Central da Frelimo, assume que o ambiente no partido não é bom e, por isso, é preciso unir e reconciliar os membros para melhor servir o povo.

É das vozes mais comedidas e cautelosas quando o assunto é falar publicamente sobre o partido, mas, esta quinta-feira, Eduardo Mulémbwé expressou o que pensa sobre o estágio actual do partido.

“Qual é a familia que em algum momento não tem algum desentendimento?”, questionou Mulémbwé, que mais adiante avançou explicando que “o importente é que a gente saiba porquê em algum momento vemos as coisas de maneiras diferentes, até que provavelmente seja um defeito meu. O importante é que a gente reconheça onde é que está o problema? No meu humilde pensar, é unir e reconciliar os militantes da Frelimo para fortalecer o partido”.

Quanto à contestação dos resultados eleitorais, Mulémbwé diz que falará nos órgão do partido.

“O Conselho Constitucioal já se pronunciou e eu quero apenas olhar para aquilo que é o produto final. Eu, como miliatnte da Frelimo, terei o momento de dar a minha opinião dentro do órgão a que pertenço, que é o Comité Central, não faço análises profundas fora”.
E em relação ao debate em torno da competência dos tribunais judiciais distritais de anular ou não as eleições, Mulémbwé defende a revisão da Lei.

“Eu sei que há, parece, olhando para a comunicação social que há algum mal-estar, “entre o Conselho Constitucional e o tribunal Supremo e há declarações pessoais ou não sei a um respeitado juiz conselheiro que veio cá fora dar a entender que é o posicionamento do Tribunal Supremo, sendo posição do Tribunal Supremo é que efectivamente existe algo para qual o legilsador tende olhar para a legislação e poder corrigir o que for necessário corrigir”.

Mesma opinião é partilhada pelo antigo Bastonário da Ordem dos Advogados, Gilberto Correia, que diz ser normal o confronto entre o Tribunal Supremo e o Conelho Constitucional.

“Exactamente o que é muito normal no Direito, todos dias em todos Tribunais, na academia, porquê é que por exemplo a gente vai defender uma tese, os estudantes vai a defesa tem um oponente? É para depois fazer-se uma síntese, atribuir-se uma nota a esse estudante, isso é muito normal meus caros, nós é que não estamos habituados porque essas divergências haviam só que as nossas autoridades escondiam. Em Direito isso é muito normal, é salutar, isso vai fazer com que melhore e clarifique o sistema”.

Os pronunciamentos foram feitos à margem do lançamento do livro de Alberto Vaquina, antigo Primeiro-Ministro.

 

Adriano Maleiane desafia os operadores turísticos a apostarem em soluções inovadoras e tecnológicas de modo a garantir o crescimento do sector. O primeiro-ministro falava, ontem, na abertura da nona edição da Feira Internacional de Turismo Fikani.

É a maior feira do turismo nacional, reúne operadores turísticos, agência de viagens e provedores de serviços. O Primeiro-ministro, Adriano Maleiane, fez a abertura da nona edição do evento que reúne 215 expositores nacionais e internacionais.

A ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, diz que este é o momento de partilhar experiências e soluções de crescimento.

A Feira Internacional de Turismo Fikani terá a duração de quatro dias e decorre sob o lema “Fikani por um turismo sustentável”.

A Renamo submeteu, esta quinta-feira, uma queixa-crime à Procuradoria-Geral da República contra o presidente da Comissão Nacional de Eleições, Carlos Matsinhe, e outros 16 vogais do órgão eleitoral. O partido acusa a CNE de manipular os resultados das eleições de 11 de Outubro.

A submissão de processos criminais, pela Renamo, à Procuradoria-Geral da República, continuou, esta quinta-feira. Desta vez, contra o órgão que geriu as eleições autárquicas de 11 de Outubro. Entre os processados estão o presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE), Carlos Matsinhe, o vice-presidente, Fernando Mazanga, e outros 15 vogais da CNE.

A mandatária da Renamo, Glória Salvador, foi quem submeteu os processos criminais.

“A CNE deu vitória à Frelimo em Chiúre, Alto-Molócuè, Quelimane e Vilanculos. Isso não pode ficar assim, devem ser processados. Qual foi a artimanha que usaram para conseguir essa vitória da Frelimo? Já agora, o CC mudou, mas também queremos saber qual foi a matemática que usou”, disse a mandatária.

A Renamo acusa a CNE de falsificar os resultados das eleições autárquicas a favor da Frelimo.

“Esta participação criminal que deixamos é para fazer com que eles respondam e expliquem a razão de terem avançado com tais medidas”.
Da Procuradora-Geral da República, o partido Renamo exige responsabilização de todos os processados e espera pela anulação do acórdão do Conselho Constitucional.

“Em nome da paz e reconciliação, a procuradora pode muito bem mandar anular o acórdão ilegal. Se ela quer confusão, que espere pela confusão. Esperamos que a procuradora-geral, na qualidade de garante da legalidade na República de Moçambique, accione os mecanismos legais e chame as pessoas à responsabilização, independentemente do grupo parlamentar a que pertencem”, apelou António Muchanga, cabeça-de-lista da Renamo na Matola.

O partido da perdiz reitera que vai continuar a submeter processos-crime, a nível distrital e provincial, nas autarquias onde considera ter sido injustiçado.

O Presidente da República participa, esta sexta-feira e sábado, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, na Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, COP28.

Um comunicado da Presidência da República indica que, durante a Cimeira, Filipe Nyusi irá partilhar a posição de Moçambique em relação à transição energética e abordar as experiências em curso nas áreas de adaptação e mitigação das mudanças climáticas.

Nyusi vai presidir, no Pavilhão de Moçambique, dois eventos paralelos sobre as “Oportunidades de Investimento na Energia de Moçambique” e sobre “Progressos e Limitações na Implementação do Quadro de Sendai sobre a Redução de Riscos de Desastres e Adaptação às Mudanças Climáticas”, respectivamente.

O Chefe do Estado vai, igualmente, presidir, no Pavilhão de África, um painel sobre o aumento do financiamento do programa “Sistema de Aviso e de Acção Prévia para Ameaças Múltiplas”.

A COP28 decorre sob o lema: “Unir, Actuar, Entregar Resultados”, e acolhe, este ano, dirigentes de 198 Partes e conta com a presença de mais de 30 mil delegados.

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