A Organização das Nações Unidas, ONU, alertam que o financimenro da resposta humanitária em Mocambique garente apenas 30% das necessidades deste ano, numa altura que se estima que o terrorismo tenha provocado mais de 28 mil deslocados, so este.
O mais recente relatório do Gabinete das Nações Unidas para Assuntos Humanitários aponta que Moçambique continua a debater-se com múltiplas crises simultâneas, impulsionadas pelos impactos de eventos climaticos e pelo terrorismo.
Moçambique continuou a enfrentar desafios humanitários sobrepostos em julho de 2026, impulsionados pelos deslocamentos relacionados com o conflito no norte, pelas necessidades contínuas de recuperação após cheias severas e pelo aumento dos riscos de seca associados ao El Niño, refere o documento citado pela RPT Noticias.
Quanto ao terrorismo, as Nacoes unidas relatam que só em Julho deste ano, cerca de 1.979 pessoas foram deslocadas devido ao conflito armado, elevando para 28.163 o número de deslocados registados desde o início do ano.
“O Plano de Necessidades e Resposta Humanitária, da ONU, de 2026 requer 534 milhões de dólares (34,176 mil milhões de meticais), mas apenas cerca de 160 milhões de dólares (cerca de 10,2 mil milhões de meticais) tinham sido mobilizados até Julho, encontrando-se assim financiado em apenas 30% face às necessidades totais”, refere a organização.
O relatório alerta igualmente para um novo risco climático relacionado com o fenómeno El Niño, que pode comprometer a produção agrícola e agravar a insegurança alimentar durante a próxima época chuvosa, de outubro a abril.
“O El Niño deverá agravar a segurança alimentar durante a época chuvosa de 2026/27. As previsões apontam para precipitação abaixo da média e aumento do risco de seca, particularmente no sul e centro de Moçambique, lê-se no relatório”, explicou.
As Nações Unidas mostram-se ainda preocupadas com a situação humanitária em Gaza, onde a organização diz ter registado 176% mais casos de malária face ao mesmo período de 2025.
Os trabalhadores da Tmcel dizem que só a gestão do Instituto de Gestão das participações do Estado (IGEPE) já está a dar bons frutos e que, por isso, podem avançar sem a intervenção da comissão liderada por Mateus Magala, anunciada na última semana, na Assembleia da República
Não é de hoje, desde a sua criação, na fusão da Mcel e TDM, por decisão do Governo, a Tmcel é descrita como uma empresa problemática. No mês passado, o ministro dos Transportes e Comunicações anunciou uma nova decisão em relação à gestão da firma, que passava por esta ser gerida, no dia-a-dia, pelo IGEPE.
Isso era enquanto se esperava uma segunda opinião de especialistas, já que a primeira não fora acolhida pelo Governo. Na última semana, em sessão de respostas aos deputados, Magala falou também da LAM, outra empresa problemática, mas descreveu-a como melhor que a Tmcel. Por isso, esta última passaria à gestão de uma comissão composta por si, pelo ministro da Economia e Finanças e pela presidente do IGEPE.
“A Tmcel está a perder a sua quota no mercado e a percepção dos clientes em relação à sua marca está em declínio”, assim como as suas receitas.
É aqui onde começa o problema. Os trabalhadores não têm a mesma percepção em relação ao estado da Tmcel. Até convocaram uma reunião geral entre ele e uma conferência de imprensa para falar do que eles sentem no dia-a-dia da operadora de telefonia. “Temos sentimento de esperança e de que a situação está a melhorar e sentimos as mudanças a todos os níveis, por isso acreditamos em nós e achamos que podemos avançar com esta intervenção do IGEPE.”
Ou seja, sem a comissão que Mateus Magala anunciou no Parlamento, composta por si, ministro dos Transportes e Comunicações, pelo ministro da Economia e Finanças e pela presidente do IGEPE. Ademais, há investimentos que correm e que sustentam a esperança.
Dizem mais, que “se não sentíssemos essas mudanças poderíamos estar em condições de dizer que a empresa está em vias de colapso”, disse Fausto Maurício, secretário-geral do Comité de Empresa, que é a representante dos interesses dos trabalhadores da empresa.
A outra questão que criou agitação nos trabalhadores é a possível redução da força de trabalho em 60%, que o governante falou como sendo uma das possíveis saídas. “É que nós não sabemos que critérios serão usados até que se atinja essa meta.”
Bom, o facto é que os 60% não são ainda o dado adquirido, aliás foi uma sugestão de um possível parceiro que queria comprar 80% das acções da Tmcel, passar a dívida de 300 milhões de dólares ao Estado e fazer a diminuição dos trabalhadores. Sobre o que vai acontecer com a empresa, o ministro disse, no Parlamento, que a comissão que ele dirige vai dar o veredicto até ao fim deste mês.
Moçambique já não vai organizar, em 2024, os Jogos do Conselho Superior do Desporto da União Africana – Jogos da Região 5 da União Africana (AUSC-R5), passando a Zâmbia a sediar o evento. A Secretaria de Estado de Desporto fala de elevados custos, perto 1,3 mil milhões de Meticais, num ano de grandes realizações desportivas e políticas. A Reunião do Secretariado do Sector do Desporto da Região 5 do Conselho do Desporto da União Africana, evento que terminou no domingo, em Maputo, confirmou a decisão.
Não será desta que o país voltará a juntar, vinte anos depois, cerca de seis mil pessoas para darem corpo aos jogos do Conselho de Desporto da União Africana, AUSC, Região 5.
É que, em ano de várias realizações desportivas como os Jogos Africanos de ACRA, no Gana; Jogos Olímpicos Paris 2024; Jogos Desportivos Escolares e eleições gerais, o Governo entende ser dispendioso organizar uma prova que vai acarretar custos elevadíssimos. O executivo fala também dos efeitos provocados pelo ciclone Freddy, que deixou um rasto de destruição e forçou intervenções em sectores-chave.
O director de Desporto de Alto Rendimento, Francisco da Conceição, confirmou que Moçambique e a Zâmbia chegaram a acordo para que os zambianos possam acolher a prova, em 2024, e o país sediar a mesma dois anos depois.
“Nós temos vários cenários que podem ter contribuído para que Moçambique não possa organizar os Jogos da AUSC-R5 em 2024: há uma enorme pressão sobre os recursos financeiros do nosso país em 2024. Vale lembrar que, sob o ponto de vista desportivo, no próximo ano haverá a realização dos Jogos Africanos em Acra, teremos os Jogos Olímpicos em Paris, teremos em 2024, os Jogos Desportivos Escolares, e terão lugar as Eleições Gerais. Portanto, há um conjunto de actividades que vão pressionar muito, sob o ponto de vista de tesouraria, o Estado moçambicano, pelo que se chegou à conclusão de que, ao trazer os jogos nessa altura, nós teríamos alguns desafios que poderiam perturbar o bom andamento dos jogos”, explicou Francisco da Conceição.
O certo é que o país se comprometeu, ano passado, a acolher este evento mesmo sabendo que, em 2024, terá pela frente o desafio de participar em várias competições internacionais, definidas como prioritárias.
Porque, afinal, a SED não olhou atempadamente o calendário desportivo antes mesmo de assinar acordos com o Conselho Superior do Desporto da União Africana? Esta foi a colocação feita a Francisco da Conceição, ao que respondeu: “Temos vindo a participar de forma frequente nos Jogos da AUSC-R5. É verdade que no ano passado tivemos uma participação significativa em termos quantitativos de atletas, porque nós íamos receber os jogos e havia necessidade de apresentar a imagem do país e termos a maior representatividade possível. Às vezes, temos desafios que fazem com que a gente não possa levar as modalidades colectivas e apostemos nas modalidades individuais que, por acaso, até têm representado condignamente o país lá fora.”
FEDERAÇÃO E ASSOCIAÇÃO DE CLUBES DIVERGEM SOBRE ARRANQUE DA LIGA ANGOLANA
A Federação Angolana de Futebol (FAF) e a Associação Angolana de Clubes (ANCAF) divergiram hoje sobre o arranque da Liga profissional em Angola, semanas depois de os clubes anunciarem a pretensão da sua implementação na próxima época.
O presidente da FAF, Artur Almeida e Silva, não confirmou a implementação da Liga na próxima época, por considerar faltar ainda melhor sintonia entre as duas instituições, e adiantou apenas que na época 2023/2024 a FAF vai trabalhar para o aumento financeiro por parte do consórcio (Sonangol, Endiama e Sodiam), empresas angolanas que patrocinam o Girabola.
Já o presidente da ANCAF, Alves Simões, disse que os clubes cumpriram com todos os trâmites jurídico-administrativos para a efetivação da Liga de futebol em Angola já na próxima época.
Alves Simões, que disse que a Liga depende apenas da FAF, defendeu a aceleração do processo e consequente implementação urgente da prova, de modo a conferir nova dinâmica ao futebol angolano no que tange a adesão de patrocinadores, qualidade desportiva e melhor aproveitamento das infraestruturas.
Entretanto, o O Petro de Luanda, comandado pelo treinador português Alexandre Santos, vai receber 25 milhões de kwanzas (cerca de 45 mil euros) pela conquista, no domingo, do campeonato angolano de futebol.
m jogo da 29.ª jornada, Kinito, aos 15 minutos, e Tiago Azulão, aos 56, marcaram os golos, que levaram os bicampeões angolanos a conquistar o 17.º campeonato, com 69 pontos, a uma jornada do fim do campeonato.
Com esta derrota, o Interclube caiu de terceiro para quinto, com 49 pontos.
O Petro de Luanda não vai jogar a última jornada por força de calendário.
O Desportivo da Huila, sob comando do treinador português Paulo Torres, venceu o Desportivo da Lunda Sul por 4-3.
Leonel, aos seis minutos, 36 e aos 45, e Jenibi, aos 18, marcaram os golos dos vencedores, enquanto Balakay, aos 35 e 70, e Betinho, aos 55, foram os autores dos golos dos derrotados.
O 1.º de Agosto, segundo classificado, com 60 pontos, perdeu diante do Wiliete de Benguela por 1-0, na província angolana de Benguela, após golo de Nelito, aos 45 minutos.
A Comissão de Gestão da Associação de Basquetebol da Cidade de Maputo (ABCM) procede, esta terça-feira, na sede social da agremiação, ao lançamento da edição 2023 do Torneio de Abertura, primeira competição oficial da época. Trata-se, de resto, de um certame há muito esperado pelos clubes cujas oficinas abriram há três/quatro meses, mas sem competições ao nível da capital devido à dívida de 130 mil Meticais com os árbitros e oficiais de mesa, um valor acumulado desde ano passado.
Procede que, com a aproximação aos homens do apito, a Comissão de Gestão da Associação de Basquetebol da Cidade de Maputo conseguiu sensibilizar os mesmos a apitarem aos jogos inseridos no certame “12 horas de basquetebol” realizado no passado dia 5 de Maio, nos pavilhões do Maxaquene e Desportivo Maputo.
Espera-se, aliás, que esta aproximação tenha sido um caminho para se encontrar a solução airosa para que as provas não só sejam retomadas na capital do país como também o pagamento de subsídio aos árbitros e oficiais de mesa seja feito sem sobressaltos.
A Associação de Basquetebol da Cidade de Maputo deve apresentar, igualmente, os passos que pretende dar para que as provas sejam regulares, assim como o calendário que definiu tendo em conta os compromissos das selecções nacionais em competições continentais.
É que, com o arranque tardio das provas, há que acomodar as datas de participação da selecção sénior masculina, por exemplo, no “Afrocan”, competição a realizar-se de 8 a 16 de Julho, em Angola. Esta prova é reservada apenas a atletas que evoluem nas respectivas competições internas, sendo que a mesma irá movimentar 12 selecções.
Há, por outro lado, que ter em conta o “Afrobasket” feminino a decorrer de 28 de Julho a 6 de Agosto, em Kigali, no Ruanda. Mas há também que se acelerar para a realização do Campeonato da Cidade, competição que vai definir os representantes da capital na “poule” de apuramento da zona sul para a Liga Moçambicana de Basquetebol Mozal e a Sasol (femininos).
Com o aperto de calendário, a Comissão de Gestão da Associação de Basquetebol da Cidade de Maputo é desafiada ainda a definir melhor o calendário por conta dos “nacionais” em masculinos e femininos, assim como a Taça dos Clubes Campeões Africanos de Basquetebol em seniores femininos.
“O que nós prevemos é dar mais jogos durante a semana, ou seja, as equipas fazerem dois ou, se calhar, três jogos. Vamos avançar com uma proposta, que vai permitir dar ritmo aos atletas. Logo que terminar, e se formos a tempo da competição africana, iremos iniciar o Campeonato da Cidade, prova na qual prevemos também fazer disputar dois a três jogos por semana. Apesar de tudo, somos um país com alguma deficiência relativamente a treinos e condições físicas. Isto pode colmatar-se com mais jogos e torneios”, disse Sérgio Hitie em entrevista ao programa “Ao Ataque”.
A agremiação está, igualmente, em conversações com os clubes para definição dos pavilhões que irão acolher os jogos, sendo esta componente fundamental para o sucesso das provas. “Temos o pavilhão do Maxaquene, com luz, desde sábado passado. Reabilitámos o pavilhão anexo do Maxaquene devido aos jogos das camadas de iniciação, isto no período da manhã. Iremos agilizar tudo isto, em coordenação com os clubes, para que todos os jogos decorram sem sobressaltos. Já conversamos com o Maxaquene e vamos assumir que os acordos devem ser feitos por escrito para que não haja dúvidas nem recuos. Decorrem, neste momento, obras de reabilitação do pavilhão do Desportivo, sendo que as mesmas estão numa fase conclusiva. Vamos conversar com a direcção deste clube e também da A Politécnica, que está disponível.”
TORNEIO “TREINADOR”: COSTA DO SOL E FERROVIÁRIO DECIDEM O TÍTULO
É a final esperada. É o decisivo jogo entre as duas melhores equipas na fase regular do Torneio “O Treinador”, prova organizada com o propósito de rodar os jogadores das equipas da capital do país. Costa do Sol e Ferroviário de Maputo defrontam-se, próxima sexta-feira, às 20h00, no pavilhão da A Politécnica, na decisão do título.
Para chegarem à final, os “locomotivas” derrotaram, sábado, o Costa do Sol “B” por 76-50, num duelo em que dominaram todos os quartos. Os parciais foram os seguintes: 21-17, 21-7, 17-13 e 17-13.
Já o Costa do Sol sentiu algumas dificuldades para ultrapassar a A Politécnica, formação a qual derrotou por dois pontos: 51-49.
A final vai opor, por sinal, duas formações que dominaram o panorama do basquetebol na capital do país, tendo os “canarinhos” vencido os “locomotivas” na final do Campeonato da Cidade por 2-0 nos “play-offs” da final com vitórias por 57-49 (jogo 1) e 57-50 (jogo 2).
Na fase regular do torneio “O Treinador”, o Ferroviário de Maputo venceu a equipa principal do Costa do Sol que vai procurar, seguramente, “dar o troco”.
Ao nível dos seniores femininos, e como era de esperar, a final será entre as formações da A Politécnica “A” e Costa do Sol.
Sexta-feira, na última meia-final, o Costa do Sol venceu a A Politécnica “B” por 61-34. O conjunto de Leonel “Mabê” Manhique controlou todos os quartos desta partida e fez a rotação do seu plantel. O grande ausente desta prova é o Ferroviário de Maputo, vice-campeão nacional e campeão da cidade.
O Costa do Sol, até pela estrutura que apresenta, parte como principal favorito a conquistar esta competição. A organização da prova recorreu a antigos árbitros e entusiastas para apitarem os jogos do Torneio O Treinador, e o pagamento dos mesmos é feito imediatamente.
Várias crianças morreram, vítimas de fome, nos últimos dias, no Quénia, depois que foram ordenadas a jejuar ao sol para que morressem mais depressa. As mortes ocorreram na sequência do chamado massacre de Shakahola, ocorrido numa seita religiosa, no sudeste daquele país. O Presidente William Ruto assume responsabilidade pelas mortes.
De acordo com a imprensa internacional, os fiéis da referida congregação foram informados de que chegariam ao céu mais rápido se passassem fome, expostos ao sol.
Um líder religioso revelou que as crianças morreram primeiro, tendo mulheres e homens seguido o plano da seita.
As autoridades citadas pela imprensa internacional avançam que estão a investigar um alegado suicídio em massa, depois de já terem sido exumados 201 corpos de crentes, até ao momento.
A polícia acredita que a maioria dos corpos encontrados são de seguidores de um antigo taxista e autoproclamado pastor e fundador da Igreja Internacional da Boa Nova, agora detido. Outros 25 responsáveis de seitas foram presos pela polícia, no Quénia.
O Presidente do Quénia, William Ruto assumiu toda a responsabilidade pelas mortes e prometeu que as autoridades irão ao fundo da questão para esclarecer o caso.
Passa hoje um mês após o início de confrontos entre as tropas dos dois generais, que lutam pelo poder no Sudão. Contam-se até aqui mais de 750 mortos, há também milhares de feridos e cerca de um milhão de deslocados e refugiados.
De um lado o general Abdel Fattah al-Burhane, chefe das Forças Armadas e Presidente do Sudão, desde o golpe de Estado de 2021, e do outro, Mohamed Hamdane Daglo, vice de al-Burhane, que lidera o grupo paramilitar, Forças de Apoio Rápido, uma milícia acusada de matar membros de minorias étnicas não árabes na região de Darfur.
São os dois homens em guerra aberta desde 15 de Abril passado, num dos países mais pobres do mundo, no qual não há ainda perspectivas de um ponto final nos confrontos.
Um mês após o início do conflito armado, mais de 750 pessoas morreram e milhares ficaram feridas.
Sem água nem electricidade, os habitantes de Cartum aguardam, em casa, por um hipotético cessar-fogo no meio de ataques aéreos, tiroteios e fogo de artilharia.
Os combates estão a provocar uma catástrofe de proporções inimagináveis, alertam ONG. O país com 45 milhões de habitantes poderá ver, em breve, 19 milhões ameaçadas pela fome.
Esta segunda-feira, o Exército sudanês realizou mais ataques aéreos, no norte da capital Cartum, enquanto luta para repelir os rivais paramilitares.
O conflito fez, ainda, com que cerca de 200.000 civis fugissem para os países vizinhos e mais de 700.000 se deslocassem dentro do Sudão, desencadeando uma crise humanitária que ameaça desestabilizar a região, o que está a preocupar países vizinhos, como Sudão do Sul, Egipto e Etiópia.
Desde a primeira semana dos confrontos, mais de seis tentativas de impor um cessar-fogo fracassaram, mesmo quando fossem para criar corredores humanitários.
O presidente da Ucrânia continua a sua campanha de mobilização internacional em busca de apoio contra a Rússia. Depois de viagens à Itália e Alemanha Volodymyr Zelensky faz uma visita a França.
Zelensky reuniu-se ontem com o Presidente da França, Emmanuel Macron. Na ocasião, segundo o Observador, Macron reforçou apoio militar a Ucrânia e concorda com mais sanções à Rússia.
Esta será a segunda vez que Volodymyr Zelensky está em Paris desde o início da guerra na Ucraniaa, em Fevereiro de 2022, para tentar obter mais apoio do governo francês.
Em Fevereiro deste ano, o presidente francês recebeu Zelensky no Palácio do Eliseu, juntamente com o chanceler alemão, Olaf Scholz.
Volodymyr Zelensky esteve no sábado em Roma, onde se encontrou com o presidente e primeira-ministra de Itália, e com o Papa Francisco. No Domingo voou até à Alemanha, para receber o Prémio Internacional Carlos Magno, que lhe foi atribuído em conjunto com o povo da Ucrânia.
Milhares de fiéis católicos escalaram, este sábado, o Santuário de Namaacha, na Província de Maputo, para dar início às celebrações dos 106 anos da aparição de Nossa Senhora de Fátima. Na sua bagagem levaram pedidos de restabelecimento da paz em Cabo Delgado.
Segundo alguns crentes, a caminhada até ao santuário é uma das demonstrações de sacrifício, fé e adoração. Um momento reservado para os católicos e não só. É o caso de Bernardo Luís, jovem de 23 anos de idade, crente da igreja anglicana, que decidiu caminhar de Boane a Namaacha sozinho.
No Santuário de Nossa Senhora de Fátima, na vila de Namaacha, geralmente pouco movimentada, eram esperados 12 mil fiéis.
Fiéis oriundos de vários pontos do país, bem como de países vizinhos reuniram-se no início das celebrações dos 106 anos de aparição da Nossa Senhora de Fátima, em Portugal.
Com as mãos cruzadas em oração, celebrava-se um dos momentos mais altos com a procissão de velas e exposição do considerado santíssimo sacramento.
“Este é um momento único, em que pedimos perdão e amor ao próximo. Pedimos, igualmente, que o senhor de todos nós acabe com os conflitos no país”, disse Luísa Maria, crente da igreja católica.
Para o pároco da Sé Catedral de Maputo, Giorgio Ferretti, recordar a aparição de Nossa Senhora de Fátima é uma oportunidade de se restaurar.
Este ano, as comemorações do 13 de Maio decorreram sob o lema “Maria modelo do anúncio e testemunho da palavra de Deus hoje”.
Alguns produtores agrícolas dizem-se obrigados a reduzir a produção devido à subida do preço do gasóleo. O facto aumenta a dependência do país para com o mercado sul-africano, e, por outro lado, os preços poderão subir pela escassez dos produtos em Moçambique.
Na semana passada, o litro de gasóleo saiu de 87,97 para 94,75 Meticais. É já o segundo reajuste que coloca o chamado “combustível da indústria” mais caro do que a gasolina. Os agricultores comerciais, que dependem deste combustível, dizem que não há alternativa senão reduzir o que produzem.
Uma dessas pessoas é o produtor Spensa Dambikwa, de 37 anos de idade, com uma área total de 48 hectares, onde há diversas culturas, com destaque para 14 hectares de tomate. Dos seus campos, saem, todos os dias, 10 toneladas para o mercado Grossista do Zimpeto, que é de maior referência em Maputo e não só. Porém, isso terá de mudar. “Vou passar a tirar sete a cinco”.
Não é uma mudança estratégica, é mesmo porque o custo de produção dispara cada vez que se aumenta o preço do gasóleo. Por dia, Spensa precisa de pelo menos 200 litros. Isto quer dizer que, se antes gastava 17 594 Meticais, agora, com o aumento de 6 Meticais e 78 centavos por litro, precisará de quase 19 mil Meticais diários. Por mês, cerca de 570 mil Meticais com o combustível. “Aqui pára tudo, precisamos de combustível. Temos tractores, máquinas para puxar água, duas, isso sem contar com os camiões que transportam os produtos para o mercado”.
Em teoria, quando os custos de produção sobem, há duas alternativas: ou passa-se o custo ao consumidor através do aumento imediato do preço ou reduz-se a quantidade. De todas as formas, o consumidor paga mais. Por agora, aumentar o preço não é opção, isso porque, segundo os produtores, “o mercado não depende de nós”, até porque, “60% do tomate que, por exemplo, está no Zimpeto, vem da África do Sul”.
Por enquanto, essa proporção aparentemente beneficia o consumidor na medida em que o produto vindo da África do Sul é mais barato, mas constitui um desincentivo aos produtores nacionais e, no final, com maiores quantidades a virem de fora, muitos riscos se levantam; Spensa sabe disso, principalmente porque, além de tomate, produz batata reno. “Estava a pensar em tirar 100 toneladas, mas agora vou tirar cinquenta. Claramente, vou produzir menos e, com menos produtos no mercado, obviamente, os preços vão disparar”, alerta Spensa Dambikwa.
Vasco Zitha, de 74 anos de idade, é outro produtor que tenciona reduzir a quantidade do que produz e vende no mercado Grossista do Zimpeto. Tem uma área de plantio de 40 hectares, dos quais cerca de 10 são de tomate. Com a subida do preço do gasóleo, diz que vai reduzir a área cultivada para 20 hectares, já que, para piorar, “não há apoio”.
Para ele também, o facto de o preço não compensar o custo do gasóleo é também razão para a decisão de produzir menos. “No mercado, não somos nós que decidimos o preço e as pessoas que o fazem não têm em conta os nossos custos de produção”, explica Zitha.
Outro alerta vem de Chókwè, onde se produz tomate e todos os outros que se produzem em Maputo, acrescentando arroz. Eles também se sentem sufocados pelo novo preço do gasóleo e dizem que vão ter de reduzir a área cultivada.
E, porque Chókwè é, também, um grande fornecedor do Zimpeto, a redução de lá traduzir-se-á na diminuição do produto disponível no mercado nacional. Ou seja, está iminente um aumento do nível da dependência nacional em relação às importações.
Aliás, mesmo agora, há dependência, porém o produto nacional concorre de forma equilibrada com o estrangeiro. Olhemos, por exemplo, para batata reno, cebola e tomate que entraram no Grossista no último sábado.
O mercado recebeu 13 camiões de tomate, dos quais 7 vindos da África do Sul e seis, do mercado nacional; sete viaturas levaram batata ao Zimpeto. Destas, cinco são nacionais e dois, da África do Sul. Dois carros de cebola, ambos vindos da África do Sul.
A redução da produção nacional é descrita por economistas como prenúncio de maus dias em termos de preços ao consumidor. Isto é, os 3,58% de aumento do nível geral de preço atingidos de Janeiro até Abril podem crescer ainda mais nos próximos tempos.
Duas horas antes do seu concerto iniciar, Selma Uamusse confessou estar nervosa. Habituada a pisar grandes palcos e de vários cantos do mundo, em casa parece que as coisas ganham outro sentido, outra dimensão. Ainda assim, na celebração do Dia da Europa, iniciativa da União Europeia e do Franco-Moçambicano, a natural não tremeu. Paciente e natural, a cantora apresentou ao público maputense as músicas do seu segundo álbum, Liwoningo, afinal nome da filha do seu velho amigo: Cheny Wa Gune. Com o timbileiro, Selma partilhou o palco em alguns temas, mas a crónica não deve começar por aqui…
Quando o som dos instrumentos começou a soar por cada milímetro da Sala Grande do Franco, este sábado, Selma Uamuse apresentou-se em palco dançando o tema “Mamã”, composição de Deltino Guerreiro por si interpretada. Nesse instante, a artista parecia uma “ilustre desconhecida”, pois, ao contrário do que poderia acontecer, quase ninguém a acompanhou no canto ou com vigorosos aplausos. Entre sussurros, os espectadores perguntavam uns aos outros: E agora, o que vem aí? Bem, Selma Uamusse não ouviu essa pergunta. Talvez, por isso, apenas dedicou-se a fazer o que para a artista parece fácil: conquistar a atenção e o respeito dos que, mesmo sem entender as letras das composições, gradualmente, entregaram-se a uma vibe absolutamente convincente.
Partindo de Portugal, onde vive desde 1988, Selma Uamusse aterrou em Maputo para mostrar a sua conexão com a Pérola do Índico, com as tradições, com o quotidiano, com a sua gente e com os artistas que vivem cá e lá fora. Também por isso, logo no início da apresentação do seu repertório, cantou “No guns” com o já apresentado Cheny Wa Gune, um tema para pensar a paz, a harmonia social e a tão difundida unidade nacional. Aí a Sala Grande começou a aquecer. A cantora ia na sua segunda música e os assentos já incomodavam. Como era possível alguém estar sentado com uma 7 de Abril ali a cantar e a dançar rigorosamente bem, calçando um salto alto com tantos quilómetros percorridos? Não, não era possível e a artista não permitiu.
Firme no seu registo performativo desconcertante, Selma Uamusse foi subindo de intensidade na actuação… A uma velocidade de cruzeiro. Aos passageiros, só lhes restava desapertar os cintos de segurança, levantar e fingirem, com movimentos, que um dia souberam dançar. Do palco, a autora dos álbuns Mati e Liwoningo não deve ter reparado nos vários “paus de vassoura” que a tentavam imitar ou corresponder às suas provocações… Crianças, jovens, mulheres, homens, pretos, brancos, moçambicanos, suecos, portugueses, franceses e etc., de repente, viram-se envolvidos numas coreografias originais, mas que hoje seriam incapazes de repetir, não fossem os movimentos confusos e improvisados.
Neste regresso a Moçambique, Selma Uamusse quis cantar para e com toda a gente. Deve ser por essa razão que, não podendo estar com uma das filhas no palco, primeiro, chamou a Liwoningo para a acompanhar no tema “Hoyo-Hoyo”. A menina que não parece ser bailarina ficou ali meio contida no palco, entre sorrisos, abraços e a emoção de dançar ao som da timbila do pai. A essa altura, os dois corredores de acesso da Sala Grande já não se viam. Todos em todo o lado. Como que hipnotizados, o público percebeu as particularidades que tornam a música universal e a arte performativa, às vezes, inefável. Foi um misto de emoções e sentimentos ver uma irmã e uma filha de regresso a casa, explorando ritmos tradicionais e imaginários locais. De Portugal, Selma Uamusse tem o sotaque e tantas outras coisas, mas, quando o assunto é música, os seus processos criativos assentam em matrizes culturais moçambicanas, do Norte ao Sul, do Sul ao Norte. Há um Moçambique efervescente e subtil em Selma Uamusse, um Moçambique plural com a capacidade de se afirmar artisticamente no estrangeiro, um Moçambique envolvente, comovente e dinâmico.
Ao interpretar “Ngono utana”, aquilo já não era saltar. Às alturas, a cantora lá ia buscar uma energia inigualável. Selma Uamusse parece ter o dobro dos pulmões de um ser humano. Talvez, depois de Azagaia, é a artista moçambicana que melhor testa a resistência do palco no qual actua. Viu-se isso no Franco, uma cantora incapaz de estar quieta, mas, simultaneamente, boa na serenidade. Por exemplo, com “Mati” a coisa foi mais pausada. Esse tema que há alguns anos mereceu uma versão com Sara Tavares, desta vez, teve outra versão com Milton Gulli, esse monstro da música que também voltou a casa na celebração do Dia da Europa.
Com “Mati”, Selma faz as pessoas pensar nas coisas essenciais da vida muitas vezes ignoradas, nas coisas e nas pessoas que nos alimentam a existência. Logo, em jeito de agradecimento a uma certa pessoa, a cantora com o “coração que tem o suficiente para abraçar o mundo inteiro”, conforme disse, desceu do palco cantando, passou entre os espectadores, tocou-os, deixou-se fotografar e, de assento em assento, foi procurar a mãe até encontra-la lá no meio de tanta gente. Julieta Massimbe levantou-se orgulhosa. Não precisou dizer É minha filha! Selma Uamusse tratou de a apresentar para quem não sabia e aí alguns telemóveis atrasaram-se a registar o momento do abraço. Os mais atentos, sim, captaram essa celebração do amor às mães.
Numa noite a passar célere, Selma Uamusse convidou Stewart Sukuma para juntos interpretarem um tema. Foi um cruzamento de gerações, entre a exaltação do afecto e da saudade. Uma vez mais, Stewart, esse menino de apenas 60 anos de idade, deixou ficar a impressão de que os anos, para si, não mudam nada em termos físicos. Depois, chegou a vez de Lenna Bahule também fazer um duo com Selma. Isso não levaria muito tempo. O concerto inebriante já estava a terminar. Selma Uamusse agradeceu pelo calor, pelos kulunguwanas e, com o coração cheio de liwoningo, recolheu ao backstage, deixando, para mim, a crónica de uma noite bem anunciada.