A Organização das Nações Unidas, ONU, alertam que o financimenro da resposta humanitária em Mocambique garente apenas 30% das necessidades deste ano, numa altura que se estima que o terrorismo tenha provocado mais de 28 mil deslocados, so este.
O mais recente relatório do Gabinete das Nações Unidas para Assuntos Humanitários aponta que Moçambique continua a debater-se com múltiplas crises simultâneas, impulsionadas pelos impactos de eventos climaticos e pelo terrorismo.
Moçambique continuou a enfrentar desafios humanitários sobrepostos em julho de 2026, impulsionados pelos deslocamentos relacionados com o conflito no norte, pelas necessidades contínuas de recuperação após cheias severas e pelo aumento dos riscos de seca associados ao El Niño, refere o documento citado pela RPT Noticias.
Quanto ao terrorismo, as Nacoes unidas relatam que só em Julho deste ano, cerca de 1.979 pessoas foram deslocadas devido ao conflito armado, elevando para 28.163 o número de deslocados registados desde o início do ano.
“O Plano de Necessidades e Resposta Humanitária, da ONU, de 2026 requer 534 milhões de dólares (34,176 mil milhões de meticais), mas apenas cerca de 160 milhões de dólares (cerca de 10,2 mil milhões de meticais) tinham sido mobilizados até Julho, encontrando-se assim financiado em apenas 30% face às necessidades totais”, refere a organização.
O relatório alerta igualmente para um novo risco climático relacionado com o fenómeno El Niño, que pode comprometer a produção agrícola e agravar a insegurança alimentar durante a próxima época chuvosa, de outubro a abril.
“O El Niño deverá agravar a segurança alimentar durante a época chuvosa de 2026/27. As previsões apontam para precipitação abaixo da média e aumento do risco de seca, particularmente no sul e centro de Moçambique, lê-se no relatório”, explicou.
As Nações Unidas mostram-se ainda preocupadas com a situação humanitária em Gaza, onde a organização diz ter registado 176% mais casos de malária face ao mesmo período de 2025.
O boxe foi o grande vencedor da Gala Nacional do Desporto ao conquistar as mais prestigiadas nomeações, com destaque para Alcinda Panguana e Tiago Muchanga, que foram coroados Atletas do Ano, em femininos e masculinos, Lucas Sinoia, que foi o melhor treinador masculino e para a selecção masculina, que foi a equipa do ano.
O boxe viu ainda Rady Gramane ser eleita pelos amantes do desporto, no voto popular, como a Atleta Popular, deixando para trás a concorrência de Lau King e Ana Paula Sinaportar.
Facto mesmo é que o boxe, em 2022, ano da avaliação dos melhores no desporto, conquistou várias medalhas, entre o prata e o bronze no Campeonato Mundial, as medalhas de ouro nos Africanos das regiões 3 a 6, bem como no Campeonato Africano de Maputo, e medalhas de bronze nos jogos da Commonwealth.
Aníbal Manave, recentemente reeleito presidente da FIBA-Africa, ficou com o prémio Prestígio, uma premiação dada ao desportista que tem se evidenciado pelo seu trabalho que motiva mais desportistas ao nível internacional.
A 10ª Gala Nacional do Desporto, que contou com a presença do Presidente da República, Filipe Nyusi, teve ainda outras premiações, com destaque para os clubes Estrela Vermelha e Black Bulls, pelos feitos nas infraestruturas e na formação de jogadores, bem como para o Prémio de Mérito que coube à família Mafambane que se destacou em várias modalidades ao longo do ano 2022.
“ANO 2022 FOI DE MUITAS CONQUISTAS”, DIZ FILIPE NYUSI
Para o Presidente da República, Filipe Nyusi, o ano de 2022 foi de muito sucesso para o desporto moçambicano em vários quadrantes, desde o número de medalhas conquistadas até as diversas distinções que os moçambicanos mereceram.
“A Gala Nacional do Desporto é uma celebração por excelência, com o propósito de desencadear a afirmação individual e colectiva dos desportistas. O ano de 2022 foi de muitas conquistas e isso foi possível graças a todos”, disse Filipe Nyusi.
Em termos numéricos, no ano de 2022 o país conquistou 189 medalhas, das quais 77 de ouro, 55 de prata e 57 de bronze. Este foi um feito destacado por Filipe Nyusi que destacou o facto de ter sido graças aos esforços dos atletas moçambicanos.
“Os desportistas são exemplo de que com trabalho árduo é possível alcançar resultados positivos, quer em provas nacionais e internacionais”, disse Nyusi.
Ademais, segundo o Presidente da República, “a época foi bastante pacífica porque todos gritamos e celebramos vitórias e queremos reconhecer o esforço de todos, mas principalmente daquelas modalidades que não damos importância mas que trazem alegrias e medalhas e elevam a nossa bandeira além fronteiras”.
Mas não foi somente em termos numéricos que o país ganhou em 2022. “Outro facto notável foi a indicação, em Dezembro de 2022, no Malawi, dos nossos compatriotas Lurdes Mutola, para embaixadora do Desporto em Moçambique, e Joel Libombos”, homenageados pelos esforços no desenvolvimento do desporto a nível da região, bem como no continente.
Para terminar, Filipe Nyusi destacou a reeleição de Aníbal Manave como presidente da FIBA-Africa, destacando o facto deste feito ter vindo também do organismo que gere o basquetebol ao nível mundial.
VENCEDORES DA GALA NACIONAL DO DESPORTO
Diplomas de honra aos parceiros da SED:
CFM
Companhia Moçambicana de hidrocarbonetos
HCB
FMTaekondoo
FMX
FMF
Diplomas de mérito:
Escola de Basquetebol Mucopelinhas de Nacala
Associação da Black Bulls
Prêmio carreira no Desporto:
Narcisio Faquir – treinador de atletismo paralímpico
Abdul abdula – Instrutor da CAF
FMN – Deolinda Mabote
Jorge Vulande (Mavó) – antigo jogador
José Arnaldo Salvado – futebol
Diploma de Mérito a família Mafambane – destacou-se em várias modalidades
Prémio de gestão de infraestruturas ao Clube Estrela Vermelha
Homenagem em reconhecimento aos membros de júri da gala:
António Lourenço Jr.
Abdul Remane
Adão Matimbe
Alfredo Jr
Celso Matabele
César Langa
Romualdo Mutemba
José Dava
Anatércia Tomás
José Adalberto
Fáusia Gandar
Jornalista do Ano:
Televisão: Cristina Cristiano
Rádio: Manuel Cardoso
Imprensa escrita: Reginaldo Cumbana
Treinador do Ano:
Masculino: Lucas Sinoia (Boxe)
Feminino: Ana Filipa Lobo (Natação)
Árbitro do Ano:
Nomeados: Stélio Carlos (Ténis)
Atleta revelação para desporto convencional e adaptado:
Adaptado: Avelino Mucasse (atletismo)
Convencional: Edilson Rosa (ténis)
Atleta popular:
Vencedor: Rady Gramane (Boxe)
Equipa do Ano:
Masculina: Selecção do Boxe
Feminina: Ana Paula e Vanessa Muianga
Prémio Atleta do Ano:
Desporto Adaptado: Leonardo Marcelino (Atletismo)
Masculinos: Tiago Muchanga (Boxe)
Femininos: Alcinda Panguana (Boxe)
Prémio prestígio 2022:
Aníbal Manave
O Governo deve alocar recursos financeiros para a pesquisa de novas tecnologias de produção de energia no país. Quem o diz é o director geral-adjunto do Instituto Nacional de Minas, Grácio Cune, durante a conferência sobre indústria extrativa no país.
O primeiro dia da conferência internacional sobre a indústria extrativa, que acontece nesta quarta e quinta-feira, em Maputo, debateu sobre os modelos de gestão de recursos energéticos, tendo havido consenso de que não existe um modelo acabado, porém os Governos devem buscar suprir, primeiro, as necessidades internas.
O posicionamento é defendido pelo Administrador da Área de Projectos no Instituto Nacional de Petróleos (INP), José Branquinho, que considera ser essencial a atenção na gestão dos recursos energéticos, uma vez que grande parte dos países que descobriram o gás, nos últimos tempos, têm um mercado bastante incipiente.
“Seria importante ver como capitalizar esses recursos, a nível local, além de se pensar simplesmente na exportação”, disse Branquinho, acrescentando que “tem havido uma procura crescente destes recursos para desenvolvimento de projectos a nível local, o que pode fazer com que os recursos alimentem uma cadeia de valor, a nível local”.
Porque estes recursos não são renováveis, o director geral-adjunto do Instituto Nacional de Minas apela ao investimento na pesquisa de outros recursos.
Este pensamento surge, igualmente pelo facto de, alguns países vizinhos estarem a ressentir-se de uma crise energética, tendo a África do Sul como exemplo, sendo que Moçambique pode ajudar a minimizar a crise.
Mas, porque estes recursos não são renováveis, o director geral-adjunto do Instituto Nacional de Minas apela ao investimento na pesquisa de outros recursos.
“Apelo às Universidades em Moçambique para que usem o seu tempo para investigar novos processos de geração de energia. E o Governo deve, deve, deve alocar recursos à pesquisa de novas tecnologias. É que, se nós não investirmos na pesquisa de novas tecnologias, de novas formas de produção de energia, não vamos longe”, disse Grácio Cune.
No sector das Minas, Grácio Cune disse que, para além do carvão, no futuro, recursos como o Metano, a Turfa, recursos nucleares e geotérmicos, entre outros, poderão ser usados para a produção de energia para alimentar a indústria nacional e regional.
O projecto é avaliado em 40 mil milhões de dólares, o dobro do PIB moçambicano, e a iniciativa será implementada por uma empresa chinesa, com a qual o Governo assinou, hoje, um memorando de entendimento.
A iniciativa denomina-se Mozambique Green Industrial Park (Parque Industrial Verde de Moçambique) e prevê a construção e exploração de um parque industrial verde, ou seja, uma estrutura com energia eólica, painéis solares e outras componentes e ainda a construção de um porto marítimo para a exportação de bens manufacturados, nos distritos de Dondo e Muanza, na província de Sofala.
O acordo que vai viabilizar aquele que será, talvez, o maior investimento a ser feito no país, entre 2023 e 2026 e com potencial de gerar 10 mil empregos para os moçambicanos, foi assinado esta quarta-feira, em Maputo, pelo ministro da Indústria e Comércio, Silvino Moreno, e a empresa Eternal Tsingshan, que vai executar o projecto.
O governante explicou que o acordo visa criar as bases para a emissão das autorizações necessárias para a implementação efectiva do projecto.
“Através deste acordo, estão criadas as bases para que o Ministério da Indústria e Comércio inicie o processo de discussão e análise técnica da proposta de investimento apresentada pelo grupo Tsingshan, em articulação com outros organismos de tutela sectorial. O processo de análise técnica deste projecto irá contemplar, igualmente, a avaliação do quadro de incentivos fiscais e garantias aplicáveis ao empreendimento, em conformidade com o previsto na legislação sobre investimentos vigente”, explicou o ministro.
O investimento, orçado em 40 mil milhões de dólares, duas vezes o Produto Interno Bruto nacional, será implementado pelo grupo chinês Eternal Tsingshan, segundo maior fabricante de produtos de aço inoxidável da China.
“Estou seguro de que este projecto, em Moçambique, vai ajudar muito o sector industrial. Então, nós precisamos muito do apoio do Governo para a implementação do mesmo”, disse o representante da empresa, Jianqiang Sun.
A proposta do projecto vai ainda à apreciação e aprovação, pelo Conselho de Ministros, à luz da legislação de investimentos vigente no país.
A directora nacional-adjunta do Serviço Nacional de Sangue diz que, nos últimos quatro anos, diminuiu o número de doações de líquido em parte, porque há pouca consciência da importância de doar sangue no país.
Esta quarta-feira, celebrou-se o Dia Mundial do Dador de Sangue, uma data criada com o objectivo de incentivar os dadores de sangue e consciencializar novos voluntários a doar o líquido vital.
Quando se doa sangue, geralmente se tem a noção de que se doa apenas um líquido que vai salvar a vida de uma pessoa. Mas, é mais do que isso. De acordo com os médicos, uma bolsa de sangue pode salvar até quatro vidas.
Uma bolsa de sangue passa por vários processos antes de ser doada a outras pessoas, com destaque para a separação de componentes que a compõem, que são em número de três, segundo o analista clínico do SENASA, Nhikson Chongo.
“O sangue tem parte líquida, que é o plasma, que pode corrigir situações de anemia e ainda o concentrado de glóbulos vermelhos e o consertado de plaquetas, que são usados em casos de ferimentos por estes facilitarem a cicatrização de feridas.”
Depois de separado nestes três elementos, o sangue é examinado para garantir que não seja motivo de contaminação de doenças como HIV, hepatites e outras.
Três vezes por semana, as bolsas de sangue saem do SENASA para os diversos hospitais da capital do país.
Entretanto, as unidades sanitárias têm-se ressentido da falta deste líquido vital. De acordo com a directora nacional-adjunta do Serviço Nacional de Sangue, Dina Ibraim, os últimos quatro anos não foram muitos bons, sobretudo devido à pandemia da COVID-19.
“Devido à COVID-19, tivemos um decréscimo, os últimos anos não foram fáceis, mas, felizmente, no ano passado, conseguimos aumentar o número das nossas doações comparativamente aos últimos quatro anos, conseguimos colher 138,971 unidades de sangue. E fazendo uma análise do que foi colhido agora no primeiro trimestre, foram 33 mil unidades, acreditamos que conseguimos superar o mesmo período do ano passado que foram 30 mil unidades de sangue”, disse.
52% do sangue é garantido por dadores frequentes e 48% por dadores voluntários.
“O que nós queríamos alcançar era ter, pelo menos, 3% da população a doar sangue voluntariamente como recomenda a OMS. Isso iria permitir que o sangue ficasse sempre à espera do doente e não contrário, que é o que tem acontecido”, esclareceu a mesma fonte.
E tal tem acontecido, no entender da fonte, em parte porque há fraca consciência das pessoas sobre a importância de doar sangue.
“Nós ainda não temos uma sociedade conscientizada sobre a necessidade e da real importância da doação de sangue, muito se fala, mas poucos ainda têm conhecimento do impacto que uma doação tem para quem vive e precisa de uma transfusão”, considerou.
Entre algumas pessoas que não doam sangue, a justificativa comum é a falta de interesse.
“Nunca doei sangue, talvez por falta de interesse e porque também nunca estive numa situação em que alguém próximo precisasse de sangue”, disse uma munícipe, tendo uma outra acrescentado: “Nunca estive interessada, nunca me preocupei”.
O Dia Mundial do Dador de Sangue é celebrado, este ano, sob o lema: “Doe sangue, doe plasma, compartilhe a vida, compartilhe com frequência”.
Por Eunice Moreira
Entregamos-lhe a faca e permitimos que ele me esfaqueasse pouco a pouco.
Demos-lhe a corda e ele usou para fazer um baloiço com o meu pescoço amarado ao telhado e o meu corpo balanceado para frente e para trás.
Eu disse que bastava e vocês não me escutaram, eu disse que não queria e vocês me obrigaram.
Hoje mataram-me! Por favor, não chorem, não é tempo para isso, não queriam que eu vos procurasse e tão-pouco vos contasse o quanto eu estava infeliz. Tentaram tapar o sol com a peneira com medo do sol entrar, mas… Hoje o sol está tão forte que chega a queimar.
Disseram-me para aguentar e que ele mudaria. Ouvi as vossas palavras e hoje vem a nostalgia, entregamos ouro ao bandido, entreguei a minha vida ao meu marido.
Pouco a pouco, fui lhe dando meu sangue, em cada mal trato que eu aguentei, pouco a pouco fui-lhe dando uma parte do meu corpo que sem piedade ele desmembrava com as suas atitudes.
Entreguei-lhe a faca e aceitei que ele me esfaqueasse brutalmente cada vez que eu acreditava nele e dizia para mim mesmo: “ele é assim, um dia vai mudar”. Esse dia não chegou, ele não mudou. E agora, o que dirão vós? O que irão escrever naquela mensagem de condolências falsa que o tio irá ler enquanto pessoas em volta assistem o coveiro a fazer descer o corpo congelado de uma jovem mulher? Respondam-me!
Por favor, não chorem, peguem na pá e coloquem mais areia ainda, de modo que preencha o grande vazio que havia em minha alma. Não chorem, continuem revolvendo a terra e dizendo: “casamento é assim, tens que aguentar”. Cavem mais fundo ainda, para que não soe a voz que tentava vos alertar: “me tirem desse lar, esse homem vai-me matar”.
Mataram-me, mas não estou morrendo sozinha, estou levando comigo a minha alegria, os meus sonhos, os planos que eu tinha para o futuro, o meu desejo de ter uma família.
Mataram-me! Mataram-me de novo… E de novo… Todas as vezes que permitiram que esta história não fosse só a minha. Mataram-me, quando olharam para aquela menina a sair do lar e riram-se dela achando que não aguentou por mesquinharias.
Ó, sociedade cruel, quantas vezes mais terão de me matar? Por isso, por favor, matem-me quantas vezes for preciso! Tapem bem essa cova, não permitam que eu saia novamente, matem-me de uma vez por todas para que nenhuma outra mulher morra por esta mesma história.
O Presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, anunciou, esta quarta-feira, que o país já começou a receber as armas nucleares anteriormente prometidas por Moscovo. O líder disse que algumas dessas armas são três vezes mais potentes do que as bombas atómicas que os Estados Unidos lançaram sobre Hiroshima e Nagasaki em 1945.
O anúncio surge após o Presidente bielorrusso ter proferido declarações que parecem contradizer a posição do Chefe de Estado russo, Vladimir Putin, acerca do uso potencial desse armamento. Isto porque Putin enfatizou que Moscovo manteria o controlo sobre a eventual utilização desse armamento, ao passo que Lukashenko afirmou que não hesitaria em utilizá-lo caso a Bielorrússia fosse alvo de uma agressão, escreve o Notícias ao Minuto.
Este é o primeiro envio de armas nucleares táticas para fora da Rússia desde a queda da União Soviética, numa altura em que ambos os países têm vindo a fortalecer os seus laços. É uma movimentação que tem sido acompanhada atentamente pelos países aliados, como os Estados Unidos, mas também da China, que tem advertido repetidamente contra a utilização de armas nucleares na guerra da Ucrânia.
Na terça-feira, Alexander Lukashenko tinha dito que, de facto, as armas nucleares russas seriam transferidas para território bielorrusso dentro de alguns dias e que o país dispunha, ainda, de instalações para acolher mísseis de maior alcance, caso fosse também necessário.
O país é, desde hoje, membro da Organização Internacional de Café. O acordo de adesão foi assinado hoje, em Londres, pelo Ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, e pela Directora-Geral da Organização Internacional de Café.
Moçambique faz parte, a partir desta terça-feira, do grupo de países que produzem e consomem café. A adesão foi materializada pela assinatura de um acordo na sede da Organização Internacional do Café, em Londres. Esta adesão abre um mar de oportunidades para produtores nacionais de café. Por isso mesmo, a perspectiva do Governo é desenvolver uma indústria de café em Moçambique que dê benefícios e melhore a vida dos produtores do sector familiar, segundo avançou o Ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia.
Já a Directora-Geral da Organização Internacional de Café garante total apoio a Moçambique no desenvolvimento da cadeia de valor de café.
Moçambique é, assim, o 78º membro da Organização Internacional de Café, uma organização que existe há 50 anos. A Organização Internacional de Café representa, actualmente, 93% do total do café produzido no mundo e 63% do consumo mundial.
À margem da adesão de Moçambique à Organização Internacional do Café, o Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural convidou a indústria inglesa de cafés e especialistas para conhecerem os cafés produzidos em Moçambique. Na ocasião, algumas empresas fecharam contratos de exportação e distribuição dos seus cafés na Europa.
Os principais intervenientes da indústria de café no Reino Unido, que representa um mercado de cafés de mais de 105 mil milhões de dólares, estiveram reunidos na mesma sala com os moçambicanos. O propósito era que provassem o café produzido em Moçambique. Provaram e gostaram, tanto mais que se fecharam negócios, por exemplo, entre Café Chimanimani e uma empresa inglesa que importa e distribui café dos países da África Oriental no Reino Unido e na Europa. A Costa Coffee, uma subsidiária da Coca-Cola Company que vende em todo o mundo, anualmente, em mais de 1,2 mil milhões de dólares, provou os cafés moçambicanos.
Pelo que sentiu no sabor do café, no futuro, pode-se tomar cafés oriundos de Moçambique, e talvez de Chimanimani na Costa Coffee.
A alta-comissária de Moçambique no Reino Unido promete continuar a divulgar os cafés nacionais neste país.
O Governo prevê que a economia de Moçambique cresça 7% em 2023 corrente. Esta previsão representa um aumento de dois pontos percentuais em relação ao crescimento previsto no Plano Económico e Social e Orçamento de Estado para 2023.
O porta-voz, Filmão Suazi, foi quem revelou o optimismo do Governo após a realização da 21ª ordinária do Conselho de Ministro, nesta terça-feira. A situação deriva da aprovação do cenário fiscal do médio prazo 2024–2026, aprovado, hoje pelo Governo, e que prevê a “economia prossiga com a trajectória e a recuperação dos sucessivos choques que afectaram o país, nomeadamente a pandemia da COVID-19, os recentes eventos climáticos caracterizados por ventos e chuvas intensas e a passagem do ciclone Freddy que afectaram cerca de 1,3 milhões de pessoas, perspectivando-se que a economia cresça 7% em 2023, dois pontos percentuais acima do objectivo do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE), estabelecido em 5%”.
Suazi diz que o optimismo do Governo deriva dos recentes desenvolvimentos da economia global e moçambicana, onde se regista mais arrecadação de receitas. Os dados mostram que, em 2022 , teve um registo de crescimento económico de 4,1% em 2022 e a uma previsão de crescimento da economia de Moçambique de 5,5% em 2024.
Por outro lado, Filimão Suazi garantiu que o tesouro tem dinheiro para pagar salário dentro dos prazos aos funcionários públicos. O porta-voz do Executivo desmentiu as informações segundo as quais há funcionários públicos que tiveram os seus salários muito depois do final do mês, porque o Governo está em dificuldades financeiras e consequentemente para pagar salários, tendo assegurado que o tesouro tem dinheiro e que alguma demora pode ter acontecido por falhas tecnológicas ou nas folhas dos salariais.
Ainda ontem, o Executivo de Filipe Nyusi aprovou o Decreto que altera os quantitativos nominais dos suplementos dos servidores públicos, dos titulares ou membros dos órgãos públicos e os titulares e membros dos órgãos de Administração da Justiça constantes nos Anexos I e II do Decreto n.º 31/2022, de 13 de Julho, com as alterações introduzidas pelo Decreto n.º 51/2022, de 14 de Outubro, e pelo Decreto n.º 1/2023, de 17 de Janeiro.
A alteração “visa adequar o Decreto n.º 31/2022 à Lei n.º 5/2022 de 14 de Fevereiro, que define o regime e os quantitativos dos suplementos dos servidores públicos, dos titulares ou membros dos órgãos públicos e os titulares e membros dos órgãos de Administração da Justiça, alterada e republicada pela Lei n.º 14/2022, de 10 de Outubro, e pela Lei n.º 7/2023 de 9 de Junho”.
Nesta sessão, o Governo aprovou ainda o Decreto que altera o Anexo I do Decreto n.º 55/2022, de 14 de Outubro, sobre as remunerações dos demais membros de órgão de soberania e do órgão público, não previstos na Lei n.º 5/2022, de 14 de Fevereiro, e revoga o Decreto n.º 3/2023, de 17 de Janeiro. A revisão decorre das alterações introduzidas pela Lei n.º 7/2023, de 9 de Junho, na Lei n.º 5/2022 de 14 de Fevereiro, alterada e republicada pela Lei n.º 14/2022, de 10 de Outubro.
A Associação Kulungwana realiza a primeira edição do Concurso Tio Caderno 2023, dedicado, este ano, à literatura. A chamada está aberta até 7 de Julho e é dirigida a jovens mulheres moçambicanas com paixão pela escrita, até aos 35 anos.
O concurso promovido pela Associação Kulungwana acontece em resposta ao convite do espírito de iniciativa dum cidadão benemérito – que se pretende manter anónimo – e que dedicou a sua vida a apoiar os estudos de crianças e jovens moçambicanas. Estas acções fizeram com que, por onde quer que ele passasse – nas localidades, vilas e distritos onde distribuiu materiais didáticos – se tornasse conhecido de todos como Tio Caderno.
O concurso tem periodicidade anual e está aberto a todas as modalidades no domínio das artes e cultura. O mesmo tem como objectivo central incentivar e reforçar o apoio a jovens artistas e criativas moçambicanas, ainda em início de carreira ou com uma carreira individual curta e ainda não consagrada, com um limite de idade de 35 anos.
Paralelamente, o Concurso de Literatura Tio Caderno 2023 pretende também promover a criatividade no âmbito da literatura, sensibilizar o público para as narrativas e imaginário das mulheres autoras e para as temáticas por elas retratadas, estimulando na comunidade o gosto pela leitura.
Os formulários Google Forms para candidatura estarão disponíveis até dia 7 de Julho (inclusive) através de link nas redes Kulungwana.
Os originais devem ser identificados com título e um pseudónimo do autor e entregues em português no formato digital PDF. O texto deve ter entre 5 e 10 páginas A4, Times New Roman, 12, a espaço e meio.
Três jovens autoras serão seleccionadas e distinguidas por um júri de três elementos, de reconhecida ideoneidade e competência técnica, escolhidos pela Associação Kulungwana.
O Concurso Tio Caderno 2023 atribui três prémios, no valor global de 150 mil meticais, sendo que o primeiro classificado ganha 70 mil meticais; o segundo ganha 50 mil e o terceiro 30 mil.
“Com este Prémio, é reforçado o apoio à nova criação e à promoção da jovem mulher criadora artística em diferentes áreas no domínio das Artes e Cultura, sendo em cada ano escolhida uma modalidade diferente, tendo por essa razão um regulamento redigido para cada edição”, lê-se no regulamento. Para a presente edição foi escolhida a literatura, nos géneros do conto e crónica, assente no imaginário local, temática livre, obedecendo aos critérios do presente concurso.
Os trabalhos apresentados deverão ser inéditos. Qualquer plágio será da responsabilidade da participante e motivo de exclusão do concurso.
Os originais devem ser assinados com um pseudónimo do autor e identificados com o título e o pseudónimo.
Os originais deverão ser apresentados no acto de preenchimento do formulário disponível no website e no Facebook do Kulungwana.
O anúncio das vencedoras e a entrega dos prémios irão realizar-se em cerimónia pública, a decorrer em Outubro, em local e data a divulgar nas redes Kulungwana, sendo as concorrentes notificadas em devido tempo.