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Cerca de uma em cada quatro mulheres grávidas no distrito de Quelimane, província da Zambézia, não recebeu com satisfação a confirmação da gravidez, segundo um estudo do Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM), que aponta as adolescentes e a falta de apoio dos parceiros como alguns dos principais factores associados a essa realidade.

A investigação concluiu que 24,5% das 1.546 mulheres inquiridas afirmaram não se ter sentido felizes quando souberam que estavam grávidas. Entre as adolescentes, essa percentagem ascendeu a 42,2%, enquanto entre as mulheres cujos parceiros manifestaram insatisfação com a gravidez atingiu 74,5%. Já entre aquelas que não mantinham diálogo com os companheiros sobre questões reprodutivas, a proporção foi de 48,9%.

O estudo analisou dados recolhidos entre 2023 e 2024 através do Sistema de Vigilância de Gravidezes (PregSurv), implementado no âmbito da Plataforma de Vigilância Demográfica e de Saúde de Quelimane.

Segundo os investigadores, as principais razões apontadas pelas mulheres para a falta de satisfação com a gravidez foram o facto de esta não ter sido planeada (30,2%), tratar-se de uma gravidez indesejada (26,5%) e o receio das consequências que poderia trazer para as suas vidas (17,7%). Foram ainda referidos o curto intervalo entre gravidezes e a decisão de não querer ter mais filhos.

Entre as participantes que afirmaram ter recebido a notícia com felicidade, as razões mais frequentes foram o desejo de ter um filho (34,1%), a percepção da gravidez como uma bênção ou uma boa surpresa (28,5%) e a vontade de aumentar a família (24,7%).

O estudo avaliou igualmente a reacção dos parceiros. Cerca de 16,9% das mulheres indicaram que os companheiros não ficaram satisfeitos com a gravidez. Nestes casos, as razões mais apontadas foram tratar-se de uma gravidez indesejada (30,2%), não planeada (29,0%) ou ocorrer pouco tempo após uma gravidez anterior (3,4%).

Entre os parceiros que acolheram positivamente a gravidez, 43% manifestaram o desejo de ter um filho, 21,8% afirmaram querer aumentar a família e 12% preparavam-se para ser pais pela primeira vez.

Apesar de 97,3% das mulheres referirem que os parceiros aceitaram a gravidez, o estudo identificou situações de rejeição. Entre os companheiros que recusaram assumir a gravidez, 39% não quiseram aceitar responsabilidades parentais e 34,2% alegaram não ser os pais da criança. Cerca de 26,2% das mulheres abandonadas durante a gravidez afirmaram desconhecer os motivos dessa decisão.

Para Ariel Nhacolo, os resultados evidenciam a necessidade de reforçar intervenções dirigidas não apenas às mulheres, mas também aos seus parceiros, promovendo uma abordagem centrada no casal.

“A comunicação entre os parceiros, o apoio emocional e o envolvimento de ambos nas decisões relacionadas com a gravidez são factores determinantes para melhorar a saúde materna e infantil”, refere o investigador.

A investigação identificou igualmente as adolescentes como o grupo mais vulnerável, apresentando níveis mais elevados de gravidezes não intencionais, menor conhecimento sobre métodos contraceptivos modernos e menor comunicação com os parceiros sobre planeamento familiar.

Os autores defendem que uma melhor compreensão da forma como as mulheres vivem emocionalmente o início da gravidez poderá contribuir para o reforço dos programas de saúde materna e infantil, recomendando uma maior participação dos parceiros nas consultas pré-natais e nas acções de aconselhamento, bem como uma atenção reforçada às adolescentes e às mulheres em situação de maior vulnerabilidade.

O estudo foi desenvolvido no âmbito da Rede CHAMPS, financiada pela Fundação Gates através da Universidade Emory, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica BMC Pregnancy and Childbirth. Além do CISM, participaram investigadores do Instituto Nacional de Saúde, do ISGlobal, do Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane, da Universidade de Barcelona, da Universidade de Washington e de outras instituições parceiras.

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O Idália atingiu a Flórida como furacão de categoria três, num máximo de cinco. Com ventos de mais de 200 quilómetros por hora é um dos mais fortes a atingir o estado norte-americano nos últimos anos. Algumas casas na costa ficaram submersas e mais de 242 mil pessoas sem energia.

Até ao início da tarde de ontem, as autoridades não haviam confirmado a existência de vítimas mortais devido à passagem do furacão na Flórida, embora relatos de acidentes de trânsito fatais em dois condados possam vir a ser relacionados com o furacão, disse esta quarta-feira o governador estadual, Ron DeSantis, numa conferência de imprensa em Tallahassee, capital do estado.

Segundo as autoridades locais, citadas pelo Notícias ao Minuto, as vítimais mortais em causa são um homem de 59 anos que conduzia uma carrinha sob forte chuva e que acabou por sair da estrada nos arredores de Gainesville e um homem de 40 anos que perdeu o controlo da sua viatura e bateu numa árvore em Dade City, a norte de Tampa.

DeSantis fez um balanço da passagem do furacão de categoria três pela região conhecida como ‘Big Bend’ e que atingiu a costa com ventos de 205 quilómetros por hora, antes de começar a perder força.

Apesar de o fornecimento de energia elétrica ter sido restabelecido a 262 mil habitações, ainda existem mais de 250 mil casas sem electricidade nas zonas afectadas, acrescentou o governador, que começou a sua aparição anunciando que o olho do furacão já tinha saído do território da Florida.
Centenas de voos foram cancelados nos Estados Unidos esta quarta-feira por causa do furacão.

Entretanto, o furacão Idália enfraqueceu e desceu para a categoria dois ao mover-se em direcção à Geórgia depois de atingir a costa oeste da Flórida na manhã de quarta-feira.

O poeta Elísio Miambo lança, esta quinta-feira, 17 horas, no Instituto Guimarães Rosa, na Cidade de Maputo, o livro Brumas desfeitas, clausuras desnudadas, de Elísio Miambo.

Segundo se observa no prefácio, no seu novo livro, Elísio Miambo apresenta-se como um alquimista das letras e arrisca-se livremente em versos densos e profundos. De acordo com o prefaciador, Sílvio Ruiz Paradiso, no livro do poeta capta-se um eu-lírico habitado por muitos, cujo criador se divide em dois: um moderno e um clássico. O produto final é um texto que estranhamente desliga o leitor do mundo visível, o que conduz a um mundo de imagens criadas pelo lirismo reflexivo, em que desfia temas subjectivos, ontológicos e introspectivos.

No Instituto Guimarães Rosa, Brumas desfeitas, clausuras desnudadas será apresentado por Aurélio Ginja.

O livro de Elísio Miambo foi seleccionado na segunda chamada literária da Editorial Fundza 2022/23. É um livro sobre a carga emocional, pois o eu-lírico, tal qual o herói trágico, passa de felicidades e infelicidades ao longo dos poemas. Consequentemente, os textos permitem a quem lê viver um conjunto de experiências que se mesclam no tamanho do verso.

Elísio Miambo é escritor, ensaísta e docente inserido na Associação Cultural Xitende, um movimento cultural que dinamiza a literatura na Cidade de Xai-Xai. Tem textos publicados nos jornais O País e Notícias, no blog RectasLetras (no qual cria e administra conteúdos), Revista Mapas do Confinamento e em diversas antologias. Co-organizou duas Antologias poéticas: Vozes do Hinterland (2014) & No cais do amor (2022). Em 2020, publicou o seu primeiro livro de poemas intitulado Retroalimentações do Ego.

O livro de Miambo foi seleccionado na segunda chamada literária da Editorial Fundza.

O académico Jamisse Taimo diz que os partidos políticos devem ser mais responsáveis e evitar violência durante o período eleitoral. O antigo presidente da CNE diz ainda que se deve investir mais em campanhas de educação cívica para evitar conflitos.

O apelo foi lançado às formações políticas quando se caminha a passos largos para a campanha eleitoral para as autárquicas de 11 de Outubro.

Jamisse Taimo diz ser necessário reforçar a educação cívica eleitoral.

“Temos que partir do princípio de que o processo de eleições deve basear-se no respeito mútuo. Os partidos políticos devem ter a responsabilidade de que o país é de todos nós e, por isso, devemos chamar as pessoas para a paz”, disse Jamisse Taimo.
O antigo presidente da CNE defende ainda que se deve repensar o modelo de revisão das leis nas vésperas das eleições.
“Não faz sentido que todas as vezes que vamos às eleições, façamos revisão do pacote eleitoral. Ou seja, temos de consolidar as instituições, não só na questão das leis, mas também do recenseamento eleitoral, porque devemos sempre fazer recenseamento de raiz.”

O académico falava, esta quarta-feira, à margem do lançamento do livro “Eleições para a Paz ou para a Guerra”.
Escrito por 16 autores, o livro é uma reflexão sobre os conflitos eleitorais no país, desafios e democracia.
“Queremos, com esta reflexão, convidar os moçambicanos a pensar um pouco na qualidade das eleições, sobre o sentido que elas têm na democracia e como é que podem ser mais livres, justas e transparentes”, explicou Duarte Amaral, um dos escritores do livro.
A obra “Eleições para a Paz ou Guerra” tem 273 páginas.

Um ensaio sobre “Brumas Desfeitas, Clausuras Desnudadas”, de Elísio Miambo”
Por Deusa d’Africa

 

Elísio Miambo oferece-nos “Brumas Desfeitas, Clausuras Desnudadas” em poesia, pela Editorial Fundza, um livro que divide-se em três partes: primeiro acto designado catarse, e Segundo acto desigado kiini e por fim, epístolas. O poeta apresenta este drama poético que purifica-nos a cada cena que o autor representa a cada um de nós nesta poesia.

Na escrita de Elísio Miambo, vê-se o escritor e o movimento dos objectos por via do uso das imagens que movem os sentimentos e os objectos. Vide o excerto da página 16, “sento-me rente à escrivaninha”. Assim começa o movimento do poeta diante do objecto que se move por via das palavras, move o escritor e o que lê.

O poeta fala a língua da fé, cita Saramago para iluminar as palavras de largos horizontes neste engenho que é a arte de escrever em que o autor é resiliente no ofício que outros desfloram. O Poeta começa o seu exercício de escrita cantando e dedicando aos seus irmãos de Xitende, vê-se a prior pela dedicatória feita: “aos meus, do Xitende”; pela menção feita ao belísimo poema de Andes Chivangue “Alma Trancada Entre os Dentes”, pelo romance sagaz de Dom Midó das Dores “A Biblia dos pretos”, pela “Equidade no Reino Celestial” de Deusa d’Africa, pelas “ilusões” (romance intitulado Ilusão à Primeira Vista) de Almeida Cumbane e pela “A ilha dos mulatos” de Sérgio Raimundo. Faz alusão ao escritor Milan Kundera “a insustentável leveza do ser”, cujas técnicas se reverberam em múltiplos sentimentos adiante apresentados. Cita o Fernando Pessoa no seu poema “Fingidor”, autor considerado como uma tradição que se segue na Xitende e as dúbias de Anterro de Quental. Nota-se neste primeiro poema um panegírico em que são cantados os seus irmãos e mestres. Ele mostra que não é só, na solidão de sua alma que devaneia em noites na escrivaninha, o poeta é um conjunto de seus. Vide o excerto da pág 17, “ler é deitar-se de costas numa caixa de espelhos..(…)…Ressonância de expurgação de brumas e escancaro clausuras”.

Com esta poesia o autor nos empresta as chaves para escancarar as clausuras e expurgar as brumas, afinal, que se desfaçam todas as brumas tecidas para que a paz floresça nas famílias de todas as nações. Revisto-me de curandeira que lê a sorte lançada pelo poeta, nesta escrita onde um sonho revestido de metáforas e metalinguagens se oculta, mas porque ninguém se oculta dos ósculos e de sua crença revelo: o poeta sonha com a paz para todos, Homens mais humanos e um mundo aberto para todos.

No poema vácuos da página 19, o autor descreve uma rua migrante que tem por dentro, leva-nos às memórias de Noémia de Sousa, a força de sua escrita que fê-la exilar-se em Paris por opor-se ao sistema político que vigorava. Vide o excerto “Fizera Vera Micaia travestir o poema….(…)… o poema traveste o poeta em mim”. Vemos o poeta travestido em vários outros seres e com vários rostos e géneros, o que faz-nos compreender o poder conferido pela poesia ao qual o poeta não se faz de rogado e governa o seu território com afoiteza.

Elisio Miambo, traz-nos o atleta queniano Abel Mutai, que se equivocara confundido a linha de chegada com alguns sinais próximos e que fora salvo pela bondade do espanhol que gritou e levou o Mutai à vitória nos jogos olimpicos de Londres em 2012. A medida que a poesia aqui se tece, o título do livro, ganha mais significação de ser, vide o excerto “nesses rifles por desarmar” ou mesmo brumas por desfazer’’.

No poema “Tratado” da página 20, denota-se como um mero plano pode conduzir uma sociedade ao cume de inverdades na sublimação de um criador sem criatura alguma. Vide, “neste tempo em que a memória infinda a coincidência. Propõe a referência. Ou o intertexto.”

O poeta faz alusão ao marxismo no poema “revelação” da página 21, onde descreve o povo que se reveste nele próprio, colocado sempre em posição dominada diante de um omnipotente que representa o dominador.
De acordo com Paz (2009), o poeta é linguagem em tensão, denota-se este conceito nas imagens deste texto da página 21, “Com Cachimbo em chamas. Um olhar taciturno. Calçoes de Ganga. Rotos. E uma túnica castanha. De linho. Cobrindo o tronco nu. As sandálias com três tiras de couro preto. A barba desfeita e grisalha. Como o pouco cabelo que lhe sobra. Um aroma de incenso à mistura…”

O poema “muedas” da página 22, é um grito de socorro em que o poeta que se vê massacrado na manifestação contra a dominação colonial desta pátria ocorrida em 1960, o massacre de Mueda, um ano que é também de África. Entrelaça a palavra no solo de Mueda, berço da moçambicanidade e também palco actual de incessantes massacres terroristas e não encontra as promessas feitas, o fruto do amor plantado, nele vê-se uma alma rota de um homem que não mais encontra os retalhos com que cobriu uma pátria. Enfurece-se e em prantos exorcisa a terra que quiçá o mundo por ela não se componha. Vide o excerto, “Goteja em mim, quando eu, aos prantos, vou exorcismando o Mueda em que me deixaste. Como se de outros Muedas o mundo não se compusesse.”

Critica as vozes que sopram como os ventos de Agosto em campanhas eleitorais em que se anunciam os planos quinquenais como um tiro dado no escuro mesmo na incerteza. Aqui o poeta revestido de cidadão apela a uma política racional e em conformidade com as necessidades da colectividade que acima de tudo que seja exequível para que esses ventos de Agosto tenham no seu resquício alguns frutos comestíveis. Vejamos na página 23, “como poeira de Agosto. Revigoram-se as vozes (distintas no timbre e siameses na ausência de escala) no íntimo das gotículas da saliva. …votem, votem, votem…dizem. Porque mesmo no escuro. É preciso dar um tiro certeiro….”

O poeta é comprometido com o seu povo, os clichés ofertados em discursatas que não enchem a barriga do povo, desassossegam o autor, que em seu vaticínio anuncia um futuro em que o povo tenha água e luz, para viver condignamente. Neste texto reencontro-me com Oates (2008), que diz que a escrita é a tentativa de captar a voz humana e o poeta Elísio diz que sonhar é voar, encontramos aqui, uma imagem de captura da voz com todos os incensos que perfumam o hálito humano: se grotesco ou nauseabundo como a fome ou mesmo adorável como os manjares da música jazz que enleva a alma, vide a página 25, o poema “pouso” que diz: “como se sonhar não fosse a experiência do voo. Para quem não tem asas. Fiz, pela janela, preces de água, pão e luz. Ao raio de uma estrela cadente…. É preciso ser muito poeta para vaticinar (ao povo) o que não cabe na bolsa de valores”
No poema Sillicon Valley da página 28, abalroamo-nos com uma sociedade feita por oligarquias em que enquanto uns sonham, outros abrem a porta dos sonhos, entram e neles moram, um ready made em que a miséria é uma obra de arte seja em estado de sítio ou lockdown. Vide o excerto, ‘‘edificava-se plurais. Com o ranger de uma porta. Que se abria para o horizonte…”
O poeta, mostra-se preocupado pelo facto de abandonarmos ritmos tradicionais como o “pandza” que alegra e contangia para aceitarmos de tudo e sobretudo aquilo que não é nosso. Homenageia Jimy Dludlu e Elsa Mangue como músicos conducentes à tradição cultural, porque ’’o regresso às raízes se faz peremptório. Sempre que a leveza consciente da maturidade, pesa mais que o peso inconciente da infância’’ página 31.

No poema das páginas 42-43, “além da carne” descreve o que à outrora fora belo como um pensamento-imagem vácuo, sem adornos e questiona a justiça feita diante das desigualdades sociais, questiona a força com que à outrora se fez a busca da liberdade, a mesma força que hoje sucumbe no soalho, porque somos todos mortais, ele cita a sapiência como além do tempo e da carne, mesmo que seja para ser aplicada num ambiente em que o poder oprime ao conhecimento e aplaude a quem se prostra e mendiga a quem expulsa de seu reino ou território. Vide o excerto “resguardo-me neste pensamento-imagem de ti: sem peito, sem quadril, sem bunda….com os teus prantos mortos…libertadora e caçadora de equidades. Arrasas-te ante o brio da carne. Que agora se deita no soalho. Sobrando-te só o intelecto que soçobra sem boia que lhe sustente. Ei-la, portanto, a bruma que te enclausura no pranto das equidades… com que tecidos se tece o baile da equidade, que vive na pedincha por aplausos do opressor”.

Neste poema encontramos nesta poesia que a auto-intitula em fala híbrida ou prosódico, este jogo estético de ser um e tanto outros sem se importar com a forma. Encontramos commumente o povo, numa intensa busca pela equidade nas lutas travadas. Pode se notar que esta poesia é o arquétipo de uma arte interventora, em que o uso da lingua e da metalinguam para a definição dos objectos, o gusto pela música jazz ou blues, pandza ou marrabenta e a força da escrita, faz com que tudo viva para além da matéria que sobrevive para além do tempo quando a força de querer transpõe as barreiras do tempo.

Após a sua estreia em “retrolimentações do ego” em 2020, Elísio Miambo, regressa trazendo um abraço ou aperto de mão como acerto de contas, pois aquiesce-nos pagar as dívidas ocultas desocultando-as ao expurgar as brumas e escancarar as clausuras. Aqui desfazemos as brumas e enclausurmarmo-nos desnudados de todo o poder para que na terra onde encontramos o nosso umbigo, a nossa mãe, vivamos sem nos preocuparmos em lutar pelas facilidades que nos abrem as portas de outros horizontes, apenas sejamos nós mesmos, mais humanos, mais independentes e vivamos a nossa solicitude e uma paz duradoira.

Referências Bibliográficas:
OATES, Joyce Carol. ‘‘A Fé de um Escritor: Vida, Técnica, Arte’’. Lisboa: Casa das Letras, 2008.
PAZ, Octavio. “Signos em Rotação”. São Paulo: Perspectiva, 2009.

Às 15 horas desta quinta-feira, na Faculdade de Engenharia da Universidade Católica de Chimoio, serão lançadas as obras literárias Estórias trazidas pela ventania (contos), de Adelino Albano Luís, e Deixa-me escrever-te (poesia), de Timóteo Papel.

Segundo uma nota da Editorial Fundza, Estórias trazidas pela ventania é um livro de 25 contos, que, usando uma linguagem simples e coloquial, retrata diversos acontecimentos de fórum social e privado. Por isso mesmo, enquanto lê, o leitor depara-se, não raras vezes, com situações facilmente denotáveis com a realidade de Moçambique.

Ao longo dos enredos dos contos, casas se movem por si mesmas; um natal é comemorado na lixeira; há um sequestro sem um sequestrado; uma psicóloga que precisa ser consolada pela paciente ou um Eusébio que não quer saber de futebol. A proposta literária de Adelino Albano Luís será apresentada por Inocêncio Albino.

Quanto a Deixa-me escrever-te, avança a mesma nota da Editorial Fundza, é uma obra poética rítmica e cantada. O ritmo, que é a característica intrínseca e peculiar da poesia oral africana, evidencia-se nos poemas com maior propriedade. Isto é, o poeta diz a arte em versos e comunga a sacralidade do amor em um recorte lúdico e potente, no universo de uma realidade que, por vezes, é tão árida, tão inóspita, fazendo ressurgir, até mesmo aos olhos mais cépticos, a existência de afectos que soariam inatingíveis em determinadas circunstâncias.

Deixa-me escrever-te conduz o leitor, portanto, aos detalhes despercebidos do cotidiano, com os momentos e delicadezas que não se revelam aos olhos enevoados de rotina. A proposta literária de Timóteo Papel será apresentada por Francisco Massambo
Adelino Albano Luís nasceu em 1998, na Cidade de Chimoio. Licenciado em Filosofia pela UEM, é professor e o conto é seu género literário de eleição. Estreou-se com obra ″Cronicontos da Cabeça do Velho″ (2022), prémio literário Calane da Silva ⁄ Alcance Editores (4ª edição – 2021). Conquistou o primeiro lugar do Concurso de Crónicas da 1ª edição da Feira do Livro da Beira (2021); Conquistou o primeiro lugar do concurso literário Dia Mundial da Língua Portuguesa: estórias pandémicas, e foi finalista do prémio Fundação Fernando Leite Couto (2022), com a obra Estórias trazidas pela Ventania. Participou em várias antologias, dentre as quais o volume I de Espíritos Quânticos – Diário de uma Quawwi.

Timóteo Gentil Papel nasceu em 1990, na Zambézia. É docente, pesquisador, poeta e escritor, licenciado em Ensino de Filosofia com Habilitações em Ensino de História, pela Universidade Pedagógica de Maputo. É Mestre em Políticas Públicas e Desenvolvimento Local, pela Universidade de Santiago – Cabo Verde. É autor da obra Não sei ser triste (2021). Participou nas antologias Literatura e cultura em tempos de pandemia (2021); As Áfricas dentro de mim (2021); Encontro de gerações (2022); e Antologia Luís Vaz de Camões e convidados (2022).
Os dois livros foram seleccionados na segunda chamada literária da Editorial Fundza.

O Conselho Constitucional chumbou, hoje, a decisão da CNE de rejeitar a candidatura do partido  Revolução Democrática (RD), por este não ter cumprido a hora marcada para a apresentação da candidatura às eleições autárquicas de 11 de Outubro.

Depois de ter sido mandado, pelo Conselho Constitucional, trocar os seus símbolos que se assemelhavam aos da Renamo, a RD  regressou à Comissão Nacional de Eleições para apresentar a sua candidatura às eleições autárquicas de 11 de Outubro próximo, mas não foi permitido submeter os documentos, tendo a CNE alegado que este partido se tinha atrasado.

De acordo com um acórdão do Conselho Constitucional a que o “O País” teve acesso, a CNE deverá receber a “candidatura do Partido Revolução Democrática no prazo de 48 horas e proceda conforme o regime jurídico determinado pelos artigos 21 a 30, todos da Lei n.º 7/2018, de 3 de Agosto, atinente à eleição dos titulares dos órgãos das autarquias locais, alterada e republicada pela Lei n.º 14/2018, de 18 de Dezembro e, posteriormente, alterada pela Lei n.º 24/2022, de 29 de Dezembro.”

O Conselho Constitucional decidiu ainda “anular o sorteio das listas definitivas realizado no dia 29 de Agosto de 2023, pela Comissão Nacional de Eleições”, que colocavam  o MDM na primeira posição nos boletins de voto, seguido pela Frelimo. 

Os vencedores da edição 2023 da Taça Maputo “Jogabets 100 Paus” de basquetebol sénior masculino e feminino assim como os destaques individuais da prova serão premiados, esta quinta-feira, numa cerimónia a realizar-se na sede social da Associação de Basquetebol da Cidade de Maputo (ABCM).

O Costa do Sol conquistou a prova em seniores masculinos apos derrotar, na final, a A Politécnica por 80-54, pelo que terá como premio um valor monetário de 70 mil Meticais. O finalista vencido, esse, encaixa 30 mil Meticais.

Em femininos, a final foi ganha pelo Ferroviário de Maputo que bateu o rival Costa do Sol por 67-42, num duelo em que as “locomotivas” souberam anular os pontos mais fortes das campeãs nacionais, sobretudo, no terceiro e no último quarto. Com a conquista, o Ferroviário de Maputo vai receber também 70 mil Meticais, enquanto que o Costa do Sol terá como prémio 30 mil.

Há ainda a destacar os prémios individuais colocados à disposição pela organização da prova, nomeadamente melhor jogador (MVP), melhor marcador, melhor ressaltador, melhor triplista e melhor treinador que devem encaixar 10 mil Meticais cada.

Na categoria de masculinos, Egídio Zandamela foi considerado melhor jogador, enquanto o seu “coach” Miguel Guambe ficou com o premio de melhor treinador. Milton “Gato Preto” Cumbana chamou a si o titulo de melhor triplista e Turdivales Nhatumbo saiu com o prémio de melhor ressaltador. Finalmente, Marlon Uamusse terminou a prova como melhor marcador.

Destaque, nos femininos, para Stefânia “Papelão” Chiziane (melhor jogadora), Flávia Alcino (melhor triplista), Ingvild Mucauro (melhor marcadora), Carla Covane (melhor ressaltadora) e Nasir “Nelito” Salé (melhor treinador).

Esta competição foi bastante concorrida no jogo da final com o publico a marcar presença em peso no pavilhão do Maxaquene.

Segue-se o Campeonato da Cidade, maior prova do calendário de basquetebol da capital do país.

O Pavilhão do Ferroviário de Nampula testemunhou, esta terça-feira, o “poderio” dos representantes de Cabo Delgado na fase de apuramento da zona norte para a 14ª edição da Liga Moçambicana de Basquetebol Mozal.

Pois, na renovada quadra, o Núcleo Desportivo de Pemba superiorizou-se a Associação Desportiva de Mucopelinhas, vencendo por 83-68. Num duelo em que controlou o jogo, o Núcleo Desportivo de Pemba saiu ao intervalo a vencer por sete pontos: 44-38.

Emilton Bamo e Cândido Mussa combinaram 40 pontos (cada um marcou 20) e lideraram o Núcleo Desportivo de Pemba na estreia na competição.

Do lado da Associação Desportiva de Mucopelinhas, destaque para Mro Nwetha que contabilizou 21 pontos em 30:26 minutos na quadra.

O representante de Cabo Delgado concretizou 31 em 69 lançamentos de campo (media de 44, 9%) contra 30 em 64 (46, 9 % de aproveitamento) do seu adversário.

Os dois conjuntos estiveram mal nos tiros exteriores, sendo que a Associação Desportiva de Mucopelinhas teve um registo de 2 em 6 (33, 3%) enquanto o Núcleo Desportivo de Pemba concretizou 3 em 10 (30%)/.

Na linha de lances livres, esteve melhor o conjunto de Cabo Delgado com 18 em 32 (56, 3%) contra 6 em 14 da equipa de Nampula que se apresentou com 6 em 14 (42, 9%).

Na luta das tabelas, destaque para o domínio da Associação Desportiva de Mucopelinhas com 51 ressaltos dos quais 34 defensivos e 17 ofensivos. O Núcleo Desportivo de Pemba teve um registo de 34 ressaltos, sendo 22 defensivos e 12 ofensivos.

A Associação Desportiva de Mucopelinhas marcou mais pontos nas segundas bolas (16) que o seu oponente que fez 10. Outrossim, a equipa de Nampula apresentou-se melhor em situações de contra-ataques com 17 pontos contabilizados contra 9 do seu adversário. Na zona pintada, o Núcleo Desportivo de Pemba foi melhor com 48 pontos contra 46 da Associação Desportiva de Mucopelinhas.

Porque estávamos, diga-se, em dia “sim” para a província de Cabo Delgado, New Vision de Pemba, num jogo com elevado grau de dificuldades, derrotou New Vision de Nampula, por 64-62. Ao intervalo, o marcador indicava 35-24, vantagem para o conjunto de Cabo Delgado.

O Ferroviário de Nampula, cabeça-de-série, não teve dificuldades para derrotar Niassa Basquetebol Team por 58-33. O quinto classificado da última edição da Liga Moçambicana de Basquetebol Mozal vencia, ao intervalo, por dez pontos: 26-16.

De acordo com o regulamento da prova, cada formação somente poderá inscrever um máximo de quinze jogadores, devendo apresentar 12 na folha de jogo.

Há chefes de quarteirão que estão a fazer recolha de dados nos cartões de eleitor, com o objectivo de manipular o processo eleitoral. A denúncia foi feita, hoje, pelo Movimento Democrático de Moçambique (MDM).

Os alegados casos ocorrem nos bairros de Nkobe, Matola A e C, T3, Singathela, Matola J e Unidade H, Município da Matola e, segundo o MDM, são verificados, sobretudo, no período noturno.

Em conferência de imprensa, o partido explicou que teve conhecimento da situação através de denúncias feitas por moradores de alguns bairros e comunicou, formalmente, às autoridades, mas nada foi feito.
O Movimento Democrático de Moçambique não tem dúvidas de que a Frelimo esteja envolvida no caso e, por isso, garantiu que não vai permitir manipulações no processo. “Não nos responsabilizamos pelas consequências que vão advir por essas atitudes de andar a recolher cartões de eleitor”, alertou Agusto Pelembe.

“Queríamos, também, dar um recado ao secretário-geral do partido Frelimo, Roque Silva, para mandar parar essas brincadeiras. Ele é o administrador do partido e, para nós, ele é que está a dar essas orientações para entrarem nas casas e recolher cartões de eleitor”, acrescentou Amável Vera Cruz, delegado político MDM, na Matola.

A formação política entende que a recolha de dados é a preparação para uma fraude nas eleições autárquicas de 11 de Outubro e que a situação pode desmobilizar o eleitorado, impedindo, assim, uma transição transparente do poder.

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