Um moçambicano vítima da xenofobia na África do Sul está internado nos cuidados intensivos, com queimaduras no corpo, após ter sido brutalmente agredido em sua residência, em KwaZulu-Natal. As autoridades moçambicanas dizem estar a acompanhar a situação junto da contraparte sul-africana.
Os actos xenófobos na África do Sul continuam a fazer vítimas moçambicanas, apesar dos apelos à paz e à irmandade, vindos de todos os países africanos.
Face ao cenário, que ganhou mais intensidade entre Abril e Maio, com registo formal de sete moçambicanos mortos e várias infra-estruturas destruídas, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação diz que a África do Sul geriu mal a migração na terra do Rand e explica: “Há duas semanas, um moçambicano em KwaZulu-Natal. Era mecânico, tinha a sua oficina. À noite, sabiam que a esposa não estava lá, que era uma esposa sul-africana, foram lá e maltrataram-na. Com queimaduras do primeiro grau, está, agora, nos cuidados intensivos. Então, outros moçambicanos foram surpreendidos nas suas casas, foram retirados de lá, não conseguiram tirar nada. Então, o que nós estamos a dizer é que nós entendemos a situação, mas, possivelmente, como família, devíamos ter sentado e ver como é que nós nos organizamos para que aqueles que não têm documentos, que estão de uma forma ilegal na África do Sul, pudessem sair, mas com dignidade. Para isso, alternativas podiam ter sido consideradas: em alguns países europeus, há aqueles vistos de três meses, quatro meses para a recolha de frutas, e depois regressam. Então, todo o moçambicano podia saber – vou ser necessário, vou-me inscrever para um visto de três, quatro, cinco, seis meses, vou trabalhar e depois volto para casa.”
A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela Lucas, respondia a perguntas de jornalistas durante a conferência de imprensa após a cerimónia de recepção de cartas credenciais de novos embaixadores em Moçambique, e um destes diplomatas é o embaixador da África do Sul, que usou a oportunidade para reconhecer os erros.
“O alto-comissário da África do Sul apresentou… em nome do governo sul-africano, pediu perdão ao povo moçambicano, e disse que isto que aconteceu não devia acontecer, porque nós somos um único povo”, afirmou.
A ministra explica que os governos de Moçambique e África do Sul estão em constante contacto na busca de soluções, e a 46ª Cimeira da SADC, a acontecer em Durban, a 17 de Agosto, será uma importante plataforma de diálogo.
A cimeira, presidida por Cyril Ramaphosa e sob o lema “Industrialização resiliente, sustentável e inclusiva através do desenvolvimento de infra-estrutura”, para além de industrialização e infra-estruturas e integração económica, tem a paz e segurança como um dos principais temas de debate.
O tema com foco na análise da estabilidade regional e geopolítica na África Austral, será antecedido por uma reunião de grupo, no dia 16 de Agosto, outra oportunidade para os líderes da região austral discutirem soluções para África.
Manuela Lucas recorda de algumas decisões saídas do encontro entre Chapo e Ramaphosa.
“Chegaram a um ponto de dizer ‘vamos organizar alguma coisa na fronteira’. A África do Sul está um pouco mais avançada. Estão a criar uma zona económica especial. Então, a própria África do Sul disse ‘vamos estender essa zona económica especial para Moçambique e para Eswatini, para podermos ter ali agricultura, fábricas para transformar alguns dos nossos produtos’. E os nossos moçambicanos, quando chegassem à fronteira, do nosso lado mesmo, encontrariam emprego, encontrariam coisas, porque as pessoas vão lá, é mais para ir trabalhar, para tentar encontrar emprego. Então, vamos continuar a trabalhar juntos com a África do Sul, mas acho que essa é uma boa oportunidade para os chefes de Estado, como família, falarem sobre esse assunto e ver também o que nós podemos fazer juntos para melhorar esta situação”, disse.
E, perante o cenário, o número de regressados não pára de aumentar.
“Na semana passada, tivemos cerca de 599. Quase 600, que foram repatriados da África do Sul, mas foi um repatriamento coordenado. Estavam todos em Lindela, informaram-nos, então conseguimos organizar-nos. Nós estivemos ali, na fronteira, para receber os moçambicanos.”
Assim, sobe para 2083 o número de moçambicanos repatriados pelo Governo, além de outros mais de 30 mil moçambicanos regressados por meios próprios.
Sobre o outro grupo de repatriados, o Governo teria reconhecido a falta de controlo do grupo, uma vez que, em muitos casos, estes não usam as fronteiras formais para travessia.
Numa entrevista exclusiva ao “O País”, o Instituto Nacional para as Comunidades Moçambicanas no Exterior afirmou existirem, nas províncias de Gaza e Manica, fronteiras informais comumente usadas pelos viajantes, para ir e vir da África do Sul, sem passar por nenhum registo.
Apesar de ser menos dramática a situação actual, as marchas anti-imigrantes, que têm lugar todas as quintas-feiras, em muitas cidades sul-africanas, têm culminado, quase sempre, com mais e mais vítimas estrangeiras, independentemente de estarem ou não legais no País.
O internaional moçambicano, Geny Catamo, é o quarto melhor jogador da fase de qualificação para o CAN, segundo a Sofascore, um site de apostas desportivas. O talentoso jogador teve uma média de pontuação de 7,53 acima do egípcio Mohamed Salah, que fecha o top-5, com 7,48 pontos.
Determinante na fase de qualificação para o campeonato africano de futebol, Geny Catamo viu o seu esforço a ser reconhecido pela plataforma de apostas Sofascore como o quarto melhor jogador na fase de apuramento.
Na lista, Geny Catamo abaixo do trio Victor Osimhen, da Nigéria, que somou 8,18 pontos e que foi determinante para a qualificação da sua selecção, Sadio Mané, senegalês e adversário de Catamo nesta fase de qualificação, com 8,10 pontos e o burquinabe Dango Ouattara, com 7,76 pontos.
O talentoso jogador de 22 anos de idade, indicado com uma média de pontuação de 7,53, foi uma das peças-chave durante a caminhada dos Mambas rumo ao CAN, tendo inclusive marcado dois golos, nomeadamente diante do Benim e Ruanda, e duas assistências, nos embates frente ao Ruanda e Benim.
Catamo só não esteve em dois jogos dos Mambas, nomeadamente nas derrotas frente ao Senegal, na terceira e quarta jornadas da fase de qualificação.
Geny Catamo não só marcou golos, assim como foi determinante na manobra ofensiva do combinado nacional. O lateral moçambicano tem sido uma das apostas de Chiquinho Conde no xadrez dos Mambas.
O jovem atleta foi decisivo na partida diante do Benim, tendo saído dos seus pés a assistência para o golo de Clésio Baúque, tento que selou a qualificação do combinado nacional para o CAN. Geny Catamo vai marcar presença, pela primeira vez, numa fase final do CAN.
A Associação Kulemba realiza, a partir desta quarta-feira, a terceira edição da Feira do Livro da Beira (FLIB 2023). Agendada para Livraria Fundza e universidades da cidade, o evento vai juntar autores e leitores de diferentes gerações para a celebrarem Moçambique através da arte literária.
Conforme avança a nota de imprensa, neste dia inaugural, 20 de Setembro, às 14h, a terceira edição da FLIB vai iniciar com a cerimónia de lançamento dos livros Estórias trazidas pela ventania, de Adelino Albano Luís, e Phombe, de Juvenal Bucuane. O evento vai decorrer na Universidade Zambeze. Às 15 horas, na Universidade Católica de Moçambique, será lançado Deixa-me escrever-te, de Timóteo Papel.
À noite desta quarta-feira, quando forem 18 horas, na Livraria Fundza, o professor universitário e filósofo, José Castiano, vai proferir uma palestra subordinada ao tema “O reencontro com munthu: em busca do sujeito reconciliador”. Cruzando a filosofia e a literatura, Castiano vai, inclusive, recorrer a uma abordagem intelectual anteriormente partilhada na sua mais recente publicação em livro: O inter-munthu.
No dia 21, quinta-feira, às 9 horas, na Universidade Católica de Moçambique, o escritor e jornalista Daniel da Costa vai conversar sobre literatura com autores e leitores. Às 10 horas, na Universidade Alberto Chipane, será a vez de Timóteo Papel e Whaskety Fernando trocarem impressões. Por fim, às 14 horas, na Universidade Zambeze, será a vez Mia Couto conversar com a comunidade literária.
No dia 22, sexta-feira, às 9 horas, na Universidade Licungo, José Castiano e Álvaro Vasconcelos farão parte de uma mesa redonda subordinada ao tema “Memória e reconciliação: diálogo entre filosofia e história”. No mesmo horário, no Instituto de Formação de Professores de Inhamizua, Francisco Noa vai interagir com docentes e futuros docentes daquela instituição de ensino. Mais tarde, quando forem 16h30, na Livraria Fundza, Daniel da Costa e Juvenal Bucuane vão dividir a mesa redonda “Isso aconteceu? Fronteiras entre história e literatura”. Por fim, às 17 horas, na Universidade Aberta ISCED, Mia Couto volta a conversar com autores e leitores.
A FLIB 2023 termina no dia 23, sábado, às 9 horas, na Livraria Fundza, com o lançamento do livro Estórias da paz e reconciliação, uma colectânea de crónicas que reúne textos estudantes universitários que se destacaram na edição do ano passado do Concurso de Crónicas. Por fim, às 11 horas, na Livraria Fundza, serão anunciados os vencedores do Concurso de Fotografia “Eu na Livraria”.
A terceira edição da FLIB 2023 decorre com o lema O reencontro com o munthu: diálogos entre a História, a Filosofia e a Literatura. Portanto, a programação dos quatro dias do evento inclui sessões de conversas, debates, feiras, lançamentos de livros e premiação.
O Presidente da CNE garante estar em curso a impressão dos materiais eleitorais que serão usados na votação a acontecer em menos de um mês. Dom Carlos Matsinhe garante também a criação de condições de acesso às pessoas com deficiência aos locais de votação nas autárquicas de Outubro.
Quando faltam pouco mais 20 dias para a realização das sextas eleições autárquicas, marcadas para 11 de Outubro próximo, a Comissão Nacional de Eleições avança que o material eleitoral já está a ser impresso, por forma a estar disponível atempadamente para a distribuição.
Dom Carlos Matsinhe esclareceu que todos os processos que “atrapalhavam” o decorrer normal das actividades já foram ultrapassados e neste momento técnicos da CNE trabalham para que o material não contenha erros.
“Nesta fase o material está sendo produzido, temos membros da CNE que estão fora do país, para supervisionar a produção, empacotamento, codificação do material para que cada caixa siga o código e que caia no devido local”, explicou o presidente.
Segundo Matsinhe, a importância deste processo é para que as caixas, que estarão seladas, caiam em locais errados e só se descubra no dia da votação, o que pode criar grandes constrangimentos.
O presidente da CNE garantiu, ainda, que a instituição está a criar condições para inclusão da pessoa com deficiência no dia do voto.
“Nestas eleições teremos cabines ajustáveis à altura dos eleitores, mas também o Fórum das Associações Moçambicanas de Pessoas com Deficiência (FAMOD) está a circular pelas escolas, por forma a ver onde podemos melhorar o acesso”, disse.
Segundo o gestor, a solução passa por colocar rampas de madeira, porque não tem autonomia para mexer nos estabelecimentos, com modificações. Onde for possível criar entrada alternativa, será feito.
“As dificuldades e barreiras e barreiras são muito complexas, em todo o país. Não vamos garantir que aconteça em todos os lugares, mas o nosso compromisso foi que devemos começar a mostrar soluções para atendimento às pessoas com deficiência.
Sobre a campanha eleitoral, que inicia na próxima terça-feira, Dom Carlos Matsinhe apelou às formações políticas a respeitarem as diferenças, a lei e a serem tolerantes uns com os outros.
O presidente da CNE falava esta terça-feira (19), na Cidade de Maputo, à margem da conferência sobre violência contra a mulher nas eleições.
Os jogadores dos Mambas já estão a receber o valor do prémio pela qualificação do combinado nacional para o CAN 2023, cuja fase final vai ser na Costa do Marfim. A Federação Moçambicana de Futebol garante que os atletas estão a receber de acordo com o que foi acordado. O valor do prémio é de 250 mil Meticais
Uma semana depois de garantirem a qualificação para o Campeonato Africano de Futebol, facto que não acontecia há 14 anos, os jogadores dos Mambas já estão a receber o prémio referente ao apuramento para essa importante prova continental.
Antes da partida decisiva frente ao Benim, a Federação Moçambicana de Futebol recordou que o prémio da qualificação, acordado ainda no início da campanha com os respectivos capitães, era de 250 mil Meticais, mais 70 mil pela vitória, para os jogadores que estiveram na convocatória para o jogo diante do Benim.
Sem avançar as modalidades de pagamento, uma fonte da Federação Moçambicana de Futebol garantiu que os jogadores estão a receber os valores de acordo com o que foi combinado, ou seja, em percentagem mediante o número de jogos que cada um fez pela selecção nacional.
Ou seja, os jogadores dos Mambas estão cientes da forma como devem receber os seus prémios. Em caso de estar a pagar na totalidade, os atletas vão encaixar ao todo 320 mil Meticais, que incluem a premiação pela qualificação e pela vitória diante do Benim, somente para os que fizeram todos os jogos.
Recorde-se que somente nove jogadores estiveram em todos os jogos da campanha de qualificação, nomeadamente o capitão Dominguez, Clésio Baúque, Witiness, Ratifo, Edmilson, Amadou, Gildo, Telinho e Shaquile, que vão receber a premiação completa pela qualificação para o CAN 2023, 320 mil Meticais.
Entretanto, os jogadores Ivan, Victor, Mexer, Kambala, Martinho, Bruno Langa e Melque estiveram envolvidos em cinco dos seis jogos dos Mambas, enquanto Zainadine Júnior, Geny Catamo e Domingos Macandza participaram em quatro jogos.
Ernan, Chico e Dário foram convocados em três jogos; Reinildo Mandava, Kito, Infren, Reginaldo, David Malembane, Nené, Gian Chande, Luís Miquissone e Isac de Carvalho, em duas convocatórias.
Há, porém, jogadores que estiveram em apenas um jogo e recebem a premiação mais baixa, dentre eles Fazito, Bhéu, Danito, José Abudo, Chamboco, Guima, Dayo, Muiomo e Bangal, que terão o prémio de MZN 41 600 00 (quarenta e um mil e seiscentos Meticais).
Destes jogadores que estiveram em apenas um jogo, destaque para Chamboco, Guima, Dayo, Muiomo e Bangal, que, para além do prémio de qualificação, de quase 42 mil Meticais, terão ainda o adicional de 70 mil, referente à vitória diante do Benim.
No total, Chiquinho Conde convocou 40 jogadores para a recém-terminada campanha de qualificação. Na referida fase de qualificação, os Mambas terminaram em segundo lugar do grupo L, com 10 pontos, atrás do Senegal, líder da prova com 14 pontos. Moçambique venceu três jogos (1-0 e 3-2 diante do Benim e 2-0 frente ao Ruanda), um empate (1-1 diante do Ruanda) e duas derrotas (5-1 e 1-0 nos confrontos com Senegal).
Os dados divulgados pelo Unicef e Banco Mundial, revelam que as tendências globais de pobreza monetária infantil, indicam que o Malawi tem a quarta maior percentagem de crianças em pobreza extrema, depois de Madagáscar, Burundi, e Sudão do Sul, escreve a Rádio Moçambique.
A análise surge duas semanas depois de o Instituto Nacional de Estatística ter divulgado o Segundo Relatório do Índice de Pobreza Multidimensional, que revelou um declínio marginal na pobreza do país.
Entre os vizinhos do Malawi, a Zâmbia tem 66,7 por cento, a Tanzânia 48,6 por cento e o Zimbabwe 48 por cento.
De acordo com a análise, estima-se que 333 milhões de crianças em todo o mundo, ou uma em cada seis menores, vivem em extrema pobreza.
A Primeira-dama da República considera que o país registou avanços no acesso e retenção da rapariga, no Sistema Nacional de Ensino.
Segundo Isaura Nyusi os progressos resultam da aprovação de vários instrumentos legais para a defesa dos direitos da rapariga.
“Actualmente, metade das mulheres moçambicanas em Moçambique são alfabetizadas. Neste processo, importa destacar os esforços desenvolvidos pelo nosso gabinete, na advocacia, sensibilização e mobilização de recursos para a alfabetização”, disse Nyusi.
A Primeira-dama, Isaura Nyusi, falava esta segunda-feira, em Nova Iorque, depois de ser condecorada, pela Organização da Sociedade Civil Dream-Up, Speak-Up, Sdent-Up.
A condecoração da Primeira-dama teve lugar na sede da ONU, à margem da semana de alto nível da 78ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27 membros da União Europeia (UE) vão reunir-se brevemente em Kiev, capital da Ucrânia, anunciou esta segunda-feira o Alto Representante para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Josep Borrell.
Sobre o acordo de cereais e de paz, de acordo com a SIC Notícias, o chefe da diplomacia europeia definiu a posição comum europeia como a procura de “uma paz, mas uma paz justa” para a Ucrânia, baseada no plano de paz do próprio Presidente, Volodymyr Zelensky. Borrell espera que “o maior número possível de Estados-Membros” apoie o plano durante esta semana.
O acordo sobre os cereais, que permitia a exportação de cereais ucranianos e fertilizantes russos através do mar Negro, foi considerado morto por Borrell: “Acredito que, no fundo, a Rússia não quer este acordo; já não se trata de levantar restrições ou sanções, uma vez que estas não afetam as exportações russas (…), são desculpas ou argumentos falsos”.
Na reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, em Nova Iorque, o Sahel ocupou uma grande parte dos debates, explicou Borrell.
A instabilidade política nesta região, com golpes de Estado e conflitos civis, não pode ser explicada por uma única causa, uma vez que “cada país é diferente e isso exige abordagens diferentes, sem que isso signifique dois pesos e duas medidas”, disse.
Vim para contar uma hisória é o título da nova individual de artes plásticas, de Butcheca. A mostra de pintura será inaugurada esta terça-feira, na sala de exposições do Centro Culural Franco-Moçambicano, na Cidade de Maputo.
Ao fim de um ano, Butcheca expõe pela terceira vez uma individual de artes plásticas. Depois do Camões – Centro Cultural Português, em Maputo, e da Galeria Manoeuvre, em Matosinhos (Portugal), o artista regressa às exposições com algo por narrar. Na verdade, Vim para contar uma história é uma forma que o artista encontrou para regressar ao seu e ao passado dos moçambicanos, de modo a extrair eventos que ajudam a preservar a memória colectiva de uma sociedade em permanente transformação.
Recorrendo a óleo, carvão e acrílico sobre tela ou à pintura sobre metal, Butcheca imprime nas suas novas obras imagens que sugerem movimentos realizados por personagens aparentemente familiares. Na verdade, é através de figuras aparantemente humanas que, de certo modo, as narrativas de Butcheca ganham, primeiro, um sentido comunitário, e, simultaneamente, nacional.
Vim para contar uma história é a dimensão onde o passado e o presente de Moçambique se encontram, o que faz com que as artes plásticas participem na composição de uma realidade social inerente a um certo tempo. Aliás, conforme aponta a nota de imprensa do Centro Cultural Franco-Moçambicano, “Nesta exposição, Butcheca atravessa episódios da sua autobiografia, cruzando memórias de pessoas e lugares da sua história de vida. Na sua pintura, o artista leva-nos pela mão, fazendo-nos mergulhar no seu universo, através de manchas de cores e personagens, que nos transportam para a sua história, que também pode ser a nossa história”
“Vim Para Contar uma História” estará em exibição até o dia 28 de Outubro.
As Tertúlias Itinerantes, que promoveram o debate sobre interculturalidade no mundo de língua portuguesa, em Maputo, entre Agosto de 2016 e Março de 2020, estão de regresso à capital moçambicana neste final de ano. Interrompidas pela pandemia do COVID 19, as Tertúlias Itinerantes apresentaram, durante quase cinco anos, um cartaz de conversas mensais, animadas por especialistas moçambicanos, portugueses, brasileiros e italianos. Partilhando com as suas audiências conhecimento e experiência sobre temas relacionados com a complexa convivência no interior da comunidade cultural de língua portuguesa, estes especialistas abordaram questões como a coexistência entre o português e as línguas nacionais em Moçambique, a tensão entre as culturas locais e a cultura global, ou a decolonialidade nas relações interculturais neste espaço geocultural.
Com o fim da pandemia, poderemos contar com o regresso desta iniciativa já a partir deste mês de Setembro, a vários espaços culturais de Maputo, pela mão dos seus habituais promotores: Eduardo Lichuge, Lurdes Macedo, Mário Forjaz Secca e Sara Jona Laisse.
O programa deste regresso das Tertúlias Itinerantes começa a 27 de Setembro, às 18h, no Camões – Centro Cultural Português em Maputo, onde Eugénio Santana lançará o debate sobre Xico Nhoca e Nhoca Jr. e os olhares destes personagens sobre o passado e o presente.
A moderação desta tertúlia estará a cargo de Sarita Monjane Henrikson. Em Outubro, no dia 25, também às 18h, Matilde Muocha partilhará o seu ponto de vista sobre as “Indústrias culturais e criativas em Moçambique: utopia e realidade”, no Centro Cultural Guimarães Rosa. Mário Forjaz Secca fará a moderação desta tertúlia.
O cartaz deste regresso fica completo com a sua última tertúlia, a 29 de Novembro, no horário habitual das 18h, com Augusto Jone, que nos falará sobre “O ensino bilingue e a formação multicultural de professores em Moçambique”. Esta última tertúlia, que decorrerá na Casa do Professor, será moderada por Aissa Mithá Isaak”.
Por: Lurdes Macedo