FEMATRO mantém negociações com o Governo sobre o aumento dos preços, numa altura em que os transportadores estão divididos quanto à proposta de incremento de cinco meticais e à reivindicação de 20 meticais.
O preço dos transportes públicos poderá agravar-se a partir de 1 de Novembro, no contexto das negociações entre a Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO) e o Governo sobre as compensações aos operadores.
Apesar de ainda não haver uma data definida para o pagamento das compensações, os transportadores continuam divididos quanto à proposta de incremento de cinco meticais nas tarifas. Enquanto uma parte admite aceitar o valor, desde que se mantenha o subsídio atribuído pelo Governo, outros defendem a proposta submetida pela FEMATRO, que prevê um aumento de 20 meticais.
Perante a falta de consenso, a Federação anunciou que vai retomar as negociações com o Executivo, com vista à identificação de uma solução que responda às preocupações dos transportadores e dos passageiros.
A indefinição em torno das compensações e do reajustamento das tarifas surge numa altura em que havia uma tendência de paralisação dos transportes para segunda-feira, 12 de Outubro. Entretanto, a FEMATRO apelou aos operadores para não avançarem com a suspensão das actividades, defendendo a continuidade do diálogo com o Governo.
Segundo a Federação, os transportadores deram um voto de confiança à sua direcção para prosseguir com as negociações. O ponto de situação deverá ser apresentado numa nova reunião, marcada para 26 de Outubro.
A FEMATRO considera que o aumento das tarifas é necessário para garantir a rentabilidade da actividade e melhorar as condições de operação do transporte público no país. A Federação defende que os operadores precisam de receitas suficientes para continuar a prestar serviços e assegurar condições de trabalho adequadas.
Entretanto, o eventual agravamento dos preços poderá representar um encargo adicional para os passageiros, que aguardam por uma solução para o diferendo entre os transportadores e o Governo.
O Ministro da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa, afirmou que a celebração dos 51 anos da Independência Nacional representa um momento de reconhecimento das conquistas alcançadas pelo povo moçambicano desde 1975 e de reflexão sobre os desafios que se colocam para o futuro do País.
Segundo o governante, os 51 anos da Independência simbolizam a dignidade, a identidade e a heroicidade do povo moçambicano, bem como a sua permanente luta pelo desenvolvimento e pela afirmação da soberania nacional.
“São 51 anos de conquistas construídas ao longo do tempo, de afirmação do povo moçambicano e de combate a todos os males que atrasam o desenvolvimento do País”, afirmou.
O ministro destacou que, com o início de um novo ciclo de governação, Moçambique enfrenta agora um desafio diferente daquele que marcou a luta de libertação nacional: a conquista da independência económica.
De acordo com o dirigente, a independência política alcançada há mais de cinco décadas deve ser complementada por uma economia forte e capaz de gerar riqueza e melhores condições de vida para os cidadãos.
“A bandeira de hoje já não é apenas a da independência política e territorial. O grande desafio é a independência económica, que deve orientar a acção de todos os moçambicanos”, sublinhou.
O governante defendeu que a consolidação da independência económica constitui uma condição essencial para garantir o desenvolvimento sustentável do País e reforçar os ganhos alcançados desde a proclamação da Independência Nacional.
As declarações foram feitas à margem das celebrações do 25 de Junho, data que assinala os 51 anos da Independência de Moçambique.
A Electricidade de Moçambique (EDM) e o Reino da Noruega reflectiram, num Seminário realizado nesta segunda-feira, em Maputo, a dinâmica institucional sobre os 50 anos de cooperação entre os dois países no Sector Energético, uma parceria que tem contribuído para a expansão do acesso à energia eléctrica de qualidade, bem como a promoção do desenvolvimento sustentável e inclusivo.
Falando durante o Seminário Comemorativo dos 50 anos de Cooperação Energética Moçambique–Noruega, o presidente do Conselho de Administração (PCA) da EDM, Joaquim Ou-chim, destacou que a cooperação entre os dois Países tem sido determinante na transformação do Sector Energético Nacional.
Segundo o PCA da EDM, desde 1977, o apoio da Noruega desempenha um papel fundamental para a implementação de Projectos estruturantes, incluindo os Projectos de Mapeamento e Construção de Centrais de Geração de Energia, Expansão da Rede Eléctrica Nacional (REN), sobretudo nas áreas rurais, bem como no apoio à materialização do Fundo de Resiliência e Resposta a Desastres Naturais, Assistência
Técnica e Capacitação especializada dos Trabalhadores da Empresa.
“O Programa Energia para Todos (ProEnergia) é dos exemplos mais actuais e de grande sucesso desta cooperação estratégica que, na prática, impulsionou o crescimento da Taxa de Acesso Doméstico à energia eléctrica, incluindo soluções dentro e fora da Rede, que passou de 36,8%, em 2020, para 66,9%, registado em Março de 2026”, destacou o PCA da EDM.
Por sua vez, o embaixador da Noruega em Moçambique, Egil Thorsås, afirmou que “(…) vale a pena parar para reconhecer o que foi alcançado nesta última década: a expansão do acesso à energia eléctrica, novas Linhas de Transporte, interligações regionais, a reabilitação de infra-estruturas críticas e o reforço das instituições do sector. São marcos que resultam de anos de trabalho paciente e exigente.”
Durante o seminário, foram apresentados e debatidos os projectos estruturantes desenvolvidos no âmbito dos 50 anos de cooperação entre Moçambique e a Noruega.
Quase 20 dias depois de o secretário de Estado na província de Niassa ter suspendido e banido várias entidades ligadas à exploração e gestão de áreas de conservação na província de Niassa, uma medida que visava reestruturar a administração da Reserva Especial de Niassa, nesta segunda-feira, Silva Livone mudou de ideia.
De acordo com este comunicado, Silva Livone decidiu readmitir toda a direcção da Reserva Especial de Niassa, bem como as entidades que exploram os recursos faunísticos na província.
O documento determina, com efeitos imediatos: o levantamento da suspensão da Direcção da Administração de Reserva Especial de Niassa; da suspensão das actividades de exploração de Recursos Faunísticos dos operadores: Sociedade Búfalo Safaris, Sociedade Nhalicanga Wildness, sediadas nos Distritos de Marrupa e Majune, na zona tampão da Reserva Especial do Niassa;
O documento determina ainda o levantamento da suspensão da ONG WCS de realizar qualquer actividade na área de exploração de Recursos Faunísticos na Província.
A medida, de acordo com o instrumento, resulta do relatório de campo e propostas de acções de seguimento da Comissão de Acompanhamento, adoptadas na IX Sessão Ordinária do Conselho dos Serviços de Representação do Estado na Província do Niassa, realizada no dia 22 de Junho de 2026, na cidade de Lichinga.
Recorde-se que, na altura da suspensão, Silva Livone disse ao jornal O País que, com a medida, pretendia acabar com os desmandos na Reserva, promovidos pela desarticulação entre operadores, gestão da reserva e comunidades locais, tendo como consequências “conflitos” recorrentes entre homem e fauna bravia.
Durante anos, mais de quinhentos vendedores da vila de Gondola desafiaram o sol, a chuva e o perigo diário da Estrada Nacional Número Seis para garantir o sustento das suas famílias. Essa realidade começa, agora, a mudar, com a inauguração do novo Mercado Municipal, uma infra-estrutura avaliada em cerca de 120 milhões de meticais.
Instalados à beira da EN6, os vendedores enfrentavam riscos permanentes para vender produtos e assegurar o rendimento dos seus agregados familiares. Os comerciantes dizem estar satisfeitos com a infra-estrutura, que oferece melhores condições de trabalho, maior segurança e protecção contra as intempéries.
O presidente do Conselho Municipal de Gondola apelou à transparência na atribuição dos espaços, sublinhando que as barracas devem beneficiar os vendedores que delas necessitam, e não funcionários públicos ou pessoas sem actividade comercial.
Entre os beneficiários, o sentimento é de satisfação. Os vendedores consideram que o novo mercado representa o fim de anos de exposição aos perigos da estrada e às intempéries, além de criar melhores condições para atrair clientes.
O Mercado Municipal de Gondola é visto como um importante investimento para a organização do comércio local e para o fortalecimento da economia do município.
A relação entre Venâncio Mondlane e Raúl Novinte atravessa um momento de tensão, com ambas as partes a apresentarem versões divergentes sobre a situação de Novinte no seio do ANAMOLA.
A polémica surgiu após a realização da primeira Convenção Nacional do partido, que terminou na segunda-feira com a eleição de Venâncio Mondlane para a presidência do ANAMOLA, com mais de 94% dos votos, sendo candidato único.
Durante uma entrevista concedida à DW no último dia da convenção, Venâncio Mondlane foi questionado sobre uma eventual exclusão de Raúl Novinte do encontro. Em resposta, afirmou que Novinte abandonou o partido por vontade própria e considerou que este não reúne condições para se apresentar como exemplo de exclusão.
Raúl Novinte rejeita estas declarações e esclarece que continua a ser membro do ANAMOLA, uma vez que nunca abandonou o partido nem renunciou ao cargo de chefe de mobilização da zona Norte.
Segundo Novinte, o seu isolamento começou depois de ter contactado Venâncio Mondlane para manifestar a intenção de concorrer à presidência do partido, disputando as eleições internas.
Para já, Raúl Novinte não avançou quais serão os próximos passos a adoptar na sequência deste desacordo com a liderança do ANAMOLA.
A Organização Mundial da Saúde (OMS), através do ‘cluster’ de saúde, precisa de 21,5 milhões de dólares para apoiar os quase 539 mil afectados pelas recentes chuvas no Sul e Centro de Moçambique.
Moçambique continua a enfrentar uma complexa crise humanitária caracterizada pelos impactos sobrepostos dos choques climáticos e dos conflitos armados, que afectam significativamente a saúde e o bem-estar das populações vulneráveis”, lê-se num boletim do ‘Cluster’ de Saúde de Moçambique, liderado por aquela organização das Nações Unidas, citado pela Lusa.
De acordo com a mesma publicação, em 2026 as cheias nas províncias do Centro e do Sul resultaram na deslocação de populações, danos nas infra-estruturas de saúde e um aumento do risco de surtos de doenças transmitidas pela água, interrompendo a continuidade dos serviços de saúde essenciais.
O `cluster´ de saúde estima que cerca de 619 627 pessoas afectadas pelos eventos climáticos extremos em Moçambique precisem de ajuda, daí que, avançou, foi lançado um plano de resposta humanitária às cheias que prevê apoiar quase 539 mil pessoas mediante um financiamento de cerca de 21,5 milhões de dólares.
“Para a adenda ao plano de resposta humanitária às cheias de 2026, o núcleo da saúde responderá a três objectivos e, a partir destes, serão monitorizados 15 indicadores que reflectem as actividades que, até ao fim do ano, abrangerão um total de 538 725 beneficiários, de um total de 619 627 pessoas carenciadas, em 18 distritos de Gaza, Sofala, Maputo e na Cidade de Maputo”, explica-se.
Além da crise climática, aquele organismo humanitário internacional alerta ainda que Moçambique enfrenta, ao mesmo tempo, a insegurança armada na província de Cabo Delgado, Norte do País, que continua a provocar deslocações e a exercer uma pressão adicional sobre sistemas de saúde “já frágeis”.
De acordo com o documento, em Cabo Delgado, província rica em gás e alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado a 05 de outubro de 2017, as necessidades humanitárias mantêm-se elevadas, sendo prioritária a prestação de cuidados de saúde primários, serviços de emergência, apoio à saúde mental e assistência às populações deslocadas e às comunidades de acolhimento.
“Neste contexto, os parceiros do `cluster´ da Saúde mantiveram uma resposta coordenada para garantir a prestação de serviços de saúde essenciais, com foco em abordagens integradas, incluindo clínicas móveis, resposta a surtos, serviços de saúde sexual e reprodutiva, água, saneamento e intervenções de higiene”, explica-se, alertando-se, no entanto, que persistem ainda “desafios significativos” no apoio humanitário, particularmente no acesso e disponibilidade de recursos, além da necessidade de reforçar os mecanismos de monitorização e notificação das crises.
A 2 de Abril, a OMS, através do ‘cluster’, avançou precisar de 16 milhões de dólares neste ano, para apoiar um total de 409 968 pessoas no Norte de Moçambique.
Num boletim divulgado na altura referia-se que entre os principais indicadores para o Plano de Resposta Humanitária da organização para o país se espera alcançar até ao fim do ano, 409 968 beneficiários, do total de 488 967 pessoas carenciadas em 18 distritos das províncias de Nampula, Niassa e Cabo Delgado, no Norte do País.
O número de mortos na actual época das chuvas em Moçambique subiu para 289, passando ainda um milhão de pessoas afectadas, desde Outubro, segundo nova actualização do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
Só as cheias de Janeiro provocaram, pelo menos, 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afectando globalmente 715 716 pessoas. Já a passagem do ciclone Gezani em Inhambane, a 13 e 14 de Fevereiro, causou mais quatro mortos e afectou 9040 pessoas, segundo dados do INGD.
O Governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo, apelou aos investidores que pretendem desenvolver actividades na província para observarem rigorosamente as normas de segurança estabelecidas pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS), de modo a evitar retrocessos no combate ao terrorismo.
O pronunciamento foi feito durante a cerimónia de encerramento da I Conferência Internacional de Industrialização e Agronegócios de Cabo Delgado, evento que reuniu empresários, investidores e representantes de diversos sectores económicos nacionais e estrangeiros.
Na ocasião, Valige Tauabo sublinhou que a manutenção da estabilidade e da segurança constitui um factor determinante para a continuidade dos projectos de desenvolvimento em Cabo Delgado, defendendo uma colaboração estreita entre os investidores e as autoridades responsáveis pela segurança.
O governante referiu que os avanços registados no combate ao terrorismo devem ser preservados através do cumprimento das orientações das Forças de Defesa e Segurança e da adopção de medidas preventivas por parte de todos os intervenientes envolvidos nos processos de investimento.
Por sua vez, antigos governadores da província aproveitaram a ocasião para defender uma maior participação das comunidades locais nos programas de desenvolvimento económico e social.
Eliseu Machava e Lázaro Mathe destacaram a necessidade de os investimentos gerarem benefícios directos para as populações, contribuindo para a melhoria das condições de vida e para a promoção da estabilidade social.
No mesmo sentido, o Primeiro-Secretário da FRELIMO em Cabo Delgado, José Kalime, enfatizou a importância do envolvimento das comunidades na implementação dos projectos de desenvolvimento, considerando que a inclusão social é um elemento essencial para o progresso sustentável da província.
A I Conferência Internacional de Industrialização e Agronegócios de Cabo Delgado contou com a participação de cerca de 300 delegados, incluindo representantes da Tanzânia, Quénia, África do Sul e Brasil, que debateram oportunidades de investimento e estratégias para impulsionar o desenvolvimento económico da província.
O primeiro caso positivo de infecção pelo vírus Ébola foi registado em França, segundo anunciou o Ministério da Saúde daquele país, esta quarta-feira. O paciente é um médico humanitário, que regressava da República Democrática do Congo.
O Ministério da Saúde francês revelou que o paciente é um médico humanitário que esteve em uma das áreas afectadas pela doença, na República Democrática do Congo.
O mesmo meio assinalou que o profissional de saúde foi levado para uma unidade especializada e encontra-se em condição estável.
Recorde-se que o governo da República Democrática do Congo elevou o número de mortes devido ao vírus de Ébola para 254, estando incluídas nos 1003 casos confirmados, na epidemia que foi declarada em 15 de Maio no leste do país.
A Organização Mundial da Saúde estima que o vírus tenha começado a circular em Ituri cerca de dois meses antes da declaração do surto e classificou a epidemia em 17 de Maio como uma emergência de saúde pública de importância internacional.
O vírus Ébola transmite-se por contacto directo com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragia interna.
O impacto das tensões e dos conflitos internacionais nas comunidades católicas vai dominar o segundo consistório extraordinário do pontificado de Leão XIV, que decorre sexta-feira e sábado.
As iniciativas que a Igreja Católica pode promover para favorecer a reconciliação, a convivência e a paz estarão igualmente em destaque no encontro de dois dias que reúne o Papa e cardeais de todo o mundo.
O consistório dá continuidade à intenção manifestada por Leão XIV de convocar um encontro extraordinário anual para aprofundar a colegialidade, a escuta mútua e a participação na tomada de decisões da Igreja.
Os trabalhos têm início na sexta-feira com uma missa na Basílica de São Pedro, presidida pelo Papa.
O principal bloco dedicado à situação internacional realiza-se durante a tarde, sob o tema “A cultura do poder e a civilização do amor”, com introdução do cardeal argentino Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé.
Com base num capítulo da primeira encíclica de Leão XIV, Magnifica Humanitas, os cardeais irão analisar de que forma as tensões e os conflitos afectam as Igrejas e os povos, bem como as linguagens, atitudes e práticas que podem contribuir para a reconciliação e a paz.
No sábado, a reflexão social prossegue com a sessão “Construir o bem: as oficinas do nosso tempo”, apresentada pelo cardeal sul-africano Stephen Brislin.
Na última sessão do consistório será abordado o processo de implementação do Sínodo. Na ocasião, o cardeal maltês Mario Grech apresentará o documento preparatório das assembleias sinodais previstas para 2027 e 2028.
O consistório encerra no sábado à tarde, na Nova Sala do Sínodo, com um diálogo directo, à porta fechada, com Leão XIV, durante o qual os cardeais poderão intervir livremente por um período máximo de três minutos cada.
Como encerramento definitivo da agenda oficial, na segunda-feira, 29 de Junho, solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, o Papa presidirá à tradicional missa na Basílica de São Pedro.
Leão XIV realizou o primeiro consistório ordinário do seu pontificado a 13 de Junho de 2025.
O encontro extraordinário de Janeiro foi o primeiro do género desde o convocado pelo então Papa Francisco, em Agosto de 2022, que se centrou na reforma da Cúria Romana e na nomeação de novos cardeais.