A Primeira-ministra, Benvinda Levi, desafiou, nesta terça-feira em Maputo, ao Fórum das Comissões Eleitorais dos Países Membros da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), a construírem sistemas eleitorais cada vez mais modernos e eficientes.
Para a governante, a aposta na modernização dos sistemas eleitorais não deve comprometer a transparência, a inclusão, integridade, credibilidade e, acima de tudo, a confiança do público que, segundo ela, sustenta a democracia dos Estados membros deste bloco regional.
“Reafirmamos o compromisso de Moçambique com os princípios democráticos consagrados nos instrumentos da SADC, União Africana e das Nações Unidas, bem como o interesse e determinação no fortalecimento permanente das instituições responsáveis pela administração eleitoral”, disse Benvinda Levi.
APOSTA NA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
A Reunião do Comité Executivo do Fórum das Comissões Eleitorais dos Países Membros da SADC acontece num contexto em que o mundo é marcado pela afirmação da Inteligência Artificial (IA). Segundo a Primeira-ministra, a IA está a transformar como as instituições públicas planeiam, gerem a informação e prestam serviços aos cidadãos.
No contexto eleitoral, afirma Benvinda Levi, essas tecnologias podem oferecer oportunidades para aumentar a eficiência administrativa, apoiar os registos da gestão eleitorais, melhorar a comunicação com os eleitores, reforçar a análise de dados e facilitar a identificação atempada de irregularidades operacionais.
“Podem igualmente apoiar a monitoria de fenómenos de desinformação, manipulação digital e disseminação de conteúdos falsos que afectam a integridade dos processos eleitorais”, alerta.
Nesse sentido, alerta a Primeira-ministra, o recurso a essas ferramentas deve ser criterioso e responsável, respeitando os mandatos legais das instituições e preservando os direitos dos cidadãos.
“As mesmas tecnologias que podem apoiar a democracia podem também ser utilizadas para a fragilizar. A proliferação de conteúdos digitalmente manipulados, as campanhas automatizadas de desinformação, a microssegmentação política abusiva e a utilização indevida de dados pessoais constituem riscos concretos para a integridade eleitoral e para a confiança nas instituições”, alerta Benvinda Levi.
Segundo a Primeira-ministra, associada à Inteligência Artificial, está a crescente relevância da governação de dados, assim como o facto delas constituírem um activo estratégico para o desenvolvimento económico, social e institucional.
“A capacidade de os recolher, proteger, gerir e utilizar de forma segura e responsável tornou-se um elemento central da soberania digital dos Estados. A inovação tecnológica deve caminhar lado a lado com a protecção dos direitos fundamentais, a salvaguarda da privacidade, a segurança dos sistemas e do respeito pelos princípios democráticos.”
Benvinda Levi entende, por isso, que uma governação de dados sólida representa uma oportunidade para reforçar a soberania digital, reduzir dependências externas e assegurar que a transformação tecnológica contribua para o desenvolvimento sustentável e para o fortalecimento das instituições democráticas.
Mais de mil crianças de duas escolas da Cidade da Matola aprenderam a fazer a travessia da estrada com segurança. A iniciativa integra a semana nacional de segurança rodoviária 2026, que decorre sob o lema “O Cuidado é o melhor caminho”.
A Fidelidade Impar, em parceria com a Polícia de Trânsito, o Conselho Municipal da Cidade da Matola, INATRO e a Direcção Distrital de Educação, organizou palestras educativas, simulações práticas de travessia segura e sessões de literacia financeira
Foram ainda distribuídos 70 coletes reflectores à Polícia de Trânsito e instalada sinalização rodoviária junto das escolas: passadeiras, placas de prevenção e os sinais que dizem ao trânsito que ali passam crianças.
A Fidelidade Ímpar mantém o programa activo na Escola Primária da Matola Gare desde Novembro de 2025 e prevê alargá-lo a outras zonas escolares do país.
A Confederação Africana de Futebol (CAF) anunciou oficialmente a abertura do processo de Licenciamento de Clubes para participação nas competições interclubes africanas da temporada 2026/27, num procedimento que envolve os representantes moçambicanos nas principais provas continentais.
O processo será conduzido em coordenação com a Federação Moçambicana de Futebol (FMF) e abrange os clubes União Desportiva do Songo, que irá representar o País na Liga dos Campeões Africanos em masculinos, Associação Black Bulls, na Taça das Confederações da CAF, e Costa do Sol, na Liga dos Campeões Africanos em femininos, incluindo as fases zonal da COSAFA e continental.
Segundo a CAF, o licenciamento será efectuado em conformidade com os regulamentos de licenciamento de clubes definidos pelo organismo máximo do futebol africano, incluindo critérios técnicos relacionados com infra-estruturas, gestão administrativa e qualificação de treinadores.
Para garantir elegibilidade às competições continentais, os clubes deverão cumprir integralmente os cinco critérios obrigatórios estabelecidos pela CAF: desportivo, infraestrutural, administrativo, legal e financeiro.
Entre as exigências impostas pela entidade africana está também a utilização obrigatória da plataforma digital CLOP (Club Licensing Online Platform), ferramenta destinada à submissão, validação e acompanhamento dos processos de licenciamento durante todo o ciclo 2026/27.
Neste contexto, a FMF será responsável por prestar acompanhamento técnico e institucional aos clubes moçambicanos em todas as fases do processo, incluindo verificações documentais e validação dos requisitos exigidos pela CAF.
De acordo com o calendário estabelecido, os clubes deverão submeter os respectivos processos de licenciamento dentro dos prazos definidos, sendo que a data limite para entrega final à Federação Moçambicana de Futebol foi fixada para 10 de Junho de 2026.
Paralelamente, a FMF convidou igualmente os cinco primeiros classificados do Moçambola 2025 a integrarem o processo de licenciamento, numa medida que visa reforçar os níveis de profissionalização e organização institucional do futebol nacional.
A federação considera que a implementação rigorosa do sistema de licenciamento poderá contribuir para elevar os padrões de gestão, sustentabilidade financeira e competitividade dos clubes moçambicanos nas competições africanas.
Nos últimos anos, a CAF tem vindo a reforçar as exigências relacionadas com governação, infra-estruturas e estabilidade financeira dos clubes participantes nas suas competições, procurando aumentar o nível de profissionalismo do futebol africano e garantir maior credibilidade organizacional às provas continentais.
Uma investigação desenvolvida na Universidade Lúrio (UniLúrio) concluiu que a planta medicinal conhecida como “batata africana” (Hypoxis hemerocallidea) poderá conter compostos com potencial relevância no apoio ao tratamento de pacientes com HIV, abrindo caminho para futuras pesquisas laboratoriais e clínicas.
O estudo, ainda de carácter teórico, foi desenvolvido pelo recém-graduado em Farmácia Hamza Daúde, em parceria com a docente de Química Farmacêutica Laize Beca, e baseou-se na análise de literatura científica e no cruzamento de dados assistido por inteligência artificial.
De acordo com os investigadores, foi identificado um fitoquímico denominado proxenidina A2, que poderá actuar sobre o receptor CCR5 — mecanismo associado à entrada do vírus HIV nas células humanas.
Hamza Daúde explica que o composto poderá impedir a infecção ao bloquear o processo de ligação viral.
“É um fitoquímico que foi identificado contra o receptor CCR5, responsável pela entrada do vírus na célula do hospedeiro. O efeito seria bloquear essa entrada, impedindo a infecção”, afirmou o investigador.
O estudo defende que o conhecimento tradicional sobre plantas medicinais pode ser integrado com ferramentas modernas de análise científica, permitindo validações laboratoriais mais robustas.
Apesar dos resultados promissores, os investigadores alertam que a pesquisa ainda não tem aplicação clínica e necessita de testes laboratoriais aprofundados, incluindo estudos de toxicidade e segurança.
Hamza Daúde sublinha que o objectivo não é substituir os tratamentos já existentes, mas sim contribuir para a validação científica de conhecimentos tradicionais.
“A ideia não é substituir os fármacos usados na prática clínica, mas validar o conhecimento tradicional. Existem muitas limitações e seria necessário optimizar a molécula”, explicou.
O estudo foi submetido à revista científica internacional Clinical Traditional Medicine and Pharmacologic em Setembro de 2025 e publicado em Maio de 2026, após cerca de sete meses de avaliação.
A investigação insere-se num movimento mais amplo de inovação científica na Universidade Lúrio, onde estudantes têm recorrido a tecnologias emergentes, incluindo inteligência artificial e ferramentas digitais, para desenvolver soluções na área da saúde pública.
Entre os projectos em curso destaca-se um sistema de mapeamento de criadouros de mosquitos com recurso a drones, desenvolvido pelo estudante Dalton Edítio.
O projecto visa identificar zonas com água parada e potenciais focos de proliferação do mosquito transmissor da malária.
“Queremos identificar os potenciais criadouros antes da fase adulta do mosquito, porque sem mosquito não há malária”, explicou o estudante.
Outro projecto em desenvolvimento é uma plataforma digital de saúde que permite aos pacientes registar parâmetros clínicos como pressão arterial e glicemia, além de aceder a conteúdos educativos e suporte informativo.
A médica e mestranda em Saúde Pública Imersa Sigaúque afirma que a ferramenta pretende reduzir a distância entre consultas e melhorar o acompanhamento dos doentes.
“Os pacientes têm dúvidas entre consultas. A plataforma inclui uma biblioteca de saúde para esclarecer questões nesse período”, referiu.
A direcção da Universidade Lúrio reconhece que várias destas iniciativas ainda requerem validação científica e aprovação de comités de bioética antes de avançarem para aplicação prática.
Segundo o representante académico Alexandre Biquisa, os projectos representam uma oportunidade para fortalecer a produção científica e atrair financiamento para investigação aplicada.
“Queremos usar estas iniciativas como motor para melhorar a produção científica e captar financiamento”, afirmou.
Os projectos apresentados reflectem uma tendência crescente de integração entre ciência tradicional, inovação tecnológica e inteligência artificial na investigação em saúde em Moçambique, num contexto em que instituições académicas procuram soluções locais para desafios como o HIV e a malária.
Embora ainda em fase inicial, os estudos abrem perspectivas para futuras pesquisas mais aprofundadas e eventual desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas e tecnológicas no sector da saúde.
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O Presidente da República, Daniel Chapo, recebeu esta terça-feira, em audiências separadas, representantes de três grandes grupos empresariais internacionais, Sasol, Varun Beverages e Philip Morris International, encontros que serviram para reforçar o interesse destas multinacionais em investir e expandir operações em Moçambique.
As reuniões decorreram em Maputo e centraram-se em oportunidades de investimento nos sectores de energia, indústria alimentar, bebidas e desenvolvimento industrial, num momento em que o Governo procura consolidar a atracção de capital estrangeiro e dinamizar a economia nacional.
Durante a audiência com o Director Executivo da Sasol, Simon Baloi, foram analisados os principais investimentos da empresa no País, com destaque para os projectos ligados ao gás natural e programas de desenvolvimento comunitário.
No final do encontro, Simon Baloi reafirmou o compromisso da multinacional energética com o desenvolvimento económico e social de Moçambique, destacando o avanço da segunda fase do programa de desenvolvimento local, denominado LDA2, avaliado em cerca de 43 milhões de dólares norte-americanos.
O responsável referiu igualmente o projecto PSA, estimado em aproximadamente mil milhões de dólares, destinado ao fornecimento de gás natural à central térmica da CTT, indicando que a empresa aguarda apenas a conclusão das infra-estruturas energéticas para iniciar o fornecimento.
Outro tema abordado foi a construção de um terminal de gás natural liquefeito, considerado estratégico para reforçar a integração energética regional e responder à crescente procura de energia na África Austral.
Já o Director Executivo da Varun Beverages Zimbabwe & East Africa, Vijay Behel, manifestou o interesse da empresa em expandir os seus investimentos para Moçambique.
Segundo o empresário, o grupo pretende investir no sector de lacticínios e fortalecer operações ligadas ao negócio da PepsiCo, incluindo bebidas gaseificadas, água engarrafada e sumos.
“Estamos muito satisfeitos porque o Presidente da República transmitiu-nos que Moçambique está aberto ao investimento. Ficamos encorajados e esperamos iniciar este negócio em breve”, afirmou Vijay Behel.
O responsável explicou que a proposta será submetida aos órgãos de direcção da empresa para mobilização dos recursos necessários à implementação do projecto no País.
Por sua vez, o Director Global de Operações da Philip Morris International abordou com o Chefe do Estado as oportunidades de cooperação e investimento em Moçambique, reiterando o interesse da multinacional em aprofundar relações económicas com o País.
Embora os detalhes do investimento não tenham sido divulgados, o encontro decorreu num contexto de crescente interesse de grupos internacionais pelo mercado moçambicano, impulsionado pelos sectores de energia, indústria e infra-estruturas.
As audiências concedidas pelo Presidente da República reflectem os esforços do Governo na promoção de um ambiente favorável ao investimento privado, industrialização e criação de emprego, num momento em que Moçambique procura posicionar-se como um dos principais destinos de investimento na região austral de África.
Moçambique e Quirguistão reforçam cooperação diplomática e económica
Daniel Chapo recebeu, ainda esta terça-feira, no seu Gabinete de Trabalho, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da República do Quirguistão, Zheenbek Kulubaev, num encontro orientado para o reforço das relações diplomáticas, económicas e comerciais entre os dois países.
A reunião decorreu no âmbito da aproximação política entre Moçambique e o Quirguistão, num contexto de crescente interesse do país asiático em expandir relações de cooperação com o continente africano.
Durante o encontro, Zheenbek Kulubaev destacou o papel estratégico da cidade de Maputo como um dos principais centros logísticos e económicos da África Austral, sublinhando o potencial da capital moçambicana para impulsionar o comércio regional e internacional.
O chefe da diplomacia quirguiz descreveu Maputo como uma cidade de “história rica, cultura vibrante e atmosfera única de abertura”, elogiando igualmente o processo de modernização urbana e o desenvolvimento das infra-estruturas portuárias em curso no País.
O governante destacou ainda a liderança do Presidente Daniel Chapo, afirmando que o estadista moçambicano é visto no Quirguistão como “um líder de nova geração”, comprometido com reformas económicas e fortalecimento da independência económica de Moçambique.
Segundo Zheenbek Kulubaev, apesar da distância geográfica entre os dois países, o actual contexto internacional cria oportunidades para uma cooperação bilateral mais próxima e vantajosa.
Neste âmbito, o dirigente defendeu que o desenvolvimento de Maputo como porta marítima estratégica de África e da cidade de Bishkek como importante centro de trânsito da Ásia Central poderá abrir novas perspectivas de interacção económica e logística entre as duas regiões.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros do Quirguistão considerou igualmente histórica a sua deslocação a Moçambique, sublinhando que o país se tornou o primeiro destino oficial da sua visita ao continente africano.
Segundo explicou, a deslocação enquadra-se numa nova etapa da política externa quirguiz, marcada por maior aproximação estratégica aos países africanos.
Por sua vez, o Presidente Daniel Chapo reiterou a abertura de Moçambique ao aprofundamento das relações de cooperação com o Quirguistão, incentivando o estabelecimento de parcerias nas áreas económica, logística, energética, comercial e de transportes.
As duas partes manifestaram confiança de que os contactos estabelecidos poderão abrir um novo capítulo nas relações bilaterais, criando bases para um diálogo político regular e para o desenvolvimento de iniciativas de benefício mútuo.
A Administração Nacional de Estradas (ANE) está em confronto com comerciantes instalados na zona da baixa de Nguluzane, no município de Xai-Xai, devido aos valores propostos para indemnização e remoção de barracas situadas em área considerada de intervenção pública.
Os proprietários das barracas exigem compensações entre 100 mil e 350 mil meticais, alegando perdas acumuladas, investimentos feitos ao longo dos anos e ausência de alternativas viáveis de reassentamento. Por sua vez, a ANE afirma estar disposta a pagar um valor fixo de 30 mil meticais por comerciante.
Os vendedores afirmam que os valores propostos não correspondem ao investimento realizado nas estruturas comerciais nem às perdas resultantes da interrupção da actividade.
Celso, um dos comerciantes, afirma que os valores não cobrem sequer parte dos custos investidos ao longo dos anos.
“Eu já investi para o Conselho Municipal mais de 144 mil meticais… querem nos burlar e depois ficar com o dinheiro. Mas nós não vamos sair daqui”, declarou.
Outro comerciante, Maida Dulobo, questiona a ausência de documentação formal sobre o processo de remoção e acusa falta de transparência nas negociações.
“Desde que começamos as reuniões, até hoje, não temos nenhum documento que nos diga que temos que retirar os estabelecimentos”, afirmou.
Já Pedro, também comerciante, defende uma compensação mais elevada ou a reposição integral das estruturas comerciais afectadas.
“A minha proposta é me darem 250 mil meticais ou então implantarem o imóvel igual àquele. 30 mil meticais eu não vou aceitar”, disse.
Alguns vendedores alegam ainda que a actividade comercial no local representa o principal sustento das famílias, criticando a forma como o processo está a ser conduzido.
Do lado da Administração Nacional de Estradas, o delegado da instituição na província de Gaza, Jeremias Mazoio, afirmou que os valores em discussão não constituem indemnizações, mas sim apoio social para reassentamento temporário e reconstrução de pequenas estruturas.
Segundo o responsável, o montante de 30 mil meticais destina-se à aquisição de material básico para a construção de barracas simples em locais alternativos.
“Com 30 mil meticais isso é possível. Não se trata de compensações. Quem estiver disponível aceita o apoio e abandona o local”, afirmou.
A ANE defende ainda que os comerciantes têm liberdade para aceitar ou recusar a proposta, sublinhando que o objectivo é permitir a continuidade das obras de requalificação e intervenção na área.
O caso gerou um impasse entre as partes, com os comerciantes a recusarem abandonar o espaço enquanto não houver um acordo considerado justo e formalizado, e a ANE a manter a posição de que o valor proposto é suficiente para apoiar o reassentamento.
Até ao momento, não há indicação de acordo entre as partes, mantendo-se a tensão sobre o futuro das barracas e a continuidade das obras previstas na zona.
O Governo de Moçambique anunciou ter executado em cerca de 95% o plano de recuperação pós-cheias nos sectores da agricultura e pescas, numa intervenção destinada a apoiar famílias afectadas e assegurar a reposição da produção agrícola perdida no início do ano.
A informação foi avançada pelo ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, durante um balanço preliminar apresentado esta quarta-feira, sem, contudo, detalhar a distribuição dos recursos aplicados no processo de recuperação.
Segundo o governante, o plano teve como principal objectivo evitar a perda da época agrária 2025/2026, garantindo condições mínimas para a retoma da produção em zonas afectadas por inundações registadas no início do ano em várias regiões do país.
O ministro afirmou que o Governo conseguiu assegurar quase a totalidade do financiamento necessário para a implementação das acções previstas, permitindo apoiar agricultores e famílias atingidas pelas cheias.
No entanto, não foram divulgados pormenores sobre a alocação dos fundos nem sobre o número total de beneficiários abrangidos pelo programa de recuperação.
As declarações foram feitas durante a abertura de um diálogo político de alto nível sobre ambiente e alterações climáticas, que contou com a participação de representantes da União Europeia e de várias instituições governamentais moçambicanas.
Na ocasião, o ministro apelou aos parceiros de cooperação para o cumprimento de compromissos financeiros ligados ao financiamento climático, considerados essenciais para reforçar a resiliência do sector agrícola face a eventos climáticos extremos.
O embaixador da União Europeia presente no encontro destacou a importância do diálogo como instrumento para garantir a mobilização de financiamento e a resolução de desafios estruturais no sector ambiental e agrícola.
O evento contou ainda com a participação de representantes dos ministérios da Planificação e Desenvolvimento e dos Recursos Minerais e Energia, entre outras entidades públicas e parceiros de cooperação.
As autoridades presentes sublinharam a necessidade de reforçar a coordenação institucional e a eficiência na gestão dos recursos destinados à adaptação climática e à recuperação pós-desastres naturais.
Moçambique continua entre os países mais vulneráveis a eventos climáticos extremos, incluindo cheias e ciclones, que afectam regularmente a produção agrícola e a segurança alimentar de milhares de famílias, sobretudo nas zonas rurais.
A recuperação do sector agrícola após desastres naturais tem sido apontada como uma das prioridades do Governo, num contexto em que a dependência da agricultura de subsistência torna muitas comunidades particularmente expostas a choques climáticos.
O balanço apresentado pelo Executivo surge num momento em que se intensificam os debates sobre financiamento climático e necessidade de maior previsibilidade nos mecanismos de apoio internacional ao desenvolvimento agrícola sustentável no País.
A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) graduou esta quarta-feira um total de 776 estudantes, entre licenciados, mestres e doutores, numa cerimónia marcada por emoção, reconhecimento académico e apelos à responsabilidade social e profissional dos novos graduados.
O evento, realizado na cidade de Maputo, reuniu estudantes, familiares, docentes e autoridades governamentais, num ambiente de celebração que simbolizou a conclusão de uma etapa académica e o início da transição para o mercado de trabalho.
Entre os novos profissionais formados, destacam-se graduados em áreas como Medicina e Geologia Aplicada, que manifestaram entusiasmo, mas também preocupação com as oportunidades de inserção profissional.
Chelsea Macandza, licenciada em Medicina, sublinhou a necessidade de criação de mais oportunidades no sector da saúde.
“Há muita demanda de médicos que precisa de ser satisfeita. Esperamos que as oportunidades cheguem a todos nós”, afirmou.
Já Irene Massinga destacou o compromisso dos recém-formados com o serviço à população, apesar dos desafios enfrentados pelo sector da saúde.
Na ocasião, a Ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela, incentivou os graduados a apostarem no empreendedorismo e na criação de autoemprego como resposta aos desafios do mercado laboral.
A governante defendeu que o conhecimento adquirido pelos jovens deve ser transformado em iniciativas produtivas capazes de impulsionar o desenvolvimento económico do País.
“O emprego está à espera de vós. A questão é como. Podemos, acima de tudo, promover o autoemprego”, afirmou.
Samaria Tovela destacou ainda o papel do Fundo de Desenvolvimento Local como uma oportunidade para que os jovens possam criar pequenas empresas, com potencial de crescimento e impacto nas comunidades.
O Reitor da universidade, Manuel Guilherme Jr., apelou aos graduados para que aliem o conhecimento académico a valores como humildade, ética e dedicação profissional.
“Procurem ser cidadãos plenos de responsabilidade, humildade e respeito ao próximo. Valorizem a honestidade e o trabalho árduo”, disse.
O dirigente recordou ainda que o sucesso exige esforço contínuo, sublinhando que a formação académica deve ser acompanhada de compromisso pessoal e profissional.
Na qualidade de padrinho dos graduados, o professor catedrático e médico cardiologista Albertino Damasceno alertou para comportamentos de risco entre jovens, especialmente o consumo excessivo de álcool, apelando a uma mudança de mentalidade nesta nova geração.
O académico destacou que o consumo abusivo de álcool pode comprometer o desempenho profissional e a saúde, embora tenha reconhecido a necessidade de moderação.
Num contexto de rápida evolução tecnológica e crescimento da inteligência artificial, as autoridades governamentais reforçaram a importância de os recém-graduados adoptarem ferramentas digitais e inovação tecnológica como parte da sua adaptação ao mercado de trabalho.
A aposta em competências digitais é vista como essencial para aumentar a competitividade dos jovens moçambicanos e responder às exigências de uma economia em transformação.
A Autoridade Tributária de Moçambique e representantes dos principais operadores económicos ligados à Associação Moçambicana dos Operadores Petrolíferos (AMOP) defenderam, esta quarta-feira, o reforço da cooperação institucional como instrumento fundamental para a melhoria do ambiente de negócios e fortalecimento da actividade empresarial no País.
O posicionamento foi manifestado durante um encontro realizado entre a administração tributária e os quatro maiores operadores associados da AMOP, numa reunião que teve como foco principal o aprofundamento do diálogo institucional e a identificação de mecanismos que permitam aumentar a eficiência operacional do sector petrolífero em Moçambique.
Durante o encontro, as partes analisaram os principais desafios enfrentados pelos operadores económicos no exercício das suas actividades, sobretudo no que diz respeito aos procedimentos fiscais e aduaneiros, considerados estratégicos para garantir maior competitividade e dinamismo ao sector.
A reunião serviu igualmente para discutir medidas orientadas para a criação de um ambiente mais favorável ao investimento privado, promoção da fluidez nos processos administrativos e fortalecimento da cooperação entre o Estado e o sector empresarial.
Na ocasião, a Autoridade Tributária reiterou a sua abertura para o diálogo contínuo com o sector privado, destacando que a colaboração institucional constitui um elemento essencial para impulsionar o crescimento económico, promover a sustentabilidade das empresas e aumentar a confiança dos investidores.
Segundo a instituição, o reforço da articulação entre as entidades públicas e os operadores económicos poderá contribuir para uma maior eficiência dos processos fiscais e aduaneiros, reduzindo constrangimentos operacionais e criando condições mais estáveis para o desenvolvimento da actividade empresarial.
Por sua vez, os representantes da AMOP manifestaram satisfação pelos resultados do encontro, considerando que a aproximação entre as instituições representa um passo importante na identificação conjunta de soluções para os desafios que afectam o sector petrolífero nacional.
A associação entende que o diálogo permanente entre a administração tributária e os operadores económicos poderá favorecer a implementação de medidas capazes de melhorar o ambiente de negócios, estimular investimentos e reforçar a competitividade das empresas moçambicanas.
O sector petrolífero continua a desempenhar um papel estratégico na economia nacional, num momento em que Moçambique procura consolidar-se como um dos principais mercados emergentes de energia na região austral de África, impulsionado pelos investimentos em hidrocarbonetos e infra-estruturas energéticas.