FEMATRO mantém negociações com o Governo sobre o aumento dos preços, numa altura em que os transportadores estão divididos quanto à proposta de incremento de cinco meticais e à reivindicação de 20 meticais.
O preço dos transportes públicos poderá agravar-se a partir de 1 de Novembro, no contexto das negociações entre a Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO) e o Governo sobre as compensações aos operadores.
Apesar de ainda não haver uma data definida para o pagamento das compensações, os transportadores continuam divididos quanto à proposta de incremento de cinco meticais nas tarifas. Enquanto uma parte admite aceitar o valor, desde que se mantenha o subsídio atribuído pelo Governo, outros defendem a proposta submetida pela FEMATRO, que prevê um aumento de 20 meticais.
Perante a falta de consenso, a Federação anunciou que vai retomar as negociações com o Executivo, com vista à identificação de uma solução que responda às preocupações dos transportadores e dos passageiros.
A indefinição em torno das compensações e do reajustamento das tarifas surge numa altura em que havia uma tendência de paralisação dos transportes para segunda-feira, 12 de Outubro. Entretanto, a FEMATRO apelou aos operadores para não avançarem com a suspensão das actividades, defendendo a continuidade do diálogo com o Governo.
Segundo a Federação, os transportadores deram um voto de confiança à sua direcção para prosseguir com as negociações. O ponto de situação deverá ser apresentado numa nova reunião, marcada para 26 de Outubro.
A FEMATRO considera que o aumento das tarifas é necessário para garantir a rentabilidade da actividade e melhorar as condições de operação do transporte público no país. A Federação defende que os operadores precisam de receitas suficientes para continuar a prestar serviços e assegurar condições de trabalho adequadas.
Entretanto, o eventual agravamento dos preços poderá representar um encargo adicional para os passageiros, que aguardam por uma solução para o diferendo entre os transportadores e o Governo.
Dados preliminares do Instituto Nacional de Estatística (INE), publicados recentemente, demonstram que a forte dependência no sector extractivo voltou a cobrar o seu preço à economia moçambicana no arranque de 2026.
Entre Janeiro e Março deste ano, a produção mineira registou uma queda de 21,6%, comparativamente ao mesmo período do ano de 2025. Com a queda acentuada na produção mineira, o crescimento económico foi bastante afectado.
O que se verificou foi um autêntico contraste no primeiro trimestre. Enquanto o comércio e os serviços tentavam impulsionar a economia, a indústria extractiva, um dos motores de crescimento, sofreu uma contracção expressiva.
Trata-se de um cenário que traz à tona os apelos que têm sido feitos por vários quadrantes da sociedade sobre a necessidade da diversificação da economia nacional. Quando a indústria extractiva perde fôlego, o impacto é imediato.
Embora a mineração tenha registado uma queda, a economia não entrou em terreno negativo graças ao desempenho vigoroso do sector terciário. A hotelaria, a restauração e o comércio demonstraram uma vitalidade surpreendente.
O declínio na indústria extractiva não é um evento isolado. Funciona como um alerta sobre a fragilidade de um modelo de desenvolvimento vulnerável às oscilações do mercado internacional de matérias-primas.
O consumo das famílias registou uma subida expressiva, indicando que o poder de compra, ou a disposição para gastar, se manteve firme neste início de ano. “O consumo final registou uma variação positiva de 12.9% no 1º trimestre”.
O aumento do consumo das famílias, o dinheiro que circula no dia-a-dia, na compra de bens e serviços, foi a boia de salvação que impediu a economia de afundar, isto é, de retrair, como aconteceu nos primeiros nove meses de 2025.
“Este desempenho foi influenciado pelo aumento do consumo privado, componente de maior peso na demanda interna e no PIB, que, no período em análise, registou variação positiva de 15.2%”, refere o relatório do INE.
Entretanto, o nível de investimento na economia registou uma redução significativa, o que sugere que as empresas e os investidores estão a adoptar uma postura de “espera”, evitando grandes gastos num momento de incerteza.
“A Formação Bruta de Capital registou uma variação de menos 39.1%. As exportações registaram um fraco desempenho ao se situar em menos 7.8% no período em análise”, indicam os dados do Instituto Nacional de Estatística.
Os dados do INE reforçam os alertas recentes do Fundo Monetário Internacional e do Standard Bank sobre as pressões fiscais significativas na economia, os desafios ligados às calamidades e os efeitos do conflito no Médio Oriente.
O cenário de recuperação lenta sugere uma abordagem coordenada entre o sector público e o privado para dinamizar a capacidade produtiva e mitigar riscos fiscais.
O preço do petróleo voltou a cair, nesta quinta-feira, no mercado internacional, após a reabertura gradual do Estreito de Ormuz, uma das mais importantes rotas marítimas para o transporte mundial de crude.
O barril de Brent desceu de cerca de 80 dólares, registados durante o período de maior tensão no Médio Oriente, para aproximadamente 72,5 dólares.
A queda dos preços surge na sequência da retoma da circulação de navios petroleiros no Estreito de Ormuz, depois do acordo de cessar-fogo entre o Irão e Israel, mediado pelos Estados Unidos. Durante o conflito, os receios de um eventual bloqueio da passagem fizeram disparar os preços do petróleo, devido ao risco de interrupção do abastecimento mundial.
O Estreito de Ormuz, localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, é considerado um dos corredores energéticos mais estratégicos do mundo. Cerca de 20% do petróleo consumido globalmente passa diariamente por esta via marítima, utilizada por alguns dos maiores produtores mundiais, como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Kuwait, o Iraque e o Irão.
Com a reabertura da rota, dezenas de navios que permaneciam retidos retomaram as viagens, aumentando rapidamente a oferta de petróleo no mercado internacional. O regresso das exportações reduziu os receios de escassez e devolveu maior confiança aos investidores, levando à descida das cotações do crude.
Além da recuperação da oferta, a procura mundial continua relativamente moderada, sobretudo na China, um dos maiores consumidores de petróleo. A combinação entre maior disponibilidade de crude e uma procura menos intensa contribuiu para acelerar a queda dos preços.
Segundo analistas, o mercado eliminou praticamente todo o chamado “prémio de risco” associado ao conflito no Médio Oriente. As cotações regressaram para níveis próximos dos registados antes da escalada militar, reflectindo uma maior confiança na estabilidade do abastecimento internacional.
Apesar da tendência de descida, especialistas alertam que a situação continua sensível. A navegação no Estreito de Ormuz ainda decorre sob fortes medidas de segurança e qualquer novo incidente na região poderá voltar a provocar volatilidade nos mercados e fazer subir os preços do petróleo.
Seis corpos de cidadãos moçambicanos mortos durante ataques xenófobos na África do Sul já foram transladados para o país, e todos eles são da província de Gaza e os enterros já foram realizados.
A informação foi avançada pela Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Moçambicanas no Exterior, Maria de Fátima, esta quinta-feira, que anunciou também que cerca de 500 cidadãos deverão regressar a Moçambique nos próximos dias, no âmbito do processo de repatriamento.
Até aqui, pelo menos 1000 cidadãos já foram repatriados e conforme garantiu a governante, neste momento, trabalha-se para assistir os repatriados, devido à onda de ataques contra cidadãos estrangeiros na África do Sul.
Por terem permanecido na África do Sul em situação irregular, esses cidadãos ficam proibidos de regressar àquele país durante, pelo menos, os próximos cinco anos. Entretanto, a Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Moçambicanas no Exterior garante que decorrem negociações com o governo sul-africano sobre esta matéria.
“Estamos a trazer à mesa de negócio este aspecto, porque de facto, nós temos pessoas que estavam lá a trabalhar apesar de estarem indocumentados e, estamos a trabalhar no sentido de legalizar a permanência destes cidadãos moçambicanos na África do Sul. Eles vão continuar lá mas aqueles que não estão legais têm que voltar para legalizar a situação e enquanto isto estamos a negociar com a parte sul africana se poderão voltar ou não”, explicou Maria de Fátima.
Por outro lado, a Ministra do Trabalho, Ivete Alane, apelou aos cidadãos que pretendem emigrar para que o façam por vias legais, de modo a evitar situações de risco e vulnerabilidade.
A tensão na África do Sul aumentou depois de movimentos anti-imigração terem definido o dia 30 de Junho como prazo para que cidadãos estrangeiros sem documentação abandonem o país.
O Presidente da República recebeu, nesta quarta-feira, uma carta do seu homólogo da República Árabe Saharauí Democrática, Brahim Ghali, na qual este manifesta gratidão pelo apoio que Moçambique tem prestado à causa da autodeterminação do povo saharauí.
A mensagem foi entregue pelo representante especial do Presidente saharauí, Mohamed Yeslem Beisat, durante uma audiência concedida pelo Chefe do Estado moçambicano, Daniel Chapo, em Maputo.
Falando à imprensa após o encontro, o emissário explicou que a carta aborda os mais recentes desenvolvimentos da luta do povo saharauí, bem como questões relacionadas com a cooperação bilateral entre os dois países.
Segundo Mohamed Yeslem Beisat, a mensagem expressa o reconhecimento da República Árabe Saharauí Democrática pelo apoio constante de Moçambique à causa da liberdade, libertação e autodeterminação do povo do Sahara Ocidental.
“O Presidente Brahim Ghali agradece ao Presidente Daniel Chapo e à República de Moçambique pelo apoio permanente à luta do povo saharauí pela liberdade e autodeterminação”, afirmou o diplomata.
Durante o encontro, as duas partes passaram igualmente em revista assuntos de interesse comum, com destaque para o reforço das relações de amizade e cooperação entre os dois Estados.
Moçambique mantém, desde há vários anos, uma posição de apoio ao direito do povo saharauí à autodeterminação, defendendo uma solução pacífica para a questão do Sahara Ocidental, em conformidade com os princípios das Nações Unidas e da União Africana.
A audiência serviu, assim, para reafirmar os laços históricos de solidariedade e cooperação que unem os dois países.
O país africano deu mais um passo na consolidação da sua indústria petrolífera com a aprovação do investimento final para o desenvolvimento do projecto Greater PAJ, avaliado em 5,1 mil milhões de dólares. Trata-se de um dos maiores investimentos que deverão ser realizados no sector petrolífero africano e que se espera que reforce a produção de crude do País a partir de 2029.
O projecto será desenvolvido pela Azule Energy, uma empresa formada pela BP e Eni, em parceria com a Sonangol e outras companhias internacionais. Localizado na Bacia do Baixo Congo, em águas ultraprofundas ao largo da costa angolana, o empreendimento reúne cinco campos petrolíferos e aposta numa solução integrada para reduzir custos e aumentar a eficiência operacional.
O plano prevê a perfuração de 17 poços, ligados a uma plataforma flutuante de produção, armazenamento e descarga de petróleo (FPSO), com capacidade para produzir até 95 mil barris de petróleo por dia. Além do crude, a infra-estrutura permitirá o aproveitamento de gás natural associado, que será encaminhado para a fábrica Angola LNG, contribuindo para reduzir o desperdício e aumentar o valor económico da produção.
As reservas recuperáveis do projecto estão estimadas em cerca de 252 milhões de barris de petróleo, sendo a entrada em produção comercial prevista para o primeiro semestre de 2029.
Para o governo angolano, este investimento representa um passo importante para travar o declínio natural da produção petrolífera registado nos últimos anos. O país tem vindo a implementar reformas fiscais e regulatórias para atrair novos investimentos internacionais e manter a produção acima de um milhão de barris por dia, numa altura em que vários campos maduros apresentam sinais de esgotamento.
A decisão de avançar com o Greater PAJ surge também num contexto de recuperação do investimento global na indústria petrolífera, impulsionado pela procura crescente de energia e pela necessidade de garantir segurança no abastecimento dos mercados internacionais.
Durante a fase de construção e desenvolvimento, o projecto deverá mobilizar milhares de trabalhadores e envolver empresas locais na prestação de serviços de engenharia, logística, manutenção e apoio técnico, gerando impacto positivo na economia angolana.
A aprovação do investimento reforça igualmente a confiança das grandes petrolíferas internacionais no potencial energético de Angola, que continua a ocupar uma posição de destaque entre os maiores produtores de petróleo de África.
O ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Mateus Saize, afirmou esta quinta-feira que Moçambique está a implementar reformas estruturais para acelerar a transformação digital do sector da justiça, com vista a melhorar o acesso dos cidadãos aos serviços públicos, reforçar a transparência e aumentar a eficiência institucional.
Intervindo no XIV Fórum Jurídico Internacional, que decorre em São Petersburgo, na Federação da Rússia, Saize explicou que a transformação digital constitui uma das prioridades do Plano Estratégico 2025-2034 do Ministério, orientado para o fortalecimento do acesso à justiça e do Estado de Direito.
Segundo o governante, as reformas abrangem áreas como os processos de nacionalidade, os serviços de registo civil e notariado, o registo de entidades legais, predial, automóvel e criminal, bem como o sistema penitenciário.
Entre os avanços alcançados, o ministro destacou a aprovação da Lei da Tramitação Electrónica dos Processos Judiciais, em 2024, considerada um marco na modernização da administração da justiça. Referiu igualmente que todas as áreas de registo dispõem actualmente de bases de dados digitais e que cerca de 74 por cento dos processos de registo de entidades legais já são submetidos por via electrónica.
Apesar dos progressos, Saize reconheceu que a insuficiência de recursos financeiros continua a constituir um dos principais desafios para a concretização das metas definidas para a transformação digital do sector.
O ministro sublinhou ainda que a inovação tecnológica deve caminhar lado a lado com a protecção de dados pessoais, a cibersegurança e a defesa dos direitos fundamentais. Neste âmbito, anunciou que as leis sobre segurança cibernética e crimes cibernéticos já foram aprovadas e se encontram em fase de publicação.
Durante a sua intervenção, o governante manifestou igualmente o interesse de Moçambique em reforçar a cooperação internacional em áreas emergentes como a governação digital, a inteligência artificial e a segurança do ciberespaço, defendendo a partilha de experiências e boas práticas para acelerar a modernização dos sistemas de justiça.
Mateus Saize concluiu reafirmando o compromisso de Moçambique com a construção de uma justiça moderna, inclusiva e resiliente, assente na inovação tecnológica, no respeito pelos direitos humanos e na cooperação entre os Estados.
Um terramoto de magnitude 7,2 seguido, menos de um minuto depois, por um tremor de magnitude 7,5 causou 164 mortos e milhares de feridos, na venezuela, segundo escreve o Jornal Observador. Autoridades e cidadãos tentam resgatar sobreviventes.
Os sismos, de magnitude 7,2 e 7,5, com epicentro a oeste da localidade de Morón, na costa caraibenha do país, cerca de 168 quilómetros a oeste de Caracas. O sismo ocorreu a uma profundidade de 22 quilómetros.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, avançou que se registaram pelo menos 164 mortos e mais de 971 feridos, até ao momento.
O Presidente da República recebeu, esta quarta-feira, uma carta do seu homólogo da República Árabe Saharauí Democrática, Brahim Ghali, na qual este manifesta gratidão pelo apoio que Moçambique tem prestado à causa da autodeterminação do povo saharauí.
A mensagem foi entregue pelo representante especial do Presidente saharauí, Mohamed Yeslem Beisat, durante uma audiência concedida pelo Chefe do Estado moçambicano, Daniel Chapo, em Maputo.
Falando à imprensa após o encontro, o emissário explicou que a carta aborda os mais recentes desenvolvimentos da luta do povo saharauí, bem como questões relacionadas com a cooperação bilateral entre os dois países.
Segundo Mohamed Yeslem Beisat, a mensagem expressa o reconhecimento da República Árabe Saharauí Democrática pelo apoio constante de Moçambique à causa da liberdade, libertação e autodeterminação do povo do Sahara Ocidental.
“O Presidente Brahim Ghali agradece ao Presidente Daniel Chapo e à República de Moçambique pelo apoio permanente à luta do povo saharauí pela liberdade e autodeterminação”, afirmou o diplomata.
Durante o encontro, as duas partes passaram igualmente em revista assuntos de interesse comum, com destaque para o reforço das relações de amizade e cooperação entre os dois Estados.
Moçambique mantém, desde há vários anos, uma posição de apoio ao direito do povo saharauí à autodeterminação, defendendo uma solução pacífica para a questão do Sahara Ocidental, em conformidade com os princípios das Nações Unidas e da União Africana.
A audiência serviu, assim, para reafirmar os laços históricos de solidariedade e cooperação que unem os dois países.
O Provedor de Justiça, Isaque Chande, afirmou que os 51 anos da Independência Nacional representam um marco importante na história de Moçambique, assinalado por conquistas significativas, mas também por desafios que continuam a exigir o empenho de todos os cidadãos.
Falando à margem das celebrações do 25 de Junho, o Provedor de Justiça destacou os progressos alcançados pelo País, particularmente nos sectores da Educação e da Saúde, apontando a histórica Geração 8 de Março como um dos símbolos da aposta na formação de quadros nacionais após a Independência.
“Houve avanços significativos na educação e na saúde. A Geração 8 de Março continua a ser uma referência histórica e um exemplo dos resultados alcançados pelo País ao longo destes anos”, afirmou.
Apesar dos progressos registados, o Provedor de Justiça considerou que Moçambique continua a enfrentar desafios importantes, com destaque para a necessidade de reforçar a produção nacional e garantir a segurança alimentar da população.
Segundo defendeu, o aumento da produção constitui um factor essencial para assegurar que nenhuma criança moçambicana passe fome ou fique privada de alimentos.
“O desafio passa por aumentar a produção nacional para garantir melhores condições de vida para todos os moçambicanos. Isso só será possível com o envolvimento de cada cidadão no esforço de desenvolvimento do País”, sublinhou.
O Provedor de Justiça manifestou ainda confiança de que, com o empenho colectivo e a participação activa da população, Moçambique poderá alcançar melhores resultados nos próximos anos e consolidar os ganhos obtidos desde a proclamação da Independência Nacional.
As declarações foram feitas no âmbito das comemorações dos 51 anos da Independência Nacional, celebrados sob o signo da reflexão sobre o percurso do País e os desafios do seu desenvolvimento.