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O País – A verdade como notícia

A renúncia de Nchimbi e o futuro da administração de Samia Suluhu Hassan

O Vice-Presidente da Tanzânia, Emmanuel Nchimbi, apresentou a sua demissão, anunciando o afastamento definitivo da vida política activa e do serviço público. Nchimbi declarou estar convicto de que a Presidente Samia Suluhu Hassan pretendia a nomeação de um sucessor diferente para o cargo. A saída, que se tornará efectiva no dia 4 de Setembro, ocorre num momento de notória crispação política e de renovadas dúvidas sobre a liberdade de imprensa no país.

O anúncio foi formalizado na terça-feira, dia 25 de Agosto, tendo Nchimbi comunicado por escrito à Chefe de Estado a sua decisão. O governante revelou ter prometido, em Agosto de 2025, que renunciaria caso a Presidente desejasse um Vice-Presidente diferente, convicção que afirma agora possuir “sem sombra de dúvida”. 

Esta decisão surge poucas semanas após as autoridades terem suspendido, por um período de seis meses, a licença de publicação do jornal crítico MwanaHALISI, que havia noticiado resistências de Nchimbi face às pressões para a sua saída, sugerindo um desentendimento entre ambos. As autoridades alegaram que a publicação violou os padrões profissionais de precisão e imparcialidade.

A gestão da Presidente Samia Suluhu Hassan, que obteve uma vitória eleitoral esmagadora com 98% dos votos, tem sido alvo de severas críticas por observadores internacionais, agravadas pelos distúrbios que, após a última elecção, resultaram na morte de centenas de cidadãos. 

Embora inicialmente elogiada pela abertura democrática e pela menor restrição aos partidos da oposição e aos órgãos de comunicação social, a administração de Hassan é agora acusada pelos seus críticos de regressar às políticas restritivas que caracterizaram o consulado do seu antecessor, John Magufuli. Actualmente, a Tanzânia ocupa a 117.ª posição num total de 180 países no índice de liberdade de imprensa.

A vacatura no cargo de Vice-Presidente impõe agora à Presidente o complexo desafio de proceder a uma nova escolha num cenário político extremamente sensível. A retirada de Nchimbi, após menos de um ano no exercício de uma das funções mais elevadas do Estado, confere uma camada adicional de incerteza à estabilidade política da Tanzânia. 

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