Cerca de uma em cada quatro mulheres grávidas no distrito de Quelimane, província da Zambézia, não recebeu com satisfação a confirmação da gravidez, segundo um estudo do Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM), que aponta as adolescentes e a falta de apoio dos parceiros como alguns dos principais factores associados a essa realidade.
A investigação concluiu que 24,5% das 1.546 mulheres inquiridas afirmaram não se ter sentido felizes quando souberam que estavam grávidas. Entre as adolescentes, essa percentagem ascendeu a 42,2%, enquanto entre as mulheres cujos parceiros manifestaram insatisfação com a gravidez atingiu 74,5%. Já entre aquelas que não mantinham diálogo com os companheiros sobre questões reprodutivas, a proporção foi de 48,9%.
O estudo analisou dados recolhidos entre 2023 e 2024 através do Sistema de Vigilância de Gravidezes (PregSurv), implementado no âmbito da Plataforma de Vigilância Demográfica e de Saúde de Quelimane.
Segundo os investigadores, as principais razões apontadas pelas mulheres para a falta de satisfação com a gravidez foram o facto de esta não ter sido planeada (30,2%), tratar-se de uma gravidez indesejada (26,5%) e o receio das consequências que poderia trazer para as suas vidas (17,7%). Foram ainda referidos o curto intervalo entre gravidezes e a decisão de não querer ter mais filhos.
Entre as participantes que afirmaram ter recebido a notícia com felicidade, as razões mais frequentes foram o desejo de ter um filho (34,1%), a percepção da gravidez como uma bênção ou uma boa surpresa (28,5%) e a vontade de aumentar a família (24,7%).
O estudo avaliou igualmente a reacção dos parceiros. Cerca de 16,9% das mulheres indicaram que os companheiros não ficaram satisfeitos com a gravidez. Nestes casos, as razões mais apontadas foram tratar-se de uma gravidez indesejada (30,2%), não planeada (29,0%) ou ocorrer pouco tempo após uma gravidez anterior (3,4%).
Entre os parceiros que acolheram positivamente a gravidez, 43% manifestaram o desejo de ter um filho, 21,8% afirmaram querer aumentar a família e 12% preparavam-se para ser pais pela primeira vez.
Apesar de 97,3% das mulheres referirem que os parceiros aceitaram a gravidez, o estudo identificou situações de rejeição. Entre os companheiros que recusaram assumir a gravidez, 39% não quiseram aceitar responsabilidades parentais e 34,2% alegaram não ser os pais da criança. Cerca de 26,2% das mulheres abandonadas durante a gravidez afirmaram desconhecer os motivos dessa decisão.
Para Ariel Nhacolo, os resultados evidenciam a necessidade de reforçar intervenções dirigidas não apenas às mulheres, mas também aos seus parceiros, promovendo uma abordagem centrada no casal.
“A comunicação entre os parceiros, o apoio emocional e o envolvimento de ambos nas decisões relacionadas com a gravidez são factores determinantes para melhorar a saúde materna e infantil”, refere o investigador.
A investigação identificou igualmente as adolescentes como o grupo mais vulnerável, apresentando níveis mais elevados de gravidezes não intencionais, menor conhecimento sobre métodos contraceptivos modernos e menor comunicação com os parceiros sobre planeamento familiar.
Os autores defendem que uma melhor compreensão da forma como as mulheres vivem emocionalmente o início da gravidez poderá contribuir para o reforço dos programas de saúde materna e infantil, recomendando uma maior participação dos parceiros nas consultas pré-natais e nas acções de aconselhamento, bem como uma atenção reforçada às adolescentes e às mulheres em situação de maior vulnerabilidade.
O estudo foi desenvolvido no âmbito da Rede CHAMPS, financiada pela Fundação Gates através da Universidade Emory, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica BMC Pregnancy and Childbirth. Além do CISM, participaram investigadores do Instituto Nacional de Saúde, do ISGlobal, do Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane, da Universidade de Barcelona, da Universidade de Washington e de outras instituições parceiras.
A empresa acusada de fechar as portas sem aviso prévio e pagamento de indemnizações na Matola nega as acusações e diz estar apenas a requalificar-se. O patronato assegura que vai pagar as indemnizações em caso de rescisão de contratos.
No domingo, um grupo de 13 trabalhadores pertencentes a uma empresa de produção de cobre queixou-se de abandono por parte do seu patronato sem pré-aviso, nem pagamento de indemnizações.
Esta terça-feira, o gerente da firma reagiu às contestações e disse tratar-se de um mal-entendido, pois o que está em curso é a reestruturação.
“A empresa não está a fechar as portas, estamos no processo de reestruturação. Uma vez que existe insegurança, estamos dispostos a pagar a indemnização”, disse Grid Congolo, gerente da empresa.
Segundo o gerente, a reestruturação da empresa em curso é o que terá gerado rumores de encerramento das portas.
E porque há ainda insegurança por parte de alguns trabalhadores, esta quarta-feira irá iniciar o processo de rescisão de contratos com o pagamento de indemnizações.
“A empresa decidiu que cada um terá a sua situação contratual regularidade, quem quiser rescindir tem a liberdade e terá os seus direitos salvaguardados, quem quiser continuar também terá esse espaço”, explicou a fonte.
Enquanto as indemnizações não forem pagas, os trabalhadores dizem que um dos contentores vai continuar retido.
A empresa situada no Município da Matola é gerida por um patronato estrangeiro.
O Governador da Província de Maputo inaugurou, hoje, o Centro de Saúde da Liberdade. Entretanto, os munícipes pedem a construção de uma maternidade e de bancos de socorros.
As obras de requalificação do Centro de Saúde da Liberdade arrancaram em Maio do ano passado com vista a reforçar os serviços de saúde aos munícipes, que, durante muito tempo, eram obrigados a deslocar-se para outros bairros.
Depois de reabilitada, a unidade sanitária foi inaugurada esta terça-feira pelo governador da Província de Maputo, Júlio Parruque, que, na ocasião, explicou que a infra-estrutura é uma mais-valia para a melhoria dos serviços sanitários naquele ponto do país.
“Trata-se de um tipo de construção que era uma residência, hoje tem características e aspectos, imagem e linguagem de uma unidade sanitária. É uma entidade pública aberta para todos nós.”
A infra-estrutura está avaliada em cerca de 15 milhões de Meticais e vai beneficiar mais de 70 mil pessoas. Segundo avançou Parruque, “é uma obra que não vai carecer de muita assistência e manutenção regular, pois temos obras em betão, por exemplo, numa classe recomendada, para ser resiliente. Temos condições de conforto para os utentes, temos sistema de segurança instalado, como forma também de garantir a integridade dos medicamentos, equipamentos e toda a infra-estrutura”.
Com a requalificação, o Centro de Saúde da Liberdade passou a ter o primeiro piso e mais compartimentos.
Entretanto, os utentes lamentam ainda a falta dos serviços de banco de socorros e de maternidade, segundo explicou o director da unidade sanitária.
“A ansiedade desta comunidade é ver a maternidade e o banco de socorros, porque, neste momento, não estamos a fornecer esses serviços, e os utentes devem recorrer aos centros de saúde circunvizinhos.”
O centro de saúde vai também beneficiar moradores dos bairros circunvizinhos.
O novo Presidente da Libéria, Joseph Boakai, tomou posse na segunda-feira, após uma vitória apertada nas eleições de Novembro. Durante a cerimónia, o presidente eleito passou mal e foi forçado a interromper o discurso.
De acordo com a imprensa internacional, a cerimónia terminou depois de Boakai começar a mostrar sinais de sofrimento físico enquanto falava. As autoridades o levaram para fora do pódio depois que ele tentou, sem sucesso, continuar seu discurso.
Um porta-voz do partido político de Boakai disse que a fraqueza do Presidente foi causada pelo calor e não teve nada a ver com a sua saúde.
Boakai rejeitou as preocupações sobre a sua idade, argumentando que ela veio acompanhada de uma riqueza de experiência e conquistas que beneficiariam o país.
Boakai, que aos 79 anos se tornou o presidente mais velho do país, prometeu unir e resgatar a república mais antiga de África dos seus problemas económicos.
“Só pessoas unidas podem construir uma nação. E para onde planeamos levar a Libéria nos próximos seis anos? Devemos reorientar a nossa energia política”, disse Boakai aos cidadãos e membros da delegação estrangeira que participaram na sua cerimónia de inauguração em Monróvia, capital da Libéria.
Nas suas primeiras palavras como Presidente, ele listou como prioridades melhorar a adesão ao Estado de direito, combater a corrupção e renovar a esperança dos cidadãos.
Boakai venceu um segundo turno acirrado para derrotar o presidente mais jovem de todos os tempos da Libéria, George Weah.
Terminou, segunda-feira, a participação dos Mambas no Campeonato Africano de Futebol (CAN). Não poderia ter sido doutra maneira. A selecção nacional arrastou consigo um gigante do futebol africano, o Gana.
Um empate a duas bolas, porém irrisório nas contas finais, amputou o sonho de uma nação, que perante as bem conseguidas exibições do conjunto moçambicano mantinha acesa a sagrada esperança de sonhar com um lugar na fase seguinte da prova.
Contas à parte, a verdade é que, vista à lupa, a participação dos Mambas no CAN deixou muitas lições, que, bem aproveitadas, podem tornar o país mais respeitado ainda. Moçambique não deve nada a ninguém no contexto do futebol africano.
África e o mundo testemunharam o quanto a obstinação pode aglutinar sentimentos, afagar corações e, mais do que isso, fazer levitar uma nação antes vista a palmilhar num asfalto com sola gasta. Doravante, já não se pode falar do futebol do “Berço da Humanidade” e simplesmente fingir-se “demência” perante a existência de uma bandeira com cores reluzentes.
Moçambique exibiu-se, não apenas pelo esteticismo e sinfonia do Hino Nacional, a Pátria Amada, mas também pela vontade de querer fazer história, de construir uma nação convergente e, sobretudo, de carregar um sonho dos mais de 30 milhões de moçambicanos numa só força. A prestação da selecção nacional no CAN pode ser vista em três dimensões: tentativa, queda e superação!
TENTATIVA
Arredados do convívio dos grandes há 14 anos, os Mambas voltaram, meritoriamente, a fazer parte da plêiade do futebol africano. Calhou-nos um colosso para orientar o baptismo do nosso regresso à maior festa do desporto-rei a nível continental: o Egipto.
Era expectável, olhando para o seu palmarés, que os “faraós” despachassem os Mambas. Moçambique apresentou-se destemido, mais confiante no seu trabalho e longe dos complexos de inferioridade. Masoquista e habituada a dar a volta por cima, a selecção nacional sofreu um revés ainda na alvorada do jogo, ao consentir um golo.
Os Mambas não desistiram da luta. Foram atrás do prejuízo e, como sempre, o esforço é recompensado. O combinado nacional chegou ao empate através de Witti. Tudo em aberto. Autêntica bala de prata de Chiquinho Conde, Clésio Baúque, com uma nota artística, deu viragem ao marcador, apontando o segundo tento para o conjunto moçambicano.
Era o renascer da esperança. Com muita galhardia, os jogadores deixaram tudo em campo, mas, num lance estranho, o árbitro da partida, com a ajuda do videoárbitro, viria a sentenciar a partida. Coube a Mahomed Salah, estrela do gigante Liverpool, assinar a sentença, convertendo a grande penalidade. Foi doloroso!
O empate a duas bolas castigava o esforço dos Mambas, que tentaram tombar um gigante africano. Tentaram, acima de tudo, abrir uma nova página no histórico de participações no CAN. Moçambique esteve perto de alcançar a sua primeira vitória na prova. Ficou a tentativa.
QUEDA
Depois do agridoce empate diante do Egipto, a selecção nacional tinha pela frente o Cabo Verde, numa autêntica “cimeira” lusófona. Os cabo-verdianos vinham de uma vitória diante do poderoso Gana.
Moçambique tinha noção de que, vencendo esta partida, tinha uma réstia de luz para sonhar com uma possível qualificação para os oitavos-de-finais, embora para tal fosse imperioso derrotar o Gana na última jornada do grupo. Os “Tubarões Azuis” apresentaram-se na sua melhor versão, ainda que longe de um futebol arrebatador.
Um erro clamoroso de Ernani Siluane permitiu que os cabo-verdianos se adiantassem no marcador. Duro golpe para os Mambas, que faziam tudo de forma atabalhoada. Longe da postura apresentada na partida inaugural contra os “faraós”, o combinado nacional não conseguiu parar a avalanche do Cabo Verde.
Num outro erro descomunal de Edmilson Dove, os “Tubarões Azuis” chegaram ao segundo golo, tento que complicou ainda mais a situação dos Mambas. A apatia em todos os sectores da equipa e a inércia na abordagem do jogo fizeram com que o combinado nacional se limitasse a defender.
O Cabo Verde continuava a jogar no limite do erro do conjunto moçambicano. Moçambique voltou a claudicar, consentindo o terceiro golo. Ficou complicado. De uma selecção que arrebatou corações contra o Egipto passava a deixar uma outra imagem. Foi uma queda, das enormes.
SUPERAÇÃO
O jogo contra o Cabo Verde foi de má memória para a selecção nacional. Era preciso, por isso, mudar o rumo da história. Pela frente, Moçambique tinha de vencer, a todo o custo, o todo-poderoso Gana, ferido no seu orgulho depois de somar um empate com o Egipto.
Uma entrada periclitante diante das “Estrelas Negras” permitiu que os Mambas sofressem um golo nos instantes iniciais, num lance em que Infren Matola derrubou um adversário na grande área.
Mais uma vez, à semelhança do que aconteceu no jogo inaugural, os Mambas foram obrigados a correr atrás do prejuízo. Apesar do esforço empreendido, não conseguiam atinar com a baliza do Gana. Antes pelo contrário, as “Estrelas Negras” chegaram ao segundo golo, mais uma vez numa situação de grande penalidade. O sonho de chegar aos oitavos-de-final parecia cada vez mais utópico.
Aguentaram-se. Os Mambas discutiram o resultado, até que se beneficiaram de uma penalidade bem cobrada por Geny Catamo. O caminho da superação estava aberto. De cabeça, Reinildo Mandava encarnou o rosto da superação empatando a partida.
Já não havia muito por se fazer. Mas ficou uma lição, a capacidade de superação da selecção nacional nos momentos mais tenebrosos. Superaram, não só o resultado, assim como as tendenciosas arbitragens.
A selecção nacional poderia ter alcançado outros voos. Ainda assim, sai da competição de cabeça erguida. Para trás fica uma epopeica narrativa, que, com mais sorte e uma dose de experiência, poderia ter sido escrita em pergaminhos de ouro. Valeu pela superação.
A selecção nacional de futebol, os Mambas, está eliminada do Campeonato Africano das Nações da Costa do Marfim, após somar mais um empate, novamente a dois golos, diante do Gana, em partida da terceira e última jornada do grupo B da fase final da prova. Foi eliminação precoce que, mesmo sem ter estado nas contas iniciais, acaba por doer, em função do que os Mambas fizeram diante dos dois colossos do grupo.
Fim da linha para os Mambas no CAN da Costa do Marfim. Neste grupo, Cabo Verde e Egipto seguem para os oitavos de final.
O selecionador nacional, Chiquinho Conde, reagindo à prestação da sua equipa disse que está orgulhoso do trabalho feito pelos jogadores que mostraram espírito de equipa.
Numa partida em que o combinado moçambicano teve maior posse de bola, o Gana marcou primeiro por Jordan Ayew através de uma grande penalidade, aos 15 minutos, resultado com que as duas equipas foram ao intervalo.
Na segunda parte, a equipa ganesa ampliou o resultado, novamente através de Jordan Ayew, também de grande penalidade, aos 69 minutos.
Apesar da desvantagem, os mambas não baixaram os braços, tendo reduzido o resultado já em período de compensação, através de um penálti convertido por Geny Catamo, jogador do Sporting.
A selecção nacional chegou ao empate, aos 90+3, com Reinildo Mandava, jogador do Atlético de Madrid, a marcar de cabeça.
O Seleccionador Nacional, Chiquinho Conde, parabenizou os seus jogadores pela sua brilhante actuação no jogo desta segunda-feira (22), que terminou empatado a duas bolas diante do Gana (2-2), partida a contar para a terceira e última jornada do CAN Costa do Marfim.
Na conferência de imprensa pós-jogo, Chiquinho Conde lamentou o facto do árbitro principal influenciar directamente no resultado da partida e parabenizou os seus atletas que foram brilhantes.
“Hoje sou um treinador triste, porque vi no semblante triste na cara dos meus jogadores pela injustiça dentro do campo. Nós somos um país que esta a evoluir no futebol. Acho que o primeiro pênalti foi forçado, se fosse ao contrário não marcariam, não sei o segundo, acho que o árbitro condicionou o jogo. Para um jogo desta dimensão que se está a disputar a segunda e terceira posição ser condicionado pela equipa de arbitragem é muito triste. Vi a frustração na cara dos meus jogadores, estar a perder por duas bolas até aos 90′ e em pouco tempo conseguimos fazer dois golos e empatar o jogo, acho que se tivéssemos mais alguns minutinhos teríamos revirado, pois estávamos forte ofensivamente. Queremos continuar neste tipo de campeonatos. Quero dar os parabéns aos meus jogadores que foram briosos dentro do campo, e ao povo moçambicano que nos apoiou em todos os momentos. Queríamos dar a vitória ao povo de Cabo Delgado, que sofre e merecia esta vitória” referiu Chiquinho Conde.
Moçambique terminou a competição partilhado a terceira posição com dois pontos, frutos de dois empates a duas bolas, contra Egipto e Gana. Pela primeira vez os “Mambas” conseguiram somar dois pontos no certame. O combinado nacional marcou quatro golos e sofreu sete.

REINILDO É REFORÇO DO ATLÉTICO DE MADRID PARA O JOGO DESTA QUINTA-FEIRA DIANTE DO SEVILHA
De acordo com o diário espanhol, “Mundo Desportivo”, com a lesão do espanhol, César Azpilicueta, o Atlético de Madrid necessita dos trabalhos do internacional moçambicano, Reinildo Mandava, que esteve com o combinado Nacional, na CAN Costa do Marfim, representando os “Mambas”.
O clube “Colchonero” voltou a ter uma grande baixa na linha defensiva, com a lesão do polivalente espanhol, César Azpilicueta. Assim, o clube madrileno espera que Reinildo Mandava possa colmatar esta baixa e ajudar o clube no jogo desta quinta-feira contra o Sevilha, partida inserida na Taça do Rei.
Reinildo Mandava cumpriu todos os três jogos da fase de grupos na CAN, e jogou 90’ em todos eles. O lateral-esquerdo moçambicano marcou o golo do empate entre Moçambique e Gana, na última jornada da série “B”.
O jogador moçambicano de 30 anos fez exibições de alto nível nos três duelos e ganhou alguma rodagem, algo que o técnico argentino D. Simeone esperava.
O diário espanhol escreve que o técnico argentino espera que o moçambicano esteja disponível para o jogo desta quinta-feira, pois será um reforço para a equipa.
Reinildo volta para casa. Moçambique foi eliminado da Taça de África apesar de quase ter conseguido um milagre no confronto contra o Gana, com o jogador do Atlético de Madrid como protagonista.
Porque o Las Estrellas Negras venceu por 0 a 2 aos 90 minutos da partida e teve o passe para a próxima rodada na mão. Mas um desconto absurdo virou tudo de cabeça para baixo.
Jordan Ayew colocou Gana na frente com dois gols, ambos nos pênaltis, mas aos 92 minutos Catamo também diminuiu a diferença de pênalti.
E aos 94 minutos, em cobrança de escanteio, Reinildo cabeceou para a rede para empatar e dar esperança aos Los Mambas, que pressionaram para conseguir uma reviravolta que teria sido histórica.
Não chegou e Moçambique foi eliminado e Gana à beira do abismo. Porque os homens de Iñaki Williams precisam de uma carambola tripla para chegar às oitavas de final. Que os Camarões empatem com a Gâmbia, que a Zâmbia perca com Marrocos e que a Tanzânia não vença a RD Congo.
RETORNA COM FILMAGEM
O facto é que Moçambique está eliminado e com isso Reinildo regressará à disciplina do Atlético de Madrid com um remate importante depois da lesão que sofreu em Fevereiro do ano passado e que uma vez recuperado só lhe permitiu jogar alguns minutos com o equipe rojiblanco até sair com a sua equipe.
Parece muito precipitado que Reinildo esteja disponível para o jogo de quinta-feira contra o Sevilla, pelas quartas de final da Copa del Rey, mas certamente estará à disposição de Cholo para o jogo de domingo contra o Valencia.
Apesar de conhecer o moçambicano, não se pode descartar que seja um reforço de luxo para a partida do torneio K.O.
A primeira fase das obras de construção do muro de protecção costeira na cidade da Beira, orçadas em cerca de um milhão de euros, disponibilizados pelo Banco Alemão KFW, termina em finais de Março próximo e a Alemanha anunciou que já estão disponíveis cerca de 90 milhões de euros para a segunda fase, a arrancar ainda este ano. O mesmo valor será usado para outros projectos em Sofala, segundo anunciou Ronald Münch, embaixador da Alemanha em Moçambique, depois de efectuar uma visita de monitorização das obras, acompanhado pelo edil da Beira, Albano Carige.
O embaixador da Alemanha lembrou que as mudanças climáticas são um desafio comum, daí que são necessários esforços comuns para mitigá-las, no sentido de se evitarem perdas humanas e danos materiais.
“A cooperação Alemã orgulha-se de ser um parceiro estratégico do Governo de Moçambique e do Município da Beira na luta contra as mudanças climáticas. O projecto de construção do muro de protecção costeira na Beira faz parte deste esforço que visa, essencialmente, criar bases sólidas para resiliência climática”, afirmou Münch.
Parte dos 90 milhões de euros anunciados pelo embaixador da Alemanha serão usados no âmbito da mitigação das mudanças climáticas, na requalificação da zona do Goto, no bairro da Ponta-gêa.
O edil da Beira, Albano Carige, afirmou que decorrem, neste momento, consultorias e, de seguida, serão construídas duas estradas. “Uma ligará o bairro à Avenida Armando Tivane e outra à Avenida 24 de Julho. Construiremos valas de drenagem que irão contribuir para o rápido escoamento das águas e, no total, serão gastos cerca de 15 milhões de euros, dos 90 disponibilizados pela Alemanha.”
Os Psicólogos Mário Ngulele e Constantino Tivane sugerem que o diálogo nas famílias seja mais aberto a terceiras instâncias sociais, em casos em que as conversações entre os cônjuges já não conseguem alcançar consensos. Os profissionais reagiram ao caso, reportado esta segunda-feira pelo “O País”, de um homem que matou a esposa e o filho em Manica.
Um homem teria usado lâminas para tirar a vida da sua esposa e depois do seu filho, no distrito de Gondola, província de Manica, motivado por ciúmes, alegadamente porque a sua mulher o traía, de forma recorrente, com o seu próprio irmão.
Um caso chocante. Os casos de assassinatos entre casais em Moçambique tendem a se tornar cada vez mais comuns, dizem os experientes psicólogos Psicólogos Mário Ngulele e Constantino Tivane.
Mário Ngulele entende, por isso, que a sociedade está doente e explica os motivos que geralmente contribuem para que haja crimes passionais.
“Os traços de personalidade, o consumo de álcool, o histórico familiar, as vivências, no seu dia-a-dia ( do agressor). É recorrente e é comum (este tipo de casos)”, explicou e seguiu “para dizer que a sociedade está doente é preciso valorizar os psicólogos, a família…”.
Para Constantino Tivane, também psicólogo, a cura para a sociedade doente, da qual Ngulele fala, está no diálogo, que deve ser cada vez mais aberto a outras instâncias sociais.
“O mais importante é quando estivermos diante de um problema, não nos fecharmos. Mas isto tem implicações, porque chega um momento em que a capacidade de gestão do problema, extravasa as competências do ponto de vista psicológico, emocional… ”, detalhou.
Abílio Mandlate, sociólogo, diz que tudo está relacionado com a educação social Moçambicana, baseado em hábitos patriarcais, na qual “quando ocorre o matrimônio, ocorre, também, o sentido de propriedade dos homens sobre as mulheres, o que pressupõem exercer dominação sobre a maioria dos aspectos da vida das mulheres e quando ocorrem situações que os homen considerem que ferem sua honra e reputação, acabam se resvalando nessas situações de violência”, esclareceu.
De acordo com a lei, em casos de homicídio, como o que está em alusão, em que o agressor é o responsável por cuidar das vítimas, a pena é agravada. Assim, “a pena há-de variar entre 20 e 24 anos de prisão ”, afirmou o jurista Francisco Massambo.
O homem acusado de matar a esposa e a filha foi detido, confessou os crimes e alega que a mulher era amante de seu próprio irmão.
Por Rudêncio Morais
Olho para Quelimane na caligrafia deitada no caderno de impala que me veste a infância repartida entre o bairro de Coalane (Elias) e Primeiro de Maio, vejo-a no pedalar da bicicleta em direcção a Icidua, Maquival, Chuabo Dembe e Mugogoda, sinto-a na poesia da sua gente, no sabor das galinhas cafriais à zambeziana, no mbuacu (manjericão) pilado no almofariz da nossa gente para com o piri piri sacana, dar sabor ao thodué que se nos desce tal e qual se perdem no horizonte, as canoas que fazem a travessia Patrice Lumumba Eracamba. É dócil este “Quelimane do Sal” temperado no nhambaro e hibondo, que nos embalam para os segredos de uma cidade que pulsa no calor da sua gente, vestindo no pé descalço a alma do samba para desmistificar a sabedoria do alambique.
Em 2020, quando pensamos em apresentar “A Outra Dor”, livro do Falso Poeta, na Cidade de Quelimane, apareceu-nos à primeira, o nome de Precisado Cassamo, como aquele que faria a ponte entre a poesia e a música teletransportando o leitor para o corpo da existência Quelimanense, a voz sagrada das raízes da nossa terra. Para tornar esse sonho possível, falou-se com Silvino Bernardo, amigo e irmão existencial, que se mexeu rapidamente e apresentou os requisitos para o ter na apresentação da “Outra Dor”, quis Deus que Precisado Cassamo lá estivesse, e juntos, percorremos o seu vasto repertório musical, vez por outra, atrelado ao assobio que sempre o caracterizou. Em surdina, o público o acompanhava, numa autêntica viagem no tempo e na alma de um povo abraçado à sua biblioteca cultural.
Partiu hoje, parte do que somos culturalmente, e uma das vozes sagradas da nossa identidade cultural, Precisado Cassamo, filho de Sansão Victorino, e os seus, que na verdade são nossos Mapangananos, Mulubwana Murubué (homem é remédio), Ogahona Saia Vururu eloboya kahimo.
Até sempre Precisado Cassamo! A sua voz ser-nos-a o alento que nos ajudará a atravessar os desertos da vida que vez por outra nos abraçam.
Paz a sua alma!
Rudêncio Morais
No distrito de Mecuburi há nove óbitos. As autoridades de Saúde dizem que a desinformação está a ser o grande problema. Enquanto isso, a cidade de Nampula reporta maior número de casos. O lixo espalhado na via pública é um factor de risco.
Os casos de cólera na província de Nampula voltam a mostrar uma tendência de alastramento. Neste momento, cinco distritos estão com o surto activo, nomeadamente: Nampula, Eráti, Meconta, Nacarroa e Mecuburi, com um cumulativo de 12 óbitos (nove em Mecuburi e três no distrito de Nampula), de um total de 3.269 casos notificados de Outubro último a esta parte.
“Preocupa-nos mais o distrito de Nampula pelo número de casos que tem vindo a reportar e o distrito de Mecuburi pelo número de óbitos. Mecuburi tem uma particularidade para este aumento da taxa de letalidade. Estamos a falar de pouco mais de 340 casos que foram notificados em Mecuburi, contra nove óbitos. Estamos aqui a dizer que a taxa de letalidade está mesmo acima de 3%, o que é gritante”, disse Geraldino Avalinho, chefe do Departamento de Saúde Pública no Serviço Provincial de Saúde em Nampula.
O responsável fez saber que a onda de desinformação em Mecuburi é que está a dificultar a contenção dos casos de cólera, uma vez que alguns populares acusam os agentes de Saúde de estarem a propagar a doença ao distribuírem o purificador de água conhecido por “Certeza”. Aliás, em Dezembro findo nove casas foram destruídas no posto administrativo de Muite, oito das quais dos líderes comunitários e de um agente polivalente de Saúde que inclusivamente foi espancado. Na sequência disso, o governador de Nampula, Manuel Rodrigues, deslocou-se ao terreno no dia 20 de Dezembro para perceber o problema e reunir com a população para não pautar por esse comportamento de vandalismo e desinformação.
“Em Mecuburi estamos a enfrentar um problema de desinformação e isto faz com que as nossas acções sejam fragilizadas. Só para ter uma ideia, destes óbitos que reportamos naquele distrito, infelizmente, quase a metade foram reportados fora da unidade sanitária. São óbitos reportados fora da unidade sanitária. Aconteceram na comunidade. Nossa equipa ia atrás dos doentes porque não queriam se fazer às unidades sanitárias por conta desta questão da desinformação”, lembrou Avalinho.
Nas últimas 48 horas, 23 pacientes deram entradas nas unidades sanitárias com o cólera, dos quais 14 na cidade de Nampula. A cidade de Nampula tem 18 pacientes internados no Centro de Tratamento de Cólera.
“A nossa província, a nossa cidade (de Nampula) em particular está inundada, passa a expressão, de resíduos que nem estão segregados. Portanto, é uma mistura de dejectos e isto propicia não só a estagnação da água para a proliferação de vários vectores que podem causar problemas para a saúde pública, mas também podem de certa forma criar condições para a contaminação das nossas fontes de água que se encontram dispersas em vários pontos da cidade”.