O Governo declara ter cumprido satisfatoriamente 80% dos 158 indicadores avaliados no âmbito do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) de 2026, no balanço referente ao terceiro trimestre. O resultado representa um desempenho favorável na execução das metas planificadas, mas deixa também em evidência os desafios que persistem na implementação das acções públicas, sobretudo devido às limitações de financiamento.
Dos 158 indicadores avaliados, cerca de oito em cada dez tiveram um desempenho considerado satisfatório pelo Executivo. Os restantes 20%, porém, continuam a enfrentar dificuldades, sobretudo devido a constrangimentos financeiros. O dado expõe uma das principais dificuldades da execução do plano: ter metas definidas não significa, necessariamente, dispor dos meios para as concretizar.
O resultado deixa uma questão no centro do debate sobre a gestão das contas públicas: até que ponto o Governo conseguirá cumprir os compromissos que ainda estão pendentes, tendo em conta os recursos disponíveis? O balanço apresentado não esclarece, por si só, quanto dinheiro falta para concluir as acções previstas nem quais os indicadores mais afectados pelas limitações financeiras.
Há também uma diferença importante entre cumprir uma meta no papel e produzir mudanças na vida das pessoas. A percentagem apresentada pelo Governo permite perceber o nível de cumprimento dos indicadores avaliados, mas não revela, isoladamente, a dimensão dos resultados alcançados, a qualidade dos serviços prestados ou o impacto das medidas sobre as famílias e as empresas.
É nessa passagem dos números para os resultados concretos que se mede, em última análise, o alcance de um plano económico e social.
ECONOMIA VOLTA A CRESCER, MAS A RECUPERAÇÃO EXIGE CAUTELA
No desempenho da economia, o balanço aponta para um crescimento de 1,7%, depois de uma contracção de 2,9% registada no período anterior, segundo os dados apresentados.
A passagem de uma variação negativa para uma positiva representa uma mudança de tendência. Ainda assim, o crescimento anunciado não permite concluir que a economia tenha recuperado plenamente das perdas anteriores, muito menos que a melhoria já esteja a ser sentida de forma generalizada pela população.
O que importa perceber é de onde vem esse crescimento e até que ponto está a criar novas oportunidades. A evolução da actividade económica ganha maior significado quando se traduz em mais negócios para as empresas, empregos, rendimentos para as famílias e maior capacidade de consumo.
Sem essa ligação, o crescimento corre o risco de permanecer sobretudo nos indicadores macroeconómicos, sem produzir melhorias proporcionais nas condições de vida dos cidadãos.
Por isso, a evolução de 1,7% constitui um sinal a acompanhar, mas não encerra a discussão sobre a recuperação económica. O desafio passa por consolidar a tendência e garantir que os seus efeitos cheguem à economia real.
RECEITAS DO ESTADO FICAM AQUÉM DO PREVISTO
Nas contas públicas, outro número merece atenção: a cobrança de receitas do Estado atingiu 71,1% do montante previsto para o período em análise.
O resultado mostra que a arrecadação ficou abaixo da previsão estabelecida para esse período. Contudo, sem conhecer o calendário de cobrança e a distribuição das receitas ao longo do ano, não é possível afirmar que a meta anual esteja definitivamente comprometida.
Ainda assim, a diferença entre o valor previsto e o arrecadado ajuda a perceber a pressão que pode existir sobre a execução do orçamento. É com as receitas públicas, complementadas por outras fontes de financiamento, que o Estado assegura o funcionamento das instituições, realiza investimentos e financia programas destinados à população.
Quando entram menos receitas do que o previsto para determinado período, a capacidade de financiar as despesas pode ficar condicionada. A dimensão desse efeito depende, porém, dos recursos disponíveis, do acesso a outras fontes de financiamento e das decisões tomadas na gestão das despesas.
É aqui que os dois dados do balanço se cruzam: enquanto o Governo reconhece dificuldades financeiras na execução de parte dos indicadores, a cobrança de receitas ainda não atingiu o montante previsto para o período. Os números não demonstram, por si só, uma relação directa de causa e efeito, mas colocam a mobilização de recursos no centro das questões sobre a execução do PESOE.
Falta, entretanto, informação para perceber quais as categorias de receitas que mais contribuíram para o resultado, qual foi o montante efectivamente arrecadado e em que medida a cobrança condicionou as despesas programadas.
O TESTE ESTÁ NO QUE AINDA FALTA FAZER
O balanço do terceiro trimestre apresenta dois sinais favoráveis: o Governo considera satisfatório o cumprimento da maioria dos indicadores avaliados e a economia voltou a registar crescimento positivo. Mas os constrangimentos financeiros e a cobrança de receitas abaixo do previsto mostram que continuam a existir desafios na execução do plano.
A questão já não é apenas saber quantas metas foram cumpridas. É perceber quais continuam por alcançar, o que impede a sua execução e que medidas o Executivo prevê adoptar para ultrapassar os obstáculos.
Essa informação é importante para avaliar se os indicadores ainda pendentes poderão ser concretizados dentro do calendário previsto e se os recursos disponíveis serão suficientes para sustentar as prioridades definidas.
O balanço deixa, assim, uma avaliação que vai além dos 80% anunciados. O desempenho do PESOE dependerá também da capacidade de financiar as acções em falta, consolidar a recuperação económica e converter os objectivos inscritos no plano em resultados que os cidadãos consigam sentir no seu quotidiano.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) alertou ontem que um armazém humanitário localizado na região de Kyiv foi atingido no domingo durante um ataque do exército russo, destruindo mantimentos vitais destinados às famílias ucranianas.
A organização declarou, num comunicado, que “um armazém contratado pelo UNICEF em Bilogorodka sofreu danos graves em resultado de ataques das Forças Armadas russas”, sublinhando que “a extensão total dos danos ainda está a ser avaliada”.
“No momento do ataque, o armazém continha mais de 106 mil artigos com um valor estimado em mais de 3,4 milhões de euros”, explicou.
“Entre os artigos estavam geradores, água potável, ‘kits’ de higiene e tanques de armazenamento de água, essenciais para a resposta da UNICEF na Ucrânia, especialmente para crianças e famílias em áreas de combate e para o Inverno que se aproxima”, referiu a organização.
O UNICEF lamentou que este ataque faça parte das noites horríveis que as crianças estão a passar sem dormir, durante as quais “sirenes de ataque aéreo e explosões prolongam-se durante várias horas em Kiev e na região circundante”.
“Há vítimas e danos em casas. O UNICEF e os seus parceiros continuam a prestar assistência às crianças e famílias afectadas”, acrescentou o comunicado.
“O UNICEF está profundamente preocupado com as contínuas mortes e ferimentos de crianças na Ucrânia. Junho registou o maior número mensal de vítimas infantis desde 2022, com sete crianças mortas e 116 feridas”, disse a organização, referindo que mais duas crianças foram mortas e 50 ficaram feridas na semana passada.
Neste sentido, o UNICEF enfatizou que “os ataques constantes estão também a dificultar a resposta humanitária”, especificando que “os danos em depósitos humanitários e os ataques contra o pessoal humanitário estão a impedir a entrega de ajuda vital a crianças e famílias afetadas pelo conflito”.
“Estes ataques precisam parar. As crianças e as instalações humanitárias precisam de ser protegidas. As crianças na Ucrânia, em particular, precisam de uma paz duradoura”, acrescentou o UNICEF, quando acontece uma escalada dos ataques russos contra Kiev e a falta de progressos na frente diplomática, com os contactos paralisados há várias semanas.
A Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de Fevereiro de 2022.
O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, efectua hoje uma visita à Escola Nacional de Música (ENM), na cidade de Maputo, com o objectivo de inteirar-se do funcionamento da principal instituição pública de ensino especializado de música do País e avaliar o seu contributo na formação artística das novas gerações.
Durante a deslocação, agendada para as 16h00, o Chefe do Estado manterá encontros com a direcção da escola, professores e estudantes, acompanhando igualmente as actividades desenvolvidas no âmbito do ensino da música e da promoção da cultura nacional.
A Escola Nacional de Música dedica-se à formação artística de crianças e jovens, assegurando o ensino em diversas especialidades, entre as quais canto, piano, violino, guitarra, flauta, clarinete, saxofone, trompete e percussão. A instituição desempenha ainda um papel relevante na preservação, promoção e valorização do património musical moçambicano.
De acordo com o Gabinete de Imprensa da Presidência da República, a visita enquadra-se na política de valorização das artes, da cultura e da educação, consideradas instrumentos fundamentais para o desenvolvimento humano, a afirmação da identidade nacional e o fortalecimento do talento da juventude moçambicana.
A fome no mundo diminuiu em 2025, afectando cerca de 645 milhões de pessoas, sendo que quase metade encontram-se em África, segundo um relatório divulgado ontem pela FAO.
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), em 2025, 7,8% da população mundial sofria de fome, e em termos regionais, os maiores progressos verificaram-se na Ásia e na América Latina e nas Caraíbas, enquanto os piores dados se registam em África.
Na América Latina e nas Caraíbas, a média situou-se nos 4,8%, o que corresponde a 32 milhões de pessoas, representando uma queda consecutiva desde 2020, ano da pandemia, quando atingia 6,1% nessa região.
A situação é particularmente crítica em África, onde 20% da população está sujeita à subalimentação – ou seja, a uma carência crónica de calorias –, indicou a FAO, no relatório anual “O estado da segurança alimentar e da nutrição no mundo” (SOFI 2026).
De acordo com o documento, dos cerca de 645 milhões de pessoas que passam fome, quase metade encontrava-se em África (309 milhões), enquanto 292 milhões estavam na Ásia e 32 milhões na América Latina e nas Caraíbas.
Após a crise económica pós-COVID, que mergulhou na fome milhões de pessoas – cerca de 688 milhões de pessoas afetadas em 2022 –, a situação melhorou, mas sem regressar aos níveis anteriores à pandemia, segundo a agência da ONU.
Em 2015, quando cerca de 600 milhões de pessoas passavam fome, a comunidade internacional estabeleceu, entre os seus “objectivos de desenvolvimento sustentável” para 2030, o de “eliminar a fome e garantir que todos (…) tenham acesso a uma alimentação saudável, nutritiva e suficiente”.
Actualmente, a ONU prevê que entre 510 e 520 milhões de pessoas estarão subalimentadas em 2030, das quais mais de metade em África.
“O centro de gravidade da fome deslocou-se da Ásia para África”, declarou o director da divisão de economia agroalimentar da FAO, David Laborde, acrescentando que “há 25 anos, a China ainda tinha um problema de fome, que conseguiu resolver”, e que “a Índia também tem um problema, mas está a envidar grandes esforços para o resolver activamente”.
Laborde advertiu que, apesar dos conflitos internacionais, das alterações climáticas e de pandemias, “os agricultores e os sistemas alimentares têm demonstrado resiliência (…), mas a capacidade de absorção dos sistemas é limitada”.
“Não temos fomes de grande dimensão como as que se verificaram na década de 1980”, disse.
Por seu lado, o economista-chefe da FAO, Máximo Torero, considera que o facto de a fome mundial ter diminuído pelo terceiro ano consecutivo demonstra que é “possível avançar”, mas alertou que o progresso continua a ser “insuficiente” para cumprir a Agenda 2030.
“As melhorias continuam a ser frágeis, distribuídas de forma desigual e insuficientes para alcançar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030. É preciso acelerar os avanços”, afirmou Torero, num comunicado.
No relatório prevê-se que, embora as projecções indiquem uma redução contínua da fome, em 2030 ainda haverá mais de 500 milhões de pessoas a passar fome no mundo, sendo cerca de 56% delas em África.
Há testes rápidos de diagnóstico de malária e HIV ou sífilis, vitaminas e xaropes para mulheres grávidas, espalhados nas farmácias privadas, unidades sanitárias e hospitais do País sem qualidade para o uso e consumo humano. Por isso, a Autoridade Nacional Reguladora de Medicamento suspendeu a comercialização destes produtos e orientou a sua retirada do País.
A Autoridade Nacional Reguladora de Medicamento suspendeu e mandou retirar das prateleiras das farmácias privadas, unidades sanitárias e hospitais, em todo o território nacional, cinco marcas de testes rápidos de diagnóstico usados para triagem de malária e HIV ou sífilis, fabricados na Índia, pela fabricante Meril Diagnostics Pvt. Ltd.
O alerta foi emitido a 8 de Julho passado e a ANARME explica que os dispositivos chegavam a diagnosticar erradamente.
“Os testes devem ser capazes de determinar resultados que sejam confiáveis para aquela condição clínica que se pretende diagnosticar. E, se se deparar que, durante o uso, o desempenho não é adequado, está abaixo do limite especificado, também determina o seu recolhimento. E esta recolha dos testes não foi motivada apenas pela questão do baixo desempenho, mas também por se ter verificado que o fabricante não cumpre com o sistema de gestão de qualidade adequado, apropriado para esse tipo de produtos”, explicou Caciano João, porta-voz da instituição.
Caciano disse ainda que a medida resultou do processo de fiscalização dos produtos na esfera pública.
“A medida foi tomada após a constatação de não conformidades detectadas pelo laboratório do Instituto Nacional de Saúde nos testes de malária, bem como pela observação de que o Sistema de Gestão da Qualidade do fabricante Meril Diagnostics Pvt. Ltd apresenta não conformidades críticas, detectadas durante as actividades de inspecção em boas práticas realizadas pela Organização Mundial da Saúde, que podem representar risco para a segurança dos pacientes.”
Igualmente são de consumo proibido produtos como vitaminas, spray nasal, gotas de ouvido e xaropes, cujas características de produção põem em risco a saúde do consumidor.
“De acordo com as acções de fiscalização, a ANARME verificou que alguns medicamentos apresentavam características diferentes das condições aprovadas, especificamente, indicavam na sua rotulagem fabricantes que não foram aprovados para aquele produto. Portanto, se a ANARME aprovou e avaliou o medicamento de um determinado fabricante, significa que conhece as condições em que aquele produto foi produzido, assegura que as boas práticas foram seguidas, daí que há garantia de qualidade. A partir do momento em que a entidade que colocou esses produtos altera os fabricantes, passa a não haver garantias por parte da autoridade.”
Embora sem apresentar dados, a ANARME diz que já está em curso a recolha dos produtos sob alerta, bem como a investigação dos contornos da violação.
“Os produtos foram autorizados com determinadas especificações, mas no curso da fiscalização é que identificamos essas não conformidades. Então, como eu dizia, ainda estão a decorrer algumas diligências para se apurar de que forma esses produtos foram introduzidos no Sistema Nacional de Saúde”, disse.
A ANARME garante estar em contacto com toda a rede de distribuição, para garantir a retirada dos fármacos e a devida devolução aos respectivos fornecedores.
O sector da Saúde na província de Tete reforçou as medidas de vigilância epidemiológica e de resposta para prevenir a eventual entrada do vírus do Ébola no país, numa altura em que alguns países da região africana registam novos casos da doença.
Embora Moçambique continue sem registar qualquer caso de Ébola, as autoridades sanitárias classificam Tete como uma das províncias de maior risco, devido à sua localização estratégica e ao intenso movimento transfronteiriço de pessoas e mercadorias, através dos corredores que ligam o país aos Estados vizinhos.
No âmbito do reforço da capacidade de resposta, o Ministério da Saúde promoveu, na terça-feira, um exercício de simulação na fronteira de Cuchamano, no distrito de Changara, que faz ligação com o Zimbabwe. O exercício teve como objectivo avaliar o nível de prontidão das equipas responsáveis pela vigilância e resposta a emergências de saúde pública.
Durante a simulação foram testados os procedimentos de detecção, isolamento e encaminhamento de um caso suspeito de Ébola, bem como os mecanismos de coordenação entre os profissionais de saúde, os serviços de migração e outras instituições que intervêm na gestão de emergências sanitárias.
Segundo o representante do Ministério da Saúde, Fino Massalambane, este tipo de exercícios permite identificar eventuais fragilidades no sistema e fortalecer a capacidade operacional das equipas destacadas nos pontos de entrada do país.
Por sua vez, o médico-chefe provincial de Tete, Helder Dombole, assegurou que a província dispõe de equipas preparadas para responder a uma eventual ocorrência da doença, salientando que a aposta continua centrada na vigilância activa, na rápida identificação de casos suspeitos e na sensibilização das comunidades.
Além de Tete, as províncias de Cabo Delgado e Niassa também se encontram em estado de alerta, devido ao elevado risco de introdução do vírus, por manterem fronteiras ou ligações com países onde foram confirmados casos de Ébola.
Moçambique e a China pretendem reforçar a cooperação económica e empresarial nas áreas da agricultura, tecnologia e turismo. A intenção foi reafirmada, esta terça-feira, em Maputo, durante um encontro entre empresários moçambicanos e uma delegação empresarial da China Continental e da Região Administrativa Especial de Macau.
A sede da Câmara de Comércio de Moçambique acolheu, esta terça-feira, um encontro entre empresários nacionais e uma delegação empresarial da China Continental e de Macau. Durante cerca de uma hora, o encontro permitiu identificar áreas estratégicas de cooperação, com destaque para a agricultura, a tecnologia, o turismo e outros sectores com elevado potencial de crescimento.
O presidente da Câmara de Comércio de Moçambique (CCM), Lucas Chachine, reafirmou o compromisso da instituição com o fortalecimento das pequenas e médias empresas, por considerar que estas constituem o principal motor do desenvolvimento da economia nacional. Segundo o dirigente, esta visão está alinhada com as prioridades definidas pelo Presidente da República, Daniel Chapo, nomeadamente o aumento da produção nacional, a industrialização e a criação de emprego.
“Assumimos o compromisso de trabalhar para fortalecer as pequenas e médias empresas, por acreditarmos que elas constituem o verdadeiro motor do desenvolvimento da economia, alinhados com a visão de Sua Excelência o Presidente da República, Daniel Chapo, de promover o aumento da produção nacional, a industrialização e a criação de emprego em prol do desenvolvimento da economia moçambicana. A Câmara de Comércio definiu este como um dos focos para os quatro anos de mandato que agora iniciamos”, afirmou Lucas Chachine, presidente da CCM.
A iniciativa enquadra-se nos esforços de aproximação entre os sectores privados de Moçambique e da China, com o objectivo de promover o investimento, dinamizar as trocas comerciais e criar mais oportunidades de emprego e desenvolvimento económico.
Na ocasião, Lucas Chachine propôs a criação de um fórum das Câmaras de Comércio dos países da SPALOC, com o apoio da Câmara de Comércio de Macau, como forma de reforçar a cooperação, facilitar a troca de experiências e potenciar as capacidades de cada país para responder aos desafios comuns do desenvolvimento.
“Queremos propor a criação de um fórum das Câmaras de Comércio da SPALOC, também com o apoio da Câmara de Macau, que mantém a ligação à língua portuguesa, para podermos criar um espaço de troca de experiências e aproveitar as capacidades que cada país possui, de modo a resolver, num curto espaço de tempo, os problemas que caracterizam os nossos países como menos desenvolvidos”, propôs Chachine.
Por sua vez, o líder da delegação empresarial da China Continental e de Macau reiterou a disponibilidade dos empresários chineses para estabelecer novas parcerias com empresas moçambicanas.
“A CCM, enquanto nosso parceiro na expansão de mercado, tem também contribuído activamente para o fortalecimento da cooperação económica e comercial entre a China Continental, Macau e Moçambique”, afirmou Sam Lei, líder da delegação empresarial.
O encontro terminou com a entrega de uma carta de reforço da parceria entre os empresários moçambicanos e as delegações empresariais da China Continental e de Macau. O documento formaliza o compromisso de aprofundar a cooperação empresarial e impulsionar novas iniciativas de investimento e comércio entre os dois mercados.
A Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela dos Santos Lucas, e o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Emigração e Expatriados Egípcios, Badr Abdelatty, manifestaram o compromisso de reforçar a cooperação económica entre Moçambique e o Egipto, durante as primeiras Consultas Políticas bilaterais realizadas no Cairo, capital egípcia.
No final do encontro, realizado na segunda-feira, 20 de Julho, os dois governantes falaram em conferência de imprensa conjunta, ocasião em que Maria Manuela Lucas afirmou que as delegações procederam à avaliação do estado da cooperação bilateral em diversos domínios e definiram estratégias para elevar a parceria económica ao nível das relações políticas já existentes entre os dois países.
Segundo a chefe da diplomacia moçambicana, a visita que o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, deverá efectuar à República Árabe do Egipto, bem como a realização da terceira sessão da Comissão Mista Bilateral, constituirão momentos importantes para o aprofundamento da cooperação em sectores considerados estratégicos, nomeadamente agricultura, comércio, saúde, educação, transporte marítimo, logística e formação técnico-profissional.
Maria Manuela Lucas destacou igualmente o apoio prestado pelo Governo egípcio aos esforços desenvolvidos por Moçambique no combate ao terrorismo. Neste âmbito, os dois países acordaram reforçar a capacitação técnica das Forças de Defesa e Segurança, com vista a fortalecer a resposta a um fenómeno que classificaram como uma ameaça de dimensão internacional.
A Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação esteve acompanhada, durante a visita ao Egipto, pelo Embaixador de Moçambique naquele país, Sérgio Nathú Cabá, e pelo Director para África e Médio Oriente no Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Hermenegildo Caetano.
A Presidente da Assembleia da República, Margarida Adamugi Talapa, iniciou esta terça-feira uma visita oficial de trabalho à República de Angola, onde vai dirigir a 15.ª Sessão Intercalar da Assembleia Parlamentar da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (AP-CPLP). O encontro reúne representantes dos parlamentos dos nove Estados-membros para debater matérias ligadas à governação democrática, segurança e reforço das instituições.
A sessão decorre entre os dias 21 e 25 de Julho, subordinada ao lema “Governação Democrática, Segurança e Integridade: Fortalecendo a Resiliência Institucional na CPLP”, numa altura em que Moçambique assegura a presidência da AP-CPLP, cargo que exerce desde Julho de 2025. O país desempenha igualmente as funções de Secretariado Permanente da organização, reforçando o seu papel na promoção da cooperação parlamentar entre os Estados da comunidade lusófona.
Segundo um comunicado da Assembleia da República, antes da realização da sessão intercalar terá lugar a Conferência dos Presidentes dos Parlamentos Nacionais, acompanhada por reuniões das comissões permanentes responsáveis pelas áreas de Política, Estratégia, Legislação de Circulação, Economia, Ambiente e Cooperação, bem como da Comissão de Língua, Educação e Cultura.
O programa contempla ainda encontros da Rede de Mulheres Parlamentares da CPLP e da Rede de Jovens Parlamentares da CPLP, consideradas plataformas importantes para incentivar uma participação mais inclusiva no processo legislativo.
À margem dos trabalhos, Margarida Talapa deverá reunir-se com o Presidente da Assembleia Nacional de Angola, Adão de Almeida, para analisar o estado da cooperação entre os dois órgãos legislativos e identificar novas oportunidades de parceria institucional, legislativa e de intercâmbio.
A delegação moçambicana é composta por deputados que integram o Grupo Nacional junto da AP-CPLP, pelo Secretário-Geral da Assembleia da República, pelo Secretário Permanente da AP-CPLP e por técnicos do Secretariado-Geral. A participação de Moçambique nesta reunião visa consolidar a sua liderança na diplomacia parlamentar e fortalecer os mecanismos de concertação política entre os países da comunidade.
Espera-se que os debates resultem em recomendações destinadas a reforçar a governação democrática, a integridade das instituições e a cooperação parlamentar, numa conjuntura em que os Estados da CPLP enfrentam desafios comuns relacionados com a estabilidade política, a segurança e o desenvolvimento sustentável.
A reunião de Luanda constitui, assim, uma oportunidade para aprofundar a articulação entre os parlamentos da CPLP e promover respostas conjuntas para matérias de interesse estratégico da comunidade.
O Governador da Província defendeu o aproveitamento da terra ociosa como uma das principais estratégias para responder à crescente procura de parcelas para habitação, agricultura e investimento, considerando que a existência de extensas áreas ocupadas, mas sem qualquer exploração, representa uma oportunidade para acelerar o desenvolvimento económico e social.
Durante a sua intervenção, o governante afirmou que o aumento da procura de terra contrasta com a existência de vastas áreas improdutivas, situação que, segundo disse, deve ser encarada como uma oportunidade para a criação de novos assentamentos humanos devidamente planificados, para o desenvolvimento de uma agricultura moderna e para a atracção de investimentos de grande escala.
Acrescentou que o aproveitamento dessas áreas permitirá aumentar a produção e a produtividade, criar postos de trabalho, sobretudo para os jovens, e gerar rendimentos para as famílias, contribuindo para o crescimento sustentável da província.
O Governador sublinhou que a concretização destes objectivos depende de uma actuação organizada da administração pública, baseada numa planificação rigorosa, acompanhamento permanente e maior presença das autoridades no terreno.
Referindo-se ao crescimento urbano, manifestou preocupação com a ocupação desordenada de terrenos, particularmente na cidade da Matola, onde, segundo afirmou, continuam a surgir bairros sem qualquer ordenamento territorial. Defendeu, por isso, uma mudança de abordagem, de forma a garantir um crescimento urbano mais organizado e sustentável.
Outro aspecto apontado como preocupação prende-se com a demora na emissão dos títulos de uso e aproveitamento da terra (DUAT). O Governador considerou inaceitável que cidadãos permaneçam um, dois ou mais anos à espera da documentação necessária para implementar projectos de investimento ou construir as suas habitações.
Na sua perspectiva, a morosidade nos processos administrativos favorece as ocupações ilegais de terra, alimenta conflitos fundiários, gera instabilidade socioeconómica e compromete o ritmo de desenvolvimento da província.
Perante este cenário, apelou aos serviços competentes para imprimirem maior celeridade na tramitação dos processos, assegurando que o acesso legal à terra decorra de forma mais eficiente e contribua para a promoção do desenvolvimento sustentável.