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O desporto nacional esteve em destaque esta quarta-feira, no Circuito de Manutenção Física António Repinga, na Cidade de Maputo, com a realização de uma cerimónia de homenagem ao pugilista profissional moçambicano Tiago Muxanga. Promovido pela Amaramba Capital Dealer, o evento serviu para enaltecer e premiar o mérito, a dedicação e o impacto internacional das recentes vitórias do atleta.

A sociedade financeira reuniu dirigentes desportivos e a imprensa para celebrar o trajecto invicto do pugilista moçambicano e reforçar o seu compromisso com a responsabilidade social.

Tiago Muxanga ostenta actualmente um percurso invicto no boxe profissional, impulsionado pela conquista de dois títulos de prestígio global, obtendo como palmarés o título de Campeão Africano da International Boxing Organization (IBO All Africa), sendo igualmente detentor do Cinturão de Prata da Commonwealth (Commonwealth Silver Belt).

Estes marcos não só elevam o estatuto do pugilista, como colocam Moçambique no mapa das grandes decisões do boxe internacional. Durante a cerimónia, o Director Financeiro da Amaramba Capital Dealer,

Baptista Machava, destacou a necessidade de apoiar referências nacionais que inspiram a juventude e projectam o país no panorama internacional.

“Tiago Muxanga demonstra que, com disciplina, foco e determinação, é possível alcançar o topo do mundo. Na Amaramba Capital Dealer, acreditamos que a nossa missão ultrapassa os mercados financeiros e o investimento de capital. O nosso compromisso social exige que sejamos catalisadores do desenvolvimento humano e da excelência moçambicana. Homenagear o Tiago é reconhecer um símbolo de superação e investir no orgulho de toda uma nação.”, disse Baptista Machava, em representação de Joaquim Bazar, PCA da Amaramba Capital Dealer.

A direcção da Federação Moçambicana de Boxe (FMBoxe) marcou presença no evento e enalteceu a iniciativa da Amaramba Capital Dealer, sublinhando que o envolvimento do sector privado é determinante para a sustentabilidade do desporto de alta competição.

“A trajectória do Tiago Muxanga no boxe profissional é fruto de anos de entrega, mas consolida-se de forma muito mais sólida quando o sector empresarial se junta à causa desportiva. Agradecemos à Amaramba Capital Dealer por este gesto exemplar de reconhecimento. Esperamos que esta acção sirva de inspiração para que mais instituições financeiras e empresariais apostem nos nossos atletas.”, disse Gabriel Júnior, Presidente da Federação Moçambicana de Boxe.

O pugilista reiterou a sua determinação em continuar a defender as cores do país nos ringues internacionais.

“Receber esta homenagem da Amaramba Capital Dealer dá-me ainda mais força para continuar a trabalhar no duro. Estes títulos não são apenas meus, pertencem a Moçambique, à minha equipa e a todos os que acreditam no nosso boxe. O meu objectivo é continuar invicto e trazer mais cinturões para a nossa terra.”, promete Tiago Muxanga.

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Atletas de várias modalidades pedem a intervenção do Presidente da República para o pagamento dos seus prémios pela conquista de medalhas nas provas internacionais. Os mesmos estiveram, ontem, na Secretaria de Estado do Desporto para se inteirarem do andamento do processo.

É um caso que se arrasta há sete anos e que ainda não tem uma solução à vista. No último encontro, em Fevereiro, a Secretaria de Estado do Desporto comprometeu-se a começar o pagamento da dívida de 16 milhões de Meticais no fim do mês passado. A promessa, que não é a primeira, não foi cumprida.

Foi nessa perspectiva que os atletas procuraram, mais uma vez, entender junto da Secretaria de Estado do Desporto sobre os motivos por detrás do não cumprimento das deliberações saídas do encontro de Fevereiro.

Na ocasião, os atletas ficaram a saber que as regras do jogo tinham mudado. Ou seja, a SED vai passar a interagir com as federações nacionais sobre o assunto e não com os atletas como vinha a ser.

“Depois de várias tentativas, depois de vários fracassos naquilo que nós acordamos sobre a forma de comunicação que teríamos com a Secretaria de Estado do Desporto em relação ao andamento do processo, tentamos contactar a SED por via de duas pessoas, em que nos foi dada a liberdade de interagir com elas. Estranhamente houve alteração no processo, pois ficamos a saber que temos de passar a marcar audiência, ao que fizemos. Sucede que até hoje ainda não temos a resposta do nosso pedido submetido há uma semana”, explica Osvaldo Machava.

Essa atitude, segundo Osvaldo Machava, é uma prova de que, afinal de contas, a Secretaria de Estado do Desporto não está a mover uma palha sequer para resolver o problema dos atletas.

“Não é só a questão da comunicação por via das federações, é o processo em si. Todo esse tempo nós viemos atrás do assunto e até esperamos um pouco mais daquilo que tínhamos acordado para sabermos em que ponto o processo está. O director nacional do Desporto para Alto Rendimento não nos conseguiu dizer com exatidão qual é o ponto de situação do processo. Isso nos faz perceber que não há nenhuma accção a ser desencadeada nesse sentido”, anota Machava.

 

SED: O PROCESSO ESTÁ EM ANDAMENTO

Na sua explicação Francisco da Conceição disse que o processo está em andamento, tal como já o fez em outras ocasiões em que a SED manteve encontros com os atletas. A explicação do dirigente não convenceu os atletas.

“Não existe o apoio aos atletas, mas sim aos interesses das instituições que dirigem o desporto para ter ganhos com as nossas participações em eventos internacionais. É uma série de coisas que são mais políticas que desportivas”, entende Aldevino Nuvunga.

A interacção entre a SED e os atletas teve momentos tensos.

“Quando há cinco anos decidi abandonar a selecção nacional foi por sentir que somos desvalorizados neste país e tinha razão nisso”, desabafou Délcio Soares, um dos renomados atletas de voleibol moçambicano.
Diante da situação, os atletas prometem mudar de estratégias na sua forma de reivindicar os seus prémios. Avançam que nos próximos dia haverá muito pano para manga em torno do assunto.

A Palestina retomou oficialmente, esta terça-feira, os procedimentos para se tornar um Estado-membro de pleno direito das Nações Unidas, apesar da guerra entre Israel e o movimento islamita palestiniano Hamas.

Palestina decidiu retomar um processo antigo para se tornar Estado-membro das Nações Unidas. Riyad Mansur, embaixador palestiniano junto das Nações Unidas, dirigiu uma carta a António Guterres, secretário-geral da ONU, pedindo ao Conselho de Segurança, do qual Moçambique faz parte, que analise, dentro deste mês, o pedido de adesão que foi apresentado em 2011. Disse, ainda, que foi a comunidade internacional que decidiu criar dois Estados na Palestina em 1947, e que, por isso, é seu dever, juntamente com o povo palestiniano, completar este processo, admitindo a Palestina como Estado-membro. Segundo a Agência France Press, a carta foi recebida pela presidência do Conselho de Segurança e estão a ser feitas consultas bilaterais para decidir o caminho a seguir.

Dos 193 Estados-membros da organização, 139 já reconhecem o estatuto da Palestina como observador nas Nações Unidas. Na semana passada, Espanha, Malta, Eslovénia e Irlanda anunciaram estar prontos para reconhecer o Estado da Palestina e insistiram num cessar-fogo imediato.

O primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, revelou que o seu país prevê reconhecer o Estado palestiniano até Julho, antes de iniciar uma visita a três países do Médio Oriente para abordar a situação em Gaza e o conflito israelo-palestiniano.

Mais de 60 professores da Escola Secundária da Machava-Sede, na Província de Maputo, decidiram paralisar as actividades em reivindicação do pagamento de horas extras referentes a dois anos. A situação deixou cerca de 12 mil estudantes sem aulas.

Parece estar longe do fim o braço-de-ferro entre os professores e o Ministério da Educação. Na manhã desta quarta-feira, 4 de Abril, os alunos da Escola Secundária da Machava-Sede, no município da Matola, Província de Maputo, viram-se impedidos de assistir às aulas.

“O motivo principal da nossa reivindicação é o não pagamento das horas extras atinentes ao ano 2022, 2023 e 2024. Mas, sobretudo, as horas extras de 2022, pelo facto de a maior parte das escolas no município da Matola terem sido pagas, estando a nossa sem o ordenado ainda na ponta”, denunciou Vontade Carlos, professor de Biologia na Escola Secundária da Machava Sede.
Os professores da Escola Secundária da Machava-Sede sentem-se numa ilha e abandonados. Por isso, decidiram parar de dar aulas, até que os seus direitos sejam repostos.

“Os professores da Escola Secundária da Machava-Sede estiveram reunidos, onde deliberaram que deviam optar por esta manifestação. Fixamos um prazo de sete dias da manifestação, sendo que, em caso de o Governo de Moçambique não pagar as horas extras, iremos reunir-nos e decidir por um novo prazo de dilação”, avisou Vontade Carlos.

São mais de 60 professores que não darão aulas a pelo menos 12 mil alunos desta escola e invocam, além do não pagamento das horas extras, outros problemas.

“Os professores trabalham aqui, nesta escola, de manhã, à tarde e à noite. Em algumas situações, nós trabalhamos em salas superlotadas, acima de 120 alunos por turma”, avançou.

E porque os problemas são vários e já tentaram ter a solução pacificamente, mas sem sucesso, decidiram recorrer à manifestação.

Sociedade civil queixa-se de limitações no acesso ao espaço cívico
A sociedade civil diz haver cada vez mais restrições na sua participação no espaço cívico, com destaque para pleitos eleitorais. Para reverter o cenário, organizou, esta segunda-feira, em Maputo, um debate que juntou instituições do Governo e partidos políticos.

As organizações da sociedade civil dizem haver distanciamento do Governo em matérias de direitos humanos e repressão em caso de contestação, o que limita a sua intervenção no espaço cívico. O cenário agrava-se em contextos eleitorais, tal como deu a conhecer Osman Cossing, coordenador de Programas no Instituto para Democracia Multipartidária (IDM).

“Há um conjunto de iniciativas de manifestações de cidadãos que são reprimidas pela Polícia, num contexto do processo eleitoral. Há uma tendência de fechamento das organizações da sociedade civil, inclusive no processo de observação, através das barreiras na acreditação. A perspectiva que nós temos é a obtenção de espaço de actuação, onde teremos, por exemplo, no contexto do processo eleitoral, uma Polícia mais republicana, que facilita o exercício de direitos cíveis e políticos”, disse Osman Cossing durante o debate.

O Governo, representado pelo secretário permanente do Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Justino Tonela, classificou o evento como sendo de “extrema relevância” na busca de uma espaço cada vez mais inclusivo e que serve de “oxigénio para a democracia”.

Outra preocupação levantada pela sociedade civil neste debate é a limitação no acesso à informação em Cabo Delgado, província que se debate com ataques terroristas.

Os operadores da província da Zambézia estão a debater-se com problemas de mercado para colocar produtos florestais, nomeadamente a madeira. Sucede que os preços a nível internacional, com destaque para a China, baixaram drasticamente, o que não ajuda as empresas do ramo.

Outro facto é que esta província do Centro do país está a passar por dificuldades no que à utilização do Porto diz respeito, para facilitar a logística dos operadores. Ou seja, os preços de escoamento da Madeira são relativamente caros actualmente, tendo em conta que os operadores devem recorrer aos portos de Nacala, na província de Nampula, e Beira, na província de Sofala, encarecendo os custos de transportes.

O Porto de Quelimane, na província da Zambézia, funciona a meio gás, já que não recebe navios que transportam madeira para a Ásia e o resto do mundo.

Dilton de Oliveira, chefe do departamento de florestas, nos serviços províncias do ambiente, diz que “o facto de a província da Zambézia não ter porto para receber navios que transportam aquela mercadoria coloca baixa no volume explorado anualmente”. E diz mais: “Só para se ter uma ideia, se antes a província chegava a arrecadar 30 milhões de Meticais por ano, hoje os números não vão para além da metade, 15 milhões de meticais”.

Para Dilton de Oliveira, para quem urge a viabilidade do Porto no manuseamento daquele tipo de carga, não só para apoiar os operadores mas também para reavivar a economia da província, “este facto ilustra um revés da contribuição da província na arrecadação de receitas aos cofres do Estado”.

A nossa fonte refere, ainda, que os operadores florestais da província são, para além do Estado, os mais prejudicados no processo de exploração da madeira.

“Veja que muitos operadores tinham na madeira a principal fonte de renda das suas famílias, mas hoje, por causa da falta de um porto que manuseie aquele tipo de carga na nossa província, coloca aquele grupo social falido, já que muitos não têm dinheiro para escoar o recurso para as províncias de Sofala, Nampula ou até Maputo, que têm sido os principais mercados, por falta de dinheiro para este feito”, disse Dilton.

Os operadores florestais ouvidos pela nossa reportagem dizem que o levantamento da suspensão da madeira do tipo “pau ferro” pelo Governo central poderia minimizar a escassez de recursos financeiros por parte dos empresários do ramo, já que aquela espécie florestal tem um valor comercial relevante no mercado internacional. Contudo, a exploração daquela espécie em Moçambique ainda é proibida por lei desde o ano 2016, através de um diploma ministerial.

Com a abertura da campanha de exploração florestal em 2024, a província espera licenciar 60 operadores, contra 55 do ano passado. No ano passado, a província da Zambézia movimentou cerca de dois mil metros cúbicos de madeira, contra mais de 15 mil que produzia há cinco anos.

Vários factores estão por trás da situação, nomeadamente os aspectos financeiros por parte dos operadores para fazer a logística, disponibilidade do porto, entre outros.

O delagado da Agência da Qualidade Ambiental (AQUA) na Zambézia, Albazine Majunguele, diz que a instituição tem estado a fazer campanha preventiva junto dos operadores para reduzir casos de exploração ilegal.

No entanto, Zambézia lançou a campanha de exploração florestal. Nos últimos quatros anos, o governo da província disponibilizou mais de 20 milhões de Meticais para as comunidades, provenientes dos 20% da taxa de exploração florestal. 

O Presidente do Senegal, Bassirou Faye, nomeou Ousmane Sonko, opositor excluído das presidenciais, para o cargo de primeiro-ministro do país.

Ousmane Sonko é nomeado primeiro-ministro, de acordo com o decreto lido pelo secretário-geral da Presidência da República senegalesa, Oumar Samba Bâ, na televisão estatal RTS na terça-feira.

“Aprecio a importância da confiança depositada em mim”, disse Sonko citado pelo Notícias ao Minuto.

Sonko, de 49 anos, que propôs a candidatura de Faye depois de a sua ter sido invalidada, anunciou que um novo governo será formado nas próximas horas.

Horas antes, Faye tinha sido empossado como Presidente, numa cerimónia que contou com a presença de outros líderes da região, e na qual jurou cumprir fielmente as funções e observar escrupulosamente as disposições da Constituição e das leis, bem como defender as instituições, a integridade do território e a independência do país.

Bassirou Diomaye Faye é o quinto Presidente do Senegal desde que o país se tornou independente de França em 1960, substituindo no cargo Macky Sall, que completou o segundo e último mandato permitido pela Constituição.

O Governo quer que o Parlamento faça mudanças na lei que cria o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), de modo a estar em sintonia com a legislação penal e processual recém-actualizada. Entre elas, estão alterações nas direcções nacionais, incluindo no gabinete nacional da INTERPOL.

Na sessão do Conselho de Ministros de ontem, o porta-voz explicou que será criada uma nova estrutura organizativa nas direcções da instituição para serem capazes de prevenir crimes actuais, como os raptos.

“O SERNIC vai organizar-se em direcção geral com a seguinte composição: inspecção nacional, direcções nacionais, o gabinete nacional da INTERPOL, as unidades especializadas, o estabelecimento de formação, os departamentos centrais autónomos, o gabinete do director geral e a secretaria geral”, disse Filimão Suazi, porta-voz do Conselho de Ministros.

Muitos destes sectores já existem, o que se pretende é criar uma estrutura para que possam funcionar efectivamente de forma eficiente e eficaz.

“Nós queremos crer que dentro desta organização encontraremos um melhor espaço para discutir processos de combate aos crimes de raptos e crimes transnacionais e outros”, explicou Filimão Suazi.

Na sessão, o Governo fez actualização do impacto das chuvas que caíram no sul do país em finais de Março, com destaque para as mortes.

“Temos sete feridos e com muita infelicidade tivemos nove óbitos, 173 casas parcialmente destruídas, 99 casas totalmente destruídas e 20023 casas inundadas”, fez saber o porta-voz do Conselho de Ministros.

Devido às inundações, há ainda registo de 113 salas de aula destruídas e mais de 78 mil alunos afectados.

O Secretário de Estado do Desporto, Carlos Gilberto Mendes, recebeu, esta segunda-feira, a delegação nacional que esteve em Acra a participar dos Jogos Africanos e conquistou seis medalhas, e a selecção nacional de futebol de praia, vice-campeã do torneio COSAFA, edição 2024. Mendes felicitou e agradeceu aos atletas por elevarem a bandeira nacional

Foram dois momentos distintos em que o Secretário de Estado do Desporto, Carlos Gilberto Mendes, recebeu atletas que elevaram a bandeira nacional em provas internacionais, nomeadamente a delegação que esteve nos Jogos Africanos de Acra e a selecção que esteve no torneio regional do Cosafa.

Na sua intervenção aos 32 atletas que estiveram em Acra, no Gana, nas olimpíadas africanas, Mendes deixou uma mensagem de encorajamento pelo esforço feito pelos atletas, principalmente por aqueles que estiveram nas finais da respectivas modalidades e não conseguiram as medalhas.

Aliás, Gilberto Mendes disse que os atletas podiam ter feito mais e que o país podia ter tido mais medalhas, com destaque para a medalha de ouro, única que faltou entre os participantes.

Recorde-se que Moçambique terminou a competição africana na 31ª posição com seis medalhas, sendo cinco de prata e uma de bronze.

Já na recepção à selecção nacional de futebol de praia, que também terminou em segundo lugar no torneio regional do Cosafa, Gilberto Mendes felicitou os atletas pelo esforço e disse que a modalidade continua a dignificar o país.

“Estamos satisfeitos, parabéns. Agora, foco no CAN, para que possamos, também, chegar ao Mundial de Futebol de Praia”, disse Gilberto Mendes aos atletas da selecção de futebol de praia.

Mas para tal, de acordo com Mendes, “é preciso que o futebol de praia seja praticado regulamente”.
Rachid, em representação dos atletas, pediu que a modalidade seja vista com mais atenção.

“Esta é a mesma geração de futebol de praia de 2021 que logrou os intentos de ganhar o CAN, em Senegal. Essa geração não esquece das coisas prometidas e nunca perdeu a cabeça, o Presidente da Federação (Feizal Sidat) sabe disso, estámos aqui para lutar por este país, mas pedimos que olhem por nós”, disse Rachid.

Feizal Sidat, Presidente da Federação Moçambicana de Futebol, por seu turno, disse reconhecer ser “uma equipa de humildade e de sacrifício” e por isso, “nós como federação vamos continuar a dar o nosso apoio”.

Recorde-se que para além da medalha de prata referente ao segundo lugar, após perder com Marrocos nas grandes penalidades, Moçambique viu Figo a ser eleito melhor jogador e melhor marcador com oito golos.

Por: Edna Matavel

 

Venho da cidade dos santos, onde tudo é proibido para os mais novos. Criticar aos mais velhos é sinónimo de desrespeito.

Mandoza nasceu e cresceu na Igreja Santo dos Santos, que leva o nome daquela comunidade. Fez os estudos dominicais e teve, sempre, destaque. Jovem aplicado e obediente. Essas são as qualidades que o permitiram alcançar a tão esperada bolsa de estudos para o estrangeiro, onde passou a estudar Teologia. Sempre foi culto e exemplar para os habitantes da sua povoação.

Na cidade do estrangeiro em que passou a viver, frequentou a igreja que seria responsável pelo seu processo de aprendizagem. Entretanto, as práticas que ali se viam eram abomináveis segundo as suas tradições, e, para manter firme a sua fé e seus princípios, via-se obrigado a recorrer às escrituras sagradas em busca de refúgio. Facto curioso: os usos e costumes da religião a que Mandoza passara a professar, eram bastante distintos do padrão, pois a homossexualidade, o adultério e os demais vícios, eram normalizados naquela congregação. O seu processo de ambientação não foi tão difícil, tanto é que, acabou por conhecer uma jovem de nome Laureta. Ela apresentou-o a jovens com os quais passou a partilhar várias experiências sobre assuntos relevantes daquele tempo. A par disso, Mandoza continuava retrógrado, pois, os hábitos do campo resistiam na sua veia.

Com o tempo, ele percebeu que não existe um pecado condenável em relação ao outro. Tudo depende das práticas sociais e a forma como se faz julgamentos ao estilo de vida de cada povo. Pelo que, o que sempre considerou pecado, para outros, era um prazer espiritual.

O seu relacionamento com Laureta foi crescendo e, inevitavelmente, apaixonou-se por ela.

O estilo de vida da jovem era diferente do seu. Ela, de beleza exuberante, levava a vida social assiduamente, o que lhe viria, a posterior, gerar uma estatura degradante. E porque o amor é um sentimento que por vezes nos tolda a razão, Mandoza renunciou tudo e seguiu a podridão de vida da mulher amada. Passou a amá-la. Em detrimento destes acontecimentos, a rotina do pobre homem, sofreu uma metamorfose. As Discotecas e casas de pastos tornaram-se o seu abrigo. Nessas ramboias, Mandoza embriagou-se. Na mesma noite, Laureta traiu-o com um amigo. Foi uma enorme decepção para a vítima do infortúnio. Por causa disso, apelidou aquela cidade como “Cidade dos Amores Ocultos”, pois foi onde descobriu-se e soube que existia uma outra vida além do templo.

Numa manhã de quarta-feira, antes do culto, teve um exame de consciência. Ele percebeu que fugia do foco, que consistia em aprimorar os conhecimentos de modo a que pudesse ajudar no crescimento espiritual dos irmãos que ficaram na cidade Santo dos Santos. Ele pediu perdão diante de Deus, por ter-se deixado levar por um amor ilusório e satánico.

Mandoza pegou na Bíblia para sanar as dúvidas que prevaleciam dentro de si. Pretendia entender se diante de Deus existia distinção entre cultura, porque para os jovens e outros crentes da igreja que frequentava, os vícios faziam parte da modernidade. Para estes, o mais importante era estar presente na missa.

– Será mesmo que há uma escritura sagrada moderna que funciona com base nas virtudes e desejos do mundo? Será mesmo que o desejo de servir a Deus que outrora atraía os homens ainda prevalece? Ou existem, agora, deuses dentro do Deus omnipotente para satisfazer as necessidades individuais.

Estas foram as inquietações de Mandoza até regressar à terra natal, a Cidade Santo dos Santos, onde para ele ainda constituía o verdadeiro tesouro da herança celestial.

Quando chegou à povoação, a primeira coisa a fazer foi visitar a igreja que o viu nascer, para dar vida a aquilo que sempre acreditou e que a cidade dos Amores Ocultos não conseguiu tirar: dar tudo por amor a Cristo.

Para o seu desgosto, as boas práticas com as quais cresceu não mais existiam, o ministério mudou e, nomeava-se membros a cargo de servo mediante as condições financeiras. Passaram a ser os bens da terra a escolher quem servir a Deus. Assim, a mansão celeste passou a ser comprada.

Os cultos deixaram de ser voltados ao pai celeste e passaram a ser uma espécie de exibicionismo, em que os mais sucedidos alcançavam a bênção e os demónios manifestavam-se nos pobres. Mandoza ficou revoltado e a sua fé entrou em crise. Questionava, incansavelmente, para onde perdeu-se a moral da igreja.

Numa dessas madrugadas de vigília, saiu da capela para apanhar ar, e enquanto outros irmãos oravam pedindo protecção, misericórdia e perdão de Deus, os outros, do lado de fora da Capela, faziam amor nos carros aos olhos de Jesus Cristo para de seguida entrar no templo do Senhor e ajoelhar em jeito dissimulado orando “Pai nosso que estás no céu”.

Se é que se zanga com Deus, Mandoza devia estar a carregar a dor de todos. Renunciou a sua fé, julgando que a verdade da religião reside naquilo que nunca foi desvendado. A inveja morava sobre todos os crentes. Os que se revestiam do espírito de Deus para tirar proveito da cegueira espiritual dos fiéis, a igreja virou centro de fofocas. Foi então que Mandoza decidiu abraçar as suas raízes, dizendo que mil vezes servir e andar de acordo com a vontade dos ancestrais a mentir servir a Deus para beneficiar um grupo de homens gananciosos.

A avó de Mandoza era curandeira. No primeiro domingo do mês, ele foi até à palhota para entregar-se à vontade dos espíritos. Foi um momento de júbilo para ela, porque acreditava que o neto havia desperto para a vida e para as raízes. Portanto, ele recebeu a bênção e um ritual de “hoyo hoyo kava kokwana”. Passou a usar seu nome tradicional em jeito de reverência. Os dias passaram a ser diferentes. Apagaram-se todas lembranças da cidade dos Amores Ocultos, duas vezes ao dia ia às campas para servir aguardente aos espíritos.

Num desses dias enquanto dormia, despertou e ouviu vozes ruidosas a chamar por ele em direcção ao cemitério familiar. Quando ali chegou, ficou debruçado na campa do avô e gritou: levem-me às alturas. Foi neste instante que uma serpente apareceu subitamente e o devorou.

No dia seguinte, como era de praxe, a avó foi depositar flores e deparou-se com o corpo do neto no chão, os servos que o acompanhavam manifestaram e os espíritos começaram a disputar. Os espíritos maternos queriam que ele fosse servo de Deus e com práticas modernas para ser motivo de orgulho e representante da família. Entretanto, a família paterna queria-o na palhota ao serviço dos espíritos da família. Os gritos chegaram à aldeia e todos assistiram aquele espectáculo de disputa espiritual.

Minutos depois, chegou-se à conclusão que ele tinha de ser sepultado no mesmo instante sem ser levado à aldeia, porque a sua presença em casa resultaria em outras mortes como recompensa por não ter atendido aos antepassados.

Um mês depois, sua alma começou a perturbar os petizes. O defunto queria ser glorificado a viver numa alma pura. Todas as crianças não resistiram e perderam a vida e a aldeia, desta feita, ficou de luto.

 

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