O Tribunal Judicial da Cidade de Quelimane condenou Telma Gonçalves da Silva Viegas e Zacarias Inácio Moé pelo crime de denúncia caluniosa contra o presidente do Conselho Autárquico de Quelimane, Manuel de Araújo, pondo termo ao processo relacionado com alegadas falsas acusações apresentadas na sequência das eleições autárquicas de 2023.
Na sentença, a juíza Priscila Briz considerou provado que os arguidos não conseguiram sustentar, em tribunal, as acusações formuladas contra o edil, concluindo que a sua honra, reputação e bom nome foram lesados.
Telma Gonçalves acusava Manuel de Araújo de ter mobilizado simpatizantes da Renamo para se deslocarem à sua residência e ao seu local de trabalho, onde alegadamente a insultavam, chamando-lhe “ladra de votos”. Por sua vez, Zacarias Inácio afirmava que apoiantes do autarca o intimidaram a si e à sua família através da exibição de cartazes. As denúncias foram apresentadas ao Ministério Público, mas o tribunal concluiu que não foram produzidas provas que as sustentassem.
Perante essa situação, Manuel de Araújo intentou uma acção por denúncia caluniosa, reclamando uma indemnização de dois milhões de meticais pelos danos causados à sua imagem e reputação.
Na decisão, o tribunal condenou cada um dos arguidos à pena de um ano e dois meses de prisão pela prática do crime de denúncia caluniosa, previsto no artigo 402.º do Código Penal. Contudo, a pena de prisão foi substituída por multa, nos termos da lei.
No âmbito do pedido de indemnização, o tribunal julgou a acção parcialmente procedente, condenando os arguidos a pagarem, individualmente, 100 mil meticais a Manuel de Araújo por danos não patrimoniais. Foram igualmente condenados ao pagamento das custas judiciais.
À saída do tribunal, Manuel de Araújo afirmou que a decisão representa o restabelecimento da sua honra e uma vitória da justiça. O autarca lamentou, porém, a demora na tramitação do processo, iniciado em 2023, defendendo uma justiça mais célere, proporcional e eficaz.
Segundo Araújo, o objectivo da acção nunca foi financeiro, mas sim pedagógico, visando desencorajar denúncias falsas e reforçar a responsabilização de titulares de cargos públicos e de todos os cidadãos.
Os arguidos abandonaram o edifício do tribunal sem prestar declarações à comunicação social.
A decisão ainda não transitou em julgado e poderá ser objecto de recurso, nos termos da lei.
Os operadores privados dizem que estão a fazer os seus pagamentos, mas com dificuldades, porque o Governo não está a pagar os subsídios como deve ser, o que dificulta o trabalho.
O presidente da FEMATRO, Castigo Nhamane, reagia, assim, às palavras do ministro dos Transportes e Comunicações, Mateus Magala, e do director-executivo do Fundo de Transportes e Comunicações, Paulo Ricardo, que explicavam que as empresas privadas não estão a pagar a letra para a operacionalização desses autocarros e, por isso, precisam de rever um outro modelo de gestão dos autocarros.
As palavras não agradaram aos operadores por darem a entender que eles não são “incumpridores”, o que fez com que Castigo Nhamane explicasse que, quando o projecto foi desenhado, o contrato previa que as empresas que forneceram os autocarros seriam responsáveis pelo pagamento de seguros e manutenções, e isso foi-se cumprindo até à eclosão da pandemia da COVID-19, quando foram impostas medidas como a questão da lotação dos autocarros, que, de alguma forma, lesava o operador.
“Foi-nos dito que devíamos cumprir com a lotação cumprida nos decretos e que o Governo havia de suportar os prejuízos que iríamos acumular. Isso aconteceu, mas, findos os nove meses do decreto a vigorar, o Governo não assumiu nada dos prejuízos que acumulamos e bem apresentamos. Entretanto, ainda assim, os operadores continuaram a pagar, não na totalidade, mas aquilo que conseguiam”, explicou o presidente da FEMATRO.
Mesmo assim, conforme explicou, dos 350 autocarros que lhes foram entregues há mais de seis anos, 90 por cento estão a funcionar, e desafiou a ver se o mesmo acontece nas empresas públicas.
Nhamane reconheceu, porém, que os subsídios estão a ser pagos apesar de o valor não corresponder à realidade, uma vez que, para cada autocarro, o subsídio mensal é de 16 mil Meticais, “o que não chega nem para comprar um pneu”.
“Como é que esses operadores estão a viver? Eu tenho coragem de dizer que os operadores privados são heróis deste país, porque, mesmo com todas as dificuldades, estão a operar”, sublinhou.
Assumiu, também, já ter terminado o seguro para um lote dos autocarros há um mês, mas que os restantes estão a ser pagos há três anos.
“Acham que é possível pôr um carro a trabalhar durante três anos sem mudar o óleo e filtro? É impossível. Quem está a pagar são os operadores e deviam ser as empresas que foram indicadas a fazer isso. A própria Matchedje, que parou há pouco tempo de fazer manutenção, nem fazia manutenção geral, era ordinária, mudava os filtros e as balatas apenas e, mesmo assim, sempre reclamamos do mau serviço que a Matchedje prestava para nós e, se esses carros estão a funcionar, é pelo esforço do operador e não pelas manutenções oferecidas pela Matchedje.”
Os operadores vão mais longe e dizem que o Governo pode muito bem estudar outro modelo de gestão, mas que o mesmo sairá mais caro em relação ao modelo actual.
A Ordem dos Enfermeiros de Moçambique dá 45 dias a todos os profissionais não inscritos na agremiação para regularizarem a situação. Caso contrário, serão presos e multados conforme a lei.
A decisão consta de um comunicado no qual a Ordem dos Enfermeiros de Moçambique determina um prazo de 45 dias para todos os enfermeiros se inscreverem na agremiação.
Findo o prazo, todos os profissionais não inscritos serão considerados ilegais e penalizados por não ter carteira profissional. “Aquele que exercer, contra lei ou regulamento, actos próprios de uma profissão sem possuir o correspondente título oficial, diploma ou autorização que, legalmente, habilite a esse exercício, é punido com pena de prisão de 6 meses a 2 anos e multa correspondente.”
As taxas para o pagamento de inscrição e quotas anuais variam de categoria e tempo de atraso. Por exemplo, um técnico de Enfermagem B deve pagar uma quota que varia de 1700 a 6450 Meticais, dependendo dos anos de atraso.
Já um enfermeiro especialista deve pagar valores que variam de 4450 a 22 950 Meticais.
Reagindo ao assunto, a Associação dos Enfermeiros de Moçambique diz que os valores são exorbitantes.
O jornal O País ouviu o jurista Álvaro Duarte, que considera não haver fundamento para a cobrança, com retroactivos, das quotas exigida pela Ordem dos Enfermeiros de Moçambique.
A Ordem dos Enfermeiros prometeu explicar-se esta terça-feira.
O advogado da família do Guebuza, Alexandre Chivale, foi detido na manhã desta segunda-feira, na Direcção de Migração da Província de Maputo, quando tentava fazer a captação de dados para a renovação do seu passaporte. Era a primeira vez que tentava renovar o passaporte pessoalmente, depois de várias tentativas de actualização à distância.
A detenção ocorreu por volta das 11h, em cumprimento de um mandado de captura emitido pelo Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, durante o julgamento do caso das dívidas ocultas, na B.O. Desde essa altura Chivale esteve fora do país, até ser visto publicamente em meados deste ano.
“Confirmamos a detenção”, disse ao Jornal O País a porta-voz da Migração na Província de Maputo, Carmen Mazenga, acrescentando que “só cumprimos o mandado que tínhamos há algum tempo”. A Migração remeteu mais detalhes à Procuradoria da Cidade de Maputo.
Segundo fonte próxima ao caso, Alexandre Chivale foi levado da Matola até ao Tribunal Judicial do Distrito Kampfumo, onde foi ouvido no quadro do processo de desobediência, que foi aberto contra si. Horas depois, foi liberto, devido a uma contradição entre os despachos do tribunal e da procuradoria.
Às 18h00 desta terça-feira, o Camões – Centro Cultural Português acolhe uma sessão de leitura e conversa sobre o livro “Névoa na Sala”, de Mélio Tinga, e chancela da Catalogus. Trata-se de um momento de conversa entre o autor e o público, contando com a participação especial de Jorge Ferrão, que tecerá os seus comentários sobre a obra e também de Sufaida Moyane, que fará leituras do livro. A moderação será feita por Elton Pila e a entrada é livre.
O livro de Mélio Tinga foi apresentado no primeiro semestre deste ano. E tem como sinopse: “Um homem acaba acidentalmente nas trincheiras de uma guerra, no norte do país. Um morto fá-lo regressar. O pai espera-o à porta. Os fantasmas da guerra perseguem-no, no seu íntimo. Passa, por isso, parte da sua vida num hospital especializado em traumas e depressão, onde se apaixona por uma mulher que procura curar a dor de tentar conceber, poeta talentosa que esconde um mistério debaixo da cama. Ele terá de descobrir, mas também de aprender a lidar com a cisão de um profundo amor. Névoa na Sala é um romance experimental que rema contra a maré e gravita entre os traumas da guerra, a força do amor e da depressão; interroga o que pode um morto quando regressa, revisita memórias e procura descobrir o que de poderoso pode habitar o coração do Homem”, lê-se na nota do Camões.
Mélio Tinga é escritor de ficção e designer de comunicação. É autor de oito livros, entre os quais “Marizza”, sua estreia no romance, obra vencedora do Prémio Literário Imprensa-Nacional Casa da Moeda/ Eugénio Lisboa 2020. Para além de Moçambique, seus livros estão também publicados em Portugal e no Brasil.
Tinga foi vencedor da Residência Literária em Lisboa 2023 e distinguido com o Prémio das Indústrias Culturais e Criativas (PREICC) 2023, pelo Ministério da Cultura e Turismo. Venceu o BLOG4DEV 2021 do Banco Mundial e foi finalista do Prémio Literário 10 de Novembro 2019. Recentemente, foi seleccionado para bolsa “AléVini”, um programa para apoiar a mobilidade profissional, liderado pela Comissão do Oceano Índico e financiado pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).
É co-fundador e director executivo da Catalogus e de OitentaNoventa – Projecto de ligação entre gerações literárias e é Vice-Presidente da ACUP – Associação Cultural da Universidade Pedagógica. É licenciado em Educação Visual, pós-graduado em Branding.
Nesta quarta-feira, às 17h30, o Camões – Centro Cultural Português em Maputo vai acolher acolher a apresentação pública de “Teoria das Catástrofes Elementares”, de Rita Canas Mendes. O livro tem a chancela da editora Elsinore e conta com a apresentação, em Maputo, por Eliana N’Zualo.
De acordo com a nota de imprensa do Camões, “Teoria das Catástrofes Elementares” ensina a teoria matemática que todo o acontecimento súbito e avassalador, a que chamamos catástrofe, não é mais do que o produto de incontáveis pequenas transformações passadas, e que todas as formas e seres, que julgamos fixos e permanentes no tempo, estão sujeitos a imprevisíveis variações futuras.
Igualmente, avança a fonte, no seu romance de estreia, Rita Canas Mendes, com o olhar móvel da infância e da adolescência, percorre com humor e ironia os episódios, tristes, cómicos, trágicos e quotidianos, que constituem as vivências das várias gerações de uma família.
Decorrido entre Lisboa e Cascais nas décadas de 1990 e 2000, com incursões pontuais pela Guerra Colonial ou de Libertação, o norte de Portugal e a Euro Disney, “Teoria das Catástrofes Elementares” é um romance em estilhaços, um vitral de memórias, traumas e identidades que revisita a história.
Rita Canas Mendes (Lisboa, 1984) é formada em Filosofia (FLUL) e tem uma pós-graduação em Livros e Novos Suportes Digitais (UCP). Trabalha há vários anos no mundo editorial, tendo passado por diversas chancelas de renome. Actualmente, dedica-se à escrita e à tradução, o que lhe tem permitido conhecer a fundo a obra de grandes autores contemporâneos, tanto na área da ficção como na do ensaio.
Além da escrita e tradução, também ministra workshops para adultos («Como Publicar o Seu Livro») e crianças («Afinal o que É uma Nuvem?» e «Como se Faz um Livro?»), que realiza em escolas, bibliotecas e outras instituições.
Em 2021, ganhou uma Bolsa de Criação Literária. Em 2022 recebeu um financiamento da Sociedade Portuguesa de Autores para a conceção do projeto infanto-juvenil «Uma Casa Portuguesa». Em 2024, foram-lhe atribuídas duas residências literárias internacionais, uma pela União Europeia e outra pela CPLP, para desenvolver projectos em Paris e Maputo, respectivamente.
Neste momento, tem oito obras publicadas, todas em áreas distintas — do guia prático ao livro infantil. A mais recente, Teoria das Catástrofes Elementares, publicada pela Elsinore (Grupo Penguin-Random House), foi aclamada pela crítica como «um dos romances portugueses mais sérios e divertidos em muito tempo» (Observador), sendo «irónico e sensível, com um manuseio ágil das palavras» (Público).
Rita Canas Mendes encontra-se em Maputo, nesta data, ao abrigo da Residência Literária promovida pelo Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP).
Eduardo Jumisse volta a fazer parte da equipa técnica dos Mambas, depois de mais de um ano e meio afastado por decisão da direcção da Federação Moçambicana de Futebol. O regresso de Jumisse foi uma das exigências do seleccionador nacional, Chiquinho Conde, nas negociações para a renovação do seu contrato.
Eduardo Jumisse tinha sido afastado por alegadamente ter induzido os jogadores a entrarem em greve no fim do CHAN 2022, em reivindicação do aumento dos valores de premiação por terem se qualificado para os oitavos-de-final da prova.
No entanto, também pesava o facto de não ter um nível que o permitisse ser assistente do seleccionador nacional, o que foi ultrapassado, depois de ter terminado o curso B da CAF, organizado pela FMF.
E porque não havia espaço para o aumento do número de assistentes de Chiquinho Conde, a Federação Moçambicana de Futebol viu-se obrigada a afastar Mbinho, que era o adjunto de Chiquinho Conde, para a integração de Eduardo Jumisse, que assim regressa, e com contrato até 31 de Janeiro de 2026, tal como os restantes assistentes, que renovam os seus contratos.
As autoridades que investigavam a morte do Presidente iraniano Ebrahim Raisi e do ministro dos Negócios Estrangeiros daquele país concluíram que a aeronave em que este seguia se despenhou após o aparecimento súbito de nevoeiro denso, descartando qualquer sabotagem.
Lembre-se, o acidente levantou suspeitas de sabotagem e receio do crescimento do conflito no médio oriente. Isto porque nos últimos meses antes da sua morte, o Presidente do Irão assumia-se como um firme adversário de Israel, apoiando o movimento islamita palestiniano Hamas, em conflito com Telavive.
Assim, justificou o ataque sem precedentes lançado pelo Irão contra Israel a 13 de Abril deste ano, utilizando 350 ‘drones’ e mísseis, a maior parte dos quais foram interceptados, com a ajuda dos Estados Unidos e de vários outros países aliados de Telavive.
A Fundação Aga Khan, uma das organizações não governamentais mais antigas que operam em Cabo Delgado, suspendeu todos os projectos de desenvolvimento que estavam a ser implementados nos distritos alvo de ataques terroristas.
Para evitar fechar as portas, actualmente, a Fundação Aga Khan está a trabalhar apenas em zonas consideradas seguras.
A suspensão dos projectos de desenvolvimento nas zonas consideradas de alto risco de ataques terroristas foi confirmada pelo director nacional da Fundação Aga Khan, Augusto Momade, uma das poucas organizações não governamentais que continua a trabalhar em Cabo Delgado, apesar da insegurança.
Actualmente, a Fundação Aga Khan só trabalha nos distritos que estão na lista de zonas consideradas seguras, com um novo projecto conhecido por Agrovida, que está a ser com o apoio do reino dos Países Baixos.
O projecto Agrovida está a ser implementado em Balama, Namuno, Montepuez, Chiúre, Ancuabe, Metuge, Mecufi e na cidade de Pemba, oito dos dezassete distritos de Cabo Delgado que, actualmente, são considerados de baixo risco de ataques terroristas.
O Município de Maputo volta a falhar a entrega da Avenida Julius Nyerere, cujas obras arrancaram no ano passado. A edilidade diz que a demora se deve à correcção do projecto que não incluía a implementação das valas de drenagem ao longo da via.
Depois de uma paragem considerável das obras de requalificação da Avenida Julius Nyerere, iniciadas em 2023, os motores voltam a roncar, só que, desta vez, com novas datas para a conclusão das obras. Segundo a edilidade, o troço só será concluído no primeiro trimestre de 2025.
O facto é que as obras da última fase de requalificação do troço de mais de cinco quilómetros deveriam ter sido entregues em Abril do presente ano, mas tal não aconteceu e o município passou a apontar o mês de Junho como a data limite. No terreno, a execução das obras é de 60 por cento, e o atraso preocupa os praticantes da via que, nestas alturas, já começam a associar a movimentação com interesses políticos.
“Essas mexidas no período da campanha eleitoral fazem-me perceber que isto é um assunto político. Então, eles estão a apressar-se agora para que a população veja que eles estão a trabalhar, mas é desgastante. Nós precisamos da via, porque é na via em que nos movimentamos”, disse Manuel Muchongue, munícipe de Maputo.
Depois do silêncio sobre os detalhes que norteiam o projecto, o Conselho Municipal decidiu abrir-se à STV e admitiu que o atraso se deve a uma correcção no projecto que, na sua concepção, não envolvia a construção das valas de drenagens.
“Quando se iniciaram as obras, não havia um projecto de drenagem das águas, seja de um ou do outro lado naquela zona e, à medida que se foi executando, identificámos a necessidade de desenhar um projecto de drenagem adequado para que aquela estrada possa durar mais tempo, e é isso que está a ser finalizado, que é o projecto executivo de drenagem. Assim que terminar, poderemos fazer o corte e a instalação do sistema”, explicou João Munguambe, vereador de Infra-estruturas e Salubridade na Cidade de Maputo.
A referida instalação de sistemas vai exigir, ainda, uma intervenção profunda no troço que compreende a lixeira de Hulene, cujo muro é quase inexistente e o lixo começa a invadir a via.
“Não há dúvida de que a existência da lixeira e daqueles líquidos naquele espaço específico representa um desafio maior, porque não se trata de águas pluviais que podem ser drenadas para os cursos de água ou para o oceano. Aqueles líquidos precisam de ser adequadamente tratados”, disse Munguambe, garantindo que há, neste momento, uma equipa de especialistas virados para esta acção.
Transportadores dizem somar grandes prejuízos
Mais de 10 rotas de transporte público de passageiros usam a via diariamente. Os automobilistas dizem que, devido ao estado da via, chegam a não conseguir trabalhar todos os dias da semana, uma vez que a manutenção é recorrente.
“Conforme estão a ver, as estradas não estão boas, e do outro lado não estão a terminar, e temos um congestionamento que não dá para nada. Estamos a trabalhar mal mesmo, muitos buracos não ajudam, a inspecção do carro não dura, trabalhamos um dia, no segundo dia o carro pára”, reclama Avelino Matusse, Transportador da Rota Xipamanine-Magoanine.
Outra vítima do atraso da entrega das obras da Julius Nyerere, é Collan Jossias, transportador da rota Praça dos combatentes-Zimpeto, que afirma que “nem temos ganhos praticamente. Diariamente, estamos nesta situação. Este troço todo até à Missão Roque só tem buracos atrás de buracos. Então, os carros sempre são danificados. Em cada seis meses, temos de ir à inspecção. Nessas circunstâncias, é complicado”.
O não envolvimento de consultores na concepção dos projectos é uma das falhas que o Município de Maputo terá cometido no presente projecto de melhoria da Av. Julius Nyerere, de acordo com a Federação Moçambicana de Empreiteiros. Segundo Bento Machaieie, em muitos casos, os empreiteiros são obrigados a fazer melhorias dos projectos.
“No processo de execução, o empreiteiro acaba por constatar alguns elementos que, para garantir a boa execução e qualidade da obra, acaba por propor à entidade contratante no sentido de corrigir, isso tem acontecido muito por esse tipo de situações”, lamenta.
Aliás, Machaieie aponta o atraso no desembolso dos pagamentos como a razão para o atraso das obras, que, muitas vezes, a culpa pública recai ao empreiteiro. Para o presidente da Federação Moçambicana dos Empreiteiros “um dos factores que pesa para isso acontecer tem a ver com os pagamentos, porque é recorrente as entidades contratantes lançarem concursos e no meio da execução da obra faltar dinheiro para terminar a obra e isso acaba criando condições para que seja dilatado o prazo da execução da obra”.
As obras custam cerca de 130 milhões de Meticais e o valor foi desembolsado dos cofres do município da capital.