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A crescente insatisfação da população sul-africana com a falta de água, electricidade e recolha de lixo está a enfraquecer o apoio ao Congresso Nacional Africano (ANC), numa altura em que o país se prepara para as eleições municipais, marcadas para 4 de Novembro. Várias sondagens recentes indicam uma redução da popularidade do partido, que enfrenta críticas pela corrupção e má gestão das autarquias.

A degradação dos serviços públicos tem levado alguns cidadãos a ameaçar boicotar as eleições, sobretudo nos bairros periféricos de Joanesburgo, onde milhares de famílias enfrentam dificuldades no acesso a serviços básicos.

Em Katlehong, nos arredores de Joanesburgo, cerca de 180 famílias dependem de ligações eléctricas ilegais há mais de 20 anos. Os cabos atravessam as calçadas e transportam energia de outras zonas da comunidade, numa tentativa dos residentes de contornar a falta de fornecimento regular. O líder comunitário Lesiba Rankapole afirma que os moradores decidiram não votar enquanto não tiverem acesso à electricidade. “Tomámos uma decisão colectiva: sem electricidade, sem voto”, declarou, defendendo que a falta de energia compromete o futuro das crianças e o desenvolvimento da comunidade.

A mesma revolta é manifestada por Enock Majola, outro residente de Katlehong, que acusa as autoridades de não resolverem os problemas locais, incluindo a deposição ilegal de lixo. O cidadão, que afirma ter crescido a apoiar o ANC, diz já não querer ouvir falar do partido devido às dificuldades que enfrenta.

Em Alexandra, outro bairro periférico de Joanesburgo, a situação também é preocupante. O lixo acumula-se nas ruas, as águas residuais correm a céu aberto e muitos residentes não dispõem de água canalizada.

Para vários cidadãos, a corrupção e a má gestão municipal estão entre as principais causas da deterioração dos serviços públicos e da perda de confiança nas autoridades. “Não vou votar porque já não acredito no nosso Governo. Decepcionou-nos inúmeras vezes”, afirmou o residente Sipho Mandala.

Apesar do descontentamento, alguns eleitores continuam fiéis ao ANC, sobretudo pelo seu papel histórico na luta contra o apartheid. Um morador de Katlehong, mesmo confrontado com problemas de saneamento na sua residência, admitiu que voltaria a votar no partido, caso conseguisse chegar a uma assembleia de voto.

O ANC, que tem no antigo Presidente Nelson Mandela uma das suas principais figuras históricas, conquistou quase 70 por cento dos votos nas eleições nacionais de 2004. Contudo, a sua influência eleitoral tem vindo a diminuir. Nas eleições municipais de 2021, o partido obteve 46 por cento dos votos, ficando pela primeira vez abaixo da fasquia dos 50 por cento.

A perda de apoio tornou-se ainda mais evidente nas eleições nacionais de 2024, quando o ANC conseguiu pouco mais de 40 por cento dos votos, resultado que o obrigou a formar uma coligação governamental.

Segundo o analista político Sethulego Matebesi, as eleições municipais tendem a registar uma participação inferior à das eleições nacionais. Ainda assim, os resultados poderão ajudar os partidos a avaliar a sua base de apoio e a preparar a disputa eleitoral de 2029.

Dos 257 conselhos municipais em disputa, Joanesburgo destaca-se como um dos principais campos de batalha política, devido à sua importância económica e à dimensão da população, estimada em mais de 4,8 milhões de habitantes.

Em Alexandra, o funcionário de manutenção Patrick Saohatse considera que o ANC não conseguiu melhorar as condições de vida da população, apesar de governar a região há vários anos. Por essa razão, afirma que pretende votar na Aliança Democrática (DA), o segundo maior partido da coligação governamental.

A DA, que governa a Cidade do Cabo, tem intensificado as críticas ao ANC, apontando falhas na prestação de serviços públicos e problemas de gestão. Num comício recente, Helen Zille, candidata à presidência da Câmara de Joanesburgo, alertou que mais cinco anos de corrupção e degradação das infra-estruturas poderão colocar a cidade numa situação irreversível.

Entretanto, a campanha eleitoral do ANC tem sido marcada por dificuldades, incluindo a ausência de um candidato escolhido para disputar a presidência da Câmara de Joanesburgo, segundo a informação divulgada.

O responsável pela comissão eleitoral do partido, Mdumiseni Ntuli, reconheceu que existem razões para a insatisfação dos eleitores, sobretudo em Joanesburgo e nas zonas circundantes.

Os analistas prevêem que vários municípios poderão terminar as eleições sem uma maioria absoluta, obrigando os partidos a negociar coligações. A instabilidade destes acordos poderá agravar os problemas de governação e comprometer ainda mais a prestação de serviços públicos, aumentando a pressão sobre o ANC.

 

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Os Estados Unidos da América elevaram o nível de alerta de viagem para o Quénia, de dois para três, recomendando aos cidadãos norte-americanos que reconsiderem deslocações àquele país da África Oriental, devido aos riscos associados ao surto de Ébola e à situação de segurança. A actualização, divulgada a 19 de Outubro, aponta igualmente para ameaças relacionadas com a criminalidade, raptos, terrorismo, agitação civil e segurança rodoviária.

 

Washington mantém o alerta de nível quatro, o mais elevado, para determinadas zonas, incluindo os bairros de Eastleigh e Kibera, na capital, Nairobi, bem como áreas de vários condados, para as quais desaconselha todas as viagens.

 

Entretanto, as autoridades sanitárias quenianas anunciaram que o número de casos de Ébola no país subiu para oito, depois de uma pessoa que se encontrava em quarentena ter testado positivo. O paciente foi identificado como um acompanhante de doentes, de 49 anos, que prestou cuidados ao primeiro caso confirmado no país.

 

Segundo o director-geral do Ministério da Saúde do Quénia, Patrick Amoth, os indivíduos em quarentena estão a ser submetidos a testes sempre que apresentam sintomas. O responsável acrescentou que seis dos outros pacientes se encontravam estáveis, após receberem tratamento de suporte.

 

As autoridades identificaram cerca de 130 pessoas que tiveram contacto com o primeiro paciente, incluindo profissionais de saúde. Deste grupo, 128 permaneciam em quarentena, na sequência da morte do primeiro caso, registada a 5 de Outubro.

 

O primeiro paciente era um cidadão queniano de 40 anos que viajou da República Democrática do Congo, passando pelo Uganda, antes de chegar ao Quénia, a 3 de Outubro. Dois dias depois, morreu num hospital de Nairobi.

 

O Ébola é uma doença altamente contagiosa, transmitida através do contacto directo com o sangue e outros fluidos corporais de pessoas infectadas, bem como com materiais e superfícies contaminados.

 

Apesar do aumento do número de casos, as autoridades sanitárias quenianas afirmam não existirem evidências de transmissão comunitária alargada e garantem que estão em curso medidas de contenção. O Ministério da Saúde considera que o risco para a população em geral permanece baixo.

 

O alerta norte-americano surge num momento em que o Quénia procura reforçar a vigilância sanitária e tranquilizar a população e os visitantes internacionais quanto à evolução do surto e às condições de segurança no país.

 

O presidente da UNITA afirmou que a Constituição de Angola “não é democrática” e gera instabilidade no país, criticando a revisão constitucional para alargar mandatos presidenciais.

O presidente da UNITA (oposição) disse ontem que a Constituição de Angola “não é democrática” e que gera instabilidade no país, sublinhando que o seu partido é contra uma revisão constitucional para alargar mandatos presidenciais. “Angola ainda arrisca instabilidade, sim, porque nós continuamos a ter uma Constituição atípica. A nossa Constituição da República de Angola (CRA) não é democrática”, afirmou Adalberto Costa Júnior, presidente da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA).

 

De acordo com o líder da UNITA, que criticou a supressão da votação e eleição directa do Presidente da República no texto constitucional, o MPLA (partido no poder desde 1975) “tem medo de fazer a eleição direta do Presidente de Angola”. Costa Júnior, que falava na abertura de um seminário de capacitação aos deputados do grupo parlamentar da UNITA, considerou que o Presidente, à luz da CRA, é eleito “à boleia” da Assembleia Nacional (parlamento), questionando a independência dos órgãos de soberania.

 

“Em Angola, nós continuamos a ter uma Constituição que prega algo que cria instabilidade”, insistiu, referindo tratar-se de uma modalidade “arriscada” porque um único boletim de voto elege dois órgãos de soberania (o Presidente da República e deputados). Para o presidente da UNITA, a eleição de dois órgãos soberania num mesmo boletim de voto gera instabilidade. Porque, argumentou, limita o uso da CRA e coloca em causa a aplicação e o respeito pelo direito.

 

Segundo a CRA, é eleito o Presidente da República e chefe de Executivo o cabeça de lista, pelo círculo nacional, do partido político ou coligação de partidos políticos mais votados no quadro das eleições gerais. Angola realiza eleições gerais em 2027 e o actual Presidente, João Lourenço, que cumpre o último ano do seu segundo mandato, está impedido pela Constituição de concorrer a um terceiro mandato.

 

O presidente do maior partido da oposição em Angola realçou que o último ano do mandato de João Lourenço representa o fim de um ciclo, tendo insistido na necessidade de o país assumir um “pacto de estabilidade”. Recordou, por outro lado, a última mensagem à nação de João Lourenço, proferida na última quinta-feira na abertura do último ano parlamentar da V Legislatura, e questionou por que razão o Presidente não se despediu, aludindo aos debates públicos do fim de semana.

 

“E foram muitos aqueles que questionaram o que isso significava. Significava a vontade de regressar, estender, por vias anticonstitucionais, a continuidade da sua governação. Eu não sei o que João Lourenço quer fazer, mas para nós este é o fim de um ciclo, claramente”, atirou. Adalberto Costa Júnior observou, igualmente, que a CRA limita os mandatos presidenciais a dois turnos – a cada cinco anos – referindo que “não existe alternativa sem revisão constitucional”. Garantiu, no entanto, que a UNITA “não estará minimamente distraída para poder incorporar, abraçar uma nova revisão constitucional em nenhuma circunstância”.

 

“Estamos mesmo no fim de um ciclo”, reiterou.

 

Na sua intervenção, considerou também que os dez anos de governação de João Lourenço encerra “algo extremamente negativo” que se traduz, no seu entender, em “censura extrema” nos meios de comunicação social estatais, onde disse nunca ter sido convidado para entrevistas. “Nem na televisão, nem na rádio, nem nos jornais. Isto é uma fotocópia clara do tipo de regime que nós temos neste país. Um regime que não serve à liberdade, não serve à pluralidade”, criticou.

O responsável político disse ainda que João Lourenço apresentou à nação um retrato fictício do país, referindo que crescem em Angola a fome, indigência, as limitações das liberdades fundamentais e o “despesismo do Governo”. Por fim, afirmou que o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder) “não tem propostas para continuar a governar o país” e “nem moralidade mínima para o fazer”.

Um tribunal de Mombasa divulgará na segunda-feira um veredicto há muito aguardado no julgamento de um autoproclamado pregador queniano e seus associados, acusados ​​de assassinar 191 pessoas, a maioria crianças, em um infame culto da fome. Centenas de corpos foram descobertos desde 2023 na base da seita, localizada no interior do país, próximo ao balneário queniano de Malindi, no que ficou conhecido como o “Massacre da Floresta de Shakahola”.

 

O autoproclamado pastor Paul Mackenzie é acusado de incitar seus seguidores a morrerem de fome para “encontrarem Jesus”. Mackenzie e seus associados se declararam inocentes de 191 acusações de assassinato em 2024. Ele também negou acusações de homicídio culposo e terrorismo em casos separados. Nos três anos que se seguiram à descoberta macabra, mais corpos de crianças, mulheres e homens foram desenterrados, elevando o total para mais de 400.

 

Mackenzie parecia impassível ao chegar ao Tribunal de Justiça de Mombasa nesta segunda-feira, acompanhado por outros 29 acusados, que desceram de um autocarro com janelas gradeadas, algemados aos pares. Familiares das vítimas também estavam presentes no tribunal, muitos deles vindos de comunidades rurais ao longo da costa, a caminho de Mombasa. Francis Wanje, de 62 anos, perdeu oito membros da família, incluindo sua filha e dois netos, em Shakahola. “Este dia é muito, muito importante para mim”, disse ele à AFP antes do início da sessão. “Esperamos uma decisão que sirva de lição para toda a população, para que esse tipo de coisa não volte a acontecer”, disse ele, expressando indignação com a inação inicial do governo.

No Quénia, surgiram apelos por regulamentações mais rígidas para organizações religiosas depois que veio à tona que Mackenzie já havia sido preso duas vezes, mas libertado. A acusação alega que Mackenzie “iniciou e dirigiu” jejuns extremos em seu rancho de 325 hectares na Floresta de Shakahola, afirmando que havia uma “hierarquia estruturada da morte” que determinava que as crianças deveriam morrer primeiro, seguidas pelos adolescentes, mulheres e, por último, os homens. As crianças morreram principalmente à fome, mas também de “asfixia, compressão do pescoço e traumatismo craniano”, disseram os promotores, com base em autópsias e relatórios policiais. Os advogados de Mackenzie disseram que o caso foi “em grande parte baseado em provas circunstanciais, relatos de terceiros e conclusões forenses inconclusivas”.

 

CASO EXPOSTO 

Mackenzie foi preso em Abril de 2023, depois que um grupo de direitos humanos alertou as autoridades e alguns seguidores foram resgatados. A operação policial subsequente expôs centenas de valas comuns rasas, com um número crescente de mortos, o que exigiu uma pausa nas escavações, pois os necrotérios locais ficaram sem espaço. A Comissão Nacional de Direitos Humanos do Quénia afirmou em 2024 que o número de mortos era de 429. Algumas vítimas ainda não foram identificadas. Em Janeiro, Mackenzie foi acusado em relação a outros 52 corpos encontrados em uma aldeia próxima. O autoproclamado pastor tem um histórico de extremismo e fugiu da justiça durante anos.

Ele fundou a Igreja Internacional Boas Novas em 2003 e estabeleceu filiais em Nairóbi e ao longo da costa do Quénia, que atraíram milhares de devotos, embora ele tenha afirmado que ela fechou em 2019. Ele foi preso em 2017 sob a acusação de “radicalização”, mas foi absolvido. Foi preso novamente em 2019 em relação à morte de duas crianças em Shakahola, mas libertado sob fiança.

 

O antigo Presidente sul-africano Thabo Mbeki negou ter ordenado aos procuradores que arquivassem processos relacionados com crimes da era do “apartheid”, ou celebrado acordos secretos para proteger antigos agentes de segurança da justiça. Ele afirmou que as alegações são uma invenção total.

“É uma invenção total. Nada disso aconteceu”, afirmou Mbeki perante uma comissão de inquérito judicial em Joanesburgo que analisa as alegações de que a interferência política na África do Sul democrática impediu as investigações e os processos judiciais relativos a crimes cometidos sob o regime da minoria branca.

Mbeki, que sucedeu a Nelson Mandela em 1999 e exerceu o cargo até 2008, afirmou numa declaração escrita que a Autoridade Nacional de Acusação (NPA) deve explicar por que razão não deu seguimento aos processos remetidos pela Comissão da Verdade e Reconciliação (TRC).

O seu testemunho surge no contexto de esforços renovados para resolver crimes da era do ‘apartheid’ que permaneceram sem julgamento durante décadas.

Antes da sua comparência, a Fundação para os Direitos Humanos e 25 famílias de vítimas e sobreviventes exigiram uma explicação e um pedido de desculpas.

“Após tantos anos de espera e obscuridade, as famílias aguardam ansiosamente uma explicação sincera sobre o motivo pelo qual lhes foi negada justiça”, afirmou o diretor executivo da fundação, Zaid Kimmie, num comunicado.

O Congresso Nacional Africano (ANC) esteve na vanguarda da luta contra o sistema de domínio da minoria branca e conduziu a África do Sul à democracia quando o ‘apartheid’ chegou ao fim em 1994.

No entanto, os governos liderados pelo ANC desde então têm sido alvo de críticas por parte de alguns por darem prioridade à reconciliação nacional em detrimento da justiça para as vítimas.

O Presidente Cyril Ramaphosa ordenou a abertura do inquérito em Abril passado, depois de sobreviventes e famílias das vítimas terem processado sucessivos governos por não terem investigado homicídios, desaparecimentos e outros crimes não resolvidos.

A comissão da verdade, presidida pelo arcebispo Desmond Tutu desde 1996, ofereceu amnistia aos autores dos crimes em troca da revelação completa de crimes de motivação política.

Aqueles a quem foi negada a amnistia – ou que não a solicitaram – continuaram sujeitos a processo judicial, mas muitas famílias das vítimas esperaram décadas por justiça.

A comissão da verdade recebeu cerca de 7.000 pedidos de amnistia.

Em Novembro de 2000, cerca de 850 tinham sido concedidos e cerca de 5.400 recusados, de acordo com um balanço provisório publicado pelo ministério da Justiça, tendo outros pedidos sido parcialmente concedidos, retirados ou ainda em processo de análise.

A comissão da verdade remeteu cerca de 300 casos para investigação adicional e eventual acusação, de acordo com uma análise encomendada pela NPA, mas apenas um pequeno número de casos resultou em processos judiciais bem-sucedidos. Muitos dos casos remetidos ficaram paralisados devido a alegações de interferência política.

As acusações contra Mbeki incluem conversações secretas com antigos generais do exército para garantir um acordo clandestino com vista a evitar a instauração de processos judiciais.

A Bastonária da Ordem dos Advogados diz que nenhum advogado deve ser ameaçado ou intimidado no exercício da profissão. Thera Dai falava hoje, em Maputo, após uma marcha alusiva ao assassinato de Elvino Dias, advogado e entao assessor juridico de Venancio Mondlane. 

Passam-se dois anos que Elvino Dias, Advogado e então assessor jurídico de Venâncio Mondlane, foi barbaramente assassinado em circunstâncias até aqui desconhecidas.

Para marcar a data e exigir respostas às autoridades de justiça, a Ordem dos Advogados de Moçambique organizou uma marcha na cidade de Maputo, que culminou na avenida Joaquim Chissano, exactamente no local onde Elvino Dias deu o último suspiro. 

“Nós não temos essa informação, por exemplo, de onde é que estão. Tivemos alguma sensação, não deixou de ser sensação, de que algumas pessoas tivessem sido detidas. Não sabemos quem são, onde é que estão, o que é que fazem e não sabemos qual é neste momento o avanço da investigação criminal para este caso. Isto preocupa-nos, mas não nos tira a esperança. E nós vamos continuar a pressionar o Ministério Público, vamos continuar a pressionar o sistema da administração da Justiça, não sei o que, até o Presidente da República, porque ele é advogado. Vamos continuar a pressionar a ele para que ele nos ajude a esclarecer este caso”, disse, após a passeata, Nelson Cossa, Advogado e Presidente da Comissão da Defesa e Reforço das Prerrogativas dos Advogados, a nível da OAM.

Cossa diz que a falta de esclarecimento sobre o assassinato de Dias transmite aos advogados o sentimento de inseguranca.  

O 19 de Outubro foi instituído como o dia de reflexão sobre as prerrogativas dos advogados, por isso, a ordem reuniu advogados para dizer que seus direitos são inegociáveis.

A bastonária da ordem, Thera Dai foi quem orientou a abertura da mesa redonda. Teceu duras críticas à intimidação de advogados.

“Ao prestarmos esta homenagem, reafirmamos que nenhum advogado deve ser intimidado, ameaçado ou colocado em risco pelo exercício legítimo da sua profissão. A memória do nosso colega deve traduzir-se num compromisso permanente com a defesa da dignidade da advocacia e com a exigência de esclarecimento e responsabilização pelos actos que atentem contra a vida, a liberdade e a segurança dos profissionais da Justiça”.

Dai destacou, com respeito, o trabalho da antiga equipa gestora da organização, no que concerne a defesa das prerrogativas, mas mostrou preocupação.

“Apesar das conquistas alcançadas, continuamos a confrontar-nos com obstáculos ao exercício pleno das prerrogativas que se manifestam de diferentes formas e com particularidades próprias nas várias províncias do país. Persistem preocupações relacionadas com o acesso aos constituintes detidos, à consulta de processos, às condições de atendimento nos órgãos de administração da Justiça, o relacionamento institucional entre os diferentes operadores e a necessidade de maior respeito pela independência da advocacia. Estas situações exigem respostas que ultrapassam a intervenção pontual perante cada ocorrência”, disse a Bastonária.

Só nos últimos três anos, 35 casos de violação de direitos e garantias dos advogados foram comprovados. Os números tiram sono a classe.

“A defesa das prerrogativas não pode continuar a depender da capacidade individual de cada advogado de fazer valer os seus direitos que a lei o reconhece. Hoje, particularmente, não acho de bom tom dizer que estamos livres quando nós estamos aqui a celebrar esta data que é fruto daquilo que aconteceu com o nosso colega e nós não temos neste momento, até agora, qualquer resposta. Então a minha resposta não seria sim nem não, mas neste momento, tendo em conta a data e a reflexão que estamos a fazer agora, nós entendemos que existe algum tipo de ocultação de alguns factos”, desabafou a advogada Judite Ngula.

Entre os desafios constam a dificuldade no acesso aos constituintes, detenções ilegais, agressão física e assassinatos aos advogados.

A artista visual Patrícia Costa inaugura, na quarta-feira, 21 de Outubro, na Fundação Fernando Leite Couto, em Maputo, a exposição O Sol da Meia-Noite, um projecto artístico que parte da fotografia documental para reflectir sobre a luz, a esperança e a capacidade humana de resistir às adversidades.

A exposição reúne imagens produzidas ao longo de mais de duas décadas de contacto da artista com comunidades marcadas pela pobreza, conflitos e desigualdades, no âmbito do seu percurso profissional nas áreas do desenvolvimento comunitário e da comunicação para o desenvolvimento. Inicialmente utilizadas como instrumentos de documentação e memória, estas fotografias dão agora origem a uma investigação visual sobre a forma como observamos e interpretamos a realidade.

Em O Sol da Meia-Noite, a fotografia documental cruza-se com a colagem contemporânea, a folha de ouro, os padrões inspirados em África e na Índia e outros elementos simbólicos. Através desta combinação, Patrícia Costa procura revelar dimensões de esperança, força e humanidade que coexistem com situações de vulnerabilidade, sem ocultar as feridas ou suavizar as dificuldades retratadas.

A folha de ouro assume particular importância no conceito da exposição, surgindo como metáfora de transformação. Inspirada na tradição japonesa do kintsugi, que valoriza as fracturas em vez de as esconder, a artista propõe um olhar que reconhece as marcas da experiência como parte integrante das histórias individuais e colectivas.

Nascida em Portugal, Patrícia Costa cresceu entre diferentes países e culturas, incluindo Moçambique, Brasil, Reino Unido, África do Sul e Angola. É formada em Psicologia pela Brunel University, em Londres, e mestre em Development Management pela London School of Economics. Ao longo de mais de vinte anos, trabalhou com organizações nacionais e internacionais em áreas como saúde, educação, conservação, género e desenvolvimento comunitário.

Actualmente a viver e trabalhar em Maputo, a artista desenvolve uma prática que articula fotografia, percepção e construção de significado.

Com O Sol da Meia-Noite, Patrícia Costa convida o público a desacelerar o olhar e a questionar as narrativas construídas em torno da realidade, reconhecendo a coexistência entre luz e escuridão, dor e esperança, fragilidade e resistência.

O Governo de Moçambique foi distinguido com o Prémio Internacional de Género 2026, atribuído pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), em reconhecimento dos resultados alcançados na promoção da igualdade de género e do empoderamento económico das mulheres rurais, através do Programa de Desenvolvimento Inclusivo de Cadeias de Valor Agro-Alimentares (PROCAVA).

A distinção, atribuída na categoria regional da África Oriental e Austral, foi entregue durante uma cerimónia realizada no dia 15 de Outubro de 2026, em Roma, Itália, por ocasião do Dia Internacional da Mulher Rural, no contexto das celebrações do Ano Internacional da Mulher Agricultora.

O Governo de Moçambique esteve representado na cerimónia pela Directora-Geral do Fundo de Fomento Agrário e Extensão Rural, Fundo Público (FAR, FP), Lúcia Luciano, acompanhada pela Especialista de Género do PROCAVA, num momento que assinalou o reconhecimento internacional dos esforços desenvolvidos pelo país na promoção de um sector agrário mais inclusivo, sustentável e sensível às questões de género.

Moçambique figura entre os cinco países distinguidos a nível mundial nesta edição, juntamente com o Paquistão, México, Síria e Burkina Faso, cujos projectos foram reconhecidos pelas abordagens inovadoras e pelos resultados alcançados na promoção da igualdade de género e do empoderamento das mulheres rurais.

PROCAVA impulsiona o empoderamento económico das mulheres rurais

Implementado pelo Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP), com apoio financeiro do FIDA, o PROCAVA tem contribuído para a transformação do sector agrário moçambicano, através do fortalecimento das cadeias de valor agro-alimentares, melhoria da produtividade, promoção do acesso aos mercados e criação de oportunidades económicas para as famílias rurais.

De acordo com os dados divulgados pelo FIDA, o Programa já alcançou mais de 167 mil agregados familiares, correspondentes a cerca de um milhão de pessoas, sendo que as mulheres representam 55% dos participantes.

Entre os resultados que contribuíram para esta distinção, destaca-se a implementação da metodologia Gender Action Learning System (GALS), uma abordagem participativa que promove a igualdade de oportunidades entre mulheres e homens, incentivando a tomada conjunta de decisões, a gestão partilhada dos recursos familiares e a participação activa das mulheres nos processos de desenvolvimento económico e comunitário.

Através desta metodologia, mais de 29 mil pequenos produtores beneficiaram de formação, contribuindo para o reforço da participação feminina nas organizações de produtores, nas quais as mulheres ocupam actualmente 42% dos cargos de liderança.

O PROCAVA tem igualmente promovido o acesso das mulheres a tecnologias agrícolas, equipamentos de mecanização e infraestruturas produtivas, contribuindo para a redução do esforço físico, melhoria das condições de trabalho e aumento da produtividade.

No domínio da inclusão económica, mais de 136 mil produtores rurais tiveram acesso a insumos e pacotes tecnológicos, enquanto cerca de 32 mil pessoas beneficiaram de novas oportunidades de emprego.

Os países em desenvolvimento precisam de reforçar a conectividade digital e controlar o endividamento para beneficiarem dos avanços tecnológicos e protegerem as populações mais vulneráveis. A recomendação foi destacada durante as reuniões anuais do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), realizadas em Banguecoque.

De acordo com o mais recente relatório Perspectivas da Economia Mundial, publicado pelo FMI na terça-feira, o crescimento económico global situa-se em 3,1%, enquanto a inflação mundial atingiu 4,7%.

O documento aponta para um cenário económico marcado por desafios geopolíticos, pelo aumento dos custos da energia e pela intensificação dos fenómenos climáticos extremos, que afectam particularmente as economias em desenvolvimento e vulneráveis às alterações climáticas.

Apesar do crescimento impulsionado pelo desenvolvimento da inteligência artificial e da indústria tecnológica em algumas economias, vários países continuam à margem destes benefícios, devido à limitada conectividade digital e à falta de capacidade para acompanhar a transformação tecnológica.

Durante os encontros, os participantes alertaram ainda para a situação da dívida pública, com mais de 60% dos países de baixo rendimento em situação de sobreendividamento ou em risco de atingir esse nível.

Wayne Henry, presidente e director-geral do Instituto de Planeamento da Jamaica, afirmou que as tensões geopolíticas, com impacto nos preços do petróleo e da energia, estão a intensificar as pressões inflacionistas. O responsável destacou igualmente a vulnerabilidade de várias economias aos fenómenos climáticos extremos, com particular incidência na região das Caraíbas.

Henry considerou que, embora o crescimento associado à inteligência artificial esteja a beneficiar os países integrados nas respectivas cadeias de abastecimento, muitas economias em desenvolvimento continuam sem aproveitar plenamente estas oportunidades.

O responsável defendeu, por isso, a necessidade de maiores investimentos na conectividade digital, como forma de permitir que estes países acompanhem os avanços tecnológicos e reforcem a sua participação na economia mundial.

Entre as medidas apontadas para enfrentar os desafios económicos estão o controlo da dívida pública, a consolidação das contas do Estado e a protecção dos sistemas de apoio social, aliadas ao investimento em infra-estruturas digitais.

A combinação destas medidas é considerada fundamental para garantir maior estabilidade económica, proteger as populações vulneráveis e criar condições para que os países em desenvolvimento beneficiem das oportunidades da economia digital.

 

O Governo da província de Tete entregou 180 cabeças de gado bovino a produtores dos distritos de Angónia, Tsangano e Macanga, numa iniciativa destinada a aumentar a produção e a produtividade agrícola, bem como a melhorar as condições de vida das famílias rurais.

Do total de animais distribuídos, 60 foram destinados ao distrito de Angónia, 78 a Tsangano e 42 a Macanga. Dos 180 bovinos, 120 destinam-se à tracção animal e 60 fêmeas à reprodução, devendo beneficiar 120 famílias produtoras.

Segundo o governador de Tete, Domingos Viola, o apoio pretende promover a transição da agricultura tradicional, baseada no uso da enxada, para sistemas de produção semi-mecanizados, com recurso à tracção animal, permitindo aos produtores aumentar as áreas de cultivo e reduzir os custos de produção.

Viola apelou aos beneficiários para que utilizem os animais de acordo com os objectivos definidos, de modo a garantir o impacto esperado da iniciativa no aumento da produção agrícola.

O distrito de Tsangano, considerado um dos celeiros agrícolas da província de Tete, está entre os principais beneficiários do programa. Para Alberto Luís, produtor abrangido pela iniciativa, a disponibilização do gado representa uma oportunidade para reduzir os encargos com a contratação de mão-de-obra e tornar a actividade agrícola menos dispendiosa.

A entrega das cabeças de gado enquadra-se no Programa de Cadeias de Valor Agrícolas (PROCAVA), que visa contribuir para a redução da pobreza, o reforço da segurança alimentar e nutricional e a promoção de meios de subsistência resilientes nas zonas rurais.

Implementado em 75 distritos de Moçambique, ao longo de dez anos e em duas fases, o PROCAVA tem como objectivo aumentar o rendimento líquido das famílias rurais através do desenvolvimento de cadeias de valor agro-alimentares resilientes às mudanças climáticas.

O programa abrange, entre outras áreas, a produção de hortícolas sob irrigação, carne vermelha, avicultura, mandioca e leguminosas, privilegiando as cadeias de valor com maior potencial de desenvolvimento em cada província.

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