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O País – A verdade como notícia

Primeira-Dama critica mulheres que atribuem vários pais aos seus filhos

A presidente da Organização da Mulher Moçambicana (OMM) e Primeira-Dama da República, Gueta Chapo, defende que os homens devem assumir a responsabilidade pela paternidade e garantir o sustento dos seus filhos.

Gueta Chapo considera preocupante a prática de algumas mulheres que atribuem a paternidade dos seus filhos a vários homens, alegadamente como forma de garantir benefícios financeiros.

A reacção surge na sequência de uma denúncia feita recentemente por uma juíza do Tribunal de Família e Menores, em Manica, segundo a qual existem mulheres que atribuem a paternidade dos mesmos filhos a diferentes homens, com o objectivo de obter apoio financeiro.

Gueta Chapo considera a situação um comportamento negativo e ressalta que é necessário distinguir os casos em que uma mulher tem filhos de pais diferentes.

“É um comportamento negativo, não é? Porque a lei já prevê que, quando um homem tiver um filho, tem de sustentar a sua criança. Então, eu acho que não é um comportamento bom, que nós, as mulheres, temos feito, em queixar várias vezes para vários homens”, afirmou Guetta Chapo.

A Primeira-Dama questiona, entretanto, como uma mulher pode exigir sustento a vários homens quando tem apenas um marido, admitindo que a situação é diferente quando existem filhos de pais diferentes.

“Eu tenho de perceber melhor como é que uma mulher queixa para três, quatro, cinco homens, uma vez que só tem um único marido, a não ser que ela tenha tido vários filhos com homens diferentes. Aí sim, ela tem direito de exigir, porque não fez os filhos sozinha”, acrescentou Gueta Chapo.

Gueta Chapo falava em Chimoio, durante uma actividade de mobilização de material para a construção do Centro de Sustentabilidade da Mulher, uma iniciativa que envolve mulheres da OMM na produção de tijolos e noutras actividades ligadas à construção.

No local, as mulheres participam directamente em todas as etapas de produção dos blocos, numa demonstração de união e aprendizagem de novas habilidades.

“Unimos-nos e mostramos que nós podemos. Aquelas que ainda não aprenderam estão a aprender aqui: uma busca água, outra carrega areia, outra mistura, as outras estão a bater a massa e depois temos o final, quando colocamos a massa na forma e tiramos o bloco”, explicou Rosa Kararadza, membro da OMM.

A iniciativa está a permitir que jovens e mulheres adquiram conhecimentos sobre a produção de materiais de construção, com o objectivo de reforçar a sua autonomia e capacidade de participação em projectos comunitários.

“Toda a mulher de Chimoio deve aprender a fabricar tijolos. Chegamos às seis horas, já aprendemos. Eu sofri um pouco aqui, porque estou a aprender de verdade”, avançou Benedita Zunguza, membro da OMM.

Para além dos tijolos produzidos pelas próprias mulheres da OMM, a Primeira-Dama mobilizou diversos materiais de construção para o local, com vista à concretização do Centro de Sustentabilidade da Mulher em Chimoio.

A iniciativa pretende envolver as mulheres na construção e, simultaneamente, promover competências práticas que possam contribuir para o seu empoderamento económico e social.

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